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Internet e jornalismo. Sem inovação a economia para segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Imprensa online Blog do MesquitaO caos criativo na internet e as opções do jornalismo

Esta discussão se o Twitter é ou não é jornalismo tem todas as características de um debate bizantino. Na verdade a questão central não está no microbolg que virou mania mundial, mas nos valores e percepções da realidade de quem se posiciona contra ou a favor.

Os críticos do Twitter afirmam que o microblog não favorece o desenvolvimento de enfoques e reflexões “sérias” sobre os fatos, fenômenos e percepções que são objeto de postagens pelos  usuários do programa criado em 2006, nos Estados Unidos.

O sistema que permite textos de no máximo 140 caracteres começou como uma ferramenta onde adolescentes diziam o que estavam fazendo. Obviamente isto levou os mais céticos a qualificar a nova ferramenta de comunicação como promotora da futilidade e superficialidade, coincidentemente, adjetivos que já haviam sido usados para caracterizar os conteúdos do início da Web nos anos 90 e dos blogs no começo do século atual.

A preocupação com a seriedade jornalística parte de uma visão defasada da atividade informativa, já que a internet e avalancha noticiosa mudaram radicalmente a conjuntura informativa contemporânea. Até agora a notícia era o produto da atividade de profissionais especializados que podiam decidir o que era válido ou inválido como informação, dada escassez de canais de comunicação.

A internet revolucionou tudo isto ao disponibilizar anualmente um volume de informações equivalente a 18,5 exabytes o que equivale, a aproximadamente 70 mil novas bibliotecas do Congresso dos Estados Unidos, cujo acervo, em 2007, era de 32 milhões de livros. Isto significa que o volume de livros daria mais ou menos 2,2 trilhões de livros novos por ano disponíveis para consulta na Web.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

São número aproximados porque as proporções se tornaram tão gigantescas que a precisão se tornou altamente relativa. Mas o que ninguém pode negar é que é um volume de informações inédito na história da humanidade.

Nestas circunstâncias não é difícil entender porque o volume de informações sobrepassou a capacidade processadora dos jornalistas. Isto tornou ainda mais longínqua a idéia de que alguém achar que é o dono da verdade. Se nós não conhecemos tudo, isto significa que alguém pode saber o que não sabemos. Portanto, para ampliar nossos conhecimentos a única saída é trocar informações.

Isto implica um diálogo que é onde os dados, fatos e informações são recombinadas (remixados no dicionário contemporâneo) para produzir conhecimentos, que necessariamente acontecem em redes. Antes as redes estavam limitadas a espaços físicos, agora elas acontecem no ambiente virtual, por meio de ferramentas como as páginas web, os blogs, os fóruns online e o twitter.

Antes o conhecimento era produzido nos recintos acadêmicos, nos centros de estudo, parlamentos e redações, só para dar alguns exemplos. Hoje, estes ambientes já não conseguem mais dar conta da avalancha informativa e a usina do conhecimento transferiu-se para o espaço cibernético, onde as regras ainda estão sendo escritas e reescritas.

Além disso, o jornalismo dos próximos anos não vai mais ser caracterizado pelas redações estilo fordista onde a notícia era processada como numa linha de montagem industrial, mas por sua imersão em ambientes marcados pelo caos criativo. O profissional não poderá mais limitar-se a um circulo restrito de fontes e um público que ele só conhecia de forma indireta e geralmente distante.

Ele não terá outra alternativa senão mergulhar no grande ágora informativo, do qual o Twitter é um componente. Acostumar-se com o caos, incerteza, insegurança e instabilidade, ou como disse o sociólogo polonês Zygmunt Bauman “viver numa sociedade líquida”. E principalmente saber que terá que conversar e ouvir, o que significa que a relação com o público deverá mudar e muito.

Voltando ao Twitter, é claro que, da mesma forma que o Youtube e os blogs, ele não é um repositório organizado de dados, fatos, informações e percepções individuais. E nem é realista que algum dia ele chegue a tanto, porque a recombinação criativa é inevitavelmente complexa.

Mas apesar de tudo isto, o jornalismo do futuro não poderá prescindir do Twitter e outras ferramentas da chamada mídia social, como os blogs, bem como de personagens polêmicos como o jornalista cidadão, porque todos eles fazem parte da grande conversa informativa. Sem esta conversa não há troca, sem troca não há recombinação e nem inovação. E sem inovação, a economia pára.
Carlos Castilho/Observatório da Imprensa

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José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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