Como sobreviver ao fim do mundo: veja como evitar principais ameaças

Pandemias, guerras nucleares, alterações climáticas e desastres naturais: conheça algumas das maiores ameaças globais e o que você pode fazer para evitá-las.

É muito comum especular sobre como sobreviveríamos ao fim do mundo, principalmente durante a juventude e com toda a produção hollywoodiana em torno do tema. Além disso, 2020 tem sido um ano bastante apocalíptico.

Podemos levantar aqui diversos fatos que indicam que 2020 está nos fazendo pensar seriamente sobre como sobreviver à um possível apocalipse, como uma pandemia mundial que têm matado milhares de pessoas diariamente, incêndios florestais sem precedentes, nuvens de gafanhotos que mais nos fazem lembrar das 10 pragas do Egito, cigarras zumbis que são controladas por um fungo e até macacos roubando amostras de sangue com coronavírus na Índia.

Apesar de levantarmos muito a questão atualmente, não é de hoje que somos ‘treinados’ para sobreviver em situações apocalípticas. Em 1952, em plena Guerra Fria, o governo americano contratou o escritor Raymond J. Mauer para criar uma animação sobre como as crianças deveriam “se agachar e se cobrir” para se proteger no caso de um ataque nuclear. E quem não se lembra de Bear Grylls de “À prova de Tudo” que ensinava qualquer pessoa comum sobre como permanecer vivo apenas do que a natureza nos oferece.

Guerra nuclear deixaria 34 milhões de mortos em poucas horas


A primeira bomba atômica da história foi lançada pelos Estados Unidos em Hiroshima, matando milhares de civis. Créditos: Pixabay

Guerra nuclear
Existem cerca de 14 mil armas nuclear no mundo e 90% delas tem como seus proprietários a Rússia e os Estados Unidos, afirma o cientista atmosférico e especialista nuclear Professor Brian Toon.

“Se você chegar a cerca de um quilômetro ou mais [da explosão], a onda de pressão é tão intensa que derrubará prédios de concreto”, disse Toon. “E em algum lugar naquela zona, há uma explosão de radiação da bomba, basicamente metade das pessoas expostas a isso morreria em uma ou duas semanas de queimaduras de radiação em sua pele e envenenamento por radiação”, completa Toon.

Mesmo se você sobreviver ao primeiro impacto, este tipo de explosão gera incêndios que empurram a fumaça para a estratosfera, fazendo com que o sol fiquei bloqueado por cerca de 10 anos, derrubando as temperaturas de volta às experimentadas pela Terra na última era do gelo.

A maneira de sobreviver nesta situação é procurar um abrigo no subsolo. Atualmente, existem lugares que oferecem este tipo de serviço, como o Condomínio Survival, no Kansas, que cobra por volta de US $ 1 milhão a estadia. A melhor solução, no entanto, é impedir que as bombas sejam lançadas, doando para organizações que trabalhem pelo desarmamento nuclear.

Pandemia

Estamos sofrendo na pele os efeitos de uma pandemia mundial e aprendendo intensivamente com ela. Seja lavando as mãos, que deveria ser um hábito antigo, usando máscara de proteção e fazendo o isolamento social, é importante continuar fazendo sua parte para evitar a propagação do vírus.

Sobreviver a uma pandemia é um jogo de espera, infelizmente. A solução é confiar nos especialistas treinados e nos demais profissionais de saúde pública e privada que estão na linha de frente colocando suas vidas em risco.
Já são mais de 20 milhões de infectados pela COVID-19 no mundo. Créditos: Pixabay

Os desastres naturais e alterações climáticas

Diferentemente de uma pandemia, os desastres naturais como terremotos ou tornados vêm sem qualquer aviso, dando apenas alguns minutos para quem for tomar uma decisão que pode valer sua vida. A tecnologia tem sido uma importante aliada nesses casos. Pesquisadores estão desenvolvendo maneiras de rastrear sinais infrassônicos de tornados e tentando prever erupções de vulcões com drones e lasers, por exemplo.

Já a alteração climática é uma emergência global que vem sendo discutida há algum tempo. Incêndios devastadores na Austrália, elevação dos mares ameaçando Veneza e a elevação da temperatura da terra são apenas alguns dos indícios que alertam sobre como devemos mudar nossos hábitos.

Neste caso, cada um deve fazer sua parte, diminuindo o uso de energia, dirigindo menos, escolhendo marcas sustentáveis nas compras, sabendo mais sobre como suas roupas são feitas, reduzindo a dependência do uso de plástico, diminuindo o consumo de carne e, principalmente, escolhendo representantes políticos que tenham características de preservação ambiental.

Bilionários se preparam para o fim da civilização

Crise do coronavírus disparou oferta e demanda de ‘bunkers’ projetados para enfrentar o apocalipse, com os endinheirados gurus do Vale do Silício como principais instigadores.

Dezenas de refúgios compõem a sede da Vivos XPoint em Dakota do Sul. Foto:THE VIVOS GROUP

—Alô?

—Até que enfim, senhor DeMarest. Escute-me bem. O senhor precisa estar no aeródromo de Saint-Rémy em 16 minutos.

—Como? O quê? E que horas são?

—8h34. Estamos tentando entrar em contato com o senhor e sua esposa há três horas para evacuá-los.

No terceiro episódio da festejadíssima série francesa L’Effondrement (”O colapso”), um bilionário protagoniza uma corrida contra o relógio para pegar um avião exclusivo para fugir da falência da civilização tal como a conhecemos. O capítulo mostra o instinto de sobrevivência e a falta de escrúpulos desse membro do afortunado 1% da humanidade, uma reflexão que a ficção amplia no sétimo capítulo narrando a angustiante odisseia de uma mulher, ministra neste caso, tentando chegar a uma ilha onde pode encontrar refúgio. Apesar de ser uma série distópica, sua abordagem do comportamento das elites em um potencial colapso da civilização está longe da pura ficção científica. A crise do coronavírus, juntamente com a ameaça do terrorismo e da mudança climática, aumentou o medo das classes privilegiadas e cada vez mais pessoas apostam em estar preparadas para um possível apocalipse, disparando rapidamente a demanda por bunkers e refúgios. De Vale do Silício a Wall Street, passando por Marbella, é assim que os ricos estão se preparando para o fim do mundo.

“Isto é como um seguro de vida ou um seguro de carro, você espera nunca ter de usá-los, mas se tiver de fazê-lo, são muito valiosos”. Com estas palavras tenta racionalizar sua rede de refúgios subterrâneos Dance Vicino, diretor-executivo da The Vivos Group, uma das empresas líderes do setor e que ele prefere qualificar de “projeto humanitário épico de sobrevivência”.

Vicino confirma o boom por desse tipo de serviço, aumentando as vendas em até 400% ao ano. Veículos de comunicação como o Los Angeles Times confirmam que as pesquisas e as vendas de refúgios nos Estados Unidos dispararam desde o início da crise sanitária: “Desinfetante para as mãos? Certamente. Máscaras? Está bem. Mas, à medida que o coronavírus se propaga, os ricos estão investindo de uma maneira muito mais extrema para evitar a doença: bunkers”.

Chamada de survivalismo, esta corrente deixou para trás os arquétipos de fanáticos religiosos ou eremitas excêntricos para se deslocar para os escritórios mais poderosos de Vale do Silício ou de Wall Street. CEOs de empresas de tecnologia e investidores decidiram se preparar ativamente para uma hecatombe do sistema, talvez alentados pelas recentes imagens de brigas em supermercados por rolos de papel higiênico antes da quarentena. O cofundador do LinkedIn, Reid Hoffman, disse à The New Yorker que estima que 50% dos bilionários de Vale do Silício já tenham um bunker ou esconderijo preparado ao redor do mundo para o caso de o apocalipse acontecer e afirmou que “comprar uma casa na Nova Zelândia é algo como ‘piscar os olhos’, não é preciso dizer mais nada”.

Vicino confirma que o público interessado na Vivos tem cada vez mais capacidade econômica e nos últimos meses avaliou a construção de um resort com apartamentos subterrâneos de luxo em Marbella. Esse complexo será composto por residências de cerca de 200 metros quadrados e terá um sistema de filtragem de ar, piscina, academia e até um cinema para assistir Mad Max ou Filhos da esperança enquanto o mundo cai em pedaços. Atualmente têm centenas de refúgios em lugares como a Alemanha ou Dakota do Sul, Estado em que construíram uma comunidade do tamanho de Manhattan. “Muitos Governos do mundo têm enormes bunkers militarizados para seus oficiais e suas elites, mas não para o resto de nós. Eles não têm nenhum plano para salvá-lo se a extinção começar. A Vivos tem!”, clama. O preço de cada unidade, sem equipar nem mobiliar, ronda os 30.000 euros (cerca de 184.000 reais), mais outros mil por ano a título de aluguel.

