Covid-19 é um desastre para todos … exceto homens brancos heterossexuais?

Mesmo uma catástrofe global como o Covid-19 não desencorajou os empreendedores de identidade de continuarem chamando a atenção para sua causa. Em vez de se unirem em uma luta comum, eles procuram explorar o Covid-19 para seu próprio fim.

Houve um tempo em que um desastre mortal como a atual pandemia levaria interesses e partidos concorrentes a deixar suas diferenças de lado para apoiar um ao outro contra um inimigo comum. Não é assim que as coisas funcionam hoje. Muitos traficantes de identidade simplesmente não conseguem resistir à tentação de transformar a pandemia em uma plataforma para suas políticas.

Qualquer pessoa que esteja lendo os numerosos posts feministas reclamando que as mulheres estão sofrendo o impacto da pandemia imaginaria que os homens estão se divertindo muito durante o bloqueio. Segundo um relato, o coronavírus é um “desastre para o feminismo”.

Uma observação interessante, dado o fato de que as estatísticas indicam que os homens têm mais probabilidade de morrer com isso do que as mulheres. Numa época em que dezenas de milhares de seres humanos perderam a vida, o autor desta última observação alerta que “em todo o mundo, a independência das mulheres será uma vítima silenciosa da pandemia”.

Os defensores da política de identidade feminista se referem à pandemia como uma “crise de gênero” que, segundo o senador australiano Mehreen Faruqi, carrega um “risco desproporcional” para as mulheres. É improvável que pessoas como Faruqi usem o termo ‘crise de gênero’ se uma pandemia represente um risco “desproporcional” para os homens.

Previsivelmente, a pandemia não só foi de gênero, mas também racializada. Aparentemente, não são apenas as mulheres que estão sofrendo. “Se o coronavírus não discrimina, por que os negros estão sofrendo o impacto?”, Pergunta Afua Hirsch, comentarista do The Guardian.

A racialização da pandemia é particularmente prevalente nos Estados Unidos, onde ex-candidatas presidenciais Elizabeth Warren, Kamala Harris e Cory Booker exigiram que o Centro de Controle de Doenças investigasse os “preconceitos implícitos” dos médicos. A implicação transmitida pela declaração deles é que os fanáticos dos profissionais de saúde são de alguma forma responsáveis ​​por colocar os pacientes negros em desvantagem.

Na realidade, se a proporção de afro-americanos morrendo de Covid-19 é maior do que a de brancos, é por causa de suas terríveis circunstâncias econômicas, e não por qualquer viés entre a profissão médica. A sobreposição de grupos entre “negros” e “pobres” é uma realidade que não pode ser ignorada, mas agrupá-lo com “preconceitos” gerais para fazê-lo sobre raça é apenas desonesto.

A racialização da pandemia levou inevitavelmente a responsabilizar os brancos, particularmente o ‘privilégio masculino branco’, responsável pela trágica catástrofe que assombra o mundo. Escrevendo dessa maneira no Salon, um inimigo zangado de ‘eleitores brancos racistas’ afirma que “o privilégio dos homens brancos está literalmente deixando a América doente”!

Outros oponentes do privilégio branco temem que “o distanciamento social possa levar a um aumento no nacionalismo branco”. Como essa racialização da pandemia ganha maior impulso, é apenas uma questão de tempo até que o Covid-19 seja renomeado como Vírus Branco. Alguns já afirmam que “o homem branco é o maior risco de espalhar o vírus”. Segundo o autor desta declaração idiota, homens brancos idosos são um incômodo para a saúde pública.

Os ativistas trans também pularam na onda de ‘nós estamos aguentando o peso’. Uma manchete da VICE reclama “Enquanto os hospitais se preparam para o Covid-19, as cirurgias trans que salvam vidas estão atrasadas”. Embora reconheça que “as instalações médicas possam em breve ficar sobrecarregadas para todos”, lamenta que “o atendimento das pessoas trans possa ser tratado como ‘não essencial’”. Segundo uma fonte, a pandemia atual é “perigosa” para as pessoas LGBT que fazem isso. não mora em famílias “muito solidárias”. Perigoso para as pessoas LGBTQ? Caso escapou à atenção deste escritor, o coronavírus é perigoso para todos.

