Quem é Hamza, o filho de Bin Laden que pode ser o novo líder da Al-Qaeda

Uma nova mensagem de áudio, divulgada recentemente em uma das redes da Al-Qaeda, voltou a lançar luz sobre uma figura emergente dentro do grupo radical: a voz da mensagem é de alguém que afirma ser Hamza Bin Laden, um dos filhos de Osama Bin Laden.

YouTube/GettyHamza Bin Laden é considerado por vários analistas como o filho preferido de Osama para se transformar em seu sucessor – Image copyrightYOUTUBE/GETTY

Não é a primeira vez que o filho de Bin Laden faz uma gravação para a Al-Qaeda. Mas foi a primeira vez que o grupo radical apresentou oficialmente Hamza como seu membro.

Desde que Osama Bin Laden, líder da organização, foi morto pelas forças especiais americanas em Abbottabad, no Paquistão, em 2011, a Al-Qaeda parecia estar perdendo sua força e influência, a ponto de parecer, ao menos sob os olhos do Ocidente, relegado à sombra do grupo autodenominado Estado Islâmico.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Apesar disso, analistas afirmam que o grupo extremista não está menos perigoso.

Segundo Fawaz Gerges, autor dos livros The Rise and Fall of Al-Qaeda(“Ascensão e Queda da Al-Qaeda”, em tradução livre) e ISIS: A History (“EI: Uma História”) e especialista em política no Oriente Médio, Hamza Bin Laden tem todas as credenciais para se transformar no novo líder da organização.

Carisma e popularidade

Nos últimos anos, a Al-Qaeda tem sido liderada pelo egípcio Ayman al Zawahiri, com uma abordagem mais pragmática.

Sua nova estratégia se concentrou em conseguir mais apoio local, com o objetivo de ser um grupo “muito mais duradouro” do que o Estado Islâmico (EI), explicou à BBC Charles Lister, membro do Middle East Institute, centro de estudos localizado nos Estados Unidos.

Mas, com a liderança do filho de Osama, o grupo poderia ter muito mais sucesso.

Getty ImagesA Al-Qaeda pode mudar de estratégia e tentar objetivos mais próximos do que os Estados Unidos e a Europa – Image copyrightGETTY IMAGES

“A Al-Qaeda está desesperada para ter uma nova imagem, principalmente se levarmos em conta a ascensão do EI nos últimos anos e a sombra que ele jogou na Al-Qaeda”, afirmou Gerges.

“Hamza Bin Laden é a nova cara da Al-Qaeda. É carismático e muito popular entre os soldados”, explicou o acadêmico.

Gerges ainda acrescentou que Hamza era o “filho favorito de Osama”.

De acordo com o pesquisador, já se comentava a possiblidade de Hamza suceder o pai, já que, apesar de ser jovem, o filho de Bin Laden tem experiência na Al-Qaeda.

Desde 2001

A Al-Qaeda já divulgou várias mensagens de Hamza Bin Laden. E a primeira aparição pública do filho de Osama havia ocorrido ainda em 2001.

Getty ImagesDepois da morte de Bin Laden, o comando da Al-Qaeda ficou nas mãos de Ayman al Zawahiri (esq.) Image copyrightGETTY IMAGES

Na época, ele tinha apenas dez anos e foi visto em um vídeo perto dos destroços de um helicóptero americano caído na província de Ghazni, Afeganistão. Ele foi mostrado caminhando perto de combatentes do Talebã.

Desde então, ele começou a pregar o assassinato de “infiéis” e a usar um uniforme militar.

Um vídeo divulgado em 2005, chamado O Mujahedin do Waziristão, mostrava Hamza participando de um ataque da Al-Qaeda contra forças de segurança paquistanesas na região montanhosa da fronteira com o Afeganistão.

Nos anos seguintes, ele publicou poemas sobre as proezas militares da Al-Qaeda instigando os militantes a “acelerar a destruição de Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Dinamarca”.

O filho de Bin Laden tem hoje cerca de 25 anos e, segundo Gerges, com “novas ideias” de que a Al-Qaeda acredita “precisar” para se renovar.

Guerra de duas frentes

A primeira mensagem com a voz de Hamza foi divulgada em 2015, na qual ele pregava a violência contra os Estados Unidos e seus aliados, com uma convocação à jihad (“guerra santa”) aos combatentes do grupo em Bagdá, Cabul e Gaza, tendo como “alvos” Washington, Londres, Paris ou Tel Aviv.

Meses depois, em maio de 2016, ele divulgou mais uma mensagem convocando a intifada e falando da “libertação” de Jerusalém e da “revolução” na Síria.

ReutersA Al-Qaeda quer deixar claro que o grupo também tem presença na Síria e que não é apenas o EI que está tentando derrubar o governo do país
Image copyrightREUTERS

Em julho, ele falou sobre vingar a morte de seu pai em um discurso de mais de 20 minutos.

E, em sua última mensagem, Hamza fala sobre a convocação de jovens sauditas para que “derrubem” a monarquia de seu país e se juntem à Al-Qaeda da Península Arábica, que opera principalmente no Iêmen.

Essa convocação contra a Arábia Saudita, segundo Gerges, pode significar uma possível mudança de estratégia do grupo jihadista – que antes se concentrava apenas em inimigos mais distantes no Ocidente.

“O que Hamza está dizendo é que o EI não é o único grupo declarando guerra aos governos da Arábia Saudita, Síria e Iraque; que eles também participam disso.”

O problema, de acordo com o especialista, é que agora as potências ocidentais enfrentam uma guerra em duas frentes: “Uma frente contra o Estado Islâmico no Iraque, Síria e Líbia e outra contra a Al-Qaeda no Afeganistão, Paquistão, Iêmen e outros cenários”, explicou Gerges.
Com dados da BBC

NYT’ destaca ameaça de terrorismo na Rio 2016

Reportagem também fala da criminalidade em ascensão na cidade The New York Times afirma que homens presos no Brasil por suposta combinação de ameça terrorista tem perfis semelhantes aos que cometeram massacres em Nice e Munique

O jornal norte-americano The New York Times traz na edição desta quinta-feira (4) uma matéria sobre a Olimpíada Rio 2016, que começa nesta sexta (5).

O editorial analisa que os líderes locais e a sociedade brasileira estão mal preparados para uma ameaça de ataque terrorista como aqueles em Munique, em 1972, e Atlanta, em 1996.

Eles não têm experiência com o problema e não têm recursos humanos e financeiros suficientes. Além disso, a estrutura da segurança pública no país é fraca.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A cooperação internacional está ajudando, mas o Brasil deve enfrentar o desafio e melhorar as suas instituições no futuro.

