“Estamos vivendo a primeira crise econômica do antropoceno”

Antropoceno, a era geológica marcada pela ação humana.

Se toda a história da Terra fosse condensada em apenas um dia, estaríamos nos últimos 20 segundos. Não se engane: não faz muito tempo que habitamos este planeta!

A exploração dos recursos fósseis provocou o nascimento de uma nova era geológica na Terra – uma proeza levada a cabo pelas nações industrializadas e por suas elites, as quais basearam sua supremacia em trocas ecológicas desiguais.

Apesar de os seres humanos não habitarem a Terra há muito tempo, já deixaram uma marca difícil de apagar.

O que está em jogo é a troca entre atividade econômica e morte. Não podemos dizer que não fomos avisados. Desde o famoso relatório Limites ao Crescimento, realizado pelo clube de Roma em 1972, especialistas vêm destacando as forças naturais que podem interromper o caminho triunfante do crescimento econômico.

Esqueça o efeito borboleta, este é o efeito morcego – nossa influência sobre a natureza desencadeou o surto de coronavírus. E a pandemia está nos forçando a repensar como administrar nosso mundo em rede.

Todo mês de abril, Washington DC recebe as reuniões da primavera do FMI e do Banco Mundial. Mas, no mês passado, a diretora administrativa do FMI, Kristalina Georgieva, se dirigiu a seus colegas em vídeo. O mundo estava enfrentando, declarou ela, uma “crise como nenhuma outra”. Pela primeira vez desde o início dos registros, toda a economia mundial está se contraindo, tanto os países ricos quanto os pobres.

Mas não é apenas o impacto imediato que torna essa crise econômica sem precedentes. É a sua gênese. Isso não é 2008, que foi desencadeado por um colapso do setor bancário do Atlântico Norte. E não é a década de 1930; um terremoto que se originou nas linhas de falha deixadas pela primeira guerra mundial.

A emergência econômica Covid-19 de 2020 é o resultado de um grande esforço global para conter uma doença desconhecida e letal. É uma demonstração surpreendente de nosso poder coletivo de parar a economia e um lembrete chocante de que nosso controle da natureza, sobre o qual repousa a vida moderna, é mais frágil do que gostamos de pensar. O que estamos vivendo é a primeira crise econômica do Antropoceno.

Esta é a época em que o impacto da humanidade na natureza começou a nos afetar de maneira imprevisível e desastrosa. A grande aceleração que definiu o Antropoceno pode ter começado em 1945, mas em 2020 estamos enfrentando a primeira crise em que o blowback desestabiliza toda a economia. É um lembrete de quão abrangente e imediato é esse desafio. Enquanto a linha do tempo da emergência climática tende a ser medida em anos, o Covid-19 circulou o mundo em questão de semanas.

E o choque é profundo. Ao questionar nosso domínio da vida e da morte, a doença sacode a base psicológica de nossa ordem social e econômica. Coloca questões fundamentais sobre prioridades; altera os termos do debate. Nem na década de 1930 nem depois de 2008, havia qualquer dúvida de que levar as pessoas de volta ao trabalho era a coisa certa a fazer.

Salientar a natureza sem precedentes do choque do Covid-19 não significa que os problemas expostos pela crise financeira de 2008 ainda não estão conosco hoje. Com o aumento da pandemia em março de 2020, a fragilidade dos mercados financeiros ficou aparente demais. Se os bloqueios forem seguidos por uma recessão prolongada, como é mais do que provável, os bancos sofrerão danos graves. A ênfase na singularidade do choque covarde também não implica que as tensões geopolíticas entre a China e os EUA não importem. Eles fazem. O conflito sino-americano coloca o futuro da economia mundial em questão e isso é ainda mais alarmante, à medida que crescem as tensões sobre a política do vírus todos os dias.

Mas o ponto crucial é que a estabilidade financeira e a geopolítica estão agora entrelaçadas com um desafio que, como afirmou o presidente francês Emmanuel Macron, é antropológico: o que está em jogo é a troca entre atividade econômica e morte. Uma mutação casual na panela de pressão ambiental da China central colocou em risco toda a nossa capacidade de realizar nossos negócios diários. É uma versão maligna do efeito borboleta. Chame isso de efeito morcego.Desespero … trabalhadores da saúde protestando na região de Piemonte, na Itália. Fotografia: Alberto Ramella / AGF / REX / Shutterstock

Como circulou pelo mundo, o Covid-19 escalou a linha do tempo do progresso. Hospitais sofisticados na China, Itália e EUA foram reduzidos ao desespero caótico e impotente. As enfermeiras de Nova York passaram a se embrulhar em sacos de lixo. Máscaras faciais foram fabricadas à mão em máquinas de costura. Empilhamos os mortos em caminhões de geladeira.

Temos que enfrentar a possibilidade de estarmos vivendo em um intervalo encantador. No século desde a gripe espanhola de 1918-19, o aumento entrelaçado da globalização e dos estados de bem-estar nacional ocorreu no contexto de condições de doenças relativamente benignas. Graças à melhoria da nutrição, saneamento e habitação, saúde pública, farmacologia e medicina de alta tecnologia, observamos um progresso notável na expectativa de vida humana. A conquista da varíola em 1977 foi emblemática.

A sensação de que doenças infecciosas eram coisa do passado sustentava uma promessa de proteção. Com o Covid-19, o custo dessa proteção aumentou bastante. Em uma horrível distorção da mente, as economias avançadas de repente se vêem diante dos tipos de dilemas habitualmente enfrentados pelos países pobres. Nós não temos as ferramentas. No mundo pobre, o resultado diário é que as crianças são atrofiadas e as famílias empobrecidas. Milhões morrem por falta de tratamento. O Covid-19 entregou uma amostra disso ao mundo rico.

