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Tecnologia: Huawei, China e Rúsia ameçam o império dos USA

Uma nova “guerra fria tecnológica” está fazendo com que Rússia e China cooperem mais, sendo o elo de ligação desempenhado pela empresa Huawei, informa a Forbes.

Segundo a conhecida revista Forbes, tal aliança representaria uma ameaça para o intercâmbio de inteligência e cooperação de segurança entre os EUA e seus aliados e minaria o domínio tecnológico dos norte-americanos.

“Está em curso paulatinamente uma aliança antiamericana de inteligência artificial entre a China e a Rússia, com a Huawei no meio”, escreve Zak Doffman, autor do artigo, que assegura ter a Huawei participado em reuniões a nível estatal sobre o desenvolvimento de hardware e software na Rússia.

A empresa chinesa está lançando zonas-piloto 5G na Rússia, vende cada vez mais smartphones e está também construindo ecossistemas de inteligência artificial (IA) na Rússia, segundo Doffman, que acredita que o papel da Huawei no avanço tecnológico da Rússia não ficará por aqui.

Além disso, a Huawei vê no país vizinho um “terreno fértil de caça”, recrutando ativamente na Rússia especialistas russos qualificados para o desenvolvimento tecnológico da própria China.

Entretanto, a Huawei informou que contratou equipes qualificadas de especialistas em todo o mundo para garantir a segurança de seus produtos e serviços, incluindo o apoio a clientes na Rússia.

O perigo para o Ocidente

Doffman pondera que quem liderar as forças combinadas da 5G, da Internet e da inteligência artificial pode vir a deter um poder descomunal, incluindo o de carregar o “botão vermelho” que apagaria tudo.

Exibição promovendo a tecnologia 5G da Huawei em Shenzhen, na província chinesa de Guangdong (Cantão), em 19 de agosto de 2019
© AP PHOTO / NG HAN GUAN
Exibição promovendo a tecnologia 5G da Huawei em Shenzhen, na província chinesa de Guangdong (Cantão), em 19 de agosto de 2019

Os Estado Unidos, por sua vez, temem cooperar em matéria de inteligência e segurança com os seus próprios aliados, sobretudo depois que o Reino Unido deu luz verde parcial à Huawei no desenvolvimento da rede 5G britânica, ignorando repetidas advertências de Washington de que isso afetaria as parcerias bilaterais no campo da inteligência.

O vice-presidente dos EUA, Michael Penceafirmou em sequência estarem os EUA “profundamente desapontados” com a decisão britânica, por considerar que o uso de tecnologias da Huawei é incompatível com os interesses de segurança do Reino Unido e dos próprios EUA.

Tecnologia,Veículos,Transportes,Nave Espacial,Trem,Blog do Mesquita

Tecnologia: O Caminhão de células de Combustível da Hyunday

No Salão de Veículos Comerciais da América do Norte, em Atlanta, a Hyundai Motor Co. apresentou um conjunto de caminhões e reboques com células a combustível de hidrogênio. A Hyundai também disse que estava pensando em entrar no mercado de veículos comerciais dos EUA.

A Hyundai, com sede na Coréia do Sul, mostrou seu caminhão pesado HDC-6 Neptune Concept Class 8. O caminhão se baseia no trabalho com células de combustível que a Hyundai desenvolveu para seus veículos de passageiros Tucson e Nexo.

A Hyundai afirmou que a combinação de trator e reboque demonstra como o transporte de carga limpa se desenvolverá nos EUA. As células de combustível são uma excelente tecnologia para caminhões pesados, porque podem oferecer um alcance maior, maior carga útil e menos tempo de reabastecimento do que uma bateria elétrica. caminhão de transporte.

Empresas rivais veem um futuro em caminhões elétricos a bateria.

A Daimler Trucks North America está lançando modelos elétricos Freightliner Cascadia e a Volvo Trucks tem um programa semelhante com seu modelo VNR de médio alcance. A Volvo diz que começará a produção comercial no próximo ano. A Tesla também está desenvolvendo um caminhão elétrico para serviços pesados.

Também empresas como Kenworth, Toyota e Nikola Motor estão desenvolvendo caminhões pesados ​​de célula a combustível de hidrogênio para o mercado dos EUA. A empresa Paccar Kenworth está trabalhando com a Toyota para construir 10 caminhões para uso no sul da Califórnia em um projeto.

Os primeiros caminhões entrarão em operação ainda este ano. A Daimler também disse que tem planos de longo prazo para a comercialização de caminhões com células de combustível.

O estilo do Hyundai Neptune Concept é inspirado nos trens da linha aerodinâmica Art Deco que funcionaram de 1936 a 1959. Assim como esses trens representavam a principal tecnologia de transporte da época, a Hyundai acredita que seu conceito Neptune também representa um avanço tecnológico.

Comportamento,Tecologia,Censura,Opressão,Blog do Mesquita

Privacidade e Tecnologia. Porque as redes de câmeras inteligentes precisam ser proíbidas

Privacidade,Câmeras,Blog do Mesquita
Há uma preocupação generalizada de que as câmeras de vídeo usarão o software de reconhecimento facial para rastrear todos os nossos movimentos públicos. Muito menos comentado – mas igualmente alarmante – é a expansão exponencial das redes de vigilância por vídeo “inteligentes”.

Empresas e residências particulares estão começando a conectar suas câmeras nas redes policiais, e os rápidos avanços na inteligência artificial estão investindo em redes de televisão em circuito fechado, ou CCTV, com poder de vigilância pública total. Em um futuro não tão distante, forças policiais, lojas e administradores da cidade esperam filmar cada movimento seu – e interpretá-lo usando a análise de vídeo.

O surgimento de redes de câmeras inteligentes que tudo vê é um desenvolvimento alarmante que ameaça direitos e liberdades civis em todo o mundo. As agências policiais têm um longo histórico de uso da vigilância contra comunidades marginalizadas e estudos mostram que a vigilância reduz a liberdade de expressão – efeitos nocivos que podem se espalhar à medida que as redes de câmeras se tornam maiores e mais sofisticadas.

Para entender a situação que estamos enfrentando, precisamos entender a ascensão do complexo industrial de videovigilância – sua história, seus players de força e sua trajetória futura. Começa com a proliferação de câmeras para polícia e segurança e termina com um poderoso novo imperativo da indústria: vigilância visual completa do espaço público.

Sistemas de gerenciamento de vídeo e redes de vigilância plug-in

Nas primeiras décadas de existência, as câmeras de CFTV eram dispositivos analógicos de baixa resolução gravados em fitas. Empresas ou autoridades da cidade os implantaram para filmar uma pequena área de interesse. Poucas câmeras foram colocadas em público, e o poder de rastrear pessoas era limitado: se a polícia quisesse perseguir uma pessoa de interesse, eles teriam que passar horas coletando imagens a pé de locais próximos.

No final dos anos 90, a vigilância por vídeo tornou-se mais avançada. Uma empresa chamada Axis Communications inventou a primeira câmera de vigilância via Internet, que converteu imagens em movimento em dados digitais. Novos negócios, como a Milestone Systems, criaram o Video Management Systems, ou VMS, para organizar informações de vídeo em bancos de dados. Os provedores de VMS criaram novos recursos, como a tecnologia de sensor de movimento, que alertava os guardas quando uma pessoa era pega na câmera em uma área restrita.

