Rede 5G, o Brasil diante de um falso dilema

Na implementação da rede de telefonia móvel de quinta geração, país não precisa optar por China ou EUA, mas seguir sua tradição de permanecer independente.

Poucos assuntos têm sido tão debatidos nos meios da política e economia brasileiras quanto a concorrência para a rede 5G, a quinta geração do padrão de telefonia móvel.

No país, como em outros tantos por todo o mundo, o que está em jogo é se a operadora chinesa Huawei deve ser admitida ou não como fornecedora das multinacionais de telecomunicações. Os Estados Unidos pressionam todos os seus aliados ocidentais – portanto também o Brasil – contra a participação da Huawei, sob a alegação de que a China empregaria a tecnologia da firma para fins de espionagem.

No entanto, a decisão pró ou contra Pequim ou Washington é um falso dilema. O Brasil deveria seguir dialogando com ambos. Em sua história, o país provou repetidamente que também é capaz disso sob pressão, e na maioria dos casos se saiu bem.

Esse foi o caso antes da Segunda Guerra Mundial, quando o Brasil conseguiu se manter neutro entre os Aliados e as potências do Eixo. Seus parceiros industriais importantes foram, sucessivamente, os EUA (indústria de base), depois a Europa (automóveis) e, em seguida, Japão (mineração), sem que, apesar da competição ferrenha, eles entrassem em atrito no país.

Na década de 70, os militares, apesar de próximos aos EUA, entregaram à Alemanha o contrato para a usina atômica de Angra dos Reis – uma afronta a Washington. O alcance dessa decisão na época é, em parte, comparável ao atual, entre a Huawei e as operadoras ocidentais.

Também na época estava em jogo o estabelecimento de padrões internacionais e, portanto, da predominância industrial. Quem quer que controle o padrão global para novas tecnologias tem, a seguir, uma enorme vantagem estratégica em diversos setores, possivelmente por décadas.

Assim foi, na época, com a usina nuclear. Hoje, com o 5G, a coisa é ainda mais dramática, pois a rede será a base para o desenvolvimento de novas tecnologias. Tão mais importante, portanto, é o Brasil defender seus interesses perante os EUA e a China. Pois o país é capaz disso, já que, diferente de outros, joga numa categoria própria:

– O Brasil está entre as 12 maiores economias mundiais. Em superfície e população, ocupa o quinto e sexto lugares.

– É um dos poucos Estados que têm um grande superávit da balança comercial com a China. Isso o fortalece e torna menos chantageável.

– Também os EUA são um importante investidor e parceiro comercial e tecnológico do Brasil. Num mundo polarizado entre chineses e americanos, um Brasil neutro ganha automaticamente mais peso.

– O Brasil é um mercado-chave para a 5G. A concorrência para a rede de telefonia móvel será uma das maiores entre os mercados emergentes. Desde já, o país possui uma densidade de conexões de banda larga maior do que a maioria das economias fora dos EUA e Europa.

Resumindo: a neutralidade brasileira estabeleceria um sinal geopolítico. Não é de espantar que Pequim e Washington adotem a política de “cenoura e pau” perante o governo e autoridades do país: por um lado, atraem com financiamentos e parcerias estratégicas; por outro, ameaçam com a suspensão dos investimentos.

Isso é normal, e o Brasil não deve se deixar impressionar. Até porque é ingênuo crer que operadoras ocidentais automaticamente reduziriam o risco de espionagem ou hackeamento. Afinal, os serviços secretos dos EUA monitoraram tanto a presidente Dilma Rousseff quanto a Petrobras.

Além disso, de 30% a 40% do equipamento da rede móvel brasileira já se compõe de peças da Huawei. A eliminação destas e exclusão do conglomerado chinês atrasaria em anos o urgentemente necessário impulso de produtividade com a implementação da rede 5G. Uma competição acirrada entre os fornecedores, por outro lado, possivelmente tornaria mais fácil controlar as redes.

O Brasil deve tentar procurar parceiros por todo o mundo – na Ásia, América Latina, mas, acima de tudo, na Europa – que igualmente se vejam diante de um falso dilema e se preocupem com a polarização crescente.

