O Consumidor Digital e o varejo


Futuro do varejo é consumidor multicanal que exige práticas sustentáveis, diz consultor.

Um consumidor que tem forte presença digital, pesquisa e compra em diversos canais e tem grande mobilidade. Um cliente que demonstra grande preocupação com a sustentabilidade. Um freguês que compara o que lhe é oferecido com outros itens do mercado. Um consumidor que busca um ponto de venda que lhe ofereça diversas soluções em um mesmo local.

As tendências do varejo brasileiro foram apresentadas hoje por Marcos Gouvêa de Souza, diretor geral da GS & MD – Gouvêa de Souza, durante a 10ª Convenção ABF do Franchising, que aconteceu entre 17 e 21 de novembro, em Praia do Forte, na Bahia.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

“Nós caminhamos, ao longo das últimas duas décadas, para um processo de desenvolvimento que gerou um consumidor novo, que tem maior nível de informação e que mudou sua forma de pensar e de influenciar outros consumidores”, disse Souza.

Segundo dados da GS & MD – Gouvêa de Souza, 73% dos internautas brasileiros fazem pesquisas na internet antes de fazer compras.


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Eles buscam referências de produtos e de marcas, fazem comparações de preço e conferem as experiências de outros consumidores. “Esse é o neoconsumidor. Ele está fazendo melhores negócios para si”, afirmou Souza. Por isso, ressaltou o especialista, os varejistas devem ter as margens pressionadas. A saída é criar diferenciais para que o consumidor pague a mais.

Além do neoconsumidor, a consultoria de varejo criou também o conceito do metaconsumidor, que está cada vez mais preocupado com questões de sustentabilidade, como tratamento de resíduos, logística reversa e economia de recursos.

De acordo com pesquisas da GS & MD – Gouvêa de Souza, 70% dos consumidores brasileiros buscam o equilíbrio financeiro, social e ambiental, e 67% se preocupam com as novas gerações.

Ainda de acordo esses dados, 53% dos brasileiros dizem comprar produtos e serviços de empresas social e ambientalmente responsáveis. A média mundial é de 40%.

“O brasileiro tem uma crescente consciência sobre as questões sustentáveis que vão impactar seu comportamento”, disse Souza. No Brasil, 39% das pessoas compram alimentos pensando em sustentabilidade; no mundo, são 31%.

Os consumidores brasileiros dizem estar dispostos a pagar, em média, 7,8% a mais por um produto sustentável. Segundo Souza, essa é uma das maneiras de gerar diferenciação aos olhos do consumidor.

“Antes de aderir à marca, ele vai discriminar quem não oferece esse diferencial”, disse.

Ele ressalta, no entanto, que é preciso ter cautela, já que a intenção que o consumidor declara pode ser diferente do que ele faz na prática. “Além disso, esse percentual deve cair, já que a sustentabilidade passa a ser obrigatória.”

MULTICANAL

Souza apontou como tendência do varejo no Brasil e no mundo o crescimento do formato multicanal, com maior participação digital. “A quantidade maior de informação e a necessidade de conveniência fazem com que as redes criem mais canais de relacionamento e vendas”, disse o especialista.

Se, durante muitos anos, o mercado pregava o foco em um determinado canal, agora, com as tecnologias disponíveis, é possível multiplicar a capacidade gerencial e acompanhar negócios diferentes ao mesmo tempo.

“Quando se controla e acompanha o comportamento do consumidor, você tem um grande ativo. O negócio se torna mais eficiente”, afirmou Souza. Para isso, é necessário saber quem fez a compra, o que adquiriu, onde e como o fez.

Outra tendência é a busca da diferenciação por meio das marcas próprias. As cinco empresas líderes do setor de confecção no Brasil têm suas lojas praticamente 100% ocupadas pelas marcas próprias, disse Souza.

As lojas de material de construção estão tomando o mesmo caminho. O especialista citou o exemplo da rede britânica de supermercados Tesco.

Metade das vendas das redes vem de marcas próprias. Por isso, a empresa desenvolveu três segmentos com o nome Tesco: a Tesco Finest, de produtos premium, a Tesco, de preços médios, e a Tesco Value, para pessoas que costumam usar cupons de desconto. Depois, adicionaram mais duas marcas ao seu “mix”: uma de orgânicos e outra de cuidados com a saúde.

Por Mariana Iwakura/Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios

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