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A economia global no pós-pandemia

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A perda de empregos tem efeitos sobre a capacidade de consumo das famílias. Por ora, os efeitos negativos mais intensos do desemprego estão sendo sentidos principalmente por pessoas de baixa renda, que gastam tudo ou quase tudo do que ganham. Os indícios são de que as perdas salariais vão atingir também frações superiores da distribuição de renda. Com a queda da massa salarial, parece inevitável que o consumo das famílias, pelo menos o de natureza mais discricionária, parta de patamares muito inferiores em relação aos níveis pré-crise.

A crise econômica ganhou autonomia em relação ao choque que a gerou. Isto é, apesar de a crise econômica ter origem na pandemia, é improvável que a solução do problema médico-sanitário resolva o problema econômico.

Veja no novo artigo do Observatório da Economia Contemporânea:

Não há quem considere que a crise econômica global atual seja independente da pandemia de Covid-19. Justamente por isso essa crise se distingue das passadas. Não se sabe ainda a extensão dos danos econômicos e sequer se já atingimos o fundo do poço. Apesar disso, tem-se discutido os cenários sobre como será a atividade econômica mundial pós-pandemia. Esse texto argumenta que a crise econômica ganhou autonomia em relação ao choque que a gerou. Isto é, apesar de a crise econômica ter origem na pandemia, é improvável que a solução do problema médico-sanitário resolva o problema econômico.

Acumulam-se evidências de que o choque econômico gerado pelo novo coronavírus é pelo menos de proporção tão grande quanto aqueles vivenciados na Grande Depressão e na Crise Financeira Global de 2007-2009. O choque atual incide sobre uma economia que já vinha em desaceleração. As últimas estimativas do FMI sugerem que a economia global deve encolher cerca de 3% em 2020, muito mais do que a retração de 0,07% observada em 2009.

Ainda segundo o FMI, as economias dos Estados Unidos e da Eurozona devem encolher 5,9% e 7,5%, respectivamente. No caso da Zona do Euro, Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, já alertou que espera em 2020 contração ainda maior que a estimada pelo FMI, algo entre 8% e 12%. Projeta-se uma taxa de crescimento da economia chinesa de 1,2% em 2020, que seria a menor desde o final da Revolução Cultural, em meados da década de 1970. Há ainda muitos países que terão a maior recessão desde o pós-Segunda Guerra Mundial.

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Glass globe with stacks on US paper currency underneath

As informações já disponíveis sobre mercado de trabalho, produção e vendas também expressam um choque de grandes proporções. Nos Estados Unidos, cerca de 43 milhões de pessoas já solicitaram seguro desemprego, perfazendo mais de 27% da força de trabalho do país. A taxa de desemprego de 13,3%, observada em maio último, supera a do pico do desemprego da crise de 2007-2009, que foi de 10%. Matéria da Bloomberg aponta que tem havido cortes de salários daqueles que ainda estão empregados, o que é atípico mesmo em recessões. O grau de utilização da capacidade instalada manufatureira já atingiu, em abril, mínimas históricas, indicando 35% de capacidade ociosa. Na Eurozona, os impactos no mercado de trabalho têm sido mais tênues por enquanto, em função das regulações trabalhistas e das políticas econômicas focadas em evitar demissões em massa. Contudo, as perspectivas são também de forte crescimento do desemprego. O grau de ociosidade na Eurozona já é comparável ao do vale da crise de 2007-2009, atingindo cerca de 30% conforme dados da Eurostat.

Ou seja, os dados já disponíveis e as estimativas de consenso pintam um cenário nefasto e sem precedentes em termos da profundidade e velocidade de deterioração da atividade econômica global.

Suponha-se um cenário otimista: a pandemia acabará logo e uma eventual segunda onda será, de alguma forma, controlada. Evidentemente, parte da deterioração da atividade econômica será dissipada na medida em que o problema médico-sanitário seja superado. Mas poderíamos declarar que a economia estará saudável com a remissão da pandemia?

Olhemos para alguns dos seus efeitos. Eles se manifestaram tanto do lado da oferta quanto do lado da demanda. O necessário isolamento social acarretou algum grau de paralisação da atividade econômica e grande parte dos agentes econômicos perdeu receitas, o que tem consequências dinâmicas diversas, as quais, em geral, desencadeiam cortes de gastos.

O nível de emprego é um dos termômetros mais importantes da atividade econômica. A experiência histórica indica que a perda de empregos ocorre, em geral, mais rápido do que a sua retomada. O gráfico abaixo exemplifica o problema. Ele mostra o percentual de empregos perdidos em relação ao pico em todas as recessões dos Estados Unidos pós-guerra e em quantos meses o nível de emprego pré-crise é recuperado. Uma das coisas que se pode observar é que a retomada do volume de empregos perdidos na recessão de 2007-2009 levou mais de seis anos, no que foi a recuperação mais lenta no pós-guerra. Na recessão atual, iniciada em fevereiro, a perda de empregos tem se mostrado ainda mais rápida e pronunciada que em 2007-2009.

Quanto tempo levará para que o nível de emprego seja retomado na recessão atual? No caso dos Estados Unidos, mesmo considerando que parte importante da perda de empregos refletida no gráfico se deveu a licenças temporárias, seria necessário que a recuperação do emprego repetisse, na subida, a velocidade da queda, e que se revertesse rapidamente a tendência de baixa nos demais países. É possível que isso aconteça, mas para isso seriam necessários novos ineditismos.

Economia global no pós-pandemia

A perda de empregos tem efeitos sobre a capacidade de consumo das famílias. Por ora, os efeitos negativos mais intensos do desemprego estão sendo sentidos principalmente por pessoas de baixa renda, que gastam tudo ou quase tudo do que ganham. Os indícios são de que as perdas salariais vão atingir também frações superiores da distribuição de renda. Com a queda da massa salarial, parece inevitável que o consumo das famílias, pelo menos o de natureza mais discricionária, parta de patamares muito inferiores em relação aos níveis pré-crise.

As empresas do setor de serviços e manufatureiras, por sua vez, estão com muita capacidade ociosa. Mesmo em um cenário em que o restante da atividade econômica retome em “V”, elas poderão atender à demanda sem necessidade de expandir a capacidade, desestimulando novos investimentos privados.

Alternativamente, o investimento privado poderia ser puxado pela reposição ou substituição de máquinas e equipamentos existentes para ganhar eficiência produtiva, mas parece pouco plausível que a maior parte das empresas esteja, em nível global, disposta a lidar com as potenciais baixas contábeis envolvidas e/ou com as subtrações requeridas de caixa, num contexto em que liquidez vale muito. Taxas de juros baixas não farão milagre.

Por fim, mas não menos importante, um grande efeito da pandemia é que muitos agentes econômicos se endividaram ou reduziram reservas previamente acumuladas, não porque se desejava acumular capital não financeiro (investir), mas porque as quedas drásticas de receita não eliminaram, proporcionalmente, as contas a pagar. Isso dá um indício de que a tônica, pelo menos dos agentes privados que não forem à falência, será cortar gastos para saldar dívidas ou reconstituir reservas. Se alguém quer comprar menos, alguém, mesmo que possa e queira vender, não vende mais.

Portanto, há muitos indícios de que a economia global estará emaranhada em uma espiral pouco virtuosa, em que consumo e investimento combalidos geram pouco emprego e receitas anêmicas, retroalimentando a fraqueza da atividade econômica.

Estando o mundo acometido por uma infecção que rompeu os elos tradicionais entre oferta e demanda, as políticas econômicas já adotadas globalmente parecem ter atingido o que poderiam em termos econômicos: estancaram o sangramento. Também está claro que quanto mais tempo a economia estiver exposta aos efeitos da pandemia, pior. Mas, se uma solução qualquer resolvesse o problema sanitário hoje, seus efeitos na economia global se dissipariam completamente, como num passe de mágica? Não parece que esse seja o caso. Diante da magnitude do choque, sequelas foram infligidas no organismo econômico global, o que aumenta substancialmente a probabilidade de uma recuperação lenta da atividade econômica ao longo dos próximos anos, se nada mais for feito.

A política monetária está, mundo afora, perto do seu limite. A nível global, provavelmente serão necessárias novas rodadas de afrouxamento fiscal, como os recentemente anunciados pela Alemanha, cujos desenhos específicos devem ser moldados a partir das escolhas democráticas de cada país e/ou região. Mas há, contudo, o risco de que velhos dogmas prevaleçam e embarguem o tratamento que poderia salvar o doente, ou pelo menos atenuar seu sofrimento.

Ítalo Pedrosa é professor de Economia do Instituto de Economia da UFRJ.

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O trabalho remoto não é o fim do vale do silício, mas é o fim de algo

A era de ouro dos escritórios
de tecnologia chega ao fim

Os funcionários trabalham na “Sala de Guerra” do Facebook durante uma demonstração na mídia em 17 de outubro de 2018, em Menlo Park, Califórnia. Foto: Noah Berger / Getty Images

A noção de que o trabalho remoto é o caminho do futuro não é nova. É muito anterior à pandemia e se tornou popular nos Estados Unidos quase tão logo os bloqueios começaram. A resposta ao coronavírus é uma prévia do futuro auto-isolante da sociedade – um futuro que ameaça exacerbar as divisões de classe, entre outros efeitos de longo alcance.
Ainda assim, é notável o quão subitamente algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo adotaram esse futuro.

Na semana passada, conforme coberto neste boletim, o Twitter anunciou que permitiria que seus funcionários trabalhassem em casa permanentemente. Nesta semana, as comportas foram abertas.Você pode tirar os técnicos do Vale do Silício…

Em 2013, a ex-CEO do Yahoo, Marissa Mayer, tomou uma medida controversa para proibir seus funcionários de trabalhar em casa. A ideia de que o trabalho remoto era antitético à colaboração rapidamente ganhou força no mundo corporativo e, em 2017, era uma sabedoria convencional. Eu acho que essa foi uma daquelas “opiniões fortes, fracamente defendidas” pelas quais alguns líderes do Vale do Silício gostam, porque nesta semana o mundo da tecnologia girou na direção oposta. No espaço de alguns dias, Square, Shopify e Facebook seguiram o Twitter, sinalizando uma mudança para adotar o trabalho remoto como padrão.