Contudo, resistir à pressão e encontrar um caminho do meio é trabalho árduo, sobretudo para os diplomatas brasileiros. “O Brasil vai ter que usar na diplomacia algo que não está acostumado a fazer de uns tempos para cá”, comenta Marcos Azambuja, ex-embaixador e decano dos diplomatas do Brasil: “A cabeça…”

A Alemanha pretende continuar cooperando com a Huawei, apesar das tentativas de Washington de evitar a participação do gigante chinês

A recusa de Angela Merkel em banir ou restringir as atividades do gigante tecnológico chinês é um exemplo para a Europa e um desafio à política dos EUA, dizem especialistas.

A Alemanha pretende continuar cooperando com a Huawei, apesar das tentativas de Washington de evitar a participação do gigante chinês, dizem especialistas entrevistados pela Sputnik Alemanha.

Atualmente, o governo alemão está formulando regras de segurança para sua rede 5G. A chanceler alemã Angela Merkel não quer excluir a Huawei da construção da rede 5G na Alemanha por essa ser uma empresa chinesa, apesar da pressão dos “falcões da segurança” no país, informou a agência Bloomberg citando fontes anônimas.

O anúncio da chefe de Estado alemã pode servir de exemplo para outros países da União Europeia (UE) construírem suas relações com o gigante lógico chinês, opina o jornal Global Times.

Assim, a recusa pela Alemanha de impor uma proibição à admissão da Huawei em seu mercado com o pretexto de garantir sua segurança nacional, uma vez que os critérios para esta segurança ainda estão sendo desenvolvidos, é também um desafio à política europeia dos EUA, pois atualmente Berlim detém a presidência no Conselho da UE.

A abordagem da Alemanha relativamente à Huawei seria ditada não apenas pelos interesses da Alemanha, mas também pelos da UE, observa Mikhail Belyaev, especialista do Instituto Russo de Estudos Estratégicos, em entrevista à Sputnik.

“Neste caso estamos falando de apenas uma empresa, a Huawei, a maior empresa, que detém as posições de liderança no setor e que tem nas suas mãos, podemos dizer, o futuro. É claro que a Alemanha está abrindo portas para esta empresa tanto em seu próprio país quanto na UE, entendendo que esse vetor trará benefícios significativos tanto para a própria Alemanha quanto para toda a UE”, comenta.

Desvantagens sem a Huawei

A revista alemã de informação política Focus nomeou a Huawei como uma das líderes no campo da tecnologia 5G, sendo muito atraente em termos de relação preço-qualidade. Metade das antenas utilizadas pelas operadoras de telecomunicação Deutsche Telekom e Vodafone para construir as redes 5G são fabricadas pela Huawei.

A publicação estima que as operadoras alemãs perderão bilhões de euros e deixarão outros países para trás na construção do 5G se a Alemanha tiver que abrir mão desses serviços por causa de eventuais regulamentos de segurança. A Huawei tem negado repetidamente as acusações por parte dos EUA de ignorar os requisitos de segurança.

Entrevistado pela Sputnik China, Hu Chunchun, vice-diretor do Centro de Estudos Alemães da Universidade Tongji em Tientsin, China, observou que a cooperação da Huawei com a Alemanha continuará, apesar das dificuldades:

“A Alemanha não se recusa a envolver a Huawei na construção de redes 5G no país, o que a China considera bem-vindo. É incompreensível, mas os EUA transformaram sem provas a Huawei e o 5G em um problema de segurança nacional. Mesmo que deixemos de lado a teoria da conspiração, estas são acusações infundadas e unilaterais contra a China por parte dos EUA.

“Nesse contexto, é muito difícil para a Alemanha, ocupando a presidência rotativa da UE, resistir à pressão dos Estados Unidos e fazer um julgamento relativamente justo. Esperamos que os círculos políticos na Alemanha realmente cumpram as intenções da chanceler Merkel.”

O especialista, no entanto, alerta que Washington pode impedir uma cooperação real entre Berlim e Pequim.

“Espero que a chanceler Merkel faça julgamentos políticos racionais que reflitam a opinião da parte principal da sociedade alemã.”

Confronto indireto entre Washington e Berlim

Mikhail Belyaev avalia que a Alemanha se envolveu em um complexo jogo geopolítico com os EUA devido a sua cooperação com a Huawei, mas não vai recuar:

“A América compreende o impacto que a política europeia da China pode ter nas posições americanas no mundo, tanto econômicas quanto políticas e morais. O fortalecimento da Europa, o fortalecimento da China e o fortalecimento dos laços Europa–China minam o domínio da América no mundo de muitas maneiras.”