O texto do New York Times lembra que no dia 21 de julho a Polícia Federal prendeu 12 suspeitos sob a acusação de tentativa de estabelecer conexões com o Estado islâmico. As prisões foram realizadas sob uma nova lei antiterrorismo que entrou em vigor este ano. Os suspeitos, que se chamavam “Defensores da Shariah”, têm sido ridicularizados na mídia social por falta de armas militares ou de formação, e por nem sequer saber um do outro, além da utilização de serviços de mensagens móveis como WhatsApp e Telegram. Mas homens com perfis semelhantes cometeram massacres em Nice e Munique.

> > The New York Times No Game: The Olympics, Rio and Terror

The New York Times afirma que homens presos no Brasil por suposta combinação de ameça terrorista tem perfis semelhantes aos que cometeram massacres em Nice e Munique

Há uma razão histórica que torna difícil até mesmo discutir a questão do terrorismo no Brasil. Entre os anos 1964 e 1985 a ditadura usou a palavra “terroristas” para classificar grupos pacíficos que se opunham a ele. Desde então, sob o regime democrático, a liderança política tem evitado usar esta palavra.

Os grupos fundamentalistas, como a Al Qaeda ou o Estado islâmico, estão longe de ser a realidade dos brasileiros, que há mais de um século convivem com uma grande comunidade árabe – de sete a dez milhões, incluindo o presidente interino, Michel Temer, um filho de imigrantes libaneses – próspera e bem integrada, comenta o The New York Times.

Os brasileiros estão lidando não só com a inexperiência das autoridades com o terrorismo, mas também com a falta de recursos de segurança. O Rio de Janeiro está passando por um colapso financeiro; bombeiros, médicos, policiais e professores ficam sem receber seus salários. Às vezes, não há dinheiro para suprimentos básicos, como a gasolina para carros da polícia.

O New York Times acrescenta que a atual crise política, incluindo o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, e a pior recessão econômica em 25 anos fez com que um maioria da população se colocasse contra ou indiferente aos Jogos Olímpicos – apenas 40 por cento dos brasileiros acreditam que tal evento seja bom para o país.

O governo está focado no risco de lobos solitários, inspirado por grupos fundamentalistas, que pode se direcionar a delegações estrangeiras. Apesar da forte cooperação internacional, a polícia brasileira e os serviços de inteligência não têm agentes e especialistas com experiência sobre o modus operandi do Estado Islâmico, diz o The New York Times.

Há também uma preocupação com a taxa de homicídios em ascensão no Rio de Janeiro. O governo informou 2.100 assassinatos de janeiro a maio deste ano, um aumento de 13 por cento sobre o mesmo período em 2015. A cidade é dominada pelo crime, com a circulação descontrolada de armas automáticas e policiais despreparados.

A Força Nacional, que é encarregado de proteger instalações desportivas durante os Jogos Olímpicos, está sendo coagida pelos grupos paramilitares em áreas pobres, restringindo os movimentos dos oficiais e estabelecendo regras para o seu comportamento – por exemplo, proibindo-os de ir a bares nestes comunidades.

Para a maioria dos brasileiros, crime todos os dias é uma ameaça muito mais iminente do que o terrorismo. Mas isso não faz a ameaça do terrorismo menos perigoso ou real, finaliza o The New York Times.
JB

Massacre na Flórida: O que levou atirador investigado pelo FBI a ter porte de fuzil

Como Omar Mateen, autor do massacre de Orlando, conseguiu autorizações legais para comprar e portar armas mesmo tendo sido investigado duas vezes pelo FBI (polícia federal americana) e respondido a processo por violência doméstica?

Policiais e curiosos próximos à cena do crime
O ataque à Pulse foi um dos maiores massacres da história recente dos Estados Unidos – Image copyright AP

Essa pergunta tem permeado os debates em torno do maior massacre a tiros da história recente dos Estados Unidos.

Mateen, que foi morto em confronto com policiais, era descrito como violento, mas trabalhava em uma empresa de segurança. Era funcionário desde 2007 da multinacional G4S, que presta serviços em mais de 20 centros de detenção juvenil da Flórida.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Aos 29 anos, o filho de afegãos havia sido investigado pelo FBI pela primeira vez em 2013, quando comentou com colegas ter supostos vínculos com terroristas, segundo afirmou Ronald Hopper, agente especial da polícia federal americana.

“O FBI investigou o assunto com cuidado, fez entrevistas com testemunhas, o vigiou e revisou seu histórico criminal”, disse o Hopper. Mateen foi interrogado duas vezes. “No fim, não foi possível verificar a fundo seus comentários, e a investigação foi encerrada.”

Nesta segunda-feira, o diretor do FBI, James Comey, relatou que ele havia feito afirmações “inflamadas e contraditórias” – dizendo inclusive ter conexões com a Al-Qaeda e o Hezbollah, dois grupos diametricamente opostos.

À polícia, porém, o atirador argumentou que os comentários foram apenas uma reação a atos de discriminação por parte dos colegas. Após dez meses de apurações, o FBI encerrou o caso.

A segunda investigação, um ano depois, começou porque Mateen frequentou a mesma mesquita que um homem-bomba.

Na ocasião, uma pessoa ouvida pela polícia afirmou que chegou a temer que ele tivesse se radicalizado, mas que as preocupações haviam se dissipado porque o rapaz tinha se casado e tido um filho recentemente.

O FBI acabou concluindo que o contato entre Mateen e Moner Mohammad Abusalha, um cidadão da Flórida que se juntou ao autoproclamado Estado Islâmico na Síria, tinha sido mínimo e não constituía ameaça.

Embora estivesse no radar do FBI, Mateen não estava na lista oficial de pessoas suspeitas de ligação com o extremismo, e, por isso, era legalmente apto a obter licença para portar armas, de acordo com os registros da Flórida.

Omar Mateen tira selfie
Omar Mateen foi interrogado pelo FBI em 2013 e 2014

Após o ataque à boate Pulse, os agentes americanos agora investigam se ele realmente tinha laços com extremistas islâmicos – antes ou durante o atentado, ele ligou para o serviço de emergência jurando lealdade ao Estado Islâmico.

Além das suspeitas do FBI, Mateen respondeu na Justiça por episódios de violência doméstica contra sua então mulher, Sitora Yusufiy, com quem esteve casado entre 2009 e 2011. Ela disse ter apanhado dele em diversas ocasiões.

Um ex-colega de trabalho, Daniel Gilroy, disse à imprensa americana que o atirador “falava em matar gente” e tinha comportamento intolerante.

Gilroy disse ter se queixado à empresa em que trabalhavam – a G4S afirmou que os antecedentes de Mateen foram verificados antes de sua contratação, em 2007.

