• mqt_for@hotmail.com
  • Brasil

Lava Jato: Mocinhos e Bandidos

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin

Quem conspira contra a Lava Jato?

A ofensiva do governo contra a operação Lava-Jato, agora indisfarçável, tornou complicada a vida de quem acredita em mocinhos e bandidos na política brasileira. De um lado, os que saudaram a ascensão de Michel Temer à presidência em nome da reorganização econômica, e da guerra ao PT, fazem contorcionismo para explicar o que acontece em Brasília.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

De outro, quem considerava a investigação antipetista e ironicamente concordaria com o ministro Gilmar Mendes sobre as “alongadas prisões em Curitiba”, agora vê-se na obrigação de defender a investigação. Veículos e profissionais da imprensa não ficam de fora, especialmente os que, se não endossaram Temer e companhia, relativizaram as intenções do grupo que assumiu o poder.

O presidente Temer precisa deter a operação em curso no PMDB destinada a abafar a LavaJato se não quiser entrar p/a a lata de lixo da história

— Ricardo Setti (@ricardosetti)

O jornalista Ricardo Setti, que passou por algumas das principais redações brasileiras, sintetizou nesta frase um wishful thinking bastante presente entre analistas políticos brasileiros – não por acaso a afirmação foi retuitada por vários deles.

A operação-abafa em curso precisa ser do PMDB, e não do governo. Ainda que, por obra da caneta presidencial, o eloquente Alexandre de Moraes, cuja gestão no Ministério da Justiça será lembrada por carnificinas medievais, haja feito um beija-mão de senadores encrencados com a Lava-Jato rumo ao Supremo Tribunal Federal.

Ainda que Moreira Franco, o preferido dos delatores, tenha alcançado o foro privilegiado graças a uma medida engendrada no principal gabinete do Planalto. E ainda que existam menções explícitas a Michel Temer nas primeiras delações da Odebrecht vazadas à imprensa. Quem coordena o torniquete à Jucá são sombras peemedebistas inominadas. Nunca o presidente.

Chega a ser curiosa a surpresa de repórteres experimentados, como Gerson Camarotti, para quem “Brasília perdeu o pudor”.

Ou a reação de Ricardo Noblat à escolha do senador Edison Lobão (PMDB) para presidir a mesma Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que avaliará Moraes: “Foi exorbitância, desacato, desplante, sem-vergonhez, descaramento, ultraje, afronta, desfaçatez, cinismo, prepotência, atrevimento e arrogância a indicação feita pela bancada do PMDB do nome de Edison Lobão (MA) para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ)”.

No Estadão, Eliane Catanhêde repreendeu Moraes pela noitada com senadores em uma embarcação luxuosa. Não porque fosse absurdo e incompatível, mas porque ele poderia dar munição à oposição:

“Moraes foi indicado por Temer para o STF sob críticas, por ser então ministro da Justiça e filiado a um partido político, o PSDB. Logo, como já dito neste espaço, ele não apenas tem de ser, mas também tem de parecer honesto, independente, impecável.

Dos senadores presentes não se espera muito, mas ele não deve falar um “A” além do necessário, não se expor um tico além do obrigatório, não deixar a mínima brecha para questionamentos da oposição e da opinião pública. Chalana? Pré-sabatina? Com integrantes da CCJ? Faltou prudência ao candidato à toga.”

O tom de espanto e condescendência, que em alguns momentos evolui para torcida, explica-se pela situação em que publicações (tome-se por exemplo o editorial do Estadão apoiando a indicação de Moraes) e jornalistas se meteram.

Ao apontarem para Jucá, Lobão, Cunha e donos de chalanas em geral, preservam o que consideram positivo no governo de Michel Temer: as decisões no campo econômico patrocinadas pelo presidente.

Coincidência ou não, o Planalto escolheu disparar contra Curitiba justamente num período de alívio na inflação, redução de juros e perspectiva de liberação do FGTS para milhões de trabalhadores. Assim, o “país com rumo” (de novo o Estadão) pode se dar ao luxo de considerar caixa 2 um crime menor, de livrar partidos encrencados com a Justiça Eleitoral, e, ao que tudo indica, estancar a sangria antes que atinja detentores de foro privilegiado ou, quem duvida?, o Judiciário.

Admitir o caráter premonitório do célebre grampo de Romero Jucá, a essa altura, significa reconhecer em Temer o líder do PMDB que ataca a Lava-Jato, o que implica arriscar seu governo e os parcos sinais de estabilização econômica.

Significa dar ao governo atual o tratamento que recebeu o anterior em tentativas muito semelhantes de pressionar os investigadores e livrar aliados de condenações. Nesta hipótese, seria necessário encarar os fatos de frente: em Brasília, há pouca gente interessada em fazer a lei prevalecer.

**

Evandro de Assis é jornalista e mestrando em Jornalismo no POSJOR e pesquisador do objETHOS /UFSC/ SC

José Mesquita

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharel em Direito. Pós-graduado em Direito Constitucional. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

Gostou? Deixe um comentário

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e “designer”.

Bacharel em administração e bacharelando em Direito.

Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.

Mais artigos

Siga-me