Imagem do episódio ‘O aeródromo’ da série ‘O colapso’. FOTO: FILMINTHE VIVOS GROUP

O influente investidor em tecnologia e o cofundador do PayPal, Peter Thiel, é um dos principais instigadores dessa corrente profilática nascida em Vale do Silício. O alemão, que apoiou publicamente Donald Trump e que destruiu um veículo de comunicação (o site Gawker) como vingança por um artigo que afirmava que era homossexual, comprou um terreno de 200 hectares para seu refúgio apocalíptico na Nova Zelândia, país que considera “uma utopia”:”O que que se alinha melhor ou com a minha visão do futuro”, disse. Thiel conseguiu a cidadania neozelandesa em apenas duas semanas e muitos outros tentaram seguir seus passos. Nos dois dias seguintes à eleição presidencial de 2016 que deu a vitória ao imprevisível Donald Trump, as pesquisas dos norte-americanos sobre como conseguir a nacionalidade kiwi aumentaram 14% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Mais de 13.000 solicitações foram registradas.

Embora donos de uma riqueza tão imensa que qualquer investimento —por mais louco que possa parecer— seja insignificante na demonstração de resultados, talvez os motivos por trás dessa crescente paranoia não respondam unicamente a uma questão meramente preventiva ou recreativa. John W. Hoopes, professor de Antropologia da Universidade do Kansas, diz no The New York Times que o sucesso da corrente responde à “fantasia hipermasculina” de que apenas alguns poucos escolhidos e suas famílias se salvarão do perigo iminente. “O medo vende melhor que o sexo. Se você pode fazer com que as pessoas tenham medo, pode vendê-las todo tipo de coisa e isso inclui os bunkers”, conclui. Vicino parece estar inscrito nessa estratégia de marketing. “As pessoas sentem que o inferno está chegando, da Coreia do Norte e do Oriente Médio até uma potencial Terceira Guerra Mundial com a Rússia e a China”, afirma, adiantando também futuras “pragas, asteroides ou o colapso econômico total”.

Foto: VIVOS GROUP

A bíblia do radicalismo libertário, que o próprio Thiel qualificou como o livro que mais o influenciou em sua carreira, chama-se O indivíduo soberano: Como sobreviver e prosperar durante o colapso do Estado de Bem-Estar. Publicada em 1997 e escrito por James Dale Davidson e William Rees-Mogg, a obra já aponta a Nova Zelândia como refúgio perfeito para observar o fim da civilização como a conhecemos. Segundo os autores, a Internet e a consolidação das criptomoedas porão fim neste milênio nos “criminosos Estados-nação” e uma “elite cognitiva” se elevará acima da “fraude democrática”. Sem Governos nem impostos, é claro. Em declarações à Vanity Fair, um amigo próximo do guru reconhece o desejo deste de “comprar seu próprio país” e afirma ter oferecido até cem bilhões de dólares para torná-lo realidade. Sam Altman, outro bilionário de Vale do Silício, confirmou que ele e Thiel “tinham preparado um plano para fugir ao país” em caso de um colapso mundial.
Foto: VIVOS GROUP

E por que criar a nova humanidade na terráquea Nova Zelândia podendo fazê-lo a partir do planeta vermelho? Precisamente, um dos sócios fundadores do PayPal ao lado de Thiel se erigiu como outro dos super-ricos mais obcecados em estar pronto diante do juízo final. Elon Musk, CEO da Tesla, não apenas vaticinou em várias ocasiões o fim do mundo, como pode se vangloriar de ter criado todo um império empresarial para tentar buscar uma saída ao possível apocalipse. “É inegável que desde a mudança climática (com a ênfase de Tesla em reduzir o uso de combustíveis fósseis) até a maligna inteligência artificial (com a Neuralink) e a ameaça de uma guerra global que desencadeie o caos (o plano de fuga para Marte da Space X), Musk está preparando uma parte da humanidade para o cataclismo vindouro e tentando evitá-lo”, disse o jornalista Jonathan Sieber depois de assistir a uma conferência do guru da tecnologia no festival South by Southwest em 2018. O fundador do Facebook, Mark Zuckeberg, tampouco foge desse utópico investimento financeiro e já em 2016 vários meios de comunicação publicaram que tinha construído um bunker perto de sua mansão em Palo Alto, Califórnia.

Piscina comunitária da rede de ‘bunkers’ da Vivos.THE VIVOS GROUP

Segundo o site Finder, até 20% dos norte-americanos fizeram alguma forma de provisão pensando no fim do mundo. Vicino nega que a maioria de seus clientes pertença à elite. “São pessoas bem-educadas e informadas, de classe baixa, média ou alta, que têm a responsabilidade de proteger suas famílias durante estes tempos potencialmente catastróficos”, deixando claro que seu objetivo é oferecer esconderijos acessíveis a todos. O tempo de construção desses majestosos planos B pode variar de três a doze meses, dependendo da localização e do tamanho, e contam com pelo menos um ano de autonomia energética sem precisar sair à superfície. Esperemos que jamais se tornem o plano A.

Winston Churchill’s Battle of Britain speech

The Winston Churchill statue in Parliament Square, London. PA Photo. Picture date: Thursday June 18, 2020. The statue has been uncovered ahead of the French President Emmanuel Macron’s visit to London today, but monuments to Nelson Mandela and Mahatma Gandhi will stay hidden behind protective screens. See PA story POLICE Floyd. Photo credit should read: Dominic Lipinski/PA Wire

Almost a year has passed since the war began, and it is natural for us, I think, to pause on our journey at this milestone and survey the dark, wide field. It is also useful to compare the first year of this second war against German aggression with its forerunner a quarter of a century ago. Although this war is in fact only a continuation of the last, very great differences in its character are apparent. In the last war millions of men fought by hurling enormous masses of steel at one another. “Men and shells” was the cry, and prodigious slaughter was the consequence.

In this war nothing of this kind has yet appeared. It is a conflict of strategy, of organisation, of technical apparatus, of science, mechanics, and morale. The British casualties in the first 12 months of the Great War amounted to 365,000. In this war, I am thankful to say, British killed, wounded, prisoners, and missing, including civilians, do not exceed 92,000, and of these a large proportion are alive as prisoners of war. Looking more widely around, one may say that throughout all Europe for one man killed or wounded in the first year perhaps five were killed or wounded in 1914-15.

The slaughter is only a small fraction, but the consequences to the belligerents have been even more deadly. We have seen great countries with powerful armies dashed out of coherent existence in a few weeks. We have seen the French Republic and the renowned French Army beaten into complete and total submission with less than the casualties which they suffered in any one of half a dozen of the battles of 1914-18.

The entire body – it might almost seem at times the soul – of France has succumbed to physical effects incomparably less terrible than those which were sustained with fortitude and undaunted will power 25 years ago. Although up to the present the loss of life has been mercifully diminished, the decisions reached in the course of the struggle are even more profound upon the fate of nations than anything that has ever happened since barbaric times. Moves are made upon the scientific and strategic boards, advantages are gained by mechanical means, as a result of which scores of millions of men become incapable of further resistance, or judge themselves incapable of further resistance, and a fearful game of chess proceeds from check to mate by which the unhappy players seem to be inexorably bound.

Churchill, pictured in 1945, gave the speech 80 years ago (Photo: Getty)
There is another more obvious difference from 1914. The whole of the warring nations are engaged, not only soldiers, but the entire population, men, women, and children. The fronts are everywhere. The trenches are dug in the towns and streets. Every village is fortified. Every road is barred. The front line runs through the factories. The workmen are soldiers with different weapons but the same courage. These are great and distinctive changes from what many of us saw in the struggle of a quarter of a century ago.

‘The most united of all the nations’

There seems to be every reason to believe that this new kind of war is well suited to the genius and the resources of the British nation and the British Empire and that, once we get properly equipped and properly started, a war of this kind will be more favourable to us than the sombre mass slaughters of the Somme and Passchendaele. If it is a case of the whole nation fighting and suffering together, that ought to suit us, because we are the most united of all the nations, because we entered the war upon the national will and with our eyes open, and because we have been nurtured in freedom and individual responsibility and are the products, not of totalitarian uniformity but of tolerance and variety.

If all these qualities are turned, as they are being turned, to the arts of war, we may be able to show the enemy quite a lot of things that they have not thought of yet. Since the Germans drove the Jews out and lowered their technical standards, our science is definitely ahead of theirs. Our geographical position, the command of the sea, and the friendship of the United States enable us to draw resources from the whole world and to manufacture weapons of war of every kind, but especially of the superfine kinds, on a scale hitherto practised only by Nazi Germany.

