Economia: Paul Krugman e o estímulo do iPhone 5


Se você é louco por eletrônicos, deve saber que quarta-feira foi o dia do iPhone 5, quando a Apple revelou seu mais recente modelo para que as pessoas não precisem nem olhar para aqueles em sua companhia.
por  Paul Krugman ¹

Maravilhas do iPhone 5 à parte, o que me interessa, em lugar disso, são as sugestões de que o seu lançamento pode oferecer significativo estímulo à economia dos EUA pelo próximo trimestre ou dois.

Se você considera essa suposição plausível, tenho algo a dizer: você é keynesiano, e aceitou implicitamente o argumento de que o governo deve gastar mais, e não menos, em um período de depressão econômica.

Uma nota do JP Morgan diz que o novo iPhone pode elevar em 0,25% a 0,5% o crescimento do PIB americano no trimestre final de 2012.

O ponto crucial é que o JP Morgan crê que o iPhone 5 vá estimular a economia simplesmente porque induzirá as pessoas a gastarem mais.

E para acreditar que mais gastos estimularão a economia, é preciso acreditar que a procura, e não a oferta, é o que bloqueia o crescimento.


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Não temos alto desemprego porque os americanos não querem trabalhar. São os empregadores que não estão produzindo o suficiente para justificar contratá-los.

E a solução é encontrar alguma maneira de elevar os gastos gerais.

As empresas dispõem de caixa, mas, em geral, não veem motivos para investir.

E porque não investem, a renda, a demanda e as vendas se perpetuam baixas.

Mas as depressões um dia terminam, mesmo sem políticas governamentais para salvá-las. Por quê? Muito tempo atrás, John Keynes sugeriu que a resposta era “uso, desgaste e obsolescência”.

Mesmo em uma economia deprimida, em dado momento as empresas começam a substituir equipamentos antigos; e, então, a economia se reanima.

Mas por que passar anos de depressão enquanto esperamos a obsolescência chegar? Por que o governo não gasta mais em, digamos, educação e infraestrutura e ajuda no mau momento?

Mas, longe de usar os gastos públicos para dar apoio à economia, nosso sistema político vem agindo para agravar a depressão. Sim, os gastos com auxílio-desemprego e assistência alimentar estão em alta.

Mas o número de pessoas empregadas pelo governo despencou, bem como o investimento público.

Apesar disso, nós nos recuperaremos, um dia. Com o tempo, haverá mais equipamentos necessitados de troca, mais inovações como o iPhone e, em longo prazo, conseguiremos escapar dessa armadilha econômica.

Mas, como apontou Keynes: “No longo prazo estaremos todos mortos”. Ou, em uma de minhas próprias expressões, por que não pôr fim à depressão já?

Tradução de PAULO MIGLIACCI

¹ Paul Krugman é prêmio Nobel de Economia (2008), colunista do jornal “The New York Times” e professor na Universidade Princeton (EUA). Um dos mais renomados economistas da atualidade, é autor ou editor de 20 livros e tem mais de 200 artigos científicos publicados. Escreve às segundas, no site da Folha, e aos sábados, na versão impressa de “Mundo”.

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