Cinco perguntas sobre o mercado bilionário por trás de função de pagamentos do WhatsApp

Popularidade do WhatsApp no Brasil e dificuldades com mercado da Índia levaram empresa a lançar serviço por aqui.

Direito de imagemDIVULGAÇÃO

Desde segunda-feira (15/6), quando foi anunciado o lançamento de uma plataforma própria de pagamentos dentro do WhatsApp, o assunto tem gerado repercussão nas redes, com muitas pessoas comemorando e outras levantando questionamentos.

O aplicativo de conversas começou a implementar um sistema que permitirá transferências para outras pessoas e pagamentos no cartão de crédito e débito dentro do aplicativo. Atualmente, só algumas contas tem acesso ao serviço, que será disponibilizado gradualmente a todos os usuários, diz a empresa.

“Ao simplificar o processo de pagamento, esperamos ajudar a trazer mais empresas para a economia digital e gerar mais oportunidades de crescimento”, anunciou a empresa. Ainda não há previsão de quando o serviço estará disponível para todos.

A nova função é um investimento do Facebook — a empresa dona do WhatsApp — no mercado de pagamentos em cartão de crédito que movimentou R$ 297 bilhões no Brasil só nos três primeiros meses de 2020, segundo a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços).

Entenda em cinco perguntas o que está por trás desse lançamento e como o novo serviço do WhatsApp vai funcionar.

Porque o Brasil é o primeiro país em que o WhatsApp vai implementar o serviço?
Antes de anunciar o serviço no Brasil, o WhatsApp vinha testando pagamento na Índia — onde tem mais de 400 milhões de usuários — há meses. Dificuldades com o sistema de regulação no país asiático, no entanto, geraram atrasos no lançamento do serviço para um público mais amplo.

O anúncio, na segunda-feira, de que o sistema seria inaugurado no Brasil, gerou surpresa no setor. A empresa diz que a motivação é que “o WhatsApp é muito usado no Brasil, tanto por pessoas quanto por pequenas empresas” e que a intenção é expandir para outros países depois.

“Acreditamos que os pagamentos digitais podem apoiar o desenvolvimento econômico no Brasil, estimulando a inovação e facilitando a transferência de dinheiro entre pessoas em todo o país”, diz a empresa, em nota.

“Sabemos que os usuários locais amam o WhatsApp e entendemos que o fornecimento desse recurso pode ajudar a acelerar a conscientização e a adoção de pagamentos digitais.”

A empresa cita também os mais de 10 milhões de pequenos negócios existentes no país, uma área na qual vem investindo há algum tempo, com o lançamento do WhatsApp Business (conta exclusiva para empresas), por exemplo. Pela conta comercial, os usuários podiam mostrar seus produtos e falar com clientes, mas não podiam receber pagamentos.

“Os pagamentos por meio do WhatsApp facilitam as operações em tempos difíceis como esses, além de ajudar no crescimento e na recuperação financeira dessas empresas”, diz o WhatsApp.

WhatsApp tem mais de 120 milhões de usuários brasileiros
Direito de imagem GETTY IMAGES

Qual o tamanho do mercado (em valores ou número de transferências) que o WhatsApp pretende atingir com o serviço?
O WhatsApp não divulga o tamanho da fatia que espera conquistar no mercado de transações online no Brasil. Mas o potencial é grande: atualmente a plataforma de conversas tem mais de 2 bilhões de usuários no mundo, mais de 120 milhões deles no Brasil.

No ano passado, o WhatsApp foi o aplicativo de celular mais usado no país, segundo a empresa de monitoramento App Annie.

Além disso, o potencial dentro das transações realizadas através de cartões de crédito também é enorme: os cartões de crédito movimentaram quase R$ 1,16 trilhões em 2019, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Isso é equivalente a mais de 15% do PIB (Produto Interno Bruto) do ano.

Esse número de transações inclui tanto os pagamentos por maquininhas presencialmente quanto os feitos online, através dos meios de pagamento conhecidos como “gateways”, como o PayPal, o PagSeguro e MercadoPago.

Com parceria da Cielo, o WhatsApp será mais um desse gateways, mas, de acordo com o que foi divulgado até agora, funcionará apenas dentro do próprio aplicativo — sem possibilidade de incorporá-lo a outros sites.

O uso do serviço para vendas tem aumentado na pandemia. Segundo o Google Trends, a busca conjunta por “WhatsApp” e “Vendas” cresceu 25% entre abril e junho de 2020 em comparação com o primeiro trimestre.

O pagamento por WhatsApp não pode facilitar golpes e fraudes pelo aplicativo? Meus dados estarão protegidos?
A preocupação com a proteção de dados é central em um serviço como esse, explica o advogado Guilherme Dantas, especialista em finanças do escritório SiqueiraCastro. “E os órgãos reguladores estão de olho nisso”, afirma.

A Cielo, que faz parceria com o WhatsApp no novo sistema de pagamento, foi notificada nesta semana pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão do Ministério da Justiça e Segurança Pública, para dar explicações sobre uma suposta coleta de “amplo conjunto de dados de vendedores cadastrados em suas plataformas”.

A empresa afirma que a acusação não tem qualquer fundamento.

Direito de imagem GETTY IMAGES

Sistema de pagamentos do WhatsApp será implementado gradualmente
O Facebook, que é dono do WhatsApp, também já esteve na mira das autoridades por vazamento de dados de usuários, mas mudou seus protocolos e diz ter resolvido o problema depois do escândalo envolvendo a empresa Cambridge Analytica, que usou informações de mais de 50 milhões de pessoas, sem o consentimento delas, em serviços de propaganda política.

Desde então, o CEO do Facebook, Mark Zuckenberg, pediu desculpas pelo caso e fez alterações e reformas para corrigir “os erros”, que, segundo a empresa, permitiram o uso indevido dos dados. O Facebook também implementou o Regulamento Geral de Proteção de Dados da União Europeia em todos os locais do mundo onde opera.

Quanto à possíveis fraudes e golpes, o WhatsApp diz que seus pagamentos “foram criados priorizando os recursos de segurança.”

A empresa também recomenda que todos os usuários no Brasil ativem a autenticação de duas etapas, para segurança adicional da conta. “E lembramos que as pessoas nunca compartilhem sua senha com outras pessoas”, diz a empresa, em nota, lembrando também que todo pagamento vai exigir senha ou impressão digital.

O WhatsApp diz também que não recebe, transfere ou armazena fundos durante o processamento da transação. “Se um usuário tiver um problema, o banco terá um registro da transferência e poderá fornecer assistência às vítimas de fraude. Também será identificado no extrato bancário como “FBPAY WA” e incluirá o destinatário”, explica.

“É importante reforçar que todas as transferências são registradas pelos bancos parceiros, para que haja um registro de todas as transações. Além disso, estabelecemos limites para a quantia que pode ser transferida por transação, por dia e por mês”, diz a empresa.

Casa haja crimes, como golpes, ocorrendo dentro da plataforma, diz a companhia, o WhatsApp “responde a solicitações legais válidas da aplicação da lei em situações em que há investigação para esses crimes”.

O serviço é regulado pelo Banco Central? Como funciona a regulação?
O advogado Guilherme Dantas explica que já existe previsão na legislação para esse tipo de serviço — ele está regulado pela Lei 12.865/2013, que trata de métodos eletrônicos de pagamentos.

O pagamento no WhatsApp será feito com cartões de débito ou crédito das bandeiras já existentes, como Visa e Mastercard.

