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Investidores globais exigem debater desmatamento com diplomatas do Brasil

Um grupo de 29 empresas globais de investimento que administram 3,7 trilhões de dólares está exigindo reuniões com diplomatas brasileiros em todo o mundo para pedir ao governo do presidente Jair Bolsonaro que detenha o avanço do desmatamento na Floresta Amazônica.

Área desmatada da Amazônia brasileira em Itaituba, no Pará 26/09/2019 REUTERS/Ricardo Moraes

Os investidores, liderados pela empresa de seguros e pensões norueguesa Storebrand Asset Management, enviaram cartas a embaixadas do Brasil em sete países pedindo reuniões e expressando o receio de que o Brasil esteja eliminando proteções ambientais, de acordo com um comunicado que incluiu uma cópia da carta.

“A escalada do desmatamento nos últimos anos, combinada a relatos de um desmantelamento de políticas ambientais e de direitos humanos e de agências de vigilância, está criando uma incerteza generalizada sobre as condições para investir ou oferecer serviços financeiros no Brasil”, disse a carta.

Ambientalistas culpam Bolsonaro por enfraquecer as proteções e causar um aumento no desmatamento e nos incêndios florestais desde que tomou posse em 2019.

Bolsonaro argumenta que o Brasil é um modelo de conservação, ao mesmo tempo em que pede mais mineração e agricultura na região amazônica.

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro não respondeu a um pedido de comentário.

O presidente-executivo da Storebrand Asset Management, Jan Erik Saugestad, disse em uma entrevista que, embora iniciativas anteriores tenham se concentrado em pressionar empresas brasileiras, o novo esforço visa precisamente o governo.

Entre as 25 empresas europeias que assinaram estão a também norueguesa Nordea Asset Management e a Igreja da Inglaterra, que tem um fundo de pensão equivalente a 3,5 bilhões de dólares. A britânica Legal & General Investment Management (LGIM) está entre as maiores investidoras com seus 1,2 trilhão de libras esterlinas sob gerenciamento.

As norte-americanas Domini Impact Investment e Pax World Funds também assinaram a carta. A Fram Capital, que tem sede em São Paulo, é a única signatária brasileira.

A carta não fala em consequências se o governo brasileiro não agir, mas na semana passada sete empresas da Europa disseram à Reuters que podem desinvestir em ativos ligados ao país se a destruição ambiental continuar. Muitas destas empresas também assinaram a carta enviada às embaixadas.

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Desmatamento na Amazônia ultrapassa 10 mil km2 e tem maior índice desde 2008

Houve uma variação de 3,76% acima da taxa estimada pelo Prodes em novembro de 2019, que era de 9.762 quilômetros quadrados.

Foto: Márcio Isensee e Sá.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) revisou os dados de desmatamento ocorridos em agosto de 2018 a julho de 2019. Foram 10.129 quilômetros quadrados desmatados na Amazônia, o equivalente a quase duas vezes a área do Distrito Federal (5.802 km²) de floresta derrubada. Os números são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes). Desde 2008, quando o Prodes registrou quase 13 mil km² desmatados, que o índice não era tão alto.

O território desmatado corresponde a um aumento de 34,41% com relação ao período anterior, entre agosto de 2017 e julho de 2018, quando o desmatamento atingiu a marca de 7.536 km².

A taxa consolidada atualiza os dados preliminares, divulgados no final de 2019, de 9.762 quilômetros quadrados. Houve uma variação de 3,76% acima da taxa estimada pelo Prodes em novembro de 2019. Desde 2008 o INPE divulga os dados preliminares do Prodes antes das Conferências das Partes (COP) do Clima, que ocorrem no fim do ano. Entre maio e junho, sai os dados consolidados do desmatamento.

Estados que mais desmataram

O Pará foi o estado que mais desmatou com 4.172 km², sendo responsável por 41,19% de todo o desmatamento na Amazônia Legal. Mato Grosso, Amazonas e Rondônia seguem na lista dos maiores desmatadores, com 1.702 km², 1.434 km² e 1.257 km² respectivamente. Juntos, estes quatro estados responderam por 84,56% de todo o desmatamento.
Fonte: Prodes/INPE.

O Prodes utiliza imagens do satélite Landsat e similares que conseguem detectar desmatamentos acima de 6,25 hectares (0,0625 km²) e considera como desmatamento a remoção completa da cobertura florestal primária por corte raso, independentemente da futura utilização destas áreas.

Governo volta a falar de queda de desmatamento, mas sem apresentar dados.

Contrariando a tendência de aumento do desmatamento apontada pelos números do Deter, o sistema de alerta de desmatamento do INPE, o vice-presidente Hamilton Mourão disse durante reunião do Conselho de Governo, que “o desmatamento no mês de maio caiu ao mínimo comparado com anos anteriores. Então o nosso primeiro objetivo foi conquistado”. Segundo Mourão, a queda seria resultado da Operação Verde Brasil 2, coordenada pelas Forças Armadas, que completa 1 mês no dia 11 de junho. A reunião foi transmitida ao vivo pela TV Brasil e pode ser conferida no vídeo na íntegra, do canal no Youtube.Desmatamento,Amazônia,Ambiente,Blog do Mesquita 03

De acordo com dados do DETER, sistema de monitoramento que que lança alertas sobre mudanças de vegetação e acompanha o desmatamento quase em tempo real, entre os dias 1º e 28 de maio – data mais recente disponível – de 2020, foram registrados 641,19 km². Esse valor já é superior aos índices de desmatamento registrados pelo Inpe em 2016 (408,1 km²), 2017 (363,3 km²) e 2018 (550,2 km²) e só perde para maio de 2019, quando o desmatamento registrado foi de 739,7 km².

Ainda na reunião do governo, Mourão acrescentou que o próximo objetivo é reduzir as queimadas. “O segundo [objetivo] é não permitirmos que no segundo semestre ocorram as queimadas na extensão que ocorreram ano passado. A meta para o nosso governo é, pura e simplesmente, termos um número de queimadas inferior ao mínimo histórico, esse é nosso objetivo para o segundo semestre”, disse o vice-presidente.Desmatamento,Meio Ambiente,Ecologia,Natureza,Blog do Mesquita 07

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Brasil foi responsável por um terço da perda de florestas virgens no mundo em 2019, diz relatório

Perdas de floresta virgem contabilizadas por relatório podem ser, em muitos casos, a degradação, momento inicial de um processo de desmatamento.

De janeiro a dezembro de 2019, o Brasil perdeu cerca de 1.361.000 hectares (13.610 km²) de floresta tropical virgem — um terço do que foi perdido em todo o planeta, segundo um relatório do Global Forest Watch, organização que mantém uma plataforma online de monitoramento global de florestas.

As florestas primárias, ou virgens, são aquelas que se encontram em seu estado original — não afetadas, ou afetadas o mínimo possível, pela ação humana. Por serem mais antigas, elas têm mais diversidade de espécies, armazenam mais carbono e são consideradas essenciais no combate à mudança climática.

Em 2019, segundo o novo relatório da Global Forest Watch, o mundo perdeu 3,8 milhões de hectares de florestas primárias tropicais — uma área quase do tamanho da Suíça, ou o equivalente a um campo de futebol a cada 6 segundos.

No Brasil, 95% da perda ocorreu na Amazônia, de acordo com a organização, que utiliza dados do monitoramento por satélite feito pela Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, em parceria com o Google, a Nasa e o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

Analistas do Global Forest Watch apontaram, como principais razões da perda, para o desmatamento por ação humana (criação de pastos, especulação de terra) e incêndios.