Two Luftwaffe Dornier 217 twin engined medium bombers flying over the Silvertown area of London’s Docklands on 7th September 1940 at the beginning of the Blitz on London.Fires have started near the Beckton Gasworks. West Ham greyhound track is near the centre of the picture, which was taken from a German bomber. (Photo by Central Press/Getty Images)

Two Luftwaffe Dornier 217 twin engined medium bombers flying over the Silvertown area of London’s Docklands on 7th September 1940 at the beginning of the Blitz on London.Fires have started near the Beckton Gasworks. West Ham greyhound track is near the centre of the picture, which was taken from a German bomber. (Photo by Central Press/Getty Images)

Hitler is now sprawled over Europe. Our offensive springs are being slowly compressed, and we must resolutely and methodically prepare ourselves for the campaigns of 1941 and 1942. Two or three years are not a long time, even in our short, precarious lives. They are nothing in the history of the nation, and when we are doing the finest thing in the world, and have the honour to be the sole champion of the liberties of all Europe, we must not grudge these years of weary as we toil and struggle through them. It does not follow that our energies in future years will be exclusively confined to defending ourselves and our possessions. Many opportunities may lie open to amphibious power, and we must be ready to take advantage of them.

One of the ways to bring this war to a speedy end is to convince the enemy, not by words, but by deeds, that we have both the will and the means, not only to go on indefinitely but to strike heavy and unexpected blows. The road to victory may not be so long as we expect. But we have no right to count upon this. Be it long or short, rough or smooth, we mean to reach our journey’s end.

It is our intention to maintain and enforce a strict blockade not only of Germany but of Italy, France, and all the other countries that have fallen into the German power. I read in the papers that Herr Hitler has also proclaimed a strict blockade of the British Islands. No one can complain of that. I remember the Kaiser doing it in the last war. What indeed would be a matter of general complaint would be if we were to prolong the agony of all Europe by allowing food to come in to nourish the Nazis and aid their war effort, or to allow food to go in to the subjugated peoples, which certainly would be pillaged off them by their Nazi conquerors.

‘Ample reserves of food’

There have been many proposals, founded on the highest motives, that food should be allowed to pass the blockade for the relief of these populations. I regret that we must refuse these requests. The Nazis declare that they have created a new unified economy in Europe. They have repeatedly stated that they possess ample reserves of food and that they can feed their captive peoples.

In a German broadcast of 27th June it was said that while Mr. Hoover’s plan for relieving France, Belgium, and Holland deserved commendation, the German forces had already taken the necessary steps. We know that in Norway when the German troops went in, there were food supplies to last for a year. We know that Poland, though not a rich country, usually produces sufficient food for her people. Moreover, the other countries which Herr Hitler has invaded all held considerable stocks when the Germans entered and are themselves, in many cases, very substantial food producers. If all this food is not available now, it can only be because it has been removed to feed the people of Germany and to give them increased rations – for a change – during the last few months.

At this season of the year and for some months to come, there is the least chance of scarcity as the harvest has just been gathered in. The only agencies which can create famine in any part of Europe now and during the coming winter, will be German exactions or German failure to distribute the supplies which they command.

There is another aspect. Many of the most valuable foods are essential to the manufacture of vital war material. Fats are used to make explosives. Potatoes make the alcohol for motor spirit. The plastic materials now so largely used in the construction of aircraft are made of milk. If the Germans use these commodities to help them to bomb our women and children, rather than to feed the populations who produce them, we may be sure that imported foods would go the same way, directly or indirectly, or be employed to relieve the enemy of the responsibilities he has so wantonly assumed.

Let Hitler bear his responsibilities to the full and let the peoples of Europe who groan beneath his yoke aid in every way the coming of the day when that yoke will be broken. Meanwhile, we can and we will arrange in advance for the speedy entry of food into any part of the enslaved area, when this part has been wholly cleared of German forces, and has genuinely regained its freedom. We shall do our best to encourage the building up of reserves of food all over the world, so that there will always be held up before the eyes of the peoples of Europe, including – I say deliberately – the German and Austrian peoples, the certainty that the shattering of the Nazi power will bring to them all immediate food, freedom and peace.

Rather more than a quarter of a year has passed since the new Government came into power in this country. What a cataract of disaster has poured out upon us since then. The trustful Dutch overwhelmed; their beloved and respected Sovereign driven into exile; the peaceful city of Rotterdam the scene of a massacre as hideous and brutal as anything in the Thirty Years’ War. Belgium invaded and beaten down; our own fine Expeditionary Force, which King Leopold called to his rescue, cut off and almost captured, escaping as it seemed only by a miracle and with the loss of all its equipment; our Ally, France, out; Italy in against us; all France in the power of the enemy, all its arsenals and vast masses of military material converted or convertible to the enemy’s use; a puppet Government set up at Vichy which may at any moment be forced to become our foe; the whole Western seaboard of Europe from the North Cape to the Spanish frontier in German hands; all the ports, all the air-fields on this immense front, employed against us as potential springboards of invasion. Moreover, the German air power, numerically so far outstripping ours, has been brought so close to our Island that what we used to dread greatly has come to pass and the hostile bombers not only reach our shores in a few minutes and from many directions, but can be escorted by their fighting aircraft.

Why, Sir, if we had been confronted at the beginning of May with such a prospect, it would have seemed incredible that at the end of a period of horror and disaster, or at this point in a period of horror and disaster, we should stand erect, sure of ourselves, masters of our fate and with the conviction of final victory burning unquenchable in our hearts. Few would have believed we could survive; none would have believed that we should to-day not only feel stronger but should actually be stronger than we have ever been before.

‘No one flinched or wavered’

Let us see what has happened on the other side of the scales. The British nation and the British Empire finding themselves alone, stood undismayed against disaster. No one flinched or wavered; nay, some who formerly thought of peace, now think only of war. Our people are united and resolved, as they have never been before. Death and ruin have become small things compared with the shame of defeat or failure in duty.

We cannot tell what lies ahead. It may be that even greater ordeals lie before us. We shall face whatever is coming to us. We are sure of ourselves and of our cause and that is the supreme fact which has emerged in these months of trial.

Meanwhile, we have not only fortified our hearts but our Island. We have rearmed and rebuilt our armies in a degree which would have been deemed impossible a few months ago. We have ferried across the Atlantic, in the month of July, thanks to our friends over there, an immense mass of munitions of all kinds, cannon, rifles, machine-guns, cartridges, and shell, all safely landed without the loss of a gun or a round. The output of our own factories, working as they have never worked before, has poured forth to the troops. The whole British Army is at home. More than 2,000,000 determined men have rifles and bayonets in their hands to-night and three-quarters of them are in regular military formations. We have never had armies like this in our Island in time of war. The whole Island bristles against invaders, from the sea or from the air.

As I explained to the House in the middle of June, the stronger our Army at home, the larger must the invading expedition be, and the larger the invading expedition, the less difficult will be the task of the Navy in detecting its assembly and in intercepting and destroying it on passage; and the greater also would be the difficulty of feeding and supplying the invaders if ever they landed, in the teeth of continuous naval and air attack on their communications. All this is classical and venerable doctrine. As in Nelson’s day, the maxim holds, “Our first line of defence is the enemy’s ports.” Now air reconnaissance and photography have brought to an old principle a new and potent aid.

Our Navy is far stronger than it was at the beginning of the war. The great flow of new construction set on foot at the outbreak is now beginning to come in. We hope our friends across the ocean will send us a timely reinforcement to bridge the gap between the peace flotillas of 1939 and the war flotillas of 1941. There is no difficulty in sending such aid. The seas and oceans are open. The U-boats are contained. The magnetic mine is, up to the present time, effectively mastered. The merchant tonnage under the British flag, after a year of unlimited U-boat war, after eight months of intensive mining attack, is larger than when we began. We have, in addition, under our control at least 4,000,000 tons of shipping from the captive countries which has taken refuge here or in the harbours of the Empire. Our stocks of food of all kinds are far more abundant than in the days of peace and a large and growing programme of food production is on foot.

Why do I say all this? Not assuredly to boast; not assuredly to give the slightest countenance to complacency. The dangers we face are still enormous, but so are our advantages and resources.

I recount them because the people have a right to know that there are solid grounds for the confidence which we feel, and that we have good reason to believe ourselves capable, as I said in a very dark hour two months ago, of continuing the war “if necessary alone, if necessary for years.” I say it also because the fact that the British Empire stands invincible, and that Nazidom is still being resisted, will kindle again the spark of hope in the breasts of hundreds of millions of downtrodden or despairing men and women throughout Europe, and far beyond its bounds, and that from these sparks there will presently come cleansing and devouring flame.

