• mqt_for@hotmail.com
  • Brasil

Narcotráfico e o cinismo das “zelites”

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin

Na matéria reproduzida abaixo o jornalista Sylvio Guedes, editor-chefe do Jornal de Brasília, esgrime o verbo com a destreza de um Camões redivivo, e coragem épica de um Dom Quixote planaltino, para desnudar a cínica convivência/conivência dos viciados de colarinho branco com o narcotráfico.

Nesse pastiche midiático — alguns crédulos, e outros tantos abestados, creem que o problema está resolvido, há, há, há — que foi a operação no complexo do alemão, não ouvi de jornalistas, analistas, palpiteiros em geral, sociólogos e outros “ólogos”, que infestam os noticiários da TV, a palavra “VICIADOS”.

Parece que os pés de chinelo das tais “comunidades” — ah!, os sofistas —, são simultaneamente produtores, traficantes e consumidores.

Segundo dados da ONU, o tráfico movimenta no Brasil a “mincharia” de 10 BILHÕES  de dólares/ano.
Vou repetir: 10 BILHÕES DE DÓLARES POR ANOS!
E querem que eu acredite que esquálidos marginais apresentados na TV — com aspecto de catadores de lixões, sejam “o cara” da bandidagem do complexo do alemão —, tenham competência  para gerir toda essa grana e controlar tão complexa logística?

Para refinar a pasta de coca é preciso comprar grandes quantidades de produtos químicos — gasolina, amônia, cimento, ácido sulfúrico, acetona, são alguns dos ingredientes (dá pra acreditar?) — que evidentemente não são fabricados por pastelarias nem comercializados em feiras-livres.

O Editor
PS. Prestigias ao vivo ou na TV os desfiles das escolas de samba na Sapucaí? Sabes quem os financia? Então…


Sylvio Guedes
Jornal de Brasília

É irônico que a classe artística e a categoria dos jornalistas estejam agora na, por assim dizer, vanguarda da atual campanha contra a violência enfrentada pelo Rio de Janeiro. Essa postura é produto do absoluto cinismo de muitas das pessoas e instituições que vemos participando de atos, fazendo declarações e defendendo o fim do poder paralelo dos chefões do tráfico de drogas.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Quando a cocaína começou a se infiltrar de fato no Rio de Janeiro, lá pelo fim da década de 70, entrou pela porta da frente.

Pela classe média, pelas festinhas de embalo da Zona Sul, pelas danceterias, pelos barzinhos de Ipanema e Leblon.

Invadiu e se instalou nas redações de jornais e nas emissoras de TV, sob o silêncio comprometedor de suas chefias e diretorias.

Quanto mais glamuroso o ambiente, quanto mais supostamente intelectualizado o grupo, mais você podia encontrar gente cheirando carreiras e carreiras do pó branco.

Em uma espúria relação de cumplicidade, imprensa e classe artística (que tanto se orgulham de serem, ambas, formadoras de opinião) de fato contribuíram enormemente para que o consumo das drogas, em especial da cocaína, se disseminasse no seio da sociedade carioca – e brasileira, por extensão.

Achavam o máximo; era, como se costumava dizer, um barato.

Festa sem cocaína era festa careta.

As pessoas curtiam a comodidade proporcionada pelos fornecedores: entregavam a droga em casa, sem a necessidade de inconvenientes viagens ao decaído mundo dos morros, vizinhos aos edifícios ricos do asfalto.

Nem é preciso detalhar como essa simples relação econômica de mercado terminou. Onde há demanda, deve haver a necessária oferta. E assim, com tanta gente endinheirada disposta a cheirar ou injetar sua dose diária de cocaína, os pés-de-chinelo das favelas viraram barões das drogas.

Há farta literatura mostrando como as conexões dos meliantes rastaqüera, que só fumavam um baseado aqui e acolá, se tornaram senhores de um império, tomaram de assalto a mais linda cidade do país e agora cortam cabeças de quem ousa lhes cruzar o caminho e as exibem em bandejas, certos da impunidade.

Qualquer mentecapto sabe que não pode persistir um sistema jurídico em que é proibida e reprimida a produção e venda da droga, porém seu consumo é, digamos assim, tolerado.

São doentes os que consomem. Não sabem o que fazem. Não têm controle sobre seus atos. Destroem famílias, arrasam lares, destroçam futuros.

Que a mídia, os artistas e os intelectuais que tanto se drogaram nas três últimas décadas venham a público assumir:

“Eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro.”

Façam um adesivo e preguem no vidro de seus Audis, BMWs e Mercedes.

José Mesquita

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharel em Direito. Pós-graduado em Direito Constitucional. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

Gostou? Deixe um comentário

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e “designer”.

Bacharel em administração e bacharelando em Direito.

Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.

Mais artigos

Siga-me