Yahoo teria espionado usuários para governo americano

Segundo reportagem da Reuters, empresa americana teria criado um programa para fazer pesquisas em e-mails de usuários do provedor.

Computador mostra site do Yahoo

Pedidos de informações teriam partido do FBI e da Agência de Segurança Nacional.

A empresa americana Yahoo teria criado no ano passado um software para pesquisar e-mails recebidos por usuários de sua plataforma a pedido do serviço secreto dos Estados Unidos, segundo uma reportagem da agência de notícias Reuters, divulgada nesta terça-feira (04/10).
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O software buscava informações específicas solicitadas por funcionários da Agência de Segurança Nacional (NSA) e do FBI, disseram fontes anônimas.

A empresa cumpria com uma diretriz secreta do governo americano e teria pesquisado milhões de contas de usuários.

A reportagem afirmou que não se sabe o tipo de informação que foi pesquisada. A Reuters não conseguiu determinar quais foram os dados repassados, se houve realmente essa transferência, e nem se outros provedores também receberam esse pedido do governo americano.

Segundo dois ex-funcionários da empresa, a decisão da presidente-executiva do Yahoo, Marissa Mayer, de obedecer à ordem do governo teria irritado alguns executivos e causado a demissão do chefe de segurança de informação Alex Stamos, que agora trabalha para o Facebook.

O Yahoo não negou a reportagem e disse apenas que obedece a legislação vigente nos Estados Unidos.

Esse é o segundo escândalo que envolveu a empresa recentemente. Em meados de setembro, a companhia admitiu o vazamento de dados de pelo menos 500 milhões de usuários em 2014.

De acordo com a Reuters, especialistas em segurança afirmaram que este seria o primeiro caso de uma empresa de internet americana que concordou com exigências de agências de inteligência para espionar todas as mensagens. Eles acreditam ainda que a NSA e o FBI tenham feito o mesmo pedido para outras empresas do ramo.

A Google negou ter recebido pedido semelhante e ressaltou que jamais aceitaria esse tipo de exigência. A Microsoft disse apenas que não pesquisa e-mails de usuários, mas não comentou se recebeu a mesma solicitação do governo.
CN/rtr/ap

Assange, Snowden e você

Julian Assange Wikileaks Blog do Mesquita FaceBookO WikiLeaks voltou à sua labuta. Acabou de anunciar a divulgação de meio milhão de mensagens e outros documentos secretos do ministério do Exterior da Arábia Saudita. E também mensagens do ministério do Interior e dos serviços de inteligência. Em seu comunicado à imprensa, o WikiLeaks lembra que a divulgação coincide com o terceiro aniversário da reclusão de Julian Assange na Embaixada do Equador em Londres.

Outro que fez aniversário foi Edward Snowden, o ex-técnico contratado da CIA que colocou a público uma enorme quantidade de informações secretas dos Estados Unidos. A divulgação completou dois anos há alguns dias e Snowden assinou um artigo publicado no New York Times comemorando seus sucessos [ver “O poder de um público bem informado”].

Lembrou que graças às suas revelações foi criado um intenso debate que obrigou o governo americano a impor limites para a espionagem eletrônica de seus cidadãos realizada rotineiramente pela Agência de Segurança Nacional (NSA).

“A partir de 2013 instituições de toda a Europa declararam ilegais essas operações de espionagem e impuseram restrições a atividade similares no futuro”, escreveu Snowden, concluindo que somos testemunhas do nascimento de uma geração pós-terror que rejeita uma visão do mundo definida por uma tragédia específica.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Pode ser. Comemoro o fato de a NSA e outros espiões americanos terem mais restrições para ler meus e-mails ou escutar minhas conversas telefônicas. Mas me preocupo mais com as ameaças cibernéticas à minha privacidade que partem da Rússia, da China e de outros governos autoritários do que as que provêm de Washington.

Na mesma época em que Snowden publicou seu artigo, soubemos que piratas cibernéticos penetraram nos sistemas do departamento de pessoal do governo dos Estados Unidos e roubaram informações detalhadas de pelo menos quatro milhões de funcionários públicos federais.

As informações roubadas incluem dados pessoais e profissionais que os empregados do governo estão obrigados a fornecer para ter acesso a informações confidenciais. O principal suspeito do ataque é a China.

De acordo com reportagem do Washington Post, Pequim está construindo um enorme banco de dados com informações pessoais dos americanos, pirateando os arquivos eletrônicos de agências governamentais e seguradoras de saúde.

Como defender

Mas os ataques não se limitam à espionagem nem, necessariamente, têm um governo por trás. Há muitos hackers independentes que ganham a vida com atividade criminosa na internet.

Segundo o respeitado relatório que a empresa Verizon publica todos os anos sobre ataques cibernéticos, eles crescem a uma grande velocidade e são poucos os setores cujas defesas informáticas não tenham sido violadas. Os mais atingidos são o governo, além dos setores de saúde e financeiro.