Em segundo e terceiro lugar, a República Democrática do Congo e a Indonésia tiveram pequenas reduções na área de floresta virgem que perderam no ano passado.

E a Bolívia chegou ao quarto lugar da lista, por causa dos incêndios que devastaram áreas de alta biodiversidade no país em agosto de 2019.

Incêndios foram ‘sintoma’ de desmatamento
As florestas tropicais virgens costumam ter espécies muito antigas de árvores, que armazenam mais carbono.

Segundo especialistas, elas podem levar centenas de anos para se recuperar. Isso se forem deixadas intocadas após processos de desmatamento ou de degradação — resultantes de eventos climáticos, como secas, ou da ação humana, como queimadas e corte de árvores — que podem deixar a floresta gradualmente mais vulnerável e incapaz de funcionar.

No entanto, ao contrário do que ocorreu na Bolívia, os incêndios no Brasil em 2019 não tiveram uma grande contribuição na perda de floresta virgem, segundo a analista da Global Forest Watch Mikaela Weisse.

“A maior parte dos incêndios que vimos no Brasil no ano passado não aconteceu nas florestas virgens, mas, sim, em áreas que já estavam desmatadas e que fazendeiros estavam preparando para o pasto e para a agricultura”.

‘A grande mentira verde’: como a destruição da Amazônia vai além do desmatamento
Segundo o órgão, as queimadas que chamaram a atenção do mundo a partir de agosto de 2019, “parecem ter sido um sintoma da perda de florestas primárias, mais do que uma causa direta”.

“Na Amazônia, só 20% dos incêndios que observamos ocorreu em florestas ainda virgens, 30% ocorreu em áreas onde já havia acontecido perda de mata e os outros 50% aconteceram em áreas que já não tinham florestas ou onde a floresta era secundária (em processo de recuperação).”

As perdas brasileiras sinalizam uma expansão das fronteiras do desmatamento, que estão de acordo com o que cientistas do Brasil também estão observando, especialmente próximo a áreas de conservação e territórios indígenas.

“Desde 2013 vemos um aumento do ritmo da abertura da mata virgem. E nos últimos anos, especialmente, isso se acelerou”, disse o especialista em sensoriamento remoto Cláudio Almeida, coordenador do programa de monitoramento da Amazônia do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

“Mas também houve uma mudança. Lá na década de 80 o sujeito passava o correntão, derrubava as árvores e pronto. Nos últimos 10 anos ele vai degradando a área. Começa a tirar madeira em um ano, queima um pouco em outro. Só no final faz um corte raso e, por fim, queima tudo.”

Na segunda metade de 2019, segundo Almeida, um cruzamento de dados feito por analistas do Inpe mostrou que entre os dez municípios com o maior número de queimadas, nove tinham também o maior número de alertas de desmatamento contabilizados no sistema Deter.

“Isso mostra que existe uma relação forte entre um e outro. O incêndio era o ponto final do processo de desmatamento. No período seco, a pessoa derruba a área, ela fica secando e em agosto, setembro, aquela biomassa é queimada.”

Diferenças na medição

O monitoramento de perda de floresta primária da Global Forest Watch detecta perturbações em trechos de mata maiores que 0,09 hectares (0,0009 km²), com vegetação a partir de 5 metros de altura, com causas que vão desde o corte seletivo de madeira até o fogo rasteiro.

Não há diferenciação entre os processos de desmatamento, que é como se considera o corte raso de um trecho de floresta, e de degradação.

Por isso, os números divulgados pelo órgão costumam ser diferentes dos dados obtidos pelo sistema Prodes, do Inpe, no Brasil.

Ambas as medições, no entanto, podem ser consideradas importantes, e até mesmo complementares, segundo Cláudio Almeida, do Inpe.

“O Prodes é um sistema bastante preciso, mas só mede o final do processo, o desmatamento total de um trecho de floresta primária. Ao longo desse processo ocorrem vários estágios de degradação. Enquanto existe algum tipo cobertura florestal, o Prodes não pega”, explica.

Isso significa que, em muitos casos, a perda de floresta virgem apontada pelo Global Forest Watch é ainda o início de um processo de desmatamento que o sistema brasileiro só vai contabilizar mais adiante.

O Prodes detecta, por imagens de satélite, áreas maiores que 6,25 hectares (0,0625 km²) em que houve desmatamento por corte raso. Os dados são contabilizados entre julho de um ano e agosto do ano seguinte. Já a Global Forest Watch contabiliza a perda de florestas entre janeiro e dezembro de um determinado ano.

Uma destas diferenças entre os dois sistemas pode ser observada nos dados de 2016 e 2017. A Global Forest Watch registra uma perda recorde de florestas virgens no Brasil, causada principalmente por incêndios em larga escala.

“Nesse caso, no entanto, eles eram de fogo rasteiro, que queima por debaixo das árvores e, muitas vezes, é menos visível para os satélites. E estavam mais relacionados à seca provocada pelo El Niño de 2015, uma das piores já registradas. E causaram degradação nas florestas”, disse à BBC News Brasil o botânico Jos Barlow, professor da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, e pesquisador da Rede Amazônia Sustentável (RAS).

O Prodes também mostra aumento do desmatamento nestes anos, mas não um pico tão grande. Em parte, por causa da diferença no período analisado e também porque nem todos aqueles trechos de floresta virgem que sofreram incêndios terminaram por ser completamente desmatados.

Desmatamento continua em tendência de aumento

Os dados do Prodes mostram que, entre agosto de 2018 e julho de 2019, o Brasil perdeu 1,01 milhão de hectares (10,1 mil km²) de Amazônia, o maior volume dos últimos 11 anos.

Ainda não há números consolidados para o período seguinte, mas o Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter), que emite os alertas de desmatamento e orienta as ações de fiscalização, mostra que entre agosto de 2019 e março de 2020, 507 mil hectares (5 mil km²) foram desmatados — quase o dobro do mesmo período no ano anterior.

Ambientalistas atribuem o aumento às políticas do presidente Jair Bolsonaro, que afirmou em algumas ocasiões que atividades como agricultura e mineração, inclusive em áreas protegidas e territórios indígenas, poderiam tirar a região da pobreza.

Em resposta a críticas dentro e fora do país após os incêndios em 2019, Bolsonaro autorizou o envio das Forças Armadas para combater os incêndios florestais na região, e criou o Conselho da Amazônia, coordenado pelo vice-presidente, general Hamilton Mourão.

Direito de imagemAFP

Dados preliminares do Inpe mostram que desmatamento continuou crescendo no primeiro semestre de 2020.
No entanto, um decreto recente do governo foi criticado por colocar as rédeas das ações de fiscalização e combate ao desmatamento nas mãos das Forças Armadas — tirando-as do Ibama, que passou a ser subordinado aos militares.

“Mandar o Exército parece contraintuitivo se você está deixando de financiar as agências ambientais que faziam bem o trabalho há tantos anos. Mandar o Exército parece uma medida de curto prazo pra ter impacto na mídia internacional, mas não parece algo que vá resolver o problema da degradação e do desmatamento na Amazônia”, diz Jos Barlow, da Universidade de Lancaster.

O governo anunciou que, até o dia 21/05, “26 pessoas foram presas por delitos ambientais e outros crimes durante as ações do Exército, e que foram aplicadas multas no valor de R$ 8,7 milhões”. Além disso, foram apreendidos motosserras, tratores, caminhões e embarcações.

O Exército, no entanto, descartou a destruição do equipamento apreendido, que críticos dizem ser uma sinalização de que o governo não estaria realmente disposto a combater as atividades ilegais.

Segundo o engenheiro agrônomo André Guimarães, diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), os dados indicam que o desmatamento deste ano vai superar o do ano anterior, mesmo com as ações do governo.

