‘Gangsterização da política’ marca o fim da Nova República, diz Safatle

Brasil CorrupçãoA Nova República acabou. Qualquer análise honesta da situação brasileira atual deveria partir dessa constatação. O modelo de redemocratização brasileiro, que perdurou 30 anos, baseava-se em um certo equilíbrio produzido pelo imobilismo.

Desde o momento em que FHC se sentou com ACM e o PFL para estabelecer a “governabilidade”, a sorte da Nova República estava selada.

Frentes heteróclitas de partidos deveriam ser montadas acomodando antigos trânsfugas da ditadura e políticos vindos da oposição em um grande pacto movido por barganhas fisiológicas, loteamento de cargos e violência social brutal.

O resultado foi um sistema de freios que transformou os dois maiores grupos oposicionistas à ditadura (o PT e o núcleo mais consistente do PMDB, a saber, o que deu no PSDB) em gestores da inércia.

Com uma “governabilidade” como essa, as promessas de mudanças só poderiam gerar resultados bem menores do que as expectativas produzidas.

Mas a Nova República tinha também um certo princípio de contenção por visibilidade.

[ad name=”Retangulo – Anuncios – Esquerda”]No auge da era FHC, José Arthur Giannotti cunhou a expressão “zona cinzenta de amoralidade” para falar do que ele entendia ser um espaço necessário de indeterminação das regras no interior da dita democracia com sua “gestão de recursos escassos”.

Essa zona de amoralidade, mesmo tacitamente aceita, deveria saber respeitar uma certa “linha de tolerância”, pressuposta na opinião pública. Havia coisas que não poderiam aparecer, sob pena de insuflar a indignação nacional.

(…)

O primeiro sintoma do fim da Nova República é a pura e simples gangsterização da política e a brutalização das relações sociais. Não há mais “linha de tolerância” a respeitar, pois não é mais necessário um “pacto pelo imobilismo”.

Pacto pressupõe negociação entre atores que têm força e querem coisas distintas. Mas todos os principais atores políticos da Nova República já estão neutralizados em seu risco de mudança. Os que não querem a mesma coisa não têm mais como transformar seu desejo em ação.

Assim, como não há mais linha de tolerância a respeitar, o outrora impensável pode ser mostrado, desde que sirva para desestabilizar o governo de plantão.

Por exemplo, foi como um sindicato de gângsteres que o Congresso Nacional e seu presidente agiram na semana passada ao convocar, para uma CPI de fantasia, a advogada de defesa de denunciantes da Operação Lava Jato, a fim de intimidá-la.

De toda forma, só uma política gangsterizada pode aceitar que o presidente da Câmara seja um indiciado a usar seu cargo para, pura e simplesmente, intimidar a Justiça, como se estivesse na Chicago dos anos 1930.

Lula, Ricardo Gomes, e ‘essa gente’ que deveria estar no SUS

O que há entre o Sírio e o SUS
Bárbara Gancia/Folha de São Paulo

Lula certamente não é nenhum são Francisco de Assis, mas será que nós não estamos falando de inveja?

O ex (futuro?) presidente Lula é um sujeito cheio de defeitos. Até o mais fanático corintiano ou o mais abnegado petista sabe que o companheiro vive dando mancadas. Não parece muito oportuno entrar nisso agora, mas só para citar alguns vacilos notórios, todos sabemos que Lula escancarou a porteira da aparelhagem nas estatais, que perdeu a oportunidade dourada de fazer as reformas e que empreendeu uma política externa de quinta categoria. Por essas e outras, ele merece o escárnio público, o exílio na ilha de Elba, que se vire a cara para ele na rua, você escolhe.

Mas, peraí, Lula não é Berlusconi. Com ou sem câncer, é ridículo que se tenha por ele o grau de ressentimento exibido nos últimos dias nas redes sociais. Você pode até achar que o ex-presidente avacalhou a política e esculhambou a ética e que mentiu sobre o mensalão, mas levante a mão para ser contado se você está pior agora ou antes do início do primeiro mandato do petista.