Os especialistas também ressaltam que embora os ataques cibernéticos originados na China sejam constantes e em massa, os que provêm da Rússia não têm nada a invejar dos chineses no tocante à agressividade, frequência e sofisticação.

Seguramente os Estados Unidos não ficam atrás. Mas não devemos colocar todos no mesmo saco. Os Estados Unidos são uma democracia. Com todos os seus defeitos, ali existe uma separação de poderes e os governantes não gozam da impunidade que desfrutam seus colegas em Moscou ou Pequim.

Sim, é importante que as democracias não espionem seus cidadãos. Mas mais importante ainda é que as democracias tenham como se defender e defender seus cidadãos do perigoso mundo cibernético que está emergindo. Não é por acaso que nem na Rússia nem na China surgiram equivalentes de Assange e Snowden.

Por: Moisés Naím é ex-diretor do Banco Mundial e membro do Carnegie Endowment for International Peace

Serviço Secreto dos EUA quer ‘detector de sarcasmo’ para monitorar o Twitter

Twitter (Reuters)

Programas têm dificuldades para Identificar quando alguém não está falando sério na internet

O Serviço Secreto americano está em busca de um programa de computador capaz de identificar quando alguém está sendo sarcástico em posts publicados no Twitter.

A ferramenta ajudará a saber quando alguém não está falando sério – casos chamados de “falsos positivos” pelo governo americano.

A notícia veio à tona depois que o governo americano divulgou anúncio online na última segunda-feira, em busca de novos softwares para melhorar esse serviço de monitoramento.

O interesse da agência abrange também ferramentas capazes de identificar pessoas influentes em redes sociais, acesso a dados antigos publicados nas contas do Twitter e tópicos de interesse para a agência do governo, entre outras funções.

Segundo o governo americano, o objetivo é “preservar a integridade da economia e proteger líderes nacionais e chefes de Estado e governos que visitarem os Estados Unidos”.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O país tem sido muito criticado e pressionado desde que foi revelado que sua Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) monitorava ligações telefônicas e a atividade online de americanos e de cidadãos de outros países.

Piadas infelizes

Nesse tipo de monitoramento, identificar quando alguém está sendo irônico é um desafio porque a linguagem de mensagens envolve elementos complexos e de difícil compreensão por uma máquina.

Por isso, brincadeiras publicadas em redes sociais complicaram a vida de seus autores – ainda que fossem no final das contas apenas posts infelizes.

Um usuário do Twitter foi preso em abril depois de postar uma mensagem com uma ameaça de bomba para a empresa aérea América Airlines. Ele disse depois ter feito uma piada.

No ano passado, uma adolescente americana foi presa depois de publicar no Facebook um comentário sarcástico dizendo que “atiraria numa escola cheia de crianças”.

E, em 2012, um irlandês e uma britânica que viajavam juntos foram levados em custódia nos Estados Unidos depois do homem postar que planejava “destruir a América” e “desenterrar Marilyn Monroe”.

O irlandês afirmou que “destruir” era uma gíria para “festejar muito”.
BBC

Guerra eletrônica: Coreia do Norte é suspeita de atacar computadores do governo dos Estados Unidos

Uma declaração de guerra cibernética

Governos de Estados Unidos e Coreia do Sul sofrem ataque organizado pela internet. Coreia do Norte é suspeita

Dezenas de sites governamentais e de empresas dos Estados Unidos e da Coreia do Sul sofreram um ciberataque maciço que começou no fim semana e se estendia até ontem. A agência de espionagem sul-coreana atribuiu a responsabilidade pelo ataque, que atingiu até mesmo as páginas oficiais dos governos dos países, à “Coreia do Norte ou a grupos próximos” ao país.

A operação coordenada de ataque cibernético atingiu pelo menos 35 sites nos dois países. Entre os sites atingidos nos EUA estão os da Casa Branca, dos departamentos de Defesa, de Estado, de Segurança Interna e do Tesouro, da Agência de Segurança Nacional, o da Bolsa de Valores de Nova York e o do jornal “Washington Post”. Na Coreia do Sul, entre os alvos dos ciberataques estão o site da Presidência, do Ministério da Defesa, do Parlamento, do maior portal de internet do país, de bancos e do jornal “Chosun Ilbo”.

A maioria dos órgãos conseguiu reagir aos ataques. Mas diversos sites sul-coreanos saíram totalmente do ar por dias. Nos EUA, os sites dos departamentos do Tesouro e do Transporte, do Serviço Secreto e da Comissão Federal de Comércio pararam de funcionar em diversos momentos nos últimos dias.

“Este não é um ataque simples feito por um único hacker, mas parece que foi cuidadosamente planejado e executado por uma organização específica ou no nível de um Estado”, afirmou, em nota, o Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul. Para a comissão de Inteligência do Parlamento sul-coreano, os espiões disseram que o principal suspeito é a Coreia do Norte.