“No ano passado o governo começou a agir em outubro, no fim do ciclo de desmatamento. Esse ano, parece que começou a agir mais cedo, vamos ver se terá resultado”, disse à BBC News Brasil.

“No ano passado, por conta da comoção com os incêndios, viu-se alguma ação de comando e controle que ajudou a baixar a taxa de desmatamento em outubro e novembro. Mas você precisa criar as condições para incentivar quem quer produzir sustentavelmente. Colocar o Exército na floresta ajuda, mas não é suficiente.”

Covid-19; Isolamento reforça importância dos parques para a saúde

O objetivo maior de uma unidade de conservação é a proteção da natureza, mas por debaixo dessa missão há na verdade uma troca, na qual a própria sociedade é protegida e beneficiada pela presença da área preservada.Amazônia,Desmatamento,Grilagem,Floresta,Brasil,Meio Ambiente,Queimadas,Ecocologia,Fauna,Flora,Pecuária,Biodiversidade,Crimes Ambientais.Blog do Mesquita (6)

A quarentena pode ser um convite para repensar nossas conexões com a natureza e a importância das áreas protegidas.

Dentre os benefícios que a natureza nos presta, também conhecidos como serviços ambientais ou ecossistêmicos, está a saúde promovida tanto diretamente pelo contato com a natureza, quanto indiretamente, por nos proteger contra doenças, como a febre amarela, a malária e, especula-se, o próprio coronavírus.

A lista de serviços ecossistêmicos prestados por uma área de natureza preservada é maior do que imaginamos. “A natureza nos presta serviços pelos quais a gente não paga nada: nascentes de água, regulação de clima, solo fértil… E há também o efeito de diluição. A biodiversidade tem a capacidade de diluir o processo de transmissão de agentes infecciosos e manter esses agentes numa proporção muito baixa dentro de uma área com grande biodiversidade. Esse é um serviço da natureza que a gente nunca fala”, ressalta a coordenadora do Centro de Informação em Saúde Silvestre da Fiocruz, Marcia Chame.

“Para quê que serve uma unidade de conservação? Serve para água, pra gente passear, pra ficar perto da natureza, desestressar, para tudo isso, mas também serve para diluir o processo de transmissão dos agentes infecciosos. A gente precisa fazer as pessoas entenderem o quanto as unidades de conservação nos protegem”, aponta Chame.

A pesquisadora lembra que essa rica biodiversidade também é fonte para remédios e princípios ativos de vacinas. “Quando você tem uma unidade de conservação grande, bem conservada, o que a gente tem ali dentro? Uma diversidade de espécies grandes também. É desse conjunto biológico que o homem se aproveita para produzir várias coisas, entre elas remédios. Mais de 75% dos remédios utilizados são baseados em compostos naturais, a maior parte de plantas. E o que não é produzido a partir dessas moléculas da natureza, é inspirado nessas moléculas. Quando você perde biodiversidade, você perde esse potencial todo de produção de remédio e de inspiração”.

Dentre as unidades de conservação, parques são a categoria que mais se aproximam da sociedade e que têm a missão de ser “a janela do sistema”, em referência ao SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação). Apesar dessa vocação ao público, ainda há um grande gargalo no Brasil para consolidar essa conexão entre parque e sociedade.

O voluntariado pode ser uma oportunidade para engajar as pessoas na conservação da natureza. Foto: Duda Menegassi.

De acordo com o diretor-presidente do Instituto Semeia, Fernando Pieroni, uma das dimensões mais importantes para construir essa cultura de parques entre os brasileiros começa no imaginário. “Os parques são um patrimônio da sociedade. Parte desse processo inclui trazer os parques para o imaginário coletivo, inclui explicar para sociedade a conexão que os parques têm com saúde pública, com bem-estar, e com mais do que normalmente associamos à função de conservação ambiental do parque”, analisa Pieroni.

A publicação “Parques do Brasil: Percepções da População”, produzida e divulgada pelo Semeia em março deste ano, ajuda a mapear as percepções dos brasileiros sobre os parques e a entender como traduzir o papel deles para sociedade, tanto os naturais quanto os urbanos. “Há uma complementaridade. O parque urbano normalmente é o primeiro contato e que depois tende a te levar para um parque natural. Normalmente a experiência de imersão na natureza é diferente nos dois, assim como o tipo de atividade. O parque natural é visto como oportunidade de contato com a natureza, enquanto o parque urbano está mais relacionado com aquele esporte corriqueiro, passear, encontrar amigos”, descreve Pieroni baseado nos levantamentos do estudo.

O diretor acredita que os parques terão um papel importante na hora do fim do isolamento e pós-crise do coronavírus. “Tem muita gente sofrendo com esse confinamento em casa e se os parques já tinham um papel importante antes, na hora que as pessoas voltarem a sair de casa e quiserem se reconectar com espaços públicos e naturais, os parques terão um papel de descompressão emocional fundamental – principalmente os urbanos, que são mais acessíveis”.

O vice-presidente da Comissão Mundial de Áreas Protegidas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), Cláudio Maretti, acredita que o fim da quarentena será uma oportunidade para quem trabalha com áreas protegidas. “Acho que as pessoas que gostam da natureza e de estar ao ar livre vão sentir a necessidade de retomar esse contato o mais rápido possível, mesmo que seja em parques urbanos e mais antropizados. Principalmente as pessoas que estão confinadas em apartamentos nas grandes cidades”, analisa. “Isso seria uma oportunidade. Existe uma intenção manifesta, reprimida por causa do distanciamento social”.

Abrir a porta dos parques e colocar o tapete de bem-vindos, entretanto, não será suficiente para ganhar novos aliados da conservação. “Eu acho que vai ter essa corrida no início, e eu espero que ela seja ampla e duradoura, mas os outros estímulos, como cinemas e shoppings, vão continuar competindo. E competir com a indústria do entretenimento, com o consumismo, vai ser igualmente difícil. Cabe a nós, profissionais das áreas protegidas, abrir mais oportunidades com a oferta de atividades, mais áreas para visitação e a criação de programas de engajamento, como o voluntariado”, pondera o especialista em conservação.

Enquanto a quarentena não acaba e a fruição dos parques e de outras áreas protegidas fica comprometida, cabe buscar formas alternativas de manter o contato com a natureza – uma conexão que, inclusive, faz muito bem para saúde. Maretti, que em janeiro publicou em ((o)) eco uma coluna sobre a relação de áreas protegidas e saúde, pontua a quantidade de artigos científicos da área médica que indicam como o contato com a natureza contribui com o bem-estar, ajuda no combate ao estresse e até na recuperação de doenças.Ambiente,Amazônia,Brasi,Desmatamento,Grilagem,Floresta,Meio Ambiente,Queimadas,Ecologia,Fauna,Flora,Pecuária,Pesticidas,Agrotóxicos,Biodiversidade,CrimesAmbientais,Sustentabilidade,VidaSelvagem,AquecimentoGlobal,Água,Alimentos,Clima,Agricultura

“Tem uma gradação que vai desde você ver uma foto, até você ter uma janela pro verde urbano, até você morar numa parte da cidade que é mais arborizada, ou numa área próxima a parques. É o que eu faço aqui em casa, vou para sacada ver o verde para me sentir melhor. Isso está nas pesquisas científicas. Há teorias que dizem que esse sentimento é uma herança do tempo em que a gente vivia no mato, uma convivência que perdemos com a vida urbana. Da mesma forma que você olha a foto de um ente querido e isso pode te fazer bem, faz bem olhar a natureza, mesmo que por uma imagem ou pela janela”, explica Maretti.