Aliás, Lula não é Berlusconi nem tampouco Gaddafi, não existem justificativas para que ele seja tratado com o ódio exibido logo após o anúncio de seu câncer na laringe. Que falta de humanidade é essa?[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Em agosto passado, quando o técnico do Vasco (e ex-jogador da seleção brasileira) Ricardo Gomes sofreu um AVC na beira do campo, no estádio do Maracanã, parte da torcida do Flamengo desembestou numa série de impropérios que culminou em um coro de: “Morre! Morre! Morre!”

Quem pariu essa canalha e a embalou? É gente que come com garfo e faca?

Só quando andam em bando ou estão amparados pelo anonimato da internet eles agem assim? Eu realmente não faço ideia do que é isso. Porque só pode se tratar de um “isso”, um treco, um “coiso”, não chegamos nem mesmo ao status de fenômeno.

No fundo do âmago do ser íntimo, ninguém desejou discutir se Lula deve ou não se tratar no SUS. Se a conversa realmente fosse essa, seria de se perguntar onde estavam os que agora mandam Lula ir se tratar no SUS com tamanha inclemência na hora em que Maluf ficou doente da próstata, quando Roseana Sarney entrou e saiu dezenas de vezes do hospital ou na época em que ACM pai e filho deram entrada no hospital.

O babado é pessoal e a raiva, desproporcional. Eu sei que ele não é exatamente um são Francisco de Assis, mas será que nós não estamos falando de um assunto outro?

Algo me diz que as mesmas pessoas que estão no Facebook ordenando que Lula saia do Sírio-Libanês jamais passaram na porta de uma unidade de saúde e pouco se comovem quando a empregada reclama sobre o exame marcado para dali a três meses.

Em vez de prestar atenção nos motivos que estão levando o país a ser a sexta economia do mundo, um certo tipo funéreo de paulista (sim, de paulista) fica perdendo tempo com picuinha e com “essa gente” que não quer mais trabalhar de empregada e “essa gente” que está entupindo o avião e “essa gente”, vê se pode, que está fazendo exames clínicos no Fleury e “essa gente” que está tomando o Einstein e o Sírio de assalto e “essa gente” que até estádio para abrir a Copa do Mundo conseguiu fazer. Melhor tomar cuidado. De tanta inveja, capaz de os hidrofóbicos pegarem um câncer na ponta do focinho. Sabe como são essas coisas…

Lula vira nome de poço de petróleo e DEM protesta na justiça

Para ser coerente o DEM, ex-PFL, deveria ajuizar ação contra o ex-governador de Sergipe, João Alves que é o DEM, cujo nome está espalhado naquele estado nomeando desde uma simples escola até o maior hospital público, batizando ainda o prédio da Assembléia Estadual de Sergipe.

Claro que a lei tem que ser isonômica e não deve haver exceção seja pro Lula seja pro político do DEM.

Coincidência ou não, a Petrobras costuma batizar alguns de seus poços com nomes de seres marinhos: Robalo, Enchova, Marlim Sul, Barracuda, Badejo, Siri, Lagosta, Baleia Branca, Cachalote, Jubarte, Golfinho, Mexilhão, etc.

Lula será um nome em homenagem ao chefe dos Tupiniquins ou apenas uma referência ao molusco que habita os oceanos?

O que se constata é que nenhum partido político brasileiro, por terem telhados de vidro, podem se arvorar em bastiões da moralidade.

Se e quando a lei que impede nome de pessoas vivas em prédios públicos for cumprida, quase todos eles ficaram sem nome. No Maranhão então, não há pra onde se possa olhar que não se veja algo com o nome Sarney.

Já na Bahia, ACM ainda em vida teve o nome batizando até viaduto. ACM, como todos os brasileiros sabem, foi um medalhão do DEM.
O Editor


DEM move ação contra rebatismo de Tupi, agora Lula

Horas depois de a Petrobras ter anunciado a troca de nome da primeira área do pré-sal, o DEM informou que recorrerá ao Ministério Público contra a decisão.

