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Anvisa dá aval à venda de maconha medicinal em farmácias

Agência também autoriza fabricação de produtos à base de cannabis no país, mas veta cultivo para esse fim. Fabricantes precisarão importar extrato. Venda só ocorrerá com prescrição médica e retenção da receita.    

MaconhaRegulamentação proíbe importação da planta de maconha ou de partes dela

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira (03/12) um novo marco regulatório para o registro e venda de produtos à base de cannabis em farmácias no país, tornando o Brasil a nação mais recente da América Latina a autorizar o uso da maconha medicinal.

A decisão entrará em vigor 90 dias após sua publicação no Diário Oficial da União e terá validade de três anos. Os produtos poderão ser em formato de comprimidos ou líquidos, para uso oral ou nasal, bem como soluções oleosas.

De acordo com a Anvisa, a medida visa “encontrar uma forma de garantir o acesso por via farmacêutica” e “assegurar um mínimo de garantia para os usuários do produto”. A agência afirma que a regulamentação oferece alternativa a pacientes que dependem da maconha medicinal.

A Anvisa rejeitou, porém, o cultivo da maconha para fins medicinais ou pesquisa. Dessa forma, apesar de autorizar a fabricação desse produto em território nacional, empresas que desejarem entrar nesse ramo precisarão importar o extrato de cannabis.

As novas regras estabelecem que fabricantes desse tipo de produto necessitam de autorização da vigilância sanitária, além de um certificado de boas práticas emitido pela Anvisa. Farmácias de manipulação não têm autorização para fabricar produtos à base de cannabis.

Além disso, eles só poderão ser vendidos com prescrição médica e retenção de receita. Pacientes precisarão assinar um termo de consentimento. A Anvisa destaca ainda que as embalagens não podem ter termos como medicamento ou remédio, pois mais testes são necessários para elevar o produto à base de cannabis à categoria de medicamento.

Se tiver teor acima de 0,2% de tetra-hidrocanabidiol (THC), um dos derivados da maconha, a embalagem precisará do aviso de que “pode causar dependência física e psíquica”. Esse tipo de produto só será prescrito a pacientes terminais ou que já tenham tentado todas as alternativas terapêuticas.

O marco regulatório possibilita ainda a importação de substratos de cannabis para a fabricação dos produtos. Fica vetada a importação da planta ou de partes dela.

Produtos com o canabidiol são usados no tratamento de doenças como epilepsia, autismo, Parkinson, dores crônicas e câncer.

Atualmente, pacientes que utilizam medicamentos à base de canabidiol precisam de uma autorização da agência para importá-lo. O preço pode chegar a 2 mil reais.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, mais de 7,7 mil pessoas obtiveram o aval da agência desde 2015. Estima-se que 3,9 milhões de podem ser beneficiadas com a liberação da venda em farmácias.

CN/efe/rtr/ots

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A desigualdade no Brasil é medida pelos dentes

Ricos vão ao dentista, e pobres sentem dor.

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Foto: Image Source/Folhapress

MARIA DA LUZ teve sua primeira escova de dentes aos 15 anos. Antes disso, usava folhas para limpar os dentes, como era de praxe em Mulungu do Morro, interior da Bahia, onde nasceu. Aos 14, sentiu uma dor forte no dente da frente e seu avô a levou ao farmacêutico, ordenando que extraísse todos os dentes da frente de uma vez só — sem anestesia — para que não voltasse a incomodar. Aos 17 anos, depois de muito trabalhar na roça, ela conseguiu juntar dinheiro para comprar uma dentadura, com a qual nunca se adaptou.

Maria migrou para São Paulo com os três filhos, priorizando dar o melhor de saúde e educação para eles com as suadas economias do salário de auxiliar de serviços gerais. Ela nunca tirava foto. Dizia que era infeliz com sorriso e que seu sonho era fazer um tratamento dentário. Em 2015, conseguiu fazer implantes com a poupança de muitos anos. Hoje, não coloca mais a mão na boca para sorrir.

A história de Maria, contada a mim por sua filha Maya, é um pouco da história de dezenas de milhões de brasileiros que têm suas vidas atravessadas por dores de dente e falta de autoestima — quadro que só muda quando as famílias experimentam alguma mobilidade social.

Mas o desfecho positivo do caso de Maria, hoje com 47 anos, é incomum. Os problemas relacionados à saúde bucal tornam miserável o cotidiano de pessoas pobres. A dor física latejante e constante se soma à dor moral – o sentimento de vergonha, a humilhação e o trauma por não conseguir sorrir.

Apesar da onipresença desse sofrimento do cotidiano brasileiro, surpreende o quão invisível é o apartheid bucal que divide o país.

Este texto começou há dez anos, quando vi um estudante rico debochar de um porteiro que se queixava de dor de dente. “Que coisa mais jurássica! Isso ainda existe?”, ele disse. Naqueles dias, eu e a antropóloga Lucia Scalco começávamos nossa pesquisa etnográfica sobre consumo e política na periferia do Morro da Cruz, Porto Alegre. Recém havíamos conhecido Juremir, hoje com 52 anos, que não teve dinheiro para pagar um dentista, e a solução encontrada foi colocar álcool na boca para lidar com a dor até o nervo necrosar.

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2013, quatro a cada dez brasileiros perdem todos os dentes depois dos 60 anos. O país que tem mais dentistas no mundo é também o país dos banguelas. Na terra em que ricos pagam o preço de um apartamento para colocarem facetas reluzentes, milhões de pessoas ainda praticam métodos da Idade Média para lidar com a dor. Como afirmam os pesquisadores Thiago Moreira, Marilyn Nations e Maria do Socorro Alves, nesse mundo de abismos, a questão dentária é chave para compreender a desigualdade social e a pobreza no Brasil.

O país que tem mais dentistas no mundo é também o país dos banguelas.

A pobreza é constituída multidimensionalmente por meio de uma combinação de renda e acesso à educação e à saúde. A condição dental precária é exemplar da pobreza porque é resultado de uma falência de uma série de eixos, como a condição financeira, o local de residência e o acesso à informação e à odontologia.

Se a saúde bucal é um fato social por excelência, não é raro escutar profissionais da saúde culparem as vítimas por sua situação. Durante a apuração que fiz para a elaboração deste texto, ouvi coisas como “pobre é acomodado”, “eles têm valores errados, preferem pagar por um tênis a ir ao dentista”, “hoje em dia qualquer pessoa consegue escova de dente de graça em uma universidade”. Individualizar a responsabilidade é uma falácia conveniente.

É difícil pensar a longo prazo quem tem que viver com o imediatismo da sobrevivência. Muitos sujeitos quando conseguem dinheiro precisam comprar comida. Outras vezes, optam por se dar a um pequeno luxo.

Em nossa pesquisa, coletamos infindáveis casos de pessoas que disseram que, em meio a uma existência precária marcada pela dor e sofrimento, permitir-se um pequeno ato hedonista significava uma espécie de “último desejo”– um prazer que será lembrado na memória para sempre. Podia ser um estrogonofe com batata palha, um book fotográfico ou um tênis de marca. Curiosamente todos esses auto-presentinhos foram comprados por pessoas que, aos 40 anos, já não tinham mais nenhum dente na boca.

Muitas crianças crescem em ambientes onde é comum o compartilhamento de escova de dentes. “Meu sonho é ter uma só para mim e não ter que dividir com meus sete irmãos”, escreveu uma menina em uma cartinha ao Programa Papai Noel dos Correios.

Adolescentes pobres saem da infância acumulando histórias dramáticas, que os prejudicam na socialização. Wellington, oito anos, morador do Morro da Cruz, tinha oito cáries em dentes de leite. “Podre” foi como a a dentista definiu a boca do menino. Ele não comia e não tinha mais alegria de viver. Ainda que existam serviços baratos e até gratuitos oferecidos por universidades e ONGs, famílias como de Wellington não sabem sequer como encontrar esses serviços. Minha colega Lúcia fez a mediação e agora ele está recebendo tratamento.

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Beto, 17 anos, não tinha amigos e sofria bullying dos próprios irmãos por causa dos dentes. Hoje com o sorriso reabilitado, Beto tem uma nova vida social. Antes e depois de Beto encontrar a equipe do SAS Brasil.Fotos: Reprodução/SAS Brasil

William Estevesom, 34 anos, trabalha como técnico bucal do bairro mais pobre do município de Alvorada, um dos mais violentos e estigmatizados da Região Metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Ele relata que, nas segundas-feiras de manhã, os pacientes chegam no posto para pegar ficha no SUS depois de um final de semana de tormenta em que já tentaram de tudo para passar a dor, como passar perfume e creolina nos dentes.