Para a ONU retorno ao uso do carro nem é saudável nem é sustentável.

Uma parte das Nações Unidas focada na Europa argumenta que o “uso em massa de carros não será sustentável” depois que os bloqueios globais diminuírem.

Ciclistas aproveitando seu primeiro volante de fim de semana desde o final do bloqueio, quando a França surge de … [+] GETTY IMAGES

Para cumprir as obrigações internacionais de mudança climática, os governos terão que financiar e promover formas de mobilidade “mais ambientalmente saudáveis, saudáveis ​​e sustentáveis”, “particularmente o uso de bicicletas”.

A Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa – ou UNECE – está defendendo o transporte pós-pandemia com base na “sustentabilidade e resiliência”.

Uma nova força-tarefa será formada para explorar “mudanças estratégicas e de longo prazo” para a mobilidade. Essa força-tarefa – Programa Pan-Europeu de Transporte, Saúde e Meio Ambiente, ou O PEP – “desenvolverá um conjunto de princípios para uma mobilidade sustentável verde e saudável”, afirma uma declaração da UNECE.

A organização argumenta que a “crise atual nos dá a oportunidade de reconsiderar o funcionamento do setor de transportes” e que existe uma “obrigação de reiniciar de uma maneira que conduza a um sistema mais eficiente, mais verde, mais saudável e mais sustentável”.

Como o comissário de ciclismo e caminhada da Grande Manchester disse muitas vezes, as evidências para um transporte mais ativo são esmagadoras, o que é necessário é a vontade política de agir sobre ele.

“Meu Deus, temos um mar de evidências sobre o que é necessário”, “Boardman twittou em 2018,” estamos nos afogando nisso. ”

O tweet foi uma resposta a outro comitê político perguntando como tirar as pessoas dos carros.

Boardman enfatizou: “Nós sabemos exatamente o que fazer: financiamento significativo e sustentado, forte liderança entre partes e um compromisso real com a mudança.”

É provável que a força-tarefa da UNESCE chegue às mesmas conclusões. Portanto, não seria melhor ir direto ao ponto e instar os governos a agir agora?

Clima, coragem e a ambição de que precisamos agora

Enquanto formuladores de políticas e ativistas de todo o mundo se reúnem para a Semana do Clima na cidade de Nova York, Lynn Scarlett explica por que precisamos de compromissos mais ousados ​​- mas por que é nos detalhes diabólicos da ação que o progresso acontece.

Ser um defensor de longa data da ação climática às vezes parece ser Cassandra do mito grego – amaldiçoada por ver o futuro, mas nunca acreditar.

Este é talvez o aspecto mais assustador das mudanças climáticas. Conhecemos os terríveis impactos. Sabemos o que precisamos fazer para evitar uma catástrofe global. Mas ficamos muito aquém de tomar ações na escala necessária.

É de se perguntar o que Cassandra teria pensado se estivesse presente na assinatura do Acordo de Paris em 2015, sabendo que esse compromisso internacional sem precedentes seria seguido por mais quatro anos de aumento nas emissões, temperaturas e níveis do mar.

Ainda assim, não me desespero pelo futuro. Não me sinto como Cassandra – agora as vozes da ação climática estão sendo ouvidas de maneira mais ampla. Poderíamos estar à beira de uma oportunidade sem precedentes de ação climática corajosa.

Mexa-se agora
Convide os líderes mundiais a serem corajosos em relação às mudanças climáticas.

Um novo momento de conscientização
Quando o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) divulgou seu relatório de 1,5 graus em outubro passado, a reação do público foi alarmante – e isso é promissor. De repente, a mensagem se espalhou – de maneira ampla e com ressonância – quando as pessoas viram o que os Cassandras haviam visto há muito tempo.

Este ano traz mais dois relatórios do IPCC – um relatório sobre uso da terra e clima foi lançado em agosto, e outro focado no oceano e na criosfera chegará no final deste mês. Esses relatórios também não contêm boas notícias, mesmo que não estejam inspirando o mesmo choque que o relatório de meta de 1,5 grau. Mas vale a pena prestar atenção, porque os problemas específicos que eles colocam podem nos indicar soluções específicas.

É provável que o relatório das terras de agosto enfatize ainda mais o que já sabemos – que o uso extensivo da humanidade pelas terras da terra é um dos principais impulsionadores das mudanças climáticas. De fato, o setor de uso da terra é atualmente responsável por um quarto das emissões globais de gases de efeito estufa, bem como pela degradação do solo, desmatamento e perda de biodiversidade.

Mas isso também significa que mudar nossas ações pode beneficiar o futuro do planeta. A maneira como comunidades, proprietários de terras e empresas utilizam, protegem e desenvolvem a terra e a natureza é essencial para esse empreendimento. Pesquisa liderada pela The Nature Conservancy (TNC) mostra que soluções climáticas naturais – estratégias para proteger, restaurar e gerenciar terras para reduzir as emissões e melhorar o armazenamento de carbono – poderiam, em conceito, fornecer mais de um terço das reduções de emissões necessárias até 2030 para manter níveis de aquecimento abaixo de 2 graus Celsius.

As soluções terrestres capturam pouca atenção ou financiamento, pelo menos por enquanto, mas com mais investimento, elas podem ser um complemento poderoso para a transição contínua para a energia limpa. Natureza e tecnologia juntas fornecem a maioria das ferramentas necessárias para limitar as mudanças climáticas. A questão é se temos coragem de usá-los – e usá-los em breve.

As vozes da ação climática estão sendo ouvidas agora de forma mais ampla. Poderíamos estar à beira de uma oportunidade sem precedentes de ação climática corajosa.

Coragem significa ambição – e ambição significa detalhes.
O que quero dizer com coragem? Sim, é corajoso quando os países estabelecem e escalam compromissos de redução de emissões ou quando as empresas trabalham em direção a 100% de fontes de energia limpa ou cadeias de suprimento de desmatamento zero.

Tais compromissos são positivos, passos críticos; Estou animado em ver mais deles. Mas a verdadeira coragem climática não se resume apenas a anúncios grandiosos – ela é encontrada nas profundezas da execução. Requer ambição, mas também detalhes diabólicos – de como, quando, onde e quem – para transformar essas declarações em ações concretas.

Considere: sabemos que precisamos acelerar a transição para a energia limpa – mas também precisamos pensar em como fazemos essa transição e onde colocamos essa nova infraestrutura. A localização mais inteligente é necessária não apenas para proteger as terras naturais da conversão – sequestrando mais carbono naturalmente e protegendo a biodiversidade – mas também para eliminar alguns dos riscos financeiros que impedem a expansão da energia limpa.

Portanto, precisamos de políticas, planejamento e incentivos que direcionem desenvolvedores e investidores para a localização inteligente de infraestrutura de energia – é assim que atraímos investimentos de nível institucional em energia limpa, localizamos bem e garantimos a proteção de terras naturais. Foi exatamente isso que o estado norte-americano de Nevada fez – por meio de um foco de “mineração solar”, o estado está facilitando a localização da energia solar em áreas degradadas de minas. Se olharmos para a escala global, temos terras degradadas suficientes disponíveis para localização para atender às metas de energia limpa do mundo 17 vezes.

Da mesma forma, não basta simplesmente “proteger florestas”. Grande parte das terras florestais intactas do mundo é gerenciada por comunidades indígenas, muitas das quais são líderes em desenvolvimento sustentável de baixo carbono – e, no entanto, muitas delas não têm ou têm direitos tênues a essas terras. Portanto, os países precisam garantir que os povos indígenas garantam seus direitos e posse da terra.

