Eleições 2010: PAC II, a repetição da farsa


Quando a história se repete

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Geralmente é como farsa, diziam Marx e Lênin sobre as repetições da História. Exemplo mais recente é o PAC II. Os mais velhos lembrarão que o marechal Castello Branco quis fazer tudo num curto espaço de tempo, já que apenas completaria o mandato surripiado de João Goulart. Mesmo tendo prorrogado seu período de governo por um ano, ficou no poder apenas de abril de 1964 a março de 1967.

Faltando dois dias para passar a faixa presidencial ao marechal Costa e Silva, o primeiro militar daquele ciclo de 21 anos deixou-se seduzir por seu ministro do Planejamento, Roberto Campos, e divulgou um Plano Decenal. Foi ridículo, além de inusitado, porque o segundo presidente não era, propriamente, das boas graças do antecessor. Muito pelo contrário, Castello engoliu seu ministro do Exército mais ou menos como um imenso sapo.

Informado de que estavam tentando engessá-lo, Costa e Silva não perdeu o bom humor, que parte de seus auxiliares teimava em demolir. Disse apenas ao ministro da Fazenda já escolhido, Delfim Neto, que colocasse aquele Plano Decenal no fundo de uma gaveta e só abrisse no último dia de seu governo. Assim foi feito, para horror de Roberto Campos.

Pois vem agora o presidente Lula e lança o PAC II, antes mesmo de o PAC I ter realizado a metade de suas promessas. Um elenco mal detalhado de realizações que, imagina o primeiro-companheiro, serão seguidas à risca pelo sucessor.


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Mesmo se vier a ser Dilma Rousseff, não vai dar fora das pranchetas. Um trilhão e meio de reais não se disponibilizam assim tão facilmente. Quantas vezes o inusitado baterá à porta do futuro presidente, na forma de surpresas da natureza ou de trapalhadas verificadas no funcionamento da economia mundial e nacional?

Pior ainda se o futuro presidente chamar-se José Serra. Por que estaria ele obrigado a ficar sufocado num modelo ilusório? Melhor teria feito o presidente Lula se dedicasse os últimos nove meses de seu mandato a viabilizar o PAC I, sem sonhos de grandeza ou megalomania. O programa é que, para ajudar Dilma Rousseff, parece valer tudo. Até transformar a História numa farsa.

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa

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