As técnicas para lidar com a dor que eu e Lúcia ouvimos nos últimos anos são muitas. Álcool, sal, cravo, pomada de procedência duvidosa e até “sangria”: furar o própria gengiva com uma faca para sangrar e deixar a infecção vazar. Também é comum que as pessoas extraiam seus próprios dentes, pois pensam que, em última instância, é isso que muitos postos de saúde irão fazer. Na comunidade de Dendê, em Fortaleza, os recursos são rezar pelo dente para Santa Apolônia, além de cachaça, óleo de coco e líquido de bateria para diminuir a dor. Muitas dessas técnicas trazem riscos graves à saúde. São fruto do desespero. Como disse Juremir: “não é dor, é uma tormenta, uma angústia”.

Com a ajuda pessoal de Lúcia, Juremir conseguiu colocar uma prótese nos dentes. Voltou a sorrir depois de muitos anos e não parava de postar fotos no Facebook. Mas após cinco anos, o dente que segurava a prótese infeccionou, sua cara inchou e ele recorreu a quase todos os caminhos acima.

Essas experiências vividas vão deixando marcas que deterioram a identidade do sujeito. O processo pode ser encarado como parte da vida: a “sofrência do pobre”. Para muitos, o sofrimento bucal atravessa a vida toda. É uma “sina, um karma de outra vida”, como disse uma interlocutora. Isso porque, mesmo depois de colocar prótese, a alegria pode durar pouco. Sem acompanhamento, muitos não se adaptam e voltam a ser desdentados. “Essa desgraça fica solta, caindo, me machuca gengiva. Só coloco para tirar selfie,” brincou Rosi, 56 anos, também do Morro da Cruz.

Ter os dentes da frente é um requisito estético exigido pela maioria dos empregadores.

Colocar a mão na boca para sorrir é uma cena cotidiana que revela a vergonha sentida por quem tem uma falha na dentição. Por outro lado, percebemos o orgulho que as pessoas têm de mostrar os dentes saudáveis que restam: “esse e esse são bons”.

O técnico do SUS William Estevesom também narrou que, há poucos dias, uma senhora chegou no posto implorando para colocar um dente na frente, alegando que precisava trabalhar já que o inverno estava chegando. Ter os dentes da frente é um requisito estético exigido pela maioria dos empregadores.

Uma amiga, quando soube que eu ia escrever esta coluna, pediu-me para contar a história de sua mãe. Rosana, uma psicóloga que teve uma trajetória de sucesso e ascensão social no norte do país, passou a vida se escondendo das filhas para escovar os dentes. Minha amiga só descobriu que a mãe usava prótese quando tinha 12 anos. Demorou muito tempo para que a mãe se sentisse à vontade para comprar Corega na frente dela. Quando ela faleceu, as filhas tiveram o cuidado de colocar a prótese para velar seu corpo: “ela não gostaria de ser vista de outra forma”.

As filhas de Rosana passaram a vida cuidando excessivamente dos dentes – algo que escutei de muitas pessoas cujas famílias ascendem socialmente. O trauma da dor e a vergonha social de não poder sorrir é uma ferida que deixa marcas familiares profundas. Portanto, o cuidado com a saúde bucal passa a ser uma questão de dignidade, uma herança que essas mães, como Maria e Rosana, deixam para seus filhos.

A estética e a saúde dos dentes dizem muito sobre mobilidade social. Uma das primeiras medidas que muitas pessoas tomam quando conseguem um emprego é colocar aparelho nos dentes. Quando eu a Lúcia pesquisávamos os jovens que davam “rolezinhos” nos shoppings, percebíamos que eles sonhavam em usar aparelho: era uma marca de distinção tal como um tênis da Nike. Eles nos contaram que aparelhos dentários falsos eram vendidos na comunidade para eles irem “bonitos ao baile funk”. Nunca encontramos esses tais aparelhos falsificados, mas a existência dessa história já diz muito sobre as aspirações e desejo de status social da juventude das periferias.

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Anna Borges Louzada, 51 anos, trabalha em um centro de especialidades odontológicas (CEO) em Manaus. Defensora do SUS e preocupada com o governo atual, ela se dedica ao tratamento de pessoas com necessidades especiais.

Foto: Reprodução/Instagram

Apesar do cenário dramático, não são poucas as conquistas individuais e coletivas dos últimos anos. Houve uma significativa expansão das universidades do Brasil — que oferecem serviços a preço muito baixo à comunidade — e a proliferação de clínicas populares que foram impulsionadas pela inclusão financeira da Era Lula. A criação do Programa Brasil Sorridente, que chega a 90% dos municípios brasileiros, já atingiu 100 milhões de pessoas pelo atendimento básico do SUS. Há também, por todos os lados, profissionais que fazem trabalhos na ponta do sistema, superando a falta de recursos de norte a sul do país, em comunidades ribeirinhas ou em favelas.

Se as conquistas sociais aconteceram a duras penas, o cenário de cortes públicos do atual governo alerta para uma situação de calamidade. Quem começou a sorrir nos últimos anos pode voltar a se esconder.

Mastigar, gargalhar e ter uma vida sem dor são direitos humanos fundamentais. Sorrir é o gesto que expressa a felicidade. Por isso, a inclusão bucal, associada a um projeto de transformação social, deve ser uma pauta prioritária em qualquer projeto de reconstrução do campo progressista.

*Os nomes dos personagens deste texto foram omitidos para preservar sua identidade.

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O programa do Google que diagnostica câncer de pulmão ‘com mais eficiência que médicos’

A inteligência artificial poderia melhorar a detecção de câncer em 5%. Será que a Inteligência Artificial (IA) pode ser mais eficiente que os médicos no diagnóstico do câncer de pulmão? É o que indica um estudo recente realizado por cientistas da Universidade Northwestern, em Illinois, nos Estados Unidos, em parceria com o Google, que esperam aumentar com esta tecnologia a eficácia do diagnóstico da doença.

A identificação de tumores em estágio inicial facilitaria o tratamento do câncer.

A equipe responsável pela pesquisa afirmou que a inteligência artificial terá um papel “enorme” no futuro da medicina, mas o software ainda não está pronto para uso clínico.

O estudo se concentrou no câncer de pulmão, que mata mais pessoas (1,8 milhão por ano) do que qualquer outro tipo de tumor.

É por isso que os EUA recomendam a realização de exames para identificar a doença a pacientes considerados de alto risco devido a um longo histórico de tabagismo.

No entanto, esses exames podem resultar em biópsias invasivas para pessoas que não têm câncer, além de não conseguirem detectar alguns tumores.

Como foi o estudo?
O estudo utilizou inteligência artificial para determinar se a análise de tomografias computadorizadas poderia ser aprimorada.

O primeiro passo foi treinar o software por meio de 42.290 imagens de tomografias de pulmão de quase 15 mil pacientes.

Os pesquisadores não indicaram à inteligência artificial o que procurar, apenas quais pacientes tinham câncer e quais não.

Em seguida, o software foi testado contra uma equipe de seis radiologistas especializados na interpretação de tomografias.

O programa foi mais eficiente que os radiologistas ao examinar uma única tomografia computadorizada, e foi tão eficaz quanto quando havia várias tomografias para serem interpretadas.

Os resultados, publicados na revista científica Nature Medicine, mostram que a inteligência artificial poderia aumentar a detecção do câncer em 5%, e ao mesmo tempo reduzir os falsos positivos (pessoas diagnosticadas erroneamente com câncer) em 11%.

“O próximo passo é aplicá-la a pacientes em um ensaio clínico”, afirmou Mozziyar Etemadi, da Universidade Northwestern, à BBC.

Segundo Etemadi, a inteligência artificial às vezes “sinaliza um nódulo pulmonar que, em todos os aspectos, parece benigno, mas o programa acredita que não é. E eles geralmente estão certos”.

“Uma área de pesquisa científica é descobrir por quê”, acrescentou.

O estudo se concentrou no câncer de pulmão, que é o que mata mais pessoas no mundo
Etemadi afirma que, se for realizado um trabalho conjunto entre a inteligência artificial e os médicos, o resultado seria ainda mais eficaz – e a IA poderia ter um grande papel na medicina.

Rebecca Campbell, do instituto de pesquisa Cancer Research, do Reino Unido, diz que é animador ver inovações tecnológicas que possam um dia ajudar a detectar câncer de pulmão em estágio inicial.

“Do mesmo modo que aprendemos com a experiência, esses algoritmos executam uma tarefa repetidamente, e cada vez ela é ajustada um pouco para melhorar a precisão”, diz ela.

