Por que os EUA têm os piores índices de pobreza do mundo desenvolvido

Dois meninos olham para foto, em área de banco de alimentos
Milhares de famílias dependem da ajuda de bancos de alimentos nos EUA – Direito de imagem GETTY IMAGES

Este é um dos grandes paradoxos dos nossos tempos: os Estados Unidos, país mais rico do mundo, têm alguns dos piores índices de pobreza no grupo dos países desenvolvidos.

Mais de meio século depois que o presidente Lyndon B. Johnson declarou “guerra incondicional à pobreza”, os EUA ainda não descobriram como vencê-la.

Desde a declaração de Johnson, em 1964, o país teve conquistas surpreendentes, como chegar à Lua ou gestar a internet. Entretanto, nesse período, conseguiu uma tímida redução no índice de pobreza, que caiu de 19% para cerca de 12%.

Isso significa que quase 40 milhões de americanos vivem abaixo da linha oficial de pobreza.

O problema é muito maior e mais antigo do que se vê na atual pandemia do novo coronavírus, que também vem revelando e intensificando questões sociais do país — os EUA têm o maior número de casos de covid-19 no mundo e agora enfrentam os piores níveis de desemprego desde a Grande Depressão de 1930.

Até hoje, segundo estudiosos, o aumento da pobreza foi contido nos EUA graças a uma expansão histórica de subsídios do governo.

Mesmo antes da crise na saúde, o país já destinava anualmente bilhões de dólares a programas de combate à pobreza, em quantias até maiores do que o Produto Interno Bruto (PIB) de alguns países da América Latina.

“Essa é a ironia: seria uma coisa se fôssemos um país pobre e realmente não pudéssemos fazer muito a respeito. Mas temos os recursos”, diz Mark Rank, professor da Universidade de Washington em St. Louis, considerado um dos maiores especialistas em pobreza nos EUA.

Questão cultural: o tabu do fracasso individual

Homem e mulher consertando bicicleta em acampamento
Nos EUA, 40 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza – Direito de imagemAFP

Pesquisadores apontam para duas razões fundamentais por trás da pobreza nos Estados Unidos: uma tem a ver com simbologia e a outra é pragmaticamente econômica.

Primeiro, os EUA carecem de uma rede de assistência social forte ou programas de apoio à renda como outros países.

Os programas de assistência social que os Estados Unidos implementaram nas últimas décadas, como vale-alimentação ou seguro desemprego, permitiram reduzir em alguns pontos a pobreza, mas são considerados limitados.

Fatores culturais são geralmente lembrados para explicar isso.

“Nós tendemos a ver a pobreza nos EUA como um fracasso individual, ou seja, como se as pessoas não tivessem trabalhado duro o suficiente. Como se tivessem tomado decisões ruins ou não tivessem talento o suficiente. Assim, é algo como: cabe a você se erguer”, afirma Rank.

“O resultado é que realmente não fazemos muito em termos de políticas sociais para tirar as pessoas da pobreza.”

Somam-se a isso as desigualdades raciais: as minorias sofrem desproporcionalmente no país.

Enquanto 11% das crianças brancas nos EUA vivem na pobreza, essa taxa chega a 32% para crianças negras e 26% para crianças latinas, segundo dados do censo levantados pelo Centro de Dados Kids Count.

“A pobreza é frequentemente vista como um problema para os não-brancos, e isso também reduz a vontade de ajudar os outros”, diz Rank.

“Existem estudos mostrando que em países mais homogêneos em termos de raça e etnia, existe uma rede de segurança mais robusta, porque as pessoas veem os outros como semelhantes — tendo maior probabilidade de querer ajudar.”

Pessosas negras em fila para receber alimentosDesigualdade nos EUA é ainda mais presente e sofrida entre os negros. Direito de imagem GETTY IMAGES

Maior desigualdade

Por outro lado, especialistas apontam para um fator econômico: a deterioração do mercado de trabalho americano para aqueles com salários mais baixos, que representam cerca de 40% do total e sofreram perdas em seus ganhos reais nas últimas décadas.

As razões vão do enfraquecimento dos sindicatos às transformações tecnológicas.

Assim, a desigualdade de renda e riqueza nos EUA aumentou e é maior do que em quase qualquer outro país desenvolvido, de acordo com o Council on Foreign Relations, um centro de pesquisas em Washington.

Christopher Wimer, codiretor do Centro de Pobreza e Política Social da Universidade de Columbia, argumenta que, nos EUA, “as oportunidades no mercado de trabalho tendem a ir para pessoas com formação superior e que se beneficiaram do crescimento econômico”.

“E grande parte desse crescimento econômico não foi compartilhado nas faixas de renda ou escolaridade que vêm abaixo”, contou à BBC News Mundo.

Operadores em bolsa de valores de Nueva York
Apenas alguns segmentos da população americana, como aqueles com acesso ao ensino superior, se beneficiaram das conquistas econômicas do país nas últimas décadas
Direito de imagem GETTY IMAGES

‘Uma escolha política’

Mas houve sim, nas últimas décadas, alguns avanços sociais — como níveis mais altos de escolaridade e queda na mortalidade infantil.

