Após lei seca, mortes caem 12% nas federais

Brasil: da série “o Brasil que dá certo”

A pesar das resistências, dos “papudins” e dos desvairados pelo lucro, a legislação que tira do volante aqueles que costumam beber e dirigir, mostra que é eficaz.

De Eduardo Scolese e Johanna Nublat – Folha On Line

O número de mortos nas estradas federais caiu 12% nos 30 primeiros dias de lei seca em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo levantamento feito pela PRF (Polícia Rodoviária Federal).

A variação foi mínima no total de feridos (queda de 1%) e de acidentes (alta de 1,3%).

De 20 de junho a 20 de julho deste ano, 534 pessoas morreram em estradas federais e outras 6.219 ficaram feridas, num total de 10.676 acidentes.

No mesmo intervalo de 2007, ocorreram 607 mortes, 6.284 feridos e 10.537 acidentes nas vias federais.

Lei seca para motoristas e a Lenda Árabe

Por Wálter Maierovitch¹

No boletim Justiça e Cidadania desta terça conversei com a competente jornalista Fabíola Cidral sobre a nova legislação referente ao consumo de álcool e drogas proibidas por condutores de veículos automotores.

Aí, encontrei na minha caixa-postal várias mensagens. A maioria dos ouvintes do Justiça e Cidadania queria saber sobre a lenda árabe referida no boletim. Ou seja, sobre as três fases “animais” da embriaguez.

Vamos lá. Primeiro, quem lembra do Cesare Lombroso, nascido em Verona em 1835 e criador da Antropologia Criminal?

Como todos lembram, podemos prosseguir. Efetivamente, ele se tornou inesquecível com a sua furada teoria sobre o criminoso nato . Médico legista, psiquiatra e criminologista, Lombroso escreveu a célebre obra “L´Uomo Delinquente” (O Homem Delinqüente).

Com efeito, fiquei a saber da lenda árabe por meio da obra de Lombroso. Numa tradução livre, Lombroso lembrou ter o diabo regado com sangue de três animais a primeira videira: macaco, leão e porco.

A videira da lenda, observa Lombroso, fora plantada por Adão e não por Noé. E os três animais, — macaco, leão e porco —, simbolizariam as três fases da embriaguez.

Na primeira fase, a do macaco, o indivíduo fica irrequieto e buliçoso. Na segunda, do leão, transforma-se em violento e agressivo. Na terceira, vira sórdido.

Por ocasião do boletim, o motorista-macaco fica falante, loquaz. Torna-se desatento e irrequieto. Os freios inibitórios ficam liberados para as imprudências. Também, registre-se, para inconfidências: in vino veritas .

O motorista-leão, a segunda fase da embriaguez, vira irritado e violento. Quase sempre, pode ser percebido com a mão fechada e apenas o dedo-médio esticado. O braço rígido é esticado para fora do vidro.

A terceira fase, do motorista-porco é a da sonolência, que progride para o estado comatoso. Nada a ver com o porco do Palmeiras, um glutão de títulos e copas.

>> Biografia de Wálter Maierovitch