Com o passar do tempo, a vigilância por vídeo se espalhou. Por um lado, cerca de 50 anos atrás, o Reino Unido tinha em algum lugar ao norte de 60 câmeras de CFTV permanentes instaladas em todo o país. Hoje, o Reino Unido possui mais de 6 milhões de dispositivos, enquanto os EUA têm dezenas de milhões. De acordo com a empresa de marketing IHS Markit, 1 bilhão de câmeras estará assistindo o mundo até o final de 2021, com os Estados Unidos rivalizando com a taxa de penetração de câmeras por pessoa da China. A polícia agora pode rastrear pessoas através de várias câmeras a partir de um centro de comando e controle, desktop ou smartphone.

Embora seja possível conectar milhares de câmeras em um VMS, também é caro. Para aumentar a quantidade de CFTVs disponíveis, as cidades criaram recentemente um truque inteligente: incentivar empresas e moradores a colocar câmeras de propriedade privada em sua rede policial – o que eu chamo de “redes de vigilância plug-in”.

Video from surveillance cameras around the city is displayed at the Real Time Crime Center the viewing space for Project Green Light, at the Police Department's headquarters in downtown Detroit, June 14, 2019. In recent weeks, a public outcry has erupted over the facial recognition program employed in conjunction with the network of cameras. (Brittany Greeson/The New York Times)

Vídeo de câmeras de vigilância em toda a cidade é exibido no Centro de Crimes em Tempo Real, o espaço de visualização do Project Green Light, na sede do Departamento de Polícia no centro de Detroit, em 14 de junho de 2019.

Nas últimas semanas, um protesto público explodiu sobre o reconhecimento facial programa empregado em conjunto com a rede de câmeras. (Brittany Greeson / The New York Times) Vídeo de câmeras de vigilância da cidade é exibido no Real-Time Crime Center, o espaço de visualização do Project Green Light, na sede do departamento de polícia de Detroit, em 14 de junho de 2019.

Ao agrupar câmeras pertencentes à cidade por câmeras particulares, especialistas em policiamento dizem que uma agência em uma cidade grande típica pode acumular centenas de milhares de feeds de vídeo em apenas alguns anos.

Detroit popularizou as redes de vigilância plug-in através do seu controverso programa Project Green Light. Com o Project Green Light, as empresas podem comprar câmeras de CFTV e conectá-las à sede da polícia. Eles também podem colocar uma luz verde brilhante ao lado das câmeras para indicar que fazem parte da rede policial. O projeto alega deter o crime, sinalizando aos moradores: A polícia está observando você.

Detroit não está sozinho.
Chicago, Nova Orleans, Nova York e Atlanta também implantaram redes de vigilância de plug-in. Nessas cidades, empresas privadas e / ou residências fornecem feeds integrados aos centros criminais, para que a polícia possa acessar transmissões ao vivo e imagens gravadas. O departamento de polícia de New Haven, Connecticut, me disse que eles estão investigando a vigilância por plug-in, e outros provavelmente estão considerando isso.

O número de câmeras nas redes policiais agora varia de dezenas de milhares (Chicago) a várias centenas (Nova Orleans). Com tantas câmeras instaladas e apenas uma pequena equipe de policiais para assisti-las, as agências policiais enfrentam um novo desafio: como você entende todas essas filmagens?

Por volta de 2006, uma jovem israelense estava gravando vídeos de família todo fim de semana, mas como estudante e mãe, não teve tempo de assisti-los. Um cientista da computação de sua universidade, o professor Shmuel Peleg, disse que tentou criar uma solução para ela: ele gravava um vídeo longo e condensava a atividade interessante em um pequeno videoclipe.

A solução dele falhou: funcionou apenas em câmeras fixas, e a câmera de vídeo da estudante estava em movimento quando ela filmou sua família.

Peleg logo encontrou outro caso de uso no setor de vigilância, que depende de câmeras estacionárias. Sua solução se tornou a BriefCam, uma empresa de análise de vídeo que pode resumir imagens de vídeo de uma cena ao longo do tempo, para que os investigadores possam ver todas as imagens relevantes em um curto espaço de tempo.

O BriefCam sobrepõe imagens de eventos que acontecem em momentos diferentes, como se eles estivessem aparecendo simultaneamente. Por exemplo, se várias pessoas passarem pela câmera às 12:30, 12:40 e 12:50, o BriefCam agregará suas imagens em uma única cena. Os investigadores podem visualizar todas as imagens de interesse de um determinado dia em minutos, em vez de horas.

Graças aos rápidos avanços na inteligência artificial, o resumo é apenas um recurso da linha de produtos da BriefCam e da indústria de análise de vídeo em rápida expansão.

O reconhecimento de comportamento inclui recursos de análise de vídeo como detecção de brigas, reconhecimento de emoções, detecção de quedas, vadias, passear com cães, passear de cavalo, sonegação de pedágio e até detecção de mentiras.

O reconhecimento de objetos pode reconhecer rostos, animais, carros, armas, incêndios e outras coisas, além de características humanas como sexo, idade e cor do cabelo.

A detecção de comportamento anômalo ou incomum funciona registrando uma área fixa por um período de tempo – digamos, 30 dias – e determinando o comportamento “normal” para aquela cena. Se a câmera vir algo incomum – digamos, uma pessoa correndo pela rua às 3:00 da manhã -, sinalizará o incidente por atenção.

Os sistemas de análise de vídeo podem analisar e pesquisar em fluxos em tempo real ou imagens gravadas. Eles também podem isolar indivíduos ou objetos enquanto atravessam uma rede de câmeras inteligentes.

Chicago; Nova Orleans; Detroit; Springfield, Massachusetts; e Hartford, Connecticut, são algumas das cidades que atualmente usam o BriefCam para policiar.

Com espaços urbanos cobertos por câmeras e análises de vídeo para compreendê-los, as agências policiais ganham a capacidade de gravar e analisar tudo, o tempo todo. Isso fornece às autoridades o poder de indexar e pesquisar um vasto banco de dados de objetos, comportamentos e atividades anômalas.

Em Connecticut, a polícia usou análise de vídeo para identificar ou monitorar traficantes de drogas conhecidos ou suspeitos. O sargento Johnmichael O’Hare, ex-diretor do Centro de Crimes em Tempo Real de Hartford, demonstrou recentemente como o BriefCam ajudou a polícia de Hartford a revelar “para onde as pessoas vão mais” no espaço de 24 horas, vendo imagens condensadas e resumidas em apenas nove minutos. Usando um recurso chamado “caminhos”, ele descobriu centenas de pessoas visitando apenas duas casas na rua e garantiu um mandado de busca para verificar se eram casas de drogas.

A startup de análise de vídeo Voxel51 também está adicionando pesquisas mais sofisticadas ao mix. Co-fundada por Jason Corso, professor de engenharia elétrica e ciência da computação na Universidade de Michigan, a empresa oferece uma plataforma para processamento e entendimento de vídeo.

Corso me disse que sua empresa espera oferecer o primeiro sistema em que as pessoas podem “pesquisar com base no conteúdo semântico de seus dados, como ‘Quero encontrar todos os videoclipes que tenham mais de três interseções de três vias … com pelo menos 20 veículos durante o dia. ”” O Voxel51 “tenta tornar isso possível” gravando vídeos e “transformando-os em dados pesquisáveis ​​estruturados em diferentes tipos de plataformas”.

Ao contrário do BriefCam, que analisa vídeo usando nada além de seu próprio software, o Voxel51 oferece uma plataforma aberta que permite que terceiros adicionem seus próprios modelos de análise. Se a plataforma for bem-sucedida, sobrecarregará a capacidade de pesquisar e vigiar espaços públicos.