Além disso, especialistas alertam que o cálculo do índice oficial de pobreza nos EUA se baseia apenas em renda, sem contar com auxílios do governo como créditos fiscais, cupons de alimentos ou assistência habitacional.

Um estudo recente de Wimer e outros pesquisadores de Columbia projetou que, sem ajuda emergencial aprovada na pandemia de coronavírus, a taxa de pobreza do país teria saltado de 12,5% antes da crise para 16,3%.

Mas esses benefícios, que incluem cheques semanais de US$ 600 a trabalhadores afetados pela pandemia, expiraram no final do mês. Sua continuidade depende de um acordo entre o Congresso e a Casa Branca.

Antes da covid-19, especialistas já alertavam que o país era condescendente com níveis muito altos de pobreza.

“Os Estados Unidos são um dos países mais ricos, poderosos e tecnologicamente inovadores do mundo. Mas nem sua riqueza, nem seu poder, nem sua tecnologia estão sendo usados ​​para resolver a situação em que 40 milhões de pessoas continuam vivendo na pobreza”, indicou no final de 2017 o então relator especial das Nações Unidas para a pobreza extrema e direitos humanos, Philip Alston.

Entre outras coisas, Alston observou que os EUA tinham a maior mortalidade infantil no mundo desenvolvido, que a expectativa de vida de seus cidadãos era menor e menos saudável do que em outras democracias ricas.

E também que sua pobreza e desigualdade estavam entre as piores no clube dos países ricos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), além de uma taxa de encarceramento entre as mais altas do mundo.

“No fim das contas”, afirmou ele, “particularmente em um país rico como os EUA, a persistência da pobreza extrema é uma escolha política feita pelos que estão no poder”.

Criança na porta de uma casa pobre
No mundo desenvolvido, EUA também chama a atenção por indicadores preocupantes em relação às crianças
Direito de imagem GETTY IMAGES

Luke Shaefer, diretor da iniciativa Poverty Solutions da Universidade de Michigan, defende políticas mais simples nos EUA e com uma abordagem mais universal.

Um estudo realizado por ele e outros especialistas da universidade indicou que os Estados Unidos investem US$ 278 bilhões (mais de R$ 1,4 trilhões) por ano em programas governamentais de combate à pobreza, sem contar os gastos com saúde.

Somando-se programas de saúde para os mais pobres, como o Medicaid, o investimento anual chega a US$ 857 bilhões (mais de R$ 4,4 trilhões), ou seja, mais do que o PIB da Argentina e do Chile somados.

“Muitos desses dólares não estão indo realmente para os mais pobres”, alerta Shaefer.

As eleições presidenciais de novembro podem dar aos EUA uma nova oportunidade para repensar como melhorar esses gastos, acreditam aqueles que se dedicam ao tema há anos.

“Existem pessoas da esquerda e da direita falando que essa abordagem (atual) não está funcionando. Temos que fazer algumas coisas de maneira diferente, precisamos simplificar”, diz ele.

O racismo, essa besta nunca dorme

Para Hans Jonas, o racismo se apresenta como o oposto intocável da racionalidade e, mais ainda, como uma tendência que resistiu até mesmo ao Iluminismo e mesmo às teses mais otimistas ao longo da modernidade. Em outras palavras, o racismo é uma espécie de percalço no caminho da civilização.

Há tanto racismo na filosofia quantos foram os seus autores, quase sempre homens, quase sempre brancos, quase sempre europeus ou norte-americanos. Compreendido como o conjunto de teorias que tentam legitimar a superioridade de uma raça ou de uma etnia sobre a outra, nossa história coleciona horrores como aqueles que aparecem em afirmações de Hegel, para quem o negro era um homem selvagem, indomável e carente de valor e caráter, de Kant, para quem os africanos não teriam nenhum talento ou sentimento que os elevasse acima do ridículo, de Hume, que afirmou sem pestanejar que os negros eram inferiores aos brancos; de Voltaire, Tocqueville e tantos outros. Falou-se o pior contra negros, indígenas e judeus, árabes e asiáticos. Com sua força cultural, a filosofia, assim, não saiu incólume das agruras de seu tempo e, como tal, sujou-se bastante nas suas improbidades. E delas precisa se limpar, vez ou outra.

Por asseio, a filosofia também baniu demônios e foi além do tempo, projetando questões, desafios e provocações, cujo salto cultural e existencial é inestimável, para o bem do reconhecimento da dignidade de todos os seres humanos. Queria falar hoje de uma dessas tantas ocasiões. A data é 30 de janeiro de 1993. A cidade é Udine, na Itália. Diante de uma plateia que celebrava com ele a entrega do prêmio Nonino, Hans Jonas fez um discurso sobre/contra o racismo. Judeu, ele conheceu o que era ser perseguido simplesmente pelo fato de ser quem se é. Judeu, teve sua mãe vítima do gás letal de Auschwitz, em 1942, uma ferida nunca suturada. Sobre esse drama, ele escrevera nas suas memórias: “esta obscura história é o grande pesar de minha existência. Esta ferida, o destino de minha mãe, jamais se fechou. Nunca pude superar. Meus filhos viveram isso comigo. Era terrível. As tormentas repentinas de soluços, que em determinadas ocasiões me sobrevinham, quando a conversa tratava de algo que me recordava aquilo, ou quando passava algum filme.” Uma mulher judia que arrancara os cabelos nas câmaras de gás porque simplesmente era quem era.

