Eleições 2010: Dilma não quer Zé Dirceu, Serra não quer saber de FHC e Marina não mexe economia da taba


Ela, não quer saber do “cunpaeiro” Ele, quer distância da vestal dos tucanos. A eco candidata já mandou aviso que não mexe nadinha da política econômica.
Nos Estados, de modo geral, todos juram que não haverá continuismo e batem o bumbo.
Traduzindo pro popular: “tira esse bicho daqui”. Ou, um elefante incomoda muita gente, dois elefantes…
O Editor


As primeiras cargas lançadas ao mar

Coincidência ou não, na mesma semana os dois principais candidatos demonstraram a disposição de livrar-se de carga incômoda em suas respectivas campanhas. Não se trata de ingratidão e nem se fala da ação que vinham tendo ou poderiam ter Fernando Henrique Cardoso e José Dirceu na conquista de votos para Dilma Rousseff e José Serra. Muito menos no eventual governo de um dos dois candidatos.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A verdade, porém, é que tanto o ex-presidente da República quanto o antigo chefe da Casa Civil vinham tentando ocupar espaços a eles não franqueados e acabaram recebendo um “chega para lá”.

Dilma Rousseff, num programa de televisão, afirmou “ter muito respeito pelo Zé, que não estará no cerne de seu governo. Sendo militante do PT, terá sempre seu lugar no partido. Não tem conversado com ele”.

Já José Serra, indagado numa emissora de rádio sobre qual o papel do sociólogo em seu governo, disse que ex-presidentes da República estão num patamar especial e não podem ser aproveitados como colaboradores comuns, devendo ser preservados por conta de seu passado.


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Traduzindo, apesar dos naturais elogios: fiquem de fora porque não há lugar para eles, nem agora nem depois. É claro que nem Fernando Henrique nem José Dirceu acusaram o golpe, mas devem ter entendido perfeitamente os comentários. Serra e Dilma não querem oráculos nem corpos estranhos à sua sombra.

Prevalece aquela máxima tão a gosto do falecido Antônio Carlos Magalhães: “não se deve nomear quem não se pode demitir”.

Fica tudo como está

Marina Silva acaba de confirmar nos Estados Unidos aquilo que Dilma Rousseff e José Serra vem dizendo por aqui: não muda nada na política macro-econômica, ou seja, se eleitos manterão as mesmas linhas fundamentais adotadas há quase dezesseis anos, quando Fernando Henrique assumiu o poder.

Nada de reformas de base, sequer mudanças capazes de cercear benefícios ao capital estrangeiro. Facilidades aos investimentos externos, inclusive a especulação, campo aberto para os bancos e suas atividades financeiras, nenhuma taxação extraordinária para a especulação, muito pelo contrário. Sem esquecer a flexibilização de eventuais entraves constitucionais no setor social.

Numa palavra, os três propõem-se a desenvolver o mesmo modelo de FHC e de Lula, ainda que dando ênfase ao assistencialismo. De uma forma ou de outra, três neoliberais…

Cuidado com ele

Em São Paulo, não se deve esperar de Geraldo Alckmin que faça um governo de continuação nem de continuidade da administração José Serra e Alberto Goldmann. O ex-governador tem contas a acertar com o candidato presidencial, especialmente se for derrotado por Dilma Rousseff. Serra no Planalto exigiria uma certa flexibilidade do novo governador, mas fora dele seria apenas uma sombra a reverenciar, jamais a temer ou copiar.

Até agora são evidentes os sinais da vitória de Alckmin, apesar de sua cautela. Está preparado para a eventualidade da vitória de Dilma Rousseff, de quem dependerá para realizar um bom governo. Por isso não ataca o adversário, Aloysio Mercadante, muito menos participa das baixarias que tem marcado a campanha no plano nacional. Há quem jure ter ouvido do candidato frases de censura à performance do candidato a vice na chapa de Serra, Índio da Costa.

Encruzilhada

Se na economia equivalem-se José Serra e Dilma Rousseff, em termos de planos para o futuro, diversas parecem as concepções dos dois candidatos para a política externa. A ex-ministra, se eleita, deverá manter Celso Amorim por pelo menos mais um ano no Itamaraty. Conservará as mesmas diretrizes de independência e não alinhamento automático com os Estados Unidos.

Já o ex-governador de São Paulo tende a refluir nas aventuras terceiro-mundistas do Lula, buscando integração maior com as grandes potências. Os dois nomes mais citados para chanceler, num eventual governo Serra, são os embaixadores já aposentados Rubens Barbosa e Sérgio Amaral.

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa

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