Eleições 2010: Henrique Meirelles é o plano B de Lula se Dilma não emplacar


PMDB recepciona Meirelles como alternativa a Dilma

Conforme noticiado aqui, o presidente do Banco Central decidiu filiar-se ao PMDB.

No oficial, a direção do partido vende Meirelles como um candidato restrito a Goiás.

Em março de 2010, ele optaria pelo governo do Estado ou pela cadeira no Senado.

No paralelo, Meirelles entra no PMDB como alternativa presidencial da legenda.


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1. Há pouco mais de um mês, o grão-pemedebê Michel Temer reuniu-se reservadamente com um grupo de empresários, em São Paulo.

2. Recolheu dos interlocutores a impressão de que Dilma, a despeito de Lula, não decolaria como candidata.

3. Os empresários teceram loas a Henrique Meirelles. Instigaram Temer a cogitar o nome do presidente do BC como opção presidencial do PMDB.

4. Em diálogos telefônicos e conversar pessoais, Temer pôs-se a consultar lideranças que compõem a ala do PMDB vinculada ao governo Lula.

5. Temer disse ao seu pessoal que convidaria Meirelles para um almoço. Iria sondá-lo sobre a disposição de entrar no PMDB e, eventualmente, concorrer ao Planalto.

6. Depois disso, Temer encontrou-se com Lula. Não mencionou Meirelles. Trataram da resolução das desavenças que envenenam as relações de PT e PMDB nos Estados.

7. Lula comprometeu-se a intervir nas arengas estaduais. Por ora, não interveio. As feridas continuaram abertas.

8. Temer reuniu-se em Brasília com os expontes de seu grupo. Decidiram que era hora de o PMDB levar à mesa as suas fichas.

9. Passaram a cobrar de Lula e do PT a definição da chapa: Dilma na cabeça; Temer na vice. Uma forma de manter unida a tropa nos Estados.

10. Orestes Quércia, que frequenta o pano verde como patrono do tucano José Serra, questionou a pressa.

11. Sentindo o cheiro de queimado, Dilma reuniu-secom Temer. Combinaram de celebrar, até o final de outubro, um pré-acordo.

12. Súbito, num instante em que Dilma dobra os joelhos nas pesquisas, Temer foi à mesa de almoço com Henrique Meirelles.

13. Deu-se nesta quinta (24). Acertaram-se os detalhes da filiação de Meirelles ao PMDB. Coisa a ser oficializada até a próxima terça (29).

14. Pela lei, os candidatos precisam providenciar a filiação partidária até um ano antes da eleição. O prazo expira na sexta, dia 2 de outubro.

15. E quanto ao cargo que irá disputar? Bem, essa decisão só precisa ser tomada no final de março, quando Meirelles terá de deixar a presidência do BC.

16. Até lá, Meirelles pode desfilar no noticiário como candidato a governador, a senador, a vice-presidente ou até como postulante à cadeira de Lula.

17. Ouça-se o que disse ao repórter, na noite passada, um dos mais expressivos integrantes do grupo de Temer:

“O que nos assusta no caso de Dilma é o seguinte: imaginávamos que, desfilando com Lula, era viraria um foguete…”

“…Ela é apresentada como candidata há mais de um ano. Virou mãe do PAC e tudo mais. E não decola…

“Quando isso acontece, todo mundo passa a questionar a capacidade do presidente Lula de transferir votos para sua ministra”.

18. Ouça-se um pouco mais do que foi dito: “Até aqui, embora muitos no partido defendessem a candidatura própria, estávamos travados pela falta de nome…”

“…Com o Meirelles, superamos essa fase. Ele representa, mais até do que a Dilma, o sucesso econômico do governo Lula…”

“…Meirelles será nosso candidato à presidência? O tempo dirá. De antemão, digo que, se isso vier a ocorrer, ninguém vai poder nos chamar de traidores…”

“…O Ciro [Gomes] se apresenta como candidato da base do governo. A Marina [Silva] é candidata de um partido que também integra a base. Por que não o PMDB?”

19. Na quarta-feira (30) da semana que vem, Temer vai integrar a comitiva de Lula na viagem a Copenhaque, na Dinamarca.

Vão assistir à cerimônia de escolha da cidade-sede das Olimpíadas de 2016. A capital carioca figura entre as candidatas.

Uma oportunidade para que Temer esmiúce com Lula o pré-acordo já alinhavado com Dilma. Na volta ao Brasil, o trato desceria ao papel.

20. A Meirelles, que também foi convidado a integrar a caravana de Copenhaque, fica reservado o papel de sombra de Dilma.

O presidente do BC acalenta o sonho presidencial desde 2002. Naquele ano, tentara convencer o PMDB a fazê-lo candidato.

Mas o partido já se havia acertado com a candidatura tucana de José Serra. Meirelles, então, ingressou no PSDB e elegeu-se deputado.

Antes de tomar posse, renunciou ao mandato desfiliou-se do partido. Virou presidente do BC de Lula, que surrara Serra e a vice dele, a pemedebê Rita Camata.

Agora, o deslizamento momentâneo de Dilma faz renascer o velho sonho. É de perguntar: o que pensa Lula acerca da opção Meirelles?

À cúpula do PP, partido com o qual negociava a filiação havia meses, Meirelles disse ter optado pelo PMDB seguindo aconselhamento do próprio Lula.

blog Josias de Souza

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