Collor será mais um analfabeto em uma Academia de Letras

Brasil: da série “só dói quando eu rio!”

Com aquilo provavelmente mais roxo que nunca, os olhos injetados de ódio e a boca espumante de paranóias, mas sem nunca ter escrito um bilhete de acabar namoro, o inefável Fernando Collor de Mello será o mais novo membro da Academia Alagoana de Letras. Faz sentido.

Essas inúteis academias a muito deixaram de reconhecer a meritocracia. Passaram a ser bordéus de rapapés aos poderosos.

Afinal, a Academia Brasileira de Letras não tem entre seus atuais membros portentos da literatura como Paulo Coelho, Sarney e Marco Maciel?

Nesse âmbito que diferença fará um analfabeto a mais em mais uma servil confraria? Collor tem o ‘mérito’ de ter trazido ao vocabulário corriqueiro a palavra ‘impeachment’.

Não se admirem se o próximo ‘intelequitual’ seja o apedeuta do agreste. Em breve, é possível, vermos “dom Inácio” vestindo o fardão da Academia Brasileira de Letras. Nem que seja através de medida provisória.

Tremei Machado de Assis!

O editor

Collor se tornará imortal

Apesar de nunca ter publicado um único livro, ex-presidente da República será eleito para ocupar cadeira na Academia Alagoana de Letras

Autor de um único livro, que ainda nem foi publicado, o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) será o próximo ocupante de uma cadeira na Academia Alagoana de Letras e entrará para o grupo de imortais, ao lado de historiadores e literários.

Famoso por seus discursos áridos no plenário do Senado e pelo grande poder de oratória, o ex-presidente da República tem o apoio de praticamente todos os integrantes da entidade e tornou-se candidato único à sucessão da cadeira 20, que era ocupada pelo falecido poeta e defensor da cultura alagoana Ib Gatto.

A eleição de Collor deve acontecer no próximo dia 20. Para justificar a escolha, que deve ser feita por unanimidade, os integrantes da academia ressaltam o talento como orador e a atuação do parlamentar à frente do grupo de comunicação Arnon de Mello, que Collor herdou do pai.

Para tornar-se candidato, o ex-presidente apresentou à entidade uma coletânea dos seus discursos e artigos sobre os mais variados temas. Também mostrou um esboço do livro que escreve há anos sobre sua versão do impeachment. O livro, intitulado A crônica de um golpe, está em fase final de produção.

Em plenário, o senador já anunciou que pretende lançá-lo em breve. “A história dos homens se escreve com palavras vitoriosas, e se agora posso relembrar aqueles momentos com o distanciamento do tempo, é porque a vitória, no final, seria minha”, diz um trecho do primeiro capítulo.

A Academia Alagoana de Letras é atualmente presidida pelo médico Milton Ênio, defensor declarado da escolha do senador para o grupo de imortais. Ênio é amigo da família Collor há quase 30 anos.

Outro entusiasta da eleição de Collor é o ex-secretário de Saúde José Medeiros. “Ele apresentou tudo que era preciso. Achávamos que poderia haver outros candidatos, mas ninguém se inscreveu”, comenta.

Izabelle Torres – Correio Braziliense