“Detectar o câncer precocemente, quando é mais provável que o tratamento seja bem-sucedido, é uma das formas mais poderosas de melhorar a sobrevivência, e o desenvolvimento de uma tecnologia que não seja invasiva poderia ter um papel importante”, completa Campbell.

“Os próximos passos serão testar essa tecnologia ainda mais para ver se ela pode ser aplicada com precisão a um grande número de pessoas”

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Fumo, uma droga. Literalmente.

Fumo,Saúde,Medicina,Câ,cer,BlogdoMesquita,Tabaco,Ciências,MedicinaFabricantes de cigarros, sonegadores e contrabandistas serão desmascarados eletronicamente.

As fábricas de cigarros, (que produzem uma das drogas mais destruidoras do mundo, e agem como se fossem criadoras de perfumes) estão em pânico.
Motivo: a Receita Federal vai instalar nessas indústrias (?) um dispositivo especial de “selos eletrônicos”. Esse dispositivo foi desenvolvido num trabalho conjunto da Receita com a Casa da Moeda.

Esse equipamento revolucionário tem capacidade para decifrar o código digital invisível. E será inserido no selo colado nas carteiras de cigarro.

Esse selo já é fabricado pela Casa da Moeda mas continua sujeito a falsificações. Duas grandes fábricas já foram submetidas a testes, que funcionaram muito bem.
O projeto da Receita é instalar com URGÊNCIA, esse equipamento moderníssimo em 19 fábricas da droga chamada cigarro.

Dessa forma a Receita poderá seguir a trajetória dos maços de cigarro, da produção ao último revendedor. Com isso a eficiência da fiscalização, importantíssima.

Com a nova tecnologia a Receita localizará, instantaneamente, carregamentos destinados à exportação e que tenham sido desviados. Servirá também para monitorar e acompanhar, cargas transportadas de um estado para outro. Além da evasão de tributos federais é muito grande a sonegação de impostos estaduais.

Cigarros e bebidas, (dois crimes contra o cidadão, que é seduzido desde menino pela propaganda e o fascínio de beber e fumar, como se isso fosse demonstração de independência, masculinidade e maturidade) estão, disparados entre os maiores sonegadores. No varejo e no atacado.

No caso de bebidas, um medidor de vazão já foi instalado nas fábricas, tendo como resultado imediato aumento na arrecadação. A Receita calcula que a sonegação no setor da droga chamada cigarro alcance o total de 2 bilhões de reais. Que é faturada “por fora”, para satisfação e enriquecimento.

Só que a própria Receita considera que essa estimativa é muito pequena. Como são insistentes sonegadores, os fabricantes de cigarros são incansavelmente multados pela Receita. Normalmente essas multas atingem o total de 4 bilhões. Que esses fabricantes da morte pagam com tranqüilidade, pois a diferença entre o que pagam de multa e o que sonegam diariamente, é enorme e proveitosa.

A entrada em vigor desse “selo eletrônico” será um festival Wagner para a arrecadação. Pois nem é segredo (já escrevi muito sobre isso) que as multinacionais de cigarros, (TODAS SÃO) são campeões não só de sonegação mas de contrabando.

Existem informações provadas e comprovadas que essas multinacionais de cigarros são donas ou sócias majoritárias de fábricas instaladas em países vizinhos, como Paraguai e Uruguai.
Essas empresas gritam que são vítimas de contrabando praticado pelos chamados “sacoleiros”.

Ora, o contrabando é tão grande que não cabe nem caberia na bagagem desses pobres “contrabandistas”.
Esses miseráveis cidadãos que vivem de atravessar a fronteira em Ciudad Del Este, são ludibriados e acusados injustamente. Esse “contrabando”, quase sempre é produzido e vendido aqui mesmo, sem nota nem imposto.

Esses SONEGADORES, falsamente acusam os outros do CONTRABANDO que praticam, querem até desmoralizar a Justiça, pedindo INDENIZAÇÃO MORAL.

Com essa providência, a Receita Federal jogou os fabricantes de cigarros na vala comum dos criminosos. Os que asfixiam a população e querem asfixiar também a ARRECADAÇÃO.
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Rio dos bois, uma cidade que vive à espera de um médico

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Moradores em uma região de Rio dos Bois, onde quase metade da população vive com menos de meio salário mínimo. PREFEITURA DE RIO DOS BOIS

A cidade de Rio dos Bois, no Tocantins, revive uma situação que parecia ter superado há cinco anos: a falta de um médico fixo e o atendimento diário. Localizada a 123 quilômetros da capital Palmas, o município ganhou seu primeiro médico na atenção primária ao aderir ao Mais Médicos e, com o programa federal, passou a ofertar atendimento nos cinco dias úteis da semana para seus 2.800 habitantes no único posto de saúde da cidade. Foi uma conquista, embora o município seguisse distante de atingir o parâmetro de atenção considerado ideal pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de um profissional para cada mil habitantes.

Quando Cuba decidiu encerrar a cooperação com o Brasil, em novembro passado, a cidade perdeu o médico cubano que atendia no posto, mas chegou a ter a vaga substituída por uma profissional brasileira. Três meses depois de começar a trabalhar, a médica renunciou ao programa, segundo funcionários da saúde do município, porque passou em um concurso em Goiânia — abriu-se, assim, uma das 1.052 vagas ociosas por desistências no Brasil que foram anunciadas pelo Ministério da Saúde. A vaga ainda não foi reposta, e já faz dois meses que Rio dos Bois oferece atendimento médico apenas dois dias na semana. Isso porque o município, que já financiava um plantonista para atender no único dia útil em que o profissional “titular” era liberado para atividades de formação previstas no programa, dobrou a carga horária dele.

“Como tem dia que não tem médico aqui, quando a gente tem uma dor mais forte vai mais é pra Miracema [a cidade vizinha, que fica a 47 quilômetros de Rio dos Bois]. Lá é mais certo ter médico, e eles passam um remédio pra passar a dor”, diz o morador Milton Medeiros de Morais, 27 anos, que trabalha na limpeza de um posto de gasolina do município. Ele conta que os profissionais do posto de saúde atendem bem aos pacientes, mas lamenta que só tenha médico nas quartas e quintas. “O atendimento  um pouco apertado depois que a médica saiu, mas pelo menos o município de referência fica perto”, afirma uma funcionária da saúde municipal, que não quis ser identificada, ao explicar que Rio dos Bois disponibiliza ambulâncias e carros pequenos para levar até Miracema os pacientes cujos casos não podem ser resolvidos ali. “Graças a Deus pelo menos ambulância a gente tem e basta ligar que a gente consegue ir [para Miracema]. Por que médico aqui não é todo dia”, declara Milton.

Ainda assim, ele conta que só se submete a esta viagem — que dura em média 45 minutos — em casos mais graves e que se acostumou a usar plantas medicinais e chás para cuidar da própria saúde.  “Eu tomo mais é remédio do mato. Todo dia eu faço uma garrafadinha [com mel e plantas] e tomo um pouquinho. Tem uns pezinhos de planta na minha casa, pense como é bom”, diz. O morador tem uma doença nos rins, mas diz que reduz as idas ao médico porque pode comprar os remédios que toma regularmente na farmácia com o salário que ganha na limpeza do posto de gasolina. Algo que nem todos da cidade podem fazer, já que quase metade da população (46%) vive com menos de meio salário mínimo — 499 reais — por mês, segundo dados do IBGE.

Os indicadores de saúde de Rio dos Bois também não são animadores. A taxa de mortalidade infantil média na cidade — de 22,73 óbitos para 1.000 nascidos vivos — é bem maior que a média nacional — de 14. Além disso, as condições urbanas não ajudam: apenas 2,5% dos domicílios têm esgotamento sanitário adequado, uma estrutura importante para evitar doenças como diarreia, hepatite A e verminoses, que são enfermidades geralmente tratadas e prevenidas justamente com a ajuda dos profissionais da atenção básica.

Moradores de Rio dos Bois em uma ação da Secretaria de Saúde do município.
Moradores de Rio dos Bois em uma ação da Secretaria de Saúde do município. ARQUIVO PREFEITURA DE RIO DOS BOIS

O EL PAÍS entrou em contato com a Secretaria de Saúde de Rio dos Bois para saber os impactos da ausência de médico fixo na cidade, mas a secretária Maria Vitalina não quis dar entrevista, afirmando que havia outros municípios na mesma situação. Ela se limitou a explicar que seria mais adequado conseguir as informações com a coordenação do Mais Médicos no Tocantins. Esta, por sua vez, afirmou que havia previsão de a vaga de médico ser ocupada na próxima semana por um profissional remanejado de outra cidade, mas não especificou qual era. O Ministério da Saúde também não confirmou essa reposição.