Como prevê o especialista do Instituto Russo de Estudos Estratégicos, a Alemanha continuará sob pressão dos EUA em meio a sua rápida perda de influência no mundo.

“[A Alemanha] manterá sua posição relativamente à Huawei, enquanto a América não conseguirá nada com sua pressão sobre ela”, afirma.

Huawei e a nova “Guerra Fria” na América Latina

“Se a Huawei conseguir a licença no Brasil para a introdução da tecnologia 5G, vai haver consequências”, disse Todd Chapman, embaixador dos Estados Unidos no Brasil, em entrevista ao jornal O Globo.

No dia anterior, o embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, anunciara em sua conta no Twitter que a gigante chinesa de tecnologia Huawei havia construído um laboratório para testes da rede 5G em Brasília, juntamente com a operadora de telefonia brasileira Telefônica Vivo.

A disputa pela 5G no Brasil revela o crescente atrito político e geoestratégico entre a China e os EUA no maior país da América Latina. O governo em Brasília está num dilema: Jair Bolsonaro segue politicamente a mesma agenda do presidente americano, Donald Trump. Mas economicamente, o país é mais dependente de Pequim do que de Washington.

Desde 2009, a China tomou a posição dos EUA como maior parceiro comercial do Brasil. Os chineses estão investindo maciçamente na expansão de infraestrutura, não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina. Em 2019, os brasileiros exportaram 62 bilhões de dólares em mercadorias para a China. Os três principais produtos de exportação são soja, petróleo bruto e minério de ferro.

No primeiro semestre de 2020, as exportações aumentaram novamente em 30%. “Para cada dólar exportado para os EUA, o Brasil exporta três dólares para a China”, afirmou um comunicado do Ministério da Agricultura brasileiro em 24 de julho.

O Brasil não está sozinho em sua crescente dependência econômica da China. “Muitos governos da América Latina estão conscientes de que a superação da pandemia de coronavírus e da consequente crise econômica passam por Pequim”, explica o cientista político Oliver Stuenkel, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Mas Stuenkel também teme que as crescentes tensões entre os EUA e a China possam gerar consequências negativas para a região: “Não há coordenação entre os países do Mercosul”, afirmou ao semanário argentino Perfil. Tradicionalmente, Argentina e Brasil sempre trabalharam juntos para superar crises dentro do mercado comum sul-americano, mas isso não mais ocorre.

A crise nos países do Mercosul não é apenas uma porta de entrada para a luta geoestratégica de poder entre a China e os EUA na região. “Ela pode também levar a uma divisão tecnológica”, alerta Stuenkel, aludindo ao estabelecimento de diferentes redes celulares com a nova tecnologia 5G que podem não ser compatíveis entre si.

Apesar de todas as batalhas verbais entre o embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, e Eduardo Bolsonaro, que ainda em março responsabilizou a China pelo surto da pandemia do novo coronavírus, não são más as chances da China de participar do maior leilão de tecnologia 5G do mundo no Brasil.

Isso porque o governo brasileiro já anunciou em abril que não imporia nenhuma restrição contra a Huawei, já que metade do hardware da rede móvel brasileira já é fornecido pela empresa chinesa. A operadora móvel brasileira que vencer o leilão poderá então usar a tecnologia da Huawei para construir a infraestrutura do 5G.

O jornalista argentino Leandro Dario, do semanário Perfil, parte do princípio que o presidente da Argentina, Alberto Fernández, escolherá o fornecedor mais barato da tecnologia 5G, ou seja, a Huawei. As primeiras conversas entre os representantes do Ministério das Relações Exteriores e o chefe da Huawei na Argentina, Steven Chen, ocorreram em Buenos Aires no início de julho.

“É uma questão geopolítica de sobrevivência”, escreveu Dario. “Se Argentina e Brasil não se entenderem e cooperarem um com o outro, a disputa entre a Águia e o Dragão pode ser prejudicial para ambos. Nem mesmo durante a Guerra Fria o domínio da Águia na América Latina foi tão ameaçado.”