O anúncio do Facebook na quinta-feira foi demais, por causa da enorme escala e influência da empresa, mas também porque até recentemente era um exemplo da perspectiva de “escritórios importantes”. Como o Google antes, a cultura do Facebook desfocou famosamente as linhas entre vida profissional e vida pessoal, com escritórios que funcionavam como uma extensão da experiência da faculdade para seus funcionários, em sua maioria jovens. A palavra “campus” era apropriada de várias maneiras, e a sede do Menlo Park, projetada por Frank Gehry, no Facebook, incorporava a tendência em direção a complexos cada vez maiores e extravagantes.

O CEO Mark Zuckerberg disse à equipe em uma reunião ao vivo que a empresa permitiria que muitos funcionários trabalhassem em casa permanentemente. Ele previu que metade de sua força de trabalho o faria dentro de cinco a dez anos.Facebook,Zuckerberg,Tecnologia,Redes Sociais,Internet,Privacidade

Compreensivelmente, as notícias desencadeiam uma cascata de tomadas e previsões sobre o que as empresas podem seguir, se os funcionários se mudarão do Vale do Silício, onde se estabelecerão e se receberão o mesmo valor quando chegarem. A última é uma pergunta interessante, que Matt Zeitlin explorou no OneZero, assim como a tecnóloga Blair Reeves em seu blog pessoal e, bem, muitas outras em muitos outros lugares. Zuckerberg já respondeu pelo Facebook, dizendo que os funcionários que saírem da área da baía terão seus salários ajustados com base em sua localização.

Quanto esses salários serão ajustados, é claro. Se mudar para Detroit ou Montana significa, digamos, um corte de 15% nos salários, é muito melhor trabalhar a partir daí do que em Menlo Park (pelo menos em termos financeiros). Mas se os salários fossem totalmente reduzidos ao custo de vida local, o corte salarial seria muito mais profundo e a maioria dos funcionários ficaria melhor nas cidades mais caras, onde poderiam despejar seus salários muito mais altos em imóveis mais valiosos, para não mencionar desfrutando das comodidades que colocam essas cidades em uma demanda tão alta em primeiro lugar.

É tentador, com um anúncio como esse, jogar imediatamente todas as implicações e assumir que elas já aconteceram. Provavelmente, existe alguma linha do tempo possível em que isso acaba sendo o começo do fim do Vale do Silício, à medida que os técnicos fogem em massa para locais distantes, a sede fica vazia, os preços dos imóveis em Bay Area convergem para a média nacional e a tecnologia se torna uma indústria totalmente distribuída. Realisticamente, no entanto, isso não acontecerá tão cedo. Os seres humanos ainda são criaturas sociais, Zoom e Slack são substitutos profundamente defeituosos da presença física, e grande parte da indústria criou raízes no Vale do Silício (ou Seattle, nos casos da Microsoft e da Amazon).

Essas raízes não serão simplesmente arrancadas pela opção de trabalhar remotamente. Também existem empresas, como a Apple, para as quais a presença física não é apenas uma questão de cultura, mas de sigilo e segurança operacional. (Mark Gurman, da Bloomberg, teve uma boa notícia em março sobre como a Apple está se adaptando em particular.) Portanto, não, isso não será um golpe mortal para o Vale do Silício – embora, como apontou minha colega do OneZero, Sarah Emerson, possa ter efeitos profundos no Menlo Park e seus arredores imediatos. Mas isso pode marcar o fim de grandes e importantes escritórios de tecnologia que formaram não apenas o coração pulsante da cultura de uma empresa, mas também um ponto focal da vida social dos funcionários.O Spotify está se tornando o Netflix de podcasts. Na terça-feira, a empresa sueca de streaming anunciou que assinou um contrato exclusivo com Joe Rogan, cujo podcast está entre os mais populares do mundo. É um golpe no YouTube, onde Rogan não publicará mais seus podcasts na íntegra e, de maneira mais geral, um golpe nos podcasts como um ecossistema aberto. O Spotify já havia adquirido as redes de podcast Gimlet Media e The Ringer, e agora está claro que a empresa leva a sério a vantagem de conquistar o máximo de mercado possível.

A corporação e o isolamento dos podcasts é um lamento para outra época. Mas, do ponto de vista estratégico, o conteúdo exclusivo é uma proteção astuta para uma empresa cujo principal produto, a música, está disponível de forma quase idêntica em outras plataformas, incluindo a Apple, que tem poder de mercado para inclinar o campo a seu favor.

O conteúdo original provou ser crítico no setor de streaming de vídeo, onde Netflix, Amazon Prime, Hulu e Disney + competem pelo menos tanto em sua lista de exclusivos quanto em preço ou interface do usuário. Embora o acordo com a Rogan possa parecer um alvo improvável para o escrutínio antitruste, Matt Stoller apresenta um argumento surpreendentemente persuasivo para a intervenção regulatória.Ciência,EUA,China,Tecnologia,Computação Quântica

O bate-papo por voz está crescendo, por enquanto. Enquanto plataformas de bate-papo por vídeo, como Zoom e Houseparty, ganham mais atenção como beneficiárias do bloqueio de coronavírus, a próxima onda de aplicativos sociais se concentra no áudio. O Clubhouse, um aplicativo de bate-papo por voz que ganhou popularidade em uma versão beta privada com o conjunto de capital de risco, foi avaliado em US $ 100 milhões na semana passada em uma rodada de angariação de fundos liderada pela A16Z, informou a Forbes.

E o Discord, cujas conversas por voz há muito tempo são as favoritas dos jogadores, estava em negociações para levantar uma nova rodada com uma avaliação de US $ 3 bilhões. Embora o Discord esteja bem estabelecido para certos casos de uso, se uma empresa pode cumprir as esperanças dos investidores dependerá se o apetite das pessoas por melhores maneiras de conversar entre si on-line persistirá quando voltarem à melhor maneira de conversar entre si. outro, que está offline.

Coronavírus: Como trabalhar em casa da maneira certa

Empresas de todo o mundo lançaram trabalho remoto obrigatório. Seja você um novato ou um veterano da WFH, eis o que você precisa fazer para se manter produtivo.

Google, Microsoft, Twitter. Hitachi, Apple, Amazon. Chevron, Salesforce, Spotify. Do Reino Unido aos EUA, Japão e Coréia do Sul, essas são todas as empresas globais que, nos últimos dias, implementaram políticas obrigatórias de trabalho em casa em meio à disseminação do Covid-19.

E é realista supor que a mudança para o ‘escritório em casa’ se tornará o novo normal para muitos de nós por um tempo, dado o anúncio de quarta-feira pela Organização Mundial da Saúde de que o coronavírus atingiu oficialmente o status de ‘pandemia’.

Alguns funcionários trabalharão em casa pela primeira vez, o que significa descobrir como permanecer na tarefa em um novo ambiente que pode não ser adequado à produtividade. Mas existem maneiras de obter resultados e evitar enlouquecer, desde a criação de um bom espaço de trabalho até a maneira como você conversa com sua equipe.

Aumente a comunicação

Com coronavírus ou não, a chave para trabalhar em casa é uma comunicação clara com seu chefe – e saber exatamente o que você espera de você.

“Tenha expectativas muito claras para as comunicações dia a dia”, diz Barbara Larson, professora de administração da Northeastern University, em Boston, que estuda trabalho remoto. “Pergunte ao seu gerente se eles não se importam de ter uma ligação de 10 minutos para começar o dia e encerrar o dia. Muitas vezes, os gerentes simplesmente não pensam nisso.”

Empresas de pequeno e grande porte em todo o mundo começaram a implementar esquemas obrigatórios de trabalho remoto para promover o distanciamento social para impedir a expansão do Covid-19 (Crédito: Getty Images)

A maioria das pessoas passa seus dias nas proximidades de seu chefe, o que significa que a comunicação é fácil e sem esforço. Mas tudo fica fora da janela com o trabalho remoto, e a falha na comunicação é ainda mais provável se o seu local de trabalho não estiver acostumado a trabalhos remotos. Seu gerente pode não estar acostumado a gerenciar pessoas virtualmente, por exemplo, ou sua empresa pode não ter um conjunto pronto de ferramentas para trabalhadores remotos, como o aplicativo de bate-papo Slack ou o aplicativo de videoconferência Zoom, diz Larson.

Mas mesmo para os que estão acostumados, trabalhar em casa pode parecer desestruturado e isolado. No ano passado, um estudo com 2.500 funcionários remotos da agência de desenvolvimento de marcas online Buffer descobriu que a solidão era o segundo desafio mais relatado, vivido por 19% dos entrevistados. A solidão pode fazer com que as pessoas se sintam menos motivadas e menos produtivas.

Fora da vista, fora da mente pode ser um problema real para trabalhadores remotos – Sara Sutton
Então, quando você se comunica com seu chefe e equipe em casa, ajuda se o máximo possível puder ser uma comunicação “mais rica”, cara a cara e instantânea, Larson diz: videochamadas, Skype, Zoom.

“Fora da vista, esquecer pode ser um problema real para os trabalhadores remotos”, diz Sara Sutton, CEO e fundadora do FlexJobs, um site remoto de listagem de empregos. “Os melhores funcionários remotos chegarão regularmente a colegas e gerentes” através de uma variedade de ferramentas.

“Trate como um trabalho de verdade”

Existem também algumas dicas atemporais da WFH para recorrer. Por exemplo, só porque você pode descansar de pijama não significa que você realmente deveria. “Tome um banho e se vista. Trate-o como um trabalho de verdade ”, diz Larson.

Se você não possui um escritório em casa, faça o máximo possível para criar um espaço ad hoc personalizado, exclusivo para o trabalho. “Não ter um escritório em casa bem equipado quando [as pessoas] começam a trabalhar remotamente pode causar uma diminuição temporária da produtividade”, explica Sutton. Ela diz que monitores duplos, teclado e mouse sem fio a tornam mais produtiva em casa.

Um ciclista na Itália treina em casa em uma bicicleta ergométrica para evitar sair de casa, pois o país continua com um bloqueio nacional em meio à pandemia de Covid-19 (Crédito: Getty Images)

Então, em vez de deitar na cama com um laptop, tente algo mais deliberado. A solução pode ser algo tão simples quanto mover uma mesa de cabeceira para um canto longe das distrações, desligar o computador e sentar em uma cadeira ereta, como faria na mesa do escritório. No entanto, lembre-se do “pescoço tecnológico” e de outras necessidades ergonômicas.