Percorremos um longo caminho em um tempo relativamente curto para entender uma nova realidade climática. O que antes seriam promessas ousadas agora é quase comum. Mas ainda estamos muito aquém do avanço dos mecanismos pelos quais essas promessas são cumpridas – governança, política financeira, estruturas de incentivos e impostos e posse da terra, para citar alguns.

Esses processos raramente atraem a atenção do público, mas são um trabalho duro e corajoso – o tipo necessário para converter a coragem em ação climática tangível.

Nós somos os protagonistas. A única coisa que nos impede de enfrentar as mudanças climáticas é nossa lentidão para agir de maneira proporcional à escala dos desafios.
É necessário um trabalho árduo e corajoso para converter a coragem em ação climática tangível.

“Um drama épico”
Comecei por esse caminho pensando em coragem e figuras míticas como Cassandra depois de ouvir o autor David Wallace-Wells falar recentemente para uma audiência de conservacionistas comprometidos.

A luta atual da humanidade com as mudanças climáticas, disse David, “é um drama épico, do tipo que costumávamos ver apenas na mitologia ou na teologia, mas estamos vivendo em tempo real e como protagonistas – porque o clima futuro do planeta será escrito pelo que fazemos.”

Nós somos os protagonistas. A única coisa que nos impede de enfrentar as mudanças climáticas é nossa lentidão para agir de maneira proporcional à escala dos desafios.
Estranhamente, esse é um pensamento encorajador – porque ainda temos escolhas. E isso me faz pensar em outro termo para protagonista: herói.

Esse momento é revigorante: os alunos estão saindo das escolas; os líderes indígenas estão reivindicando seu lugar de direito nas negociações internacionais; Estados como Nova York e cidades de Nairóbi a Brasília estão estabelecendo planos de mitigação mais detalhados e ambiciosos do que qualquer governo nacional. Agora é hora de mais heróis nacionais e internacionais também.

Aqueles que se adiantam para realizar o trabalho árduo dessa jornada enfrentam incerteza – sobre as conseqüências de suas ações, intencionais e não intencionais; sobre se o resto do mundo seguirá o exemplo deles; sobre quais detalhes diabólicos da ação realmente produzirão grandes resultados; e sobre o tipo de impacto que experimentaremos, mesmo no melhor cenário.

É por isso que requer coragem. Mas a alternativa não é uma opção viável.

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MPF pede que Ibama desconsidere ato do Ministério do Meio Ambiente e mantenha proteção à Mata Atlântica em SP

Despacho assinado pelo ministro Ricardo Salles autoriza reconhecimento de propriedades rurais em áreas protegidas do bioma

Foto de trecho de Mata Atlântica com árvores altas

Imagem ilustrativa (foto: icmbio.gov.br)

O Ministério Público Federal (MPF) quer que o Ibama desconsidere um ato administrativo do Ministério do Meio Ambiente e mantenha interdições, autos de infração e outras sanções aplicadas por ocupação ilegal e degradação da Mata Atlântica no estado de São Paulo.

O MPF criticou os fundamentos jurídicos de um despacho editado pelo ministro Ricardo Salles, em 6 de abril, que autoriza o reconhecimento de propriedades rurais instaladas em áreas de preservação, em detrimento da lei que protege um dos biomas mais ameaçados do país. O pedido é parte de uma atuação nacional conjunta com os Ministérios Públicos estaduais, articulada pela Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do MPF (4ªCCR/MPF).

O entendimento do Ministério do Meio Ambiente baseia-se em um parecer da Advocacia-Geral da União emitido por pressão de setores do agronegócio. Segundo a nova diretriz do governo federal, o Código Florestal (Lei 12.651/2012) garantiria a consolidação de unidades rurais estabelecidas até 22 de julho de 2008 em áreas protegidas, invalidando eventuais punições aos proprietários na Mata Atlântica, ainda que essas ocupações sejam desprovidas de autorização ambiental. Porém, alerta o MPF, essas disposições não revogam a Lei da Mata Atlântica (Lei 11.428/2006), que, embora anterior, deve prevalecer sobre a legislação aprovada em 2012 devido a seu escopo mais específico.

De acordo com a lei de 2006, a vegetação considerada nativa ou em regeneração no bioma deve ser preservada e não perderá essa classificação em caso de incêndio ou desmatamento. Portanto, mesmo que ocupadas até julho de 2008, essas áreas permanecem sujeitas à fiscalização, com a possibilidade de aplicação de multas e outras sanções. Nem mesmo a compensação ambiental em outro local é autorizada, devendo o proprietário recuperar a mata e interromper atividades econômicas que causem a degradação.

Ao negar a prevalência da Lei da Mata Atlântica, o Ministério do Meio Ambiente põe em risco as poucas áreas remanescentes do bioma, que correspondem a menos de 10% da cobertura original ao longo de 17 estados brasileiros. O MPF destaca que o despacho de Ricardo Salles “pode implicar o cancelamento indevido de milhares de autos de infração ambiental e termos de embargos lavrados a partir da constatação de supressões, cortes e intervenções danosas e não autorizadas à Mata Atlântica, assim como a abstenção indevida da tomada de providência e do regular exercício do poder de polícia em relação a desmatamentos ilegais”.

O pedido para que o Ibama deixe de aplicar o ato administrativo do Ministério do Meio Ambiente foi enviado na forma de uma recomendação à superintendência da autarquia em São Paulo. O órgão tem cinco dias, a partir da data de recebimento, para indicar as providências que serão adotadas e, caso não acate o pedido, ficará sujeito a medidas judiciais.

Leia a íntegra da recomendação do MPF

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Guerreiros do desperdício zero: conheça pessoas cujo lixo doméstico cabe em um pote de geleia

Desde fazer sua própria pasta de dente até procurar localmente plantas comestíveis, mais e mais pessoas estão aprendendo a reduzir a quantidade de lixo que jogam fora.

Ander Zabala com seu pote que contém todo o lixo que sua família produziu em janeiro. Foto: Linda Nylind / The Guardian

Aqui está como eles fazem isso.

Através do meu trabalho, vi a enorme quantidade de resíduos e reciclagem que produzimos. Observar um incinerador por meia hora me chocou e me fez querer agir. Eu estava de pé na varanda, vestindo um traje completo e óculos de proteção, observando gigantescos garimpeiros esvaziando resíduos de caminhões. A escala é tão chocante e você percebe o quão pequeno somos em comparação com a quantidade de desperdício que criamos. Não quero contribuir para esse desperdício e isso me fez querer agir.

Em 2018, fiz o desafio da Zero Waste Week e continuei. Estabeleci uma meta para 2019 de não ter nenhum lixo coletado. Eu assumi esse compromisso nas mídias sociais, por isso me senti investido. Em vez de usar uma lixeira, colocava meus resíduos em uma jarra todo mês para poder ver o que estava jogando fora. Também reduzi a quantidade que estava reciclando.

Eu olho para o desperdício de uma perspectiva de dados. No final de 2019, abri todos os frascos de resíduos não recicláveis que mantinha. Eles pesavam um total de 5,72 kg no ano. A casa média de Londres produz 10 kg de lixo por semana, em comparação com a média semanal de 0,11 kg da minha casa. Portanto, nosso desperdício foi 99% menor que a média.

Meu marido e eu recebemos uma entrega de veg box de Riverford toda semana. Eu compro muitas outras coisas soltas na minha loja local da esquina e outras peças de um mercado a granel e de um supermercado turco nas proximidades. Trago meus próprios recipientes e sacolas para encher com cereais, farinha, macarrão, arroz, tofu, açúcar, grãos de café, lentilhas, especiarias e muito mais. Também reabasteço meu xampu, detergente para loiça, líquido para lavar roupas e frascos de limpador de banheiro. Também recebo recargas de vinho em uma loja local.