Descoberta em 2007, a área em questão havia sido batizada de Tupi.

Agora, sob a alegação de que o nome era provisório, foi rebatizada de Lula.

Os campos que compõem a megajazida Lula receberão nomes de espécimes da fauna marinha brasileira.

Coube ao deputado Ronaldo Caiado (GO), vice-líder do DEM na Câmara, anunciar a reação da legenda, hoje dividida entre oposicionistas convictos e envergonhados.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Em mensagem pendurada em seu microblog, Caiado anotou:

“Vamos fazer representação junto ao Ministério Público” contra Lula.

Caiado bateu: “Após defender mensaleiros e desrespeitar leis eleitorais, Lula rasga a Constituição e mais uma lei ao colocar seu nome na área de Tupi”.

Numa trinca de notas (aqui, aqui e aqui), o deputado reproduziu trechos do artigo 37 da Constituição.

Inclui entre os principíos que devem reger a administração pública o da “impessoalidade”.

Em seu parágrafo primeiro, o mesmo artigo prevê que a publicidade dos programas e obras oficiais deve ter “caráter educativo, informativo e de orientação social”.

No mesmo parágrafo, o texto proíbe o governo de lançar mão de “nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores”.

Noutra mensagem levada ao twitter, Caiado invoca os artigos 11 e 12 da lei 8.429, de 1992, contra “o senhor Lula-Tupi”.

Essa lei, escreve o deputado, sujeita os gestores públicos que incorrem em promoção pessoal à perda dos direitos políticos por período de três a cinco anos.

blog Josias de Souza

Eleições 2010: Dilma não quer Zé Dirceu, Serra não quer saber de FHC e Marina não mexe economia da taba

Ela, não quer saber do “cunpaeiro” Ele, quer distância da vestal dos tucanos. A eco candidata já mandou aviso que não mexe nadinha da política econômica.
Nos Estados, de modo geral, todos juram que não haverá continuismo e batem o bumbo.
Traduzindo pro popular: “tira esse bicho daqui”. Ou, um elefante incomoda muita gente, dois elefantes…
O Editor


As primeiras cargas lançadas ao mar

Coincidência ou não, na mesma semana os dois principais candidatos demonstraram a disposição de livrar-se de carga incômoda em suas respectivas campanhas. Não se trata de ingratidão e nem se fala da ação que vinham tendo ou poderiam ter Fernando Henrique Cardoso e José Dirceu na conquista de votos para Dilma Rousseff e José Serra. Muito menos no eventual governo de um dos dois candidatos.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A verdade, porém, é que tanto o ex-presidente da República quanto o antigo chefe da Casa Civil vinham tentando ocupar espaços a eles não franqueados e acabaram recebendo um “chega para lá”.

Dilma Rousseff, num programa de televisão, afirmou “ter muito respeito pelo Zé, que não estará no cerne de seu governo. Sendo militante do PT, terá sempre seu lugar no partido. Não tem conversado com ele”.

Já José Serra, indagado numa emissora de rádio sobre qual o papel do sociólogo em seu governo, disse que ex-presidentes da República estão num patamar especial e não podem ser aproveitados como colaboradores comuns, devendo ser preservados por conta de seu passado.

Traduzindo, apesar dos naturais elogios: fiquem de fora porque não há lugar para eles, nem agora nem depois. É claro que nem Fernando Henrique nem José Dirceu acusaram o golpe, mas devem ter entendido perfeitamente os comentários. Serra e Dilma não querem oráculos nem corpos estranhos à sua sombra.

Prevalece aquela máxima tão a gosto do falecido Antônio Carlos Magalhães: “não se deve nomear quem não se pode demitir”.