Não podemos dizer que não fomos avisados. Desde o famoso relatório Limites ao Crescimento, realizado pelo clube de Roma em 1972, especialistas vêm destacando as forças naturais que podem interromper o caminho triunfante do crescimento econômico. Após os choques do petróleo na década de 1970, o esgotamento de recursos foi uma grande preocupação. Nos anos 80, a crise climática assumiu o controle. Mas, no mesmo momento, o choque do HIV / Aids despertou a consciência de um tipo diferente de blowback da natureza: a ameaça de “doenças infecciosas emergentes” e, especificamente, as geradas por mutações zoonóticas.

Partindo de uma famosa conferência na Universidade Rockefeller em 1989, foi argumentado repetidamente que isso não é coincidência. É o resultado da incorporação incansável da humanidade da vida animal em nossa cadeia alimentar. HIV / Aids, Sars, gripe aviária, gripe suína e Mers podem ser atribuídos a esse apetite perigoso. Como a crise climática, as epidemias não são meramente acidentes da natureza. Eles têm drivers antropogênicos.

Recomendo a leitura. Assim se aprende o que o Antropoceno

As implicações desta análise são radicais. Mas os médicos e epidemiologistas que o fazem não são revolucionários. O que eles insistentemente pediram é uma infraestrutura global de saúde pública proporcional aos riscos que a globalização acarreta. Se quisermos manter enormes estoques de animais domesticados e invadir cada vez mais profundamente os últimos reservatórios remanescentes de vida selvagem; se vamos nos concentrar em cidades gigantes e viajar em números cada vez maiores, isso traz riscos virais.

Meio Ambiente,Fauna,Flora,Agrotóxicos,Abelhas,Vida Selvagem,Poluição.Agricultura,Alimentos,Crimes Ambientais,Natureza,Blog do Mesquita Se desejamos evitar desastres, devemos investir em pesquisa, monitoramento, saúde pública básica, produção e armazenamento de vacinas e equipamentos essenciais para nossos hospitais.

Obviamente, isso exigiria considerável coordenação política e algum investimento. Mas sempre ficou claro que a recompensa seria enorme. A pandemia de gripe de 1918, que se acredita ter matado 50 milhões de pessoas, define um nível alto. Se uma pandemia surgisse e tivesse que ser contida em quarentena, era sempre óbvio que os custos chegariam aos trilhões de dólares.

Com a crise climática, sabemos o que impede uma reação adequada. Os combustíveis fósseis são essenciais para o nosso modo de vida. Poderosos interesses comerciais têm um grande interesse na negação do clima. Os interesses estratégicos dos EUA, Arábia Saudita e Rússia são todos investidos em petróleo. A descarbonização é cara, tecnicamente complicada e os benefícios são difusos e de longo prazo.Poluição,Meio Ambiente,Blog do Mesquita 01

Em relação à política global de saúde, existem rivalidades burocráticas entre diferentes agências nacionais e globais. Existem diferenças de abordagem entre especialistas em segurança global em saúde e humanitários biomédicos. A indústria farmacêutica não investirá em medicamentos, a menos que obtenha lucro. Os hospitais preocupados com os custos querem minimizar os gastos com camas. Mas tudo isso parece cerveja pequena em comparação com os riscos envolvidos.

Embora se possa razoavelmente dizer que estruturas gigantes como o capitalismo e a geopolítica impedem a crise climática, o mesmo não ocorre com Covid-19. O custo de vacinar o mundo inteiro é estimado em cerca de US $ 20 bilhões. Isso equivale a aproximadamente duas horas do PIB global, uma pequena fração dos trilhões que a crise está custando. O fato de esse vírus ter se tornado uma crise global não é explicável em termos de interesses opostos em massa. É antes de tudo um fracasso do governo.

 Acontece que podemos fazer uma pausa na economia mundial. Mas agora enfrentamos a incrível responsabilidade de reabri-lo

Por serem relativamente baratos e a escala do risco ser enorme, todos os principais países tinham, de fato, preparativos para uma pandemia. Nenhuma era tão ampla quanto poderíamos desejar agora. Mas em lugares como Coréia do Sul, Taiwan e Alemanha, eles trabalharam. Fazer bons planos, segui-los e fazer as coisas básicas corretamente acaba importando. Enfrentar a crise climática coloca o grande desafio de desacelerar todo o sistema. O que Covid-19 ensina é que não é apenas a grande figura que importa. O nosso sistema global é tão unido que pequenas falhas de governança em alguns nós cruciais podem afetar todos no planeta.

O mais notável do Covid-19 é que ele traz os riscos do Antropoceno para cada um de nós individualmente. Os bloqueios não foram simplesmente uma medida governamental de cima para baixo. Foram as próprias pessoas que decidiram em massa sua própria resposta à ameaça, frequentemente à frente de seus governos. Isso se refletiu mais dramaticamente nos mercados financeiros, que começaram uma corrida global pela segurança. Foi isso que acionou primeiro os bancos centrais e depois os parlamentos e governos. Acontece que somos capazes de pausar a economia mundial.