A questão das armas

Mesmo sendo alvo de investigações, Mateen tinha a licença D2723758, que autorizava a possuir armas. Ela expiraria apenas em 14 de setembro de 2017, segundo registros do Departamento de Agricultura e Serviços do Consumidor da Flórida – o Estado americano com a maior porcentagem de civis armados.

Segundo a Gunpolicy, uma organização especializada política de armamentos, 51,2% das residências da Flórida têm ao menos uma arma de fogo.

Só no ano passado, 885 mil armas foram vendidas para pessoas físicas, de acordo com dados do governo do Estado – 109 mil a mais que no ano anterior.

O direito de portar armas é garantido nos Estados Unidos pela Segunda Emenda da Constituição, que vigora desde dezembro de 1791.

A GunPolicy e outras organizações que estudam o tema estimam que haja 270 milhões de armas nas mãos de civis no país. A população americana é de cerca de 316 milhões de habitantes.

Fuzis
O fuzil AR-15 foi usado em outros ataques nos Estados Unidos
Image copyright GETTY IMAGES

A Lei Nacional de Armas regula o comércio, o porte e o uso de armas na esfera federal, mas cada Estado tem legislações específicas sobre o tema.

A GunPolicy classifica a legislação da Flórida como “permissiva” – ela foi aprovada em 1987 e revista em julho de 2012, quando a compra de armamento foi facilitada e os custos da burocracia para obter o porte de arma, reduzidos.

A legislação determina que civis não podem possuir metralhadoras e armas automáticas fabricadas antes de 19 de maio de 1986. Mas eles podem adquirir armas semiautomáticas – como por exemplo revólveres, pistolas, fuzis e munições (inclusive de calibres pesados, como o 0.50).

Não é preciso ter licença para praticar tiro ao alvo. Portar uma arma o tempo todo, porém, demanda uma autorização especial: para consegui-la, é necessário apresentar uma justificativa – como estar com a vida ameaçada ou trabalhar com transporte de dinheiro ou documentos importantes.

Fuzil AR-15

Marteen tinha licença para ter um fuzil AR-15 por trabalhar na área de segurança. Além dessa arma, ele possuía uma pistola e “uma quantidade desconhecida de munição”, segundo afirmou o chefe de polícia John Mina logo após o ataque à boate Pulse.

O AR-15 foi o mesmo fuzil utilizado para matar estudantes do colégio de Sandy Hook, em Connecticut, em 2012, espectadores que assistiam a um filme do Batman em um cinema do Colorado no mesmo ano e pessoas que estavam em um centro comunitário de San Bernardino, na Califórnia, em dezembro passado.

A arma também é bastante popular entre traficantes de drogas que operam no México, segundo a Procuradoria-Geral do país.

“Como alguém com esse histórico, depois de ter sido interrogado pelo FBI três vezes por possíveis vínculos terroristas e ser acusado de violência doméstica pela ex-mulher, pode ter uma arma de assalto?”, questionou o parlamentar William R. Keating, do Partido Democrata.

Como o maior inimigo da Al Qaeda tomou o Iêmen e por que os EUA não irão apoiá-lo

O presidente iemenita Abdu Rabbu Mansour Hadi, seu primeiro-ministro e seu gabinete de governo inteiro renunciaram em massa essa semana.

RT

Sanaa – O presidente iemenita Abdu Rabbu Mansour Hadi, seu primeiro-ministro e seu gabinete de governo inteiro renunciaram em massa ontem, apenas 24 horas depois de os rebeldes Houthis ocuparem o complexo presidencial em Sanaa. As demissões dão poder sem precedentes aos Houthis, uma minoria xiita dos planaltos nortenhos isolados do país.

A crise política também abre a porta para uma guerra aberta sobre o controle da capital do Iemên, envolvendo facções políticas sunitas e a al Qaeda na Península Arábica ou AQAP. O conflito pode também se arrastar para Arábia Saudita, EUA e Irã.

As ruas da capital do Iemên estão agora um labirinto de postos de verificação, alguns ainda tripulados por forças do governo usando uniformes militares, mas a maioria esses dias é controlada pelos Houthis. Diferentemente das forças do governo, os Houthis se vestem tipicamente com um xale no rosto e uma saia conhecida como ma’awaz.

Armados com AK-47, os Houthis estão primeiramente procurando por membros da AQAP.

Os Houthis, no entanto, estão provando rapidamente que a velha máxima “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”, não é sempre verdade. Enquanto são inimigos mortais da AQAP, os Houthis tripulando os postos de verificação frequentemente adornam suas AK-47 com adesivos com o lema do grupo: “morte à américa, morte a Israel, maldição aos judeus, vitória do Islã.”

Para o ocidente, este labirinto de políticos iemenitas comprova a complexidade em encontrar um aliado confiável para lutar contra a al Qaeda afiliada ao Iemên, a qual tomou crédito pelo ataque mortal ainda esse mês contra a redação da Charlie Hebdo em Paris. Enquanto o governo americano continuou a apoiar Hadi como um parceiro próximo na guerra ao terror, são os Houthis, também conhecidos como Ansar Allah, que têm batalhado contra a AQAP nas ruas de Sanaa.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

AQAP lançou uma série de ataques com carros bomba e suicídios contra os Houthis começando no final de Setembro. Nos postos de verificação ao redor de Sanaa, os Houthis estão procurando por membros da AQAP tentando contrabandear bombas e materiais que as constituem para dentro da cidade. É frequentemente uma batalha perdida, uma vez que contrabandear explosivos pode ser mais simples do que fixar um cartaz dos Houthis – o qual tem o mesmo lema que os adesivos nas AK-47 – no painel de um carro para passar pelos postos.

Em um vídeo recente da AQAP, o qual o The Intercept traduziu do Árabe para o Inglês, Nasser bin Ali al Ansi, um oficial antigo da AQAP, disse que o grupo está fazendo um progresso estável contra os Houthis e assentou que a AQAP estava trabalhando em “expandir a área geográfica” de seus ataques contra os Houthis. O oficial da AQAP disse que o grupo depende do que tira dos inimigos, porque faltam fundos suficientes para efetivamente enfrentar os Houthis. Ele também pediu que “os muçulmanos apoiem os jihadistas” lutando contra os Houthis.

Mas os Houthis são contrários ao envolvimento americano no Iemên – mesmo para combater a al Qaeda – e isso ajuda a explicar porque a administração Obama não irá abraçar a nova estrutura de poder nem tão cedo. Outra razão é que eles são vistos como alinhados com o Irã.

Por anos, o governo iemenita tentou inflar a influência do Irã sobre os houthis na esperança de adquirir a permissão americana para usar os fundos e a assistência do contra-terrorismo para combater os houthis. De acordo com cabos diplomáticos divulgados pelo WikiLeaks, oficiais da administração do Bush Pai consistentemente repeliam tais pedidos do governo iemenita, dizendo que o governo americano via a batalha contra os houthis como uma questão nacional.

