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Egito: entre a ditadura militar e a ditadura islâmica

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Ninguém sabe qual das duas será a pior. Democracia plena, nem pensar?

A situação do Egito é cada vez mais grave e caótica. E não adianta acenar com a possibilidade de uma abertura democrática, porque a tal da primavera árabe não tem nada a ver com desenvolvimento político propriamente dito. Basta dizer que as manifestações agora são convocadas pelos islamitas radical, evidenciando o forte componente religioso desse movimento.

O correspondente da Folha no Cairo, Marcelo Ninio, afirma que a promessa de antecipar a eleição presidencial para o primeiro semestre de 2012 e de realizar um referendo sobre a transferência imediata do poder provisório para os civis não foi suficiente para acalmar as centenas de milhares de manifestantes que ocupam a Praça Tharir, no centro da capital, há cinco dias.

Milhares de pessoas permanecem no local para exigir a saída dos militares do governo, apesar da promessa do marechal Hussein Tantaui de entregar o poder a um presidente eleito em 2012.

Como se sabe, a junta militar assumiu o poder no Egito em 11 de fevereiro, substituindo o presidente Hosni Mubarak, deposto após uma rebelião popular que teve como epicentro a mesma Praça Tahrir, no Cairo.

Sob intensa pressão de protestos nas ruas, o chefe da junta militar egípcia pela primeira fez um pronunciamento à nação, na noite de terça-feira. Deu o ar de sua graça para prometer transferir até julho o poder a um presidente civil e até fazer uma oferta condicional para um fim imediato do regime militar.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Não adiantou nada. Nas últimas semanas, manifestantes, em sua maioria radicais islamitas e jovens ativistas, vêm protestando contra um projeto de Constituição que, segundo eles, permitiria que os militares mantivessem muito poder. Segundo o projeto, os militares e seu orçamento não ficariam sujeitos a uma supervisão civil.

Na sexta-feira, mais de 50 mil egípcios compareceram à praça Tahrir para pressionar a junta militar a apressar a transferência do poder para um governo civil, depois de o gabinete interino apresentar uma proposta constitucional que reafirma o poder das Forças Armadas. A partir daí, a praça ficou permanentemente ocupada, em meio a insistentes boatos de que o Exército iria expulsar pela força os manifestantes.

O Egito era o país árabe mais ocidentalizado. Suas forças armadas são profissionais e muito bem equipadas. A economia está destroçada. O índice de referência da bolsa local vem caindo progressivamente, a libra egípcia registrou sua menor cotação frente ao dólar desde janeiro de 2005 e o turismo sofre uma crise sem precedentes nas últimas décadas.

Nesse quadro, o país corre o risco de um retrocesso político. Pode sofrer um golpe militar pela força das armas ou um golpe político pela força das urnas, que leve os radicais islâmicos ao poder. Quanto à abertura democrática, é apenas um sonho da imprensa ocidental, que romanceou a primavera árabe sem perceber o tenebroso inverno que se aproxima.

Carlos Newton/Tibuna da Imprensa

José Mesquita

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharel em Direito. Pós-graduado em Direito Constitucional. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior. Criador e primeiro curador do Prêmio CDL de Artes Plásticas da Câmara de Dirigentes Lojista de Fortaleza e do Parque das Esculturas em Fortaleza. Foi membro da comissão de seleção e premiação do Salão Norman Rockwell de Desenho e Gravura do Ibeu Art Gallery em Fortaleza, membro da comissão de seleção e premiação do Salão Zé Pinto de Esculturas da Fundação Cultural de Fortaleza, membro da comissão e seleção do Salão de Abril em Fortaleza. É verbete no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas e no Dicionário Oboé de Artes Plásticas do Ceará. Possui obras em coleções particulares e espaços públicos no Brasil e no exterior. É diretor de criação da Creativemida, empresa cearense desenvolvedora de portais para a internet e computação gráfica multimídia. Foi piloto comercial, diretor técnico e instrutor de vôo do Aero Clube do Ceará. É membro da National American Photoshop Professional Association, Usa. É membro honorário da Academia Fortalezense de Letras.

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José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e “designer”.

Bacharel em administração e bacharelando em Direito.

Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.

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