Mas agora enfrentamos a incrível responsabilidade de reabrir. Se Georgieva está certo de que esta é uma crise como nenhuma outra, o mesmo ocorre com o problema do reinício. As apostas dificilmente poderiam ser maiores. Por um lado, estão os enormes riscos médicos; por outro, uma crise econômica desastrosa. Como podemos fazer o trade-off? É tentador rejeitar a escolha como impossível ou falsa. Não apenas isso não é verdade, mas também nega o fato de que, em circunstâncias normais, nos envolvemos rotineiramente em trocas de vida e morte. Mesmo nas sociedades mais ricas, são tomadas diariamente decisões motivadas financeiramente que decidem as chances de morte devido a acidentes de trabalho, poluição, acidentes de carro, financiamento hospitalar, aquisição de medicamentos e seguro de saúde.

Mas nunca antes a questão foi colocada em termos tão diretos para nações inteiras. O resultado é previsivelmente divisivo. Atualmente, os EUA estão embarcando em um teste de colisão, com estados republicanos do sul, como a Geórgia, avançando apesar dos testes inadequados ou do apoio médico. Incitadas pelo próprio presidente, milícias armadas ocupavam a capital do estado de Michigan exigindo “libertação” do bloqueio. Enquanto isso, na Alemanha, Angela Merkel reprisou seu papel na crise da zona do euro, tentando reprimir qualquer discussão. Não foi um momento para “orgias de debate sobre reabertura”, ela insistiu. Margaret Thatcher “não há alternativa” era, mais uma vez, a ordem do dia.

A bala mágica seria uma solução médica – testes de anticorpos, tratamentos eficazes, uma vacina. Foram necessários cinco anos para desenvolver uma vacina contra o Ebola, embora recursos muito maiores estejam sendo lançados para esse problema. Mas o que estamos contando não deve ser confundido com os negócios, como de costume. Nunca desenvolvemos com sucesso uma vacina corona. Estamos apostando não na ciência normal, mas em uma maravilha moderna, um “milagre científico”. E, mesmo na melhor das hipóteses, se uma vacina for lançada em 2021, não podemos escapar da lógica da sociedade de risco. Agora sabemos o que esse tipo de ameaça pode fazer. Sabemos que perdemos uma grande fatia de 2020. Como avançamos a partir daqui?

A solução óbvia é fazer os investimentos em saúde pública global exigidos pelos especialistas desde os anos 90. Haverá obstáculos políticos e comerciais a serem superados. China e EUA estão em desacordo e parecem determinados a politizar a pandemia. Além disso, o vasto custo financeiro da crise ficará sobre nós. Dívidas enormes provavelmente incentivarão a conversa sobre austeridade. Desde a década de 1990, as políticas econômicas voltadas para o mercado no setor público enfraqueceram os sistemas de saúde em todo o mundo. Em última análise, a política será decisiva e os últimos seis meses trouxeram derrotas esmagadoras para a esquerda em ambos os lados do Atlântico. O teor político predominante da crise, até agora, tem sido conservador e nacionalista.

Diante da crise, Jair Bolsonaro e Donald Trump reduziram números absurdos. Mas eles expressam um profundo desejo de negar o significado do choque.

Quem não preferiria pensar que isso era simplesmente gripe? Diante dessa tentação, o que devemos evitar não é uma exibição aberta de negação, mas a alternativa suave. O Covid-19, como os furacões sem precedentes e os incêndios devastadores de 2019, será descartado como uma aberração da natureza. Isso é reconfortante. Será bom para os negócios no curto prazo. Mas isso nos prepara para outra crise. Se é certo que o Covid-19 é uma crise como nenhuma outra, o que deve ser temido é que haverá mais chances de ocorrer.

Saúde, Antibióticos, Epidemia e Câncer

A “epidemia” que matará mais gente do que o câncer (se não for evitada)

resistência aos antibióticos
Abdoul Gadiri Diallo, médico do centro de saúde CMC Flamboyants em Conacri, Guiné.

Há muitos perigos que ameaçam a humanidade em seu caminho rumo a um mundo melhor em 2030, quando terá que prestar contas para comprovar se os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram alcançados. Certamente, o mais conhecido é a mudança climática, que há anos está na agenda internacional. Outro perigo, mais desconhecido da opinião pública, pode se tornar a primeira causa de morte em 2050 se não forem tomadas medidas contundentes para detê-lo: a resistência aos antibióticos.

“Trata-se de uma ameaça terrível, com grandes implicações para a saúde humana. Se não abordarmos isso, o avanço em direção aos ODS será freado e nos levará ao passado, quando as pessoas arriscavam suas vidas devido a uma infecção em uma pequena cirurgia. É um problema urgente”, disse na quinta-feira Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), em uma reunião no âmbito da 72ª Assembleia das Nações Unidas (ONU), em Nova York. York.

A resistência aos antibióticos é uma resposta dos microrganismos ao uso desses medicamentos. Seu uso — e especialmente seu abuso — faz com que, por meio de diferentes mecanismos biológicos, percam sua eficácia. As bactérias deixam de ser sensíveis aos seus efeitos e são necessários princípios ativos cada vez mais agressivos — e tóxicos para o organismo humano — para eliminá-las. Com sorte. Porque já existem superbactérias que resistem até mesmo aos antibióticos de última geração. “As resistências estão aqui para ficar e vão piorar”, alertava Sally Davies, diretora médica do Reino Unido.

Por causa dessa resistência, cerca de 700.000 pessoas morrem todos os anos no mundo. O cenário com o qual os especialistas trabalham em seus estudos é que, se a situação não mudar, esse número chegue a 10 milhões em 2050. Para se ter uma ideia da magnitude da tragédia, hoje morrem pouco mais de oito milhões de pessoas por ano devido ao câncer. A grande maioria dos casos fatais estaria na Ásia (4,7 milhões) e na África (4,1 milhões), seguidas pela América Latina (392.000), Europa (390.000), América do Norte (317.000) e Oceania (22.000).