Escrevo isso para lembrar que o racismo, para Jonas, não era uma assunto abstrato, mas tinha rosto, pele, dor, tragédia pessoal. Talvez por isso mesmo, ele comece seu discurso na Itália, cinco dias antes de sua morte, com um exemplo pessoal. Ele lembra que foi precisamente em Udine que ficou sabendo do fim da Segunda Guerra Mundial, na qual ele lutou, ao lado de outros palestinos, em um grupo do exército inglês contra o nazismo. Jonas, além disso, agradece a corajosa piedade e a benevolência dos italianos a quem, diz ele, “devemos a própria vida”. Conhecendo tal solidariedade e ao mesmo tempo recontando a história do judeus, ele se dera conta dos horrores produzidos pelo holocausto.

Jonas conta história de uma manhã na qual conheceu, em Udine, duas senhoras alemãs vindas de Trieste, que deixaram a Alemanha e foram viver na Itália já depois da primeira guerra mundial. Com problemas diante do cancelamento de um trem durante sua fuga, contaram com a ajuda de um funcionário para empreender a viagem e, já na Itália, contaram com inúmeras ações de solidariedade dos habitantes locais, perante as muitas dificuldades que enfrentavam. Para Jonas, essa história manifesta uma espécie de “compromisso sagrado” baseado na solidariedade, reconhecida por Jonas como uma espécie de luz na noite enorme do genocídio que vinha sendo realizado em nome da raça.

Para Jonas, a condenação do genocídio não dependeria de uma negação da realidade da raça, já que a humanidade “existe sob a forma de diferentes raças” e ser humano, é precisamente, manter o antagonismo e a tensão, “recíprocos ou unilaterais” entre aqueles que se reconhecem como diferentes. Para o autor, “a diversidade como tal torna-se facilmente um berço de caricaturas ou de estereótipos pouco agradáveis”. Embora seja necessário reconhecer que certo “automatismo racista” estará sempre entre as pessoas, “a energia deste obscuro emaranhado, como seu potencial de ódio homicida, revelou-se curiosamente impenetrável ao progresso da racionalidade ao longo da nossa história”. Em outras palavras, para Jonas, o racismo se apresenta como o oposto intocável da racionalidade e, mais ainda, como uma tendência que resistiu até mesmo ao Iluminismo e mesmo às teses mais otimistas ao longo da modernidade. Em outras palavras, o racismo é uma espécie de percalço no caminho da civilização.

Assim, a diversidade acaba por se confrontar com esta tendência guardada no âmago da própria humanidade, como uma espécie de prova exigida pela nossa civilidade (no senso moral do termo), seja como indivíduos seja como sociedade. Nesse caso, o respeito à diversidade seria para Jonas “uma prova, em realidade, da maturidade do nosso ser humano”. O que o filósofo parece sugerir é que lidar com a tensão das diferenças é tão importante quanto superar o racismo que está impregnado no ser humano e faz parte do corpo social. Lidar com as diferenças e impedir que o racismo apareça é o veículo que nos conduz à maturidade civilizatória.

Diante desse desafio, por suas experiências pessoais, Jonas mostra-se desanimado com o progresso moral humano. Seu “ceticismo anti-utópico”, impede que ele pense na superação da tensão. Antes disso, ele acredita ser necessário manter-se vigilantes e atentos: o melhor a fazer é tentar fazer melhor em relação ao que foi no passado.

A tolerância, “um dos tantos motivos do orgulho do progresso” representa para Jonas “uma fraca proteção do outro indefeso” quando se trata de discutir o conceito de raça. Tendo em vista a história do povo judeu, que era a sua própria história, para Hans Jonas, “depois de um ilusório século de benevolência e tolerância crescente, tivemos a luciferina revelação do inferno sem fundo de uma desumanidade racista solta no coração da nossa celebrada cultura”. Toda a exploração dessa raça e toda a luta contra ela, teria sido amparada numa mitologia, ou melhor ainda, diz Jonas, em uma “demonologia” da raça, que colocou a seu serviço os objetivos perversos e os instrumentos da tecnologia avançada, precisamente os frutos da racionalidade, na forma da bomba atômica e dos experimentos com seres humanos realizados nos campos de concentração. Tudo em nome de um crime que manchou de forma definitiva todo o gênero humano, algo que precisa permanecer como uma espécie de experiência cujas lições não podem ser esquecidas, porque o que se coloca em risco aí, é a questão do homem enquanto tal. Diante desse desafio, devemos usar todas as forças da educação moral e uma vigilante atenção política. Segundo o autor, precisamos mobilizar todas as forças contra esta “besta nunca dormente que se esconde na nossa imperfeita condição humana”.