The great air battle which has been in progress over this Island for the last few weeks has recently attained a high intensity. It is too soon to attempt to assign limits either to its scale or to its duration. We must certainly expect that greater efforts will be made by the enemy than any he has so far put forth. Hostile air fields are still being developed in France and the Low Countries, and the movement of squadrons and material for attacking us is still proceeding.

It is quite plain that Herr Hitler could not admit defeat in his air attack on Great Britain without sustaining most serious injury. If, after all his boastings and blood-curdling threats and lurid accounts trumpeted round the world of the damage he has inflicted, of the vast numbers of our Air Force he has shot down, so he says, with so little loss to himself; if after tales of the panic-stricken British crushed in their holes cursing the plutocratic Parliament which has led them to such a plight; if after all this his whole air onslaught were forced after a while tamely to peter out, the Fuehrer’s reputation for veracity of statement might be seriously impugned. We may be sure, therefore, that he will continue as long as he has the strength to do so, and as long as any preoccupations he may have in respect of the Russian Air Force allow him to do so.

On the other hand, the conditions and course of the fighting have so far been favourable to us. I told the House two months ago that whereas in France our fighter aircraft were wont to inflict a loss of two or three to one upon the Germans, and in the fighting at Dunkirk, which was a kind of no-man’s-land, a loss of about three or four to one, we expected that in an attack on this Island we should achieve a larger ratio. This has certainly come true. It must also be remembered that all the enemy machines and pilots which are shot down over our Island, or over the seas which surround it, are either destroyed or captured; whereas a considerable proportion of our machines, and also of our pilots, are saved, and soon again in many cases come into action.

‘Quantity and quality’

A vast and admirable system of salvage, directed by the Ministry of Aircraft Production, ensures the speediest return to the fighting line of damaged machines, and the most provident and speedy use of all the spare parts and material. At the same time the splendid, nay, astounding increase in the output and repair of British aircraft and engines which Lord Beaverbrook has achieved by a genius of organisation and drive, which looks like magic, has given us overflowing reserves of every type of aircraft, and an ever-mounting stream of production both in quantity and quality.

The enemy is, of course, far more numerous than we are. But our new production already, as I am advised, largely exceeds his, and the American production is only just beginning to flow in. It is a fact, as I see from my daily returns, that our bomber and fighter strength now, after all this fighting, are larger than they have ever been. We believe that we shall be able to continue the air struggle indefinitely and as long as the enemy pleases, and the longer it continues the more rapid will be our approach, first towards that parity, and then into that superiority in the air, upon which in a large measure the decision of the war depends.

The gratitude of every home in our Island, in our Empire, and indeed throughout the world, except in the abodes of the guilty, goes out to the British airmen who, undaunted by odds, unwearied in their constant challenge and mortal danger, are turning the tide of the world war by their prowess and by their devotion. Never in the field of human conflict was so much owed by so many to so few.

Never in the field of human conflict was so much owed by so many to so few

All hearts go out to the fighter pilots, whose brilliant actions we see with our own eyes day after day; but we must never forget that all the time, night after night, month after month, our bomber squadrons travel far into Germany, find their targets in the darkness by the highest navigational skill, aim their attacks, often under the heaviest fire, often with serious loss, with deliberate careful discrimination, and inflict shattering blows upon the whole of the technical and war-making structure of the Nazi power. On no part of the Royal Air Force does the weight of the war fall more heavily than on the daylight bombers who will play an invaluable part in the case of invasion and whose unflinching zeal it has been necessary in the meanwhile on numerous occasions to restrain.

We are able to verify the results of bombing military targets in Germany, not only by reports which reach us through many sources, but also, of course, by photography. I have no hesitation in saying that this process of bombing the military industries and communications of Germany and the air bases and storage depots from which we are attacked, which process will continue upon an ever-increasing scale until the end of the war, and may in another year attain dimensions hitherto undreamed of, affords one at least of the most certain, if not the shortest of all the roads to victory. Even if the Nazi legions stood triumphant on the Black Sea, or indeed upon the Caspian, even if Hitler was at the gates of India, it would profit him nothing if at the same time the entire economic and scientific apparatus of German war power lay shattered and pulverised at home.

The fact that the invasion of this Island upon a large scale has become a far more difficult operation with every week that has passed since we saved our Army at Dunkirk, and our very great preponderance of sea-power enable us to turn our eyes and to turn our strength increasingly towards the Mediterranean and against that other enemy who, without the slightest provocation, coldly and deliberately, for greed and gain, stabbed France in the back in the moment of her agony, and is now marching against us in Africa.

The defection of France has, of course, been deeply damaging to our position in what is called, somewhat oddly, the Middle East. In the defence of Somaliland, for instance, we had counted upon strong French forces attacking the Italians from Jibuti. We had counted also upon the use of the French naval and air bases in the Mediterranean, and particularly upon the North African shore. We had counted upon the French Fleet. Even though metropolitan France was temporarily overrun, there was no reason why the French Navy, substantial parts of the French Army, the French Air Force and the French Empire overseas should not have continued the struggle at our side.

‘Overwhelming sea-power’

Shielded by overwhelming sea-power, possessed of invaluable strategic bases and of ample funds, France might have remained one of the great combatants in the struggle. By so doing, France would have preserved the continuity of her life, and the French Empire might have advanced with the British Empire to the rescue of the independence and integrity of the French Motherland.

In our own case, if we had been put in the terrible position of France, a contingency now happily impossible, although, of course, it would have been the duty of all war leaders to fight on here to the end, it would also have been their duty, as I indicated in my speech of 4th June, to provide as far as possible for the Naval security of Canada and our Dominions and to make sure they had the means to carry the struggle from beyond the oceans. Most of the other countries that have been overrun by Germany for the time being have preserved valiantly and faithfully. The Czechs, the Poles, the Norwegians, the Dutch, the Belgians are still in the field, sword in hand, recognised by Great Britain and the United States as the sole representative authorities and lawful Governments of their respective States.

circa 1940: A Battle of Britain type ‘scramble’. An improved Spitfire is pushed onto the runway by a group of pilots from the squadron. (Photo by Hulton Archive/Getty Images)

circa 1940: A Battle of Britain type ‘scramble’. An improved Spitfire is pushed onto the runway by a group of pilots from the squadron. (Photo by Hulton Archive/Getty Images)

A Spitfire is pushed onto the runway by a group of pilots (Photo: Getty)
That France alone should lie prostrate at this moment, is the crime, not of a great and noble nation, but of what are called “the men of Vichy.” We have profound sympathy with the French people. Our old comradeship with France is not dead. In General de Gaulle and his gallant band, that comradeship takes an effective form. These free Frenchmen have been condemned to death by Vichy, but the day will come, as surely as the sun will rise to-morrow, when their names will be held in honour, and their names will be graven in stone in the streets and villages of a France restored in a liberated Europe to its full freedom and its ancient fame.

But this conviction which I feel of the future cannot affect the immediate problems which confront us in the Mediterranean and in Africa. It had been decided some time before the beginning of the war not to defend the Protectorate of Somaliland. That policy was changed when the French gave in, and when our small forces there, a few battalions, a few guns, were attacked by all the Italian troops, nearly two divisions, which had formerly faced the French at Jibuti, it was right to withdraw our detachments, virtually intact, for action elsewhere. Far larger operations no doubt impend in the Middle East theatre, and I shall certainly not attempt to discuss or prophesy about their probable course. We have large armies and many means of reinforcing them. We have the complete sea command of the Eastern Mediterranean. We intend to do our best to give a good account of ourselves, and to discharge faithfully and resolutely all our obligations and duties in that quarter of the world. More than that I do not think the House would wish me to say at the present time.

A good many people have written to me to ask me to make on this occasion a fuller statement of our war aims, and of the kind of peace we wish to make after the war, than is contained in the very considerable declaration which was made early in the Autumn. Since then we have made common cause with Norway, Holland, and Belgium. We have recognised the Czech Government of Dr. Benes, and we have told General de Gaulle that our success will carry with it the restoration of France.

‘The ground is not new’

I do not think it would be wise at this moment, while the battle rages and the war is still perhaps only in its earlier stage, to embark upon elaborate speculations about the future shape which should be given to Europe or the new securities which must be arranged to spare mankind the miseries of a third World War. The ground is not new, it has been frequently traversed and explored, and many ideas are held about it in common by all good men, and all free men. But before we can undertake the task of rebuilding we have not only to be convinced ourselves, but we have to convince all other countries that the Nazi tyranny is going to be finally broken.