EUA estão usando Taiwan como ponto de pressão na luta tecnológica com a China

Uma loja da Huawei em Pequim. O governo Trump está trabalhando em várias frentes para isolar a gigante da tecnologia chinesa.
Foto Carlos Garcia Rawlins / Reuters

O governo Trump está desafiando o acesso chinês à cadeia de suprimentos de alta tecnologia de Taiwan – e, por extensão, a influência de Pequim sobre a ilha que reivindica como seu território.
Durante anos, o governo Trump brigou com a China por ameaças tarifárias, tecnologia e termos de seu acordo comercial. Mas em um par de ações na semana passada, o governo aumentou essas tensões econômicas de uma maneira que quase chega a tocar uma linha vermelha para Pequim: seu relacionamento contencioso com Taiwan.

Uma das principais fabricantes de chips de computador do mundo, a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, ou T.S.M.C., disse na quinta-feira que construiria uma fábrica no Arizona, uma medida anunciada por autoridades americanas como um primeiro passo para mudar uma cadeia de suprimentos vital para os Estados Unidos.

No dia seguinte, o Departamento de Comércio anunciou uma mudança de regra que poderia impedir os negócios que a gigante chinesa de tecnologia Huawei faz com a T.S.M.C. e outros fabricantes globais de chips.

O governo tem trabalhado em várias frentes para isolar a Huawei, uma das principais marcas mundiais de smartphones e a maior produtora mundial de equipamentos que alimentam redes móveis. Mas, simultaneamente, minando a Huawei e trazendo o T.S.M.C. mais perto da órbita americana está um golpe de política industrial que seria impensável há apenas alguns anos, um que levanta a perspectiva de um conflito mais sério entre a China e os Estados Unidos.

Nunca antes o governo Trump desafiou com tanta força o acesso das empresas chinesas à cadeia de suprimentos de alta tecnologia de Taiwan – e, por extensão, a influência de Pequim sobre a democracia autônoma das ilhas, que alega ser parte de seu território.

A China considera inegociável sua reivindicação a Taiwan e atacou empresas e políticos por não reconhecê-la, mesmo que inadvertidamente.

O governo parece ter a intenção de “atingir metas econômicas e politicamente sensíveis a Pequim”, disse Eswar Prasad, professor da Universidade Cornell.

O Ministério do Comércio da China condenou a última ação de Washington contra a Huawei, dizendo que faria o necessário para proteger os interesses das empresas chinesas.
Sede da Huawei em Shenzhen, China. A empresa disse que seus negócios “inevitavelmente” seriam afetados por uma mudança de regra do Departamento de Comércio anunciada na semana.
Foto Noel Celis / Agence France-Presse – Getty Images

Desde que o Departamento de Comércio dos Estados Unidos anunciou a mudança de regra, analistas e executivos do setor destacaram o que eles disseram ser uma solução significativa.

de usar a tecnologia americana para produzir ou projetar chips que são enviados, diretamente ou por meio de um intermediário, para a própria Huawei. Mas não parece impedi-los de produzir chips que seriam enviados aos clientes ou parceiros da Huawei, como fabricantes contratados que montam telefones e outros dispositivos em nome da Huawei.

A regra ainda pode atrapalhar os negócios da Huawei, no entanto, forçando a empresa ou seus fornecedores a reorganizar suas operações. E o Departamento de Comércio poderá revisar sua regra nos próximos meses para diminuir as brechas.

“O futuro de pelo menos uma parte importante dos negócios da Huawei está agora firmemente nas mãos do Departamento de Comércio”, disse Paul Triolo, analista de política de tecnologia do Eurasia Group.

Nesta semana, a Huawei se recusou a responder às perguntas dos repórteres sobre a regra alterada, embora tenha reconhecido que seus negócios seriam “inevitavelmente” afetados.

A empresa parece estar se preparando para a possibilidade de ser excluída dos principais fornecedores. No final de 2019, a Huawei havia armazenado US $ 23,5 bilhões em produtos acabados, componentes e matérias-primas, de acordo com seu relatório anual, um aumento de quase três quartos em relação ao ano anterior.

Embora os efeitos práticos da nova regra permaneçam obscuros, a mensagem política enviada pelos anúncios da semana passada foi inequívoca: o governo Trump está ansioso para frustrar os esforços da China para dominar tecnologias críticas e está se voltando para Taiwan como um novo ponto de alavancagem.

Tensão entre Washington e Pequim aumenta com novas restrições dos EUA à Huawei

Nesta foto de arquivo, tirada em 22 de abril, pessoas passam diante de uma loja da Huawei em Pequim.NICOLAS ASFOURI / AFP

Os dois países, também em confronto sobre o status de Taiwan e a origem do coronavírus, terão uma reunião na segunda-feira em uma complicada Assembleia da Organização Mundial da Saúde.