Corso me disse que sua empresa está trabalhando em um projeto piloto com a polícia de Baltimore para o seu programa de vigilância CitiWatch e planeja testar o software com o Departamento de Polícia de Houston.

À medida que as cidades começam a implantar uma ampla gama de dispositivos de monitoramento a partir da chamada Internet das Coisas, os pesquisadores também estão desenvolvendo uma técnica conhecida como análise de vídeo e fusão de sensores, ou VA / SF, para inteligência policial. Com o VA / SF, vários fluxos de sensores são combinados com análises de vídeo para reduzir incertezas e fazer inferências sobre situações complexas. Como exemplo, Peleg me disse que o BriefCam está desenvolvendo análises de áudio na câmera que usam microfones para discernir ações que podem confundir os sistemas de IA, como se as pessoas estão brigando ou dançando.

Os VMSs também oferecem integração inteligente entre tecnologias. O ex-chefe de polícia de New Haven, Anthony Campbell, contou-me como os ShotSpotters, dispositivos polêmicos que escutam tiros, se integram a software especializado. Quando uma arma é disparada, as câmeras giratórias próximas alteram instantaneamente sua direção para o local da descarga das armas.

Os policiais também podem usar o software para trancar as portas do prédio de um centro de controle, e as empresas estão desenvolvendo análises para alertar a segurança se um carro estiver sendo seguido por outro.

Rumo a um mundo “Minority Report”Privacidade,Internet,Redes Sociais,Facebook,Zukenberg,Tecnologia,Blog do Mesquita

A análise de vídeo captura uma ampla variedade de dados sobre as áreas cobertas por redes de câmeras inteligentes. Não é surpresa que agora as informações capturadas estejam sendo propostas para o policiamento preditivo: o uso de dados para prever e policiar o crime antes que ele aconteça.

Em 2002, o filme distópico “Minority Report” retratou uma sociedade que utiliza análises “pré-crime” para que a polícia intervenha na violação da lei antes que ela ocorra. No final, os oficiais encarregados tentaram manipular o sistema para seus próprios interesses.

Uma versão do mundo real do “Minority Report” está surgindo através de centros de criminalidade em tempo real usados ​​para analisar padrões de criminalidade para a polícia. Nesses centros, as agências policiais ingerem informações de fontes como redes de mídia social, corretores de dados, bancos de dados públicos, registros criminais e ShotSpotters. Os dados climáticos são incluídos até por seu impacto sobre o crime (porque “bandidos não gostam de se molhar”).

Em um documento de 2018, a empresa de armazenamento de dados Western Digital e a consultoria Accenture previram que redes de câmeras inteligentes em massa seriam implantadas “em três níveis de maturidade”. Essa adoção em vários estágios, eles alegaram, “permitiria que a sociedade” abandonasse gradualmente as “preocupações” sobre privacidade ”e, em vez disso,“ aceitar e advogar ”pela vigilância em massa da polícia e do governo no interesse da“ segurança pública ”.

O nível 1 abrange o presente em que a polícia usa redes de CFTV para investigar crimes após o fato.

Em 2025, a sociedade alcançará o Nível 2 à medida que os municípios se transformarem em cidades “inteligentes”, afirmou o documento. Empresas e instituições públicas, como escolas e hospitais, conectam feeds de câmeras a agências governamentais e policiais para informar sistemas de análise centralizados e habilitados para IA.

A camada 3, o sistema de vigilância mais preditivo, chegará até 2035. Alguns residentes doarão voluntariamente seus feeds de câmeras, enquanto outros serão “encorajados a fazê-lo por incentivos fiscais ou compensação nominal”. Um “ecossistema de segurança pública” centralizará os dados “extraídos de bancos de dados diferentes, como mídias sociais, carteiras de motorista, bancos de dados policiais e dados escuros”. Uma unidade de análise habilitada para IA permitirá que a polícia avalie “anomalias em tempo real e interrompa um crime antes que ele seja cometido”.

Ou seja, pegar o pré-crime.

Ascensão do Complexo Industrial de Vigilância por VídeoFace Book,Tecnologia,Privacidade,Redes Sociais,Internet,Blog do Mesquita

Embora a vigilância por CFTV tenha começado como uma ferramenta simples para a justiça criminal, ela se transformou em uma indústria multibilionária que abrange vários setores da indústria. Do policiamento e cidades inteligentes às escolas, unidades de saúde e varejo, a sociedade está se movendo em direção à vigilância visual quase completa dos espaços comerciais e urbanos.

A Milestone Systems, com sede na Dinamarca, um dos principais fornecedores de VMS com metade de sua receita nos EUA, possuía menos de 10 funcionários em 1999. Hoje eles são uma grande corporação que possui escritórios em mais de 20 países.

A Axis Communications costumava ser uma impressora de rede. Desde então, eles se tornaram um fornecedor líder de câmeras, gerando mais de US $ 1 bilhão em vendas por ano.

BriefCam começou como um projeto universitário. Agora, ele está entre os principais fornecedores de análise de vídeo do mundo, com clientes, em mais de 40 países.

Nos últimos seis anos, a Canon comprou os três, dando ao conglomerado de imagens a propriedade de gigantes do setor em software de gerenciamento de vídeo, câmeras de CFTV e análise de vídeo. A Motorola adquiriu recentemente um dos principais fornecedores de VMS, a Avigilon, por US $ 1 bilhão. Por sua vez, a Avigilon e outras grandes empresas compraram suas próprias empresas.Tecnologia,Crimes Cibernéticos,Internet,Redes Sociais,Hackers,Privacidade,Malware,Stalkware,WhatsApp,Facebook,Instagram,Twitter

O público está pagando por sua própria vigilância de alta tecnologia três vezes.

Grandes gigantes da tecnologia familiares também participam da ação. O tenente Patrick O’Donnell, da polícia de Chicago, me disse que seu departamento está trabalhando em um acordo de não divulgação com o Google para um projeto piloto de análise de vídeo para detectar pessoas que reagem a tiros e, se estiverem em posição de bruços, para que a polícia possa receber alertas em tempo real. (O Google não respondeu a uma solicitação de comentário.)

As redes de monitoramento de vídeo inevitavelmente envolvem e envolvem todo um ecossistema de fornecedores, alguns dos quais ofereceram, ou ainda podem oferecer, serviços especificamente direcionados a esses sistemas. Microsoft, Amazon, IBM, Comcast, Verizon e Cisco estão entre aqueles que habilitam as redes com tecnologias como serviços em nuvem, conectividade de banda larga ou software de vigilância por vídeo.

No setor público, o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia está financiando “análises públicas” e redes de comunicação como a First Responder Network Authority, ou FirstNet, para vídeo em tempo real e outras tecnologias de vigilância. O FirstNet custará US $ 46,5 bilhões e está sendo construído pela AT&T.

O Voxel51 é outro empreendimento apoiado pelo NIST. O público está, portanto, pagando por sua própria vigilância de alta tecnologia três vezes: primeiro, através de impostos para pesquisa universitária; segundo, mediante doação de dinheiro para a formação de uma startup com fins lucrativos (Voxel51); e terceiro, através da compra dos serviços do Voxel51 pelos departamentos de polícia da cidade, usando fundos públicos.