Para Jonas, o ambiente pós-Segunda guerra mundial, acabou por colocar em segundo plano, como uma questão anacrônica, o problema da raça e do racismo. Isso porque, depois da Segunda guerra, cresceu o desafio de transformar a humanidade em uma só, formada por pessoas que dividem o mesmo destino, que partilham uma nova solidariedade e uma nova responsabilidade. Segundo ele, “na luz desse novo horizonte que se abre, os conflitos raciais tornaram-se pálidos e o seu clamor deverá cair no silêncio”.

Infelizmente o autor estava errado: a permanência do racismo permaneceu como um problema não resolvido e que, mais de setenta anos depois, reacende o debate sobre as formas de convivência entre os seres humanos nos diversos países. Agora que somos confrontados novamente com essa “besta nunca dormente” que continua alojada no coração das sociedades contemporâneas, vemos que ainda não atingidos aquela maturidade desejada por Jonas – ele tinha, afinal, razão quanto ao seu pessimismo. A sua recomendação, contudo, continua também atual: a ética e a política são os principais – senão os únicos – instrumentos para confrontar o monstro que não se deixa subjugar.

Jelson Oliveira é professor do PPGF/PUCPR; membro do GT Hans Jonas da ANPOF; autor de “Negação e poder: do desafio do niilismo ao perigo da tecnologia” (EDUCS, 2018); co-organizador do “Vocabulário Hans Jonas” (EDUCS, 2019) e co-autor de “Terra Nenhuma: ecopornografia e responsabilidade” (EDUCS, 2020).

O discurso dos quem exigem seu privilégio ao ódio

Com a redemocratização do Brasil durante a década de 1980, aqueles que sempre estiveram a margens dos processos de decisões do jogo politico, econômico e social no Brasil começaram a lutar por uma igualdade e uma equidade nos seus direitos constitucionais e de liberdade individual de cada ser enquanto cidadão.

Movimentos como da consciência negra, a luta das comunidades indígenas pela preservação de seu modo de vida, o movimento LGBT, os sem-terra e sua busca pela reforma agrária, sindicatos de trabalhadores, enfim, todos aqueles que antes estavam sendo silenciados durante um longo período da história nacional agora expõem os problemas e opressões, reivindicando seus direitos que estavam sendo suprimidos por tanto tempo. liberdade.

Entretanto, estas disputas e encarniçadas lutas na busca de leis que concretizem o respeito as diferenças e que acarrete numa igualitária justiça gera a ojeriza, medo, rancor e o mais profundo ódio das forças conservadoras de uma classe e grupo contrária a equidade do espaço público, da democracia e acima de tudo, do direito de cada ser decidir para si o que é mais adequado a seu modo de vida, ideias e pensamento.

Este grupo, ao qual podemos jocosamente dar a alcunha de “cidadãos de bem”, reforça para si toda uma tentativa de manter um status quo baseado num repressivo aparato social, econômico e cultural que acaba por marginalizar boa parte da sociedade, pois ignorantemente acredita ser maioria, o que é uma das grandes falácias que o senso-comum destes leva como verdade absoluta justificando seus escusos preconceitos.

O “cidadão de bem” dorme em berço esplendido da hipocrisia: se diz cumpridor das leis, contra as drogas, sem preconceitos, fiel a esposa e família. Mas na surdina infringe uma série de leis no transito, consome algumas gramas “inofensivas” de maconha e cocaína na madrugada enquanto procura alguma garota ou garoto de programa nas sinaleiras, e ai de seus filhos se acabaram namorando um negro ou se declararem gays, seriam “deserdados por destruírem a honra da família”.

Porém no contexto atual, percebeu-se que muitos com este pensamento retrógrado e agressivo aos poucos estão perdendo a vergonha, e evidenciando publicamente este lado sinistro de suas ideias nada aprazíveis. discurso.jpg Acuados e perdendo seus privilégios que por grande e longa duração de tempo mantiveram para disseminar uma falaciosa supremacia e superioridade enquanto indivíduos perante outros grupos sociais, o “cidadão de bem” perdeu a vergonha que nunca teve e agora destila seu discurso de ódio e violência publicamente. Facilitado pela rápida e fácil disseminação de ideias através da internet e suas redes sociais, além da conivência de uma mídia ainda pautada na busca irracional pela audiência, que segue diretrizes que convergem com os interesses defendidos dentro deste discurso de Ódio.Trump,Bolsonaro,Violência,Xenofobia,Ideologia,Preconceito,Ódio,Comportamento

Na democracia o “cidadão de bem” pode ter este direito de possuir ideias nada benfazejas a uma convivência na sociedade mais equilibrada, coesa e justa. Vivemos em um país com um estado democrático, que acaba partindo desta prerrogativa de liberdade de pensamento que até mesmo é possivel e garantido por lei adotar um discurso contra a democracia e seus tramites para as decisões acerca do que é melhor para a nação como um todo. Mas neste contexto, é um tanto cômico nos depararmos em pessoas exigindo a volta de um regime totalitário numa democracia ser algo perfeitamente possível e sem nenhuma repressão, quando bem sabemos que fazer justamente o contrário sem que haja derramamento de sangue é ensinado pela história como uma utopia.