“Na prática, vai ser mais uma forma de pagamento online como as que já existem, como PicPay”, explica Dantas.

“Então foi uma surpresa o anúncio, o impacto da notícia foi grande, mas eles não estão exatamente inventando a roda, é mais um agente em um mercado em expansão”, diz.

Foi uma surpresa positiva, na visão de Dantas, porque aumenta a concorrência no mercado, o que é positivo para o consumidor.

“E não é só no pagamento online que cria concorrência, cria concorrência com bancos, que estão por trás dos meios de pagamento tradicional”, explica.

Direito de imagem REUTERS

Os cartões de crédito movimentaram quase R$ 1,16 trilhões em 2019 no Brasil.
Na segunda, o Banco Central, que regula o sistema financeiro, emitiu uma nota dizendo que cogitava integrar o serviço do WhastApp ao Pix — um programa de transferências instantâneas que está sendo criado pelo próprio BC — mas que, por enquanto, vigiará o seu desenvolvimento.

A preocupação do BC, explica Dantas, é com o fato de que a iniciativa do WhatsApp ser fechada, apenas para transações dentro do aplicativo.

Outra preocupação do BC, segundo Dantas, é a de que “o WhatsApp esteja dando preferência para um agente no mercado, que é a Cielo“.

Mas, segundo ele, outros agentes podem procurar fazer parte da iniciativa e, se o WhatsApp barrar, tanto o BC quanto o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) podem ser procurados para garantir o acesso.

A Justiça vai aceitar doações eleitorais por esse meio?
Sendo o aplicativo mais popular no Brasil, o WhatsApp foi muito usado durante as eleições — tanto em campanhas legítimas quanto na disseminação de fake news.

Esse cenário fez com que muitas pessoas levantassem o questionamento de como a nova função de pagamentos poderia ser utilizada em um contexto eleitoral.

A princípio, pela forma como foi anunciado, o Whatsapp Pay não poderá ser utilizado para doações eleitorais, explica Michel Bertoni, advogado especializado em direito eleitoral e membro da Comissão de Direito Eleitoral da OAB/SP.

Há duas formas de campanhas eleitorais receberem doações por débito e crédito permitidas pela Justiça: através do site da campanha e em sites de financiamento coletivo (crowdfunding), explica Bertoni.

De acordo com as normas de financiamento de campanha, em ambos os casos, é preciso que o pagamento seja feito no próprio site, através de meios de pagamento (gateways) que possam ser incorporados ao site — alguns métodos de pagamento online permitem essa função, como o PayPal e a PagSeguro, por exemplo. No caso do crowdfunding, também é possível pagar em aplicativos cadastrados na Justiça Eleitoral.

Mas — pelo menos de acordo com o que o WhatsApp divulgou até agora — o pagamento pelo aplicativo será de conta para conta, ou seja, sem possibilidade de incorporar o pagamento em um terceiro local.

Além disso, explica Bertoni, há uma série de outras regras que precisam ser cumpridas, como a possibilidade de emissão de recibo com identificação do CPF e nome do doador.

“Dentro daquilo que o WhatsApp se propõe a fazer hoje, não seria possível a doação para campanha via WhatsApp”, explica o advogado. “Se tivesse interesse, a plataforma teria que dar um jeito de criar uma solução técnica, como um plug-in, que pudesse ser incorporado aos sites ou aplicativos das empresas de crowdfunding”

Ou seja: nas configurações anunciadas, qualquer doação feita para campanhas eleitorais através de Whatsapp será ilegal — e pode até configurar caixa-dois.

No entanto será possível que campanhas façam pagamentos por WhatsApp, se feitos com o cartão de crédito e débito e CNPJ da campanha e devidamente declarados à Justiça Eleitoral.

Filipe Martins e a rede de mentiras agonizam: um tuiteiro nocauteou a grana de sites de fake news

Uma reportagem do El País revelou como um perfil no Twitter virou a grande pedra no sapato da extrema direita americana. Com o nome de Sleeping Giants, o perfil criado em 2016 expôs ao escracho público as marcas que anunciavam em sites de fake news.

Filipi Martins e Steve Bannon – Reprodução: Twitter/Filipe G. Martins

O perfil informava ao público os nomes das empresas e compartilhava as capturas de tela dos anúncios nas suas redes oficiais. A tática foi um sucesso, e as empresas se viram obrigadas a anunciar publicamente o bloqueio dos anúncios.

O Breitbart News é um site de extrema direita famoso por inventar histórias contra adversários de Trump. Durante a eleição presidencial, o site publicou a história de que a então candidata Hillary Clinton comandava uma rede de pedofilia e promovia orgias sexuais com crianças no porão de uma pizzaria. Após a ação do Sleeping Giants, o site viu ir embora mais de 4,5 mil anunciantes — um golpe que significou uma perda de mais de 8 milhões de euros. Steve Bannon, o guru da extrema direita internacional, era o proprietário do site e, à época, chamou o Sleeping Giants de “a pior coisa que há”. Como se sabe, Bannon é o homem por trás da engenharia de desinformação dos extremistas de direita no mundo inteiro. As mentiras que ajudaram a eleger Trump foram uma inspiração para o surgimento das mamadeiras de piroca que ajudaram a eleger Bolsonaro.

Um estudante que desenvolve pesquisas sobre fake news leu essa reportagem do El País e decidiu criar a versão brasileira do Sleeping Giants. Em apenas quatro dias, o perfil ultrapassou a marca de 200 mil seguidores e virou um movimento coletivo contra a propagação de mentiras. Para se ter uma ideia do sucesso brasileiro, o perfil americano juntou 270 mil seguidores em quatro anos. As marcas passaram a ser cobradas e quase todas empresas anunciaram o fim dos anúncios em sites que disseminam mentiras. O sucesso da tática enfureceu as hostes bolsonaristas, que imediatamente partiram para o contra-ataque.

Um dos que lideraram a manada foi Filipe Martins, esse projeto sorocabano de Steve Bannon. Ele é o bolsonarista mais próximo do americano e foi o responsável por aplicar o seu know-how de mentiras no Brasil. O jovem de 31 anos é, junto de Carlos Bolsonaro, um dos arquitetos por trás do “gabinete do ódio”, conhecido oficialmente como Assessoria Especial da Presidência. Nomeado por indicação de Olavo de Carvalho, Martins também é o responsável por fazer o meio de campo entre o governo e as milícias virtuais bolsonaristas: youtubers, blogueiros e sites de notícias falsas. É ele quem organiza o ódio bolsonarista e municia a militância com conteúdo.

O assessor especial provocou o criador do Sleeping Giants americano, Matt Rivitz, que causou aquele prejuízo milionário ao seu guru americano. É que no fantástico mundo olavista de Martins parece óbvio que há “forças globalistas” por trás da versão brasileira. O aprendiz de Steve Bannon chamou de “censura” e “prática totalitária” uma ação feita por livre iniciativa das pessoas que protestaram e das empresas privadas que optaram por retirar os anúncios. Onde está a turma do ultraliberalismo sem freio nessas horas? Cadê seu deus livre mercado agora?

O Sleeping Giants brasileiro começou focando nos anunciantes do site Jornal da Cidade Online, que já foi alvo de processos por publicação de mentiras e está sendo investigado pela CPMI das Fake News. O relatório da comissão afirma que há “indícios da prática de condutas ilegais de José Pinheiro Tolentino Filho por meio de seu projeto de comunicação Jornal da Cidade Online”. O site já teve que pagar 150 mil em indenização para o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, pela publicação de uma mentira sobre ele. Não é uma coincidência o fato dessa mentira ter sido publicada justamente na época em que Santa Cruz protagonizou um bate-boca público com Bolsonaro.