Se todos os diferentes relatos apresentados por diferentes grupos de empreendedores de identidade devem ser acreditados, com exceção dos homens heterossexuais brancos, quase todo mundo está sofrendo o impacto da pandemia.

Infelizmente, as obsessões de identidade impedem as pessoas de verem o cenário geral.

Ao longo da história humana, os desastres sempre tiveram um impacto diferencial nas comunidades. Mas essas diferenças não são baseadas em identidade, nem são motivadas por ela. O que importa é a disponibilidade e acesso a recursos necessários para sobreviver em uma crise, bem como as desvantagens físicas tangíveis que tornam menos provável a sobrevivência de uma infecção. É por isso que são os pobres e os idosos que sofrem o peso do Covid-19. A atual obsessão com a identidade distrai a atenção de prestar assistência especial àqueles que não apenas realmente precisam dela, mas também a merecem.

Violência contra a mulher é violência contra a humanidade

A violência contra a mulher é violência contra a humanidade. Enganam-se os machistas ao relegarem o problema como afeto somente ao ambiente doméstico. Não existe democracia sem Direitos Humanos. Na realidade, a violência contra a mulher vai além da física. Além do mais a violência contra o ser humano fere valores, normas, condutas e convenções.

Cedo ou tarde, os indiferentes, omissos ou coniventes com esse “status quo” serão vítimas indiretas dessa barbárie doméstica, e praticada em diversos países como ato punitivo amparado por lei. Cabe ressaltar que a maioria dos homens não faz parte desse perfil machista.

É preciso não mais argumentar com a máxima, cruel, de que “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher.” É preciso também derrubar o mito de que a violência contra a mulher, o que vem logo à mente, é a pura agressão física.
O Editor


Violência contra a mulher: eu me manifesto e você? Vai ficar olhando?
Por Marli Gonçalves *

Mulheres apedrejadas, esquartejadas, violentadas, exploradas, baleadas, surradas, torturadas, mutiladas, coagidas, reguladas, censuradas, perseguidas, abandonadas, humilhadas. Até quando a barbaridade inaceitável vai vigorar?

Eu me manifesto, sim, contra tudo que considero inaceitável. E não é de hoje. Desde pequena meto-me em encrencas por causa disso. Uma vez, tinha acho que uns 12 anos, e brincava na portaria do prédio quando ouvi um homem brigando com uma mulher do outro lado da calçada, ameaçando-a de morte, dando-lhe uns sopapos. Não tive dúvidas.[ad#Retangulos – Direita]

Atravessei, entrei pequenina no meio deles, gritando forte por socorro, o que o assustou e fez com que ele parasse as agressões. Para minha surpresa, ao olhar para os lados, vi que havia muitos adultos assistindo à cena, impassíveis.

Nunca me esqueci disso. Inclusive porque, quando voltei para casa, tomei uma bronca daquelas. Atraída pelos meus gritos, minha mãe tinha ido à janela, e assistiu. “E se ele estivesse armado e te matasse?” – ouvi. Creio que respondi que nunca ficaria quieta vendo aquela cena, onde quer que fosse, e que jamais seria resignada.

Dentro de minha própria casa já havia assistido a cenas que teriam ido para esse lado, não tivesse sido minha mãe uma guerreira baixinha e desaforada, ela própria vítima de um pai tão violento que não o aceitava nem em sua carteira de identidade, nem em sobrenome. Minha avó materna teria sido morta por um “acidente”, em que um motorista de ônibus, que por ele teria sido pago, acelerou quando ela descia. Caiu, bateu com a cabeça na sarjeta, morrendo horas depois, de hemorragia, na pequena cidade do interior de Minas.

