Manuel Bandeira – Versos na tarde


Bacanal
Manuel Bandeira ¹

Quero beber! cantar asneiras
No esto brutal das bebedeiras
Que tudo emborca e faz em caco…
Evoé Baco!

Lá se me parte a alma levada
No torvelim da mascarada.
A gargalhar em doudo assomo…
Evoé Momo!

Lacem-na toda, multicores
As serpentinas dos amores,
Cobras de lívidos venenos…
Evoé Vênus!

Se perguntarem: Que mais queres,
Além de versos e mulheres?…
– Vinhos!… o vinho que é meu fraco!…
Evoé Baco!


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O alfanje rútilo da lua,
Por degolar a nuca nua
Que me alucina e que eu não domo!…
Evoé Momo!

A Lira etérea, a grande Lira!…
Por que eu extático desfira
Em seu louvor versos obscenos.
Evoé Vênus!

¹ Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho
* Recife, PE. – 19 de Abril de 1886 d.C
+ Rio de Janeiro, RJ. – 13 de Outubro de 1968 d.C

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