Eleições: Serra na disputa pela prefeitura de São Paulo


Para a Senadora Marta Suplicy, que era uma das pretendentes ao cargo de prefeita de S. Paulo, sua (dela) saída da disputa – atendeu pedido de Lula para abrir passagem para a candidatura de Haddad, do PT – favoreceu a candidatura de José Serra.

A senadora petista declarou que: ”tenho certeza de que, agora mais do que nunca, o Serra está candidatíssimo a prefeito de São Paulo. Acompanhem os movimentos do Alckmin e vocês verão que o Serra também é o candidato do governador. Mas ele vai deixar para anunciar só no finalzinho. O Serra não precisa ter pressa. Ele já tem mídia suficiente.”
O Editor


O efeito foi um tanto retardado. Mas a saída da senadora petista Marta Suplicy da disputa pela Prefeitura de São Paulo e a definição do partido pela candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, já causaram pelo menos uma mudança importante no tabuleiro da eleição municipal na capital paulista.

A intensa movimentação do ex-governador José Serra nos últimos dias passou a ser interpretada como uma evidência de que o tucano está no jogo.

Serra até agora nega insistentemente que será o candidato do PSDB. Mas a prática não condiz com a fala.


Você leu?: Patanal em fogo – araras-azuis e outros animais sob risco de extinção


[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Começou a acompanhar, com frequência, o governador Geraldo Alckmin, com quem travou – e perdeu – uma disputa ferrenha pelo controle da sigla no Estado, após ser derrotado na eleição presidencial do ano passado.

Serra saiu da condição de problema, um incômodo interno para Alckmin, e agora surge como solução para os planos do governador.

A desistência de Marta Suplicy, com quem Serra rivalizava na preferência do eleitorado, gerou duas consequências imediatas para os cálculos tucanos.

A primeira: seduz e pressiona Serra para assumir seu nome, num cenário onde as alternativas são novatos desconhecidos da maior parte da população. Sem Marta e ainda longe do período eleitoral, as próximas pesquisas deverão indicar o ex-governador como líder isolado da disputa, com percentual três ou quatro vezes maior que o do segundo colocado.

A segunda consequência: a demonstração de unidade do PT, que abriu mão da realização de prévias, assusta os tucanos, divididos em quatro pré-candidatos que não empolgam. Se Alckmin já buscava uma aliança com o prefeito Gilberto Kassab (PSD) – deixando de lado um passado de desavença – a parceria torna-se essencial diante da previsão de fracasso.

Alckmin precisa de Serra tanto para 2012 quanto para pavimentar sua própria reeleição em 2014. O ex-governador é o nome que mais facilmente poderia viabilizar a forte aliança entre as máquinas da prefeitura e do governo do Estado.

De um lado, Kassab já disse que se Serra entrar no páreo não tem como deixar de apoiá-lo. O prefeito é grato ao tucano desde a disputa municipal de 2008, quando Serra não fez campanha para Alckmin, candidato do PSDB.

De outro, no PSDB, se Serra e Alckmin – os dois caciques – decidirem, só restará a resignação aos quatro pré-candidatos (três dos quais são secretários estaduais).

A formação de uma aliança com Kassab protege duplamente Alckmin: consolida um apoio à sua reeleição e evita que o prefeito seja um adversário em 2014.

Kassab tem como opções lançar o vice-governador Guilherme Afif Domingos ou o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Deixar o prefeito solto na largada para 2012, por outro lado, é alternativa duplamente perigosa para Alckmin.

Se o candidato tucano – na hipótese de ser um dos quatro que defendem a prévia – não chegar ao segundo turno, Alckmin ficará com imagem fragilizada. Se chegar, corre o risco de Kassab cair no colo do PT e ver os dois grupos unidos para enfrentá-lo em 2014.

Por isso, a perspectiva para Alckmin é delicada. E Serra pode servir muito bem a seus propósitos. Curiosamente, numa situação inversa à que se viu nos últimos anos, Serra talvez seja hoje mais desejado por Alckmin do que por Kassab. Depois de fundar o PSD, que pode ser tudo, menos antigovernista, não cai bem andar de mãos dadas com um símbolo da oposição.

A construção de uma aliança Kassab/Alckmin, tendo Serra como candidato, poderá, por sua vez, gerar outro efeito no tabuleiro: forçar uma coligação entre o PT e o PMDB, que tem como pré-candidato o deputado federal Gabriel Chalita.

A união entre Kassab e os tucanos desequilibraria o jogo, ainda mais se o recém-criado PSD conseguir na Justiça o tempo de propaganda eleitoral correspondente à sua bancada de 56 parlamentares na Câmara dos Deputados.

O peso de uma aliança PSD + PSDB estimula a criação do outro pólo, PT + PMDB, por mais uma razão. Com um latifúndio de tempo de TV, Serra ganha espaço para fazer algo que já seria esperado dele: federalizar a disputa, que terá no outro lado um ex-ministro da Educação petista.

Desse modo, Serra na raia aumenta o peso e a influência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como estrategista do PT.

Lula já foi responsável por tirar do caminho de Haddad seus adversários internos, como a senadora Marta Suplicy.

Caso José Serra concorra, terá nova oportunidade para completar a tarefa: voltar a sondar Chalita e o vice-presidente Michel Temer, líder nacional do PMDB, a desistirem da candidatura própria.

Desta vez, ficará mais difícil negar o pedido de Lula. Ainda mais num momento em que sua luta contra o câncer comove e os aliados evitam lhe causar aborrecimentos.

Por Cristian Klein/VALOR

Postado na categoria: Brasil, Política - Palavras chave: , , , , , , , , , ,

Leia também:

O que se descobriu até agora sobre o óleo no Nordeste
O que se descobriu até agora sobre o óleo no Nordeste

Enquanto o petróleo avança pelo litoral brasileiro

November 2, 2019, 1:00 pm
Patanal em fogo - araras-azuis e outros animais sob risco de extinção
Patanal em fogo - araras-azuis e outros animais sob risco de extinção

O drama das araras-azuis e outros animais sob risco de extinção e acuados pelo fogo no Pantanal

November 12, 2019, 11:40 am
“Ouro negro”, capital do mal!
“Ouro negro”, capital do mal!

Como é de praxe acontecer no Brasil, estudos, pesquisas...

October 27, 2019, 12:33 pm
A política ambiental do governo brasileiro é boa ou ruim para o clima?
A política ambiental do governo brasileiro é boa ou ruim para o clima?

Duas histórias; uma de sucesso e uma de fracasso

October 21, 2019, 11:40 am
Marinha diz que óleo no Nordeste pode ter origem em navio irregular
Marinha diz que óleo no Nordeste pode ter origem em navio irregular

A investigação inicial lidava com cerca de mil embarcações

October 23, 2019, 12:46 pm
Governo tem que provar que pode lidar com o óleo nas praias do nordeste
Governo tem que provar que pode lidar com o óleo nas praias do nordeste

Esta falta de transparência é sentida

October 25, 2019, 11:30 am