The right to guide the course of world history is the noblest prize of victory. We are still toiling up the hill; we have not yet reached the crest-line of it; we cannot survey the landscape or even imagine what its condition will be when that longed-for morning comes. The task which lies before us immediately is at once more practical, more simple and more stern. I hope – indeed I pray – that we shall not be found unworthy of our victory if after toil and tribulation it is granted to us. For the rest, we have to gain the victory. That is our task.

There is, however, one direction in which we can see a little more clearly ahead. We have to think not only for ourselves but for the lasting security of the cause and principles for which we are fighting and of the long future of the British Commonwealth of Nations.

Some months ago we came to the conclusion that the interests of the United States and of the British Empire both required that the United States should have facilities for the naval and air defence of the Western hemisphere against the attack of a Nazi power which might have acquired temporary but lengthy control of a large part of Western Europe and its formidable resources.

We had therefore decided spontaneously, and without being asked or offered any inducement, to inform the Government of the United States that we would be glad to place such defence facilities at their disposal by leasing suitable sites in our Transatlantic possessions for their greater security against the unmeasured dangers of the future.

The principle of association of interests for common purposes between Great Britain and the United States had developed even before the war. Various agreements had been reached about certain small islands in the Pacific Ocean which had become important as air fuelling points. In all this line of thought we found ourselves in very close harmony with the Government of Canada.

Presently we learned that anxiety was also felt in the United States about the air and naval defence of their Atlantic seaboard, and President Roosevelt has recently made it clear that he would like to discuss with us, and with the Dominion of Canada and with Newfoundland, the development of American naval and air facilities in Newfoundland and in the West Indies. There is, of course, no question of any transference of sovereignty – that has never been suggested – or of any action being taken, without the consent or against the wishes of the various Colonies concerned, but for our part, His Majesty’s Government are entirely willing to accord defence facilities to the United States on a 99 years’ leasehold basis, and we feel sure that our interests no less than theirs, and the interests of the Colonies themselves and of Canada and Newfoundland will be served thereby.

These are important steps. Undoubtedly this process means that these two great organisations of the English-speaking democracies, the British Empire and the United States, will have to be somewhat mixed up together in some of their affairs for mutual and general advantage.

For my own part, looking out upon the future, I do not view the process with any misgivings. I could not stop it if I wished; no one can stop it. Like the Mississippi, it just keeps rolling along. Let it roll. Let it roll on full flood, inexorable, irresistible, benignant, to broader lands and better days.

Correspondente da Guerra da Rússia lança luz sobre a guerra de drones da Turquia em Idlib

A situação na província rebelde de Idlib, na Síria, se transformou em uma guerra de tiros ativa entre tropas sírias e turcas na semana passada, depois que um ataque do exército sírio contra terroristas de Nusra * matou quase três dezenas de militares turcos misturados entre os jihadistas. A greve levou Ancara a iniciar uma grande operação na região.

Os drones turcos no noroeste da Síria estão mirando em tudo o que se move, se houver suspeita de estar relacionada com o exército sírio, informou Evgeny Poddubny, correspondente do Rossiya 1 baseado em Idlib.

“Assim que os zangões de ataque turcos apareceram no céu de Idlib, a natureza dos combates mudou dramaticamente”, disse o correspondente em uma transmissão ao vivo no domingo.
Segundo Poddubny, todas as perdas sofridas pelo exército sírio nos últimos dias estavam nas mãos dos drones turcos.

A agência de notícias turca Anadolu divulgou um vídeo mostrando os ataques de Ancara às posições do governo sírio em Idlib.

A Turquia não poupou despesas com os ataques, que não são baratos, atingindo colunas de suprimentos, atingindo alvos únicos – carros, picapes, veículos blindados e até motociclistas. Foi o que disseram as tropas sírias na linha de frente ”, disse Poddubny. Enquanto isso, as forças sírias estão fazendo o possível para manter-se firmes, apesar da diferença de 30 anos em tecnologia, que derrubou até seis drones turcos no domingo.
O jornalista enfatizou que, se o espaço aéreo sobre Idlib não for liberado dos drones turcos em breve, o Exército Sírio terá dificuldade em manter os recentes ganhos que obteve contra os terroristas que operam na província.

Os drones turcos usados na Síria incluem a família de drones TAI Anka, que tem uma carga útil de armas de até 200 kg, bem como o Bayraktar TB2, um UAV de longa duração armado com mísseis anti-tanque.

Base da Força Aérea da Síria em Homs
Direito de imagek © SPUTNIK / ILYA PITALEV

A Turquia lançou uma ofensiva chamada “Operação Spring Shield” na quinta-feira, logo após a morte de pelo menos 33 tropas turcas em um ataque do Exército Sírio a posições terroristas. Os militares russos indicaram que essas forças estavam operando entre os terroristas de Nusra na região, contra os quais as forças sírias estão fazendo uma ofensiva.

A Síria iniciou uma operação militar em Idlib no final do ano passado, após repetidos ataques de Nusra e outros terroristas a seus militares. No início de fevereiro, um ataque de artilharia síria matou mais de meia dúzia de tropas turcas. A Rússia tentou mediar a crise, com a expectativa de que os presidentes Putin e Erdogan se encontrem em Moscou em 5 de março para discutir a situação na província.

* Um grupo terrorista baniu a Rússia e muitos outros países.

Guerras,Blog do Mesquita 01

EUA X Irã: o que originou a rivalidade de décadas entre os dois países

O xá Mohamed Reza Pahlevi com Jimmy CarterDireito de imagem GETTY IMAGES

Jimmy Carter foi o último presidente americano a fazer uma visita de Estado ao Irã antes de os EUA romperem relações com o país do Oriente Médio em 1980, após a Revolução Islâmica

O ataque americano perto do aeroporto de Bagdá, no Iraque, que matou dois dos mais importantes líderes militares iranianos, gerou uma escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã que beira o risco de um conflito armado direto entre os dois países.

Num comunicado, o Pentágono confirmou a autoria do bombardeio e disse que a ordem partiu do presidente Donald Trump.

Entre os mortos estão o comandante das Forças Quds, unidade especial da Guarda Revolucionária do Irã, o brigadeiro-general Qassen Soleimani — figura militar de maior relevância no país. Também morreu o número 2 das Forças de Mobilização Popular (FMP), o comandante Abu Mahdi al-Muandis.

Mas, se hoje EUA e Irã estão em pé de guerra, nem sempre foi assim. Por um tempo, os dois países foram amigos e aliados.

“Nosso diálogo tem sido inestimável, nossa amizade é insubstituível. E não há nenhum outro líder por quem eu sinta uma maior gratidão e amizade pessoal”, disse em 1977 o então presidente americano Jimmy Carter se referindo ao xá da Pérsia Mohamed Reza Pahlevi, durante brinde num jantar em Teerã, capital iraniana.

Jimmy Carter e o xáDireito de imagem GETTY IMAGES
O presidente americano Jimmy Carter celebrou a chegada do ano de 1978 numa visita de Estado ao Irã. Lá ele participou de um luxuoso banquete com o xá da Pérsia

Nesse mesmo discurso, pronunciado durante a visita de Estado do americano ao Irã, o presidente dos EUA classificou o país do Golfo como uma “ilha de estabilidade numa das zonas de maior conflito do mundo”.

Essa visão não poderia ser mais diferente da atual. Vários representantes do governo Trump tem acusado o Irã de ser uma ameaça à segurança mundial e de impedir a paz no Oriente Médio.

Mas como esses dois países passaram de grandes amigos a inimigos declarados?

Golpe de Estado de 1953

A operação Ajax, nome que recebeu a intervenção estrangeira que possibilitou o golpe de Estado de 1953 no Irã, foi orquestrado pela CIA (a Agência Central de Inteligência dos EUA) e apoiada pelo governo britânico, conforme evidenciam documentos oficiais.

O golpe derrubou o primeiro governante iraniano eleito democraticamente, o primeiro-ministro Mohamed Mossadeq, e restaurou a monarquia no país, com a ascensão do xá Mohamed Reza Pahlevi.

O xá Mohamed Reza Pahlevi ao chegar a Teerã em 1953Direito de imagem GETTY IMAGES
O golpe de Estado orquestrado pelos governos britânico e americano trouxe a monarquia de volta ao poder no Irã, com a ascensão do xá Mohamed Reza Pahlevi

Segundo Arshin Adib-Moghaddam, professor de Pensamento Global e Filosofia Comparada da Universidade SOAS, em Londres, essa intervenção estrangeira é um dos pilares das hostilidades que perduram até hoje entre iranianos e americanos.

O apoio dos Estados Unidos a um governo considerado por muitos como autoritário alimentou o sentimento antiamericano que depois propiciou a Revolução Islâmica de 1979, diz o professor.