Assim como a maioria de sites e blogs ligados ao bolsonarismo, o Jornal da Cidade Online consegue faturar com anúncios através do Adsense, um serviço da Google que os distribui automaticamente para sites assinantes. Nesse formato, as empresas não escolhem para quais sites irão seus anúncios. É o algoritmo do Google que os distribui nos sites. Ao serem expostas como patrocinadoras de sites que publicam mentiras, as grandes marcas imediatamente se posicionaram.

Sleeping Giants Brasil
Oii @DellnoBrasil, tudo bem? Realmente seus notebooks são incríveis, só não acho legal divulga-los em site famoso por espalhar Fake News e atacar constantemente a democracia. Pls considere bloquear✊🏽#SleepingGiantsBrasil@DellnoBrasil
Assim que recebemos essa informação, solicitamos a retirada dos anúncios automáticos. Repudiamos qualquer disseminação de notícias falsas.

Oii @ClaroBrasil, tudo bem? Realmente é muito mega hein mas não acho legal encontrar esse anúncio em uma postagem que chama o @felipeneto de “imbecil,lixo, ícone da canalhice e verme”. Por isso pedimos: PLS BLOQUEIE!✊🏽 #SleepingGiantsBrasil

@ClaroBrasil
Olá! Nós não compactuamos com a disseminação de notícias falsas, temos o compromisso ético com a transparência da informação. Por isso, todos os nossos anúncios automáticos estão passando por monitoramento, em conjunto com as plataformas parceiras, que distribuem tais conteúdos.

Oii @iFood, tudo bem? Realmente o app quebra um galho na hora de pedir um @McDonalds_BR quando bate aquela fominha, mas acreditamos que eles não gostariam de saber que seu lanche está ajudando a financiar um site divulgador de Fake News! ✊🏽 #SleepingGiantsBrasil

@McDonalds_BR
Nosso time já retirou do ar nossa mídia vinculada a esse site e a qualquer outro que compactue com notícias falsas. Obrigado!

@fastshop @fastshop_sac vocês também tem anuncio lá, vamos tomar providências?

@fastshop
Informamos que não temos vínculos com nenhum portal jornalístico. Estamos analisando os anúncios com nosso nome e removendo das plataformas que anunciam de forma automática através de sites de busca. Repudiamos qualquer disseminação de notícias falsas. Agradecemos por nos avisar.

Philips BrasilSegundo levantamento do UOL, o Jornal da Cidade Online contava com 903 anunciantes. Durante pouco mais de um ano, todas essas empresas fizeram juntas 1.987 anúncios diferentes no site. O maior anunciante foi o Banco do Brasil que, ao ser confrontado no Twitter, também informou que retiraria os anúncios:

Oii @BancodoBrasil, tudo bem? Realmente é bom ter a facilidade de usar um app em tempo de pandemia, mas não precisava anuncia-lo em um site conhecido por espalhar Fake News e que é contra o isolamento social. Pls considere bloquear!✊🏽#SleepingGiantsBrasil

@BancodoBrasil
Agradecemos o envio da informação, comunicamos que os anúncios de comunicação automática foram retirados e o referido site bloqueado.
Repudiamos qualquer disseminação de FakeNews.

Foi aí que o gabinete do ódio pegou fogo. Filipe Martins e Carlos Bolsonaro acionaram a rede virtual bolsonarista, que reagiu em peso junto com políticos e outros expoentes da extrema direita. A deputada bolsonarista Carla Zambelli, doPSL paulista, e o chefe da Secom, Fábio Wajngarten, também foram escalados para repudiar o episódio. Wajngarten, que cuida das verbas publicitárias do governo, disse que o governo irá “contornar a situação”e garantir a “defesa da liberdade de expressão”. Afirmou ainda ter certeza que o Jornal Cidade Online “faz um trabalho seríssimo”.

Para os padrões de seriedade de Wjangarten, que é investigado pelos crimes de corrupção, peculato e advocacia administrativa, a análise faz sentido. O Jornal da Cidade Online é um veículo tão sério que alguns de seus repórteres e colunistas não existem. O site publicava textos assinados por repórteres com identidades falsas para poder atacar ministros do STF e adversários políticos de Bolsonaro. O site também está sendo processado por atacar desembargadores do Rio de Janeiro e o ministro Gilmar Mendes com ofensas e mentiras usando esses perfis falsos.

Leandro Ruschel
@leandroruschel
Caro @jairbolsonaro e @secomvc , há um banco estatal discriminando site jornalístico, com inclinação conservadora, seguindo mera denúncia sem provas de perfil anônimo, aparentemente ligado à esquerda. É preciso rever essa decisão. https://twitter.com/BancodoBrasil/status/1263126286484082691 … Banco do Brasil
@BancodoBrasil
Respondendo a @slpng_giants_pt
Agradecemos o envio da informação, comunicamos que os anúncios de comunicação automática foram retirados e o referido site bloqueado.
Repudiamos qualquer disseminação de FakeNews.

Logo após o resmungo de Carluxo no Twitter, o Banco do Brasil, cujo gerente executivo de Marketing e Comunicação é filho do vice-presidente da República, voltou atrás da decisão e manteve os anúncios no site de fake news. Ou seja, um vereador carioca, lotado não oficialmente no gabinete do ódio, interferiu na política de anúncios de uma estatal. O filho do presidente da República conseguiu manter as verbas públicas que irrigam um site que defende o bolsonarismo espalhando fake news. É o dinheiro do povo brasileiro sendo usado para financiar a rede de mentiras que sustenta o governo.

Parece que finalmente estamos tomando um bom caminho para combater a máquina de propaganda fascistoide do bolsonarismo. A tática de constranger marcas que apoiam iniciativas se mostrou importante e eficaz, mas o Google, que gerencia a maior partes dos anúncios na internet, também deve ser cobrado. É ela quem controla o algoritmo que ajuda a financiar esses sites. Em novembro do ano passado, o Intercept revelou como o Google ofereceu treinamentos grátis para ensinar blogueiros bolsonaristas e antipetistas a faturarem com Adsense. Muitos desses blogueiros eram notórios criadores de fake news. Não adianta a empresa lavar as mãos.

O criador do Sleeping Giants brasileiro pretende se manter no anonimato porque viu o criador da tática sofrendo sérias ameaças de morte nos EUA. Mexer com a extrema direita é sempre perigoso. E, quando seu núcleo central mantém ligações políticas e financeiras com as milícias, todo cuidado é pouco.

Os scammers¹ da Dark Web exploram o medo e a dúvida do Covid-19

Os golpistas e criminosos que habitam a “dark web” que encontraram um novo ângulo – a ansiedade em relação ao Covid-19.

Direitos autorais da imagem – GettyImages

“Eles estão explorando o medo, a incerteza e a dúvida que as pessoas experimentam durante a pandemia, e usando a ansiedade e o desespero para levar as pessoas a comprar coisas ou clicar em coisas que não teriam de outra forma”, diz Morgan Wright, ex-consultor sênior ao programa de assistência antiterrorismo do Departamento de Estado dos EUA.

¹Scammers (ou fraudadores, em tradução livre) são perfis maliciosos usados para realizar golpes na Internet.

Wright, que atualmente é consultor chefe de segurança da empresa SentinelOne, costumava ensinar analistas comportamentais da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) sobre a exploração do comportamento humano.