Pelo menos outras 18 cidades, localizadas em nove Estados diferentes, estão sem médicos na atenção básica por conta da desistência dos brasileiros que substituíram os cubanos no programa federal. Os dados são de um levantamento feito pelo EL PAÍS ao cruzar a lista de municípios com desistência disponibilizada pelo Ministério da Saúde com a lista de cidades que dependem exclusivamente do programa feita pelo Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems). A estimativa do Conselho considera municípios que têm apenas uma Equipe de Saúde da Família (ESF) participante do programa cujo médico responsável por ela até novembro era cubano.

O presidente do Conasems, Mauro Junqueira, diz que o provimento das vagas está garantido por lei e que o ministro Luiz Henrique Mandetta teria prometido a reposição nas cidades vulneráveis ainda no mês de abril. “A ideia é que seja já dentro do [novo programa] Mais Saúde, mas ainda não conhecemos a proposta como um todo”, afirma. Mandetta anunciou que enviaria ao Congresso uma nova proposta para substituir o Mais Médicos ainda neste mês.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que lançará o Mais Saúde “em algumas semanas”, mas ressaltou ter publicado uma portaria estendendo para seis meses o prazo de pagamento da verba para custeio de outros profissionais das unidades básicas de saúde para que os municípios não perdessem verba após dois meses sem médico, como determinava a portaria anterior. O Ministério paga 11.800 reais de salário dos médicos pelo programa e repassa 4.000 para ajudar no custeio das equipes que contam com esses profissionais. “Essas localidades que perderam profissionais do Mais Médicos poderão utilizar os recursos também para contratar seus próprios médicos”, sugere a pasta.

Uma conta difícil de fechar

Mas a desistência dos brasileiros não é o único buraco no programa. Antes de o Governo cubano retirar os médicos do país, descontente com as condições impostas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), já havia vagas ociosas. Além disso, a finalização de contratos anteriores também abriu novas vagas, já que o Governo federal renovou os contratos apenas dos profissionais das cidades mais vulneráveis — uma política que pretende seguir na reposição daqui em diante. Os cerca de 1.400 brasileiros formados no exterior que escolheram as vagas do último edital deveriam ser homologados a última sexta.

O Conasems estima que, considerando apenas os cenários das desistências dos brasileiros e das vagas que já estavam ociosas antes da saída dos médicos cubanos, há mais de 2.000 vagas desassistidas em todo o país. “É natural isso de o profissional assumir o compromisso e mudar de ideia. Faz parte, mas o Ministério está discutindo um novo formato de chamamento público, em que seja possível ter tipo um cadastro reserva, para chamar outro profissional mais rápido, sem a necessidade de um novo edital. Isso vai nos dar mais tranquilidade”, explica Junqueira.

Há um impasse no debate entre os municípios e o ministro sobre a reposição: Mandetta já afirmou que só vai chamar médicos para as cidades que se enquadrarem nos níveis de maior vulnerabilidade porque entende que capitais e cidades da região metropolitana não necessitariam do programa. Os dirigentes municipais não concordam. “O direcionamento do Mandetta está correto dentro dos parâmetros desenvolvidos por lei, de repor em áreas mais vulneráveis. Mas as capitais têm sim áreas de muita vulnerabilidade. Estamos tentando convencê-lo de que devem ser observadas os bolsões de pobreza desses locais”, afirma Junqueira.

CIDADES SEM MÉDICO FIXO NA ATENÇÃO BÁSICA

Moiporá (GO)
Albertina (GO)
Carmésia (MG)
Wenceslau Braz (PA)
Frei Martinho (PB)
João Costa (PI)
Carlos Gomes (RS)
Doutor Ricardo (RS)
Eugênio de Castro (RS)
Sério (RS)
Alto Bela Vista (SC)
Maracajá (SC)
Rancho Queimado (SC)
Charqueada (SP)
Dumont (SP)
Oscar Bressane (SP)
Ipueiras (TO)
Santa Maria do Tocantins (TO)
Rio dos Bois (TO)

Parkinson,Medicina,Blog do Mesquita,Tecnologia

Mal de Parkinson: o marcapasso cerebral que promete acabar com tremores e convulsões causados pela doença

Parkinson,Medicina,Blog do Mesquita,TecnologiaDireito de imagem GETTY IMAGES
Aparelho monitora a atividade cerebral em 128 pontos ao mesmo tempo, o que o diferencia de dispositivos existentes hoje

No mundo, mais de seis milhões de pessoas sofrem de Parkinson, cujo sintoma mais visível são os tremores. É a segunda doença neurodegenerativa mais frequente após o mal de Alzheimer.

Outros 50 milhões têm epilepsia, que é caracterizada por convulsões. É, segundo a Organização Mundial de Saúde, um dos distúrbios neurológicos mais comuns.

Mas agora um novo dispositivo, chamado WAND, traz esperança às pessoas afetadas por estas doenças neurológicas: ele promete ser “extremamente eficaz” para evitar tremores e convulsões.

Este neuroestimulador, desenvolvido por cientistas da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, é capaz de monitorar a atividade elétrica do cérebro e, simultaneamente, fornecer energia para estimular certas regiões do cérebro se detectar que há uma anormalidade.

Definido como um “dispositivo sem fio de neuromodulação sem artefatos” (“wireless artifact-free neuromodulation device”, do qual deriva a sigla que forma seu nome), o WAND monitora a atividade cerebral em 128 pontos ao mesmo tempo, algo que o diferencia dos aparelhos existentes até agora, que chegavam a detectar apenas oito sinais.

“Queremos que o chip saiba qual é a melhor maneira de estimular o cérebro em um determinado paciente. E isso só pode ser feito por meio do controle e gravação de sua atividade neural”, explica Rikky Muller, professor assistente de engenharia elétrica e ciência da computação na Berkeley.

Ajustes necessários

Encefalograma mostra traços de epilepsiaDireito de imagemGETTY IMAGES
No mundo, 50 milhões sofrem de epilepsia

Os sinais elétricos que precedem um tremor podem ser extremamente sutis, de modo que a frequência e a intensidade da estimulação elétrica necessária para evitá-lo são delicadas.

Para testar a eficácia do neuroestimulador, a equipe de pesquisa usou-o para identificar e atrasar o movimento de um braço em primatas.

O WAND é sem fio e autônomo, o que significa que, quando aprende a identificar sinais de tremor, ajusta os parâmetros de estimulação elétrica por conta própria para evitar movimentos involuntários.

“No futuro, nosso objetivo é criar dispositivos inteligentes que possam descobrir a melhor maneira de tratar o paciente e impedir que o médico tenha de intervir constantemente no processo”, disse Muller.

A equipe de engenharia espera trabalhar com médicos nos próximos passos para fazer “pequenos ajustes”, mas alerta que ainda pode levar anos para que o dispositivo seja vendido.

Bebê espantado,Blog do Mesquita

É Froidi – Drops & Picles

Da série “Meu ofício é incomodar”
Cadê o Queiroz?
Quem matou Mariele?
Cadê o esfaqueador?
Só chamando o Herculano QuintanilhaBola de Cristal,Blog do Mesquita,O Astro

Imagina você entrando nessa Catedral em Campinas e o padre com uma 12 do lado da Bíblia?
Uma mistura de Gunslinger com Priest!

Armas,Igreja,Blog do Mesquita

Fotografias,Animais,Cavalos,Blog do Mesquita 3


Vamos fazer as contas?
Fernanda Montenegro é atriz desde antes de 1951, e a Lei Rouanet foi criada em 1991.
Em 1991, ela já era um ícone da dramaturgia no país e conhecida mundialmente.
Como ela só ficou famosa por quê “mama” na Lei Rouanet?
A NASA precisa estudar os devotos da “famiglia”.


Chega!
Ela tem um livro: Jesus no pé de goiaba! Dá pra acreditar?
“Eu vi Jesus no pé de goiaba”, diz Damares Alves, futura ministra de Bolsonaro.


Ministra-pastora propõe relativizar o estupro, humanizar o estuprador e punir a mulher tonando o aborto crime hediondo. Uma inacreditável peça de violência contra a mulher em três atosFreira,Terror,Blog do Mesquita


Ontem foi o Dia Mundial do Palhaço, mas aqui no Bananil, o dia durará, no mínimo quatro anos.