Com o setor público e privado procurando expandir a presença de câmeras, a videovigilância tornou-se uma nova vaca leiteira. Como disse Corso, “haverá algo como 45 bilhões de câmeras no mundo dentro de algumas décadas. São muitos pixels (de vídeo). Na maior parte, a maioria desses pixels não é utilizada. ”A estimativa de Corso reflete uma previsão de 2017 da empresa de capital de risco LDV de Nova York, que acredita que os smartphones evoluirão para ter ainda mais câmeras do que hoje, contribuindo para o crescimento.

As empresas que começaram com mercados de polícia e segurança agora estão diversificando suas ofertas para o setor comercial. BriefCam, Milestone e Axis anunciam o uso de análise de vídeo para os varejistas, onde eles podem monitorar o tráfego de pedestres, a duração da fila, os padrões de compras, os layouts de piso e a realização de testes A / B. O Voxel51 possui uma opção criada para a indústria da moda e planeja expandir-se nas verticais da indústria. A Motionloft oferece análises para cidades inteligentes, varejistas, imóveis comerciais e locais de entretenimento. Outros exemplos são abundantes.

Os atores do setor público e privado estão pressionando por um mundo cheio de vigilância por vídeo inteligente. Peleg, por exemplo, me falou de um caso de uso para cidades inteligentes: se você dirige para a cidade, pode “simplesmente estacionar e ir para casa” sem usar um medidor de estacionamento. A cidade enviaria uma conta para sua casa no final do mês. “Claro, você perde sua privacidade”, acrescentou. “A questão é: você realmente se importa com o Big Brother sabe onde está, o que faz, etc.? Algumas pessoas podem não gostar.

Como restringir a vigilância inteligente

Aqueles que não gostam de novas formas de vigilância do Big Brother estão atualmente fixados no reconhecimento facial. No entanto, eles ignoraram amplamente a mudança para redes de câmeras inteligentes – e o complexo industrial que a impulsiona.

Agora, milhares de câmeras estão programadas para examinar cada movimento, informando às autoridades da cidade se estamos andando, correndo, andando de bicicleta ou fazendo algo “suspeito”. Com a análise de vídeo, a inteligência artificial é usada para identificar nosso sexo, idade e tipo de roupas e poderia ser usado para nos categorizar por raça ou vestuário religioso.

Essa vigilância pode ter um efeito severo sobre a nossa liberdade de expressão e associação. É neste mundo que queremos viver?

A capacidade de rastrear indivíduos através de redes inteligentes de CFTV pode ser usada para atingir comunidades marginalizadas. A detecção de “vadiar” ou “furtar lojas” por câmeras concentradas em bairros pobres pode aprofundar o viés racial nas práticas de policiamento.

Esse tipo de discriminação racial já está ocorrendo na África do Sul, onde a “detecção incomum de comportamento” é implementada por redes de câmeras inteligentes há vários anos.

Nos Estados Unidos, as redes de câmeras inteligentes estão surgindo e há pouca informação ou transparência sobre seu uso. No entanto, sabemos que a vigilância tem sido usada ao longo da história para atingir grupos oprimidos. Nos últimos anos, o Departamento de Polícia de Nova York espionou secretamente muçulmanos, o FBI usou aviões de vigilância para monitorar os manifestantes do Black Lives Matter, e a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA começou a construir uma “fronteira inteligente” de vigilância por vídeo de alta tecnologia em todo o Tohono O ‘. reserva de odham no Arizona.

Agências policiais afirmam que redes de câmeras inteligentes reduzirão o crime, mas a que custo? Se uma câmera pudesse ser colocada em todos os cômodos de toda casa, a violência doméstica poderia cair. Poderíamos adicionar “filtros” automatizados que registram apenas quando um ruído alto é detectado ou quando alguém pega uma faca. A polícia deve colocar câmeras inteligentes em todas as salas de estar?

O setor comercial também está racionalizando o avanço do capitalismo de vigilância no domínio físico. Varejistas, empregadores e investidores querem nos colocar sob vigilância por vídeo inteligente, para que possam nos gerenciar com “inteligência” visual.

Quando perguntados sobre privacidade, vários departamentos policiais importantes me disseram que têm o direito de ver e registrar tudo o que você faz assim que sai de casa. Os varejistas, por sua vez, nem abordam a divulgação pública: eles mantêm suas práticas de análise de vídeo em segredo.

Nos Estados Unidos, geralmente não existe uma “expectativa razoável” de privacidade em público. A Quarta Emenda abrange a casa e algumas áreas públicas que “razoavelmente” esperamos ser privadas, como uma cabine telefônica. Quase todo o resto – nossas ruas, nossas lojas, nossas escolas – é um jogo justo.

Mesmo se as regras forem atualizadas para restringir o uso da vigilância por vídeo, não podemos garantir que essas regras permaneçam em vigor. Com milhares de câmeras de alta resolução conectadas em rede, um estado de vigilância distópica está a um clique do mouse. Ao instalar câmeras em todos os lugares, estamos abrindo uma caixa de Pandora.

Para lidar com as ameaças à privacidade das redes de câmeras inteligentes, os legisladores devem proibir as redes de vigilância de plug-ins e restringir o escopo dos CFTVs em rede além da premissa de um único site. Eles também devem limitar a densidade da cobertura da câmera e do sensor em público. Essas medidas bloqueariam a capacidade de rastrear pessoas em grandes áreas e impediriam que o fenômeno fosse constantemente observado.

O governo também deve proibir análises de videovigilância em espaços acessíveis ao público, talvez com exceções em casos raros, como a detecção de corpos nos trilhos do trem. Essa proibição desincentivaria as implantações de câmeras em massa porque a análise de vídeo é necessária para analisar grandes volumes de imagens. Os tribunais devem reconsiderar urgentemente o escopo da Quarta Emenda e expandir nosso direito à privacidade em público.

Departamentos de polícia, vendedores e pesquisadores precisam divulgar e divulgar seus projetos e se envolver com acadêmicos, jornalistas e sociedade civil.

É claro que temos uma crise em andamento. Precisamos ir além da conversa limitada de reconhecimento facial e abordar o mundo mais amplo da vigilância por vídeo, antes que seja tarde demais.

Palhaço,Tristeza,Blog do Mesquita 02

Fatos & Fotos – O dia todo sendo atualizado – 20/01/2020

Embalando o meio dia desta segunda-feira com Gal Costa “Força Estranha”, de Caetano Veloso


Embalando esta manhã de segunda-feira com Céu & Herbie Hancock “Tempo De Amor”


“Davos verde debate reforma do capitalismo” Hahahahahaha.
Reforma? Hahahahahahahaha.
Reforma do Capitalismo? Hahahahahahahahah.
Hilários esses filhotes de Hayek.
Só muito marafo para ostentar uma alucinação desta.Rodando o globo terresre,Capitalismo,Economia,Humor,Trabalho,Escravos,Blog do Mesquita


Direto da caixa de produzir idiotas

Ana Maria Braga acaba de proferir uma “pérola” na Globo: “O estreito de Gibraltar liga o Oceano Atlântico ao Pacífico!’Certamente ela dirá que o Canal do Panamá liga o Atlântico ao Mar Mediterrâneo’.”
“K-ralho!” “Imprecionante”. Diria o Sinistro da Deseducação
Nem a Roseana Collor com as Pirâmides do Egito em Paris, consegue competir com essa Ana Ameba Praga.