Isso também serve como um sinal importante para quem mora com você de que você está no trabalho. “Crie limites dentro de sua casa que os membros de sua família entendam: ‘Quando a porta estiver fechada, finja que não estou lá'”, diz Kristen Shockley, professora associada de psicologia da Universidade da Geórgia.

Com um espaço de trabalho dedicado onde você pode se concentrar, fica mais fácil desbloquear os benefícios do trabalho remoto. Em uma pesquisa com 7.000 trabalhadores no ano passado pela FlexJobs, 65% disseram que são mais produtivos trabalhando em casa, citando benefícios como menos interrupções de colegas, políticas mínimas no escritório e redução do estresse no deslocamento.

“Seguimentos psicológicos”, como um exercício matinal de café ou tarde de 20 minutos, podem colocar você na mentalidade de trabalho correta
No entanto, também é importante reservar o seu dia. Naquela pesquisa do Buffer, a reclamação WFH mais citada foi a incapacidade de desconectar após o trabalho. Se você não pode se deslocar ou entrar e sair de um escritório físico, o que fornece limites mais claros para a jornada de trabalho, Shockley sugere “seguimentos psicológicos” que podem ajudar a colocar você na mentalidade certa: como um café de 20 minutos pela manhã e depois exercite-se logo após o trabalho para abrir e fechar o dia.

“Mesmo que o cuidado das crianças não seja um problema, ainda é fácil quando você está em casa [para pensar]: ‘tenho roupa para lavar, deixe-me fazer isso muito rápido'”, diz ela. “Você precisa se colocar em um estado de espírito que realmente está trabalhando”.

Evite sentir-se isolado

Mesmo assim, mesmo com essas ferramentas, a natureza imposta e abrupta da transição de um escritório para um ambiente doméstico pode deixar alguns problemas para se acostumar com a mudança.

“O coronavírus está empurrando todos para esse tipo de trabalho extremo em casa”, diz Nicholas Bloom, professor de economia da Universidade de Stanford, na Califórnia, que ministra palestras ao TED sobre trabalho remoto. Ele diz que existem dois tipos de trabalho em casa: trabalho a curto prazo ou ocasional em casa e trabalho permanente ou em período integral em casa. “É como comparar exercícios leves com treinamento de maratona”, diz ele.

O último ainda é bastante raro – Bloom diz que apenas 5% da força de trabalho dos EUA, por exemplo, informa que são trabalhadores remotos em período integral. Com o coronavírus, não está claro quanto tempo as pessoas ficarão em casa, o que apresenta problemas adicionais. Os pais, por exemplo, acharão mais difícil trabalhar se as crianças estiverem em casa porque as escolas estão fechadas, o que significa que uma comunicação próxima com os gerentes – que precisam entender – é vital.

Especialistas dizem que a comunicação de “alta fidelidade”, como videochamadas, enquanto trabalha em casa combate o isolamento, salvaguarda a unidade e a produtividade da equipe (Crédito: Getty Images)

O isolamento prolongado também pode impactar potencialmente no moral e na produtividade. É por isso que Larson sugere que as equipes tentem manter uma aparência de normalidade e camaradagem de maneiras não convencionais, como festas virtuais de pizza ou happy hours remotas, onde as pessoas discam e compartilham um coquetel no Slack ou Skype.

“É uma boa maneira de se relacionar – é meio estranho, mas todo mundo está se sentindo estranho, então é divertido”, diz Larson, descrevendo a mentalidade de “estamos todos juntos nisso”. “Isso adiciona um pouco de leveza e leveza ao ambiente difícil.”

Sutton também apóia a idéia de traduzir as atividades sociais no escritório para um ambiente online. “Comemore aniversários, elogie o público por metas alcançadas e projetos concluídos”, diz ela. “Arranje tempo para conversas casuais e bate-papo com ‘bebedouros’.”

“Mantenha o ânimo”

Não se engane, estes são tempos estressantes. Manchetes negativas, preocupação com entes queridos ou idosos e luta contra o desejo de entrar em pânico comprando papel higiênico podem colocar todos os e-mails de trabalho em resposta. Porém, quanto mais esforço você faz para se comunicar com os colegas, maior a chance de evitar sentimentos de isolamento, o que pode levar à depressão.

“No geral, um período curto de, digamos, duas a quatro semanas trabalhando em casa em tempo integral, acho que seria econômica e pessoalmente doloroso, mas suportável”, diz Bloom. “Um período mais longo de, digamos, dois ou três meses em tempo integral trabalhando em casa pode levar a sérios custos econômicos e de saúde”.

As soluções para as armadilhas do trabalho em casa incluem o máximo de interação online possível.

Ele concorda que as soluções para isso incluem o máximo de interação online possível através de videochamadas, check-ins regulares para gerentes – especialmente para os funcionários que moram sozinhos e que podem se sentir mais isolados – e reuniões regulares sem agenda, como agendar café ou uma bebida.

Se você é gerente, cabe a você fornecer uma comunicação clara e também é crucial manter o moral. “É fácil ficar estressado ou deprimido hoje em dia”, diz Larson. Se você é gerente, “reconheça que há estresse e dificuldade. Seu trabalho é ser líder de torcida da equipe. ”

Isso é particularmente importante se as pessoas acabam trabalhando em casa por mais de algumas semanas, o que é uma possibilidade distinta. “Estabeleça algum tipo de norma”, diz Larson. “Mantenha o ânimo das pessoas.”

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R$ 7 trilhões por ano: os estudos que tentam calcular quanto a Amazônia, em pé, rende ao Brasil

Ocupando quase a metade do território brasileiro, a Amazônia é objeto de debates inflamados entre os que desejam protegê-la, conservá-la e ‘monetizá-la’

Quanto vale a Amazônia? Ou melhor, quanto custariam, para o Brasil, os serviços que ela nos oferece gratuitamente?

A Amazônia brasileira possui hoje 340 milhões de hectares de floresta ainda intacta. Ocupando quase a metade do território brasileiro, ela é objeto de debates inflamados entre os que desejam protegê-la, conservá-la e “monetizá-la”.

Em entrevista recente à BBC News Brasil, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que a Amazônia só será preservada se forem encontradas “soluções capitalistas” que deem dinamismo econômico para a floresta e gerem renda para os cerca de 20 milhões de brasileiros que habitam a região.

Seguindo essa lógica — a de que é preciso fazer a Amazônia “render” dentro do sistema capitalista —, economistas e ecólogos vêm, há algumas décadas, tentando calcular o valor monetário dos serviços que o meio ambiente oferece aos humanos.

Eles dizem que com isso querem, primeiro, abrir um diálogo com as várias correntes de pensamento usando uma linguagem que todos entendem: o cifrão. Segundo, querem mostrar que a natureza (e nesta reportagem, a floresta) não é um patrimônio “que está ali à toa, fazendo nada”. Já contribui muito para a economia do planeta.

Terceiro, os pesquisadores propõem que os estudos sirvam como ponto de partida para decisões futuras.

No caso da Amazônia, a ideia é que esses estudos auxiliem os brasileiros na busca de atividades econômicas sustentáveis baseadas em um conhecimento profundo do potencial da floresta. Para que ela renda ainda mais dólares — em pé.

Isso não é sonho mirabolante e já foi feito antes, eles argumentam. No auge do ciclo da borracha, a floresta contribuía com mais de um terço das exportações brasileiras e rivalizava com a lavoura do café no período — sem que uma árvore fosse derrubada.

Estudo mundial e estudo brasileiro

Muda de planta perto de pilhas de moedasDireito de imagem GETTY IMAGES
Alguns pesquisadores têm se especializado no cálculo, em dinheiro, dos serviços oferecidos pela natureza

Em particular, dois estudos revelam números surpreendentes sobre a contribuição financeira atual da Floresta Amazônica para o Brasil.

Um deles é o estudo global macroeconômico Changes in the Global Value of Ecosystem Services, liderado pelo americano Robert Constanza, professor da Crawford School of Public Policy da Universidade Nacional da Austrália e pioneiro em estudos de precificação dos serviços oferecidos pela natureza.

Publicado em 2014, esse estudo — que atualiza um trabalho anterior do especialista — calcula o valor de diferentes tipos de biomas, entre eles, as florestas tropicais. Segundo os cálculos, a Amazônia brasileira rende ao país (e ao mundo) cerca de US$ 1,83 trilhão (R$ 7,67 trilhões) por ano em valor bruto.

O segundo estudo, Valoração Espacialmente Explícita dos Serviços Ecossistêmicos da Floresta Amazônica Brasileira, publicado em novembro de 2018, foi liderado pelo modelador ambiental Britaldo Soares Filho, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e realizado em parceria com o Banco Mundial. A equipe, integrada por pesquisadores de várias universidades brasileiras, precificou, em valores líquidos, um pequeno número de serviços que a Amazônia oferece.

O estudo concluiu, por exemplo, que o valor somado de diferentes serviços pode chegar, em determinadas áreas, a US$ 737 (R$ 3 mil) por hectare por ano. Esse valor é muito superior à renda gerada pela pecuária de baixa produtividade praticada na Amazônia — cerca de US$ 40 (R$ 167) por hectare por ano, segundo os pesquisadores.

A BBC News Brasil contactou pesquisadores envolvidos nesses estudos. A seguir, vamos destacar alguns dos números encontrados.

US$ 1,83 trilhão por ano: contribuição anual da Amazônia

Robert Constanza iniciou suas pesquisas em precificação de serviços ecossistêmicos e praticamente criou, no final da década de 1990, uma nova disciplina, a Economia Ecológica.

O cientista não é pouco ambicioso. Em 1997, decidiu calcular o valor total dos serviços ecossistêmicos do planeta. Entre eles, regulação climática, gestão da água, controle da erosão, polinização, controle biológico, fornecimento de alimentos, combustíveis e fibras, serviços culturais e recreativos.

O valor obtido foi US$ 33 (R$ 138) trilhões (em 1997), atualizado, no estudo de 2014, para US$ 125 (R$ 524) trilhões por ano. Coloquemos esse número em contexto: em 1997, o PIB mundial era US$ 18 (R$ 75) trilhões; em 2014, US$ 80 (R$ 335) trilhões.

O trabalho de Constanza é polêmico e ele recebe críticas de todos os lados. Os economistas questionam suas metodologias. “Como é possível que a natureza valha mais do que o PIB mundial?”, perguntam.