Se abrir a porta para maluco, ninguém a fechará mais.
Reunião dessa turma dos parafuso solto. Olhem só o futuro ministro da Ciência e Tecnologia participando das reuniões do Gabinete de Transição do novo(?) governo, vestido de astronauta.Bolsonaro, Astronauta

O mais triste, desesperador, é que ainda tem muito espaço para piorar.
“Vamos tratar meninas como princesas e meninos como príncipes”, diz futura ministra –
A pastora Damares Alves defendeu o que chamou de uma contrarrevolução cultural. Cuma? Hahahaha.


Inacreditável: Alberto Fraga – bancada da bala, não se reelegeu e é “cliente” da Lava Jato – acaba de culpar a Rede Globo pelo atentado ocorrido em Campinas, em que um homem abriu fogo na catedral, matou quatro e cometeu suicídio. “Esse tipo de atitude deve-se à repercussão da Rede Globo de casos isolados dos EUA sendo repercutidos aqui”. “Quiuspa”!Brasil,Política,Humor


A xenofobia, a rejeição da pluralidade, a mentalidade paranoica em relação ao mundo exterior e a construção de bodes expiatórios se transformaram em tendência mundial. É preciso levar a sério a questão nacional, não deixá-la nas mãos dos extremistas. Também é necessário fortalecer a coesão coletiva


Fabrício Queiroz,Motorista,Bolsonaro


O Junior, “parça” do motorista desaparecido, Filhinho disse que ia invadir a Venezuela. Será que ele mantém a promessa? Se só com a Venezuela sozinha já não iria conseguir, imagine agora com a Rússia. Vai que é sua, Bozinho!Aviões,Bombardeiros,Rússia,Venezuela,Bolsonaro


Mais um.
Ricardo Salles gastou R$ 260 mil para propaganda eleitoral antecipada, diz MP
Procuradoria acusa novo ministro do Ambiente de abuso de poder econômico na eleição
Ricardo Salles gastou R$ 260 mil para propaganda eleitoral antecipada, diz MPBolsonaro,Brasil,COAF,Corrupção


Mudança no mundo das histórias infantis: sai “João e o Pé de Feijão”, entra “Jesus e o Pé de Goiaba”.
Mas é bom tomar cuidado. Depois de ouvir a versão contada pela tia Damares, a criança fica uma semana sem dormir.



Não escapa ninguém. Só tem ladrão. Tudo com rabo preso apontando o rabo preso dos outros.
PSC, PT e PSOL aparecem em relatório do Coaf.


Tem que ser interditada. Na frente da tia da goiabeira, Paschoal é um modelo de sanidade e equilíbrio emocional.

O garotinho do filme “Sexto Sentido”
– Eu acho que vejo gente morta!
Ministra do Bozó:
– Fica quieto moleque, eu vejo Jesus na goiabeira o tempo e, nem por isso fico dando bandeira, fica quieto senão internam a gente!

Meu pé de Laranja, Laranja.

Alguma notícia de como funciona o Programa Minha Laranja Minha Vida?
PF fazendo buscas nas casas dos envolvidos? Um Plantão da Globo mostrando PowerPoint? Algo?Laranjas,Corrupção,Lavagem de dinheiro,Blog do Mesquita
Mais Médicos,Piauí,Guabiras,Brasil,Medicina,Saúde,Blog do Mesquita

O retrato de uma cidade para onde nenhum médico brasileiro quer ir

Sem conseguir atrair médicos para substituir cubanos, Guaribas, no Piauí, encaminha pacientes, que enfrentam viagem e estrada de terra para conseguir atendimentoMais Médicos,Piauí,Brasil,Medicina,Saúde,Blog do MesquitaEm Guaribas, 62% dos moradores dependem diretamente do Bolsa Família U. DETTMAR AGÊNCIA
O retrato de uma cidade para onde nenhum médico brasileiro quer ir A apreensão de cidades com a saída de cubanos

A “Diplomacia branca” com médicos rende 42 bilhões de reais a Cuba por ano.

Uma única estrada chega até a cidade de Guaribas, no extremo sul do Piauí. Pelo menos 50 quilômetros de terra batida separam o município — que estreou o Bolsa Família há 15 anos por ser na época o mais pobre do país — da vizinha Caracol. Com a dificuldade de acesso e a frágil economia interna comum às pequenas cidades do sertão nordestino, as poucas possibilidades de trabalho ali se resumem aos cerca de 400 cargos da prefeitura, ao modesto comércio local e à agricultura de subsistência. É significativa a importância do serviço público de saúde nesta comunidade onde 62% dos moradores dependem diretamente da média de 282 reais que o Governo federal transfere todo mês para cada família cadastrada no Bolsa Família.

Até duas semanas atrás, dois médicos cubanos se revezavam entre os três postos de saúde da cidade para garantir o atendimento a uma população de 4.401 habitantes. Junto com enfermeiros, técnicos e agentes de saúde, eles conseguiram assistir a 82% das 876 famílias que necessitam de acompanhamento periódico pelo Governo por terem crianças de até sete anos ou gestantes, um desempenho considerado “muito bom” no relatório publicado em outubro pelo Ministério do Desenvolvimento Social.

Os dados são positivos, mas a cidade ainda enfrenta uma série de desafios na atenção básica. A taxa de mortalidade infantil média na cidade — de 17 óbitos para 1.000 nascidos vivos — é superior à média nacional (14). Além disso, apenas um terço das casas tem esgotamento sanitário adequado, uma estrutura fundamental para evitar doenças como diarreia, hepatite A e verminoses, geralmente tratadas e prevenidas justamente com a ajuda dos profissionais da atenção básica.

O fim da cooperação de Cuba no programa Mais Médicos em novembro deixou a cidade, que dependia exclusivamente dos médicos cubanos, desassistida. Guaribas é um dos 31 municípios que não despertou o interesse dos profissionais brasileiros. Uma médica ainda chegou a ser selecionada para uma das vagas, mas informou a desistência à prefeitura dias depois da inscrição. A segunda vaga sequer chegou a ser cogitada por outro candidato. Catalogado na condição de extrema pobreza e 650 quilômetros distante da capital Teresina, o município segue com suas duas vagas no primeiro edital do programa, cujas inscrições se encerraram nesta sexta-feira. As condições urbanísticas da cidade não ajudam a atrair os profissionais: segundo o IBGE, as vias públicas não têm estrutura de urbanização mínima adequada, com a presença de bueiro, calçada, pavimentação e meio-fio.

“Aqui não tem mais médico, só enfermeiro. Tiraram os médicos. Por que fizeram isso? Aqui já é tudo tão difícil, aí ainda tiram o pouco que a gente tem”, se queixa a aposentada Amélia Alves Rocha, de 67 anos. Ela diz que nas últimas semanas acompanhou o marido Nilho Alves Rocha, de 75 anos, no posto para conseguir o remédio que ele toma para controlar a hipertensão, mas sem médico para dar a receita, não conseguiu a medicação gratuitamente.

O casal criou sete filhos graças ao Bolsa Família e hoje vive da aposentadoria e da mandioca que plantam na roça. Com a seca que historicamente assola a região — Guaribas é um dos municípios que decretaram estado de emergência por esse motivo neste mês — nunca houve muita expectativa de melhorar de vida. “Antes ninguém tinha nada aqui, aí Deus preparou esse Bolsa Família. O cartãozinho salvou a gente que tinha muito filho porque a vida aqui sempre foi muito complicada. As coisas são caras, ainda hoje a gente tem que completar o aposento com o pouco que planta na roça”, conta.

Amélia conta que a ausência de médicos na cidade é um problema, mas demonstra resiliência ao argumentar tempo pior era aquele em que a família dormia nos colchões que eles mesmos faziam com plásticos recheados do capim colhido na serra. “Perdi uma filha de seis anos e uma neta porque elas brincando tocaram fogo num colchão desses. Morreram as duas queimadas. Ruim mesmo era naquele tempo que a gente tinha que sair por aí no lombo de um jumento atrás de socorro nas outras cidades. Hoje tem até transporte pra levar”, conta.

Enquanto as vagas do Mais Médicos não são substituídas, enfermeiros e agentes de saúde das duas equipes de atenção básica prestam um atendimento mínimo à população. “A gente se vira como pode. Tem muita coisa que só o medico pode fazer, mas a gente segue acompanhando as crianças e as gestantes que fazem pré-natal, por exemplo. Nossa sorte é que temos aqui um serviço bem estruturado, então os prejuízos até diminuem, mas é complicado”, diz o enfermeiro que coordena a Atenção Básica no município, Francisco Júnior.