A escalada da tensão entre os Estados Unidos e a China sobe um novo degrau, embora em uma frente já conhecida: o embate tecnológico entre as duas potências. O Governo Donald Trump anunciou nesta sexta-feira novas restrições à chinesa Huawei, desta vez, limitações à capacidade da empresa de empregar tecnologia e software norte-americanos na fabricação e design de seus semicondutores no exterior.

Na prática, isso significa impedir que a segunda maior fabricante de celulares do mundo receba remessas de fabricantes de mundiais de chips. Mesmo assim, renovou por mais 90 dias, até 13 de agosto, as licenças de empresas que já negociam com a Huawei.

O Departamento de Comércio justificou as restrições aos semicondutores pela necessidade de “proteger a segurança nacional” e pelas tentativas da empresa asiática de “minar os controles de exportação” nos Estados Unidos, apesar da trégua no restante, um jogo explicado por razões econômicas e de equilíbrio político em meio à maior crise econômica desde a Grande Depressão, como consequência do coronavírus.

O anúncio ocorre em um momento turbulento nas relações entre Washington e Pequim em decorrência da brutal pandemia pela qual os Estados Unidos responsabilizam em boa parte a gestão do regime chinês. Na noite de quinta-feira, em uma entrevista à rede de televisão Fox, Trump sugeriu a possibilidade de “romper todas as relações” com o gigante asiático. “Há muitas coisas que poderíamos fazer”, disse, e acrescentou: “Poderíamos romper todas as relações.”

Os Estados Unidos acusam a Huawei de espionar para a ditadura chinesa por meio de seus dispositivos e, por isso, submeteram a empresa a diferentes medidas de veto que afetaram suas finanças. O fabricante alcançou um lucro líquido de 62,7 bilhões de iuanes (cerca de 50 bilhões de reais) em 2019, o que é uma boa fatia e um aumento de 5,6%, mas está longe dos 25% de expansão obtidos em 2018.Tecnologia,Crimes Cibernéticos,Internet,Redes Sociais,Hackers,Privacidade,Malware,Stalkware,WhatsApp,Facebook,Instagram,Twitter

De acordo com o jornal Global Times, de propriedade do Partido Comunista da China, que cita uma fonte anônima próxima ao Governo, as autoridades chinesas estão dispostas a responder com uma série de medidas, como a colocação de empresas norte-americanas em sua própria lista negra de entidades que prejudicam os interesses chineses, uma iniciativa que já havia ameaçado adotar no ano passado, quando o Departamento de Comércio anunciou as primeiras restrições contra a Huawei, sua joia da coroa tecnológica.

As represálias também incluiriam a abertura de investigações e a imposição de restrições contra gigantes da tecnologia como Apple, Cisco e Qualcomm, bem como a suspensão da compra de aviões fabricadas pela aeronáutica Boeing, acrescenta o jornal.

“A China tomará medidas contundentes para proteger seus interesses legítimos” se os Estados Unidos seguirem com os planos anunciados, disse a fonte, segundo o jornal oficial chinês.

O novo atrito ocorre quando os dois países já estão imersos em uma amarga disputa sobre as origens da pandemia da covid-19, que cristalizou toda a tensão e desconfiança que ambos acumulam há anos.

Os Estados Unidos exigem uma investigação sobre o início da crise e Trump acredita que o vírus saiu de um laboratório na cidade chinesa de Wuhan, enquanto a China rejeita essa acusação e afirma que não há nada claro. A disputa ameaça se estender para a Assembleia mundial de ministros da Saúde da OMS na próxima segunda e terça-feira, com Taiwan e pesquisas sobre as origens da epidemia como catalisadores.

Coronavírus: Huawei pede que o Reino Unido não pare o desenvolvimento 5G após pandemia

A empresa chinesa de telecomunicações Huawei disse que interromper seu envolvimento na implantação do 5G faria a Grã-Bretanha “um desserviço”.

Em janeiro, o governo do Reino Unido aprovou um papel limitado para a Huawei na construção das novas redes de dados do país.

Mas em março, uma rebelião no interior do Partido Conservador sinalizou esforços para reverter a ação.