Ele agora vê algumas dessas técnicas sendo usadas na dark web, uma parte criptografada da internet que pode ser acessada usando redes populares como o Tor.

O navegador Tor é focado na privacidade, o que significa que pode obscurecer quem o está usando e quais dados estão sendo acessados. Ele oferece a maus atores uma maneira de operar com um certo grau de impunidade, já que as forças da lei acham muito mais difícil rastrear criminosos que o usam.Wright costumava ensinar analistas comportamentais na Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA)

Desde o início da pandemia global, os mercados na dark web têm visto um aumento nos produtos e serviços relacionados ao Covid-19. Máscaras N95, vestidos, luvas e a droga cloroquina foram todos listados nesses mercados. No mês passado, a empresa de software de segurança IntSights descobriu que sangue supostamente pertencente a pacientes com coronavírus recuperados estava sendo oferecido para venda.

Os criminosos esperam que um maior sentimento de medo faça as pessoas se apressarem em comprar esses produtos e, como resultado, esses itens não são baratos; um relatório do Instituto Australiano de Criminologia descobriu que a vacina falsa média estava sendo vendida por cerca de US $ 370 (£ 300), enquanto uma supostamente originária da China estava vendendo entre US $ 10-15.000 (£ 8-12.000).

Uma das razões para o aumento dessas vendas pode ser o fato de muitos fraudadores terem que abandonar seus métodos normais de ganhar dinheiro na dark web – como a venda de voos falsos reservados usando aeronaves roubadas – porque essas indústrias estão atualmente inativas.

Muitos criminosos também vêem uma oportunidade – como a maioria das pessoas está trabalhando em casa, há uma chance maior de segurança cibernética negligente.

“De repente, houve uma grande mudança [na dark web] de falar sobre vulnerabilidades em software de colaboração quando eles perceberam que as pessoas estavam trabalhando em casa”, diz Etay Maor, diretor de segurança da IntSights.

Os golpes de phishing também estão aumentando. É aqui que os fraudadores fingem ser uma organização ou pessoa diferente por e-mail, esperando que a pessoa forneça alguns detalhes de login ou dados pessoais, que podem ser usados ​​para roubar dinheiro ou identidade de alguém.

“Os ataques de phishing começaram com aqueles que fingiam ser do NHS e depois se estenderam a organizações secundárias relacionadas ao Covid-19, como bancos ou HMRC, enviando e-mails sobre financiamento, subsídios ou concessão de licenças”, diz Javvad Malik, advogado de segurança da empresa de treinamento KnowBe4.

“Agora, existem modelos de phishing relacionados ao Covid-19 entrando em todos os kits de phishing disponíveis na dark web – o que significa que as pessoas podem imitar a Apple ou o LinkedIn com um conjunto de modelos padrão”, acrescenta ele.

Além disso, muitos serviços e produtos, incluindo kits de phishing, estão sendo oferecidos com desconto nas “vendas de coronavírus”.

“Há pessoas especializadas em páginas de phishing, VPNs obscuras ou serviços de spam por vários anos, que agora oferecem descontos porque acreditam que é a melhor hora para ganhar dinheiro e espalhar esses kits”, diz Liv Rowley, inteligência de ameaças. analista da Blueliv, empresa de segurança de computadores e redes.O analista de inteligência Liv Rowley monitora golpistas da dark web – Direito de imagem BLUELIV

A dark web foi projetada pelo Laboratório de Pesquisa Naval dos EUA, com a idéia de permitir que ativistas de direitos humanos e pessoas do exército conversem e colaborem de maneira anônima e segura.

Embora a introdução do bitcoin tenha permitido aos criminosos ganhar dinheiro na dark web, ainda existe um grande número de usuários que optam por usá-lo para seu objetivo inicial – falando anonimamente em outros fóruns.

Segundo Malik, esses fóruns costumam ser usados ​​para alimentar teorias da conspiração em torno do vírus.

“Conspirações sobre o 5G ser o veículo desse vírus, ou armamento biológico ou que Bill Gates é o homem por trás dele tendem a surgir na dark web”, diz ele.

À medida que as empresas de mídia social e outros meios de comunicação reprimem as informações erradas, muitas outras podem ser empurradas para a dark web. Esses fóruns costumam atuar como uma porta de entrada para os mercados, para que as pessoas conectem seus produtos ou serviços a um público-alvo. Essa pode ser uma maneira dos fraudadores ganharem mais dinheiro nos próximos meses.Teorias da conspiração florescem na dark web, diz Javvad Malik
Direitos de imagem jAVVAD MALIK

O outro lado disso é que muitos jornalistas, ativistas e cidadãos podem estar usando a dark web para se comunicar em países onde há muita censura. As versões Tor de muitos meios de comunicação, incluindo a BBC e o New York Times, podem ser usadas se os sites originais forem bloqueados por governos ou estados, por exemplo.

O Netblocks, um grupo de defesa dos direitos digitais, diz que muitos países cortaram o acesso à Web de maneiras diferentes, pois procuram controlar o fluxo de informações sobre o surto de coronavírus.

Dois grupos de ransomware disseram que não atacariam nenhum hospital ou organização de saúde durante a pandemia, mas, como destacou o secretário de Relações Exteriores Dominic Raab em uma recente coletiva de imprensa, há evidências de que as quadrilhas criminosas têm como alvo ativo organizações nacionais e internacionais que estão respondendo à pandemia. – incluindo hospitais.

“Essas organizações são direcionadas devido à vulnerabilidade delas no momento e à probabilidade de pagamento de um resgate”, diz Charity Wright, consultora de inteligência contra ameaças cibernéticas da IntSights.

A coordenação e orquestração de muitos desses ataques geralmente começam na dark web.Os golpistas da Dark Web têm como alvo os cuidados com a saúde, diz Etay Maor – Direitos autorais da imagem IntSights

“Estamos vendo mais ofertas na dark web especificamente para informações relacionadas à assistência médica e para direcionar unidades de saúde e médicos. Existe até um banco de dados criado por alguém na dark web com todos os tipos de informações sobre a equipe médica”, diz Etay Maor, da IntSights .

No essencial, a dark web ainda pode estar sendo usada pelos mesmos motivos pelos quais se destinava – sob uma perspectiva de privacidade e segurança. Mas os criminosos estão usando isso para tentar explorar uma crise global para obter ganhos financeiros.

“Essa é a faca de dois gumes que, como sociedade, ainda não elaboramos: como salvaguardamos a liberdade de expressão e garantimos a privacidade, mas ao mesmo tempo rastreamos e impedimos que as pessoas abusem dessas liberdades?” diz Javvad Malik.

EUA estão usando Taiwan como ponto de pressão na luta tecnológica com a China

Uma loja da Huawei em Pequim. O governo Trump está trabalhando em várias frentes para isolar a gigante da tecnologia chinesa.
Foto Carlos Garcia Rawlins / Reuters

O governo Trump está desafiando o acesso chinês à cadeia de suprimentos de alta tecnologia de Taiwan – e, por extensão, a influência de Pequim sobre a ilha que reivindica como seu território.
Durante anos, o governo Trump brigou com a China por ameaças tarifárias, tecnologia e termos de seu acordo comercial. Mas em um par de ações na semana passada, o governo aumentou essas tensões econômicas de uma maneira que quase chega a tocar uma linha vermelha para Pequim: seu relacionamento contencioso com Taiwan.

