Mario Vargas Llosa – Versos na tarde

Poema para a exorcista
Mario Vargas Llosa ¹

A minha vida aparece sem condão e
monótona
aos que me vêem
no trabalho árduo da oficina
em manhãs apuradas.
A verdade é muito distinta.

Cada noite eu saio e discuto
contra um espírito malévolo
que, se valendo de
máscaras – cão, grilo,
nuvem, chuva, vagabundo,
ladrão – trata de
se infiltrar na cidade
para estragar a vida humana
semeando
a discórdia.

Apesar dos seus disfarces
sempre a descubro
e a espanto.
Nunca conseguiu enganar-me
nem vencer-me.
Graças a mim, nesta cidade
ainda é possível
a felicidade.

Mas os combates nocturnos
deixam-me exausta e ferida.
E para compensar a minha
guerra contra o inimigo,
peço uns restos
de afecto e de amizade.

¹ Mario Vargas Llosa
* Arequipa, Peru – 28 Março de 136 d.C


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José Mesquita

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e designer gráfico e digital.

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e “designer”.

Bacharel em administração e bacharelando em Direito.

Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.

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