Internet,Virus,GuerraCibernética,Armas,Espionagem,Tecnologia,Hackers,Blog do Mesquita 01

Rússia anuncia sucesso em teste de internet ‘desplugada’ do resto do mundo

Rússia testou com sucesso a Runet, uma alternativa nacional à internet global, anunciou o governo do país.

Os detalhes divulgados sobre os testes são vagos, mas, de acordo com o Ministério das Comunicações, os usuários não notaram nenhuma alteração. Os resultados serão agora apresentados ao presidente Vladimir Putin.

Os especialistas continuam preocupados com a tendência de alguns países de criarem redes próprias desconectadas da internet global.

“Infelizmente, as medidas tomadas pela Rússia são apenas mais um passo no crescente desmembramento da internet”, disse Alan Woodward, cientista da computação da Universidade de Surrey, no Reino Unido.

A internet é composta por milhares de redes digitais pelas quais a informação viaja. Essas redes estão conectadas por pontos de roteamento de dados – e eles são, sabidamente, o elo mais fraco desta cadeia.

 

Isso permite criar um sistema de censura em massa semelhante ao que ocorre na China e no Irã, que tentam bloquear qualquer conteúdo considerado proibido.

“Cada vez mais, países autoritários que desejam controlar o que os cidadãos veem estão se espelhando no que Irã e China já fizeram. Isso significa que as pessoas não terão acesso ao diálogo sobre o que está acontecendo em seu próprio país, serão mantidas dentro de uma bolha”, diz Woodward.

O que foi testado?

Pessoa digitando em computadorDireito de imagem GETTY IMAGES
Rússia quer ter sob seu controle os pontos pelos quais passem os dados que entram ou saem do país

A Rússia faz parte de um número crescente de nações insatisfeitas com uma internet construída e controlada pelo Ocidente. O país fala publicamente sobre uma “internet soberana” desde 2011.

No início deste ano, o país estabeleceu as mudanças técnicas necessárias e forneceu recursos para que as empresas as implementassem a fim de que a internet russa seja operada de forma independente.

Os testes previam que os provedores demonstrassem ser capazes de direcionar dados para pontos de roteamento controlados pelo governo e filtrar o tráfego para entre os cidadãos russos e para qualquer computador estrangeiro.

Agências de notícias locais noticiaram declarações do vice-ministro de Comunicações dizendo que os testes da Runet foram executados conforme o planejado.

“Os resultados mostraram que, em geral, tanto as autoridades quanto as operadoras de telecomunicações estão prontas para responder efetivamente a riscos e ameaças emergentes, para garantir o funcionamento estável da internet e da rede de telecomunicações unificada na Federação Russa”, disse Alexey Sokolov.

A agência de notícias estatal Tass informou que os testes avaliaram a vulnerabilidade dos aparelhos ligados à internet e também testaram a capacidade da Runet de combater “influências negativas externas”.

Como funcionará a Runet?

O uso da Runet significará que os dados enviados por cidadãos e organizações russas circularão apenas dentro do país, em vez de serem roteados internacionalmente.

A Rússia também está buscando desenvolver serviços de rede mais personalizados para seus cidadãos. A empresa anunciou planos para criar sua própria Wikipedia e aprovou uma lei que proíbe a venda de celulares que não possuem software russo pré-instalado.

Como a China, a Rússia espera criar serviços que sirvam de alternativas ao Google e Facebook a longo prazo.

“A ideia é que a internet na Rússia se interconecte com o resto do mundo apenas em alguns pontos específicos sobre os quais o governo possa exercer controle”, disse Woodward.

“Isso efetivamente levaria os provedores de serviços de internet e as empresas de telecomunicações a operar dentro de uma intranet gigantesca.”

Boeing,Blog do Mesquita,737 Max

Boeing 737 MAX: A decisão ‘sem precedentes’ da gigante da aviação de parar a produção do modelo problemático

Boeing 737 Max

Direito de imagem GETTY IMAGES
A Boeing deixará de fabricar em janeiro o modelo 737 Max

A americana Boeing decidiu suspender em janeiro a fabricação de seu problemático avião 737 Max.

A produção da aeronave havia sido mantida mesmo durante o período de nove meses em que o modelo foi proibido de voar em razão de dois acidentes fatais em 2018 e 2019.

Mais de 300 pessoas morreram na queda de 737 Max na Indonésia e na Etiópia, em decorrência de problemas de fabricação da aeronave.

A Boeing esperava que os aviões voltassem a voar no fim deste ano, mas autoridades reguladoras dos Estados Unidos deixaram claro que não iriam avalizar tão cedo esse retorno.

A companhia americana, uma das maiores exportadoras do país, afirmou em comunicado que não vai demitir os funcionários ligados à fabricação do 737 Max, mas a paralisação deve afetar sua cadeia produtiva e a economia como um todo.

“A retomada com segurança do 737 Max é nossa principal prioridade”, disse a empresa.

“Nós sabemos que o processo de aprovação do retorno do 737 Max à operação, e a definição dos treinamentos necessários, deve ser algo extraordinariamente preciso e robusto, para assegurar que nossos reguladores, clientes e passageiros confiem nas melhorias do 737 Max.”

Riscos conhecidos

Em uma audiência no Congresso americano na semana passada, foi divulgado que as autoridades reguladoras dos EUA estavam cientes dos riscos de novos acidentes depois que um 737 Max caiu na Indonésia em outubro de 2018.

Uma análise da agência de aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) apontou que poderia haver mais de uma dezena de acidentes ao longo do tempo de vida da aeronave caso não fossem feitas mudanças no equipamento.

Local do acidente com voo da Ethiopian AirlinesDireito de imagem REUTERS
157 pessoas morreram no voo ET 302 da Ethiopian Airlines em 2019

Ainda assim, os 737 Max só foram proibidos de voar depois do segundo acidente, na Etiópia, em março de 2019.

A Boeing está remodelando seu sistema automatizado de controle, apontado como principal causa das quedas.

A fabricante afirmou que tem 400 unidades do 737 Max em suas instalações e focará a entrega deles para seus clientes.

O Boeing 737 MAX 8 foi a aeronave que a empresa vendeu mais rapidamente em sua história.

Ainda que diversas companhias aéreas ao redor do mundo tenham mantido suas encomendadas, as entregas foram suspensas enquanto os engenheiros da Boeing resolvem os problemas técnicos do modelo.

O especialista na indústria turística Henry Harteveldt afirmou que a decisão de suspender a produção não tem precedentes e que terá um impacto enorme na Boeing, em seus fornecedores e nas companhias aéreas.

“Isso vai criar um caos para as companhias áreas, as mais de 600 empresas da cadeia produtiva do 737 Max e para a Boeing como um todo.”

A suspensão do 737 Max já custou à Boeing mais de US$ 9 bilhões (cerca de R$ 37 bilhões). As ações da empresa caíram mais de 4% em meio a especulações de que a companhia anunciaria a suspensão da produção.

Aviões Boeing 737 MaxDireito de imagem REUTERS
Todas as aeronaves 737 Max estão proibidas de voar

Impacto na cadeia de suprimentos

Estima-se que a suspensão da produção atinja toda a cadeia de suprimentos global do 737 Max.

Richard Aboulafia, analista de aviação do Teal Group, classificou as opções da Boeing para gerenciar o forte impacto em seus fornecedores como “de mal a pior”.

Para ele, a fabricante de aviões poderia permitir que seus fornecedores fossem atingidos ou poderia pagar para que eles estivessem a postos para quando o 737 Max for finalmente liberado para voar.