Uma das principais fabricantes de chips de computador do mundo, a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, ou T.S.M.C., disse na quinta-feira que construiria uma fábrica no Arizona, uma medida anunciada por autoridades americanas como um primeiro passo para mudar uma cadeia de suprimentos vital para os Estados Unidos.

No dia seguinte, o Departamento de Comércio anunciou uma mudança de regra que poderia impedir os negócios que a gigante chinesa de tecnologia Huawei faz com a T.S.M.C. e outros fabricantes globais de chips.

O governo tem trabalhado em várias frentes para isolar a Huawei, uma das principais marcas mundiais de smartphones e a maior produtora mundial de equipamentos que alimentam redes móveis. Mas, simultaneamente, minando a Huawei e trazendo o T.S.M.C. mais perto da órbita americana está um golpe de política industrial que seria impensável há apenas alguns anos, um que levanta a perspectiva de um conflito mais sério entre a China e os Estados Unidos.

Nunca antes o governo Trump desafiou com tanta força o acesso das empresas chinesas à cadeia de suprimentos de alta tecnologia de Taiwan – e, por extensão, a influência de Pequim sobre a democracia autônoma das ilhas, que alega ser parte de seu território.

A China considera inegociável sua reivindicação a Taiwan e atacou empresas e políticos por não reconhecê-la, mesmo que inadvertidamente.

O governo parece ter a intenção de “atingir metas econômicas e politicamente sensíveis a Pequim”, disse Eswar Prasad, professor da Universidade Cornell.

O Ministério do Comércio da China condenou a última ação de Washington contra a Huawei, dizendo que faria o necessário para proteger os interesses das empresas chinesas.
Sede da Huawei em Shenzhen, China. A empresa disse que seus negócios “inevitavelmente” seriam afetados por uma mudança de regra do Departamento de Comércio anunciada na semana.
Foto Noel Celis / Agence France-Presse – Getty Images

Desde que o Departamento de Comércio dos Estados Unidos anunciou a mudança de regra, analistas e executivos do setor destacaram o que eles disseram ser uma solução significativa.

de usar a tecnologia americana para produzir ou projetar chips que são enviados, diretamente ou por meio de um intermediário, para a própria Huawei. Mas não parece impedi-los de produzir chips que seriam enviados aos clientes ou parceiros da Huawei, como fabricantes contratados que montam telefones e outros dispositivos em nome da Huawei.

A regra ainda pode atrapalhar os negócios da Huawei, no entanto, forçando a empresa ou seus fornecedores a reorganizar suas operações. E o Departamento de Comércio poderá revisar sua regra nos próximos meses para diminuir as brechas.

“O futuro de pelo menos uma parte importante dos negócios da Huawei está agora firmemente nas mãos do Departamento de Comércio”, disse Paul Triolo, analista de política de tecnologia do Eurasia Group.

Nesta semana, a Huawei se recusou a responder às perguntas dos repórteres sobre a regra alterada, embora tenha reconhecido que seus negócios seriam “inevitavelmente” afetados.

A empresa parece estar se preparando para a possibilidade de ser excluída dos principais fornecedores. No final de 2019, a Huawei havia armazenado US $ 23,5 bilhões em produtos acabados, componentes e matérias-primas, de acordo com seu relatório anual, um aumento de quase três quartos em relação ao ano anterior.

Embora os efeitos práticos da nova regra permaneçam obscuros, a mensagem política enviada pelos anúncios da semana passada foi inequívoca: o governo Trump está ansioso para frustrar os esforços da China para dominar tecnologias críticas e está se voltando para Taiwan como um novo ponto de alavancagem.

Privacidade na WEB; Como apagar dados pessoais que não deveriam estar na rede

À medida que navega e compartilha informações na web, você deixa uma trilha que qualquer pessoa no mundo pode acessar sem se levantar do sofá.

É provável que se você digitar seu nome no Google encontre registros que nem sabia que existiam. De páginas da web com dados pessoais, como seu endereço ou telefone, a fotografias que na época você não se preocupou em postar na Internet. E até contas que criou em aplicativos que mal chegou a usar.

À medida que navega e compartilha informações na web, você deixa uma trilha que qualquer pessoa no mundo pode acessar sem se levantar do sofá. Apagar por completo a pegada digital é complicado. Mas existem opções para eliminar e controlar as informações pessoais que aparecem sobre você na Internet.

Tudo o que um usuário escreve em redes sociais, blogs, fóruns ou outros serviços pode aparecer na Internet. É possível editar ou excluir grande parte desta pegada de forma manual.

 “Para localizar esse conteúdo, o mais recomendável é ir ao Google e pesquisar por si mesmo, escrevendo seu nome e sobrenome entre aspas, e depois, com muita paciência, eliminar todas essas informações”, explica Fernando Suárez, presidente do Conselho de Faculdades de Engenharia da Computação (CCII, na sigla em espanhol), da Espanha.

Ex-funcionário avisa que Google pode acessar todos os documentos dos usuários de sua nuvem.Tecnologia,Crimes Cibernéticos,Internet,Redes Sociais,Hackers,Privacidade,Malware,Stalkware,WhatsApp,Facebook,Instagram,Twitter

O usuário pode excluir uma a uma cada conta que criou nas redes sociais e outros serviços. Mas há ferramentas que facilitam o trabalho. Por exemplo, o Deseat.me oferece uma lista de todas as contas que uma pessoa criou com um email específico e permite solicitar a exclusão bastando pressionar um botão.

Já o AccountKiller compila links diretos para facilitar a qualquer usuário excluir sua conta em sites como Gmail, Instagram, Netflix e Microsoft. “Você quer se livrar da sua conta online? Não deveria ser um problema, certo? Infelizmente, em muitos sites, incluindo os populares, como o Facebook, apagar sua conta pode ser uma verdadeira dor de cabeça”, explica ele em seu próprio site.

É provável que se você digitar seu nome no Google encontre registros que nem sabia que existiam.
“Eliminar completamente a pegada digital é praticamente impossível: depois que publicamos informações na Internet, perdemos o controle sobre elas e não sabemos quem pode acessá-las e para qual finalidade”, alerta Suárez. Ele dá o seguinte exemplo: “Se postamos uma foto em uma rede social e posteriormente a excluímos, não podemos ter certeza de que as pessoas que tiveram acesso a essa fotografia não a publicaram em outras páginas e, portanto, sua exclusão seria muito mais complicada. “

Como apagar a informação que aparece na Internet

A lei europeia do direito ao esquecimento permite que você peça diretamente ao Google que desindexe determinadas informações. Ou seja, que quando alguém usar o mecanismo de pesquisa, um site específico não apareça entre os resultados. Existe um formulário para isso. O usuário deve assinalar um por um os links que deseja remover e indicar o motivo.

O Google pode retirar informações pessoais que representem um risco significativo de roubo de identidade, fraude financeira ou outros tipos de danos específicos. Suárez explica: “Por exemplo, números de identificação, como o do documento de identidade ou informações de cartões de saúde, números de contas bancárias ou de cartões de crédito, históricos médicos, imagens de assinaturas ou fotografias de conteúdo sexual explícito postado na Internet sem o nosso consentimento”.

Mas a opção de pedir ao Google que exclua determinadas informações tem limitações. Juana María Perea, reitora da Faculdade Oficial de Engenharia da Computação das Ilhas Baleares, observa que o preenchimento do formulário não garante que os dados sejam desindexados.