Em uma carta aberta, a empresa também disse que estava focada em manter o Reino Unido conectado durante a crise do Covid-19.

Mas a pandemia pode aumentar a pressão sobre o governo para adotar uma linha mais dura da empresa.

‘Faixa lenta’
Na carta, o chefe da Huawei no Reino Unido, Victor Zhang, diz que o uso de dados domésticos aumentou em pelo menos 50% desde que o vírus chegou ao país, colocando “pressão significativa” nos sistemas de telecomunicações.

A Huawei diz que está trabalhando com parceiros como BT, Vodafone e EE para lidar com o crescimento e também criou três novos armazéns em todo o país para garantir que as peças de reposição permaneçam em estoque.

Zhang também disse que a atual crise destacou quantas pessoas, especialmente nas comunidades rurais, estão “presas em uma pista lenta digital”. E ele alerta que excluir a Huawei de uma futura função no 5G seria um erro.

“Há quem opte por continuar nos atacando sem apresentar nenhuma evidência”, escreve ele.

“A interrupção do nosso envolvimento na implantação do 5G faria um desserviço à Grã-Bretanha.”

O governo proibiu a Huawei das partes mais sensíveis das redes móveis do Reino Unido e a limitou a 35% da periferia, que inclui suas torres de rádio. Mas os críticos argumentam que é um risco à segurança permitir que a empresa chinesa desempenhe algum papel devido aos temores de que ela possa ser usada por Pequim para espionar ou mesmo sabotar as comunicações.

No início de março, 38 parlamentares conservadores se rebelaram sobre o assunto, um número maior que o esperado. Isso aponta para um possível transtorno quando o Projeto de Infraestrutura de Telecomunicações for apresentado ao Parlamento, que está planejado para acontecer no final do ano.

A crise do coronavírus destaca a tensão entre questões econômicas e de segurança nacional que torna o assunto tão controverso.

De um lado, a necessidade de maior conectividade para impulsionar o crescimento econômico. Os defensores do papel da Huawei argumentam que excluí-la reduziria a velocidade e aumentaria o custo de fornecer redes mais rápidas e confiáveis.

Por outro lado, a raiva é dirigida à China de alguns quadrantes por causa do mau uso percebido do surto inicial do Covid-19, bem como pelas preocupações mais amplas com a crescente dependência de suas tecnologias e empresas.

Ministros e altos funcionários sem nome foram citados recentemente como tendo dito que teria que haver um “acerto de contas” quando a crise atual acabar.

Parte disso pode envolver uma reversão da decisão de janeiro – uma preocupação que pode explicar a decisão de escrever a carta.

Em 4 de abril, um grupo de 15 parlamentares conservadores pediu repensar as relações com a China em sua própria carta ao primeiro-ministro, escrita um dia antes de ser internado no hospital.

“Com o tempo, nos permitimos crescer dependentes da China e não conseguimos uma visão estratégica das necessidades econômicas, técnicas e de segurança da Grã-Bretanha”, escreveu o grupo. Entre os signatários estavam Iain Duncan Smith, David Davis e Bob Seely.

Entende-se que a Huawei esperou até o primeiro-ministro sair do hospital antes de divulgar sua carta.

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Coronavírus ameaça a próxima geração de smartphones

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Mazen Kourouche gosta de estar entre os primeiros a obter o iPhone mais recente.

Todo outono, Mazen Kourouche vai para a maior loja da Apple em Sydney, na Austrália, e faz fila por horas para ser uma das primeiras pessoas no mundo a colocar as mãos no iPhone mais recente.

“Desde que o iPhone 7 foi lançado, estive fazendo fila para os novos dispositivos da Apple por alguns motivos: primeiro o hype associado a eles, segundo o valor da revenda e terceiro porque a Austrália é o primeiro país a ter acesso ao dispositivos, para que as pessoas estejam interessadas em ouvir sobre isso “, diz ele.

De acordo com Kourouche, que desenvolve software para o sistema operacional iPhone (iOS), muitas pessoas costumam viajar do exterior para colocar as mãos no iPhone na Austrália. O fuso horário do país significa que suas lojas da Apple são as primeiras a abrir em todo o mundo no dia do lançamento.

Este ano pode ser diferente. Como a maioria dos outros varejistas, a Apple fechou suas lojas em todo o mundo em resposta ao surto de coronavírus.

Ainda é muito cedo para dizer se as lojas voltarão a abrir a tempo do lançamento de novos dispositivos no outono.