No começo, me senti um pouco estranho pegando meus próprios contêineres, mas isso obriga a explicar o que está fazendo às pessoas ao seu redor. Geralmente, as pessoas são realmente positivas e dizem: “Que ótima idéia”. Eu levo as banheiras de volta para o meu delivery indiano para ser recarregada e agora elas esperam. É claro que, no momento, eu não pediria que enchessem meus recipientes porque todo mundo está tomando precauções de higiene devido ao coronavírus, mas eu ainda uso as banheiras para minhas compras regulares. Minha reciclagem aumentou durante o bloqueio porque não posso reutilizar as coisas tanto quanto normalmente faria.

Um dos maiores benefícios do estilo de vida é usar mais minhas lojas locais. Eu costumava ir ao supermercado e fazer check-out automático, mas ganhei muito conversando com lojistas e caixas locais.

Também cozinhamos muito mais, especialmente fazendo coisas que não podemos comprar sem embalagem. Meu marido aprendeu a fazer chapatis e pão naan, e eles têm um sabor melhor do que os que compramos nas lojas – e ele pode fazê-los em minutos. Fabricamos nosso próprio leite de aveia, que é tão barato e fácil. Ocasionalmente compro um pacote de biscoitos, porque não tenho tempo para fazer tudo.

Às vezes, eu ficava um pouco militante. Eu perguntava a amigos em festas: “Por que você comprou isso quando não pode ser reciclado?” Ou eu encontraria algumas embalagens de plástico em casa e mandava uma mensagem para meu marido dizendo: “O que é isso?” Fui chamado de polícia sem desperdício. Mas agora estou indo um pouco mais fácil para mim e para os outros.

No geral, essas mudanças nos poupam muito dinheiro, principalmente pela redução de nosso consumo. Paramos de comprar coisas que realmente não precisamos, mas gastamos um pouco mais com as coisas que compramos. Também comemos de maneira mais saudável porque compramos menos alimentos processados.

Ainda estou colocando meu lixo em uma jarra para mantê-lo visível. Sei que, se houver uma caixa grande na sala, as pessoas a usarão.

Cate Cody, cantora de jazz e conselheira verde de Tewkesbury

Não colocamos nossa lixeira para coleta por mais de três anos, desde janeiro de 2017. Meu parceiro e eu temos uma pequena lixeira de metal na cozinha e essa é a única lixeira da casa. Quase não há nada, apenas pedaços ocasionais de embalagens plásticas não recicláveis, geralmente de presentes de pessoas bem-intencionadas.

Tentamos obter o mínimo possível, comprando apenas o que precisamos e de segunda mão, sempre que possível, o que tende a evitar embalagens. Reutilizamos, reutilizamos, reciclamos e adubamos.

Recebemos uma caixa de legumes semanal cheia de produtos locais e sazonais. Também busco coisas como urtigas e alho selvagem. Cultivamos nossa própria salada, que é muito fácil e rápida de crescer.

Compramos outros alimentos, como massas, arroz e leguminosas, a granel de um atacadista ético de cooperativas chamado Suma. Recebemos uma entrega a cada dois meses que compartilhamos com outros cinco amigos. Nossa aveia vem em um saco de papel de 10 kg. O papel higiênico vem em embalagens biodegradáveis que entram no composto e também há fio dental biodegradável.

Usamos buchas em vez de esponjas comuns para lavar a louça, porque elas são feitas de um material natural e podem ser compostadas posteriormente. Eles são mais caros, mas achamos que duram mais, por isso os custos não são tão diferentes.

Quando você começa a reduzir seu desperdício, percebe as coisas pendentes que ainda estão na lixeira e depois procura alternativas para elas. Quando você se dedica a isso, pode encontrar uma solução para quase tudo. Um desafio foi o que fazer com um tubo interno de bicicleta antiga. Eu considerei algumas possibilidades e acabei transformando-o em um cinto de ferramentas.

Eu odiava tubos de pasta de dente que iriam para o aterro, então comecei a fazer minha própria pasta de dente misturando bicarbonato de sódio com óleo de coco e hortelã-pimenta. É muito diferente, mas funciona. Dito isto, agora transformamos a prefeitura de Tewkesbury em um ponto de coleta para reciclagem de tubos de pasta de dente, para que outros não precisem acabar na lixeira.

Eu nunca compro papel de embrulho. Para amigos e familiares próximos, usarei um lenço ou uma toalha de mesa e eles geralmente devolvem depois. Recentemente, embrulhei o presente de um amigo usando receitas de um jornal amarrado com barbante e expliquei que as receitas (escolhidas especialmente) faziam parte do presente. Eles adoraram.

Felizmente, uso uma barra de sabão em vez de gel de banho e não olhava para trás. De qualquer maneira, o gel deslizava direto pelo ralo. Um sabão decente dura muito mais tempo.

Em vez de rolo de cozinha, uso pano velho e, em vez de lenços de maquiagem, uso um pequeno lenço ou um pedaço de pano. Todos podem ser lavados.

Não sinto falta das coisas que desisti. Não se trata de perda, é sobre o que você ganha. Sinto satisfação real por não jogar coisas fora e adquiri habilidades aprendendo a fazer as coisas sozinho. É também possuir menos coisas; se eu quiser ler um livro, pedirei na biblioteca. Talvez eu tenha que esperar mais por isso, para que haja menos gratificação instantânea, mas pode parecer uma criança esperando o Natal e é ainda mais gratificante quando chega.

Como cantora de jazz, eu reciclei músicas e, no resto da minha vida, tento reciclar todo o resto.

Claudi Williams, gerente de oficina da Beeswax Wrap Co, Stroud

Claudi Williams em casa perto de Stroud. Foto: Sam Frost / The Guardian

Fiquei frustrado com a quantidade de plástico na minha vida, então em 2016 decidi tentar não comprar nenhum por um ano. Foi uma curva acentuada de aprendizado para mim, meu marido e nossos dois filhos, mas, depois de alguns meses, nosso desperdício caiu para quase nada. Tornou-se nosso novo normal.

Foi difícil no começo porque estávamos acostumados com a conveniência de comprar coisas no último minuto e não podíamos mais fazer isso. Agora temos uma rotina, cozinhando todos os dias e fazendo nossos próprios almoços embalados.

A primeira coisa que nos perguntamos é: “Precisamos disso?” A segunda é: “Como posso obter isso descompactado?” Podemos fazer nós mesmos? Podemos obtê-lo em segunda mão? Podemos emprestar?

A compra de alimentos não embalados tende a fazer você comprar mais alimentos locais e sazonais, o que também reduz o número de quilômetros de comida, criando assim um círculo virtuoso. Compramos alimentos no mercado dos fazendeiros e na loja local.

Creme dental caseiro, sabonete e esfregão reutilizável e compostável – e avelãs do jardim de Cate Cody. Foto: Sam Frost / The Guardian

Quando começamos, fiz uma pequena auditoria em casa para ver quantos produtos de limpeza estávamos usando e o resultado foi impressionante. Somos levados a acreditar que precisamos de um produto diferente para cada coisa que limpamos, mas na verdade você pode limpar quase tudo de maneira eficaz com bicarbonato de sódio, vinagre, limões e sabão simples. Agora só uso sabão e pincel e faço meu próprio spray com vinagre para coisas como azulejos, espelhos e pias. Toda a jornada foi de simplificação cada vez mais. O bicarb é uma ótima coisa para se ter por perto – por exemplo, você pode polvilhar em xícaras manchadas de chá para remover as manchas.

