Gerardo Melo Mourão – Versos na tarde – 09/07/2015


E a duração do lírio fora um hálito
Gerardo Melo Mourão ¹

E a duração do lírio fora um hálito,
o lírio, Geraldino, de cristal,
que te floresce sobre a sepultura;
o lírio, Telmo, que em teus olhos pálpebras
apascentam de pétalas no claustro.

E no entanto durara: ao tempo quando
a madressilva não temia os pés
desabrochados entre margaridas
e a mão sabia a dança que hoje não.

Era não distinguir do dia a noite,
entre uma lua e um quarto errar em casa,
morar nas mangas e nas rosas hóspede
e ao pássaro alugar-se de repente.

E alugavam-se ao vento os calendários,
as datas e os ponteiros do relógio
sucediam-se pétalas de espátulas
alugados aos ventos os ponteiros
giravam girassóis de cataventos.

E a duração do lírio fora um hálito.


Você leu?: Pablo Neruda – Para não deixar de te amar nunca


¹ Gerardo Melo Mourão
* Ipueiras, CE – 8 de Janeiro de 1917 d.C
+ Rio de Janeiro, RJ – 9 de Março de 2007 d.C

>> biografia de Gerardo Melo Mourão


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