Demóstenes Torres, Stuart Mill a Bolha cheia e bola murcha


 

Até o mais crédulo e/ou ingênuo Tupiniquim sabe que tem boi na linha da economia.

Em nenhum lugar do mundo um imóvel que há três anos custava R$200Mil passa a valer R$500Mil, da noite pro dia.

O mais neófito economista sabe que o Banco Central tem que restringir o crédito, pois caso contrário a inadimplência será cavalar. Poupa-se a 0,5% e se toma empréstimo a 12,5%.
A conta não fechará! Simples assim!

A mídia divulga dados de institutos e consultorias econômicas que detectam a maior inadimplência dos últimos nove anos.


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Conheço galpões lotados de veículos retomados pelas financeiras por atraso de pagamento das prestações. No entanto, montadoras e revendas comemoram euforicamente o diário batimento de recordes de produção e venda.

É oportuno lembrar aos “çábios” do governo que já nos idos de 1848 por John Stuart Mill ¹ no seu livro “Princípios de Economia Política” descreve – premonição? – as fases de uma bolha especulativa. Mill chama a atenção para o fato de que esses “fenômenos” estarão notadamente mais associados ao comportamento humano do que aos fundamentos macro econômicos o que inevitavelmente geraria ciclos especulativos.
Bingo! 

O Editor

¹ John Stuart Mill (Londres, Inglaterra – 20 de Maio de 1806 d.C — Avinhão, Inglaterra – 8 de Maio de 1873 d.C) foi um filósofo e economista inglês, e um dos pensadores liberais mais influentes do século XIX. Foi um defensor do utilitarismo, a teoria ética proposta inicialmente por seu padrinho Jeremy Bentham.

 


Especialistas internacionais alertam que o Brasil pode estar prestes a sofrer com uma bolha econômica, mas o governo prefere ignorar ou atribuir a agouro da oposição. Os pensadores das ações federais preferem o oba ao epa.

O grande reclama da precariedade da infraestrutura, o pequeno chia com a burocracia e todos veem seus tributos se esvaindo no populismo cuja porta de saída é em frente ao portão de entrada do comitê dos companheiros.

Para dar ideia de que as pessoas estão ficando ricas, a interjeição foi em seu bolso. Em vez de incentivá-las a investir os trocados na produção de alguma coisa, as impeliu a pegar dinheiro em banco, que colhe para a poupança a 0,5% e empresta a 11% – ao mês.

A concessão abundante de crédito é a fagulha necessária para acender o cenário explosivo. Um dos principais dados da equação é o superaquecimento da economia. O respeitado jornal britânico Financial Times dedicou três reportagens ao tema nos últimos meses.

A alta das commodities exportadas mantém a balança comercial em ordem e o consumismo vem estimulando as vendas internas, com acesso (financiado) a produtos de primeira linha. A onda de euforia atingiu os investidores, que vieram em peso atraídos pelos altos juros.

O quadro otimista se esmaece com a informação de que o crédito representa mais de 45% da nossa economia. A enxurrada de dólares de fora elevou a taxa de câmbio, transformando o Real na moeda mais sobrevalorizada do mundo, segundo analistas ouvidos pela imprensa.

Aliado a isso, a grande quantidade de dinheiro nas ruas impulsiona os preços – no mercado imobiliário, eles praticamente dobraram desde 2008. O propagado “Minha Casa, Minha Vida” dá o teto, mas tira parte do chão: a especulação leva os R$ 21 mil que o governo entrega aos adquirentes, que ainda terão de pagar o dobro pela residência.

Apesar dos programas que tentam transformar cada carente em cabo eleitoral do governo, o número de necessitados não para de crescer – se os projetos fossem eficientes, estaria diminuindo.

A presidente Dilma Rousseff mudou na ponta do lápis os critérios para os considerados miseráveis, aumentando para as estatísticas o valor da renda familiar e virtualmente retirando milhares de brasileiros da categoria.

Remendou a bolha, mas o ar insiste em inflá-la.

A legislação antiquada, a quantidade de impostos e a falta de preparo da mão-de-obra prejudicam todo tamanho de iniciativa. Vários outros países emergentes passam por processo parecido, só que neles as autoridades estão preocupadas em expandir o potencial econômico.

A China cresceu 10,3% em 2010, destinando 12% dos recursos a infraestrutura, enquanto no mesmo período crescemos 7,5% e aplicamos apenas 1,5% na área.

Desperdiçamos oportunidades de incrementar a rede de transporte por meio de eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos para financiar a companheirada em obras nada prioritárias e por meio de manobras como o RDC, Regime Diferenciado de Corrupção.

Ainda há tempo de implodir a bolha. A melhor alternativa é adotar medidas necessárias – moralizar o crédito, desinchar a máquina, reduzir tributos, impedir a roubalheira.

Para isso, é preciso realizar as reformas profundas sempre adiadas para o próximo mandato. É dever da presidente Dilma deixar de administrar para as pesquisas de popularidade e passar a trabalhar para o futuro do País.

A história mostra que quando governos irresponsáveis não fazem o dever de casa a reforma é feita naturalmente pelo mercado – e sempre da maneira mais dura para a população.

Demóstenes Torres é procurador de Justiça e senador (DEM/GO)/blog do Noblat

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