Três horas de viagem por um atendimento
Quando esses profissionais identificam serviço de urgência ou situações que não podem solucionar sem a presença do médico, os pacientes são encaminhados para a cidade que é referência para os 20 municípios da região da Serra da Capivara. Eles enfrentam quase três horas de viagem e percorrem mais de 100 quilômetros (a metade deles de estrada carroçal) até chegar ao Hospital Regional ou à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São Raimundo Nonato. “A situação é a seguinte: a gente já é acostumado. Médico é bom porque a gente se consulta, mas se não tem o jeito é ir pra São Raimundo quando o problema piora. É muito complicado, mas dá pra gente ir vivendo”, se conforma Amélia.

Outra opção, dizem moradores de Guaribas, é tentar atendimento em Caracol, cidade mais próxima, a 50 quilômetros do município. No entanto, moradores dizem que a situação lá também não está fácil. “Na região toda a situação tá horrível. Caracol perdeu três médicos, uma cubana e dois brasileiros que se inscreveram no programa e foram pra outras cidades”, conta o agricultor Raimundo Ribeiro. O EL PAÍS tentou confirmar os números com a Prefeitura de Caracol, mas não obteve resposta.

O fato é que a dificuldade de preencher as vagas deixadas pelos médicos cubanos e mesmo a migração de profissionais que já atuavam na atenção básica sob um regime de contrato com as prefeituras para outros municípios do programa Mais Médicos já repercute na UPA e no Hospital Regional de São Raimundo Nonato. “A demanda tem aumentado muito com essa dificuldade na atenção básica. Temos recebido muitos casos de gripe e febre que seriam facilmente resolvidos no posto de saúde”, afirma a diretora do hospital, Nilvania Nascimento. Na atenção básica, a cidade polo também sofre com a crise do Mais Médicos: teve seis vagas abertas no primeiro edital.

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O perigo escondido no iogurte que você consome

Iogurtes são considerados por muita gente um alimento saudável, mas um estudo feito no Reino Unido mostrou que muitos destes produtos podem não ser tão bons assim para a saúde quanto se pensa.Comida,Diabetes,Medicina,Ciências,Nutição,Saúde,Alimentos,Iogurte

Uma equipe liderada por pesquisadores da Universidade de Leeds, no Reino Unido, analisou a tabela nutricional de mais de 900 produtos e concluiu que muitos são feitos com uma grande quantidade de açúcar. Isso inclui até mesmo aqueles classificados como orgânicos.

Em alguns casos, os iogurtes superam até mesmo refrigerantes na quantidade de açúcar usada na fabricação. Somente os iogurtes naturais e do estilo grego foram considerados produtos com baixo teor desse ingrediente.

A cidade que dá cerveja e sorvete grátis a quem usa bicicleta ou transporte público
Quão seguros são os suplementos alimentares?
A divulgação do estudo ocorre no mesmo momento em que o Ministério da Saúde brasileiro negocia um acordo com a indústria de alimentos para reduzir o açúcar em produtos industrializados, entre eles os iogurtes.

O consumo em excesso de açúcar é comum entre brasileiros e está associado um maior risco de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes.

“Quando ele é natural, é de fato saudável, mas, depois que recebe corante, açúcar e outros aditivos, vira um produto ultraprocessado. O pai ou a mãe acha que está fazendo algo legal ao dar iogurte para o filho, mas não está. E isso é preocupante também para adultos, porque 54% da população está acima do peso e quase 20% está obesa.”

No entanto, os consumidores brasileiros dificilmente têm como saber a quantidade de açúcar dos iogurtes vendidos no país.

Os fabricantes não são obrigados a informar seu teor nas tabelas nutricionais dos produtos disponíveis por aqui – e apenas uma pequena parcela deles o faz voluntariamente.

Mas há uma proposta para mudar isso em debate na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Tão açucarado quanto refrigerante
A pesquisa britânica analisou 921 produtos vendidos pela internet por cinco das maiores redes de supermercados do país, que respondem por 75% do mercado.

Comida,Diabetes,Medicina,Ciências,Nutição,Saúde,Alimentos,IogurteDireito de imagem GETTY IMAGES
Para serem classificados como produtos com baixo teor de açúcar, iogurtes deveriam ter no máximo 5g a cada 100g

Eles foram divididos em oito categorias mais comumente usadas pelos supermercados: infantil, sobremesas, alternativas a produtos lácteos, saborizados, de frutas (in natura ou na forma de purê), natural/grego e orgânicos.

O estudo mostrou que a categoria que mais contém açúcar é a de sobremesas, com 16,4g a cada 100g do produto em média. No entanto, foram incluídos produtos que não contêm iogurte ou queijo cremoso, como mousse de chocolate e cremes de caramelo, o que influenciou neste resultado.

A segunda categoria mais açucarada foi a de iogurtes orgânicos, com 13,1g a cada 100g. Os infantis contêm 10,8g a cada 100g.

O refrigerante à base de cola mais popular do mercado contém 10,6g a cada 100ml.

Quanto açúcar há nos iogurtes?
Sobremesas – 16,4g a cada 100g

Orgânicos – 13,1g a cada 100g

Saborizados – 12g a cada 100g

Com fruta – 11,9g a cada 100g

Infantis – 10,8g a cada 100g

Alternativas a produtos lácteos – 9,2g a cada 100g

Bebidas lácteas – 9,1g a cada 100g

Natural e grego – 5g a cada 100g

Para serem classificados como produtos com baixo teor de açúcar, os iogurtes devem ter no máximo 5g a cada 100g. Só 9% dos produtos pesquisados pelos pesquisadores da Universidade de Leeds se encaixam nisso.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que açúcares livres, o que inclui aqueles adicionados a alimentos industrializados, não ultrapassem 10% da ingestão calórica diária, o equivalente a 50g. Maiores benefícios à saúde podem ser obtidos se este índice for de 5%, ou 25g.

O limite de 5% é o recomendado pela Associação Americana do Coração, organização sem fins lucrativos dedicada ao combate de doenças cardíacas e vasculares, para crianças entre 2 e 12 anos. Aquelas com menos de 2 anos não devem consumir nenhum açúcar livre.

Maioria dos produtos brasileiros não informa quantidade de açúcar
No Brasil, os consumidores não têm como saber a quantidade de açúcar presente na grande maioria dos produtos industrializados.

As regras para os rótulos de alimento são estabelecidas pela Anvisa, e a norma atual para tabelas nutricionais, vigente desde 2003, não obriga fabricantes a informar o teor de açúcar do alimento.

Comida,Diabetes,Medicina,Ciências,Nutição,Saúde,Alimentos,IogurteDireito de imagemGETTY IMAGES
Ministério da Saúde negocia um acordo com a indústria de alimentos para reduzir o açúcar em produtos industrializados.

“Não havia na época em que foram estabelecidas essas regras tantas evidências associando o consumo de açúcar de alimentos ultraprocessados e seu impacto como causa de doenças crônicas, como diabetes, o excesso de peso e cárie dental”, explica a nutricionista Ana Paula Bortoletto, líder do programa de Alimentação Saudável do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

“As empresas dizem que não informam isso por ser um segredo de fabricação e porque não são obrigadas a fazer. Acreditam que é uma estratégia de mercado ou querem ocultar esse dado.”

Duran, da Unicamp, diz que, diante da falta da obrigatoriedade, a maior parte dos produtos vendidos em supermercados brasileiros não traz essa informação.

“Quando isso ocorre, a empresa tem algum interesse em informar isso, porque quer ressaltar que se trata de um produto com baixo teor de açúcar, ou porque internacionalmente já se preocupa em informar isso e faz o mesmo no Brasil”, diz Duran.

O único indício que o brasileiro tem hoje de que um produto contém muito açúcar é a lista de ingredientes presente no rótulo. Aparecem primeiro aqueles que foram usados em maior quantidade na fabricação. Mas um obstáculo é que os fabricantes muitas vezes usam vários tipos de açúcar, explica Bortoletto.

“Ele pode ser empregado como xarope, maltose, frutose. Então, em vez de estar agrupado, o açúcar surge nesta lista de forma diluída, e, mesmo querendo saber quanto foi usado no produto, o consumidor não tem como descobrir se tem bastante açúcar ou não.”

Ao mesmo tempo, a maioria dos brasileiros costuma consumir açúcar demais. A Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2008/2009, a mais recente a tratar do tema, identificou esse hábito em 61,3% da população.

Na média, a ingestão de açúcar livre foi de 14% do total calórico diário, acima dos 10% recomendados pela OMS – quando supera esse limite, o consumo é considerado excessivo.