Você pode fazer muitas coisas com ingredientes básicos, e encontrar novas soluções é extremamente empoderador. Por exemplo, quando precisávamos de líquido para limpador de pára-brisas para o carro, encontrei uma receita realmente fácil na internet que custava apenas alguns centavos. Eu faço minha própria pasta de dente e desodorante, o que leva apenas cinco minutos. Para o xampu, compro refis do Faith in Nature ou um bar da Mind the Trash. Eu uso um barbeador de segurança de metal para fazer a barba. Pego papel higiênico de um serviço de assinatura chamado Greencane que envia 48 rolos não embalados em uma caixa de papelão.

Adoro chás de ervas e estava procurando chá a granel, e então percebi que havia plantas no meu jardim que eu poderia escolher e usar. Você precisa mudar seu cérebro do consumo e perceber o que está em seu ambiente. Seco ervas como camomila e hortelã-pimenta para usar nos meses de inverno amarrando cachos em um ramo e pendurando-os de cabeça para baixo em um armário.

Viver assim realmente me mudou. Por fim, simplesmente vivemos com menos coisas. Costumava colocar as coisas no carrinho de supermercado por impulso, mas agora tenho um relacionamento totalmente diferente com o que quero e preciso. Eu me sinto muito mais auto-suficiente e mais inteligente sobre como faço compras. Considero cada compra um voto.

Índia equilibra crescimento econômico e meio ambiente

Um dos países de crescimento mais rápido do planeta se aproxima para equilibrar o crescimento econômico com a natureza.

O lago Narayanapuram fica quase perdido em meio ao crescimento urbano na periferia de Chennai, uma cidade extensa de mais de 8 milhões de pessoas perto da Baía de Bengala. Torres de apartamentos recém-construídas e casas térreas de concreto lotam as margens do lago, enquanto ondas de lambretas, caminhões-pipa e caminhões carregados com vergalhões de aço passam, tudo parte da arremetida cacofônica da Índia para um futuro mais próspero.

Um quarto de século atrás, o lago estava cercado por campos de arroz. As bermas entre elas estavam alinhadas com palmeiras Palmyra distintas, que ainda ajudam as pessoas a discernir o contorno remanescente de um sistema de água interconectado muito maior. Narayanapuram é um de uma série de 32 lagos que caem em cascata no Pantanal Pallikaranai, o último pantanal natural remanescente em Chennai. Atualmente, é difícil apreciar o sistema como um todo ecológico em funcionamento, uma vez que abrange quase 20.000 acres. Apenas 10% do pântano permanece.

Alpana Jain fica na beira do lago, sua roupa de calça e túnica vermelha é um contraponto vívido à poeira e ao concreto. Jain gerencia projetos urbanos para o programa recém-inaugurado pela The Nature Conservancy na Índia. No caminho para cá, ela notou o desaparecimento de outro lago próximo, destruído por novas construções. “Agora se foi”, disse ela. “Ele desapareceu do mapa”.

Na manhã de janeiro, Chennai está sofrendo com uma seca, mas também há sugestões visíveis de um problema diferente. Na margem leste do lago, um templo hindu tecnicolor com sinos chocantes fica teimosamente ensacado contra as águas do passado e do futuro. Essa é a realidade da vida em Chennai, uma serra cruel entre água insuficiente e demais. Para o lago Narayanapuram, essa dualidade dura é agravada por insultos adicionais. O lago e seus pântanos costumavam armazenar água da chuva e recarregar o aqüífero subterrâneo. Agora, eles absorvem grandes fluxos de esgoto não tratado. E, com grandes porções dos lagos cercadas e pavimentadas, a água da chuva não tem para onde ir além das casas das pessoas.

Se você observar bem o suficiente, ainda há sinais da natureza em Narayanapuram. Ainda hoje, as aves migratórias usam o lago: íbis brilhantes, jacanas de cauda de faisão, cegonhas pintadas e flamingos que voam até aqui a quase 5.000 quilômetros do Irã. “Apesar de todo o trauma na região”, diz Jain, “ainda existem 122 espécies que usam os lagos e os pântanos”.

Narayanapuram representa a história de mais de 85% das áreas úmidas de Chennai, que foram degradadas ou perdidas devido à urbanização rápida e não planejada. Jain está ajudando a lançar um programa que restaurará o sistema de lagos de Chennai e o pântano restante, o que poderia oferecer esperança não apenas para aves migratórias e outros animais selvagens, mas também para o povo de Chennai. Agora, a TNC e seus parceiros – Care Earth Trust e Instituto Indiano de Tecnologia de Madras – estão trabalhando juntos em um projeto piloto para mostrar que um sistema de áreas úmidas restauradas pode ajudar a capturar inundações durante fortes chuvas e reabastecer aquíferos subterrâneos como proteção contra a seca. O trabalho aqui em Chennai faz parte do programa mais amplo da TNC na Índia, lançado oficialmente em junho de 2017.

A população do país rivaliza com a China, e o Fundo Monetário Internacional estima que as economias dos dois países estão crescendo aproximadamente na mesma taxa alucinante. Proteger a natureza e manter os sistemas naturais sustentáveis ​​diante de um crescimento tão esmagador será um enorme desafio – mas também pode ser crítico para sustentar o momento que está ajudando a tirar milhões de pessoas da pobreza todos os anos.

Para demonstrar como a Índia pode continuar a crescer sem sacrificar seus maiores ativos naturais, a TNC está lançando uma série de novos projetos agressivos para enfrentar problemas no ar, na água, nas terras e nas cidades. “A Índia é um país que enfrenta os desafios das pessoas e da natureza”, diz Seema Paul, diretor da TNC para a Índia. “Tem alto crescimento econômico. Tem 1,3 bilhão de pessoas. Quer ser sustentável. Como a TNC pode não estar na Índia? ”

Os viajantes de Nova Délhi são cobertos por uma fumaça amarga. A fumaça é causada pela queima de campos agrícolas para a mudança sazonal das colheitas de arroz para o trigo. © Associated Press.

A Índia está crescendo em uma velocidade e escala que geralmente são difíceis de serem contadas. O país possui cerca de 16% da população mundial, 8% de sua biodiversidade e cerca de 2% de suas terras. Possui a sétima maior economia do mundo, e um grande número de cidadãos se eleva a um nível de vida mais alto a cada ano.

Mas toda essa mudança rápida vem com problemas. Estima-se que cerca de 600 milhões de pessoas migrarão para as cidades da Índia até 2050, mas muitas cidades estão se desenvolvendo sem planejamento adequado. A agricultura está tornando o ar respirável por causa da prática generalizada de queimar os resíduos das colheitas, e o bombeamento das águas subterrâneas está esgotando os aqüíferos e tributando a tensão da infraestrutura elétrica da Índia. Prevê-se que a demanda de energia em todo o país quase dobre até 2050.

Para organizações ambientais, há trabalho a ser feito em toda a Índia. Diante de uma necessidade tão esmagadora, a TNC está tentando identificar e responder aos desafios mais prementes.

O Conservancy começou a avaliar o potencial para trabalhar na Índia há menos de cinco anos, determinando como ele poderia se basear no trabalho de organizações não-governamentais existentes. Enquanto a Índia tem uma abundância desses grupos, muitos são relativamente pequenos e trabalham bem perto do chão.

“Quando desenvolvemos nossa estratégia para a Índia, analisamos o que é a TNC e o que a Índia precisa”, diz Paul. Em um país com inúmeras organizações ideologicamente orientadas – e um estabelecimento que costuma ser cético em relação a seus motivos – a TNC se destaca por sua capacidade de conduzir sua própria ciência imparcial para preencher importantes lacunas de conhecimento. “O papel que podemos desempenhar aqui”, diz ela, “é um dos líderes da ciência aplicada”.