Mas em alguns países a imagem não é animadora. No Reino Unido, o governo disse que pode levar de três a seis meses para a retomada da vida normal e isso inclui a reabertura de lojas não essenciais.

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Filas fora de uma loja da Apple se tornaram um evento anual para algumas pessoas.

No caso da Apple, o iPhone 12 está à espera. É um telefone particularmente importante, pois é o primeiro a incorporar a tecnologia 5G, permitindo que ele se conecte à nova geração de redes telefônicas mais rápidas.

A produção de telefones já foi interrompida
Fontes disseram à publicação japonesa Nikkei que a Apple está ponderando se deve adiar o lançamento. O mesmo pode ser verdade para dispositivos fabricados pela Samsung e outros rivais que usam o sistema operacional Android.

“Aproximadamente 70% dos smartphones são fabricados na China – assim como a pandemia atingiu a China, houve uma interrupção significativa no fornecimento de dispositivos existentes”, diz Razat Gaurav, executivo-chefe da Llamasoft, uma empresa de análise da cadeia de suprimentos.

Muitos fabricantes de smartphones confiam nos componentes fabricados na China e na Coréia do Sul, dois países que foram os mais atingidos pelo surto.

A cidade sul-coreana de Daegu, onde a maioria dos casos de coronavírus do país está agrupada, fica a apenas 20 minutos da área onde muitos desses componentes são produzidos.

E não é apenas a oferta, a demanda caiu drasticamente. Os embarques de smartphones na China caíram 40% no primeiro trimestre de 2020, em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com a empresa de pesquisa IDC.

A empresa sugere que os consumidores chineses comprem 33 milhões a menos de telefones nos primeiros três meses do ano.

“É provável que também ocorram quedas significativas na Europa Ocidental e nos EUA”, acrescenta Gaurav.

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Um smartphone pode conter partes de 40 países diferentes

O efeito nos dispositivos existentes será uma preocupação para os fabricantes, mas será o impacto em seus novos dispositivos que será uma preocupação maior, principalmente porque os fãs de dispositivos Apple e Android estão acostumados a épocas específicas do ano em que podem comprar. um novo dispositivo, enquanto os fabricantes confiam nele como uma das maiores fontes de receita a cada ano.

“O smartphone é um produto complicado, e há muitos componentes nele. Para obter todas essas partes diferentes, você obtém materiais e peças de cerca de 40 países diferentes”, diz Gaurav.

Diferentes partes do processo de produção serão afetadas de diferentes maneiras.

“Grande parte do trabalho de design não requer contato social significativo, o que significa que você não precisa estar próximo das pessoas”, diz Frank Gillett, analista da empresa de pesquisa Forrester.

Mas pode haver algum trabalho de pesquisa e desenvolvimento que exija equipamentos especializados que os funcionários não possam levar para casa.

Muito desse trabalho já teria sido realizado para os dispositivos que serão lançados este ano, mas poderia impedir o lançamento de dispositivos em 2021, nas quais as empresas já estão trabalhando com antecedência.Getty Images

Demanda por telefones pode cair à medida que os compradores economizam dinheiro.

Segundo Emile Naus, sócio da consultoria BearingPoint, a parte mais importante do telefone não é o hardware, é o software, e isso pode ser desenvolvido remotamente. No entanto, testar o dispositivo pode ser mais difícil de executar.

“Os testes podem ser difíceis, já que o setor é muito rígido em segurança e eles provavelmente enfrentariam dificuldades com o conceito de pessoas que levam protótipos para casa do telefone para testar – pois eles geralmente são ocultos em segredo”, diz ele.

A outra questão é sobre remessa; com muitas companhias aéreas suspendendo voos e atrasos no frete marítimo, existe a possibilidade de que materiais e componentes não cheguem às fábricas de montagem e que o produto acabado não chegue aos pontos de venda.

Agora, os efeitos disso e as paralisações das fábricas na China estão começando a repercutir na indústria de smartphones, e o impacto pode ser maior que o esperado.

Gillett acredita que empresas como Apple e Samsung têm mais chances de reter certos recursos para novos dispositivos do que atrasar o lançamento. O tempo para testar certos recursos ou para que os desenvolvedores de software possam trabalhar em aplicativos que fazem uso desses recursos são críticos.