Xoliswa Harmans, conselheira da clínica Lizo Nobanda, da Cidade do Cabo, África do Sul. Estas profissionais de saúde são fundamentais para os doentes quando enfrentam um tratamento que durará pelo menos dois anos. Pacientes de tuberculose extremamente resistente encontram apoio emocional e informações durante esse processo.
Xoliswa Harmans, conselheira da clínica Lizo Nobanda, da Cidade do Cabo, África do Sul. Estas profissionais de saúde são fundamentais para os doentes quando enfrentam um tratamento que durará pelo menos dois anos. Pacientes de tuberculose extremamente resistente encontram apoio emocional e informações durante esse processo. ALFREDO CÁLIZ
A boa notícia é que a preocupação passou do plano científico, onde era debatido há décadas, para o político. Em 2016, na 71ª Assembleia Geral da ONU, o assunto foi discutido no mais alto nível pela primeira vez. Exatamente um ano depois, quando mudaram tanto o Secretário-Geral da ONU como o diretor da OMS, a preocupação de perder o interesse gerado foi explicitada por alguns oradores do encontro chamado Progressos, desafios, oportunidades e novas formas de abordar a resistência aos antibióticos, organizado pela UN Foundation.

Essas novas formas passam por abordar os dois grandes geradores de resistências: o uso indevido em seres humanos e o abuso nos animais. No que diz respeito às pessoas, são drogas que muitas vezes não exigem receita e é frequente que sejam consumidas à vontade. Particularmente perigoso é tomar de forma incompleta, porque o micro-organismo não chega a ser eliminado, mas conhece seu inimigo aprendendo a lutar contra ele. “Costuma-se debater que sempre é necessária a receita, mas em muitas partes do mundo este é um processo complicado que privaria milhões de pessoas do tratamento. Precisamos encontrar as soluções mais adequadas para cada realidade”, observou Julie Gerverding, vice-presidenta da farmacêutica Merck. “O necessário é um diagnóstico no começo para que o paciente tenha o tratamento correto o quanto antes”, acrescentou.

Por causa das resistências já morrem cerca de 700.000 pessoas por ano no mundo

As campanhas de informação, tanto para médicos quanto para pacientes, são uma das principais ferramentas para evitar esse mau uso de antibióticos. Jean Halloran, diretora das iniciativas de alimentação da União de Consumidores, explicou que sua organização está desenvolvendo em 20 países uma campanha que incentiva o uso de menos remédios. Nos consultórios, por exemplo, facilitam uma lista de perguntas que o próprio paciente deveria fazer ao seu médico se ele prescrever um antibiótico para ter certeza que é absolutamente necessário.

Mas talvez a arma mais valiosa para combater a resistência sejam as vacinas. Com elas, evitamos um grande número de doenças bacterianas comuns, o que torna os antibióticos desnecessários. “Imunizar 100% das crianças do mundo seria mais eficaz do que qualquer outra coisa”, afirmou Tim Evans, diretor de Saúde do Banco Mundial.

Sua organização calculou os custos da resistência. Em março passado publicou um relatório mostrando que não apenas são um perigo para a saúde, mas também para a economia. No melhor dos cenários, calculam uma queda do PIB mundial de 1,1% em comparação com o que aconteceria se não existisse, o que equivale a um trilhão de dólares por ano até 2030. O cenário mais pessimista eleva esse número para 3,8% de queda, 3,4 trilhões anualmente.

Não só o medicamento em seres humanos tem um papel importante nestes números. Outro dos grandes focos de resistência é a agricultura e o gado. Os animais recebem enormes quantidades de antibióticos para prevenir e curar as doenças comuns que ocorrem em ambientes lotados. E em muitos países (não na União Europeia), ainda está permitido administrar pequenas doses para favorecer a engorda. Este é o ambiente perfeito para que as bactérias se tornem resistentes.

Mas, ao mesmo tempo, a administração de medicamentos aos animais é necessária para a segurança deles mesmos e dos seres humanos. E seu uso vai continuar a crescer. De acordo com estimativas da agência da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO), vai dobrar nos próximos 20 anos pela intensificação da pecuária e da aquicultura. E também o tratamento das plantas, através da utilização de antibióticos nos pesticidas, contribui para a resistência.

O PIB mundial pode sofrer entre 1,1% e 3,8% pela “epidemia”, de acordo com estimativas do Banco Mundial

A FAO faz uma série de recomendações para detê-la: práticas sustentáveis, com boa higiene e medidas de biossegurança para começar a reduzir a necessidade de antibióticos; melhorar a prática veterinária; conhecimento do uso das drogas entre os agricultores e pecuaristas; acesso a diagnósticos rápidos…

Também nos animais as vacinas têm um papel crucial. Bard Skjesltad, chefe de Biologia e Nutrição da empresa aquícola Salmar, explicava que com imunizações conseguiram reduzir o uso de antibióticos para 1%, enquanto produzem entre três a quatro vezes mais comida. “Quando você para de medicar os animais enfrenta problemas de saúde, mas o fundamental são as medidas preventivas”.

Nos países desenvolvidos, as redes de fast food são a chave para combater o problema. De acordo com Jean Halloran (União de Consumidores), são as responsáveis pela produção de 25% das aves nos EUA. Nestes animais, estão conseguindo enormes reduções, começando pelo McDonald’s, que anunciou que iria parar de usar antibióticos neles. “Com a carne bovina e suína os progressos são mais lentos, mas podem ser feitos”, disse Halloran, que argumenta que já foi demonstrada a possibilidade que a produção em massa diminua o consumo de medicamentos com um custo muito baixo.