A empresa de Mountain View analisa os links um por um e escolhe se os desindexa ou não. “Quando você envia uma solicitação, no Google procuramos o equilíbrio entre os direitos à privacidade dos usuários afetados, o interesse público que essas informações podem ter e o direito de outros usuários de distribuí-las”, afirma a gigante da tecnologia em seu site.

A empresa pode se recusar, por exemplo, a retirar informações sobre fraudes financeiras, negligência profissional, condenações criminais ou conduta de funcionários públicos. Além disso, este formulário apenas garante a remoção de dados na União Europeia. Portanto, os dados continuarão a aparecer nas versões internacionais do mecanismo de busca.

Outros buscadores

O Google é o líder indiscutível dos mecanismos de busca. Em 2018, totalizou 96% das pesquisas de usuários, segundo a Statista. São seguidos pelo Bing, com 3%, e o Yahoo, com 1%. Mesmo assim, os especialistas também recomendam controlar o que aparece nesses alternativos. “O processo mencionado só se aplica ao Google. O Yahoo e o Bing têm seu próprio formulário para que exerçamos nosso direito de desaparecer da rede”, diz Perea. Nos dois mecanismos de busca, se aceitarem a solicitação, o conteúdo será removido apenas na Europa.

Tanto Perea como Suárez concordam com a importância de controlar em quais sites você se registra. O presidente do CCII aconselha, antes de tudo, “a prudência ao usar as ferramentas da Internet”: “Não apenas aquelas em que publicamos informações diretamente, como blogs ou redes sociais, mas também a própria trilha que deixamos, por exemplo, ao pesquisar ou navegar “. Nesse sentido, é recomendável excluir periodicamente os cookies, usar VPNs (rede virtual privada, na sigla em inglês) ou optar por mecanismos de busca alternativos ao Google, projetados para navegar sem deixar vestígios.

Fake News,Redes Sociais,Internet,Blog do Mesquita

Eric Yuan, o bilionário criador do Zoom que viu fortuna se multiplicar durante pandemia

Eric Yuan entrou na lista de bilionários da Forbes, com uma fortuna estimada em US$ 7,8 bilhões.

Direito de imagemGETTY IMAGES

Algumas semanas atrás, você talvez não o conhecesse. Ou talvez ainda não saiba quem ele é. Mas é possível que, durante a quarentena imposta para combater a disseminação do novo coronavírus, você tenha conversado com seus amigos ou colegas de trabalho graças a uma ferramenta criada por ele, o Zoom.

Pela primeira vez , Eric Yuan, fundador da empresa de videoconferência Zoom, entrou na lista de bilionários da revista Forbes. Sua fortuna é estimada em US$ 7,8 bilhões de dólares (cerca de R$ 42,9 bilhões, na cotação atual).

Filho de engenheiros especializados em mineração, Yuan nasceu na província de Shandong, na China.

Depois de estudar engenharia, ele foi trabalhar no Japão por quatro anos antes de comprar uma passagem para os Estados Unidos.

Aparentemente inspirado por uma palestra de Bill Gates, fundador da Microsoft, o desafio de Yuan era chegar ao país mais rico do mundo para se aproveitar da onda de inovação tecnológica que florescia em meados da década de 1990 no Estado da Califórnia.

Mas as portas não estavam totalmente abertas para Yuan. Seu visto foi rejeitado oito vezes antes de finalmente conseguir permissão para morar e trabalhar no país.

Foi assim que, em 1997, Yuan, com 27 anos, iniciou uma nova vida no Vale do Silício.

Embora não falasse bem inglês, não demorou muito para encontrar um lugar onde pudesse desenvolver suas habilidades.

Começou a trabalhar como programador na empresa WebEx. Uma década depois, a companhia foi adquirida pela Cisco Systems, onde Yuan se tornou vice-presidente de engenharia.

Em 2011, o empresário apresentou aos executivos da Cisco seu projeto para criar um aplicativo de videoconferência que não funcionaria apenas em desktops e tablets, mas também em telefones celulares.

A ideia foi rejeitada e Yuan renunciou ao seu cargo na empresa para iniciar um próprio negócio: o Zoom.

Como ele teve a ideia?
“A primeira vez que imaginei Zoom foi quando eu era estudante universitário na China e regularmente pegava um trem de dez horas para visitar minha namorada, que agora é minha esposa”, disse Yuan em entrevista ao site Medium.

Eric Yuan en NasdaqDireito de imagemGETTY IMAGES
Yuan diz que teve a ideia do Zoom quando teve que viajar 10 horas de trem para visitar sua namorada

“Eu odiava essas viagens e costumava imaginar outras maneiras de visitar minha namorada sem ter que viajar”.

“Esses sonhos acabaram se tornando a base de Zoom”, disse o empresário.

O desafio de atrair investidores

Depois de se demitir da Cisco, Yuan partiu para a busca por investidores que acreditassem em seu projeto. Encontrou muita resistência, muitos achavam que esse setor estava saturado e não haveria espaço suficiente para outro concorrente.

Yuan teve que pedir dinheiro emprestado a amigos e familiares, de acordo com o jornal Financial Times.

“Se você inicia um negócio, o momento é muito importante”, disse ele ao jornal, explicando que a expansão de smartphones e tecnologias de armazenamento em nuvem criou as condições para que surgissem produtos como o Zoom.

Sua própria esposa não estava convencida que o negócio poderia vingar, disse Yuan à revista Forbes.

“Eu disse: ‘Sei que é uma jornada longa e muito difícil, mas se não tentar, vou me arrepender.'”

Foi assim que desenvolveu uma plataforma destinada a facilitar as reuniões de negócios de longa distância em um setor muito competitivo.

O salto durante a pandemia

A empresa começou a crescer até ser aberta ao mercado de ações em abril do ano passado, estreando com sucesso na bolsa digital Nasdaq.

Desde então, as ações da Zoom tiveram um dos melhores desempenhos na categoria de software em nuvem e conseguiram manter o preço inicial de US$ 62 (R$ 340, na cotação atual) por ação, mesmo quando o setor teve uma queda acentuada em setembro.

No final do ano, as coisas estavam indo bem para a empresa, mas o cenário mudou radicalmente quando o surto do novo coronavírus começou a se espalhar por todo o mundo.

Em meio à pandemia, os mercados financeiros afundaram, enquanto as ações da Zoom subiram quase 140% no acumulado deste ano.

Membros do governo britânicoDireito de imagemREUTERS
O governo britânico realizou reuniões usando o Zoom durante a quarentena

Em dezembro, a empresa tinha 10 milhões de usuários por dia; em março, já eram 200 milhões; agora, em abril, o Zoom já tem 300 milhões de usuários, segundo dados da própria empresa.

Estimativas de mercado mostram que a fortuna de Yuan teria aumentado mais de US$ 4 bilhões (cerca de R$ 21,9 bilhões) em apenas três meses, como resultado das medidas de isolamento social e do aumento da demanda por comunicação remota.

‘Simples de usar’

Mas por que a Zoom superou outros concorrentes importantes, como o Microsoft Skype ou o Google Hangouts?

Especialistas do setor de tecnologia concordam que o crescimento do produto se deve ao fato de o serviço ser simples de usar e não exigir que o usuário se registre. Além disso, até 100 pessoas podem participar da mesma conferência — ele também é gratuito para chamadas de até 40 minutos.

Mas como se fosse uma faca de dois gumes, a mesma facilidade de usar o aplicativo expôs um problema gigantesco em termos de segurança e privacidade.