Já os ecologistas dizem que o cálculo é inútil, porque a natureza não pode ser reduzida a cifrões. Sem ela, não haveria vida humana. Seu valor, portanto, tem de ser infinito, argumentam.

Mas o pesquisador se defende explicando que seus cálculos são apenas estimativas, cujo objetivo é permitir que países façam sua própria contabilidade. Que percebam que aquela área de floresta, de pântano ou de caatinga que aparentemente está inerte não é patrimômio parado.

Em uma palestra, um integrante da equipe de Constanza — o geógrafo Paul Sutton, da Universidade de Denver, nos Estados Unidos — explicou:

“Queremos que as pessoas tenham estimativas confiáveis dos benefícios que recebemos da natureza, e na moeda que todo mundo entende: o dólar.”

“Nós concordamos, a natureza é infinitamente valiosa. Mas não a tratamos como tal”, disse. “Estamos tratando a natureza como se o seu valor fosse zero.”

Precificando a polinização: metodologias

Foto próxima de abelha sobre flor, repleta de pólenDireito de imagem GETTY IMAGES
No cálculo de Constanza, o valor da polinização é o custo que é evitado quando as abelhas fazem esse serviço para nós, ‘gratuitamente’

Para fazer seus cálculos, a equipe de Constanza combinou múltiplos métodos e milhares de estudos publicados por cientistas de todo o mundo.

Para estimar o valor da polinização, por exemplo, o raciocínio foi o seguinte:

“Se tivéssemos de substituir a polinização feita pelas abelhas por trabalho humano, para polinizar manualmente a lavoura, o custo seria US$ 200 (R$ 838) bilhões por ano”, disse Sutton. Portanto, ele explicou, o valor da polinização é o custo que é evitado quando as abelhas fazem esse serviço para nós, gratuitamente.

Para calcular o valor de serviços como a produção de combustíveis e alimentos, a equipe simplesmente usou os valores de mercado desses serviços.

O efeito protetor dos manguezais de Fukushima

Manguezais, como os que estão sendo ameaçados pelo vazamento de óleo no Nordeste brasileiro, prestam serviços valiosíssimos. “Sabemos que os manguezais evitam que marés adentrem e destruam parte das cidades em dias de ressaca”, disse o professor de Ecologia Jean Paul Matzger, do Instituto de Biociência da Universidade de São Paulo, USP, à BBC News Brasil.

“Para Constanza, a pergunta foi: qual seria o prejuízo que teríamos se não houvesse o manguezal?”. Para responder a essa pergunta, a equipe estudou o acidente na usina nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011.

“Eles perceberam que o fato de você ter a proteção dos mangues dá uma super-segurança para as usinas. Havia situações com e sem mangue. Foi justamente assim (fazendo a comparação) que eles avaliaram o prejuízo que (que o vazamento das usinas) tiveram pela ausência do mangue.”

Em 2014, Robert Constanza revisou o valor dos manguezais.

“O valor dos mangues aumentou muito”, disse Metzger. “São US$ 194 mil (R$ 813 mil) por hectare ao ano.”

Já as florestas tropicais, segundo o estudo de Constanza, podem gerar benefícios estimados em US$ 5,4 mil (R$ 22,5 mil) por hectare/ano.

Estudo Brasileiro: Um mapa dos tesouros da Amazônia

Esteira com castanhas-do-pará e mãos de uma pessoa trabalhando manipulando-asDireito de imagem GETTY IMAGES
Estudo brasileiro inclui ganhos com produção de alimentos e matérias-primas da Amazônia

Mas o estudo de Constanza não leva em conta as especificidades de cada floresta tropical. Ele oferece apenas um valor médio global. E a Floresta Amazônica é única em vários aspectos. Por exemplo, ela é a mais biodiversa do planeta, segundo especialistas.

Entra em cena o estudo brasileiro, o mais importante desse tipo já feito no país, publicado na prestigiosa revista Nature Sustainability.

O Estudo Espacialmente Explícito de Valoração investiga exclusivamente a porção brasileira da Amazônia e precifica, com maior precisão, um número menor de serviços que ela oferece à economia do Brasil — produção de alimentos (castanha-do-pará), produção de matérias-primas (borracha e madeira sustentável), mitigação dos gases do efeito estufa (absorção e retenção do carbono) e regulação climática (produção de chuva e energia hidrelétrica). O estudo também mapeia a biodiversidade da Amazônia, embora sem precificá-la.

Segundo seus autores, a ideia era criar uma espécie de ferramenta, um mapa que ajudasse tomadores de decisão a desenhar políticas de preservação e uso sustentável dos recursos da floresta.

“O estudo avalia o potencial hoje da floresta de gerar valor econômico em termos líquidos”, disse à BBC News Brasil um de seus autores, o professor da UFMG Raoni Rajão, especialista em gestão ambiental e validação econômica.

Crucialmente, os vários gráficos e tabelas apontam as áreas em que as autoridades deveriam intervir com maior urgência para evitar a perda de valiosos serviços e produtos florestais que — os pesquisadores ressaltam — beneficiam toda sociedade.

Trata-se das áreas em que os serviços prestados podem alcançar o valor mais alto estimado, US$ 737 por hectare por ano.

Ou, fazendo o raciocínio inverso…

“O desmatamento nessas áreas pode gerar prejuízos de até US$ 737 por hectare por ano”, explicou Rajão.

Os pesquisadores explicam que, nessas regiões, os valores são altos porque, ali, vários serviços se combinam: produção de alimentos e de matérias-primas e também serviços indiretos, como regulação climática e absorção do carbono.

Segundo Rajão, essas são também as áreas sob maior risco de ocupação ilegal e desmatamento para a pecuária de baixa produtividade (a mais prevalente na Amazônia).

Isso não é coincidência, explicou. As terras mais valiosas identificadas são as áreas da Amazônia onde o acesso é mais fácil. Por serem de fácil acesso, são também as mais viáveis economicamente. Estamos falando de terras próximas de estradas, de rios e próximas de outras áreas já desmatadas.

Se é assim, então por que não sair abrindo estradas para aumentar a rentabilidade de toda a Amazônia? — você talvez esteja se perguntando.

Porque estradas atraem assentamentos ilegais e mais desmatamento, explicou o pesquisador. E isso pode ter consequências catastróficas para a Amazônia.

Funciona desta forma: a floresta tropical é capaz de gerar sua própria umidade. Mas a floresta desmatada e degradada produz menos umidade, pega fogo mais facilmente, perde a função de transportadora e retentora de umidade. Isso gera um efeito cascata que se alastra por toda a floresta, disse Rajão.

“Quando você degrada a floresta, você faz com que áreas que não foram desmatadas também se ressequem.”

“Então, se fizermos isso (se sairmos rasgando a floresta com estradas), chegaremos ao que os cientistas chamam de ‘tipping point’. Um limite de destruição após o qual a floresta inteira morre.”

US$ 737 (estudo brasileiro) X US$ 5.382 (estudo global)

Ilustração mostra o planeta, com destaque para porções verdesDireito de imagem GETTY IMAGES
Diferentes abordagens e métodos explicam resultados também distintos em estudos de precificação

De volta aos estudos de precificação, como explicar a discrepância tão grande entre os valores encontrados pelos dois estudos?

Nesse ponto, é preciso lembrar que o estudo de Robert Constanza estimou o valor somado de todos os serviços realizados por florestas tropicais.

O estudo brasileiro mediu apenas quatro serviços da Amazônia. Ficaram de fora, além da biodiversidade, serviços de recreação e turismo, retenção de nutrientes, proteção contra inundações, produção de alimentos pela pesca e benefícios à saúde, entre vários outros.

Outra diferença: o estudo global traz valores brutos, o brasileiro, valores líquidos.

E porque buscou valores precisos, o estudo brasileiro acabou trazendo resultados bastante conservadores, explicou Rajão. Tudo aquilo que não pôde ser comprovado na ponta do lápis acabou ficando fora da conta.

Ainda assim, colocado em contexto na realidade do Brasil, US$ 737 por hectare é um valor altíssimo, explicou o pesquisador. Ele usa os números da pecuária para efeito de comparação.

“Muitos acham que, se você tira a floresta e põe gado, o valor anual daquele hectare, que era zero, vai passar a fornecer, em média, US$ 40 por hectare”, disse.

“Porém ao considerar todos os serviços e produtos fornecidos pela floresta, vemos que, na verdade, teremos uma perda para sociedade de até U$S 700 (dependendo da área), já considerando o lucro com a pecuária. Acontece que, quanto mais próxima de estradas, e quanto mais ameaçada é a terra, maior é também seu valor potencial para a exploração de produtos madeireiros e não madeireiros — isso porque os custos de transporte são menores.”

Mudança de mentalidade

Nosso estudo informa sobre as alternativas, disse o especialista.

“Manter (a floresta) protegida produz para a economia até US$ 737 (R$ 3 mil) por hectare por ano. Se você põe pecuária, gerará em média apenas US$ 40 (R$ 167) por hectare ano.”

E oferece um “mapa da mina” da bioeconomia da Amazônia.

“Com isso, esperamos que os criadores de políticas públicas e o setor privado deixem de ver a floresta como um obstáculo para o desenvolvimento”, disse Rajão. “E que a vejam como uma infraestrutura verde crucial para o bem estar e crescimento econômico do país.”

Mineração e soja

Foto aérea mostra gado em área desmatada perto de Porto VelhoDireito de imagem REUTERS/BRUNO KELLY
Gado em área desmatada perto de Porto Velho; pesquisador diz que mais do que 80% de áreas convertidas na Amazônia são para a pecuária

Até agora, os valores encontrados pelo estudo foram comparados aos ganhos da pecuária na Amazônia. Mas por que fazer a comparação com a pecuária, e não com a mineração — atividade favorecida pelo governo?

“Mais do que 80% das áreas convertidas são para a pecuária, então a comparação é, sim, com a pecuária”, argumentou.

Segundo Rajão, o problema da mineração não é tanto a área minerada.

“Em teoria, (a mineração) poderia ser até um caminho para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. O problema é que, primeiro, você tem de construir uma estrada até lá. E a gente sabe que 90% do desmatamento acontece a menos de 5 km da estrada.”

“Então, só ao rasgar a floresta, você já gera toda uma dinâmica de desmatamento para pôr pecuária. E você também atrai muita população. Quando você constrói essas megaobras, atrai dezenas de trabalhadores e, depois que terminam a obra, parte deles continua ali. Essa é uma população que depois também vai desmatar. Vai comprar as áreas griladas para a pecuária e se fixar ali.”