Mas o relógio está correndo contra a saúde global quando falamos de resistência aos medicamentos. As medidas precisam ser tomadas agora. Porque, como alertava o diretor da OMS, há poucos medicamentos novos que conseguirão resolver um problema que pode se tornar a maior epidemia nos próximos anos.

A participação de Planeta Futuro na Assembleia Geral das Nações Unidas foi possível graças ao apoio da UN Foundation.
ElPais

Editora Abril agoniza em praça pública

Em 1989, a revista Veja deu uma capa que provocou uma barulhenta polêmica. Cazuza estava morrendo de AIDS, e seu emagrecimento avassalador vinha sendo acompanhado por todos em fotos. Na etapa final, Cazuza parecia uma caveira.

Capa Veja,Cazuza,Aids,Blog do Mesquita

A capa da Veja estampava Cazuza na etapa final com a seguinte chamada: agonia em praça pública.

A Veja matou em vida Cazuza.

Era um tempo em que os autores não assinavam textos na Veja. Aos curiosos, quem escreveu o texto final foi Mario Sergio Conti, um dos jornalistas mais maldosos que conheci. (Hoje, MSC faz os espectadores dormir num programa de entrevistas na Globonewzzzzzzzz.)

Bem, mas o que eu ia dizer é que, passados cerca de 25 anos, a Veja poderia dar uma outra capa na mesma linha agônica.

Apenas, em vez de Cazuza, o personagem seria a Editora Abril, que publica a Veja.

A Abril parece também estar com AIDS, não na versão controlável de hoje, mas no modelo fatal dos dias de Cazuza.

O emagrecimento da editora é extraordinário.

Nesta semana, no que já se tornou uma rotina, mais revistas foram fechadas (ou despachadas para a semimorte na Editora Caras, da qual os Civitas são sócios) e mais demissões foram feitas.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Entre alguns ex-abrilianos, houve uma comoção.

No Facebook, uma jornalista veterana que trabalhou mais de vinte anos na Abril postou a informação e disse que sentia vontade de chorar.

Mas ponderaram a ela que a Abril de hoje em nada parece com a Abril de um passado já remoto.

A alma da empresa se transformou, ou se revelou, ainda não tenho meu diagnóstico definitivo, mesmo tendo passado 25 anos na empresa.

A Abril é maligna.

A Veja faz mal ao país. Pratica um jornalismo criminoso – ou de exceção, como definiu seu diretor Eurípides Alcântara, seja lá o que isso representa.

Mente, distorce, estimula o ódio e a divisão entre os brasileiros. Investe sem pudor nenhum contra a democracia, como se viu na capa lançada um dia antes do segundo turno das últimas eleições. O único objetivo era interferir, com um golpe sujo, no resultado.

A Veja se infestou de discípulos de Olavo de Carvalho, o que significa uma visão de mundo ultraconservadora, homofóbica e outras coisas sinistras do repertório dos olavetes.

A ex-abriliana chorosa se confortou quando lhe foi dito, por algumas pessoas, que já não era a Abril dela.

Ela reconheceu que já não lia nada da Abril fazia muito tempo, por discordar inteiramente da linha da Veja e da empresa. “Sequer em consultório de dentista”, afirmou.

A Abril agoniza em parte como resultado da emergência da Era Digital, e em parte como fruto da inépcia de seus donos.

Como um dinossauro, a editora não conseguiu se adaptar aos novos tempos. Demorou para aceitar que a internet ia engolir a mídia impressa (e as demais, como agora ficou claro).

Numa de minhas últimas conversas com Roberto Civita, pouco antes de eu sair da Abril, ele me perguntou, aflito: “Onde estão as fotos como as da Life?”

Ora, elas estavam, e estão, na internet, mas Roberto não conseguia enxergá-las.

Hoje, você vê a Abril fazendo bobagens extraordinárias na internet. Uma das maiores, e escrevi sobre isso, é a TVeja.

Veteranos jornalistas têm conversas intermináveis sob uma câmara em geral estática, numa negação completa à cultura digital.

No canal da TVeja no YouTube, você encontra os resultados desse voo cego. Visualizações miseráveis, às vezes na casa das dezenas.

É claro que ninguém da Veja e da Abril se deu ao trabalho de pesquisar melhores práticas mundiais de tevê no jornalismo digital.

Quanto dura a agonia?

Revistas têm consistentemente cada vez menos leitores e cada vez menos anunciantes.

Como carruagem ou filmes para máquinas fotográficas, revistas se transformaram num produto em extinção.

E o que Abril sabe, ou sabia, fazer era revistas.

É previsível que num prazo entre curto e médio sobrem do quilométrico portfólio da Abril umas três ou quatro revistas, e mesmo assim condenadas, elas também, à morte.

Veja, Exame, talvez a Claudia, talvez a 4 Rodas, e vamos parando.

Um próximo passo inevitável vai ser a saída do caro prédio da Marginal do Pinheiros.

A Abril alugava as duas torres. Já devolveu uma, e não deve tardar a entregar a outra também.

Quanto aos funcionários, os que sobreviveram aos cortes recentes sabem que podem perfeitamente estar no próximo. E isso faz da Abril uma empresa tóxica para trabalhar.

Uma coisa particularmente bizarra é que mesmo agonizando e fazendo bobagens notáveis, a Abril, pela Veja, dá aulas diárias ao governo de como administrar o país.