Anos depois, senti em minha própria pele o desespero solitário da agressão, da humilhação, do medo. Em plena juventude e viço, em uma ligação amorosa complicada, de paixão e amor intenso que vi virar violência, agressão, loucura e insegurança, só saí viva porque mal ou bem sou de circo, e protegida pelos meus santos e anjos, daqui e do céu… Tentei não envolver ninguém, resolver, e quase virei primeira página policial. Tive a minha vida quase ceifada, ora por ameaça de facadas; ora por canos e barras de ferro, ora pela perda de todas as referências, ora pela coação verbal.

Os poucos e únicos amigos que ainda tentaram ajudar também entraram no rol da violência. E os (ex) amigos que viraram as costas, ou faziam-se de cegos, desses também me lembro bem; inclusive de alguns que conseguiam piorar a situação e pareciam gostar disso, insuflando. Ou se calando. Ou me afastando. Deve ser bonito ver o circo pegar fogo.

Desespero solitário, sim. Não há a quem recorrer. Polícia? Apoiam os homens. Delegacia da Mulher? Na época não existia, mas parece que sua existência só atenuou a dimensão do problema, que pode acontecer em qualquer lar, lugar, classe social. Lei? Veja aí a Lei Maria da Penha. Pensava já naquele tempo, meu Deus, e se eu ainda tivesse filhos para proteger, além de mim? Não poderia ter me livrado – concluo ainda hoje, pasma em ver como a situação anda, em pleno Século XXI. Hoje, acredito que curei minhas feridas, que não foram poucas, especialmente as emocionais.

Há semanas venho tentando defender, aqui do meu cantinho, a libertação da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, mais uma das mulheres iranianas cobertas da cabeça aos pés pelo xador, a vestimenta preta que é uma das versões mais radicais do véu muçulmano. Mas esse, a roupa, não é o maior problema dela e de outras iranianas. Viúva, dois filhos, em 2005 Sakineh foi presa pelo regime fundamentalista do Irã. Em 2007, julgada. A pena inicial foram 99 chibatadas. O crime, adultério! Sua pena final, a morte por apedrejamento.

Uma história que lembra a fascinante personagem bíblica de Maria Madalena, a moça que aguardava a morte por apedrejamento até ser salva por Jesus Cristo. Cristo provocou com uma frase que ficou célebre, e revelou-se futurista: “Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra”.

Esses iranianos estão querendo matar Sakineh e outras a pedradas, e com pedras pequenas, para que sofram mais; talvez porque sejam, acreditam, muito puros? A sharia, lei islâmica, devia prever cortar dedos, língua, furar os olhos desses brucutus modernos, hitlers escondidos sob mantos religiosos, protegidos por petróleo e riquezas?

Não bastasse a novela de Eliza Samudio que, morta ou não, faltou ser chutada igual bola, e de tantas jovens, inclusive adolescentes, mortas pelos namoradinhos, a advogada que morreu no fundo da represa. Todo dia tem violência. No noticiário ou na parede do lado da sua, no andar de baixo, no de cima, na casa da frente.

Nem bem a semana terminou e outro caso internacional estava na capa da revista Time, com o propósito de pedir a permanência das tropas de ocupação no Afeganistão. Na foto, na capa, a imagem chocante da afegã Aisha, 18 anos, que teve o nariz e as orelhas decepados pelo Talibã. Foi a punição à sua tentativa de fugir de casa, de uma família que a maltratava. Agora, Aisha está guardada em lugar sigiloso, com escolta armada, paga pela ONG Mulheres pelas Mulheres Afegãs. Deve ser submetida a uma cirurgia para a reconstrução do rosto.

No Irã, ou melhor, globalmente, porque lá nada se cria, se estabeleceu a campanha “Um Milhão de Assinaturas exigindo mudanças de leis discriminatórias”, com protestos e abaixo-assinados, de grupos internacionais de mulheres e ativistas, organizações de direitos humanos, de universidades e centros acadêmicos e iniciativas de justiça social, que manifestam o apoio às mulheres iranianas para reformar as leis e conseguir o mesmo estatuto dentro do Irã legal do sistema.

