Acordo nuclear com o Irã. Oposição americana é criticada

Comportamento dos EUA é alvo de críticas sobre Irã

Analistas atribuem recuo a pressões internas

O fato de o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ter apresentado à ONU uma proposta de impor sanções ao Irã, um dia depois do Brasil e da Turquia terem obtido do governo iraniano um acordo de ceder à demanda daquela instituição para que enviasse urânio para ser enriquecido no exterior — num grau suficiente apenas para uso médico e energético — é visto por especialistas brasileiros em relações exteriores como uma rendição de Obama a pressões internas.

— Fica claro que o Brasil tinha uma ação responsável quando abriu as negociações com o aval dos EUA. A carta (de Obama para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes de sua viagem à Teerã) prova isso — disse Cristina Pecequilo, professora de Relações Internacionais na Universidade Estadual Paulista.

Ela se referia ao fato de Obama ter afirmado à Lula, que se o Irã concordasse em enviar 1.200 quilos de urânio para ser enriquecido em outro país, a um grau suficiente apenas para uso médico e energético, “geraria confiança e diminuiria as tensões regionais”. Foi exatamente isso que Brasil e Turquia obtiveram do governo iraniano.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Para Williams Gonçalves, professor de Relações Internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a divulgação da carta deixa clara a divisão do governo americano.

Ele lembra que o presidente Obama já havia indicado que desejava um acordo com o Irã, mas teve que ceder às pressões da elite política e intelectual dos EUA.

Integrantes das comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado criticaram o recuo. O líder em exercício do PT na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (SP), disse que a insistência dos EUA em impor novas sanções ao Irã desmoraliza Obama. O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), viu a carta de Obama como um “incentivo” a que o Brasil avançasse nas negociações.

Mas ressalvou que ela também continha um alerta de que um acerto com o presidente Mahmoud Ahmadinejad careceria de garantias.

Diante do mal-estar causado pelo recuo de Obama, o secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Arturo Valenzuela, enfatizou as boas relações bilaterais: — Estamos nos dando bem numa quantidade enorme de assuntos. A lista é muito longa. Estamos extremamente comprometidos em manter uma forte ligação com o Brasil. Tivemos uma diferença de avaliação em relação ao Irã — disse ele sexta-feira, em Atlanta, antes da divulgação de trechos da carta.

O Globo

Acordo Nuclear Brasil Irã e a má vontade dos países da União Européia

Por que a mediação brasileira irritou tanto a Europa

Depois de ter assinado com o primeiro-ministro turco, Recep Tayyp Erdogan, um acordo com o Irã sobre o programa nuclear iraniano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que “a diplomacia saiu vitoriosa”. Mas essa não é a opinião dos diplomatas europeus, que, sem rejeitar o acordo de segunda-feira, fizeram caretas, dizendo que “o Irã está de novo com as cartas na mão”.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Os israelenses estão ainda mais descontentes. Eles odiaram o acordo, mas fizeram uma distinção entre os dois responsáveis. A Turquia, cujas relações com Jerusalém deterioraram-se depois da guerra na Faixa de Gaza, voluntariamente prestou-se às “manobras iranianas”.

Já Lula, “pecou pela ingenuidade”, sugerindo que o Brasil, pouco habituado aos ardis da diplomacia, caiu “na armadilha iraniana”.

Esse desânimo espanta. Na verdade, o acordo entre Brasil, Turquia e Irã reproduz o mecanismo de troca de urânio concebido em Viena em outubro de 2009 pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Na ocasião, EUA, França e Rússia consideraram o sistema engenhoso. Mas o Irã o rejeitou.

Ora, os mesmos que aprovaram esse texto, em vez de saudar a virtuosidade de Lula e Erdogan, resmungam.

À primeira vista, podemos pensar que os grandes da diplomacia mundial, simplesmente ficaram melindrados ao ver que Ancara e Brasília obtiveram de um só golpe o que os “gênios” não conseguiram. “O Irã está com as cartas na mão”, opinou o francês Bruno Tertrais, da Fundação para Pesquisa Estratégica.