Parece o Estadão, que uma vez publicou um editorial no qual dizia: “Como vínhamos alertando a Casa Branca etc etc.” Os Mesquitas não conseguiam deixar de pé seu jornal, e mesmo assim ofereciam conselhos ao presidente americano.

Não creio em outra vida, em nada disso. Sou um clássico e irremediável ateu.

Mas fico aqui pensando que Cazuza bem que merecia, de algum lugar, observar a Veja sofrer a agonia em praça pública que ela impiedosamente colocou na capa sobre ele em 1989.

Tópicos do dia – 27/02/2012

09:07:14
Empresa pagará R$ 150 mil por dispensa de motorista com HIV.
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu condenar a empresa Vix Logística S.A. pela dispensa discriminatória de um ex-motorista portador do vírus HIV.
A Vix terá de pagar R$ 150 mil por danos morais aos herdeiros do trabalhador, que morreu em 2008.
Para a empresa, a dispensa ocorreu por necessidade de contenção de despesas, sem vínculo com a doença do ex-motorista.
Porém, o trabalhador foi demitido em 2004, sem justa causa.
Depois, mesmo doente e desempregado, ele conseguiu outro emprego em uma empresa de transportes em São Caetano do Sul (SP).
No TST, o ministro Walmir Oliveira da Costa entendeu que os precedentes da Corte quanto à configuração da dispensa arbitrária, por ato discriminatório, de empregado portador do vírus HIV amparam o acórdão regional e deu ganho de causa ao trabalhador.

09:08:42
Primavera Árabe poderá “florir” na China.
Não serei surpreendido se “a tal primavera árabe”, devidamente estimimulada pelo capital incomodado, “florir”, em breve, na China.

09:10:04
Autoridades ajudam a abafar episódio da advogada que a máfia infiltrou no governo.
Quando não é ex-esposa, é, digamos, “uma amiga”, mas a verdade sempre aflora, mesmo no poleiro de galinheiro em que está transformada essa infelicitada rés pública.
Veja/Leia mais -> aqui


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Homem é oficialmente curado da AIDS

Pela primeira vez, um homem foi oficialmente declarado curado da infecção por HIV.

A cura quase o matou, mas abre uma porta – um vislumbre – de esperança para o que pode, um dia, acabar com o problema de vez.

Estranhamente, o diagnóstico que mais preocupou Timothy Ray Brown em 2007 foi leucemia mieloide aguda.

A AIDS é considerada desde 2007 como uma doença crônica tratável, mas com certeza é um problema muito difícil de se lidar.

O que levou Brown, de 42 anos, aos cuidados do hospital Charité, em Berlim, Alemanha, foi a ameaça mais imediata que seu câncer representava.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O tratamento pelo qual Brown passou foi agressivo: quimioterapia que destruiu a maior parte de suas células imunes. Irradiação total do corpo.

E depois, um transplante arriscado de células-tronco no qual cerca de um terço dos pacientes não sobrevivem – mas que parece ter curado Brown completamente da AIDS.

Os médicos foram espertos ao escolher um doador de células-tronco para Brown.

O homem cuja medula óssea eles usaram tem uma mutação genética especial, presente em um número incrivelmente pequeno de pessoas no mundo, que o torna quase que invulnerável ao HIV.

Com as defesas do organismo de Brown dizimadas pelos tratamentos, as células saudáveis e resistentes ao HIV do doador repovoaram o sistema imunológico dele.

Os primeiros sinais de que o vírus havia sido abatido foram promissores.

Mas só agora, sem tomar remédios antirretrovirais desde o transplante, e passar por testes completos que não mostraram qualquer sinal do HIV, os médicos puderam declarar oficialmenteele está curado.

O que isto significa para o futuro do tratamento da AIDS? Não é qualquer paciente com HIV que pode ou quer passar pelo sofrimento enorme necessário para a cura de Brown, nem é qualquer um que pode ou quer pagar pelo procedimento.

Mas pela primeira vez, descobrimos que a AIDS pode ser curada, não só tratada.

Isto abre novos caminhos de pesquisa – terapia genética, tratamentos com células-tronco – que poderiam ter sido desconsiderados antes. [AIDS Map]

fonte:Gizmodo Brasil

Eleições 2010: Serra se diz a favor da união civil entre homossexuais

Entre tantas serventias, o Youtube converteu-se numa espécie de fonte de tira-teima da coerência dos oráculos da política.

Na fita acima, gravada há dois meses, José Serra declara-se, em sabatina da Folha, favorável à união civil de homossexuais.

Nesta quinta (14), ao participar de encontro promovido por ONGs de combate a Aids, em São Paulo, o candidato foi convidado a revisitar o tema.

Para não cair no teste da web, Serra cuidou de soar em consonância com o vídeo.

Para não desgostar a tribo dos beatos, fez um adendo: união civil, sim. Casamento são outros quinhentos.

“Acho que a questão do casamento propriamente dito está ligada às igrejas. A união em torno dos direitos civis já existe, inclusive, na prática, no Judiciário…”

“…Eu sou a favor do efeito do direito. Outra coisa é o casamento, que tem o componente religioso. Cabe a igreja decidir sua posição”.

Perguntou-se a Serra o que acha da carta que Dilma assinará para esclarecer suas posições quanto ao aborto e à união de homossexuais.

E ele, esquivando-se de entrar no mérito: “Ela tem os problemas dela. Ela diz uma coisa, depois diz outra coisa”.

blog Josias de Souza

Eleições 2010: Serra, quando ministro da saúde aprovou normas para o aborto

Aborto: Serra silencia sobre ato que baixou na Saúde

Na propaganda eleitoral, o presidenciável José Serra é apresentado como “o melhor ministro da Saúde” que o Brasil já teve.