Racismo nos USA; Os basileiros passamos longe do que seja protestar contra o racismo

Morte de Morte de George Floyd: confrontos com protestos espalhados pelos EUA: confrontos com protestos espalhados pelos EUA

Manifestantes entraram em conflito com a polícia em cidades dos EUA devido ao assassinato de um afro-americano desarmado pelas mãos de policiais em Minneapolis.

O governador de Minnesota disse que a tragédia da morte de George Floyd sob custódia policial se transformou em “algo muito diferente – destruição arbitrária”.

Nova York, Atlanta, Portland e outras cidades sofreram violência, enquanto a Casa Branca foi brevemente fechada.

Um ex-policial de Minneapolis foi acusado de assassinato pela morte.

Derek Chauvin, que é branco, foi mostrado em filmagens ajoelhadas no pescoço de 46 anos, na segunda-feira. Ele e três outros oficiais foram demitidos desde então.

Chauvin, 44, deve comparecer ao tribunal em Minneapolis pela primeira vez segunda-feira.

O presidente Donald Trump descreveu o incidente como “uma coisa terrível, terrível” e disse que havia conversado com a família de Floyd, a quem ele descreveu como “pessoas maravilhosas”.

O caso Floyd reacendeu a ira dos EUA por assassinatos cometidos por negros americanos pela polícia e reabriu feridas profundas devido à desigualdade racial em todo o país. Ele segue as mortes de Michael Brown, Eric Garner e outros, que ocorreram desde que o movimento Black Lives Matter foi desencadeado pela absolvição do vigia do bairro George Zimmerman na morte de Trayvon Martin em 2012.

O que há de mais recente sobre os protestos?

Minnesota continua sendo a região mais volátil, com toques de recolher encomendados para as cidades gêmeas de Minneapolis-Saint Paul das 20:00 às 06:00 na sexta e sábado à noite.

Os manifestantes desafiaram o toque de recolher na sexta-feira. Incêndios, muitos causados ​​por carros em chamas, eram visíveis em várias áreas, com bombeiros incapazes de alcançar alguns locais.

Imagens de televisão também mostraram saques em Minneapolis, com policiais no chão.

Promotor detalha acusações de assassinato e homicídio culposo.

Somente por volta da meia-noite (05:00 GMT) a polícia e as tropas da Guarda Nacional chegaram em qualquer número, informou o Star Tribune.

O governador do estado, Tim Walz, em uma coletiva de imprensa pela manhã, descreveu a situação como “caótica, perigosa e sem precedentes”.

Ele disse que assumiu a responsabilidade de “subestimar a destruição arbitrária e o tamanho da multidão” quando questionado sobre a falta de policiais nas ruas.

Ele disse que o destacamento da Guarda foi o maior da história do estado, mas admitiu que “há simplesmente mais deles do que nós”. Ele disse que os que estão nas ruas “não se importam” com a ordem de ficar em casa.

O Pentágono colocou os militares em alerta para possível deslocamento em Minneapolis.

Na noite de sexta-feira, multidões se reuniram perto da Casa Branca em Washington, acenando fotografias do Sr. Floyd e cantando “Não consigo respirar” – invocando suas últimas palavras e as de Eric Garner, um negro que morreu após ser mantido em um estrangulamento da polícia em Nova York em 2014.

A Casa Branca foi então temporariamente cercada, com o Serviço Secreto dos EUA fechando entradas e saídas.

Em Atlanta, foi declarado estado de emergência em algumas áreas para proteger pessoas e propriedades. Os prédios foram vandalizados e um veículo da polícia foi incendiado quando manifestantes se reuniram perto dos escritórios da emissora CNN.

O prefeito Keisha Lance Bottoms emitiu um apelo apaixonado, dizendo: “Isso não é um protesto. Isso não está no espírito de Martin Luther King Jr. Você está desonrando nossa cidade. Você está desonrando a vida de George Floyd”.Um carro da polícia queima enquanto manifestantes se reúnem perto dos escritórios da CNN em Atlanta, Geórgia – Reuters.

No distrito de Brooklyn, em Nova York, os manifestantes entraram em conflito com a polícia, jogando projéteis, iniciando incêndios e destruindo veículos policiais. Vários policiais ficaram feridos e muitas prisões foram feitas.

O prefeito Bill de Blasio twittou: “Nós nunca queremos ver outra noite como esta”.

O prefeito de Portland, Oregon, declarou estado de emergência em meio a saques, incêndios e um ataque a uma delegacia de polícia. Um toque de recolher imediato até às 06:00 hora local (13:00 GMT) foi imposto e será reiniciado às 20:00.Manifestantes usam leite para tratar a picada de gás lacrimogêneo na cidade de Nova York – Direito de imagem LAURA FUCHS

Em Detroit, a polícia está investigando depois que um homem de 19 anos foi morto quando um veículo estacionado contra manifestantes e tiros foram disparados contra a multidão.

Em Dallas, os policiais lançaram cartuchos de gás lacrimogêneo depois que foram atingidos por pedras, com gás lacrimogêneo também disparado em Phoenix, Indianápolis e Denver.

