T.S.Eliot – A canção de amor de J. Alfred Prufrock – Poesia

E a tarde e o crepúsculo tão docemente adormecem!


Boa noite!
A canção de amor de J. Alfred Prufrock – Parte IV
T.S.Eliot

E a tarde e o crepúsculo tão docemente adormecem!
Por longos dedos acariciados,
Entorpecidos . . . exangues . . . ou a fingir-se de enfermos,
Lá no fundo estirados, aqui, ao nosso lado.
Após o chá, os biscoitos, os sorvetes,
Teria eu forças para enervar o instante e induzi-lo à sua crise?
Embora já tenha chorado e jejuado, chorado e rezado,
Embora já tenha visto minha cabeça (a calva mais cavada)
servida numa travessa,

Não sou profeta – mas isso pouco importa;
Percebi quando titubeou minha grandeza,
E vi o eterno Lacaio a reprimir o riso,
tendo nas mãos meu sobretudo.

Enfim, tive medo.
E valeria a pena, afinal,
Após as chávenas, a geleia, o chá,
Entre porcelanas e algumas palavras que disseste,

Teria valido a pena
Cortar o assunto com um sorriso,
Comprimir todo o universo numa bola
E arremessá-la ao vértice de uma suprema indagação,
Dizer: “Sou Lázaro, venho de entre os mortos,
Retorno para tudo vos contar, tudo vos contarei.”


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– Se alguém, ao colocar sob a cabeça um travesseiro,
Dissesse: “Não é absolutamente isso o que quis dizer
Não é nada disso, em absoluto.”

E valeria a pena, afinal,
Teria valido a pena,
Após os poentes, as ruas e os quintais polvilhados de rocio,
Após as novelas, as chávenas de chá, após
O arrastar das saias no assoalho
– Tudo isso, e tanto mais ainda? –
Impossível exprimir exatamente o que penso!
Mas se uma lanterna mágica projetasse
Na tela os nervos em retalhos . . .

Teria valido a pena,
Se alguém, ao colocar um travesseiro
ou ao tirar seu xale às
pressas,
E ao voltar em direção à janela, dissesse:
“Não é absolutamente isso,
Não é isso o que quis dizer, em absoluto.”

Tradução Ivan Junqueira

Pintura de Joseph Mallord William Turner
The Athenaeum – Low Sun and Clouds over a Calm Sea

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