Fica tudo como está

Marina Silva acaba de confirmar nos Estados Unidos aquilo que Dilma Rousseff e José Serra vem dizendo por aqui: não muda nada na política macro-econômica, ou seja, se eleitos manterão as mesmas linhas fundamentais adotadas há quase dezesseis anos, quando Fernando Henrique assumiu o poder.

Nada de reformas de base, sequer mudanças capazes de cercear benefícios ao capital estrangeiro. Facilidades aos investimentos externos, inclusive a especulação, campo aberto para os bancos e suas atividades financeiras, nenhuma taxação extraordinária para a especulação, muito pelo contrário. Sem esquecer a flexibilização de eventuais entraves constitucionais no setor social.

Numa palavra, os três propõem-se a desenvolver o mesmo modelo de FHC e de Lula, ainda que dando ênfase ao assistencialismo. De uma forma ou de outra, três neoliberais…

Cuidado com ele

Em São Paulo, não se deve esperar de Geraldo Alckmin que faça um governo de continuação nem de continuidade da administração José Serra e Alberto Goldmann. O ex-governador tem contas a acertar com o candidato presidencial, especialmente se for derrotado por Dilma Rousseff. Serra no Planalto exigiria uma certa flexibilidade do novo governador, mas fora dele seria apenas uma sombra a reverenciar, jamais a temer ou copiar.

Até agora são evidentes os sinais da vitória de Alckmin, apesar de sua cautela. Está preparado para a eventualidade da vitória de Dilma Rousseff, de quem dependerá para realizar um bom governo. Por isso não ataca o adversário, Aloysio Mercadante, muito menos participa das baixarias que tem marcado a campanha no plano nacional. Há quem jure ter ouvido do candidato frases de censura à performance do candidato a vice na chapa de Serra, Índio da Costa.

Encruzilhada

Se na economia equivalem-se José Serra e Dilma Rousseff, em termos de planos para o futuro, diversas parecem as concepções dos dois candidatos para a política externa. A ex-ministra, se eleita, deverá manter Celso Amorim por pelo menos mais um ano no Itamaraty. Conservará as mesmas diretrizes de independência e não alinhamento automático com os Estados Unidos.

Já o ex-governador de São Paulo tende a refluir nas aventuras terceiro-mundistas do Lula, buscando integração maior com as grandes potências. Os dois nomes mais citados para chanceler, num eventual governo Serra, são os embaixadores já aposentados Rubens Barbosa e Sérgio Amaral.

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa

Fernendo Henrique Cardoso no Senado

Fernando Henrique Cardoso deu as caras no Senado nesta terça (7).

Foi participar da sessão em que se festejou o aniversário de 15 anos do Real.

Os repórteres o inquiriram sobre a crise que carcome as entranhas do Senado.

E FHC: “Eu vim ao Senado para celebrar o Real […]…”

“…Não vou, em um dia como hoje, falar disso…”

“…Em casa de enforcado não se fala em corda”.

Antes de seguir para o plenário, FHC visitou o “enforcado” Sarney.

O ex-presidente tem lá as suas razões para se esquivar do tema.

No seu tempo, tentou afrouxar a corda que apertou o pescoço de Jader Barbalho.

Embora desejasse, não ajudou a cingir o nó que sufocou ACM.

Antes que o país descobrisse que Renan é Renan, abrigara-o na pasta da Justiça.

De resto, FHC frequenta a crise atual por meio de um fruto de sua árvore genealógica.

Luciana Cardoso, filha de FHC, foi pilhada na condição de funcionária fantasma.

“Assessora” de Heráclito Fortes, disse que não ia ao Senado para evitar a “bagunça”.

Depois, demitiu-se, para evitar “contrangimentos” ao primeiro-secretário.

De fato, FHC não é mesmo a pessoa mais indicada para discorrer sobre cordas.

blog Josias de Souza

Imprensa, políticos e Tartufos

Que República! Que corja!

Os políticos e a imprensa

Em 25 de abril de 1984, a emenda que viabilizaria a eleição direta foi derrubada, apesar do grande movimento popular que clamava a volta da democracia e o direito ao voto.