Os manifestantes bloquearam estradas em Los Angeles e também em Oakland, onde janelas foram quebradas e pichações “Kill Cops” foram pulverizadas.

Quais são os movimentos legais até agora?

Chauvin foi acusado de assassinato em terceiro grau e homicídio em segundo grau por seu papel na morte de Floyd.

A família de Floyd e seu advogado, Benjamin Crump, disseram que isso era “bem-vindo, mas atrasado”.

A família disse que queria uma acusação de assassinato mais grave e em primeiro grau, bem como a prisão dos outros três policiais envolvidos.Derek Chauvin deve comparecer ao tribunal em Minneapolis na segunda-feira. Reuters

O procurador do condado de Hennepin, Mike Freeman, disse que “antecipa acusações” para os outros policiais, mas não oferece mais detalhes.

Freeman disse que seu escritório “acusou o caso tão rapidamente quanto as evidências nos foram apresentadas”.

“Este é de longe o mais rápido que já acusamos um policial”, observou ele.

Segundo a denúncia criminal, Chauvin agiu com “uma mente depravada, sem considerar a vida humana”.

Enquanto isso, a esposa de Chauvin pediu o divórcio, dizem seus advogados.

Como George Floyd morreu?
O relatório completo do médico legista do condado não foi divulgado, mas a denúncia afirma que o exame post mortem não encontrou evidências de “asfixia traumática ou estrangulamento”.

O médico legista observou que Floyd tinha problemas cardíacos subjacentes e a combinação destes, “potenciais intoxicantes em seu sistema” e ser contido pelos policiais “provavelmente contribuiu para sua morte”.

Manifestações e protestos continuados desde a morte de Floyd sob custódia policial na segunda-feira – Direitos autorais da imagem Getty

O relatório diz que Chauvin estava com joelhos no pescoço de Floyd por oito minutos e 46 segundos – quase três minutos depois que Floyd ficou sem resposta.

Quase dois minutos antes de remover o joelho, os outros policiais verificaram o pulso direito do Sr. Floyd e não conseguiram encontrar-lo. Ele foi levado para o Centro Médico do Condado de Hennepin em uma ambulância e declarado morto cerca de uma hora depois.

O manual da polícia de Minnesota declara que os oficiais treinados sobre como compreender o pescoço de um detido sem aplicar pressão direta nas vias aéreas podem usar um joelho sob sua política de uso da força. Isso é considerado uma opção de força não mortal.

O que o presidente disse?Cínico

Na Casa Branca, na sexta-feira, Trump disse que pediu ao departamento de justiça para acelerar uma investigação anunciada na sexta-feira sobre se alguma lei de direitos civis foi violada pela morte de Floyd.

O presidente também disse que “os saqueadores não devem abafar a voz de tantos manifestantes pacíficos”.Os protestos continuaram do lado de fora da Casa Branca durante a noite. Antes, ele descreveu os manifestantes como “bandidos” que desonravam a memória de Floyd.
Direitos autorais da imagem – AFP

A rede de mídia social Twitter acusou Trump de glorificar a violência em um post que dizia: “Quando o saque começa, o tiroteio começa”.

O que aconteceu na prisão?

Os policiais suspeitavam que Floyd havia usado uma nota falsificada de US $ 20 e estava tentando colocá-lo em um veículo da polícia quando ele caiu no chão, dizendo que era claustrofóbico.

Segundo a polícia, ele resistiu fisicamente aos policiais e foi algemado.

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Nazismo: “Noite dos Cristais” e o silêncio dos alemães

O pogrom contra os judeus da Alemanha nazista completa 80 anos. Sabendo que o episódio teve muitos espectadores passivos, o jornalista Felix Steiner se questiona, como muitos alemães: como minha família reagiu na época?Noite dos Cristais,Direitos Humanos,História,Alemanha,Pogroms,Hitler,Judeus,Nazistas,Genocídio,Crimes contra a humanidade,Solução Final

Judeus são forçados a carregar estrela de Davi no pogrom de 1938:na Alemanha
Pogroms de 1938: mandantes, agressores e espectadores

Meu pai era uma enciclopédia ambulante da história local e sabia tornar emocionantes as suas histórias. O que eu sei sobre a minha terra natal e as minhas origens aprendi com ele.

Ele também me contou várias vezes como vivenciou os pogroms, em nível nacional, de novembro de 1938. Na cidadezinha do sudoeste alemão em que eu cresci, a violência contra os judeus não começou na noite de 9 de novembro, mas no início da tarde do dia seguinte.

Na época, meu pai frequentava o primeiro ano primário, e no fim da aula o professor aconselhou as crianças a evitarem a sinagoga e as casas dos judeus, no caminho de casa. Melhor dar a volta nesses lugares, pois poderia ficar perigoso.

Naturalmente, como seria de se esperar de meninos de 6 ou 7 anos, meu pai e os amigos tomaram o aviso protetor como um convite para conferir o que poderia haver de tão perigoso, no meio do dia, num lugarzinho provinciano.

Eles se depararam com uma sinagoga em chamas, que o corpo de bombeiros não foi apagar, vitrines destroçadas e as lojas devastadas dos comerciantes judeus. E testemunharam como toda a mobília de uma família judaica foi jogada na rua, pela janela do primeiro andar.