Entre os feitos de Serra, são realçados: o programa de combate à Aids e a conversão dos remédios genéricos em realiadade.

A campanha tucana esquiva-se de mencionar, porém, uma outra realização do ministro Serra.

Em 1998, sob Fernando Henrique Cardoso, Serra assinou portaria disciplinando o socorro, no SUS, a mulheres vítimas de agressões sexuais.

No item de número seis, a portaria trata do “atendimento à mulher com gravidez decorrente de estupro”. Anota o texto:

“Esse atendimento deverá ser dado a mulheres que foram estupradas, engravidaram e solicitam a interrupção da gravidez aos serviços públicos de saúde”.

Ou seja, como ministro da Saúde, Serra ditou as normas para a realização de abortos nos hospitais do SUS. A providência foi necessária.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O Código Penal brasileiro autoriza o aborto em dois casos: quando a gravidez decorre de estupro ou quando há risco de morte da gestante.

Na prática, porém, as mulheres tinham dificuldade para fazer valer o seu direito.

Apenas oito cidades dispunham de serviço hospitalar público voltado à interrupção da gravidez nos casos previstos em lei. Daí a necessidade da portaria.

Serra deveria orgulhar-se do ato que editou. Mas a conveniência eleitoral o inibe de propagandeá-lo.

Na pele de candidato, Serra prefere apresentar-se como alguém “que sempre condenou o aborto e defendeu a vida”.

“Eu quero ser um presidente com postura, equilíbrio e que defenda os valores da família brasileira”, disse, no reinício da propaganda de TV, nesta sexta (8).

Decidido a fustigar a rival Dilma Rousseff, associada à defesa da legalização do aborto, Serra vincula-se mais ao obscurantismo religioso do que ao passado de ministro.

Em 1998, a portaria de Serra gerou uma enorme grita de católicos e evangélicos. O Serra de então deu de ombros.

Severino ‘Mensalinho’ Cavalcanti (PP-PE), à época deputado federal, tentou barrar a portaria de Serra na Câmara.

Enfrentou a resistência da bancada feminina, liderada pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), hoje fervorosa aliada de Dilma.

Em essência, o tema do aborto mais aproxima do que separa Serra e Dilma. Ambos consideram –ou consideravam— que a encrenca é caso de saúde pública.

Mais: a dupla acha –ou achava— que não cabe à Igreja ditar o comportamento do Estado nessa matéria.

Rendido à (i)lógica eleitoral, Serra como que sucumbe ao atraso beato. Chega a equivar-se de enaltecer uma iniciativa da qual deveria se orgulhar.

blog Josias de Souza

Gripe Suína. O lucro por trás da ‘pandemia’

Tupiniquins, recebi o texto abaixo por e-mail. O autor solicitou a não divulgação de seu (dele) nome. Portando, a reflexão não expressa necessáriamente a posição do blog em relação ao assunto, em função de não termos conseguido obter informações que possam negar ou confirmar as denúncias.

O editor

Os interesses por tras da gripe suína. A ironia no seu melhor estilo

2000 pessoas contraem a gripe suína e todo mundo já quer usar máscara.

25 milhões de pessoas têm AIDS e ninguém quer usar preservativo. ..

Pandemia do Lucro

Que interesses econômicos se movem por detrás da gripe porcina???

No mundo, a cada ano morrem milhões de pessoas vitimas da Malária, que se podia prevenir com um simples mosquiteiro.

Os noticiários, disto nada falam!

No mundo, por ano morrem 2 milhões de crianças com diarréia que se poderia evitar com um simples soro que custa 25 centavos.

Os noticiários disto nada falam!

Sarampo, pneumonia e enfermidades curáveis com vacinas baratas, provocam a morte de 10 milhões de pessoas a cada ano.

Os noticiários disto nada falam!

Mas há cerca de 10 anos, quando apareceu a famosa gripe das aves…

…os noticiários mundiais inundaram-se de noticias…

Uma epidemia, a mais perigosa de todas…Uma Pandemia!

Só se falava da terrífica enfermidade das aves.

Não obstante, a gripe das aves apenas causou a morte de 250 pessoas, em 10 anos…25 mortos por ano.

A gripe comum, mata por ano meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão contra 25.

Um momento, um momento. Então, por que se armou tanto escândalo com a gripe das aves?

Porque atrás desses frangos havia um “galo”, um galo de crista grande.

A farmacêutica transnacional Roche com o seu famoso Tamiflu vendeu milhões de doses aos países asiáticos.

Ainda que o Tamiflu seja de duvidosa eficácia, o governo britânico comprou 14 milhões de doses para prevenir a sua população.

Com a gripe das aves, a Roche e a Relenza, as duas maiores empresas farmacêuticas que vendem os antivirais, obtiveram milhões de dólares de lucro.

– Antes com os frangos e agora com os porcos.

– Sim, agora começou a psicose da gripe porcina. E todos os noticiários do mundo só falam disso….

– Já não se fala da crise econômica nem dos torturados em Guantánamo…

– Só a gripe porcina, a gripe dos porcos…

– E eu me pergunto-: se atrás dos frangos havia um “galo”… atrás dos porcos… não haverá um “grande porco”?

A empresa norte-americana Gilead Sciences tem a patente do Tamiflu. O principal acionista desta empresa é nada menos que um personagem sinistro, Donald Rumsfeld, secretário da defesa de George Bush, artífice da guerra contra Iraque…

Os acionistas das farmacêuticas Roche e Relenza estão esfregando as mãos, estão felizes pelas suas vendas novamente milionárias com o duvidoso Tamiflu.