A administração Obama esquivou ao tomar uma posição sobre o apoio do Irã aos Houthis.

“Continuamos incomodados com a história do trabalho entre os Houthis e os iranianos,” a porta voz do Departamento do Estado Jen Psaki disse na quinta-feira. “Agora nós não avaliamos que há uma nova corporação naquele fronte.”

A Arábia Saudita também retratou os Houthis como um representante Iraniano, e o império provocou inúmeros ataques aéreos contra as fortalezas do movimento.

Uma fonte clara de apoio aos houthis vem da ex-presidente Ali Abdullah Saleh, que é do mesmo setor xiita. Saleh é suspeito de participar da tomada da capital pelos Houthis. Essa semana, várias redes de TV árabes levaram ao ar uma gravação de um telefonema entre Saleh e um líder Houthi antigo, com o antigo presidente aconselhando-o sobre as operações políticas e militares.

Durante seu momento no poder, Saleh frequentemente mudava suas alianças; ele travou 6 guerras contra os Houthis de 2004-2010, mas às vezes usava os Houthis para atacar os oponentes políticos. Dada esta história, muitos duvidam que a nova estrutura de poder, dominada pela aliança Saleh-Houthi, irá perdurar.

Sales e os Houthis estão “apaixonados”, disse Asham, um estudante da Universidade de Sanaa, que pediu que se sobrenome não fosse usado devido a situação política. “Mas seu casamento irá terminar em divórcio. Não podem morar juntos para sempre porque ambos querem a mesma coisa – poder.”

Enquanto o Departamento de Estado americano inicialmente resistiu em chamar os eventos dessa semana no Iemên de golpe, a troca de poder já tinha inclinado para os Houthis. O controle do grupo rebelde foi cimentado ainda esse mês, quando Hadi secretamente assinou decretos presidenciais cedendo os aparatos de segurança, os quais têm funcionado tradicionalmente como uma fonte de salários governamentais para as famílias e amigos dos líderes.

Depois de assinar um acordo compartilhado na ultima quarta-feira, Hadi tinha efetivamente cedido poder aos Houthis, que provocou um golpe no inicio da semana que culminou em um tiroteio entre a guarda opresidencial e a milícia Houthi. Era esperado que o acordo tornasse oficial o controle dos Houthis sobre a capital, e as demissões em massa de ontem somente reafirmam a tomada do grupo.

Um porta-voz da AQAP acolheu a caída do governo, dizendo ao The Intercept: “operamos melhor sob tais circunstâncias.”

“Eu acredito que ambos Houthis e Saleh estão escolhendo seus postos,” disse Fernando Carvajal, um especialista iemenita e consultor de organizações não governamentais no país. “Tomando a polícia agora, Houhtis e Saleh podem recrutar milícias.”

Pouco depois de tomar os postos de segurança, os chefes da polícia Houthi usaram seus novos poderes para prender um assessor próximo de Hadi. O governo chamou a prisão de sequestro.

O governo de Hadi, enquanto isso, já estava em estado de retirada; Houthis essa semana asseguraram o controle da mídia estatal do Iemên.

Muitos veêm o golpe dessa semana como o final culminante de uma série de eventos que começaram a desabrochar em Janeiro de 2014, quando Hadi iniciou um cessar-fogo na batalha de meses entre Houthis e sunitas palafitas fora da cidade de Sa’dah, a capital provincial do movimento Houthi. A mediação de adi resultou no despejo de quase 15,000 alunos salafistas da provincia de Sa’dah – uma vitória para os Houthis.

Os Houthis iniciaram sua tomada em Sanaa em Setembro e começaram preenchendo novas posições vagas nas sedes policiais. Isso foi seguido pelo golpe dessa semana, e o que parece ser uma tomada total de poder.

Enquanto Sanaa experienciou uma série de explosões e tiroteios na semana passada, o comércio fora das áreas de batalha continuou aberto, e os iemenitas receberam essa ultima jogada de poder com tranquilidade. Hisham Al-Omeisy, um consultor de informação e comunicação em Sanaa, diz que a maioria dos iemenitas simplesmente perderam a fé na retórica do governo. “Quando falamos do status quo atual no Iemên nós falamos que parece um cego tentando aplicar rímel à uma loucura instável.”
Jeremy Scahill e Casey L. Coombs, The Intercept 
Tradução: Isabela Palhares

Nosso século decisivo

Cartuns Natureza Mohammad Khalaji,Blog do MesquitaA França parece querer o aval da sociedade civil para a Otan entrar em cena contra EI e al-Qaeda. O complexo industrial-militar precisa gastar sua gigantesca produção

Os recentes acontecimentos em Paris, mobilizadores de inusitado movimento de massas, bem poderiam ter servido para estender seus objetivos a outras questões cruciais da sobrevivência da humanidade e da própria biosfera neste nosso século decisivo. E não apenas das liberdades republicanas.

A história que estudamos, porém, é a história da espécie humana. Não fomos educados numa didática holista que desse um enfoque interativo entre a nossa e a história evolutiva das demais espécies. Menos ainda, entre a nossa e a história das transformações geológicas de nosso planeta.

Não existe, no currículo escolar ou universitário, nenhuma ampla disciplina que se ocupe da interação entre a Economia Política com a Biologia, a Antropologia, a Zoologia e a Geologia. Esse estrabismo imperdoável é próprio da visão didática onipotente dos humanos que só olham para o próprio umbigo.

A Ciência Econômica é apenas mais uma dessas disciplinas caolhas, órfãs da interdisciplina. Como a própria Ciência Política.

Todas as vezes, por exemplo, em que se fala em análise de crescimento da economia política formal de uma nação ou mesmo da economia global, só se cita o PIB como parâmetro. No máximo, em algumas análises, o IDH.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Ninguém fala no índice mais importante de todos eles: o EPI. A bem da verdade, é um índice quase secreto. Há economistas e cientistas políticos que jamais ouviram falar de sua existência. Alguns até confundem a sigla com o European Payment Index.

Trata-se, no entanto, do Environment Performance Index. Ou, em tradução livre: Índice de Desempenho Sustentável ou IDS. O EPI foi antecedido pelo Índice de Sustentabilidade Ambiental (em inglês, Environmental Sustainability Index, sigla ESI), publicado entre 1999 e 2005.

Ambos indicadores foram desenvolvidos pelo Centro de Política e Lei Ambiental da Universidade de Yale, em conjunto com a Rede de Informação do Centro Internacional de Ciências da Terra da Universidade de Colúmbia. Em seu Relatório bianual de 2010, o EPI avaliou 163 países e colocou o Brasil na desonrosa 62ª posição do ranking mundial, para quem está entre as sete maiores economias do planeta.

