Eleições 2010: na despedida Serra critica lero lero do Lula


Nada melhor para Serra, no dia em que se despede do governo de São Paulo e assume oficiosamente sua (dele) candidatura à presidência da república, do que uma greve comandada pela CUT petista.

Ao contrário do que pensam, os “aloprados” das tropas do PT, ao infernizarem a vida dos paulistanos que estavam voltando pra casa após um dia dando duro, o movimento grevista dos professores contribui para angariar simpatias para o Serra.

O Editor


Em SP, ao se despedir, Serra critica bravatas de Lula

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Programado como ato administrativo, a “prestação de contas” de José Serra ganhou ares de comício.

O candidato tucano à sucessão de Lula injetou no discurso ataques ao presidente e ao governo petista.


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Esquivou-se de mencionar o nome de seu alvo. Mas o endereço das frases, por indisfarçável, resultou claro.

“Já fui governo e já fui oposição, mas de um lado ou de outro, nunca me dei à frivolidade das bravatas“, disse Serra a certa altura.

“O nosso governo serve ao interesse público, e não à máquina partidária. Nós governamos para o povo”, vociferou mais adiante.

“Repudiamos sempre a espetacularização, a busca pela notícia fácil, o protagonismo sem substância”, vergastou noutro trecho.

Serra falou para uma plateia estimada entre 4 mil e 5 mil pessoas. Gente amistosa, como convém. Além de servidores, políticos do PSDB, DEM e PPS.

Parte da claque foi ao Palácio dos Bandeirantes, local da despedida, conduzida pelas rodas de 60 ônibus.

Quem pagou? Não havia catracas. Nenhum convidado levou a mão ao bolso. Portanto, é de supor que o contribuinte paulista custeou os aplausos.

As palmas soaram mais fortes no instante em que Serra declarou: “Vamos juntos que o Brasil pode mais”.

No pedaço do discurso em que empilhou os “feitos” de governador, Serra fez uma defesa do controle de gastos. “Austeridade não é mesquinharia”, disse.

Disse que, na composição dos cargos técnicos, privilegiou o currículo, não a indicação política. “Sempre tive aversão à tese do ‘dividir para governar”.

Mimetizando Lula, Serra declarou que, ao distribuir verbas, não olhou o partido do prefeito:

“No meu governo, nunca se olhou a cor da camisa partidária. Eu exerci o poder neste Estado sem discriminar ninguém”.

Serra falou também de um tema que não sai de moda, a corrupção: “Aqui não se cultivam escândalos, malfeitos ou roubalheiras”.

Soou como se desejasse dizer: “Essas são coisas mais encontradiças lá de Brasília”.

Enquanto o governador tucano se despedia em palácio, desfilava pela região da Avenida Paulista uma passeata de “bota-fora” para Serra. Foto/Sérgio Andrade

Coisa organizada por 40 entidades sindicais. A maioria delas filiada à CUT, o braço sindical do petismo.

Os manifestantes interditaram a via e hostilizaram jornalistas.

À frente do protesto, o sindicato dos professores de São Paulo. “Vilania”, no dizer de Serra.

Em resposta aos professores, de braços cruzados desde 8 de março, Serra disse: “Os professores e servidores irão ganhar mais segundo o seu próprio esforço”.

Serra declarou-se preparado para o novo desafio. Enrolou-se na bandeira de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país.

Citou a inscrição latina que pendia do pavilhão até 1932: Non Ducor Duco (“Não sou conduzido, conduzo”).

E realçou a expressão que tremula na bandeira do Estado hoje: Pro Brasilia Fiant Eximia (“Pelo Brasil, façam-se as grandes coisas”).

Emendou: “Esta é também a nossa missão. Vamos juntos, o Brasil pode mais”.

Disse que vai à campanha, tratada no discurso como “nova etapa”, munido de “muita disposição, muita força, muita confiança, muita sinceridade e muito trabalho”.

A exemplo da Dilma Rousseff das últimas 48 horas –lançamento do PAC 2 e despida do ministério—, Serra embargou a voz.

Mas, como Dilma, não produziu senão um choro à Nardoni, sem lágrimas.

blog Josias de Souza

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