Exército. Comando deu parecer contra ação na favela


A Constituição Brasileira define com clareza as funções constitucionais das Forças Armadas. Em nenhuma delas estão previstas atividades policiais.

Cada vez que a violência urbana se acerba, os políticos, pressionados pela população, exigem que as Forças Armadas saiam a campo para desempenhar funções policiais. Nessas ocasiões, civis lúcidos e Militares responsáveis, alertam para o desvio que se pretende fazer nas atribuições das Forças Armadas.

Mesmo assim, e sob enorme pressão, os militares para atender aos clamores da população, destinam tropas para ações policiais. Aí, acontece o que se teme. A tropa treinada para ações contra inimigos externos, não está preparada para lidar com marginais. Que essa conta de agora, seja debitada ao Senador Marcelo Crivella, que foi o responsável pela exigência ao Exército para deslocar tropas para os morros no Rio de Janeiro.

Da Folha de São Paulo
De Raphael Gomide e Eliane Cantanhêde:

Comando deu parecer contra ação na favela

Em parecer encampado pelo Comando do Exército, em Brasília, o Comando Militar do Leste (CML) alertou para os riscos da participação militar no projeto Cimento Social no morro da Providência, no Rio. Foi, porém, voto vencido. O Palácio do Planalto seguiu a sugestão do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), e o projeto virou convênio dos ministérios de Cidades e da Defesa.


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O comandante do CML, general-de-exército Luiz Cesário da Silveira Filho, enviou o parecer ao comandante do Exército, general Enzo Peri. Discorreu sobre os riscos do contato de militares com bandidos, falou sobre a possibilidade de haver tiroteios e até mortes de civis com balas perdidas. Seu temor era que os militares estariam em áreas conflagradas, mas sem flexibilidade legal para real combate ao crime.

Cesário é a maior autoridade do Exército na região que abrange Rio, Minas e Espírito Santo. No documento, ele considerava equivocada e arriscada a atuação da Força nas obras e na segurança de pessoal na favela. Enzo, porém, não teve margem para negociar.

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