Na versão de 2014 piorou, indo para a 77ª posição. Na América Latina, sequer se encontra entre as dez melhores performances. Esse relatório de 2014 se acha disponível na internet em http://epi.yale.edu/epi. Logo nós, que detemos em nosso território boa parte do pulmão da Terra.

Outra questão crucial é a escalada armamentista global e sua estreita relação com a economia política. A França, hoje, parece querer trazer o aval da sociedade civil para a Otan entrar logo em cena contra o Estado Islâmico e a al-Qaeda em grande estilo.

O complexo industrial-militar precisa, afinal, gastar sua gigantesca produção crescente. O “Estadão” revelou no ano passado que o orçamento aprovado para a defesa nos EUA para 2014 era de US$ 552,1 bilhões. Além disso, US$ 80,7 bilhões seriam desembolsados para apoiar as tropas americanas no exterior.

Por outro lado, dados da própria Otan demonstram que seus gastos militares totais dobraram em apenas duas décadas, passando de US$ 504 bilhões (R$ 1,12 trilhões), em 1990, para US$ 1,08 trilhões (R$ 2,4 trilhões), em 2010.

De leitura indispensável complementar para o entendimento e a interpretação adequada desses dados cruzados com esses três índices, EPI, IDH e PIB, é o livro do astrofísico Martin Rees sobre o fim da nossa civilização ainda neste século, sob o arrepiante título: “Our final century”, ainda não disponível em português, questionando se a nossa espécie sobreviverá ao século 21. Sir Martin Rees é, talvez, a maior autoridade em astrofísica da atualidade.

Trata-se de um cosmólogo britânico respeitadíssimo, ex-presidente da Royal Society entre 2005 e 2010. Mestre do Trinity College, de Cambridge, com diversos livros escritos sobre o assunto.

Junto com outros dois céticos britânicos não menos importantes a versarem sobre esses temas, o biólogo James Lovelock, autor de “A vingança de Gaia” e o filósofo John Gray, autor de “Cachorros de palha”, forma uma espécie de “trilogia do apocalipse”, na Inglaterra, previsto já para os próximos 50 anos.

Quem sabe Paris não volta às ruas com a devida urgência por mais essa causa de importância vital para o planeta?
Nelson Paes Leme/O Globo

Estado Islâmico: A barbárie nas mídias sociais

Guerra Oriente Médio Blog Lei e OrdemO Estado Islâmico pratica a barbárie medieval na Síria e no Iraque, mas suas operações globais de mídia são dignas do século 21.

O grupo é ativo nas mídias sociais, tem panfletos, revistas semanais ilustradas, outdoors, camisetas, bonés e até escritórios de propaganda na Síria e no Iraque.

O Estado Islâmico também expandiu a máquina de mensagens, particularmente depois que os Estados Unidos começaram seus ataques aéreos contra as forças do grupo terrorista no Iraque em 8 de agosto.

A recente produção de vídeos por parte do Estado Islâmico tem sido prodigiosa. As quatro decapitações filmadas com profissionalismo mostrando a morte de dois jornalistas americanos e de um agente humanitário britânico chocaram o mundo.

Independentemente do propósito original – supostamente impedir os bombardeios americanos –, elas tiveram como resultado a demanda do público americano por uma resposta imediata contra o Estado Islâmico e o aumento do apoio internacional à decisão do presidente Barack Obama de estender os bombardeios à Síria.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Os vídeos mostrando reféns do EI, com o jornalista britânico John Cantlie, adotam uma abordagem diferente. Neles, o prisioneiro questiona as operações militares do Ocidente contra os muçulmanos. Em dois vídeos de seis minutos, Cantlie descreve a si mesmo como um cidadão britânico abandonado por seu governo e há muito prisioneiro do EI.

No primeiro vídeo, Cantlie comenta que o Estado Islâmico negociou a libertação de outros prisioneiros europeus – sem mencionar o pagamento de resgates – enquanto britânicos e americanos se recusaram a fazer acordos. Cantlie critica a intenção dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha de atacar o EI, citando o Vietnã e as recentes críticas à invasão do Iraque promovida pelo primeiro governo de George W. Bush.

O vídeo mais recente é encerrado com Cantlie citando o ex-analista da CIA, Michael Scheuer, que foi diretor da primeira unidade da agência para o combate à Al-Qaeda: os radicais islâmicos “estão mobilizados para o combate desde 1979 e seu movimento nunca foi maior, mais popular e mais bem armado do que hoje”.

Campanha

A produção de vídeos do Estado Islâmico desde junho tem sido muito maior do que essas imagens de prisioneiros que ganham atenção. Há vídeos de recrutamento como “Não há vida sem a jihad”, estrelados por combatentes que falam inglês e pedem às pessoas que se juntem ao movimento, e “Rompendo a fronteira”, mostrando equipamentos e prisioneiros capturados na fronteira entre Iraque e Síria, controlada pelo grupo.

Um documentário de 55 minutos intitulado “Chamas da guerra”, alterna entre a sanguinolência horripilante – soldados do Exército sírio obrigados a cavar as próprias sepulturas e fuzilados em seguida – e imagens de um combatente com sotaque americano explicando por que se juntou ao Estado Islâmico.

Há também uma cena na qual um jihadista é morto por uma explosão, recebendo elogios do narrador em inglês, dizendo que os que morrem no campo de batalha “e não afastam o rosto até estarem mortos” são os melhores mártires. Um trailer promove um novo jogo de videogame jihadista no qual o objetivo é atirar nas forças americanas e iraquianas.

O Estado Islâmico parece ter aquilo que um analista de espionagem descreveu recentemente como campanha “fantasticamente” bem pensada para conquistar corações e mentes – e recrutas. A equipe de relações públicas do Estado Islâmico leva grande vantagem na guerra de propaganda, de acordo com analistas de espionagem.

A região é bastante receptiva às mensagens contra o Ocidente e, especialmente, anti-EUA. Em meio ao conflito sectário, à desordem política e anos de desigualdades sociais, eles têm se apresentado habilidosamente como portadores de soluções.

Em um discurso do dia 21 feito pelo principal porta-voz do EI, Abu Muhammad al-Adnani, transmitido em árabe e traduzido em muitos idiomas, Obama é chamado de “mula dos judeus”, e o secretário de Estado John Kerry é chamado de “velhote não circuncisado”. Dirigindo-se aos americanos, Adnani diz: “O EI não declarou guerra contra vocês, ao contrário do que seus governos e sua mídia querem fazê-los acreditar”.

Ele acrescenta que os EUA vão “pagar o preço” quando sua economia entrar em colapso e “vocês pagarão o preço quando seus filhos forem enviados para guerrear contra nós e voltarem para vocês como inválidos, dentro de caixões ou traumatizados para sempre”.