O que há? O que está havendo? Mulher é menos importante? A realidade: em cerca de 50 pesquisas do mundo inteiro, de 10% a 50% das mulheres relatam ter sido espancadas ou maltratadas fisicamente de alguma forma por seus parceiros íntimos, em algum momento de suas vidas; 60% das mulheres agredidas no ano anterior à pesquisa o foram mais de uma vez; 20% delas sofreram atos muito fortes de violência mais do que seis vezes.

No Brasil, a violência doméstica é a principal causa de lesões em mulheres entre 15 e 44 anos; 20% das mulheres do mundo foram vítimas de abuso sexual na infância; 69% das mulheres já foram agredidas ou violadas.

No Nordeste, 20% das mulheres agredidas temem a morte caso rompam a relação; no geral, 1/3 das mulheres agredidas continuam a viver com os seus algozes. E continuam sendo agredidas. É pau, é pedra, é o fim do caminho.

Estudos identificam, ainda, uma lista de “provocadores” de violência: não obedecer ao marido, “responder” ao marido, não ter a comida pronta na hora certa, não cuidar dos filhos ou da casa, questionar o marido sobre dinheiro ou possíveis namoradas, ir a qualquer lugar sem sua permissão, recusar-se a ter relações sexuais ou suspeitar da fidelidade, entre eles.

Até quando ficaremos assistindo a esse filme? Chega. Foi como li a conclamação da amiga e uma das mais respeitáveis profissionais de comunicação do país, Lalá Aranha, em seu Facebook: “Não posso entender como em pleno século XXI as mulheres brasileiras são tão molestadas. Precisamos fazer algo neste sentido. Quem me acompanha?”

Adivinhem quem foi a primeira a responder? Eis, assim, aqui, também, minha primeira contribuição.

São Paulo, onde as pessoas se isolam, na aridez e grandeza de suas dimensões, mas ainda podem ter seus gritos ouvidos, 2010.

• (*) Marli Gonçalves, jornalista. Inconformada. Espevitada e livre, fiquei feliz quando outro dia me contaram que debaixo da pesada burca as mulheres andam completamente nuas. Será verdade?
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É Froidi – Drops & Picles

Frase do dia
“Assim que a expressão de entrega se choca com bloqueios que impedem a sua livre expansão, transforma-se em raiva destruidora.”
Wilhelm ReichWilhelm Reich,Filosofia,Literatura


Mais estranho que o desaparecimento do motorista, é o desaparecimento da Polícia Federal, do Ministério Público e de todo Judiciário Brasileiro.
Logo aqui, no país da Lava Jato?


“Justiça acata pedido e agricultor deve ser solto após três meses preso por furtar biscoito”

Mas também quem mandou roubar um pacote de biscoito, cuja valor não era irrisório, né?Geddel,Corrupção,Brasil,Malas de Dinheiro,Blog do Mesquita,Justiça Geddel,Corrupção,Brasil,Malas de Dinheiro,Blog do Mesquita,Justiça

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COAF…COAF…COAF
Cabaré em chamas.
Até a JanaLoka denunciou o esquema do Bozo Filho.
Flávio Bolsonaro contrata assessores e fica com parte dos salários deles.
Parece o governo cubano que ficava com parte do salário dos médicos.


Brasil da série “Sem humor não dá pra agüentar o tranco nesse hospício.”Bolsonaro,Motorista,Blog do Mesquita


Design – Portas e Janelas
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Violentando a natureza: Quando e por que a Igreja Católica passou a impor o celibato aos padres

Não há nada que indique que a Igreja Católica vá rever a norma a curto prazo, mas o próprio papa Francisco já afirmou: o celibato clerical, ou seja, o voto que obriga os padres a permanecerem castos, não é um dogma de fé – e, sim, um regulamento da Igreja.
Jovens seminaristas teatianos (ordem dos clérigos regulares) fazem a profissão solene (ou seja, proclamam publicamente os votos)Direito de imagemPASCOM/SÃO ROQUE
Hoje em dia o celibato é necessário para quem quer se tornar sacerdote na Igreja Católica

Dogmas são coisas que a Igreja considera “verdades absolutas”: pontos fundamentais e indiscutíveis de sua fé, que portanto não podem ser modificados. São dogmas, por exemplo, a ressureição de Cristo e a Santíssima Trindade.