Alguns fornecedores, como a fabricante de fuselagens Spirit Aerosystems, são altamente dependentes do modelo da Boeing — quase 50% da receita da empresa está ligada a essa operação.

Até o momento, a Spirit Aerosystems disse apenas que está “trabalhando em estreita colaboração” com a Boeing para determinar qual o impacto da suspensão da produção.

É improvável que o movimento da Boeing afete também os passageiros, já que as companhias aéreas alugaram aeronaves adicionais para substituir o 737 Max.

Mas agora é um novo capítulo para as companhias aéreas, que têm a despesa adicional de alugar aviões e gerenciar suas aeronaves “presas em solo”.

As operadoras americanas contam com as maiores frotas do 737 Max, embora o modelo seja usado por companhias aéreas em todo o mundo.

“As companhias aéreas chinesas também seriam bastante afetadas”, estima Shukor Yusof, analista de aviação da Endau Analytics.

Boeing 737 Max-8Direito de imagem AFP
Boeing 737 MAX 8 que caiu entrou na frota da Ethiopian Airlines em 2018

De fato, as três maiores companhias aéreas da China estavam entre as primeiras a pressionar a Boeing por compensação pelos aviões proibidos de voar.

Em julho, a Boeing reservou quase US$ 5 bilhões (quase R$ 20 bilhões) para compensar as companhias aéreas que não receberam suas aeronaves ou não puderam usar as que já possuíam.

No entanto, essa cifra foi baseada na hipótese de que o 737 Max retornaria ao ar até o final de 2019.

Resta saber agora qual será o impacto total da suspensão da fabricação.

Qual foi a falha detectada no 737 Max?

O Boeing 737 MAX é uma versão atualizada do 737 que está em uso comercial desde o ano de 2017.

Uma diferença em relação ao modelo anterior é o software conectado à leitura do “ângulo de ataque”, ligado a um software criado para ajudar os pilotos a manter a aeronave na posição adequada às condições de voo.

O software de controle de voo é um sistema chamado MCAS (Sistema de Aumento de Características de Manobra). Foi desenvolvido pela Boeing especificamente para o 737 MAX 8 e o MAX 9.

A Boeing explica que o software “não controla a aeronave em voos normais”, mas “melhora parte de seu comportamento em condições operacionais não normais”.

SoftwareDireito de imagem GETTY IMAGES
Dois pilotos americanos relataram em um documento oficial que tiveram problemas semelhantes aos que voo indonésio teria sofrido

Por causa do posicionamento dos motores nas asas — mais alto e distante da fuselagem — o modelo teria uma tendência a se inclinar para o alto sob determinadas condições, aumentando as chances de uma estolagem (perda de sustentação aerodinâmica) da aeronave.

Quando o MCAS detecta que o avião está subindo em um ângulo vertical demais sem a velocidade necessária — uma cenário propício para uma estolagem — ele move o estabilizador horizontal na cauda para levar o nariz (do avião) para baixo.

Os investigadores do acidente na Indonésia descobriram que o MCAS entrou em modo ativo quando não deveria, que uma falha no sensor de ângulo de ataque ativou o sistema antiestolagem, levando o nariz do avião a se inclinar para o chão.

Além disso, segundo um banco de dados do governo sobre incidentes de aviação (ao qual o The New York Times teve acesso), pelo menos dois pilotos que operaram aviões MAX 8 da Boeing 737 nos Estados Unidos expressaram preocupação em novembro sobre como o nariz da aeronave de repente se inclinou para baixo depois de ativar o piloto automático.

Em ambos os casos, os comandantes disseram que conseguiram recuperar o controle da aeronave depois de desativar o piloto automático. Um dos pilotos diz que a descida começou dois ou três segundos após a ativação do piloto automático.

Depois dos acidentes, a empesa afirmou que estava “trabalhando em estreita colaboração com a FAA no desenvolvimento, planejamento e certificação de melhoria de software e será aplicado na frota de 737 MAX”

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Entenda como empresas chinesas de tecnologia se tornaram gigantes globais

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Em menos de duas décadas, diversas empresas chinesas de tecnologia chegaram à lista das maiores companhias globais em valor de mercado.

É o caso das chamadas BAT – Baidu, Alibaba e Tencent -, conhecidas popularmente como a versão asiática do trio Google, Amazon e Facebook, embora na prática essas companhias chinesas vendam muitos outros produtos e serviços de tecnologia.

Há ainda outras empresas criadas mais recentemente, como as gigantes eletrônicas Xiaomi e Didi Chuxing, que em menos de uma década partiram para conquistar o mundo e demonstraram a força comercial dos dragões asiáticos.

“Os empreendedores chineses criaram negócios para mercados globais replicando modelos chineses que foram exitosos”, disse à BBC Mundo (o serviço em espanhol da BBC) Benjamin Harburg, sócio-diretor da MSA, empresa de capital de risco com sede em Pequim.

Para ele, a expansão global das empresas chinesas está só no começo.

Mas o caminho das empresas chinesas não está livre de empecilhos. No meio da guerra comercial entre os EUA e a China, há alguns dias foi presa no Canadá Meng Wanzhou, filha do fundador do gigante chinesa de telecomunicações Huawei e diretora financeira da companhia, ampliando a tensão política entre Washington e Pequim.

Logo da HuaweiDireito de imagem GETTY IMAGES
Huawei é líder na venda de aparelhos de telecomunicações

A Huawei, com 15% do mercado global, é a segunda maior fabricante de celulares e a maior fornecedora de aparelhos de telecomunicações. Mas sofre proibições em vários países ocidentais, que temem que Pequim obrigue a empresa a revelar segredos industriais e outras informações confidenciais que poderiam colocar em risco a segurança nacional desses países.

“É possível que algumas companhias chinesas possam significar uma ameaça de segurança nacional”, diz Scott Kennedy, diretor do Projeto sobre Negócios e Política Econômica da China do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), com sede em Washington.

“Mas a resposta dominante tem sido identificar e manejar esses riscos, por exemplo, controlando exportações e impondo restrições nos investimentos”, acrescenta.

Essas são algumas das razões que explicam como as empresas tecnológicas chinesas se converteram em gigantes globais, segundo as visões distintas de especialistas consultados pela BBC Mundo.

1- Investir e adquirir empresas no exterior

Em 2015, a China investiu pela primeira vez mais no exterior do que empresas estrangeiras aplicaram no país, feito que refletiu o apetite das companhias chinesas ao redor do mundo e o desejo de Pequim de exibir sua projeção internacional.

Jovem chinês em realidade virtualDireito de imagem GETTY IMAGES
A partir de 2015, os investimentos chineses no exterior se aceleraram

Para o governo chinês, esse ponto de inflexão é resultado de sua estratégia de incentivar aquisições no exterior para estimular o crescimento interno.

A partir dali, com altos e baixos e diferenças setoriais, a tendência não parou. Um exemplo recente são os investimentos da Didi Chuxing na empresa Careem no Oriente Médio e na brasileira 99.

Também houve um crescimento orgânico de empresas tecnológicas como a Xiaomi, que se lançou na Bolsa neste ano e cresceu rapidamente na Índia.

2- Fornecer componentes a multinacionais ocidentais e montar produtos finais

Esse caminho tem sido a rota mais tradicional – originalmente para abastecer a cadeia global de produção com o uso de mão de obra barata, embora, com o tempo, tenha pavimentado o caminho para melhorar a produção local de produtos tecnológicos.