“O consumo de açúcar vem aumentando no Brasil, mas não o de mesa e sim aquele adicionado a alimentos ultraprocessados, porque é um ingrediente barato, e a indústria se aproveita disso e coloca uma quantidade elevada, o que adapta o paladar do consumidor a consumir coisas cada vez mais doces”, diz Bortoletto.

Duran destaca que esse hábito pode ser especialmente nocivo na infância. “Isso pode acostumar o paladar da criança pela vida inteira, fazendo com que prefira alimentos mais doces.”

Comida,Diabetes,Medicina,Ciências,Nutição,Saúde,Alimentos,IogurteDireito de imagem GETTY IMAGES
Fabricantes não são obrigados a informar teor de açúcar de produtos vendidos no país
As nutricionistas ouvidas pela BBC News Brasil concordam que a ausência do teor de açúcar na tabela nutricional é prejudicial ao consumidor.

“É grave, porque o consumo deste ingrediente passa despercebido e ocorre sem controle. Não é fácil saber quanto açúcar tem em uma bolacha recheada, por exemplo. É ruim não ter acesso a esse dado, considerando que o consumo de produtos ultraprocessados está aumentando”, diz Bortoletto.

“As pessoas não têm como fazer uma escolha consciente do que vão comer. Ficam dependentes das informações destacadas no rótulo, que são sempre positivas, como dizer que um produto é rico em fibras ou integral.”

Duran defende ser urgente informar melhor o consumidor para tentar reduzir a incidência de doenças relacionadas ao consumo excessivo desta substância.

“O açúcar é um dos nutrientes que tem uma relação mais forte com males crônicos não transmissíveis, como obesidade, diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares. Não informar seu teor contribui para que as pessoas tenham uma dieta inadequada e para uma maior prevalência destes problemas.”

Mudança está sendo debatida pela Anvisa
Uma mudança neste sentido está sendo debatida pela Anvisa para obrigar os fabricantes a informar nas tabelas os açúcares totais e adicionais de alimentos.

Um relatório preliminar foi aprovado em maio deste ano e, agora, está em fase de consulta pública para a elaboração da nova norma, segundo informou a agência à BBC News Brasil.

As alterações incluiriam padronizar as informações nutricionais contidas na tabela nutricional em porções de 100g ou 100ml – hoje, a quantidade da porção informada varia.

Comida,Diabetes,Medicina,Ciências,Nutição,Saúde,Alimentos,IogurteDireito de imagem REPRODUÇÃO
Anvisa debate qual das propostas de mudança no rótulo é melhor.
Os produtos trariam ainda na parte da frente do rótulo um indicativo do alto teor de ingredientes que, se consumidos em excesso, podem fazer mal à saúde, como açúcar, sódio e gordura.

Uma das propostas, apresentada pelo Idec, é que haja um sinal de alerta na parte da frente do produto. No entanto, a indústria defende a adoção de outro modelo, inspirado em um semáforo, em que as cores verde, amarela e vermelha indicariam se as quantidades estão dentro das recomendadas.

Em defesa deste modelo, a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e Bebidas não Alcóolicas (Abir) divulgou no ano passado uma pesquisa feita pelo Ibope que apontava que 67% dos participantes preferiam o semáforo nutricional ao alerta.

Bortoletto, do Idec, diz que o sistema de cores pode estimular o consumo de produtos não saudáveis. “Um refrigerante pode ter, por exemplo, um sinal verde para sódio e gordura.”

Por sua vez, Duran, da Unicamp, diz que a literatura científica disponível aponta que a proposta da indústria de alimentos não é a mais eficaz. “A proposta do Idec é mais clara e objetiva e facilita que o consumidor tome uma decisão na hora da compra.”

Bortoletto explica que, após a fase de consulta pública ser concluída, a expectativa é que uma nova norma seja aprovada no início do próximo ano. “Os fabricantes terão então um prazo de um ano para se adequar a ela. Se tudo der certo, em 2020, a gente vai ter rótulos melhores.”
BBC

Por que ainda não sabemos tudo o que gostaríamos sobre a enxaqueca

A enxaqueca é considerada uma das doenças mais incapacitantes do mundo 

EsculturaDireito de imagemBBC/ALAMY
A primeira vez que tive enxaqueca foi em uma noite depois da escola. Uma dor de cabeça chata virou algo dilacerante, deixando minha visão embaçada e transformando a luz do quarto em pura agonia. Na sequência, vomitei.

Esse ciclo me acompanhou inúmeras vezes nos últimos anos – me forçou a largar um emprego e me fez sentir impotente.

A crise de enxaqueca foi tratada por muito tempo “apenas como uma dor de cabeça”. Mas enquanto as cefaleias “normais” são geralmente controladas com um ou dois comprimidos de paracetamol, a enxaqueca é agressiva – muitas vezes, o suficiente para se tornar severamente debilitante.

Não tem uma causa conclusiva (variação hormonal e atividade cerebral alterada são apenas duas possíveis explicações), e tampouco existem tratamentos que ofereçam resultados duradouros.

Escultura rachaDireito de imagemGETTY IMAGES
Diferentemente de uma dor de cabeça normal, a enxaqueca é tão dolorosa que pode ofuscar a visão e provocar vômito

Talvez não seja surpresa, portanto, que a última edição da série de estudos “Fardo Global das Doenças”, que traça um panorama da saúde mundial, tenha apontado que, de 1990 a 2016, a enxaqueca foi uma das principais causas do desenvolvimento de condições incapacitantes.

 

A condição também está atrelada a um custo econômico alto, fazendo com que cerca de 25 milhões de dias de trabalho ou estudo sejam perdidos a cada ano no Reino Unido. Mas, embora represente um ônus financeiro e para a saúde elevado, a enxaqueca continua sendo uma das doenças mais subfinanciadas do mundo.

Mais comum entre as mulheres

O distúrbio é muito mais comum entre as mulheres. Em geral, uma em cada cinco sofre de enxaqueca, contra um em cada 15 homens.

A razão da maior suscetibilidade feminina ainda não é clara – apesar de um estudo da Universidade do Arizona, nos EUA, publicado em abril de 2018, sugerir que pode haver uma relação entre altos níveis de estrogênio e baixas concentrações de NHE1, que regula a troca de prótons e sódio. Sem quantidade suficiente de NHE1, a sinalização da dor aumentaria.

“Com base em nossas descobertas, achamos que as mulheres são mais suscetíveis à enxaqueca porque grandes flutuações do hormônio sexual levam a mudanças na manifestação do NHE1”, explicou a pesquisadora Emily Galloway, que participou do estudo, conduzido com ratos machos e fêmeas em laboratório.

Mulher com dorDireito de imagemGETTY IMAGES
Uma em cada cinco mulheres sofre de enxaqueca, contra um em cada 15 homens

Mas quando se trata de pesquisa e financiamento, a enxaqueca tem sido menos investigada que outras doenças. Apesar do enorme custo econômico, ela é a doença neurológica que recebe o menor financiamento público na Europa.

Nos EUA, onde a condição afeta cerca de 15% da população, foram destinados US$ 22 milhões (cerca de R$ 85,8 milhões) para realização de pesquisas sobre o tema em 2017. A asma, que atinge metade daquele total, recebeu 13 vezes esse valor (US$ 286 milhões). A diabetes, que incide em dois terços da população, obteve 50 vezes mais (US$ 1,1 bilhão). É importante observar, no entanto, que asma e diabetes são doenças potencialmente fatais.

Além disso, quando a enxaqueca é estudada, acaba sendo vítima de uma tendência observada em outras pesquisas clínicas: a maioria dos estudos conduzidos em animais tem sido realizada em machos, embora as mulheres sofram mais com a doença.

Dada a maior incidência entre as mulheres, essa aparente negligência pode ser resultado de como a dor em pacientes do sexo feminino é subestimada por médicos. Pode também refletir associações históricas – e de gênero – entre enxaqueca e doença mental.

História

Essas dores de cabeça latejantes são uma das doenças mais antigas da raça humana já registradas. Escrituras egípcias antigas de 1200 a.C. descrevem condições parecidas com a enxaqueca. Hipócrates, por exemplo, escreveu sobre os distúrbios visuais e vômitos comumente associados à doença.

Escultura de mármoreDireito de imagemALAMY
Um médico da Grécia Antiga descreveu pela primeira vez a natureza unilateral de uma crise de enxaqueca

A descoberta da enxaqueca costuma ser atribuída, no entanto, ao antigo médico grego Areteu da Capadócia, que descreveu com precisão, no século 2, sua unilateralidade e os períodos de ausência de sintomas. De fato, a palavra “enxaqueca” deriva do termo grego hemicrania, que significa metade do crânio.