“O celibato não é um dogma de fé; é uma regra de vida que eu aprecio muito e acredito que seja um dom para a Igreja. Não sendo um dogma de fé, sempre temos a porta aberta. Neste momento, contudo, não temos em programa falar disso”, afirmou recentemente o papa, em conversa com jornalistas.

O celibato, em seu sentido genérico, é a condição de quem, por opção, não contrai matrimônio, segundo o sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP.

E celibato sacerdotal é quando essa escolha é feita por alguém em troca de uma dedicação integral aos serviços religiosos, por meio da ordenação presbiterial.

Maquete da Praça São Pedro, sede da Igreja Católica, exibida em Museu no VaticanoDireito de imagemEDISON VEIGA/BBC NEWS
Até o século 12 os sacerdotes podiam casar

Conceitos

 

Conforme explica Ribeiro Neto, há cinco conceitos correlatos que costumam ser confundidos na linguagem cotidiana. A castidade, a virgindade, a vocação virginal, o celibato e o celibato sacerdotal.

“O celibato sacerdotal é uma condição de oferta total da pessoa ao serviço de Deus e da comunidade. Vincula-se à vocação virginal, mas não se identifica totalmente a ela. Religiosos que não exercem a função sacerdotal também podem manter a vocação virginal por um compromisso ou voto. Pessoas casadas – que, portanto, não podem ser celibatários – podem assumir num certo momento da vida um voto virginal, mantendo-se unidos mas sem terem mais relações sexuais.”

A virgindade é a condição daquele que nunca teve relações sexuais, mas a vocação virginal é a renúncia da vida sexual ativa – ou seja, não é preciso ser virgem para escolhê-la.

“Nela, a pessoa renuncia a uma vida sexual ativa, para canalizar toda a sua energia e toda a sua pessoa à relação com Deus”, teoriza o especialista.

Ribeiro Neto lembra que essa ideia não é uma invenção do cristianismo. “Monges budistas e as vestais -– sacerdotisas da deusa Vesta – da Roma Antiga, por exemplo, mantêm o mesmo ideal de vocação como condição para uma entrega maior a Deus.

Vista geral da Praça São Pedro, Vaticano.Direito de imagemEDISON VEIGA/BBC NEWS
Celibato para padres não é um dogma da igreja

Já a castidade “é o estado de integração positiva da sexualidade na pessoa”, de acordo com o Catecismo da Igreja Católica, compêndio com a doutrina católica. “Para os casados, a castidade se exerce mantendo relações sexuais e sendo fiéis um com o outro; para o solteiro, abstendo-se de práticas sexuais próprias dos casados.”

História

Originalmente, os primeiros sacerdotes católicos não precisavam ser celibatários. “Isso foi sendo reconhecido como um valor importante ao longo dos séculos”, afirma Ribeiro Neto. “Assim, entre os católicos de rito oriental (os ortodoxos), até hoje existem padres casados.”

Por volta dos séculos 3º e 4º já existiam movimentos dentro do catolicismo propondo que os religiosos deveriam praticar o celibato. “Mas é no primeiro e no segundo concílios de Latrão, ao longo do século 12, que se estabelece a obrigatoriedade definitiva do celibato aos clérigos católicos romanos”, relata o sociólogo. Outros concílios prévios já mencionavam o tema, propondo a abstenção sexual de sacerdotes e proibindo o casamento de monges e freiras foi proibido.

