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Luiza Erundina. Uma pessoa comum

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A deputada Luiza Erundina, uma paraibana que venceu a dureza e os preconceitos do Brasil rico, não rouba, nunca roubou, nunca acobertou roubalheiras, jamais participou de mutretas. Em sua longa carreira exerceu dezenas de cargos públicos de forma digna, impecável. Está no terceiro mandato de deputada federal, depois de ter sido prefeita de São Paulo.

Tem uma ficha tão limpa que foi rejeitada pelo PT, partido que ajudou a fundar, abrigada hoje no PSB. Jamais se aliou a Judas. É, portanto, uma pessoa comum.

Pois bem, dona Erundina, quando prefeita, publicou um anúncio num jornal para explicar que sua administração não tinha compromisso com uma greve que ocorria na cidade. Por isso foi condenada pela Justiça a pagar R$ 350 mil aos cofres do município. Por um acordo, ela está pagando com 10% mensais dos seus vencimentos e da aposentadoria mixuruca de professora. Levará mais de 30 anos para quitar a divida Terá então pouco mais de 100 anos de idade.

O grande erro de dona Erundina foi o de não se cuidar. Não fez o pé de meia com as comissões e desvios de dinheiro público como muitos – e bota muitos nisso. Não teve a mesma sorte de outros companheiros que saquearam os cofres públicos e estão aí livres, soltos e jamais irão devolver um centavo. Os R$ 350 mil cobrados dela representam uma milésima parte dos mais de US$ 200 milhões que a mesma prefeitura tenta retomar do dr. Paulo Maluf – produto da roubalheira na construção de apenas uma avenida quando ele era prefeito.

É um migalha diante dos quase US 200 milhões roubados pela gang do Juiz Lalau, na construção do TRT de São Paulo, que encheu os bolsos do então senador Luiz Estevão, cassado por corrupção. Não valem nada, comparados ao que levou o companheiro Jáder Barbalho dos incentivos fiscais da SUDAM.

Nenhum deles – e vamos ficar nesses três – devolveu ou vai devolver nada. Mesmo condenados, esperam um julgamento final de última instância, como manda a generosa legislação brasileira. Já dona Erundina, que não róbou- como acentua o companheiro Zé Dirceu – paga o preço alto cobrado aos brasileiros que insistem nessa besteira de honestidade.

Não teve, como os personagens citados, dinheiro para contratar advogados famosos, que facilmente a livrariam de tão ridícula e tênue acusação, que não chega nem a ser um erro administrativo, como considerou o nosso grande líder a farra da companheira Matilde com os cartões corporativos no ministério da igualdade racial. Luiza Erundina, mesmo sendo deputada federal, tem a ficha limpa demais para deixar de ser tratada e julgada como uma pessoa comum.

Rangel Cavalcante/Diário do Nordeste

José Mesquita

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharel em Direito. Pós-graduado em Direito Constitucional. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e “designer”.

Bacharel em administração e bacharelando em Direito.

Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.

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