3- Tornar-se na fabricante original de marcas ocidentais

Ser a fabricante original de marcas ocidentais permitiu às empresas chinesas acumular know-how para impulsionar o desenvolvimento tecnológico do país.

4- Penetrar mercados emergentes

As economias emergentes se transformaram no novo campo de batalhas das empresas tecnológicas chinesas, europeias e americanas.

Cidade chinesaDireito de imagem GETTY IMAGES
Os mercados emergentes são um campo de batalha

Parte das empresas chinesas conseguem entrar com preços mais baixos que suas rivais, pois mantêm custos baixos de produção (entre eles, salários menores e expedientes maiores).

5- Exportar um modelo de negócios testado localmente

Depois ter êxito no mercado local, as empresas chinenas de tecnologia trabalham com negócios flexíveis que são fáceis de adaptar, como, por exemplo, plataformas que integram uma variedade de serviços de comércio eletrônico em um só lugar.

É possível comprar, pagar e enviar mensagens num mesmo aplicativo.

6- Crescer internamente sem competição estrangeira

Várias companhias tecnológicas estrangeiras, como o Facebook ou o Google, têm sido proibidas ou sofrido restrições de operar no mercado chinês, uma decisão do governo que dá uma vantagem inigualável às empresas locais para que cresçam internamente, se capitalizem e saiam para competir no exterior.

Celular com aplicativos chinesesDireito de imagem GETTY IMAGES
Facebook e Google tiveram problemas para operar na China

7- Associar-se com empresas estrangeiras que chegam à China

Muitas empresas ocidentais, especialmente as oriundas dos Estados Unidos, criticam duramente a China por subsidiar suas empresas ou lhes dar facilidades que não se comparam com as restrições que as companhias estrangeiras têm de enfrentar quando tentam entrar no mercado chinês.

Uma delas é a obrigação que o governo da China impõe a empresas estrangeiras de terem que se associar a uma companhia local para operar no território chinês.

Dragão chinêsDireito de imagem GETTY IMAGES
As empresas estrangeiras devem se associar com firmas locais para operar no território chinês.

8- Capacitar em larga escala

Segundo os analistas, é importante levar em conta ainda a massiva chegada de estudantes chineses a universidades europeias e americanas. Esse cenário permitiu à China gerar uma força de trabalho altamente capacitada para desenvolver a tecnologia local e o forte investimento em pesquisa e desenvolvimento.

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WhatsApp: como mandar mensagem sem precisar adicionar contato a agenda

Mensagem

Aplicativos permitem envio de mensagens a pessoas que não estejam na lista de contatos
Direito de imagem GETTY IMAGES

É comum que, para mandarmos uma mensagem de WhatsApp a alguém fora de nossa lista de contatos, acabemos adicionando essa pessoa em nossa agenda telefônica.

Só que isso retarda o processo, e há ocasiões em que se trata de um mero contato esporádico – que não necessariamente queremos permanentemente em nossa agenda.

É bom saber, então, que há formas de enviar mensagens de WhatsApp sem precisar adicionar o contato. A BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, ensina como:

Pelo WhatsApp web

A versão web do WhatsApp (https://web.whatsapp.com/) é usada por quem prefere digitar as mensagens no computador, em vez de no celular. É preciso entrar na página e conectá-la com seu celular usando a leitura de código de barras.

Para mandar mensagens a números que não estão entre os seus contatos, basta digitar este endereço no seu navegador e substituir os X pelo número telefônico com quem você quer se comunicar, incluindo o código do país (sem o símbolo +):

Feito isso, você receberá uma solicitação com o número e a legenda: “enviar mensagem”. Basta clicar para que se abra um novo chat com esse número.

Instalando apps

Via celular, a saída é instalar um aplicativo – que também terá utilidade em outras ocasiões.

Um dos apps disponíveis é WhatsDirect, que permite mandar mensagens a contatos não listados, além de vídeos, fotos e áudio. O app está disponível no Google Play.

Outra opção é o Easy Message, disponível na Apple Store e com funcionalidades semelhantes

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Como é o WT:Social, a rede social ‘anti-Facebook’

Como é o WT:Social, a rede social ‘anti-Facebook’ sem anúncios nem fake news criada pelo fundador da Wikipedia

Telefone com a logo do site WikipediaDireito de imagem GETTY IMAGES
O projeto é independente do site Wikipedia

O fundador da Wikipedia, Jimmy Wales, criou uma nova rede social chamada WT: Social, que ele deseja transformar no “anti-Facebook”.

O site da plataforma diz que nunca venderá dados dos seus usuários e que se baseia na “generosidade de doadores individuais”, e não em anúncios para garantir sua existência.

Se você se registrar, você será adicionado a uma lista de espera e solicitarão que você convide outras pessoas ou escolha uma opção de assinatura paga: US$ 13 por mês ou US$ 100 por ano, o que equivale a aproximadamente R$ 55 a R$ 420.

O serviço se define como um site “focado em notícias” e diz que seus membros podem editar manchetes “enganosas”. A ideia, segundo o fundador da plataforma, é combater fake news.

imagem da tela do site WT: SocialDireito de imagemWT: SOCIAL
Image captionA proposta do site é funcionar com pagamento de assinaturas e não com anúncios ou venda de dados

Os usuários verão os artigos que seus contatos compartilham em um formato de “timeline” (ou mural), no qual os mais recentes aparecem primeiro, e não na ordem em que o algoritmo decide com base em seus interesses.

Novo modelo de negócios

A apresentação do site WT: Social diz que a plataforma dará ao usuário a possibilidade de “fazer suas próprias escolhas sobre o conteúdo que é veiculado e editar diretamente títulos enganosos ou sinalizar postagens problemáticas”.

“Vamos promover um ambiente em que aqueles que agem mal serão removidos porque isso é o correto, não porque isso repentinamente afeta nossos resultados.”

Em uma recente entrevista ao Financial Times, Wales definiu como “problemático” o modelo de negócios baseado em publicidade que favorece os gigantes da tecnologia nas redes sociais.

Símbolo do WT Social
A parte crucial do site WT:Social são as notícias, segundo as informações da plataforma

“Acontece que o grande vencedor é o conteúdo de baixa qualidade”, disse ele.

Wales lançou uma plataforma de notícias de colaboração aberta chamada Wikitribune em 2017, destinada a combater notícias falsas e com “histórias cidadãs”.

O objetivo era salvar o jornalismo na era da chamada “pós-verdade”.

No entanto, esse projeto falhou e em 2018 ele teve que deixar de lado sua equipe de jornalistas.

retrato de Jimmy Wales em 2019Direito de imagem MARTIN BUREAU/GETTY IMAGES
Jimmy Wales lançou uma plataforma de notícias de colaboração aberta chamada Wikitribune em 2017, destinada a combater notícias falsas e com ‘histórias cidadãs’

WT: Social é uma plataforma independente da Wikipedia.

A consultora de redes sociais Zoe Cairns disse que acha que a rede terá que aumentar seus usuários rapidamente para provar ser uma alternativa viável aos gigantes da área.

“Isso exigirá que invistam muito dinheiro”, disse ela à BBC. “As pessoas estão acostumadas a redes sociais gratuitas.”

“Acho que as empresas podem pagar por isso, mas as pessoas estão acostumadas a ter as notícias na ponta dos dedos sem pagar um centavo”.

Até agora, o WT: Social tem uma lista de espera para novos usuários devido à capacidade limitada de seu servidor, segundo o site, mas espera expandir essa capacidade e também a rede social em outros idiomas.