“Os historiadores tem demonstrado que os manuais de tortura utilizados pelo brutal serviço secreto do monarca (o xá Mohamed Reza Pahlevi) foram escritos pela CIA e o Mossad (serviço de inteligência de Israel)”, diz Adib-Moghaddam.

“Portanto, os Estados Unidos passaram a ser vistos como cúmplices da supressão (de liberdades) da sociedade iraniana, o que explica o sentimento antiamericano dos revolucionários.”

O inimigo era o Reino Unido?

Até aquele momento, especialmente até o início da Segunda Guerra Mundial, os EUA não eram vistos com maus olhos no Irã.

“Os Estados Unidos eram vistos como uma nação amiga e não como imperialistas. Até os anos 50, eles não tinham tanta influência no Oriente Médio”, diz o professor Siavush Randjbar-Daemi, da Universidade St. Andrews, no Reino Unido.

“Eram os britânicos e, em menor medida, os soviéticos, que tinham maiores interesses na região.”

O interesse do Reino Unido no Irã era pelos campos de petróleo do país, dos quais era dono desde 1908. Os britânicos exploravam os recursos naturais iranianos e, em troca, devolviam uma pequena quantidade dos combustíveis obtidos — aproximadamente 16%.

planta de produção de petróleo no IrãDireito de imagem GETTY IMAGES
O Irã está entre os cinco países com as maiores reservas de petróleo, segundo a Organização de Países Exportadores de Petróleo

O primeiro governante eleito democraticamente no Irã, o primeiro-ministro Mohamed Mossadeq, ouviu as queixas do povo iraniano e decidiu nacionalizar a indústria petroleira do país, acabando com o negócio lucrativo que os britânicos cultivaram por décadas.

Teve início, então, uma campanha de intimidação por parte do Reino Unido, que atracou barcos de guerra no golfo Pérsico, ameaçou invadir o país, decretou sanções à venda de petróleo iraniano e colocou em prática um plano sigiloso para derrubar o novo primeiro-ministro.

A conspiração foi descoberta pela inteligência iraniana, Mossadeq decidiu fechar a embaixada britânica em Teerã e expulsar o do país o corpo diplomático do Reino Unido.

Foi então que os britânicos, por não terem mais pessoal em atividade no território iraniano, tiveram que pedir ajuda aos Estados Unidos.

A recém-criada agência de inteligência dos EUA, a CIA, ficou encarregada de orquestrar o golpe. Na época, o presidente norte-americano era o republicano Dwight Eisenhower, eleito em 1953.

O controle do petróleo iraniano foi, portanto, um dos motivos por trás dessa intervenção estrangeira. Mas é possível que não tenha sido o único.

Mohammad MossadeqDireito de imagem GETTY IMAGES
O primeiro-ministro Mohammad Mossadeq foi o primeiro governante eleito democraticamente no Irã, mas acabou derrubado num golpe de Estado arquitetado pelos EUA e o Reino Unido

Influência da Guerra Fria

Alguns historiadores consideram que o golpe foi um ato relacionado à Guerra Fria, com o objetivo de evitar a todo o custo que o Irã se aproximasse da União Soviética e do pensamento comunista.

“O governo Eisenhower — e vários documentos tornados públicos nos últimos anos atestam isso — pensava que Mossadeq se alinharia à União Soviética por causa do apoio que recebeu de militantes do partido Tudeh, o partido comunista iraniano”, argumenta o professor Siavush Randjbar-Daemi, da Universidade St. Andrews.

“Eu acredito que os Estados Unidos temiam a expansão do comunismo e que os britânicos usaram essa cartada para que os americanos embarcassem na causa”, acrescenta.

Independentemente das motivações reais por trás da intervenção dos EUA nos assuntos internos do Irã, o golpe prosperou e o primeiro-ministro nacionalista foi preso. O poder voltou à monarquia, que era favorável ao Ocidente, com a ascensão do xá Mohamed Reza Pahlevi.

Partidários da monarquia do xá Mohamed Reza Pahlevi em manifestação nas ruas de Teerã em 1953Direito de imagem AFP
Partidários da monarquia do xá Mohamed Reza Pahlevi em manifestação nas ruas de Teerã em 1953

Diversos historiadores acreditam que o golpe de Estado alimentou uma onda de nacionalismo no Irã que culminou com a Revolução Islâmica de 1979 e que envenenou de maneira definitiva as relações entre EUA e o país do Oriente Médio.

É o que diz em seu livro O Golpe, o professor e historiador Ervand Abrahamian, da Universidade da Cidade de Nova York (CUNY).

O xá amigo

Após a ascensão ao poder do xá da Pérsia, se seguiram 26 anos de franca amizade entre Estados Unidos e Irã.

A participação dos EUA no retorno da monarquia colocou Washington em posição de poder numa região onde, até então, o governo americano não tinha grande influência.

“Além do acesso privilegiado ao petróleo do Irã, os Estados Unidos começaram a controlar a política exterior do xá, que atuava como a polícia do Golfo Pérsico, especialmente durante período em que o republicano Richard Nixon esteve à frente do governo americano”, diz Arshin Adib-Moghaddam, professor da Universidade SOAS, em Londres.

Protesto do Partido Tudeh em 1951 em TeerãDireito de imagem GETTY IMAGES
O partido comunista iraniano Tudeh teve papel importante ao exigir a nacionalização do petróleo durante o governo de Mossadeq

Mas eram muitas as vozes dentro do Irã que se opunham a acordos com os EUA que pudessem ser desfavoráveis aos iranianos, como o que perdurou durante anos com os britânicos.

Em 1954, foi firmado um acordo que criava um consórcio internacional, com participação britânica, americana, holandesa e francesa, mediante o qual os benefícios da exploração de petróleo seriam compartilhados em partes iguais.

O acordo foi renovado em 1973 por mais 20 anos, mas, em 1979, foi detonada a Revolução Islâmica, que devolveu às mãos dos iranianos a soberania total sobre o petróleo do país.

Antes da revolução, as relações entre Teerã e Washington foram estreitas. Três presidentes americanos visitaram o Irã nesse período, durante o governo do xá da Pérsia: Eisenhower, Nixon, e Carter.

Mohamed Reza Pahlevi com Richard Nixon.Direito de imagem GETTY IMAGES
O xá da pérsia Mohamed Reza Pahlevi visitou várias vezes os Estados Unidos durante o período em que esteve no poder. Na foto, ele cumprimenta o presidente Richard Nixon

Carter celebrou a chegada do ano de 1978 com um jantar de gala ao lado do xá. Tudo mudaria apenas um ano depois.

O monarca persa fugiu do Irã em 16 de janeiro de 1979, ao se ver incapaz de conter os protestos que tomaram as ruas do país durante meses.

Manifestantes enfrentavam o Exército, greves de trabalhadores ameaçavam a produção de petróleo (principal fonte de renda do governo) e opositores ao regime, tanto civis quanto religiosos, acusavam a monarquia de ser autoritária e corrupta.

A Revolução Islâmica de 1979

Apenas duas semanas depois da saída do xá do país, o líder islâmico religioso Ruhollah Musavi Khomeini, que havia sido forçado a deixar o Irã em 1964 por suas críticas ao governo, voltou do exílio.

Durante os 15 anos em que esteve fora do Irã, morando no Iraque e na França, o aiatolá e futuro líder supremo do país criticou fortemente o regime monárquico. Ele acusou o xá de se vender aos Estados Unidos, nação a que apelidou de “Grande Satã”.

Aiatolá Ali Khomeini
O xá Mohamed Reza Pahlevi com Jimmy CarterDireito de imagem GETTY IMAGES
Jimmy Carter foi o último presidente americano a fazer uma visita de Estado ao Irã antes de os EUA romperem relações com o país do Oriente Médio em 1980, após a Revolução Islâmica

O ataque americano perto do aeroporto de Bagdá, no Iraque, que matou dois dos mais importantes líderes militares iranianos, gerou uma escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã que beira o risco de um conflito armado direto entre os dois países.

Num comunicado, o Pentágono confirmou a autoria do bombardeio e disse que a ordem partiu do presidente Donald Trump.

Entre os mortos estão o comandante das Forças Quds, unidade especial da Guarda Revolucionária do Irã, o brigadeiro-general Qassen Soleimani — figura militar de maior relevância no país. Também morreu o número 2 das Forças de Mobilização Popular (FMP), o comandante Abu Mahdi al-Muandis.

Mas, se hoje EUA e Irã estão em pé de guerra, nem sempre foi assim. Por um tempo, os dois países foram amigos e aliados.