Neste tempo, o político mineiro Tancredo Neves, apesar de comparecer aos comícios das Diretas Já, torcia para que a emenda não fosse aprovada, para que ele pudesse se candidatar pelo PMDB, e ser eventualmente eleito presidente pelo Colégio Eleitoral. Tancredo sabia que sua única chance seria a eleição indireta.

Em 23 de julho, PMDB e PFL assinam aliança Tancredo-Sarney, como candidatos do Colégio Eleitoral para a escolha do novo Presidente e vice da chamada “nova” República.

Tancredo conseguiu a aprovação da imprensa, já havia se entendido com o Roberto Marinho das Organizações Globo, e construiu uma grande aliança que garantiu sua vitória no Colégio Eleitoral, porém, na véspera de sua posse, foi internado, sofreu 7 cirurgias, vindo a falecer

Sua morte só foi anunciada à nação no dia 21 de abril, para coincidir com a morte de Tiradentes, seu conterrâneo e mártir da independência. Tancredo era então o mártir da República. Enquanto ele agonizava, a imprensa o beatificava, com matérias e reportagens que geraram uma comoção popular, como de costume, aliás.

Em 15 de março de 1985 Sarney assume provisoriamente a presidência, e em 22 de abril, definitivamente. Nesta altura, já tinha tido vários mandatos como deputado, governador biônico (eleito indiretamente) do Maranhão, senador e presidente do PDS. Sua vida pública já era conhecida de todos, mas teve apoio no Congresso e conseguiu inclusive aumentar em mais 1 ano o seu mandato. Depois de deixar a presidência, elegeu-se senador pelo Amapá e compunha a base de apoio do governo de FHC.

Em 2002, sua filha, Roseana Sarney se candidata à presidência pelo PFL e começa a ameaçar a ida do tucano José Serra para disputar o 2º turno da eleição com Lula. Isso deixou os tucanos de orelha em pé, com a certeza de que alguma coisa teria que ser feita para impedir a vergonha do candidato de FHC não chegar nem ao 2º turno.

No dia 1º de março de 2002, a PF invade o escritório da Lunus (MA), empresa do marido da então candidata à presidência Roseana Sarney, e encontra R$ 1,3 milhão no cofre. A imprensa divulga imediatamente a pilha de dinheiro e derruba a candidatura da Roseana.

Em 20 de março, o senador José Sarney, pai de Roseana, faz discurso no plenário e acusa textualmente o candidato José Serra como o responsável pela ação da PF. Todos os envolvidos nela eram “gente do Serra”. Não se tem notícia de que tenha sido processado por seu discurso, nem que tenha sido ameaçado por “quebra de decoro”, pelas graves acusações que fez.

“Acusam a governadora pela aprovação da Usimar e esquecem o ex-ministro José Serra, que responde ao processo 96.00.01079-0 por ‘improbidade administrativa – ressarcimento ao erário’, a outra ação, 2000.34.00.033429-7, com a finalidade de ‘reparação de danos ao erário’, e ainda a várias outras ações ordinárias, cautelares, civis públicas, populares”.

O texto acima serve apenas para mostrar a hipocrisia dos políticos e da imprensa:

1- Tancredo fingia que apoiava o movimento pelas Diretas, mas torcia para que não fosse aprovada. Obviamente, a imprensa tinha conhecimento de tudo, mas como não interessava, não divulgava. (Há pouco tempo o jornalista Maurício Dias escreveu a esse respeito em Carta Capital)

2- Sarney, quando era da base de apoio do governo FHC era um político ilustre. Foi presidente do Senado no 1º ano do mandato de FHC (entre 1995 e 1997), seguido de ACM, Jader Barbalho

3- As abundantes irregularidades do Senado agora denunciadas, já acontecem há pelo menos 15 anos, segundo se diz, mas só agora existe um real interesse em denunciá-las. Aliás, mais uma vantagem de ter Lula no poder: pela 1ª vez, os políticos que mandaram e desmandaram por todo tempo neste país querem apurar as irregularidades, embora retrocedam quando estas retroagem a 2002. FHC espertamente disse que o que aconteceu no seu governo já faz parte da história.