Historicamente, a causa e o tratamento da enxaqueca estiveram profundamente relacionados a superstições. Uma série de métodos terapêuticos questionáveis surgiu na Idade Média – da sangria e feitiçaria à inserção de um dente de alho, por meio de uma incisão, nas têmporas.

Alguns médicos recomendavam ainda a trepanação – abertura de um ou mais buracos no crânio – como tratamento. O procedimento era comumente utilizado para liberar espíritos malignos de pessoas que provavelmente sofriam de uma doença mental, e não de uma possessão demoníaca. Presume-se que essa foi uma das primeiras ligações entre a enxaqueca e a mente.

Escultura de mulherDireito de imagemBBC/ALAMY
No século 19, os médicos observaram que a condição era predominante em mulheres

O predomínio da doença em mulheres foi observada inicialmente pelos médicos no século 19. Eles achavam que a culpa era da mente, descrevendo a condição como um distúrbio de “mães de classes mais baixas”, cujas cabeças eram fracas, devido ao trabalho diário, privação de sono, amamentação frequente e desnutrição. As mulheres com dores de cabeça agudas eram muitas vezes ridicularizadas e consideradas histéricas, o que deu início ao estigma da neurose que existe até hoje.

“Por muito tempo, a enxaqueca foi considerada uma doença de luxo moderna, o tipo de coisa que acomete mulheres e homens inteligentes de classe alta”, diz Joanna Kempner, professora associada de sociologia na Universidade Rutgers, nos EUA.

“Acreditava-se que pessoas com esse tipo de criação tinham sistemas nervosos delicados, o que permitia aos homens, pelo menos, se envolverem em atividades artísticas e científicas.”

“Mas consideravam, é claro, que as mulheres tinham uma capacidade para atividade intelectual muito reduzida e, como resultado, sobrecarregavam com mais facilidade seus sistemas nervosos delicados”.

EsculturaDireito de imagemBBC/ALAMY
Havia a crença de que as mulheres tinham a mente e o sistema nervoso mais frágeis, o que desencadearia a crise de enxaqueca

De fato, o neurologista americano Harold G Wolff, pai da medicina moderna para dor de cabeça, estabeleceu uma distinção clara entre os pacientes com enxaqueca do sexo masculino e feminino. Para ele, os homens eram ambiciosos e bem-sucedidos (só tinham enxaqueca quando estavam cansados).

Já as mulheres tinham crise de enxaqueca porque eram incapazes de aceitar o papel feminino, particularmente quando se tratava de sexo. Segundo Wolff, suas pacientes mulheres viam o sexo como “um dever conjugal razoável, na melhor das hipóteses. Em vários casos, era bastante desagradável e cheio de ressentimento. ”

Kempner acrescenta:

“Até o fim do século 20, a enxaqueca se tornou quase sinônimo da dona de casa neurótica – na verdade, alguns dicionários chegam a listar ‘enxaqueca’ como sinônimo de ‘cônjuge'”.

A mente importa

Não se pode negar que parece haver um elo entre as dores de cabeça e a saúde mental. Vários estudos concluíram que as enxaquecas são frequentemente associadas a uma série de transtornos psiquiátricos.

Uma análise de 2016 encontrou altas taxas de correlação entre enxaqueca e bipolaridade. Além disso, quem tem enxaqueca apresenta 2,5 vezes mais chances de desenvolver transtorno de ansiedade generalizada (TAG). Já as pessoas com depressão são três vezes mais propensas a sofrer ataques de enxaqueca.

Outro estudo descobriu que cerca de um em cada seis pacientes com a doença consideraram seriamente o suicídio em algum momento de suas vidas. Para efeito de comparação, uma em cada dez pessoas na população em geral tem pensamentos suicidas.

“Mas, se isso é causal, é uma grande questão”, diz Messoud Ashina, professor de neurologia e diretor da Unidade de Pesquisa de Enxaqueca Humana do Danish Headache Centre, na Dinamarca.

“Quando você tem um distúrbio muito preponderante como a enxaqueca, a probabilidade de que ela se sobreponha a outras doenças é bastante alta”, completa.

EsculturaDireito de imagemBBC/ALAMY
As pessoas que sofrem de enxaqueca têm mais chance de apresentar depressão, ansiedade e de considerar o suicídio

É claro que a enxaqueca também pode levar a problemas de saúde mental – mais do que uma “constituição delicada” provocar enxaqueca, como alguns médicos acreditavam no passado.

“Não é surpreendente que os níveis de ansiedade sejam altos quando não se sabe ao certo quando ocorrerá uma crise de enxaqueca, e se a dor vai interferir nas suas responsabilidades profissionais e familiares”, destaca Esme Fuller Thomson, diretora do Instituto do Curso de Vida e Envelhecimento da Universidade de Toronto, no Canadá, que pesquisou a relação entre suicídio e enxaqueca.

A depressão, por sua vez, também pode ser exacerbada pelo sentimento de impotência que as pessoas com enxaqueca muitas vezes vivenciam.

Apesar de a condição afetar uma parcela tão grande da população, a enxaqueca é surpreendentemente pouco compreendida ou pesquisada.

“Muitas pessoas na neurologia e na sociedade consideram a enxaqueca uma doença benigna – não é um câncer, não é um mal de Parkinson”, diz Ashina.

“Mas se você olhar para o impacto público e pessoal, a enxaqueca é um grande problema”.

EsculturaDireito de imagemALAMY
Apesar dos efeitos debilitantes, alguns especialistas não veem a enxaqueca como uma ‘neurologia real’

Amaal Starling, professor assistente de neurologia da Clínica Mayo, em Scottsdale, no Arizona, diz que alguns profissionais não veem a doença como uma “neurologia real”.

Os especialistas em dor de cabeça têm dificuldade, portanto, de legitimar a prática e convencer os outros de que o financiamento é uma necessidade, não um luxo.

E parte da relutância em tratar uma condição predominantemente “feminina” com seriedade pode ter a ver com preconceito de gênero. Em geral, as mulheres têm mais dificuldade de ter os sintomas de dor levados a sério ou de obter um diagnóstico médico correto do que os homens.

Condição comum

O grande número de pacientes com enxaqueca significa que os especialistas deveriam ter bastante experiência no tema. Mas, como disse uma fonte citada por Kempner no livro Not Tonight: Migraine and the Politics of Gender and Health(Essa Noite, não: Enxaqueca e as Políticas de Saúde e Gênero, em tradução livre): “Dor de cabeça é o sintoma mais comum encontrado em pacientes neurológicos ambulatoriais e o menos ensinado a residentes de neurologia. É como treinar eletricistas, mas não ensinar sobre lâmpadas.”

Felizmente, um novo tratamento pode estar a caminho: uma injeção chamada Erenumabe. Administrada uma vez por mês, ela funciona bloqueando um receptor no cérebro que ativa os ataques de enxaqueca. Uma droga semelhante que também tem como alvo o receptor CGRP – que atua no desencadeamento das dores – foi aprovada em maio de 2018 pelo FDA, agência que regula o uso de medicamentos e alimentos nos EUA.

“O importante é que esse novo medicamento foi concebido para o tratamento da enxaqueca, e não criado para uma outra doença e, em seguida, usado também para ajudar pacientes com enxaqueca”, diz Starling.

“Uma droga destinada especificamente a uma doença será provavelmente mais eficaz e terá menos efeitos colaterais.”

Na condição de alguém que usa betabloqueadores para combater a enxaqueca, eu concordo plenamente. A medicação que estou tomando, três vezes ao dia nos últimos meses, é destinada ao tratamento de angina e pressão alta. Os médicos perceberam que esse remédio também evitava crises de enxaqueca, mas não foi criado para tal.

Embora um comprimido específico para enxaqueca também possa apresentar efeitos colaterais, os betabloqueadores têm uma lista assustadora, que inclui cansaço extremo e tontura, além de ataque cardíaco, se você parar de usar abruptamente.

Esses medicamentos se juntam a outros tratamentos modernos, que enviam ondas eletromagnéticas para o cérebro a fim de alterar o ambiente elétrico dos neurônios e reduzir a “hiperexcitabilidade”.

Após quase seis meses livre de ataques de enxaqueca, comecei a reduzir a dose dos betabloqueadores. Meu objetivo final? Medicação zero. Mas tive uma crise de enxaqueca recentemente. E, alguns meses antes, fui parar no hospital com suspeita de ataque cardíaco. Por sorte, foi um alarme falso. Mas abriu meus olhos para a necessidade de um tratamento para enxaqueca que não afete meus órgãos vitais. Espero que essa invenção esteja no horizonte.