“Desse período antigo, há ainda um decreto do papa Sixto, em 386, e instruções do papa Inocêncio 1º”, afirma o filósofo e teólogo Fernando Altemeyer Júnior, professor do Departamento de Ciência da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Detalhe da Praça São Pedro, Vaticano.Direito de imagem EDISON VEIGA/BBC NEWS
A Igreja não está discutindo essa questão no momento

Manter posses e ser um missionário ‘livre’

Mas esses regulamentos não foram instituídos de fato durante o período. Na realidade, a Igreja viveu momentos de idas e vindas quanto ao tema, e mesmo regiões diferentes adotavam práticas diferentes – era uma época de precária comunicação.

A preocupação quanto ao celibato veio à tona com toda a força a partir do século 11. Foi pauta de papas como Leão 9º e Gregório 7º. Havia uma preocupação com a chamada “degradação moral” do clero, naqueles tempos de Idade Média e Igreja Católica superpoderosa.

De forma que o celibato acabaria instituído nos dois concílios de Latrão – o primeiro, em 1123, o segundo em 1139. A partir deles, ficou decretado que clérigos não poderiam casar ou mesmo se relacionar com concubinas. “Há que dizer que entre os séculos 10º e 15 o concubinato dos presbíteros com mulheres era muito comum na Europa. Aqui no Brasil colonial também há dezenas de casos de padres que se casaram e tiveram muitos filhos à margem da lei eclesiástica”, ressalta Altemeyer Júnior.

A manutenção de celibato ainda seria defendida em mais um concílio de Latrão (em 1215), e no Concílio de Trento (entre 1545 e 1563).

“Muitos dizem que a partir do seculo 10º a Igreja enrijeceu com o celibato para não desfazer ou partilhar os feudos com os filhos dos padres. Isso, em parte, é verdade”, diz Altemeyer Júnior. “Mas o sentido maior é que haja um missionário livre para assumir missões e cargos.”

Hoje em dia

A partir do século 20, o tema voltou à tona com o Papa Pio 12 – que defendeu o celibato na encíclica Sacra virginitas. E no segundo Concílio Vaticano, em 1965, dois documentos trataram do tema. O papa Paulo 6º também divulgou um documento, De sacerdotio ministeriali, abordando o assunto.

Em uma carta de 1979, o papa João Paulo 2º afirmou: “Fruto de equívoco – se não mesmo de má fé – é a opinião, com frequência difundida, de que o celibato sacerdotal na Igreja Católica é apenas uma instituição imposta por lei àqueles que recebem o sacramento da Ordem. Ora todos sabemos que não é assim. Todo o cristão que recebe o sacramento da Ordem compromete-se ao celibato com plena consciência e liberdade, depois de preparação de vários anos, profunda reflexão e assídua oração. Toma essa decisão de vida em celibato, só depois de ter chegado à firme convicção de que Cristo lhe concede esse ‘dom’, para bem da Igreja e para serviço dos outros. Só então se compromete a observá-lo por toda a vida”.

Monges beneditinos, na igreja anexa ao Mosteiro de São Bento de São PauloDireito de imagemMOSTEIRO DE SÃO BENTO/ DIVULGAÇÃO
A igreja diz que sacerdotes celibatários tem condições de cumprir melhor suas funções

Seu sucessor Bento 16 também fez declarações a respeito do celibato. “Para compreender bem o que significa a castidade devemos partir do seu conteúdo positivo, explicando que a missão de Cristo o levava a um dedicação pura e total para com os seres humanos. (…) Os sacerdotes, religiosos e religiosas, com o voto de castidade no celibato, não se consagram ao individualismo ou a uma vida isolada, mas sim prometem solenemente pôr totalmente e sem reservas ao serviço do Reino de Deus as relações intensas das quais são capazes”, disse ele, em uma homilia.

“Espera-se que os padres, nessa condição celibatária, possam se entregar melhor as suas tarefas religiosas e pastorais, vivendo uma espiritualidade mais profunda e essencial, tendo mais disponibilidade para entregar-se à comunidade à qual assiste”, afirma o sociólogo Ribeiro Neto.

