Eleições 2010: Por que Serra não ataca Dilma de terrorista?

A Constituição brasileira, entre outros, consagra o princípio da presunção de inocência. A par disso, e sem entrar no mérito das preferências eleitorais de cada um, não consta em nenhum inquérito da época do regime militar, que dona Dilma tenha participado de alguma ação armada, e também não foi julgada nem foi condenada por isso. Parece claro que o PSDB prefere não abordar, na propaganda eleitoral, o passado ‘terrorista’ de Dilma Rousseff.
Qual a razão?
Leiam abaixo reportagem de Vera Rosa no Estado de São Paulo.
O Editor


PT mira tucanos da luta armada

Mas ofensiva só irá para o programa de TV se Serra vincular Dilma a ações terroristas

A cúpula da campanha de Dilma Rousseff (PT) coletou dados sobre tucanos que, a exemplo da candidata do PT à Presidência, participaram de organizações conhecidas por pregar a luta armada na ditadura militar. A ofensiva só irá para o programa de TV, no entanto, se o candidato do PSDB, José Serra, recorrer à estratégia de vincular a ex-chefe da Casa Civil a ações terroristas.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Até mesmo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva será acionado, em caso de emergência, para dizer que já foi vítima do que o PT chama de “tática do medo”.

O resgate da história põe na berlinda o concorrente do PSDB ao Senado, Aloysio Nunes Ferreira, ex-chefe da Casa Civil quando Serra era governador de São Paulo e ex-secretário-geral da Presidência na gestão de Fernando Henrique Cardoso. Além dele são mencionados o ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta, morto em 1998, e o deputado José Aníbal (SP).

Aloysio ingressou na Ação Libertadora Nacional (ALN), que pregava a luta armada, nos anos 60. Tal como a candidata do PT, adotou codinomes na ditadura: era chamado de “Beto” e “Mateus”. Motta, por sua vez, entrou na Ação Popular (AP), grupo de influência católica que abrigou o próprio Serra. Ao contrário do presidenciável, que se exilou no Chile depois do golpe militar de 1964, ficou no Brasil e foi preso em 1965.

Aníbal foi companheiro de Dilma na organização revolucionária marxista Política Operária (Polop), em Belo Horizonte. “Dilma e eu nos separamos, em maio de 1969, porque eu achava que aquele caminho estava equivocado”, disse o deputado. “Mas citar isso na propaganda, sem contextualização, é um rebaixamento político da campanha. O PT quer esconder o mensalão e fica agora fazendo ameaças.”

Jogo de risco. Lula assistiu à pré-estreia do programa de Dilma na noite de segunda-feira, um dia antes do início do horário eleitoral gratuito. Foi uma sessão reservada, no Palácio da Alvorada, com a participação da candidata e de coordenadores da campanha. Em uma das propagandas, Dilma fala do seu passado como mulher que combateu a ditadura. De ex-guerrilheira, apareceu como guerreira. Era um “antídoto” contra eventual ataque do PSDB.

Em conversas reservadas, no entanto, Lula disse não acreditar que Serra recorra a esse tipo de expediente. No diagnóstico do Planalto e do comitê petista, trata-se de um “jogo de extremo risco” e o tucano teria mais a perder do que a ganhar. Em primeiro lugar, porque companheiros seus também participaram de organizações que defendiam a luta armada. Sem contar que ele próprio foi obrigado a viver clandestinamente no exílio.

Estilizada. Na tentativa de reforçar a identidade de Dilma como ex-guerrilheira, o coordenador das redes sociais da campanha, Marcelo Branco, pôs na internet imagem estilizada da candidata, em várias cores, para ser usada como fundo de tela do computador. Ela reproduz a foto que consta do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), quando Dilma foi presa, aos 22 anos.

“É um movimento de solidariedade, por tudo o que ela passou”, comentou Branco. Na prática, sua ideia é jogar os holofotes sobre a resistência da candidata na luta contra a ditadura, nos anos 60 e início dos 70. “Isso aproxima Dilma da militância dos partidos aliados”, insistiu ele. “A repercussão é positiva.”

No comando político da campanha, porém, não foram poucos os que torceram o nariz para a iniciativa. Motivo: não querem esticar um assunto com grande potencial de desgaste.

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