O que aconteceu na cidadezinha com menos de 30 habitantes judeus está hoje perfeitamente documentado e registrado em livros. Mas o que eu gostaria de perguntar mais uma vez ao meu pai é como os meus avós reagiram ao relato do filho mais velho sobre o que acontecera ali, em plena luz do dia.

Será que tentaram explicar aquilo que, do ponto de vista atual, é inexplicável? Como comentaram o fato de que, a menos de 300 metros da nossa casa, mulheres e crianças tiveram a porta de entrada posta abaixo e todo o mobiliário feito em pedaços?

Os homens judeus, por sua vez, já haviam sido presos na madrugada do 10 de novembro e enviados num trem para o campo de concentração de Dachau.

Sendo honesto comigo mesmo, eu nem quero saber de nada disso. Nem preciso perguntar, porque, em princípio, já sei as respostas. Não, meus avós não eram nazistas convictos, disso eu tenho certeza. Mas eles olharam para o outro lado e se calaram, assim como milhões de outros alemães. É raro pais de quatro crianças pequenas se tornarem mártires.

E da existência do campo de Dachau e do que acontecia lá, eles sabiam desde que, em 1933, o prefeito e vários conselheiros municipais social-democratas foram presos, ao longo de semanas. Além disso, tratava-se de judeus: o que nós, católicos, tínhamos a ver com eles? Arriscar-nos por causa deles?

A exclusão e privação dos judeus de seus direitos não começou só em novembro de 1938. Já algumas semanas antes da tomada de poder por Adolf Hitler, pichava-se “Não comprem dos judeus” nas vitrines dos negociantes semitas; funcionários judeus foram demitidos; médicos, advogados e jornalistas foram proibidos de trabalhar. Além disso, vieram as leis raciais de Nurembergue, desapropriação e muitas outras coisas.

O 9 e 10 de novembro de 1938 foi a transição para o terror declarado, diante dos olhos de todo o povo. E também a minha família assistiu calada. Isso me aflige e envergonha. Mesmo 80 anos depois.
DW

Antisemitismo,Judeus,Preconceito

O anti-semitismo coloca em risco todos nós. Não podemos nos dar ao luxo de ser complacentes

Sábado – exatamente uma semana após o terrível ataque em Pittsburgh – Eu tive o privilégio de assistir um serviço de Shabat em uma sinagoga em Londres para mostrar solidariedade com a comunidade judaica, tanto aqui como em todo o mundo. Oramos por todos os afetados – as famílias, os amigos e a comunidade judaica em geral. Hoje à noite, também me orgulho de estar falando no jantar anual do Conselho dos Deputados dos Judeus Britânicos – uma grande organização que faz um trabalho incrível em defesa da comunidade judaica em nosso país.

Compreensivelmente, muitos londrinos judeus – e comunidades judaicas em todo o mundo – não estão apenas lamentando as vítimas do terrível ataque em Pittsburgh, mas preocupados com o que isso significa para sua própria segurança. Uma sinagoga deve ser sempre um santuário, um lugar onde você se sinta seguro para adorar e praticar sua fé em paz.

O perverso ataque terrorista teve como alvo inocentes americanos judeus, mas pareceu um ataque a todos nós – ao nosso modo de vida e às liberdades que nos são caras. A luta contra o anti-semitismo não é apenas proteger a comunidade judaica; é uma luta em nome de todos. O anti-semitismo é uma ameaça aos nossos valores, à coesão de nossas comunidades e a toda a nossa sociedade.

Infelizmente, o aumento do anti – semitismo e da extrema direita não pode ser tratado simplesmente como uma tendência passageira. O Community Security Trust informou que os incidentes antissemitas em todo o Reino Unido estão em um nível recorde, com o número de casos registrados em Londres aumentando em quase 200% desde 2011.

Sabemos de nossa história que ignoramos esses incidentes por nossa conta e onde o anti-semitismo, deixado para apodrecer, pode levar. E sabemos de nossa história que um aumento do anti-semitismo e do extremismo de direita geralmente vem com o aumento de outras formas de crime e divisão de ódio – coincidindo com um cenário de dificuldades econômicas, populismo nacionalista e incerteza política.

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 “Os políticos, neste país e em todo o mundo, devem abster-se de usar a linguagem da divisão para promover suas causas políticas.” Foto: Frank Mattia / ZUMA Wire / REX / Shutterstock

Preocupante, todos os sinais de aviso estão aqui novamente, por isso é vital que tomemos medidas agora.

Em Londres, estou fazendo tudo o que posso para combater o anti-semitismo. Sob minha liderança, a polícia do Met está adotando uma abordagem de tolerância zero ao antissemitismo , onde quer que ocorra. Isso inclui dentro do Partido Trabalhista , não importa o quão estranho os outros possam achar isso. Eu também criei um programa contra o extremismo violento na Prefeitura, que está trabalhando para impedir a disseminação de ideologias extremistas de todos os tipos.