“Nosso diálogo tem sido inestimável, nossa amizade é insubstituível. E não há nenhum outro líder por quem eu sinta uma maior gratidão e amizade pessoal”, disse em 1977 o então presidente americano Jimmy Carter se referindo ao xá da Pérsia Mohamed Reza Pahlevi, durante brinde num jantar em Teerã, capital iraniana.

Jimmy Carter e o xáDireito de imagem GETTY IMAGES
O presidente americano Jimmy Carter celebrou a chegada do ano de 1978 numa visita de Estado ao Irã. Lá ele participou de um luxuoso banquete com o xá da Pérsia

Nesse mesmo discurso, pronunciado durante a visita de Estado do americano ao Irã, o presidente dos EUA classificou o país do Golfo como uma “ilha de estabilidade numa das zonas de maior conflito do mundo”.

Essa visão não poderia ser mais diferente da atual. Vários representantes do governo Trump tem acusado o Irã de ser uma ameaça à segurança mundial e de impedir a paz no Oriente Médio.

Mas como esses dois países passaram de grandes amigos a inimigos declarados?

Golpe de Estado de 1953

A operação Ajax, nome que recebeu a intervenção estrangeira que possibilitou o golpe de Estado de 1953 no Irã, foi orquestrado pela CIA (a Agência Central de Inteligência dos EUA) e apoiada pelo governo britânico, conforme evidenciam documentos oficiais.

O golpe derrubou o primeiro governante iraniano eleito democraticamente, o primeiro-ministro Mohamed Mossadeq, e restaurou a monarquia no país, com a ascensão do xá Mohamed Reza Pahlevi.

O xá Mohamed Reza Pahlevi ao chegar a Teerã em 1953Direito de imagem GETTY IMAGES
O golpe de Estado orquestrado pelos governos britânico e americano trouxe a monarquia de volta ao poder no Irã, com a ascensão do xá Mohamed Reza Pahlevi

Segundo Arshin Adib-Moghaddam, professor de Pensamento Global e Filosofia Comparada da Universidade SOAS, em Londres, essa intervenção estrangeira é um dos pilares das hostilidades que perduram até hoje entre iranianos e americanos.

O apoio dos Estados Unidos a um governo considerado por muitos como autoritário alimentou o sentimento antiamericano que depois propiciou a Revolução Islâmica de 1979, diz o professor.

“Os historiadores tem demonstrado que os manuais de tortura utilizados pelo brutal serviço secreto do monarca (o xá Mohamed Reza Pahlevi) foram escritos pela CIA e o Mossad (serviço de inteligência de Israel)”, diz Adib-Moghaddam.

“Portanto, os Estados Unidos passaram a ser vistos como cúmplices da supressão (de liberdades) da sociedade iraniana, o que explica o sentimento antiamericano dos revolucionários.”

O inimigo era o Reino Unido?

Até aquele momento, especialmente até o início da Segunda Guerra Mundial, os EUA não eram vistos com maus olhos no Irã.

“Os Estados Unidos eram vistos como uma nação amiga e não como imperialistas. Até os anos 50, eles não tinham tanta influência no Oriente Médio”, diz o professor Siavush Randjbar-Daemi, da Universidade St. Andrews, no Reino Unido.

“Eram os britânicos e, em menor medida, os soviéticos, que tinham maiores interesses na região.”

O interesse do Reino Unido no Irã era pelos campos de petróleo do país, dos quais era dono desde 1908. Os britânicos exploravam os recursos naturais iranianos e, em troca, devolviam uma pequena quantidade dos combustíveis obtidos — aproximadamente 16%.

planta de produção de petróleo no IrãDireito de imagem GETTY IMAGES
O Irã está entre os cinco países com as maiores reservas de petróleo, segundo a Organização de Países Exportadores de Petróleo

O primeiro governante eleito democraticamente no Irã, o primeiro-ministro Mohamed Mossadeq, ouviu as queixas do povo iraniano e decidiu nacionalizar a indústria petroleira do país, acabando com o negócio lucrativo que os britânicos cultivaram por décadas.

Teve início, então, uma campanha de intimidação por parte do Reino Unido, que atracou barcos de guerra no golfo Pérsico, ameaçou invadir o país, decretou sanções à venda de petróleo iraniano e colocou em prática um plano sigiloso para derrubar o novo primeiro-ministro.

A conspiração foi descoberta pela inteligência iraniana, Mossadeq decidiu fechar a embaixada britânica em Teerã e expulsar o do país o corpo diplomático do Reino Unido.

Foi então que os britânicos, por não terem mais pessoal em atividade no território iraniano, tiveram que pedir ajuda aos Estados Unidos.

A recém-criada agência de inteligência dos EUA, a CIA, ficou encarregada de orquestrar o golpe. Na época, o presidente norte-americano era o republicano Dwight Eisenhower, eleito em 1953.

O controle do petróleo iraniano foi, portanto, um dos motivos por trás dessa intervenção estrangeira. Mas é possível que não tenha sido o único.

Mohammad MossadeqDireito de imagem GETTY IMAGES
O primeiro-ministro Mohammad Mossadeq foi o primeiro governante eleito democraticamente no Irã, mas acabou derrubado num golpe de Estado arquitetado pelos EUA e o Reino Unido

Influência da Guerra Fria

Alguns historiadores consideram que o golpe foi um ato relacionado à Guerra Fria, com o objetivo de evitar a todo o custo que o Irã se aproximasse da União Soviética e do pensamento comunista.

“O governo Eisenhower — e vários documentos tornados públicos nos últimos anos atestam isso — pensava que Mossadeq se alinharia à União Soviética por causa do apoio que recebeu de militantes do partido Tudeh, o partido comunista iraniano”, argumenta o professor Siavush Randjbar-Daemi, da Universidade St. Andrews.

“Eu acredito que os Estados Unidos temiam a expansão do comunismo e que os britânicos usaram essa cartada para que os americanos embarcassem na causa”, acrescenta.

Independentemente das motivações reais por trás da intervenção dos EUA nos assuntos internos do Irã, o golpe prosperou e o primeiro-ministro nacionalista foi preso. O poder voltou à monarquia, que era favorável ao Ocidente, com a ascensão do xá Mohamed Reza Pahlevi.

Partidários da monarquia do xá Mohamed Reza Pahlevi em manifestação nas ruas de Teerã em 1953Direito de imagem AFP
Partidários da monarquia do xá Mohamed Reza Pahlevi em manifestação nas ruas de Teerã em 1953

Diversos historiadores acreditam que o golpe de Estado alimentou uma onda de nacionalismo no Irã que culminou com a Revolução Islâmica de 1979 e que envenenou de maneira definitiva as relações entre EUA e o país do Oriente Médio.

É o que diz em seu livro O Golpe, o professor e historiador Ervand Abrahamian, da Universidade da Cidade de Nova York (CUNY).

O xá amigo

Após a ascensão ao poder do xá da Pérsia, se seguiram 26 anos de franca amizade entre Estados Unidos e Irã.

A participação dos EUA no retorno da monarquia colocou Washington em posição de poder numa região onde, até então, o governo americano não tinha grande influência.

“Além do acesso privilegiado ao petróleo do Irã, os Estados Unidos começaram a controlar a política exterior do xá, que atuava como a polícia do Golfo Pérsico, especialmente durante período em que o republicano Richard Nixon esteve à frente do governo americano”, diz Arshin Adib-Moghaddam, professor da Universidade SOAS, em Londres.

Protesto do Partido Tudeh em 1951 em TeerãDireito de imagem GETTY IMAGES
O partido comunista iraniano Tudeh teve papel importante ao exigir a nacionalização do petróleo durante o governo de Mossadeq

Mas eram muitas as vozes dentro do Irã que se opunham a acordos com os EUA que pudessem ser desfavoráveis aos iranianos, como o que perdurou durante anos com os britânicos.

Em 1954, foi firmado um acordo que criava um consórcio internacional, com participação britânica, americana, holandesa e francesa, mediante o qual os benefícios da exploração de petróleo seriam compartilhados em partes iguais.

O acordo foi renovado em 1973 por mais 20 anos, mas, em 1979, foi detonada a Revolução Islâmica, que devolveu às mãos dos iranianos a soberania total sobre o petróleo do país.

Antes da revolução, as relações entre Teerã e Washington foram estreitas. Três presidentes americanos visitaram o Irã nesse período, durante o governo do xá da Pérsia: Eisenhower, Nixon, e Carter.

Mohamed Reza Pahlevi com Richard Nixon.Direito de imagem GETTY IMAGES
O xá da pérsia Mohamed Reza Pahlevi visitou várias vezes os Estados Unidos durante o período em que esteve no poder. Na foto, ele cumprimenta o presidente Richard Nixon

Carter celebrou a chegada do ano de 1978 com um jantar de gala ao lado do xá. Tudo mudaria apenas um ano depois.

