Programa facilita roubo de contas de sites em redes sem fio públicas

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‘Firesheep’ foi criado por pesquisador de segurança.
Sites devem fornecer conexões seguras, mas usuários podem agir.
Altieres Rohr ¹/G1

“Ei, web 2.0: comece a proteger os dados dos usuários em vez de fingir”. Esse era o título da apresentação dos especialistas Eric Butler e Ian Gallagher na conferência Toorcon, que ocorreu em San Diego, Califórnia, entre os dias 20 e 22 de outubro. Eles mostraram uma extensão para o Firefox chamada “Firesheep” capaz de sequestrar as sessões – efetivamente roubar contas – de sites como Facebook, Twitter, entre outros, quando estes forem acessados em uma rede sem fio aberta. Entenda como e por que isso funciona e o que é preciso fazer para se proteger.

Páginas de login são protegidas, mas informações que identificam a sessão logada são transmitidas de forma insegura. (Foto: Reprodução)

Se você tem alguma dúvida sobre segurança da informação (antivírus, invasões, cibercrime, roubo de dados, etc), vá até o fim da reportagem e utilize a seção de comentários. A coluna responde perguntas deixadas por leitores todas as quartas-feiras.

O problema e a solução com SSL

Quando você entra em um site de internet, é preciso informar um login – que é um nome de usuário o um endereço de e-mail – e uma senha. Esses dados são normalmente enviados por meio de uma conexão segura, caracterizada pela presença do cadeado de segurança no navegador e pelo “HTTPS” no início do endereço no lugar do “HTTP”.

Embora a senha jamais seja transmitida pela internet de forma insegura, os sites normalmente voltam a usar uma conexão simples para o acesso às demais páginas.

Aí existe um problema: como o site sabe que você é você para mantê-lo logado e dar o acesso ao seu perfil e demais opções?

Para isso, o navegador precisa guardar um identificador único que é fornecido pelo site e depois reenviado a cada conexão do navegador com a página.

O site, ao ler aquele identificador único, saberá a qual sessão de login ele pertence, e enviará a página correta.

Se esse identificador é tudo o que é preciso para “sequestrar” aquela sessão que o usuário está usando, isso significa que, se ele puder ser capturado, um invasor pode roubar a conta.

Como ele é enviado em todos os acessos, e os acessos a páginas comuns não passam por uma conexão segura, ele pode ser capturado se o usuário estiver em uma rede insegura ou compartilhada, como é o caso das redes sem fio abertas.

Esse é um cenário inaceitável para os pesquisadores que criaram o Firesheep.

O problema sempre existiu: pessoas com as ferramentas certas eram capazes de capturar todas as sessões em uso em redes públicas e compartilhadas, como as redes sem fio abertas. Eric Butler decidiu criar um programa capaz de fazer isso de forma fácil para escancarar o problema e tentar convencer todos os sites da web 2.0 a usarem uma conexão segura permanente.

Contas capturadas pela rede aparecem em painel no Firefox. Basta clicar duas vezes e você estará na página do usuário, logado como ele. (Foto: Divulgação)

Já existem serviços que rodam 100% em SSL. O caso mais notório é o Gmail que, desde janeiro deste ano, é acessado apenas por meio de páginas seguras.

Eric Butler, que desenvolveu o Firesheep, quer que isso aconteça em todos os sites da web.

Nas redes sem fio abertas, todo o tráfego está “no ar”. O computador faz uma filtragem para saber o que é dele.

No entanto, um software de captura pode facilmente capturar todo o tráfego que passa, lendo os dados que pertencem a outros PCs que estão na rede. É exatamente isso que o Firesheep faz.

Mas ele ainda, além de capturar, já examina o que foi capturado para detectar os identificadores de sessão dos sites e, como extensão do Firefox, automaticamente instrui o navegador a usar o que foi roubado, permitindo sequestrar a sessão logada.

Só para Mac – e isso não quer dizer nada

Hacking para as massas: vídeos ensinam passo a passo como usar o Firesheep. (Foto: Reprodução)

O Firesheep foi desenvolvido para funcionar primeiro em MacOS X. A versão para Linux deve chegar em breve – o suporte já foi anunciado, mas ainda está em testes.

No Windows, o comportamento do programa é incerto. Usuários relatam experiências diversas.

A coluna testou o software e conseguiu fazê-lo funcionar no Windows 7 64 bits, mas precisou usar outros programas em conjunto para isso.

No mínimo, o Firesheep precisa do pacote Winpcap, que viabiliza a realização de capturas de tráfego no Windows.

Mas isso não é um impedimento.

O Firesheep não é um ataque novo; ele apenas simplifica e exemplifica o que sempre foi possível.

Ele precisa de aperfeiçoamento, mas sua fundamentação é sólida e possível. Ele serve como alerta, e essa era a intenção do autor.

Como se proteger

Para o criador do Firesheep, a principal responsabilidade é dos sites, que deveriam usar conexões seguras. Mas ficar aguardando uma solução não é uma ideia confortável.

A Electronic Frontier Foundation (EFF) oferece outro plugin para o Firefox chamado HTTPS Everywhere que ativa conexões seguras nos sites em que ela está disponível e que, por qualquer motivo, não a utilizam por padrão. É a melhor maneira de garantir a segurança dos dados em sites populares durante o uso de redes sem fio.

Um programador também criou um pequeno software chamado Fireshepherd que inunda a rede sem fio com lixo que, segundo o autor, é capaz de travar o Firesheep. No entanto, essa não é a questão, porque um invasor pode usar outros meios de captura que não o Firesheep, tornando o Fireshepherd inútil. É um caso em que uma ferramenta está sendo atacada e não o problema.

Evitar redes sem fio abertas e inseguras é uma boa ideia. É possível colocar senhas em redes abertas – alguns estabelecimentos optam por isso, e a senha é fornecida aos clientes, por exemplo. Redes que usam segurança do tipo WPA2 protegem os dados de cada usuário individualmente. Se você tem uma rede sem fio, configure-a para usar WPA2.

“Hacking para as massas” é certamente uma maneira eficaz de chamar atenção para um problema. O Firesheep causou polêmica – mais do que qualquer outra apresentação da Toorcon. Até o momento, no entanto, nada mudou na segurança dos sites que Butler gostaria de ver mudarem. Enquanto isso, resta ter conhecimento do problema e das soluções que, por ora, são paliativas.

A coluna Segurança para o PC de hoje fica por aqui. Volto na quarta-feira (3) com o pacote de respostas a dúvidas dos leitores. Por isso, não se esqueça de deixar sua dúvida na área de comentários. Até a próxima!

* Altieres Rohr é especialista em segurança de computadores e, nesta coluna, vai responder dúvidas, explicar conceitos e dar dicas e esclarecimentos sobre antivírus, firewalls, crimes virtuais, proteção de dados e outros. Ele criou e edita o Linha Defensiva, site e fórum de segurança que oferece um serviço gratuito de remoção de pragas digitais, entre outras atividades. Na coluna “Segurança para o PC”, o especialista também vai tirar dúvidas deixadas pelos leitores na seção de comentários. Acompanhe também o Twitter da coluna, na página http://twitter.com/g1seguranca.

José Mesquita

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharel em Direito. Pós-graduado em Direito Constitucional. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e “designer”.

Bacharel em administração e bacharelando em Direito.

Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.

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