Então não vale a pena desmatar para mineração e pecuária, dizem os cientistas. Mas e a soja?

“Grande parte das áreas desmatadas na Amazônia não tem condição de receber agricultura de maior valor, não tem favorabilidade climática. Chove demais, algumas são acidentadas, e os custos logísticos são tão altos que inviabilizam o negócio”, disse o pesquisador.

Os números da extração e coleta na Amazônia

O estudo de precificação da Amazônia brasileira foi feito ao longo de três anos e é assinado por 13 pesquisadores, a maioria do Brasil. A equipe foi a campo observar como os locais extraem seu sustento da floresta.

“Nosso estudo foi olhar valores concretos. O ribeirinho vai lá e vende a castanha. Quantas latas de castanha aquele hectare produz?”, explicou Rajão.

Os pesquisadores usaram o mesmo método para medir a produção de borracha e de madeira sustentável.

“Nossa equipe foi a diferentes Estados da Amazônia entrevistou produtores. Estimou custo de produção, receita, a produtividade daquela área específica de floresta. E ao cruzar esses valores com dados de outras áreas, estimamos o valor daquele hectare. Um trabalho que partiu da análise microeconômica do valor da floresta.”

De US$ 40 a US$ 200 por hectare por ano

Feitas as contas, o estudo mostra que, em certas regiões da floresta, um hectare gera ganhos anuais de até US$ 40 (R$ 167) para a produção de castanha do Pará e US$ 200 (R$ 838) para produção de madeireira sustentável.

Então a castanha rende US$ 40 por hectare por ano? À primeira vista, não parece muito. Mas quando se olha de perto, o valor cresce.

“Pequenos imóveis na Amazônia chegam a 400 hectares. Multiplicados por US$ 40, são US$ 16 mil, ou RS$ 66 mil por ano”, calculou Rajão. “Já são RS$ 5.500 líquidos, por mês, no bolso do produtor.”

Seis milhões de brasileiros tiram sustento da floresta

Mão segura ferramenta que tira seiva de árvoreDireito de imagem GETTY IMAGES
Pesquisa estia que 6 milhões de pessoas se beneficiam da extração sustentável de produtos da floresta como a borracha

A pesquisa revela também que 6 milhões de pessoas se beneficiam hoje da extração sustentável de alimentos e de matérias-primas da floresta.

“São populações ribeirinhas, populações tradicionais, indígenas e agricultores”, explicou Rajão. “Eles coletam castanha, borracha e açaí nas reservas extrativistas, como a (reserva) Chico Mendes, por exemplo.”

“O amazônida é aquele que vive da floresta, sabe do valor e não desmata”, continua Rajão. “Quem desmata são os forasteiros que entram ilegalmente.”

Mas ao ressaltar de maneira positiva a contribuição de atividades como a coleta de castanha para a economia do país, estariam os autores ignorando os altos níveis de pobreza e o baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos coletores de castanha?

“O IDH está ligado fortemente às políticas públicas”, respondeu Rajão. “Ele é baixo pois não há escolas, hospitais etc. Com o desmatamento para a pecuária, isso não muda”, argumentou.

“O extrativismo de alguns produtos — como a castanha, a madeira, o açaí — já é mais lucrativo do que a pecuária”, disse Rajão. Mas ele reconhece que nenhuma dessas atividades tira o produtor da pobreza. Isso, disse, requer outras medidas. “É necessário agregar valor, ou seja, em vez de vender o produto para um atravessador, é preciso organizar cadeias de valor onde a maior parte do lucro fica no local.”

Rajão disse que é preciso também modernizar a produção. Ele deu exemplos de como isso poderia ser feito: “Transformando a castanha bruta na descascada, que já está pronta para o consumo. Ou o açaí fruta na pasta congelada que consumimos aqui no Sudeste. E (é preciso) fazer isso já na floresta, com energia solar e tecnologias de baixa manutenção e custo”, disse.

“Esse conceito está na base do que chamamos de Amazonia 4.0. É a bioeconomia da Amaônia com aspectos da indústria 4.0. Mas para chegarmos nessa visão de longo prazo são necessários investimentos em ciência e tecnologia, além de um grande esforço de capacitação.”

O pesquisador lembra que, ao longo de sua história, a Floresta Amazônica já sustentou milhões de pessoas.

“Antes da colonização, havia 50 milhões de pessoas vivendo na Amazônia. O ecossistema tem uma capacidade incrível de sustentar vida. Mas quando você tira a floresta e põe capim, você diminui essa capacidade.”

Os rios voadores e a regulação climática

Até agora, falamos da renda direta que a floresta produz para o Brasil ao gerar alimentos e matérias-primas. Mas a equipe brasileira também mediu a renda que a floresta gera indiretamente ao prestar dois outros serviços: a absorção e retenção do carbono que produz o aquecimento global e a regulação do clima.

Tente traçar na sua mente um quadrilátero que vai de São Paulo até Buenos Aires, na Argentina, e de Cuiabá até a cordilheira dos Andes, pediu o respeitado climatologista brasileiro Antônio Nobre em uma palestra TED na internet.

Essa área, ele disse, gera 70% do PIB da América do Sul. E para fazer isso, depende dos chamados rios voadores que fluem da Amazônia transportando umidade.

Esses fluxos aéreos maciços de vapor de água que vêm de áreas tropicais do oceano Atlântico e são alimentados pela umidade que se evapora da Amazônia viajam mais de 3 mil km pela atmosfera levando chuvas e irrigando o sul do Brasil, Uruguai, Paraguai e norte da Argentina.

Os rios voadores são, portanto, vitais para a produção agrícola e a vida de milhões de pessoas na América Latina.

Pois quanto vale a regulação climática que a Amazônia faz para o Brasil — lembrando que os rios voadores também geram energia hidrelétrica para o país?

Essa foi mais uma pergunta que a equipe brasileira tentou responder, mas um serviço dessa magnitude não é fácil de precificar.

E de fato, no esforço de calcular valores líquidos, com precisão, nessa categoria de serviço o estudo brasileiro traz números que os próprios pesquisadores consideram conservadores.

Os mapas e gráficos revelam, no entanto, alguns dados importantes. Um deles diz respeito às chamadas “áreas sem destinação” da Amazônia brasileira:

Estamos falando de 62 milhões de hectares de floresta em áreas públicas que não tiveram seu uso definido pelo governo — por exemplo, não são reservas indígenas e não foram destinadas à conservação ou à reforma agrária. Por conta dessa indefinição, são áreas sob grande risco de ocupação ilegal e desmatamento para dar lugar à pecuária.

Rio em meio a floresta amazônia visto de cimaDireito de imagem GETTY IMAGES
Águas da Amazônia, seja na forma líquida ou no vapor que será transportado pelo continente, são recurso valioso que devem entrar na conta, segundo estudiosos

O estudo concluiu que a chuva gerada por esses 62 milhões de hectares contribui, anualmente, com US$ 422 milhões (R$ 1,77 bilhão) para a produção agropecuária. Isso equivale a 35% da renda líquida das lavouras de soja no Mato Grosso, principal estado produtor brasileiro.

Ou seja, se essas áreas forem desmatadas, o setor perderá mais de US$ 400 milhões (R$ 1,68 bilhão) por ano pela queda de produtividade resultante da diminuição nas chuvas.

Caso o desmatamento atinja áreas de uso sustentável, proteção integral, terras indígenas, não designadas, privadas e militares, as perdas para o setor podem alcançar US$ 763 milhões (R$ 3,2 bi) por ano.

Outra revelação importante: o desmatamento para a pecuária gerará perdas para os próprios pecuaristas. A redução nas chuvas associada ao desmatamento nas áreas citadas acima pode trazer perdas anuais de US$ 1,4 bilhão (R$ 5,8 bilhão) para a pecuária brasileira.

Quanto vale a biodiversidade da Floresta Amazônica?

Raoni Rajão e seus colegas não sabem quanto vale a biodiversidade da floresta. Mas o pesquisador explicou que há métodos para se fazer esse cálculo:

“Existem estudos que estimam o nível de desconhecimento. Olham o esforço de amostragem e o tanto de diversidade que foi descoberta. Aí, estimam a quantidade de espécies desconhecidas e, em cima disso, o valor econômico.”

Fazer isso na Amazônia ainda é um projeto futuro. Mas, para termos uma noção do valor da nossa biodiversidade, basta olharmos na outra direção, para a história do Brasil, disse Rajão.

A Segunda Revolução Industrial, que ocorreu entre meados dos séculos 19 e 20 — quando foram inventados o automóvel, o avião e o telefone —, não teria sido possível sem a borracha da Amazônia, disse o especialista.

“Para você ter equipamentos mecânicos, precisa de borracha, algo para amortecer. Você não conseguiria fazer um carro sem a borracha produzida sustentavelmente na Amazônia.”

No livro A luta pela borracha no Brasil: Um estudo em história ecológica, o historiador Dean Warren dá uma pista do valor econômico que a floresta já rendeu ao país:

“O comércio da borracha tornou-se um sustentáculo da economia brasileira. Em seu auge, proporcionou quase 40% das receitas de exportação, quase igualando o café em importância”, escreveu o historiador.

“Hoje, depois de desmatar uma área de quase cem milhões de hectares, a agropecuária na Amazônia contribui com menos de 10% da produção brasileira”, comparou Rajão.

Os anestésicos amazônicos que revolucionaram a medicina

Há milhares de anos, indígenas na Amazônia usam um conjunto de plantas que têm extratos venenosos para anestesiar a caça, contou Rajão.

“A flecha penetra na caça, o animal fica paralisado mas logo na sequência o veneno é processado, não envenena quem come a caça.”

As plantas, conhecidas como curare, deram origem aos poderosos anestésicos que transformaram a medicina.

“No século 20, cientistas da Universidade de Leipzig, na Alemanha, foram lá, roubaram esse conhecimento, isolaram o princípio ativo e isso contribuiu para a revolução anestesiológica.”

Quanto valeriam, em moeda de hoje, o ciclo da borracha e os anestésicos produzidos pelas plantas curare?

E qual seria o valor, para o Brasil e o mundo, de outras preciosidades ainda desconhecidas, ou quem sabe conhecidas e protegidas pelos povos tradicionais da floresta?

Esse preço, difícil de estimar, é o valor da biodiversidade da Amazônia.

