Ferreira Gullar – Não há vagas – Poesia

O preço do feijão não cabe no poema


Não há vagas
Ferreira GullarTakahiro Shimatsu,Artes Plásticas,Desenho,Blog do Mesquita 2

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

– porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço


Você leu?: Elizabeth Bishop – A arte de perder


O poema, senhores,
não fede
nem cheira
Desenho de Takahiro Shimatsu

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