A verdadeira pandemia é de lucro, os enormes lucros destes mercenários da saúde.

Não nego as necessárias medidas de precaução que estão a ser tomadas pelos países.

Mas se a gripe porcina é uma pandemia tão terrível como anunciam os meios de comunicação.

Se a Organização Mundial de Saúde (conduzida pela chinesa Margaret Chan) se preocupa tanto com esta enfermidade, por que não a declara como um problema de saúde pública mundial e autoriza o fabrico de medicamentos genéricos para combatê-la?

Prescindir das patentes da Roche e Relenza e distribuir medicamentos genéricos gratuitos a todos os países, especialmente os pobres. Essa seria a melhor solução.

Daspu abre ‘putique’ na internet

Grife Daspu lança “putique” na internet.

Daspu,Moda,Negócios,Economia,InternetModelo desfila o “sutiliga”, sutiã com alças de cinta-liga.
É uma das invenções da marca e está à venda na loja virtual da Daspu.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Abrem-se as cortinas, começa uma batida de funk. Numa imagem que remete a um cabaré há um palco e, nele, revezam-se imagens de um desfile com roupas que fogem à convencional alta costura, com peças justas, curtas e sensuais. As modelos também não lembram em nada as magérrimas de costume: são encorpadas, fazem poses sensuais.

Essa é a abertura do site da Daspu, a grife da ONG carioca Davida, que luta pelos direitos das prostitutas. Desde o início da semana passada, ao clicar nas fotos dos desfiles, o internauta é direcionado à recém-inaugurada Putique Daspu, a loja virtual da grife que cria roupas inspiradas no universo da prostituição.

Engana-se quem pensa que o objetivo do site é vender para as prostitutas que navegam pela internet.

“É um público que nos interessa, sim. Mas hoje em dia vestir Daspu virou ‘cult’, vendemos para mulheres de classe média, profissionais liberais, [ad#Retangulo – Anuncios – Direita]que têm entre 26 e 45 anos”, explica Flávio Lenz, diretor de marketing da Daspu.

“Afinal, hoje em dia, as patricinhas mesmo se vestem como as prostitutas.”

Entre as peças comercializadas no site estão shorts — bem curtos —, camisetas, saias e lingeries. Segundo Lenz, neste setor a Daspu oferece um produto que ainda não existia no mercado, o “sutiliga”, um sutiã que tem as alças de uma cinta-liga.

Lenz diz que a grife espera que os “best-sellers” da loja virtual sejam as camisetas da linha “Ativismo” — lançadas em 2003 — que têm os inscritos “pu da vida” e “somos más, podemos ser piores”.

Por enquanto, há poucas peças da Daspu à venda no site. Mas a ideia é que os 20 modelos que a marca lança a cada coleção — uma por ano — sejam disponibilizadas. A meta é que sejam comercializadas de 600 a 800 peças por meio do site, a mesma quantidade que a marca vende por mês em suas duas lojas.

Daspu,Moda,Negócios,Economia,Internet

Camisetas da Daspu, marca da ONG Davida
Peças básicas da grife que virou “cult” estão entre as mais pedidas pelos fãs da marca.

A relação da grife com a internet começou em 2005, quando a direção da ONG foi ao site de relacionamentos Orkut criar para si uma comunidade.

“Para nossa surpresa, já havia duas”, conta Lenz. E hoje são cerca de 30, sendo que a oficial tem mais de 900 membros.

“Usamos a página para fazer enquetes e saber do gosto do público”, diz o diretor de marketing.

Os próximos passos da Daspu na web devem ser um concurso virtual para escolher uma frase para uma camiseta e um blog, que deve trazer depoimentos de prostitutas.

Daspu

A Daspu foi formada por prostitutas da ONG Davida, do Rio de Janeiro, no final de 2005. A grife se tornou conhecida ao entrar numa polêmica com a Daslu, um dos maiores centros de comércio de luxo do país.

No embate, a butique de luxo queria que a Daspu mudasse de nome. Segundo a Daslu, havia “deboche, visando denegrir a imagem da loja”. Após a polêmica, os advogados da Daslu decidiram não ir à Justiça, e a grife manteve a marca.

Os desfiles da Daspu também foram comentados pela mídia por suas modelos serem, na maioria das vezes, as próprias prostitutas que compõem a ONG Davida.

Coordenadora da Davida, a escritora e prostituta aposentada Gabriela Leite responde atualmente pela Daspu. Gabriela fundou a ONG em 1992 como forma de organizar as prostitutas ‘contra o preconceito’ e na luta por bandeiras da categoria, como a prevenção à Aids e a doenças sexualmente transmissíveis, além do reconhecimento da prostituição como profissão legal.

Folha Online – Rebeca de Moraes

Camisinhas para o Papa

Não somos, os brasileiros, os únicos que aproveitam qualquer “deixa” pra tirar sarro de autoridades.

Mundo a fora na hora de avacalhar autoridade que seja pegue em besteirol, não perdoa.

O alvo dessa vez é Herr Ratzinger, também conhecido como Bento XVI.

Depois da estapafúrdia declaração sobre camisinhas (“Não evitam a Aids, pelo contrário, até aumentam o risco”), já há na internet um movimento para envio de… camisinhas ao Papa!

A gaiatice está em nove idiomas, já conta com 10 mil adeptos e, segundo consta,  já teria conseguido 70 mil camisinhas para enviar ao Vaticano.