Padres casados

De acordo com o Movimento Nacional das Famílias dos Padres Casados, mais de 7 mil brasileiros solicitaram à Igreja a dispensa do sacramento da ordem em troca do matrimônio – a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não divulga dados sobre o assunto.

Isso significa que a cada quatro sacerdotes católicos que são ordenados no Brasil, um larga a batina para constituir família.

Segundo a revista La Civiltá Cattolica, publicada desde 1850 em Roma pelos jesuítas italianos, em todo o mundo esse número supera os 60 mil padres.

Há ainda uma perspectiva para aqueles que já são casados, mas desejam desempenhar papéis mais religiosos dentro do catolicismo. Atualmente, a Igreja Católica ordena homens casados como “diáconos permanentes”. “Assim, eles podem desempenhar quase todas as funções dos sacerdotes, com exceção da consagração da hóstia na comunhão e da absolvição dos pecados na confissão”, esclarece Ribeiro Neto.

Se o papa Francisco não deu sinalização alguma de rever a regra, por outro lado a demanda existe: há falta de padres no mundo.

“Por isso, houve um pedido de muitos bispos da Amazônia para que se passe a se permitir que haja padres casados para atender às comunidades sem padres”, conta o professor Altemeyer Júnior. “Parece que o papa Francisco estaria disposto a aceitar tal mudança que não exige mudar nenhum dogma ou lei. É só uma disciplina cultural e histórica.”

Dentro do próprio clero, padres questionam se chegou a hora de mudar essa posição. Um dos mais famosos sacerdotes católicos brasileiros da atualidade, o padre Fábio de Melo, por exemplo, já deu entrevistas dizendo que a norma do celibato deveria ser abolida, “por ser algo da Idade Média”. De acordo com ele, a Igreja deveria ordenar casados – e manter a possibilidade de celibato àqueles que quisessem fazer uma “entrega mais radical”.

Em artigo divulgado pela agência americana Religion News Service, que existe desde 1934, o padre jesuíta Thomas Reese defendeu que o celibato clerical fosse opcional. “Papa Francisco sinalizou que está aberto para analisar a ordenação de homens casados, mas quer o pedido venha de conferências episcopais nacionais”, escreveu. “Mas Francisco também é bastante contundente ao afirmar que até que isso aconteça o celibato deve ser observado. Ele não expulsaria todos os padres que violaram o celibato; lapsos individuais podem ser perdoados.”

Reese ainda insinua que, ao longo da história e ao redor do mundo, são muitos os casos de religiosos que não seguem essa norma.

A Igreja, no entanto, mantém o celibato porque acredita que os celibatários desempenham suas funções religiosas melhor do que os casados, segundo os especialistas. Essa é a visão oficial da Igreja, corroborada por alguns especialistas.

“Se um homem quer se casar, isso é um sinal de que ele não foi escolhido para a função ministerial do padre – e, diferentemente de uma profissão leiga, o sacerdócio católico é algo a que uma pessoa é chamada, algo mais que uma atividade que ela individualmente deseja fazer. Ceder às pressões para que os padres se casassem seria, na visão da Igreja, facilitar a entrada de pessoas não verdadeiramente vocacionadas, que acabariam se tornando maus padres”, acrescenta Ribeiro Neto.

É dentro dessa perspectiva, portanto, que a Igreja se defende quando recebe insinuações de que, abolindo o celibato, iria reduzir os casos de pedofilia envolvendo o clero – Thomas Reese é um dos que fazem esse tipo de sugestionamento.

“Os casos de pedofilia recentemente noticiados são entendidos pela Igreja como decorrência justamente da escolha de pessoas sem uma verdadeira vocação e de um acompanhamento deficiente, que não fornece uma base espiritual adequada para conviver com a condição celibatária. Assim, a opção de permitir que os padres se casassem poderia ter um efeito até contrário, facilitando o ingresso de pessoas não vocacionadas e sem uma espiritualidade sólida”, diz o sociólogo, explicando o ponto de vista do Vaticano.