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20 imagens de trabalho infantil que o deixarão sem palavras

Ainda existem milhões de crianças em todo o mundo que estão empregados ilegalmente. Em tais condições, eles não têm direito à educação e às alegrias próprias da infância.
O trabalho infantil ainda é um grande problema social. Milhares de crianças ainda deixam de ir à escola e ter seus direitos preservados, e trabalham desde a mais tenra idade na lavoura, campo, fábrica ou casas de família, em regime de exploração, quase de escravidão, já que muitos deles não chegam a receber remuneração alguma.
20 foto foto 1Shaheen, 10, trabalha em uma fábrica de alumínio.
Foto tirada
 em Dhaka, 
Bangladesh, em 16 de novembro de 2009.

O trabalho infantil é mental, física e emocionalmente desgastante, e em casos extremos pode ser classificado como escravidão.

20 fotos foto 2

Masud, 6, reúne peças do veículo em Bangladesh, em 29 de Fevereiro de 2012.

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Naginah Sadiq, 5, trabalha em uma fábrica de tijolos de barro, em Islamabad, Paquistão. 2012

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Foto tirada em Lad Rymbai, na Índia, no dia 16 de abril de 2011.
Os pais não permitem que as crianças vão à escola.

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Takenin, aldeia Chheuteal, província de Kandal, Camboja, em 2 de Maio de 2011.
Esta menina seca tijolos para uma fábrica de tijolos

bloco de lama

Takenin Cartum, Sudão, em 17 de setembro de 2011.
Como muitas pessoas na região de Darfur, este rapaz ganha dinheiro formando blocos de lama.

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Foto tiradda em Nova Delhi, na Índia, em 12 de junho de 2012.
Este menino está limpando as peças da bicicleta, possivelmente para vender.

menino panelas

Foto feita em Dhaka, em 19 de abril de 2012. Outro rapaz trabalha em uma fábrica de alumínio. Acredita-se que mais de 6 milhões de crianças com idade inferior a 14 trabalham em Bangladesh.

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Jacques Monkotan, 4, trabalha em um sítio de escavação em Dassa-Zoume, Benin, no dia 25 de Fevereiro, 2007.

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Burma, em 6 de dezembro de 2011.
Esta menina transporta cimento necessário para um novo hotel.

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Czoton, 7, é trabalha em uma fábrica de balão em Dhaka
Bangladesh, em 23 de Novembro, 2009.

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Hazrat, 7, trabalha em uma fábrica de tijolos inJalalabad, Afeganistão.


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Rustam, 10, trabalha em uma fábrica de alumínio em Daca, Bangladesh. 25 outras crianças trabalham com ele durante 12 horas por dia.

 

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Esta criança é um imigrante ilegal que recolhe plástico em um depósito de lixo em Mae Sot, Tailândia.


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Esta criança organiza tijolos nos arredores de Herat, Afeganistão.


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Outra criança trabalha em um depósito de lixo em Islamabad, Paquistão.


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Issa, 10, trabalha em uma fábrica de armas para o Exército Livre da Síria em Aleppo.

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Diversas crianças enchem os cigarros com o tabaco cultivado localmente no distrito Haragach em Rangpur, Bangladesh.

 

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Esta criança está em busca de plástico reciclável em Siem Reap, Camboja.

 

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Paulo Henrique Felix da Silveira, 9, de Saramandaia, favela no Recife, Brasil. 

Fonte: Lifeh

Chomsky e governantes

Em filme, Chomsky explica como governantes passam por cima de direitos

Foto: A Requiem for the American Dream

O que é uma situação muito parecida como a que vivemos no Brasil, um dos intelectuais mais importantes do século XX explica em documentário como governantes iguais aos que temos, utilizam da máquina do Estado para enfraquecer direitos trabalhistas, sem qualquer resistência dos trabalhadores.

Noam Chomsky é linguista e considerado um dos maiores intelectuais do século XX. Mas como relata no documentário A Requiem for the American Dream, ele não foi capaz de desvendar a resposta dos governantes e empresários contra a onda democratizante dos anos 60.

Assista ao oitavo tópico do documentário legendado:

Para assistir o documentário completo, basta acessar o Netflix, disponível com legendas em português.

E essa resposta drástica dura até os dias de hoje.

Divido em dez princípios, o documentário mostra em seu oitavo tópico como os governantes conseguem “manter a ralé na linha”. Ou seja, como 1% da população controla os direitos dos demais 99% da sociedade, para impedir avanços trabalhistas e conquistas.

Na realidade, o discurso de Chomsky no filme se parece com um modelo pré-moldado pela maioria dos países que hoje passam por crises de austeridade, onde a economia já não parece mais sustentável, e a única forma de “solucionar” tal situação seria passando por cima da classe trabalhadora e da população em geral — principalmente a marginalizada.

Trata-se da mesma lógica apresentada recentemente pelos políticos no Brasil.

Nesta parte do documentário, Chomsky cita a importância dos sindicatos trabalhistas na luta por direitos e igualdade ao redor do mundo — apesar de suas diversas falhas. Por exemplo, o fato dos Estados Unidos não contarem com sindicatos fortalecidos e regulamentados, o que implicou na grande perda de trabalhos na Indústria, que até os anos 70 se consolidava como a maior força econômica do país, sendo ultrapassada pelos “bancos de investimento” posteriormente — o que explica o aumento do desemprego e a precarização de cidades ao redor do país.

“Um dos motivos principais dos ataques concentrados, quase fanáticos, a sindicatos e movimentos trabalhistas, é que eles são uma força democratizante”, diz o linguista. No Brasil, com projetos como a PEC 241, a Reforma Trabalhista e da Previdência, além da ampliação da terceirização, os principais atingidos são os sindicatos - e claro, a própria classe trabalhadora.

Segundo Chomsky, o início do movimento trabalhista nos Estados Unidos em meados dos anos 30 “aterrorizou os empresários”: “A imprensa comercial falava, em meados dos anos 30, sobre o ‘perigo que ameaçava os industrialistas’ e o ‘crescente poder político das massas’, que tinha de ser reprimido”.

Algo parecido com o lobby praticado pelos grandes meios de comunicação, que fazem pressão atualmente no Brasil em defesa das reformas, como uma forma de “estancar a crise”, ou seja, algo que inicialmente pode atingir negativamente a maior parcela da população, mas que seria necessário para o país voltar a crescer.

O linguista ainda retrata como é uma sociedade despolitizada entre a classe trabalhadora, como se tornou os Estados Unidos após a “financeirização” de sua economia: “Agora, se você tem uma posição de poder, é melhor manter sua consciência de classe para você, e eliminá-la em todos os outros locais”.

Algo parecido com o objetivo dos setores mais conservadores em aprovar nacionalmente o projeto Escola sem Partido, que visa limitar a discussão política e ideológica nas salas de aula.

Agência Democratize

A real face do trabalho infantil no Brasil

País tem 2 milhões de menores exercendo atividades muitas vezes degradantes e que lhes negam direitos garantidos por lei. Realidade está essencialmente ligada à pobreza e à herança escravocrata, dizem especialistas.    

Crianças jogam bola no Morro da Piedade, no Espírito SantoTrabalho infantil gera evasão escolar e afasta as crianças do lazer e do descanso, direitos garantidos por lei

Mais de 2 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos trabalham em todo o país. Mas chega a 20 milhões o número daqueles que exercem, em casa, afazeres domésticos ou cuidados de pessoas, o que representa mais da metade das crianças brasileiras.

Muitos dos menores ocupados trabalham em atividades perigosas que podem levar a acidentes graves e até à morte. Além disso, o trabalho infantil provoca evasão escolar e afasta as crianças do lazer e do descanso, direitos garantidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que completa 29 anos.

A realidade do trabalho infantil no Brasil revela, assim, uma experiência sensivelmente antagônica à descrita pelo presidente Jair Bolsonaro em declarações recentes. Em transmissão ao vivo pelo Facebook, ele afirmou que não foi “prejudicado em nada” por ter trabalhado “com nove, dez anos na fazenda”. “O trabalho não atrapalha a vida de ninguém”, acrescentou.

Outros políticos se manifestaram sobre suas próprias experiências, como a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF). No Twitter, ela escreveu: “Aos 12 anos de idade, eu fazia brigadeiros para vender na minha escola. E o mais interessante era que eu não precisava, mas eu sentia uma enorme satisfação de pagar as minhas aulas de tênis com esse dinheiro. Eu me sentia criativa e produtiva.”

M.N.J., hoje com 11 anos, não pode dizer o mesmo sobre as tarefas domésticas forçadas que executou a mando da mãe e do padrasto, que estão presos desde 2016 após terem sido condenados por tortura, lesão corporal e redução à condição análoga à escravidão.

A menina, então com 9 anos, era obrigada a limpar a casa, cozinhar e cuidar dos irmãos mais novos, sem direito à comida ou cama para dormir. Frequentemente tinha os pés e mãos amarrados para que dormisse em pé. Em certa ocasião, a mãe cortou sua língua e depois a costurou com linha e agulha, forçando a criança a limpar o próprio sangue. A menina ainda foi proibida de frequentar a escola para que ninguém visse as marcas da tortura.

“É um caso que exemplifica a barbárie que pode se configurar em casos de trabalho infantil e que não podem ser romantizados e tratados como algo positivo”, alerta o advogado Ariel Castro Alves, conselheiro do Conselho Estadual de Direitos da Pessoa Humana de São Paulo (Condepe) e ex-conselheiro do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda).

“Alguns enaltecem o trabalho infantil dizendo que trabalharam com os pais no comércio, na empresa ou no escritório da família, mas foi certamente em situações que não as privaram dos estudos, de cursos, do lazer e de brincadeiras”, diz Alves. “É muito diferente das crianças que são exploradas nas ruas, nas carvoarias, na colheita de cana-de-açúcar, em marcenarias, entre outras situações, sendo sujeitas a acidentes que geram até mortes.”

O que é trabalho infantil

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) descreve trabalho infantil como “causa e efeito da pobreza e da ausência de oportunidades para desenvolver capacidades”, impedindo as crianças de frequentar a escola regularmente ou forçando-as a abandoná-la de forma prematura. É o tipo de trabalho “que priva as crianças de sua infância, seu potencial e sua dignidade, e que é prejudicial ao seu desenvolvimento físico e mental”.

