Adélia Prado – Versos na tarde – 23/08/2017

Amor Violeta
Adélia Prado ¹

O amor me fere é debaixo do braço,
de um vão entre as costelas.
Atinge meu coração é por esta via inclinada.
Eu ponho o amor no pilão com cinza
e grão de roxo e soco. Macero ele,
faço dele cataplasma
e ponho sobre a ferida

¹ Adélia Luzia Prado Freitas
* Divinópolis, MG. – 13 de Dezembro de 1935 


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Adélia Prado – Versos na tarde 26/10/2016

O Amor no Éter
Adélia Prado ¹

Há dentro de mim uma paisagem
entre meio-dia e duas horas da tarde.
Aves pernaltas, os bicos
mergulhados na água,
entram e não neste lugar de memória,
uma lagoa rasa com caniço na margem.
Habito nele, quando os desejos do corpo,
a metafísica, exclamam:
como és bonito!
Quero escrever-te até encontrar
onde segregas tanto sentimento.
Pensas em mim, teu meio-riso secreto
atravessa mar e montanha,
me sobressalta em arrepios,
o amor sobre o natural.
O corpo é leve como a alma,
os minerais voam como borboletas.
Tudo deste lugar
entre meio-dia e duas horas da tarde.

¹ Adélia Luzia Prado Freitas
* Divinópolis, MG. – 13 de Dezembro de 1935 d.C

->biografias

Adélia Prado – Versos na tarde – 08/03/2016

Corridinho
Adélia Prado¹

O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.

O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.

O amor pega o cavalo,
desembarca do trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.

Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.

Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.

Texto extraído do livro
“Adélia Prado – Poesia Reunida”, pág. 181.

¹Adélia Luzia Prado Freitas
* Divinópolis, MG. – 13 de dezembro de 1935 d.C
Biografia de Adélia Prado


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Adélia Prado – Versos na tarde – 03/03/2016

Sem título
Adélia Prado¹

Meu espírito – que é o alento de Deus em mim – te deseja
pra fazer não sei o que com você.
Não é beijar, nem abraçar, muito menos casar
e ter um monte de filhos.

Quero você na minha frente,
extático – Francisco e o Serafim, abrasados -,
e eu para todo o sempre
olhando, olhando, olhando…

¹Adélia Luzia Prado Freitas
* Divinópolis, MG – 13 de dezembro de 1935 d.C
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Adélia Prado – Versos na tarde – 12/12/2015

A Paciência e seus limites
Adélia Prado¹

Dá a entender que me ama,
mas não se declara.
Fica mastigando grama,
rodando no dedo sua penca de chaves,
como qualquer bobo.
Não me engana a desculpa amarela:
‘Quero discutir minha lírica com você’.
Que enfado! Desembucha, homem,
tenho outro pretendente
e mais vale para mim vê-lo cuspir no rio
que esse seu verso doente.

¹ Adélia Luzia Prado Freitas
* Divinópolis, MG. – 13 de Dezembro de 1935 d.C


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Adélia Prado – Versos na tarde – 09/06/2014

Amor Violeta
Adélia Prado ¹

O amor me fere é debaixo do braço,
de um vão entre as costelas.
Atinge meu coração é por esta via inclinada.
Eu ponho o amor no pilão com cinza
e grão de roxo e soco. Macero ele,
faço dele cataplasma
e ponho sobre a ferida

¹Adélia Luzia Prado Freitas
* Divinópolis, MG. – 13 de Dezembro de 1935 d.C


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