4- Renan Calheiros renunciou à presidência do Senado porque tem uma filha fora do casamento (reconhecida por ele) que foi sustentada por um empresário, mas FHC tem um filho também fora do casamento (não reconhecido por ele), que é sustentado pela Rede Globo (sua mãe é jornalista global, e foi transferida para a Espanha, para não causar transtornos ao pai), mas disso a imprensa não fala, exceto a revista Caros Amigos, que divulgou o fato, e não foi acionada nem contestada. Agora Renan é corrupto, mas ele foi Ministro da Justiça de FHC.

5- Sempre que são feitas denúncias de corrupção, a imprensa elege os “arautos da moralidade” para fazer seus comentários indignados. Os cidadãos desavisados tendem a acreditar que essas figuras são corretas, o que não corresponde à realidade. É pura hipocrisia!

6- Se a imprensa tivesse compromisso com a verdade, escolheria aqueles com ficha limpa, tendo portanto uma enorme responsabilidade pela péssima qualidade do nosso legislativo.

7- A imprensa apoiou o golpe de 64, a ditadura, o Collor, o FHC, e continuará apoiando o que de pior existe na política brasileira, para preservar seus interesses e de seus anunciantes. Essa é a sua lei maior!!!

8- José Agripino Maia é primo de Agaciel Maia, que em 19 de junho último casou sua filha, e contou com a família de Agripino pra prestigiar a festa! Fez-se na política nos tempos da ditadura, quando a corrupção não era noticiada pela imprensa, mas ainda assim, basta procurar para encontrar uma série de denúncias e irregularidades em sua vida pública, como dinheiro “por fora” para campanhas eleitorais. É dono também de alguns veículos de comunicação.

9- Heráclito Fortes também é político dos tempos da ditadura, e faz parte da “tropa-de-choque” do banqueiro condenado Daniel Dantas. Tinha em seu gabinete, desde 2003, como funcionária fantasma morando em São Paulo, Luciana Cardoso, filha de FHC. Recentemente defendeu o pagamento de R$ 6,2 milhões em horas extras para 3.883 funcionários durante o mês de janeiro, em pleno recesso, quando não houve trabalho parlamentar no Congresso.

10- Arthur Virgílio é o rei da cara-de-pau. Bradava contra o caixa 2 do PT, que chamam de “mensalão” apenas para dar uma impressão de maior gravidade, mas em entrevista ao Jornal do Brasil em 19/11/2000, reconhece que “foi obrigado” a fazer caixa 2 na campanha para o governo do Amazonas, e que podia reconhecer o fato publicamente porque o crime já prescrevera. Quando foi prefeito de Manaus, teve nada menos que 46 operações e obras classificadas de irregulares, por uma auditoria no Tribunal de Contas do Município (TCM) JB 18/3/92. Recentemente, divulgou-se que seu assessor pediu a Agaciel US$10 mil, garantindo que um rateio entre “amigos” quitou o empréstimo. Agaciel nega ter recebido. Por atos secretos do Senado, contratou seu professor de jiu-jitsu, 3 filhos de seu subchefe de gabinete Carlos Homero Nina Vieira, um deles morando na Espanha, e ainda a mulher e a irmã de Nina Vieira, sem contar os gastos R$ 723 mil com despesas médicas de sua falecida mãe, em 2006.

Esses são os políticos que a imprensa escolhe para dar depoimentos condenando a corrupção. Seria cômico se não fosse trágico!

Claro está que a intenção da imprensa e da oposição não é absolutamente a de moralizar o Senado, mas toda essa repentina perseguição ao Sarney tem alguns objetivos importantes para a oposição: paralisa o Senado, em tempos de crise mundial, prejudicando o governo e principalmente o país, e intimida os parlamentares da base de apoio deste governo. É como se estivessem dizendo a todos os parlamentares: cuidado, apoiar o governo Lula é muito perigoso!!!