Duas convenções da OIT ratificadas pelo Brasil descrevem as chamadas “piores formas de trabalho infantil”, que incluem a escravidão, o tráfico de pessoas, o trabalho forçado, a exploração sexual, o tráfico de drogas e o envolvimento da criança em conflitos armados. No Brasil, o trabalho infantil doméstico se enquadra nessa categoria.

A Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança e do Adolescente, ratificada por todas as nações do mundo, com exceção dos Estados Unidos, estabelece que cada país deve reconhecer “o direito da criança de ser protegida contra a exploração econômica e contra a realização de qualquer trabalho que possa ser perigoso ou interferir em sua educação” (artigo 32).

No Brasil, a Constituição de 1988 passou a garantir a proteção integral da criança e do adolescente, colocando-os “a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão” (artigo 227).

Segundo a Carta Magna, cabe à família, ao Estado e à sociedade assegurar os direitos de crianças e adolescentes. O texto estabelece que qualquer tipo de trabalho é proibido para menores de 16 anos de idade, com exceção da condição de aprendiz, e garante que ninguém com menos de 18 anos poderá exercer “trabalho noturno, perigoso ou insalubre”.

Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), os menores têm direito à educação, saúde, integridade física e psicológica, lazer, esportes e cultura, ficando protegidos de exploração, crueldade e opressão.

As condições de atuação profissional entre os 14 e 17 anos estão definidas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Para trabalhar como aprendizes, adolescentes precisam receber formação técnico-profissional adequada com garantia de acesso ao ensino fundamental e horário especial para a execução das atividades de forma a assegurar a frequência à escola. Segundo o ECA, aprendizes têm seus direitos trabalhistas e previdenciários garantidos.

Situação atual no Brasil

As informações mais abrangentes sobre trabalho infantil no Brasil são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo dados de 2015, 2,7 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos trabalham em todo o país, sendo 59% deles meninos. Isso pode indicar uma subnotificação do trabalho infantil entre meninas. Elas representam a imensa maioria nos casos de trabalho infantil doméstico (94%, segundo a Pnad 2015).

A Pnad 2016 mostra que o trabalho infantil doméstico atinge cinco em cada dez crianças ou adolescentes dos cinco aos 17 anos. Entre os mais velhos, de 14 a 17 anos, a principal atividade é o comércio e serviços de reparação, como serviços mecânicos.

A maior parte dos casos de trabalho infantil está concentrada no Sudeste (854 mil) e Nordeste (852 mil). Em todo o mundo, são 152 milhões de crianças e adolescentes nessa situação, de acordo com um relatório global da OIT.

“A cara do trabalho infantil no Brasil reflete as desigualdades regionais e varia conforme a região, as atividades econômicas de cada estado, a faixa etária e recortes raciais e de gênero. Norte e Nordeste concentram a situação de trabalho infantil no meio rural, também muito presente no Rio Grande do Sul”, afirma Felipe Tau, gestor do projeto Rede Peteca – Chega de Trabalho Infantil, da Cidade Escola Aprendiz.

Tau explica que, entre as crianças, predomina o trabalho no campo, normalmente na agricultura familiar; entre os adolescentes, predomina o trabalho em meio urbano, especialmente no setor de comércio e serviços. “Vale destacar também que atividades de difícil identificação, como o trabalho doméstico, o trabalho no tráfico e a exploração sexual, são muito comuns e preocupantes.”

Em 2017, o IBGE apresentou dados atualizados com base em uma nova metodologia da Pnad que excluiu o número de crianças e adolescentes trabalhando em atividades permitidas pela legislação para o sustento próprio. Segundo especialistas, o novo número apresentado, de 1,8 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, mascara a realidade.

Incluindo a categoria “produção para o próprio consumo”, 2,3 milhões de crianças e adolescentes estavam no mercado de trabalho, segundo a Pnad 2016, o que representa uma taxa de trabalho infantil de 5,96%. No entanto, não é possível dizer que houve uma redução em relação a 2015 (2,7 milhões), porque o rompimento da série histórica com a alteração de metodologia impossibilita a comparação com anos anteriores.  A OIT ainda usa dados da Pnad 2015 como referência.

Raiz na pobreza

O trabalho infantil está essencialmente ligado à pobreza, explica Felipe Tau. “Um traço comum é que ele acomete os mais pobres e cujos pais têm menos escolaridade, perpetuando nas famílias brasileiras um ciclo de pobreza. Embora possa representar renda significativa para famílias durante curto período, acaba trazendo como consequência, além da violação dos direitos das crianças e adolescentes, um comprometimento muito sério em seu desenvolvimento: emocional, físico e intelectual”, afirma.

Além de ser um fator de risco para acidentes, o trabalho infantil está fortemente associado à evasão escolar, “levando a criança e o adolescente a se colocar de maneira precária no mercado quando adulto: na informalidade, no subemprego e em postos de baixa remuneração”, acrescenta Tau.

A procuradora do Ministério Público do Trabalho de São Paulo (MPT-SP) Elisiane dos Santos explica que a herança escravocrata da história brasileira se perpetua “tanto em relação à naturalização do trabalho infantil quanto em relação aos dados da realidade”.

“A maior parte do trabalho nas ruas é feito por meninos negros e, no trabalho doméstico, as meninas negras são as mais afetadas. Falamos de 70% desse trabalho infantil. Isso significa dizer que o não acesso da população negra à educação e ao trabalho digno se perpetua até os dias de hoje e atinge fortemente as crianças e adolescentes”, observa.

“Isso traz estigmas e efeitos perversos, fazendo com que a sociedade veja como algo normal e até defenda o trabalho infantil (das crianças pobres e negras), quando deveria estar lutando por educação de qualidade para todos, acesso à universidade e igualdade de oportunidades no trabalho”, complementa.

O menino Ítalo, de 10 anos, que trabalhava como engraxate no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, teve sua trajetória interrompida. Ele passou ao menos seis vezes pelos conselhos tutelares de São Paulo por situações de abandono e trabalho infantil, conta o advogado Ariel Castro Alves.

No “trabalho”, ele conheceu outra criança, um menino de 11 anos, com quem furtou um veículo num condomínio no bairro do Morumbi. Durante a perseguição policial, ele foi morto com um tiro na cabeça, em 2016.

“Já conheci muitas adolescentes que começaram trabalhando nas ruas vendendo balas ou pedindo em faróis e que foram atraídas depois para a exploração sexual infantil. E muitos meninos que começaram trabalhando nas ruas e acabaram aliciados para o tráfico de drogas ou para a prática de outros crimes”, pontua Alves.

“A maior autoridade do país desconhece ou despreza essa realidade. Ao defender o trabalho infantil, Bolsonaro também está defendendo a exploração de crianças e adolescentes no tráfico de drogas e a exploração sexual infantil, que são algumas das piores e mais perversas formas de trabalho infantil. Chegamos aos 29 anos do ECA com um processo de desmonte do sistema de proteção criado pela lei.”
DW

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Toda criação está carregada de destruição – De Marx ao Uber

Trabalho,Greves,Brasil,China,Robôs,Uber,Economia,Brasil,BlogdoMesquitaCHINESES, ROBÔS E A ‘UBERIZAÇÃO’ DAS RELAÇÕES DE TRABALHO: DIGA ADEUS ÀS FÉRIAS E AO 13°

UMA DAS GRANDES maravilhas do capitalismo é a inovação. Inovar significa, de maneira simples, criar algo novo ou fazer algo velho de uma nova maneira. E nisso o capitalismo é craque. Talvez dois mais importantes economistas políticos que analisaram o fenômeno da inovação foram o alemão Karl Marx (escudado por vezes por seu amigo Friedrich Engels) e o austríaco Joseph Schumpeter

No Manifesto de 1848, numa das passagens mais famosas do texto, Marx e Engels afirmam:

“A burguesia não pode existir sem revolucionar permanentemente os instrumentos de produção, portanto as relações de produção, portanto as relações sociais todas”.

Enquanto as sociedades baseadas em outros modos de produção se caracterizavam pela estabilidade das relações econômicas e sociais, o capitalismo é marcado pela revolução permanente. E é essa instabilidade que permitiu que a burguesia realizasse em poucos séculos de domínio maravilhas maiores que “as pirâmides egípcias, dos aquedutos romanos e das catedrais góticas”.

N’O Capital de 1867, Marx volta a mostrar seu alumbramento com as inovações, no capítulo 13, intitulado “Maquinaria e Grande Indústria”. Mas o tema perpassa todo seu sistema. No modelo de Marx, o capitalista busca aumentar a massa de mais-valor que extrai de seus trabalhadores. Se estamos em um mundo de produtos idênticos – camisas brancas, por exemplo –, o capitalista pode aumentar seus lucros fazendo seus operários trabalharem por mais horas que a concorrência (mais-valor absoluto), ou fazer com que seus trabalhadores produzam mais mercadorias em menos tempo (mais-valor relativo).

Para Marx, a dificuldade estava no mais-valor relativo. Para produzir mais em menos tempo, são necessárias novas máquinas e equipamentos, novas formas de comunicação, de transporte, de organização da produção, novos sistemas de logística etc. O capitalista que conseguir criar ou fazer uso dessas inovações terá uma maior taxa e uma maior massa de lucro, conquistando cada vez mais participação no mercado. Caminhará para se tornar um dos gigantes do setor.

Quem não for capaz – ou não tiver recursos para inovar – será engolido. Aliás, mesmo a empresa líder do mercado – como contam as histórias da Kodak e da Nokia – mostra que a bancarrota está sempre na esquina.

Em 1911, na sua obra Teoria do Desenvolvimento Econômico, Schumpeter fez bom uso das teorias de Marx, a partir de uma ótica liberal. Para Schumpeter, a mudança não nasce a partir de modificações nos gostos dos consumidores. Na verdade, são os empresários inovadores que criam novos produtos e “educam” (esse é o termo usado pelo autor) os consumidores sobre sua necessidade.

Toda criação está carregada de destruição.
Um exemplo pessoal. Nos meus tempos de faculdade, a viagem de ônibus era embalada por música ouvida através de um CD player e, principalmente, um walkman. Eu andava com três ou quatro fitas na mochila, e o mundo parecia bom.

