Reinaldo Ferreira – Versos na tarde – 19/05/2014


Poema
Reinaldo Ferreira¹

Passemos, tu e eu, devagarinho,
Sem ruído, sem quase movimento,
Tão mansos que a poeira do caminho
A pisemos sem dor e sem tormento.

Que os nossos corações, num torvelinho
De folhas arrastadas pelo vento,
Saibam beber o precioso vinho,
A rara embriaguez deste momento.

E se a tarde vier, deixá-la vir
E se a noite quiser, pode cobrir
Triunfalmente o céu de nuvens calmas

De costas para o Sol, então veremos
Fundir-se as duas sombras que tivemos
Numa só sombra, como as nossas almas.

¹Reinaldo Ferreira
* Barcelona, Espanha – 20 de março de 1922 d.C
+ Lisboa, Portugal – 30 de junho de 1959 d.C


Você leu?: Gabriel Nascente – O Grande Banquete – Poesia



[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Postado na categoria: Literatura - Palavras chave: , , ,

Leia também:

Mário Quintana - Presença - Poesia
Mário Quintana - Presença - Poesia

É preciso que a tua ausência trescale

October 3, 2019, 7:00 pm
O Deus de Schopenhauer
O Deus de Schopenhauer

Quando, elevando-se pela força da inteligência, se renuncia a considerar

October 7, 2019, 11:00 am
Arthur Schopenhauer - As limitações do interlocutor
Arthur Schopenhauer - As limitações do interlocutor

Ninguém pode ver acima de si

October 10, 2019, 8:43 pm
Pablo Neruda - Para não deixar de te amar nunca
Pablo Neruda - Para não deixar de te amar nunca

O fogo tem uma metade de frio

October 10, 2019, 8:15 pm
Sarah Westphal - Quase - Literatura
Sarah Westphal - Quase - Literatura

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez

September 23, 2019, 6:00 pm
Carlos Drummond de Andrade - Eu, etiqueta - Poesia
Carlos Drummond de Andrade - Eu, etiqueta - Poesia

...de ser não eu, mas artigo industrial.Coisa!

October 12, 2019, 6:57 pm