“Os americanos “vão pagar o preço ao andarem por nossas ruas, olhando para a esquerda e a direita, temendo os muçulmanos. Não poderão se sentir seguros nem mesmo em seus quartos. Vão pagar o preço quando sua cruzada ruir e nós os atacarmos em sua pátria para que nunca mais possam fazer mal a ninguém.” Ele tem mensagens para o Egito, para os sunitas na Líbia, Tunísia e Iêmen, para australianos e canadenses.

As tentativas dos EUA de responder às mensagens desse tipo enfrentam a mesma dificuldade que Washington encontrou na tentativa de criar parceiros democráticos nos governos da região. O novo governo de Bagdá precisa encontrar uma forma de superar as medidas contra os sunitas e curdos do governo anterior para reconquistar o apoio do povo iraquiano. Na Síria, o desafio é ainda maior.

O presidente Obama disse repetidas vezes que cabe aos iraquianos e sírios vencer a batalha militar em seus territórios. O mesmo vale para a guerra de propaganda.
Por Walter Pincus – jornalista do Washington Post
Reproduzido do Estado de S.Paulo, 4/10/2014,, tradução de Augusto Calil; título original “A barbárie do Estado Islâmico nas mídias sociais”

A AL QAEDA, o FacaBook e os EUA

Pro dia nascer melhor,Facebook,Ilustrações,Blog do Mesquita,Pawel Kuczynski 02Ao longo do tempo, na tentativa de proteger seus interesses – usando o anticomunismo e outros pretextos como a “defesa da democracia” e da “civilização ocidental” – os Estados Unidos nunca hesitaram em abrir, sempre que quiseram, por arrogância ou estupidez, suas pequenas caixas de Pandora.

Na Segunda Guerra Mundial, parte da elite estadunidense, abertamente hitlerista – celebridades como o aviador Charles Lindbergh e o magnata da indústria automobilística Henry Ford nunca esconderam sua simpatia pelo nazismo – só tomou posição contra o Eixo quando foi obrigada a isso com o ataque-surpresa da Marinha Imperial Japonesa a Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941.

Antes, durante a Guerra Civil Espanhola, o “establishment” anglo-saxão, incluindo a Grã Bretanha, já havia percebido, extasiado, que não havia nada melhor que o fascismo para massacrar comunistas e esquerdistas.

E fechara os olhos, complacentemente, para os ataques das tropas italianas mandadas por Mussolini e da aviação nazista contra milhares de mulheres, idosos e crianças desarmadas, em cidades como Guernica, Madrid e Barcelona.

GUERRAS INÚTEIS

Agora, depois da Coréia, do Vietnam, de dezenas de intervenções e golpes na África, Ásia e América Latina, das invasões do Iraque e do Afeganistão – guerras inúteis em que perderam trilhões de dólares e milhares de soldados, e das quais saíram sem atingir seu objetivo de estabilizar no poder regimes fantoches – os EUA abriram, mais uma vez, com a “Primavera Árabe”, sua Caixa de Pandora.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Ao insuflar pela internet, e com agentes infiltrados, a derrubada de governos seculares, em países com diferentes etnias e culturas, os norte-americanos e os países que se colocaram a seu serviço, como a Espanha, não destroçaram, apenas, estas nações, com guerras civis, doenças, destruição, centenas de milhares de refugiados, assassinatos, estupros, abusos e tortura.

Eles também abriram caminho, na Tunísia, na Líbia, no Egito, no Sudão e na Síria, para o ressurgimento e a ascensão de um novo fundamentalismo islâmico, que almeja não só tomar o controle nesses países, mas também atingir, com eficácia, o coração do Ocidente.

Dessa vez, no lugar de usar bombas, os radicais muçulmanos estão preferindo usar o feitiço contra o feiticeiro. A mesma internet – e o mesmo Facebook – utilizada para ajudar a parir uma “primavera” cujo retrato mais cruel é o de crianças sírias comendo cães para não sucumbir à fome, está sendo usada, agora, pela Al Qaeda, para converter e recrutar centenas de jovens ocidentais para lutar, em nome de Alá, nos escombros do Oriente Médio, contra o governo sírio.

Alguns já morreram, como a norte-americana Nicole Mansfield, de 33 anos (foto), atingida em um tiroteio com dois outros ocidentais. Outros estão sendo rastreados e presos, em sua volta aos EUA, como afirmou, há poucos dias, em um depoimento em Washington, o diretor do FBI James Comey.
Mauro Santayana/Tribuna da Imprensa

Tópicos do dia – 22/09/2012

08:56:30
Supremo pode não responder se existiu compra de votos

Compra de votos ou caixa dois da campanha eleitoral? Desde o começo do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal, essa é a pergunta fundamental do processo. Mas, na análise de especialistas da faculdade de Direito da FGV Rio, a mudança de posicionamento do ministro Ricardo Lewandowski a respeito da necessidade de se comprovar a existência de um ato de ofício do servidor público para a condenação por corrupção, abre a possibilidade de que os ministros do STF condenem por corrupção os parlamentares que receberam dinheiro do esquema de Marcos Valério sem responder a que se destinavam os recursos. Mais aqui
Marcio Beck/O Globo

12:45:32
Mensalão, julgamentos e holofotes.

Anotem aí edepois me cobrem. O povo quer sangue, e com razão, porque isso [mensalão] é um escândalo, uma vergonha. Só que não vai ter consequência porque o procurador-geral não fez o trabalho dele. Exceto, se a ribalta e os holofotes, esse mais sedutor que ouros e pedrarias, conduzirem as excelências a pisar na lei. E caso assim seja, Deus, e Beccaria, me livrem vir a ser réu em algum processo. Um julgamento midiático, acoitando a “conduzida” voz rouca das ruas, haverá de cobrar um altíssimo preço ao Estado Democrático de Direito, tão duramente conquistado.
Povo insano, e novelesco, esse.

16:15:15
Ministro paquistanês oferece prêmio por morte de diretor de vídeo anti-Islã.

Protestos contra o vídeo já deixaram 50 pessoas mortas. Ele pediu que a rede Al-Qaeda participe desta ‘nobre ação’.
O ministro paquistanês das Ferrovias, Ghulam Ahmed Bilur, ofereceu neste sábado uma recompensa de US$ 100 mil (R$ 202 mil) pela morte do diretor do vídeo produzido nos Estados Unidos que difama o Islã e o profeta Maomé.

“Anuncio hoje a esse blasfemo que abusou do sagrado profeta que, se alguém o matar, darei a essa pessoa uma recompensa de US$ 100 mil”, disse o ministro à imprensa em Peshawar, pedindo que os talibãs e a rede Al-Qaeda participem desta “nobre ação”.