Jamais imaginei que um dia, poucos anos mais tarde, haveria uma coisa chamada Ipod – ou o MP3 da feira, seu primo pobre ao qual tive acesso –, no qual cabiam as músicas de todos os CD’s que eu tinha na minha casa (sobrando espaço, aliás). Nós jamais demandamos um telefone celular que fosse também um computador, uma televisão e um Ipod (aliás, o smartphone matou o Ipod de modo lento e cruel).

Mas como fica evidente nesses dois exemplos, toda criação está carregada de destruição. O Ipod destruiu o discman, o smartphone destruiu o Ipod. Isso é parte do fenômeno que Schumpeter chamou de “destruição criativa”. O novo produto ou o novo processo destrói o que era velho.

Mês passado foi divulgado que, com o fechamento de uma loja na Austrália, há hoje apenas uma única Blockbuster no mundo. Há uma década, eram 9 mil lojas, com pés nos quatro cantos do mundo, no Brasil inclusive. Uma rede literalmente global foi morta por uma inovação: Netflix.

Outro exemplo: há poucos anos atrás ter frota de táxis era um ótimo investimento. Para obter uma licença de taxista, o sujeito precisava desembolsar uma pequena fortuna. Hoje qualquer um pode se cadastrar no Uber e operar como táxi.

Mas nem tudo são rosas. Muitos são os trabalhadores ao longo da história que sofreram (e sofrerão) com o desemprego derivado de alguma inovação poupadora de mão de obra. No início do século 19, os chamados ludistas destruíram as máquinas que lhes roubavam os empregos. O drama dos trabalhadores instigou os economistas: seria a inovação boa também para os trabalhadores?

As condições médias de trabalho no mundo todo têm piorado.
Para os marxistas, a resposta seria negativa. Essas inovações, num sistema capitalista, forçariam os salários para baixo, reduzindo o poder de barganha dos trabalhadores, jogando alguns na miséria, outros no subemprego e muitos em empregos precários.

Os liberais, via de regra, respondem essa pergunta afirmativamente. Ainda que a inovação destrua alguns empregos, ela cria fundos que permitem investimentos e aumento da produção que farão com que a região inovadora seja capaz de criar mais vagas de trabalho, que pagam salários maiores.

Depois de um começo vacilante, as evidências pareciam corroborar a visão liberal. Os países mais inovadores são os que oferecem mais e melhores empregos. Enquanto países atrasados tecnologicamente têm menos vagas e piores salários.

Mas há algumas décadas, desde o início da hiperglobalização após o fim da Guerra Fria, um movimento contraditório vem acontecendo. Com a entrada de mais de 1 bilhão de chineses no mercado de trabalho capitalista – sem contar os de outros lugares –, multidões de trabalhadores de países subdesenvolvidos têm escapado da miséria. Porém, as condições médias de trabalho no mundo todo têm piorado. Nos países centrais, por exemplo, os ganhos de produtividade não parecem se materializar em aumentos de salários (ainda que esse dado seja controverso).

Além disso, tem crescido, desde os anos 1970, o número de horas trabalhadas pelos americanos, bem como a proporção daqueles que trabalham mais de 40 horas semanais. Quarenta horas semanais foram uma conquista de trabalhadores ingleses (uma pequena porção, é verdade) ainda em 1889.

Um cenário melancólico, se pensarmos no otimismo de um J. M. Keynes que, em 1930, acreditava que os netos de seus contemporâneos poderiam viver em abundância trabalhando três horas por dia. Hoje o fantasma dos robôs e da chamada “uberização” das relações trabalhistas é um espectro que ronda todo o mundo.

Um número crescente de profissões pode facilmente ser substituída por algoritmos, robôs e outras tecnologias digitais (como a minha, de professor universitário). O Uber, que tem sido a tábua de salvação de milhões de pessoas em países como o Brasil, tem um modelo de negócio em que seu funcionário sequer é seu funcionário. Há a liberdade aparente de trabalhar quando e quanto quiser, que se materializa em jornadas intermináveis – há casos de motoristas que vivem literalmente em seus carros nos EUA – e em uma virtual ausência absoluta de direitos trabalhistas em caso de acidentes, doenças, incapacidades etc.

Estamos caminhando para o mundo do “freela”, das relações pautadas pela uberização. A reforma trabalhista de Temer e a carteira de trabalho verde-amarela de Bolsonaro são passos nessa direção.

Enquanto gerações passadas podiam sonhar em construir uma carreira de 30 anos numa mesma empresa, é provável que as novas tenham que se acostumar com a instabilidade do desenho “uber” de trabalho.

Como já se disse uma vez: tudo o que era sólido se desmancha no ar.
Alexandre Andrada/TheIntercept

Fabrício Queiroz,Bolsonaro,Corrupção

É Froidi – Picles & Drops

O Poderoso Queiroz! Faltou novamente.
Será qual a cortina de fumaça que vão jogar agora?
Quarta foi a soltura de presos da segunda instância
Esse aprendeu direitinho a tática do atestado médico pra sumir de onde devia estar.
Caberia uma coletiva – “periculum mora” – , do segmento do MP diretamente envolvido, sobre o assunto. Ou não vem ao caso?
Queiroz está esperando o padrinho tomar posse e mexer os pauzinhos ou melhor as laranjinhas.Fabrício Queiroz,Bolsonaro,Corrupção

 


Infelizmente o país não mudará nunca. Enquanto as pessoas confundirem caráter com opção política, aqui não vai pra frente. Mau caráter tem em todos os lados e partidos infelizmente
Sabem o PM que deu 6 tiros no rosto de um trabalhador no Rio de Janeiro numa briga de trânsito?
Caso aconteceu na manhã desta quinta-feira na Avenida Brasil, em Bangu. O soldado Cleiton de Oliveira Guimarães foi preso na UPP Nova Brasília, onde foi trabalhar como se nada tivesse acontecido. Ele já tinha tentado matar outra pessoa no trânsito.
Na cabeça desse povo matar tá liberado porque nossa justiça mostrou que está morta.
Isso é só o fim.

Design – EscadasArquitetura,Escadas,Design,Blog do Mesquita 3


O brasileiro médio, de todas as classes sociais, emburreceu e alienou-se a tal ponto que boa parte agora defende que a solução contra a corrupção é mais corrupção, contra a violência a solução seria mais violência, contra o desemprego seria também mais desemprego. Haja burrice!


Tostão furado,Blog do MesquitaMajor Vaz? PC Farias? Celso Daniel?

Fabrício Queiroz – ou o que restou dele – faltou mais uma vez à convocação para prestar depoimento no MP-RJ.
Ele e o Adélio devem estar muito preocupados com o futuro.
Quando os “nominhos” sumirem do noticiário, as vidas desses dois não valerão um tostão furado.

Sem humor não dá pra agüentar o tranco nesse hospício.
Campanha #PosteUmFilmeComOQueiroz
Meus títulos. Mandem os seus!:
– Queiroz o oitavo passageiro
– A insustentável leveza do Queiroz
– Corra que o Queiroz vem ai
– Corra Queiroz. Corra
– Apertem o cinto o Queiroz sumiu
– Conduzindo Mrs. Micheque
– O poderoso Queiroz
– O Queiroz do Os
– Queiroz no País da Maravilha
– A Lista do Queiroz
– Queiroz da Arábia
– O labirinto de Queiroz
– Cidadão Queiroz
– Queiroz Gump o contador de estorias
– Queiroz o caçador de androides
– Queiroz Poppins
– Os treze Queiroz
– Fabrício Queiroz e a arca perdida
Blog do Mesquita,Língua


E o Queiroz? Hahaha. Simples, bobinhos.
Vai continuar escondido até que o Bolsonaro tome posse e sua equipe use de todos os meios que estiverem ao alcance deles pra abafar o caso.
Os eleitores que se diziam anticorrupção e se calam nesse episódio assinam seu atestado de cumplicidade, o que não é nenhuma surpresa.

A fábrica de biscoitos da Nabisco foi vendida para a Philippe Morris, por U$ 15 bilhões. Ou seja, a Embraer, maior fabricante de aviões do seu setor, foi vendida com toda a sua tecnologia por pouco mais de 1/3 do valor de uma fábrica de biscoitos. E você aí preocupado com a mamadeira erótica.Brasil,Cabeça pra baixo,Blog do Mesquita


Brasil da série “Só dói quando eu rio”Assessor,Fabrício Queiroz,Bolsonaro,Corrupção,Brasil,Humor,Nani,Blog do MesquitaNetflix – “A Livraria”.
Delicado, terno, amorosamente encantador, e surpreendente.
Põe a nu o secular hábito da burguesia em sufocar qualquer tentativa de liberdade por via da cultura. Ela, a lamacenta burguesia, manipula o poder para se manter no topo da pirâmide.

Brasil,Capitalismo,Blog do Mesquita


Durante a noite até há pouco, pesquisei todas as decisões liminares tomadas pelos Presidentes do STF, durante os períodos de recessos, entre 2006 e 2010. Irei pesquisar, agora no período 2007/2018. Em nenhum caso, um presidente modificou a decisão liminar do relator. Todos aguardaram o referendo do Pleno.


Arquitetura,Escadas,Design,Blog do Mesquita AArquitetura – Escadas


Não precisou nem um cabo e um soldado. Bastou um “presidente” que desconhece a CF e a jurisprudência do STF.
Uma juíza de primeira instância questionando a decisão de um ministro do Supremo.
O Brasil não é uma República.
É uma piada.


Jackson PollockAtes Plásticas,Pintura,Blog do Mesquita, Jackson Pollock

Sim, eu sou Chato, Comunista, Petralha e mais adjetivos desqualificativos infindos, mas… cadê a “*orra” do Queiroz?
Ex-assessor de Flávio Bolsonaro não comparece à depoimento.
O motorista Fabrício Queiroz está há semanas desaparecido.STF,Blog do Mesquita

Arquitetura – Portas e janelasArquitetura,Design,Portas,Janelas,Blog do Mesquita


Sempre existiram idiotas, a tecnologia apenas está dando palco a eles. Temos de usar a tecnologia para tentar mostrar que há mais coisas entre o céu e a terra que a cabeça desse olavo. Com minúscula mesmo.Tragédia, blog do Mesquita,Olavo de Carvalho


– No meu governo combaterei a corrupção e minha equipe só terá gente honesta.

– E fulano?
– Já se arrependeu
– Mas tem sicrano, que tá sendo investigado
– É só investigado
– Beltrano é réu
– Réu? eu também sou. O que não pode é condenado
– Ei, olhe, tem um condenado
– Mas não tá preso

FIM.