CPI do Cachoeira: o surrealismo do silêncio


A CPI do Cachoeira têm de tudo. Menos a intenção de apurar alguma coisa.

Não existem opositores na política. Somente cúmplices.

Não é por menos que a própria oposição relutou em assinar o requerimento da instalação do cahoeirento “imbroiglio”.
José Mesquita – Editor 


A surrealista CPI do Cachoeira, que andava devagar, quase parando, deu agora para inventar os depoimentos silenciosos.

Só depois de um acordo entre governistas e oposicionistas na CPI, garantindo o direito de permanecerem calados, foram convocados Fernando Cavendish, dono da Delta, Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Dnit, órgão do Ministério dos Transportes, e Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-diretor da Dersa, empresa do governo paulista que cuida de obras rodoviárias.

No caso de Cavendish, acusado de ter ligações com o esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira, foi ainda mais constrangedor: seu nome só entrou na lista de convocados depois de ele próprio garantir que vai permanecer calado.

Para que servem, então estes depoimentos? O único dos três que pode romper o pacto de silêncio é Pagot, que ameaça se tornar um homem-bomba, com acusações ao PT e ao PSDB, desde que foi defenestrado do Ministério dos Transportes na “faxina” do ano passado, acusado de irregularidades diversas na direção do Dnit.


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[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]O silêncio de Fernando Cavendish interessa tanto ao governo federal, já que a sua empreiteira recebeu a maior fatia das obras do PAC, como aos governos de São Paulo, do PSDB, e Rio de Janeiro, do PMDB, onde a Delta foi responsável por grandes contratos e recebeu verbas gordas.

O grande incômodo para os tucanos e a imprensa aliada é a convocação de Paulo Preto, um arrecadador de fundos para as campanhas do PSDB, acusado por membros do próprio partido de sumir com R$ 4 milhões destinados à campanha presidencial de José Serra, em 2010.

O assunto foi levantado pela então candidata Dilma Rousseff num dos debates com Serra durante a campanha presidencial, mas depois sumiu do noticiário.

Trata-se de um tema tão delicado que o Jornal Nacional, da TV Globo, teve que se desmentir ao final da edição, depois de ter relacionado Paulo Preto a José Serra na matéria sobre os convocados pela CPI.

No jornal impresso do mesmo grupo, o nome dele só aparece no sexto parágrafo e não foi incluído na manchete da página.

Já a Folha, cheia de dedos, só se refere à convocação do arrecadador tucano no sétimo parágrafo da matéria, sem explicar o motivo: “A CPI, controlada pelo PT, também decidiu investigar os contratos da Delta com o governo de São Paulo — daí a convocação de Paulo Preto, que trabalhou no governo do agora candidato José Serra”. Nada escreve sobre a participação dele na campanha de 2010.

Como o Congresso Nacional vai entrar em recesso na próxima semana, os depoimentos de Cavendish, Pagot e Paulo Preto só deverão ser marcados para o mês de agosto, bem no auge da campanha eleitoral e do julgamento do processo do mensalão.

Entre várias outras testemunhas convocadas junto com os três, está o prefeito de Palmas(TO), Raul Filho, expulso do PT em abril do ano passado, fato ignorado pela grande mídia, que foi flagrado num vídeo ao fazer acertos com Carlinhos Cachoeira durante a sua primeira campanha, em 2004.

Com estes depoimentos, embora silenciosos, a CPI quer mostrar que não morreu. Conseguirá?
blog Balaio do Kotscho

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