“Também peço aos irmãos talibãs e da Al-Qaeda para que se associem a esta nobre ação”, disse o ministro, acrescentando que mataria o autor do vídeo com suas próprias mãos se tivesse a oportunidade. “E depois podem me enforcar”, acrescentou.
Essas declarações foram feitas um dia depois dos violentos protestos em todo o país contra o vídeo “A inocência dos muçulmanos”, que deixaram 21 pessoas mortas.

Milhares de ativistas islamitas no Paquistão organizaram novas manifestações neste sábado, mas os incidentes dos últimos dias não se repetiram.

Os protestos contra o vídeo, produzido aparentemente por extremistas cristãos nos Estados Unidos, que ridiculariza o profeta Maomé, se estenderam por todo o mundo muçulmano e desde 11 de setembro já deixaram 50 pessoas mortas.
France Press


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Arquitetos holandeses se desculpam por projeto que lembra o 11/9

Projeto de arranha-céu foi criado para o centro de Seul.
Desenho enfureceu famílias das vítimas dos ataques de 11 de Setembro.

Uma empresa holandesa de arquitetura pediu desculpas por um projeto de arranha-céu criado para o centro de Seul, o qual, segundo os críticos, se assemelha às torres gêmeas do World Trade Center em Nova York.

O desenho enfureceu as famílias das vítimas dos ataques de 11 de Setembro.

O projeto para apartamentos de luxo, divulgado na semana passada, tem uma estrutura que sobressai no meio para acomodar piscinas, restaurantes, cafés e uma academia.

 

Projeto que representaria uma nuvem causou desconforto por lembrar as explosões do 11/9

Parentes das vítimas dos ataques da Al Qaeda em 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos expressaram indignação, segundo informações na mídia norte-americana, acusando o projeto de ser uma campanha publicitária barata.

A empresa MVRDV disse que não tinha a intenção de criar uma imagem que lembrasse os ataques e não percebeu a semelhança durante a criação do desenho.

“Pedimos sinceras desculpas para qualquer um que tenhamos ofendido. Não era nossa intenção”, disse a empresa em seu site.

A companhia não indicou se mudaria o projeto.

“Houve uma verdadeira tempestade na mídia e nós recebemos e-mails ameaçadores de pessoas enraivecidas, dizendo que éramos amantes da al-Qaeda e coisas piores”, disse a MVRDV em sua página no Facebook.

O dono da obra deve decidir em março sobre os planos finais para o projeto.


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11 de Setembro: em defesa da verdade

11 de Setembro, dez anos depois, e a decisão de não se contar a verdade acerca do que aconteceu nos Estados Unidos.

Por: Paul Craig Roberts
Economista, ex-editor do Wall Street Journal e secretário assistente do Tesouro dos EUA.
Fonte: Resistir.info

Estamos no décimo aniversário do 11 de Setembro de 2001. De que forma resistiu o relatório oficial do governo americano ao longo da última década? Não muito bem. O presidente, o vice-presidente e o principal advogado da Comissão do 11 de Setembro escreveram livros distanciando-se parcialmente do relatório. Dizem que a administração Bush pôs obstáculos ao seu trabalho, que lhes foi sonegada informação, que o presidente Bush se dispôs a testemunhar apenas na condição de ser acompanhado pelo vice-presidente Dick Cheney e de nenhum dos dois estar sob juramento, que o Pentágono e os oficiais da Administração Federal da Aviação (FAA) mentiram à Comissão e que esta chegou a considerar a denúncia desses falsos testemunhos para investigação por obstrução à justiça.

No seu livro, o presidente e o vice-presidente da Comissão, respectivamente Thomas Kean e Lee Hamilton, escreveram que a investigação do 11 de Setembro foi “feita para falhar”. O advogado da Comissão, John Farmer Jr., escreveu que o governo americano tomou “a decisão de não contar a verdade acerca do que aconteceu” e que as fitas do Comando Americano de Defesa Aeroespacial (Norad) “contam uma história radicalmente diferente daquela que nos foi contada e tornada pública”. Ken disse que: “Até hoje não sabemos porque é que a Norad nos disse o que disse, estando tão longe da verdade”

A maioria das questões levantadas pelas famílias das vítimas ficou sem resposta. Testemunhas importantes não foram chamadas. A Comissão apenas ouviu aqueles que subscreviam a versão do governo. A Comissão foi uma operação politicamente controlada e não uma investigação baseada em provas e acontecimentos reais. Os seus membros eram ex-políticos. Nenhum especialista foi nomeado para a Comissão.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Outro membro da comissão, o senador Max Cleland, respondeu desta forma às restrições impostas à Comissão pela Casa Branca: “Se estas decisões se mantiverem, eu, enquanto membro da Comissão, não poderei olhar nenhum americano nos olhos, especialmente os familiares das vítimas, e afirmar que a comissão teve carta branca. Esta investigação está, de agora em diante, comprometida”. Cleland preferiu demitir-se a ver a sua integridade igualmente comprometida.

Para ser claro, nem Cleland nem qualquer outro membro da comissão sugeriu que o 11 de Setembro fosse um golpe montado a partir do interior do governo e destinado a promover uma agenda belicista. Porém, nem o Congresso nem os jornbalistas, pelo menos não em voz alta, por que presidente Bush não quis se apresentar à Comissão sob juramento ou sem Cheney, por que o Pentágono e os oficiais da Força Aérea mentiram à Comissão, ou, se não mentiram, por que a Comissão ficou com a impressão de que eles mentiram, ou ainda por que a Casa Branca resistiu durante tanto tempo à criação de uma qualquer Comissão de Investigação, mesmo que esta estivesse sob o seu controle.

Seria legítimo pensar que, se um grupo de árabes tivesse conseguido enganar não apenas a CIA e o FBI, mas todas as 16 agências de informação americanas e todas as agências de informação dos nossos aliados, incluindo a Mossad, o Conselho Nacional de Segurança, o Departamento de Estado, a Norad, a segurança do aeroporto quatro vezes numa manhã, o controle aéreo, etc., o Presidente, o Congresso e os jornalistas gostariam de saber como foi possível que um evento tão improvável se produzisse. Pelo contrário, a Casa Branca mostrou grande resistência a que tal fosse descoberto e tanto o Congresso como os jornalistas mostraram um interesse diminuto.

EM DEFESA DA VERDADE

Durante a última década, foram organizadas muitas associações que apelam para que se diga a verdade sobre o 11 de Setembro. Temos os Arquitetos e Engenheiros pela Verdade do 11/9, os Bombeiros, os Pilotos, os Professores, a Associação de Memória do Edifício 7 e o Grupo de Nova York, que inclui os familiares das vítimas. Estes grupos apelam a que seja feita uma verdadeira investigação.