Obviamente, depende muito do que acontecer nos próximos meses. Restrições à entrega e expedição podem forçar as empresas a adiar o lançamento de produtos e, possivelmente, os lançamentos podem até ser adiados até 2021.

Se as lojas permanecerem fechadas, isso pode ser um problema específico para a Apple, que possui uma importante rede de varejo.

“Sabemos que as primeiras semanas e meses da vida de vendas desses novos dispositivos são muito importantes porque são vendidos nos níveis mais altos”, diz Naus.

A demanda pelos novos dispositivos também pode vacilar, já que gastar muito dinheiro com o modelo mais recente pode não ser uma opção para os proprietários que passam por dificuldades financeiras.

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Novas redes e telefones 5G são um grande desenvolvimento para a indústria.

Mas a Forrester não vê marcas fazendo grandes mudanças no preço de seus novos aparelhos. Em vez disso, pensa que eles podem reduzir ainda mais os preços de seus modelos mais antigos e talvez aumentar o número de modelos disponíveis de preço básico.

Os preços podem não cair – mas, se a demanda não existir, talvez novas estratégias possam ser adotadas.

“O que você também pode ver são alguns modelos criativos de preços para torná-lo mais acessível e responsivo às situações das pessoas. Talvez haja uma promoção temporária para ajudar as pessoas por um preço mais baixo se elas puderem mostrar uma verificação de desemprego ou uma identificação de serviços de emergência. “, diz Gillett.

No entanto, os maiores fãs da Apple provavelmente permanecerão leais.

“Eu não acho que [a pandemia] tenha impacto sobre o interesse, especialmente entre os consumidores, porque estamos sempre comprando coisas novas: no momento, o importante é que papel higiênico, mas eventualmente voltará a ser iPhones “, diz Kourouche.

Tecnologia: Huawei, China e Rúsia ameçam o império dos USA

Uma nova “guerra fria tecnológica” está fazendo com que Rússia e China cooperem mais, sendo o elo de ligação desempenhado pela empresa Huawei, informa a Forbes.

Segundo a conhecida revista Forbes, tal aliança representaria uma ameaça para o intercâmbio de inteligência e cooperação de segurança entre os EUA e seus aliados e minaria o domínio tecnológico dos norte-americanos.

“Está em curso paulatinamente uma aliança antiamericana de inteligência artificial entre a China e a Rússia, com a Huawei no meio”, escreve Zak Doffman, autor do artigo, que assegura ter a Huawei participado em reuniões a nível estatal sobre o desenvolvimento de hardware e software na Rússia.

A empresa chinesa está lançando zonas-piloto 5G na Rússia, vende cada vez mais smartphones e está também construindo ecossistemas de inteligência artificial (IA) na Rússia, segundo Doffman, que acredita que o papel da Huawei no avanço tecnológico da Rússia não ficará por aqui.

Além disso, a Huawei vê no país vizinho um “terreno fértil de caça”, recrutando ativamente na Rússia especialistas russos qualificados para o desenvolvimento tecnológico da própria China.

Entretanto, a Huawei informou que contratou equipes qualificadas de especialistas em todo o mundo para garantir a segurança de seus produtos e serviços, incluindo o apoio a clientes na Rússia.

O perigo para o Ocidente

Doffman pondera que quem liderar as forças combinadas da 5G, da Internet e da inteligência artificial pode vir a deter um poder descomunal, incluindo o de carregar o “botão vermelho” que apagaria tudo.

Exibição promovendo a tecnologia 5G da Huawei em Shenzhen, na província chinesa de Guangdong (Cantão), em 19 de agosto de 2019
© AP PHOTO / NG HAN GUAN
Exibição promovendo a tecnologia 5G da Huawei em Shenzhen, na província chinesa de Guangdong (Cantão), em 19 de agosto de 2019

Os Estado Unidos, por sua vez, temem cooperar em matéria de inteligência e segurança com os seus próprios aliados, sobretudo depois que o Reino Unido deu luz verde parcial à Huawei no desenvolvimento da rede 5G britânica, ignorando repetidas advertências de Washington de que isso afetaria as parcerias bilaterais no campo da inteligência.

O vice-presidente dos EUA, Michael Penceafirmou em sequência estarem os EUA “profundamente desapontados” com a decisão britânica, por considerar que o uso de tecnologias da Huawei é incompatível com os interesses de segurança do Reino Unido e dos próprios EUA.