‘Sinto muito’

Assim como o Zoom deixou de ser exclusivamente uma ferramenta de negócios e se tornou uma ferramenta para todos os tipos de público, a empresa foi exposta a ataques e expôs sua vulnerabilidade.

A imprensa denunciou casos de hackers que invadiam videoconferências do Zoom com conteúdo ofensivo ou pornográfico — um fenômeno conhecido como “zoombombing”.

E ficou evidente que a gravação das reuniões também não era segura, pois outras pessoas podiam acessar o material sem autorização prévia.

Eric Yuan sorrindo em frente a painel da NasdaqDireito de imagemGETTY IMAGES
O Zoom tem que lidar com as falhas de segurança e privacidade que foram detectadas em seu serviço

A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, encaminhou uma carta à empresa perguntando se a companhia havia implementado protocolos de segurança adicionais.

Parlamentares, ministros, diretores de empresas e clientes institucionais da Zoom começaram a fazer perguntas sobre a confiabilidade do serviço.

Yuan disse que o serviço foi projetado para as necessidades das empresas e não estava preparado para um grande fluxo de clientes.

Ele reconheceu que a companhia não havia atendido às expectativas de privacidade e de segurança.

“Sinto muito”, disse o empresário, em comunicado, ao anunciar a implementação de uma série de medidas para solucionar o problema.

Podemos falar sobre questões sensíveis no Zoom?

Graham Cluley, consultor britânico de segurança cibernética, disse à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, que nas últimas semanas houve um intenso escrutínio da empresa.

“Um grande número de pesquisadores de segurança examinou seu código”, explica Cluley.

“Alguns desses pesquisadores encontraram falhas de segurança preocupantes.”

No entanto, acrescenta, a empresa respondeu lançando atualizações de software e outras medidas de segurança.

“O Zoom ainda pode não ser a plataforma ideal para políticos de alto escalão discutirem questões delicadas, mas para a grande maioria das pessoas, não é uma má escolha”, diz Cluley.

Nas últimas semanas, empresas concorrentes começaram a implementar estratégias para ganhar mais espaço no mercado.

Há alguns dias, o Facebook anunciou o lançamento do Messenger Rooms, um serviço que permitirá reuniões virtuais de até 50 pessoas sem limite de tempo.

O que não se sabe é se o sucesso do Zoom permitirá manter ou aumentar sua base de clientes comerciais, se as estratégias implementadas pelos concorrentes darão certo e em que medida a demanda por esse tipo de serviço diminuirá depois que a pandemia for controlada e as pessoas voltarem aos seus locais originais de trabalho.

Facebook investe na gigante de telecomunicações da Índia Jio para comércio eletrônico

O Facebook diz que planeja investir US $ 5,7 bilhões na gigante de telecomunicações indiana Reliance Jio.

O investimento dará ao Facebook uma participação de 9,99% na Jio Platforms, a divisão de tecnologias digitais e desenvolvimento de aplicativos da Reliance Industries. Confiança A Jio possui o maior número de clientes no país e planeja lançar um negócio de comércio eletrônico usando o WhatsApp.

“A Índia é um país especial para o Facebook”, escreveu Ajit Mohan, chefe do Facebook na Índia, em um post online destacando a transformação digital da Índia como uma das principais razões para o investimento.

A Índia é um dos mercados da Internet que mais cresce no mundo, com um número de usuários previsto para crescer para 907 milhões em 2023, de acordo com um relatório da Cisco publicado em fevereiro.

O número de novos usuários da Internet que, posteriormente, foi lançado no Relio Industries em 2016, oferece smartphones baratos e preços de dados ainda mais baratos. Um Jio agora possui mais de 388 milhões de assinantes de serviços de telefonia e dados.

Mukesh Ambani, chefe da Reliance e o homem mais rico da Índia, disse estar “humilhado” pelo Facebook como parceiro de longo prazo e que o investimento ajudou a impulsionar o avanço digital da Índia.

“Uma sinergia entre Jio e Facebook ajuda a cumprir a missão ‘Índia Digital’ do primeiro ministro Shri Narendra Modi”, disse ele, referindo-se a um programa de governo para tornar a vida e os negócios mais eficientes no país.

O Facebook e sua plataforma de mensagens instantâneas WhatsApp são populares na Índia, com seus 1,3 bilhão de pessoas com o maior número de usuários do Facebook no mundo. Uma China, com uma população de 1,4 bilhão, bloqueia principalmente o acesso ao Facebook e outras mídias sociais não chinesas.

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, disse que espera de 60 milhões de pequenas empresas indianas como ferramentas digitais usadas para crescer.

“Com comunidades em todo o mundo em confinamento, muitos desses empreendedores exigem ferramentas digitais nas quais podem ajudar a encontrar e se comunicar com os clientes e expandir seus negócios”, escreveu ele em um post no Facebook.

Em fevereiro, o WhatsApp também recebeu luz verde para lançar sua plataforma de pagamentos digitais – WhatsApp Pay – na Índia, depois de dois anos de tentativas.

A decisão ocorreu depois que o Banco de Reserva da Índia e a National Payments Corporation da Índia concordaram com a empresa de lançar uma plataforma de pagamento de forma faseada.

Pesquisadores israelenses se gabam de ter encontrado uma maneira de roubar dados de computador ouvindo vibrações de ventiladores

Uma maneira nova e não convencional de roubar dados de computadores altamente protegidos, violando seus ventiladores do sistema de refrigeração, é possível, segundo os cientistas israelenses.

Sua pesquisa foi divulgada por Mordechai Guri, chefe de P&D da Universidade Ben-Gurion do Negev, em Israel.

A nova técnica, chamada AiR-ViBeR, aparentemente permite que um hacker entre em qualquer computador, incluindo os chamados sistemas com falta de ar – aqueles que são desconectados de qualquer rede. Para roubar os dados, um hacker precisa ouvir atentamente o ruído emitido pelos ventiladores de refrigeração do computador.

“Observamos que os computadores vibram com uma frequência correlacionada à velocidade de rotação de seus ventiladores internos”, disse Guri.

“Essas vibrações inaudíveis afetam toda a estrutura em que o computador está colocado.”

Embora a técnica seja realmente nova, existem algumas ressalvas que a tornam não mais prática. Primeiro, o computador alvo ‘altamente protegido’ precisa ser injetado com um malware chamado Fansmitter, necessário para controlar a velocidade dos ventiladores do sistema e criar vibrações legíveis. Então o hacker precisa de um telefone inteligente com um acelerômetro que esteja próximo do alvo – de preferência na mesma mesa – para realmente ouvir os fãs e sifonar os dados.

Além disso, não é possível canalizar grandes quantidades de dados com esse novo método, admitiram os pesquisadores. Ainda assim, ele pode ser usado para roubar pequenas quantidades de dados, como nomes de usuário e senhas, bem como para arrebatar chaves de criptografia.

Os pesquisadores também ofereceram um conjunto de contramedidas para combater a técnica de hackers, desde o ajuste do computador com seu próprio acelerômetro, a detecção de comportamento anômalo do ventilador até o uso de software bloqueado. Além disso, pode-se isolar o computador altamente sensível em um ambiente à prova de vibração ou simplesmente remover todos os seus ventiladores e optar por refrigeração líquida.

Tecnologia,Veículos,Transportes,Nave Espacial,Trem,Blog do Mesquita

Irã lança satélite militar em meio a tensões com EUA

Após meses de tentativas fracassadas, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter lançado um satélite militar no espaço.

Porto Espacial Imam Khomeini, na província de Semnan, no Irã

A medida é a mais recente da saga do acordo nuclear em colapso entre Teerã e os EUA.