Blog vi o mundo – por Sonia Montenegro

Kátia Abreu: uma Senadora ilumina as trevas da oposição

O midiático ministro do colete, ops!, do Meio Ambiente, Carlos Minc, encontrou quem, como diz o “neo-neologista” Galvão Bueno, quem o “encare de frente”!

De dentro dos coloridos, bregas e ribaltinos coletes, sua (dele) ex-celência, procura “ambiente” que venha a garantir sua (dele) periclitante chance de se reeleger deputado pelo Rio de Janeiro.

Apesar de pertencer ao DEM — continuo acreditando ser gozação chamar de democrata um partido, filhote do PFL, onde pululam Marco Maciel, Ronaldo Caiado, os herdeiros do soba baiano ACM e outras “democráticas” figuras — a lúcida e emblemática Senadora Kátia Abreu desmonta toda e qualquer argumentação do ministro na questão da posse das terras na Amazônia.

O editor

Mais sintoma de uma pré-campanha eleitoral do que “grito” de ambientalista. Para a presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), os ataques do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, aos ruralistas e aos colegas de Esplanada têm motivação eleitoral. “Ele está montando o circo para ganhar a eleição. Está com problemas de eleição no Rio.”

Kátia não ficou convencida com a demonstração de reconhecimento público feito por Minc, que afirmou ter se excedido ao chamar os ruralistas de “vigaristas” na semana passada e que iria buscar entendimento com a senadora. “Minc não pode se auto absolver; a mim, ele não engana”, disse.

De acordo com a senadora, o melhor era que o assunto se encerrasse, pois, segundo ela, está se estendendo demais. “Não quero fulanizar o tema, mas mantenho a posição de início até que esse senhor mude de comportamento”, afirmou. Para a presidente da CNA, como ministro de Estado Minc age mal não só ao expor o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, como também os demais ministros.

Na semana passada, o ministro do Meio Ambiente revelou a jornalistas que, em encontro reservado com o presidente, demonstrou insatisfação em relação a alguns colegas. Ao Estado, chamou o governo de “casa da mãe joana”.

A presidente da CNA disse ter notado nas entrelinhas do discurso de Minc certa ironia. “Ele disse que falaria até com os ruralistas. Por que esse até? Não somos criminosos”, justificou. Kátia também afirmou que não está disposta a ouvir elogios do ministro, mas se mostrou disponível a conversar, assim que ele deixar de lado as ironias e vulgaridades.

Ontem, o ministro fez a seguinte pergunta: “Ora, se fiz acordo com a soja, com a cana e com o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, por que não posso fazer com a senadora Katia Abreu, que é muito mais bonita, muito mais simpática e muito mais articulada?”

Célia Froufe – O Estado de São Paulo

Senado. ACM, Renan e Sarney criaram 4.000 vagas

Aguente aí meu caro Tupiniquim. Veja só para onde vai o seu, o meu, o nosso sofrido dinheirinho.

Só não entendo porque esses 81 “inocentes” — não tem unzinho deles que confesse ter conhecimento de tanta maracutaia.  Portando são todos omissos e coniventes — não são denunciados por formação de quadrilha.

Esses caras são cegos e surdos? Tanto tempo no senado e não desconfiavam de nada?

Ainda ouvimos, e lemos, alguns desses elementos discursando e escrevendo sobre moral e ética.

Ô corja!

O editor

Nos últimos 14 anos, atos assinados por três senadores ajudaram a inchar o Senado, que hoje tem cerca de 10 mil servidores para atender a apenas 81 congressistas. Deste total, cerca de 4.000 vagas foram criadas a partir de 1995 e são preenchidas por indicação política, os chamados comissionados.

