Charles Baudelaire – Poesia

Ave antes tão bela, que ridícula e feia!

Boa noite
Albatroz
Charles Baudelaire

Há marujos que, por desfastio frequente,
Caçam albatrozes, grandes aves do mar
Seguindo, companheiros da rota indolente,
O navio sobre o abismo a navegar.
Canhestros e embaraçados, esses reis
Do alto azul, mal os põem nos sobrados,
Deixam as asas, qual lasso bote a remos,
Arrastar-se, brancas e imensas nos lados.
O viageiro aéreo, agora mole, tísico,
Ave antes tão bela, que ridícula e feia!
Há quem, com o cachimbo, lhe arranhe o bico,
Há quem lhe imite o voo enfermo que coxeia.
O poeta é igual ao príncipe que afronta
As nuvens e a tormenta, e se ri da caçada;
Exilado no solo entre a arruaça tonta,
As asas de gigante impedem-lhe a passada.

Pintura de Christian Schloe

 

 

 

 

José Mesquita

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e designer gráfico e digital.

José Mesquita

Pintor, escultor, gravador e “designer”.

Bacharel em administração e bacharelando em Direito.

Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.

Mais artigos

Siga-me