Trabalhando com parceiros, a TNC está desenvolvendo projetos de demonstração que abordam a segurança da água, a qualidade do ar e o desenvolvimento de energia renovável em todo o país. Ao mostrar a viabilidade de cada conceito, a equipe espera contar com a ajuda de parceiros e do governo para levar os esforços a uma escala muito maior.

“A cultura aqui [na TNC Índia] é mais como uma start-up”, diz Sushil Saigal, que supervisiona o programa de terras da TNC na Índia.

De todos os problemas ambientais que afetam a Índia, a poluição do ar recebeu a atenção internacional mais recente. A Organização Mundial da Saúde calcula que 1,4 milhão de indianos morrem prematuramente todos os anos por causa da poluição do ar, mais do que em qualquer outro lugar do mundo. Mas o impressionante preço do progresso econômico não é mais evidente do que em Nova Délhi. Lá, mais de 19 milhões de pessoas sofrem com um “airpocalypse”, agora anual no inverno, que fecha rotineiramente as escolas, envia crianças para unidades de terapia intensiva e sufoca a cidade com um fedor generalizado.

A névoa tóxica consiste em diesel e exaustão industrial, além de madeira e lixo queimados para aquecimento no inverno. Mas um quarto do problema decorre de agricultores nos estados vizinhos de Haryana, Punjab e Uttar Pradesh queimando restolho de arroz em preparação para a colheita de trigo no inverno. O governo respondeu com a proibição de queimar resíduos de colheitas, mas os agricultores o ignoraram porque têm apenas algumas semanas para mudar seus campos de arroz para trigo.

Para enfrentar esse desafio, a TNC – em parceria com o Centro Internacional de Melhoramento de Milho e Trigo, o Instituto Borlaug para o Sul da Ásia e o Conselho de Energia, Meio Ambiente e Água – está elaborando um plano centrado em um implemento agrícola produzido localmente chamado Happy Semeador. O aparelho, que pode ser engatado na parte traseira de um trator, corta e espalha a restolho de arroz pelo campo enquanto simultaneamente planta sementes de trigo. A cobertura morta que produz preserva a umidade valiosa do solo e também serve como fertilizante gratuito, eliminando completamente a necessidade dos agricultores de queimar seus campos.

Atualmente, cerca de 2.000 semeadores felizes estão em operação em Punjab e Haryana, mas a TNC e seus parceiros esperam ajudar os agricultores a colocar um total de 50.000 em uso nos próximos cinco anos – um esforço que custaria algo em torno de US $ 120 milhões. No início deste ano, o governo da Índia anunciou que subsidiaria até metade do custo de um semeador feliz para agricultores individuais e 80% do custo para cooperativas de agricultores.

As organizações parceiras estão agora trabalhando para lançar um programa de conscientização em larga escala entre os agricultores. Se a parceria puder colocar essas semeadoras nos campos do noroeste da Índia, isso significaria solo mais saudável, melhores colheitas e 8,4 milhões de acres que não precisam mais ser queimados.

Um leopardo espreita à beira do Parque Nacional Sanjay Gandhi, em Mumbai. O desenvolvimento levou a habitação até as fronteiras do parque. © Steve Winter / National Geographic

Em uma cordilheira rochosa e pontilhada de árvores no centro da Índia, Dhaval Negandhi, economista ecológico da TNC, observa dezenas de turbinas eólicas girando lentamente pela brisa enquanto uma música de Bollywood surge de uma vila próxima. O parque eólico aqui oferece um vislumbre do futuro energético da Índia.

Segundo dados do governo, cerca de 300 milhões de indianos ainda não têm acesso à eletricidade. O governo está correndo para fechar essa lacuna, criando demanda por mais fontes de energia. Ao mesmo tempo, a Índia se comprometeu a alcançar duas metas climáticas ambiciosas até 2030: possuir 40% de sua capacidade de geração elétrica com base em recursos renováveis ​​e criar sumidouros de carbono para sequestrar outros 2,5 a 3 bilhões de toneladas de dióxido de carbono. Em 2022, o estado de Madhya Pradesh, onde está localizado esse parque eólico, e o vizinho Maharashtra planejam quase o triplo de sua capacidade combinada de energia renovável, para 34 gigawatts. Isso incluirá pelo menos sete projetos de “mega” energia solar, com média de cerca de 640 megawatts cada.

Isso será bom para o clima. Mas projetos de energia renovável, quando mal planejados, podem destruir grandes áreas de habitat. Cada megawatt de energia solar, por exemplo, normalmente requer aproximadamente 10 a 12 acres de terra. Adicione todos os projetos potenciais de energia renovável da Índia e eles podem ter um enorme impacto nos habitats naturais.

Este parque eólico, a cerca de 130 quilômetros da cidade de Bhopal, sugere o problema: ele foi construído em antigas florestas tecnicamente sob proteção de Madhya Pradesh.

Para proteger as fazendas, diz Negandhi, as políticas do governo dificultam o acesso das incorporadoras às terras agrícolas. Enquanto isso, a área florestal é relativamente fácil de construir. Isso é um problema. Aqui, as clareiras destruídas pelas torres eólicas, além de dezenas de quilômetros de novas estradas de acesso, totalizando aproximadamente 500 acres, minaram os esforços de seqüestro de carbono da Índia e fragmentaram a floresta.

A Índia central também é uma paisagem importante para o tigre de Bengala, um animal carregado de significado icônico. Desde a década de 1970, a Índia reduziu a população de tigres de menos de 1.000 para cerca de 2.300 hoje – mais da metade do total do mundo. E os tigres representam ecologicamente algo muito mais que eles mesmos. “O tigre é uma espécie de guarda-chuva”, diz Negandhi. “Por ter uma área residencial muito grande, quando você protege o tigre, acaba protegendo um grande número de espécies que compartilham esse habitat”. Apesar da alta densidade populacional da Índia, ela ainda suporta alta biodiversidade e populações relativamente saudáveis ​​de grandes mamíferos em locais próximos aos seres humanos.

Negandhi está focada em encontrar um caminho equilibrado para o desenvolvimento futuro de energias renováveis. O Conservancy quer ver novas instalações priorizadas em propriedades que já foram perturbadas – por exemplo, instalar turbinas eólicas perto de campos agrícolas ou painéis solares nos telhados – em vez de limpar áreas selvagens. “Há tanta terra disponível que você pode facilmente atingir 10 vezes o seu objetivo [sem degradar a terra]”, diz ele. “É apenas uma questão de planejamento”. A chave, ele acrescenta, é ir além do trabalho de projeto por projeto e ajudar os tomadores de decisão a identificar onde o desenvolvimento de novas energias causará menos perturbações à natureza.

A The Conservancy está adaptando seus programas de localização de energia existentes para a Índia. Está colaborando com o Centro de Estudo de Ciência, Tecnologia e Política de Bangalore, que está modificando uma ferramenta de planejamento de energia chamada Darpan (“espelho” em hindi). O programa visa facilitar situações em que todos ganham, onde desenvolvedores e tomadores de decisão podem alcançar suas metas de energia renovável sem criar novos projetos em áreas ecologicamente e socialmente sensíveis – e até reduzir atrasos no processo de licenciamento.

“Precisamos iniciar essa conversa rapidamente”, diz Gaurav Kapoor, principal pesquisador do centro. “Como na taxa em que o desenvolvimento de energia renovável está acontecendo, pode ser tarde demais em alguns anos para pensar em conservação”.