Nem todas as vagas são preenchidas. Mesmo assim, o número atual de comissionados (3.000) e terceirizados (3.500) é 116% maior do que os 3.500 concursados.

A multiplicação dos cargos de livre nomeação no Senado começou a partir do primeiro mandato de (PMDB-AP), e continuou nas gestões de José Sarney, Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) e Renan Calheiros (PMDB-AL). Por atos administrativos, criaram cargos e permitiram aos senadores dividirem as novas vagas.

A divisão possibilitou que com o salário de um cargo (o maior valor é de R$ 10.869,34), os senadores pudessem contratar até oito pessoas com salários menores. O pagamento de hora extra cheia (R$ 2.650) para servidores do Senado é uma forma de aumentar os salários, que ficam menores com a divisão dos cargos. Os pagamentos de hora extra e outros adicionais não são registrados nem nos contracheques para evitar a divulgação do subterfúgio.

Sarney inaugurou a prática da multiplicação dos cargos no seu mandato de 1995 a 1997, repetida por outras gestões.

Por isso atualmente cada gabinete pode contar com até 53 servidores nomeados, além de até nove efetivos, o que corresponde a números de uma pequena empresa, segundo o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Na Mesa Diretora, que reúne sete senadores, com essa regra, cargos comissionados podem chegar a 692. A média salarial destes servidores sem concurso é de R$ 8.000.

da Folha de São Paulo

Políticos não podem, outros como ACM, pode?

A constituição brasileira estabele e consagra no Art. 5º que “todos são iguais perante a lei”. Acontece, que na prática, má e esgarçadora do tecido social, alguns são mais iguais do que os outros.

Brasil: da série “perguntar não ofende”!

Como ACM, médico e político teria “comprado” a concessão de uma TV nos anos 70?
Do blog do Campello

O Líder do PFL na Câmara dos Deputados, Deputado ACM Neto, participou, junto com outros parlamentares de seu partido, de uma grita geral contra o Presidente Hugo Chavez, da Venezuela, quando não renovou a concessão de imagem para uma TV privada daquele país.

O Senado Federal, então presidido pelo ilustre Senador Renan Calheiros, chegou a ensaiar uma nota de protesto contra a atitude legal, contitucional e soberana do governo da Venezuela. Os dirigentes nacionais de emissoras privadas também participaram da grita geral contra o cumprimento da lei venezuelana. Chegaram a anunciar que havia a cassassão de um canal de TV que fazia oposição ao governo de lá. Tudo isso teve repercussão nacional.

Aqui no Brasil a Constituição Federal também assegura a exploração comercial de imagem para a TVs por empresas privadas. Mas isso tem de ser feito mediante concessão pública, dando condições a todos os interessados na exploração comercial.

Para assegurar o interesse público e caracterizar o regime de concessão, e não de propriedade, a lei estabelece critérios e fixa condições. Um critério básico é que essas concessões não sejam permanentes. Têm de ser temporárias, renováveis e sujeitas a fiscalização.

Para defender o interesse público a Constituição estabeleceu, também, certos limites e impedimentos, como por exemplo o de que parlamentares não possam ter o controle, e nem sequer participação societária em empresas de televisão. Basta imaginar a luta desigual entre um candidato ao Senado que seja dono de uma televisão contra um candidato que possua apenas um megafone de feira para compreender o equilíbrio que é buscado pela Constituição.

Pois bem, já se viu que o PFL não gosta de cumprir a lei. Nem mesmo as que ele vota no Congresso. Só assim é possível compreender como as ações e o patrimônio da Rede Bahia de Televisão integram os bens relacionados no inventário do ex-Senador Antônio Carlos Magalhães e que esse espólio seja disputado e administrado pelo atual Senador ACM Júnior, pai do Deputado ACM Neto, já que todos são parlamentares e estavam impedidos pela Constituição (art. 54) de serem parte interessadas numa concessão de TV.T

Como ACM, médico e político teria “comprado” a concessão de uma TV nos anos 70?

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