Mas devemos também encorajar a todos, de todas as fés e de todas as origens, a desempenhar seu papel na derrota desse aumento do ódio. Isso inclui políticos, neste país e em todo o mundo, abstendo-se de usar a linguagem da divisão para promover suas causas políticas. Veja como o presidente Trump está usando a imigração como forma de aumentar o medo dos imigrantes e dar credibilidade às teorias da conspiração antes das eleições parlamentares americanas desta semana. Este é um dos piores exemplos nos últimos tempos deste tipo de comportamento irresponsável e prejudicial.

Também tem revelado quantas pessoas da comunidade judaica em Pittsburgh criticaram Trump após o ataque – porque sabem que sua retórica e ações nos últimos anos têm facilitado a ascensão da extrema direita em todos os EUA , o que encorajou alguns que desejam semear as sementes do ódio.

Depressivamente, visões extremas agora estão se infiltrando no mainstream, com os partidos populistas nacionalistas ganhando força nos EUA, em toda a Europa e agora no Brasil . Precisamos despertar para essa ameaça da extrema direita e da política de culpa e recriminação que está se infiltrando em nossos debates nacionais.

Uma grande parte de qualquer solução será atacar as causas profundas de por que mais e mais pessoas estão se sentindo deixadas para trás pela globalização, levando-as a culpar “o outro” por seus males. Mas também precisamos agir imediatamente para consertar as crescentes divisões em nossa sociedade.

Tenho orgulho de representar uma cidade global tão voltada para o futuro. No geral, não apenas toleramos as diferenças em Londres , nós as respeitamos e as celebramos. Mas ainda estamos longe de ser perfeitos – nossas comunidades vêm mudando rapidamente e nosso senso de coesão social está sendo testado como nunca antes.

Uma das lições de todo o mundo é que uma abordagem de “mãos livres” para a integração social simplesmente não funciona. E sem ação, a situação só piorará. É por isso que acredito que uma das tarefas mais importantes agora é tomar medidas proativas para construir comunidades mais fortes e mais integradas. Isso significa que precisamos começar a encorajar e facilitar uma integração social maior, sempre que pudermos – para fortalecer laços sociais e laços de confiança entre pessoas de todas as fés, raças, idades e origens.

Não vai haver uma solução rápida para este problema: é um dos desafios que definem o século XXI. Mas eu ainda estou otimista de que se nós tratá-lo com a seriedade que merece, podemos reprimir o anti-semitismo, deter a marcha do populismo extrema direita e nacionalistas e fazer uma diferença real na formação de comunidades mais fortes – mostrando que a esperança, unidade e amor sempre pode superar o medo, a divisão e o ódio.

 Sadiq Khan é o prefeito de Londres

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França: Governo discute medidas de repressão e punição a ataques homofóbicos na França

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Aumento de casos contra comunidade LGBT+ preocupa governo; ministro do Interior da França, Christophe Castaner, disse que sanções contra agressões devem ser “sistemáticas”

O governo francês apresentou nesta terça-feira (30/11) uma série de medidas para lutar contra a homofobia no país, como uma resposta ao crescente número de agressões à comunidade LGBT+ na França.

“O que vemos todos os dias é que muitas das vítimas não ousam prestar queixa”, afirmou o ministro do Interior da França, Christophe Castaner, à imprensa, durante uma visita às instalações da associação SOS Homofobia.

“É preciso garantir a liberdade de expressão e devemos ter certeza de que as sanções contra esse tipo de agressão sejam as mais sistemáticas possíveis”, completou.

Castaner realizou a visita ao lado da ministra da Justiça da França, Nicole Belloubet, e da secretária de Estado francesa encarregada da Igualdade entre mulheres e homens, Marlene Schiappa.

Nicole Belloubet propôs, entre outras coisas, um sistema de prestação de queixas on-line, uma melhora na formação dos juízes, e o desenvolvimento de uma série de medidas que permitam o bloqueio de sites que transmitem conteúdo de ódio contra a comunidade LGBT+ na internet, assim como o desenvolvimento de procedimentos penais que “permitam reagir rapidamente às agressões”.

Formação de magistrados e policiais no atendimento às vítimas

Christophe Castaner mencionou a duplicação do efetivo da célula chamada “discriminação e ódio”, da plataforma francesa Pharos, que permite a denúncia de conteúdo e/ou comportamento ilícitos na internet. O ministro também disse que gostaria de colocar em prática referências da comunidade LGBT+ em delegacias de polícia e da polícia nacional francesa.

 “Com relação ao Ministério do Interior, trata-se de uma questão de formação de mulheres, homens, policiais que devem estar presentes e acompanhar adequadamente aqueles que vêm prestar queixa”, acrescentou.

Segundo o Ministério do Interior da França, as reclamações sobre ataques homofóbicos aumentaram em 15% desde o início do ano. O governo francês deve propor um roteiro de ações até o final de 2018, levando em conta as propostas das associações LGBT+ francesas.

A SOS Homofobia solicitou a criação de uma campanha nacional de conscientização sobre a homofobia e suas consequências nas vítimas, além de uma formação inicial obrigatória a professores do ensino fundamental e médio, magistrados e policiais, e um aumento do orçamento dedicado à luta contra o ódio anti-LGBT+.