David Ray Griffen escreveu 10 livros, fruto de uma cuidada pesquisa, documentando problemas no relatório governamental. Os cientistas notaram que o governo não tem explicação para o aço fundido. O Instituto Nacional de Normas e Tecnologia (NIST) foi forçado a admitir que o World Trade Center 7 (WTC) estava em queda livre durante parte do seu declínio e uma equipe de cientistas liderado por um professor de nano-química da Universidade de Copenhagen anunciou ter encontrado vestígios de nanomateriais intermoleculares metaestáveis [nanothermites ou NIM] na poeira dos edifícios.

Larry Silverstein, locador dos edifícios do World Trade Center, disse, num programa da PBS, que a decisão de “derrubar” o edifício 7 tinha sido tomada nessa mesma tarde de 11 de Setembro. O chefe dos bombeiros disse que não foi feita nenhuma investigação forense sobre a destruição dos edifícios e que a ausência de tal investigação constituía uma violação da lei.

Têm sido feitos alguns esforços no sentido de explicar algumas das provas que contradizem a versão oficial, mas a maioria dessas provas são simplesmente ignoradas. Resta que o ceticismo de diversos especialistas não parece ter tido qualquer efeito na posição do governo, para além da sugestão feita por um membro da administração Obama, segundo a qual o governo deve se infiltrar nas organizações para a verdade sobre o 11 de Setembro no sentido de as desacreditar.

A prática tem sido a de estigmatizar como “teóricos da conspiração” todos os especialistas que manifestem dúvidas em relação à versão oficial. Mas, evidentemente, a própria versão do governo é uma teoria da conspiração, que se torna ainda menos crível quando nos apercebemos da extensão dos erros de informação e segurança necessários à sua verificação. As falhas sugeridas são incrivelmente extensas; no entanto, ninguém foi ainda responsabilizado.

Além disso, o que têm a ganhar os 1.500 arquitetos e engenheiros em serem ridicularizados como “teóricos da conspiração”? Certamente nunca voltarão a executar nenhuma obra pública e seguramente já perderam negócios devido à sua atitude “antiamericana”. A concorrência deve ter ganho com essas dúvidas “antipatrióticas”. Com efeito, a minha recompensa por vos informar acerca do que é importante uma década depois será o correio a me dizer que eu odeio tanto a América que deveria me mudar para Cuba.

Os cientistas têm ainda menos vantagens em exprimir as suas dúvidas, o que certamente explica por que eles não são 1.500. Muito poucos físicos têm carreiras independentes de contratos ou bolsas do Estado. Foi um professor de Física de uma Escola Secundária que forçou a NIST a abandonar a sua versão do desaparecimento do Edifício 7. O físico Stephen Jones, que foi o primeiro a anunciar ter encontrado vestígios de explosivos, viu a sua posição acadêmica privilegiada (tenure) ser-lhe retirada pela Universidade de Brigham, sem dúvida por pressão governamental.

Podemos descartar todas as provas contrárias como coincidências e erros e concluir que só o governo compreendeu tudo bem – o mesmo governo que compreendeu mal todo o resto.

RELATÓRIO É UMA SIMULAÇÃO

Na realidade, o governo não explicou absolutamente nada. O relatório da NIST é uma mera simulação daquilo que poderá ter levado à queda das torres no caso de as suposições programadas no seu computador estarem corretas. Mas a NIST não fornece qualquer evidência de que tais suposições estejam corretas.

O Edifício 7 não é mencionado no relatório da Comissão e muitos americanos desconhecem até hoje que três edifícios caíram no dia 11 de Setembro.

Deixem-me ser claro sobre o assunto. Eu não estou dizendo que um grupo qualquer neoconservador, operando secretamente no seio da administração Bush, explodiu as torres com o intuito de fazer progredir a sua agenda para a guerra no Médio Oriente. Mesmo que haja provas de que algo está a ser encoberto, pode tratar-se do governo a encobrir sua incompetência e não sua cumplicidade. Mesmo que houvesse provas definitivas de cumplicidade governamental, é duvidoso que os americanos as aceitassem. Os arquitetos, engenheiros e cientistas vivem no seio de uma comunidade que se baseiaem fatos. Mas, para a maioria das pessoas, os fatos não conseguem competir com as emoções.

O que quero sublinhar é o quão displicente o poder executivo (incluindo as agências de segurança, o Congresso, os jornalistas e largas camadas da nossa população) tem sido em relação à investigação do momento-chave do nosso tempo.

Não há dúvida de que o 11 de Setembro é um acontecimento determinante. Levou a uma década de guerras em constante expansão, ao desprezo à Constituição e a um estado policial. No passado dia 22 de Agosto, Justin Raimondo fez saber que ele e o seu website Antiwar.com estavam sob vigilância da Unidade de Análise de Comunicações Electrônicas do FBI, no sentido de determinar sque o Antiwar.com é “uma ameaça à segurança nacional” a trabalhar “no interesse de uma potência estrangeira”.

Francis A. Boyle, um professor internacionalmente conhecido e advogado especializadoem Direito Internacional, fez saber que foi colocado na lista de vigilância antiterrorista, por ter recusado uma oferta conjunta da CIA e do FBI para violar o sigilo profissional e tornar-se uma fonte de informações dos seus clientes árabes-americanos.

Boyle tem sido um crítico da estratégia do governo americano no mundo muçulmano, mas Raimondo nunca levantou, nem permitiu que qualquer colaborador levantasse, qualquer dúvida no que diz respeito a uma cumplicidade do governo americano no 11 de Setembro. Raimondo limita-se a estar contra a guerra, mas isso soa ao FBI como se ele precisasse ser vigiado, como uma possível ameaça à segurança do estado.

JUSTIFICATIVA PARA AS GUERRAS

A versão governamental dos acontecimentos de 11 de Setembro é o fundamento de guerras sem fim à vista, que estão a exaurir os recursos dos EUA e a destruir a sua reputação, e é, internamente, o fundamento de um estado policial que irá acabar por calar toda e qualquer oposição à guerra. Os americanos encontram-se reduzidos à versão do 11 de Setembro como ataque terrorista muçulmano, porque é ela que justifica o massacre das populações civis em vários países muçulmanos, bem como, internamente, justifica um estado policial apresentado como o único meio de nos proteger dos terroristas, que já se transformaram em “extremistas internos”, tais como ambientalistas, grupos de defesa dos direitos dos animais e ativistas antiguerra.

Se hoje os americanos não estão seguros, não é por causa dos terroristas ou dos extremistas internos, mas sim porque perderam suas liberdades civis e não têm qualquer proteção contra um inexplicável poder governamental. Seria legítimo pensar que a forma como tudo isso começou seria digna de um debate público e de audiências no Congresso.