A Guarda Revolucionária paramilitar do Irã disse que lançou com sucesso um satélite militar em órbita após meses de tentativas fracassadas, apenas uma semana após um encontro tenso com navios de guerra dos EUA no Golfo Pérsico.

“O primeiro satélite da República Islâmica do Irã foi lançado em órbita com sucesso pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica”, informou o site Sepahnews da Guarda.

“Esta ação será um grande sucesso e um novo desenvolvimento no campo espacial do Irã islâmico”, acrescentou.

A Guarda disse que o satélite atingiu uma órbita de 425 quilômetros (264 milhas) acima da superfície da Terra. O lançamento em duas etapas ocorreu no deserto central do Irã, acrescentou, acrescentando que é o primeiro satélite militar que o Irã já lançou.

O satélite foi colocado em órbita usando uma operadora de satélite Ghased, ou “Messenger”, disse a Guarda, um sistema ainda inédito.

A alegação não pôde ser imediatamente confirmada por fontes independentes e a Guarda não forneceu nenhuma imagem ou filmagem de verificação.

Sucesso após meses de falha

O Irã fez várias tentativas fracassadas de lançar satélites nos últimos meses, mais recentemente em fevereiro, com o lançamento fracassado do satélite de comunicações Zafar 1. O país também sofreu dois lançamentos fracassados ​​em 2019, além de uma explosão de foguete na plataforma de lançamento e um incêndio separado que matou três pesquisadores no Centro Espacial Imam Khomeini, onde opera o programa espacial civil do Irã.

O lançamento é o mais recente desenvolvimento da crescente tensão militar entre o Irã e os EUA. Nos últimos anos, o poder do Oriente Médio quebrou todas as limitações acordadas em um acordo de desnuclearização de 2015, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, retirou seu país do acordo em 2018 e reimprimiu as sanções contra o Irã. O Irã continua a permitir que inspetores da ONU visitem seus locais.

Novo terreno para as forças armadas do Irã

Segundo os EUA, esses lançamentos de satélites vão contra uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que pede – mas não exige – que o Irã se abstenha de atividades relacionadas a mísseis balísticos capazes de lançar armas nucleares.

As potências dos EUA e da Europa temem que esses lançamentos de satélites possam ajudar o Irã a desenvolver suas capacidades nucleares.

Atualmente, o Irã não é capaz de construir uma arma nuclear pequena o suficiente para um míssil balístico. Mas, na última década, o país conseguiu avançar seu programa espacial, lançando vários satélites e um macaco em órbita.

Teerã afirmou anteriormente que não se esforça para desenvolver seu arsenal nuclear. A Guarda Revolucionária lança seu próprio satélite, levantando questões sobre essa posição.

A Guarda Revolucionária, que completou 41 anos na quarta-feira, opera sua própria infraestrutura militar ao lado das forças armadas regulares do país. O grupo militar de linha dura responde diretamente ao líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei.

Não ficou claro se o governo civil do país estava ciente dos planos para o lançamento. O presidente Hassan Rouhani fez um discurso de 40 minutos diante de seu gabinete na quarta-feira sem fazer nenhuma referência a ele.

No domingo, as forças armadas do Irã confirmaram ter experimentado um encontro com navios de guerra dos EUA no Golfo Pérsico na semana passada. A Guarda alegou, sem evidências, que os EUA iniciaram o incidente. Na segunda-feira, o grupo militar anunciou que havia melhorado significativamente o alcance de seus mísseis anti-navio de guerra.

kp / sms (AFP, AP)

Covid-19; Ventilador de peças de carros antigos? Estudantes afegãs constroem protótipo

Na maioria das manhãs, Somaya Farooqi e outras quatro meninas adolescentes se amontoam no carro do pai e vão para a oficina de um mecânico.

Eles usam estradas secundárias para contornar os postos de controle da polícia criados para impor um bloqueio em sua cidade de Herat, um dos pontos quentes do Afeganistão com a pandemia de coronavírus.

Os membros da equipe de robótica de garotas premiadas do Afeganistão dizem que estão em uma missão de salvar vidas – construir um ventilador com peças de carros usados ​​e ajudar seu país em guerra a combater o vírus.

“Se salvarmos uma vida com nosso dispositivo, teremos orgulho”, disse Farooqi, 17 anos.

Sua busca por uma máquina respiratória de baixo custo é particularmente notável no Afeganistão conservador. Apenas uma geração atrás, durante o governo do Taleban fundamentalista islâmico no final dos anos 90, as meninas não tinham permissão para ir à escola. A mãe de Farooqi foi tirada da escola na terceira série.

Após a invasão dos EUA no Afeganistão em 2001, as meninas retornaram às escolas, mas a conquista de direitos iguais continua sendo uma luta. Farooqi não se deixa intimidar. “Somos a nova geração”, disse ela em uma entrevista por telefone. “Lutamos e trabalhamos para as pessoas. Menina e menino, isso não importa mais.

O Afeganistão enfrenta a pandemia quase de mãos vazias. Possui apenas 400 ventiladores para uma população de mais de 36,6 milhões. Até o momento, foram relatados pouco mais de 900 casos de coronavírus, incluindo 30 mortes, mas suspeita-se que o número real seja muito maior, já que os kits de teste são escassos.

A província de Herat, no oeste do Afeganistão, é um dos pontos quentes do país por causa de sua proximidade com o Irã, o epicentro da região.

Isso levou Farooqi e os membros de sua equipe, de 14 a 17 anos, a ajudar a encontrar uma solução.

Em uma manhã típica, o pai de Farooqi recolhe as meninas de suas casas e as leva ao escritório da equipe em Herat, ziguezagueando pelas ruas laterais para contornar os postos de controle. De lá, outro carro os leva à oficina de um mecânico nos arredores da cidade.

Em Herat, os residentes só podem deixar suas casas por necessidades urgentes. A equipe de robótica possui um número limitado de licenças especiais para carros.

Até agora, o pai de Farooqi não conseguiu, mas as meninas estão com pressa. “Estamos preocupados com a segurança saindo da cidade, mas não há outra opção, temos que tentar salvar a vida das pessoas”, disse Farooqi.

No workshop, a equipe está experimentando dois projetos diferentes, incluindo um projeto de código aberto do Massachusetts Institute of Technology. As peças usadas incluem o motor de um limpador de para-brisa Toyota, baterias e conjuntos de máscaras de válvula de saco ou bombas de oxigênio manuais. Um grupo de mecânicos os ajuda a construir a estrutura de um ventilador.

Daniela Rus, professora do MIT, elogiou a iniciativa da equipe de desenvolver o protótipo. “Será excelente vê-lo testado e produzido localmente”, disse ela.

A empresária de tecnologia Roya Mahboob, que fundou a equipe e angaria fundos para empoderar as meninas, disse esperar que o grupo de Farooqi termine de construir um protótipo em maio ou junho. Ao todo, a equipe tem 15 membros que trabalham em vários projetos.

O modelo do ventilador, uma vez concluído, seria enviado ao Ministério da Saúde para testes, inicialmente em animais, disse o porta-voz Wahid Mayar.

Farooqi, que tinha apenas 14 anos quando participou da primeira Olimpíada Mundial de Robôs nos EUA, em 2017, disse que ela e os membros de sua equipe esperam dar uma contribuição.

“Os afegãos deveriam ajudar o Afeganistão nessa pandemia”, disse ela. “Não devemos esperar pelos outros.”