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Aparelhos eletrônicos modernos possuem baixa reciclabilidade

O lixo eletrônico é um problema global, enquanto a mineração de materiais necessários para fabricação de dispositivos tecnológicos causa devastação. Quanto mais avançado o aparelho, mais difícil de ser reciclado.    

Componentes de um smartphone espalhados numa mesaUm smartphone médio contém 30 elementos químicos e um aparelho de ponta pode chegar a ter 75 elementos diferentes

Dentro de smartphones, tabletes, computadores e até televisores estão escondidos uma gama de materiais valiosos. E, no mais tardar quando o dispositivo eletrônico deixa de funcionar, esses tesouros permanecem trancafiados, esquecidos e estragando numa gaveta ou na vastidão de um aterro sanitário. O Electrical Waste Recycling Group (Grupo de Reciclagem de Lixo Eletrônico) do Reino Unido busca recuperar o máximo possível dos aparelhos antigos coletados de comerciantes, lixões e empresas que efetuaram uma atualização de seus dispositivos.

Caminhões carregados com eletrônicos redundantes estacionam do lado de fora da instalação do grupo localizada numa antiga fábrica têxtil perto da cidade de Huddersfield, no norte da Inglaterra. Uma vez dentro do complexo, os aparelhos eletrônicos são classificados e lançados em máquinas enormes e barulhentas que retiram as fiações e trituram os metais.

Materiais como o cobre são reduzidos a partículas e fundidos – em seguida, vendidos a comerciantes de metais e, eventualmente, acabam sendo utilizados na fabricação de novos produtos. As baterias são separadas e isoladas para não causarem curtos-circuitos e pegarem fogo.

Equipes de funcionários sistematicamente desmontam aparelhos antigos de televisão de tubo. A gerente de conformidade do Electrical Waste Recycling, Jane Richardson, estima que cada membro da equipe desmantele cerca de 80 televisores por dia.

“Quando fazemos excursões escolares, muitas crianças dizem que nunca viram uma dessas televisões antigas antes”, disse Richardson.

As crianças em idade escolar estão familiarizadas o suficiente com as novas telas planas – categorizadas também em cestos ao lado de outros dispositivos e peças. Mas sua mistificação com modelos mais antigos é uma prova da rapidez com que atualizamos a tecnologia em nossos lares.

Obsessão pela atualização

Embora todos os materiais preciosos neles contidos, os eletrônicos de consumo são essencialmente descartáveis. “No momento, a maioria dos eletrônicos tem vida linear, e não circular”, disse Elizabeth Jardim, do Greenpeace, em entrevista à DW. “Os dispositivos são usados e, em alguns anos, a maioria se torna lixo.”

A instalação em Huddersfield recebe anualmente cerca de oito mil toneladas métricas de lixo eletrônico. Mas isso representa apenas uma gota num oceano, em comparação com as mais de 44 milhões de toneladas métricas que são criadas anualmente em todo o mundo, segundo estimativas da ONU.

Centenas de televisores velhos jogados num lixão na Indonésia Países mais ricos exportam grande parte de seu lixo eletrônico para países mais pobres, eximindo-se da função de reciclagem

E os aparelhos que provavelmente atualizamos com maior frequência – os telefones celulares – são notadamente os menos presentes na instalação de reciclagem em Huddersfield.

“Os smartphones são realmente difíceis de reciclar e, no final das contas, os fabricantes não se envolvem com a comunidade de reciclagem”, disse Shaun Donaghy, diretos de operações do Electrical Waste Recycling, em entrevista à DW. “O final da vida útil dos produtos não lhes interessa.”

De acordo com um relatório emitido pelo Greenpeace em 2017, a energia consumida anualmente na produção de smartphones aumentou de 75 terawatt-hora (TWh), em 2012, para cerca de 250 TWh em 2016. Os smartphones também contêm metais de terras raras, cuja extração carrega um preço alto em várias maneiras.

Resíduos, veneno e abuso

Um novo relatório da Sociedade Real Britânica de Química (RSC) descobriu que um smartphone médio contém 30 elementos diferentes. Outras estimativas apontam que este número pode chegar a até 75 elementos em alguns modelos de ponta. Tântalo, ítrio, índio e arsênico são ingredientes essenciais que podem acabar dentro de 100 anos. Índio, por exemplo, é crucial para telas sensíveis ao toque e painéis solares.

“É transparente, adere ao vidro e realmente não encontramos nada que possa fazer o que ele faz”, explicou Elisabeth Ratcliffe, da RSC. “Trata-se de um dos elementos mais raros da Terra – um subproduto da mineração de zinco. Para obter alguns miligramas de índio, é necessário extrair um quilograma de zinco.”

A extração dessas reservas indescritíveis é cara, consome muita energia e deixa um rastro de resíduos tóxicos. A grande maioria dos metais de terras raras é extraída na China, onde as fontes de água em Jiangxi, Mongólia Interior e Shandong ficaram poluídas.

Metais de terras raras são uma categoria específica de 17 elementos químicos diferentes. Assim como outros materiais-chave da tecnologia (cobalto, estanho, tungstênio, tântalo e ouro), estes também têm sido associados a operações exploradoras que usam trabalho infantil, financiam conflitos na África e causam doenças respiratórias entre os mineradores.

Manifestantes do Greenpeace exigem que a Samsung recicle smartphones com defeitoManifestantes do Greenpeace exigem que a Samsung recicle milhões de aparelhos Galaxy Note 7 com defeito

O Electrical Waste Recycling consegue recuperar dos smartphones materiais como cobre, alumínio, chumbo, vidro e plástico – mas mesmo a reciclagem destes materiais tem se mostrado desafiador: o uso de adesivos de colagem forte em vez de parafusos dificulta o desmembramento.

Separar elementos reutilizáveis de metais de terras raras é um processo muito mais complicado, pois envolve processos químicos complexos e caros – e está além das capacidades da instalação em Huddersfield.

Cientistas trabalham em melhores maneiras de recuperar esses materiais preciosos. No momento, estima-se que apenas 1% dos metais de terras raras seja reciclado. E, à medida que avançamos em direção a um futuro sem combustível fóssil, precisaremos cada vez mais destes materiais para manter um sistema cada vez mais dependente de energia elétrica.

“À medida que as economias se eletrificam, a demanda por baterias aumenta”, disse Josh Lepawsky, especialista da Universidade de Newfoundland, no Canadá, responsável pelo mapeamento de lixo eletrônico. “Há enormes questões em aberto sobre como a descarbonização por intermédio da eletrificação será equilibrada em relação aos danos ambientais causados na extração de recursos.”

Mudança nas mãos dos fabricantes

Do lado do consumidor, existem alternativas para as grandes marcas de smartphones. A Fairphone, por exemplo, tenta obter materiais de forma mais sustentável e projetar produtos com uma vida útil mais longa e mais fáceis de serem consertados.

Mas com as pessoas acostumadas a designs inovadores, telas sensíveis ao toque e as principais empresas envolvidas na produção de intrincados dispositivos repletos de elementos químicos, as marcas como Apple e Samsung precisam fazer mais, segundo Lepawsky.

“Podemos entrar num loja e escolher entre uma variedade de modelos, mas a química subjacente a esses modelos é muito semelhante”, disse Lepawsky. “São os fabricantes que estão em posição de mudar essa química. Portanto, a ideia de mudança impulsionada pelo consumidor é quase um conceito sem sentido.”