“Os ocidentais devem agora empreender uma grande batalha de relações públicas.”

O nervosismo da França é mais observado contra a Turquia, que a diplomacia francesa não aprecia (Sarkozy rejeita a entrada da Turquia na União Europeia).

Muito menos visível no caso de Lula porque a França tem um velho hábito de amar o Brasil.

Lula é o chefe de Estado mais admirado pelos franceses (mais do que Barack Obama). E Sarkozy, como todos os franceses, gosta do Brasil e de Lula.

Gilles Lapouge é correspondente em Paris do O Estado de S.Paulo

Irã assina acordo nuclear mediado por Lula e Turquia

Vixe!!! Agora os “cumpanheiros” vão querer o Nobel da Paz pro chefe dos Tupiniquins. E, se, FHC se mudará para o polo sul.
O Editor

O Brasil amanhece sob o impacto de uma notícia vinda de Teerã. Uma novidade que traz as digitais de Lula.

Os brasileiros ainda dormiam quando Lula foi ao café da manhã, nesta segunda (17).

Dividiu a mesa com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan.

Depois de se alimentar, os três foram ao encontro dos jornalistas. Trouxeram à luz um acerto esboçado na véspera.

Sob a mediação do Brasil e com a participação da Turquia, o Irã concordou em assinar um acordo para a troca de urânio por combustível nuclear.

Ao lado dos chefes e sob olhares dos repórteres, os ministros das Relações Exteriores dos três países assinaram o acordo.

Coube ao porta-voz da chancelaria iraniana, Ramin Mehmanparast, esmiuçar os termos do entendimento.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Pretende-se que a coisa funcione assim: O Irã enviará à Turquia 1.200 kg de urânio de baixo enriquecimento (3,5%).

O urânio ficará guardado na Turquia, sob vigilância turca e iraniana, pelo período de um ano.

Decorridos os 12 meses, o Irã receberia em troca 120 quilos de urânio enriquecido a 20% da Rússia e da França. Material destinado a pesquisas médicas.

Trata-se de uma fórmula parecida com a que havia sido sugerida, no final do ano passado, pela AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica da ONU).

A diferença é a presença da Turquia como fiel depositária do urânio do Irã. O governo turco mantém boas relações com Teerã e também com o Ocidente.

Comprometeu-se a devolver o urânio a Teerã caso os russos e os franceses não cumpram com a sua parte no acordo.

O acerto será submetido agora à AIEA. Só vai ser implementado se obtiver o aval da agência da ONU.

Imagina-se que o novo cenário pode esvaziar o balão das retaliações ao Irã, soprado pelos EUA, com a ajuda da comunidade Europeia.

Se tudo correr como planejado, Lula voltará para o Brasil diferente. A barriga do presidente se converterá numa espécie de segundo peito.

Será difícil para a oposição aturá-lo. Um pedaço do petismo já falava, na noite passada, em articular a candidatura de Lula ao Nobel da Paz.

Proto-inimigo do regime de Teerã, Israel apressou-se em borrifar água fria na fervura diplomática.

Minutos depois do anúncio do acordo, o governo israelense mandou dizer que o Irã está apenas “manipulando” o Brasil e a Turquia.

blog Josias de Sousa

Lula pode ter conseguido acordo sobre combustível nuclear com Irã e Turquia

Irã, Turquia e Brasil: acordo sobre troca de combustível

O ministro do Exterior da Turquia disse neste domingo que um acordo foi alcançado entre Irã, Turquia e Brasil sobre os procedimentos para reavivar o paralisado acordo de troca de combustível nuclear defendido pelas Nações Unidas.

Quando questionado por jornalistas em Teerã sobre se haveria um acordo sobre a troca de combustível, Ahmet Davutoglu respondeu:

“Sim, isso foi alcançado após quase 18 horas de negociações”.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O ministro do exterior turco disse que uma anúncio oficial pode ser feito na segunda-feira, pela manhã, após revisão dos presidentes brasileiro e iraniano e do primeiro-ministro turco, que chegou à capital iraniana para juntar-se às negociações sobre o acordo neste domingo.

O Globo