O monarca persa fugiu do Irã em 16 de janeiro de 1979, ao se ver incapaz de conter os protestos que tomaram as ruas do país durante meses.

Manifestantes enfrentavam o Exército, greves de trabalhadores ameaçavam a produção de petróleo (principal fonte de renda do governo) e opositores ao regime, tanto civis quanto religiosos, acusavam a monarquia de ser autoritária e corrupta.

A Revolução Islâmica de 1979

Apenas duas semanas depois da saída do xá do país, o líder islâmico religioso Ruhollah Musavi Khomeini, que havia sido forçado a deixar o Irã em 1964 por suas críticas ao governo, voltou do exílio.

Durante os 15 anos em que esteve fora do Irã, morando no Iraque e na França, o aiatolá e futuro líder supremo do país criticou fortemente o regime monárquico. Ele acusou o xá de se vender aos Estados Unidos, nação a que apelidou de “Grande Satã”.

Aiatolá Ali KhomeiniDireito de imagem GETTY IMAGES
O aiatolá Khomeini se tornou o mais duro crítico das interferências dos EUA nos assuntos internos do Irã

“Khomeini se converteu progressivamente num opositor de destaque ao regime monárquico. É possível ver o sentimento antiamericano nos discurso dele de 1964, mas isso ganhou ainda mais força entre lideranças iranianas nos anos 90, quando os EUA impuseram uma série de sanções ao Irã”, diz Siavush Randjbar-Daemi, da Universidade St. Andrews.

Para Adib-Moghaddam, professor da Universidade SOAS, em Londres, a desconfiança da população em relação aos EUA também ajudou o líder espiritual Khomeini a consolidar o sucesso da Revolução Islâmica.

“O aiatolá Khomeini canalizou esses sentimentos durante o processo revolucionário e tornou a independência do Irã em relação aos EUA uma das bases mais importantes para o êxito da República Islâmica”, diz o professor.

Após um referendo realizado em 1º de abril de 1979, foi declarada a República Islâmica do Irã. O declínio das relações com os Estados Unidos alcançou seu ápice com a tomada da embaixada americana em Teerã.

Seis americanos conseguiram fugir da embaixada se fazendo passar por uma equipe de cineastas, como retrata o filme americano Argo, estrelado e dirigido por Ben Affleck e ganhador do Oscar para melhor filme em 2013.

Os últimos 52 reféns foram liberados em janeiro de 1981, no mesmo dia em que Ronald Reagan tomou posse como presidente dos EUA.

Enquanto ainda durava o sequestro, em abril de 1980, os Estados Unidos romperam relações diplomáticas com o Irã. As relações permanecem congeladas até hoje.

Foi após esse grave incidente que se iniciou o longo histórico de sanções dos EUA contra o país do Oriente Médio.

Americanos reféns na embaixada dos EUA em Teerá, em 1979Direito de imagem GETTY IMAGES
Diplomatas americanos e cidadãos dos EUA que estavam na embaixada do país em Teerã foram mantidos reféns por mais de um ano, a partir de 4 de novembro de 1979, quando um grupo de estudantes iranianos invadiu o edificio

A estratégia do embargo

As sanções econômicas impostas pelos EUA ao Irã, e reforçadas recentemente por Trump, são um mecanismo de pressão usado desde os tempos do presidente Jimmy Carter.

Carter proibiu as importações de petróleo do Irã, congelou cerca de US$ 12 milhões em ativos iranianos no território americano e suspendeu todo o intercâmbio comercial com a República Islâmica, assim como as viagens de autoridades dos EUA ao território iraniano.

As sanções foram suspensas quando o Irã libertou os reféns americanos, mas nos anos subsequentes outras foram impostas pelos EUA.

Em 1984, no governo de Ronald Reagan, o Irã foi declarado país patrocinador do terrorismo e Washington voltou a lançar sanções. Os EUA se opuseram a que o Irã recebesse empréstimos internacionais e proibiu a importação de alguns produtos iranianos, entre eles os chamados de “uso duplo” — que podem ser destinados tanto ao uso civil quanto ao militar.

Durante o governo Ronald Reagan, os EUA também apoiaram Saddam Hussein na guerra entre Iraque e Irã, que durou de 1980 a 1988.

Saddam Hussein em 2002Direito de imagem GETTY IMAGES
Os Estados Unidos se aliaram a Saddam Hussein, na guerra entre Iraque e Irã entre 1980 e 1988, iniciada por uma disputa territorial na fronteira entre os dois países

Isso deteriorou ainda mais a imagem dos EUA junto à população iraniana, diz o professor Arshin Adib-Moghaddam.

“O apoio dos Estados Unidos a Saddam Hussein é, possivelmente, percebido como mais traiçoeiro que o golpe de Estado (que derrubou o primeiro-ministro e restaurou a monarquia). Esse apoio permitiu a Saddam Hussein usar armas químicas contra iranianos e contra a própria população iraquiana, o que levou à campanha genocida de Anfal, que matou milhares de curdos em minutos”, lembra.

As relações entre Irã e EUA não melhoraram na Presidência de George H. W. Bush, que também aprovou sanções contra o regime iraniano. Mas até as sanções impostas recentemente por Donald Trump, as que mais haviam causado danos ao Irã eram as de Bill Clinton, diz o professor Randjbar-Daemi, da Universidade St. Andrews.

“Até então os iranianos podiam comercializar parte de seu petróleo e seus ativos, mas a partir das sanções de Clinton, funcionários do governo iraniano passaram a dizer que a situação ficou insustentável”, lembra.

Bill ClintonDireito de imagem AFP
Segundo o professor de história de Oriente Médio Siavush Randjbar-Daemi, as sanções impostas por Clinton eram, até as aprovadas por Trump, as que mais haviam provocado danos à economia iraniana

Clinton proibiu qualquer participação de empresas americanas na indústria petroleira iraniana, vetou investimentos de capital no Irã e limitou ao mínimo o intercâmbio comercial entre os dois países, sob o pretexto de que Teerã estava fabricando armas de destruição em massa.

Mais sanções foram impostas nos governos de George W. Bush e Barack Obama.

Mas, em 2015, ainda durante a Presidência de Obama, foi firmado o acordo nuclear entre o Irã e potências mundiais, como Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha, após anos de difíceis negociações.

O Irã se comprometeu a parar o seu programa nuclear em troca da suspensão de sanções. O acordo perdurou por quase três anos até que, em maio de 2018, o presidente Donald Trump decidiu rompê-lo, apesar da oposição dos países europeus.

Donald Trump, presidente dos Estados UnidosDireito de imagem GETTY IMAGES
Em 2018, Donald Trump retirou os EUA do acordo nuclear iraniano e passou a impor uma série de sanções ao país do Oriente Médio

Com isso, sanções voltaram a entrar em vigor contra o Irã e os efeitos delas são visíveis na economia do país do Oriente Médio.

O Fundo Monetário Internacional calcula que a economia iraniana deve ter sofrido uma retração de 6% em 2019.

Esse histórico de sanções é, segundo Siavush Randjbar-Daemi, o verdadeiro motivo por trás das hostilidades recentes entre iranianos e americanos. Mas o professor rechaça usar o termo ódio entre populações e lembra que há milhões de iranianos exilados nos EUA.

“Muitas famílias no Irã têm algum parente vivendo nos Estados Unidos, portanto os ódios e os enfrentamentos são mais nas altas esferas de comando”, avalia.

O professor Arshin Adib-Moghaddam tem uma opinião similar.

“As principais razões (dos conflitos entre EUA e Irã) são geopolíticas, em parte majoradas por atores regionais como Israel e Arábia Saudita, que desconfiam do poder do Irã no Oriente Médio”, diz.

 se tornou o mais duro crítico das interferências dos EUA nos assuntos internos do Irã

“Khomeini se converteu progressivamente num opositor de destaque ao regime monárquico. É possível ver o sentimento antiamericano nos discurso dele de 1964, mas isso ganhou ainda mais força entre lideranças iranianas nos anos 90, quando os EUA impuseram uma série de sanções ao Irã”, diz Siavush Randjbar-Daemi, da Universidade St. Andrews.

Para Adib-Moghaddam, professor da Universidade SOAS, em Londres, a desconfiança da população em relação aos EUA também ajudou o líder espiritual Khomeini a consolidar o sucesso da Revolução Islâmica.

“O aiatolá Khomeini canalizou esses sentimentos durante o processo revolucionário e tornou a independência do Irã em relação aos EUA uma das bases mais importantes para o êxito da República Islâmica”, diz o professor.

Após um referendo realizado em 1º de abril de 1979, foi declarada a República Islâmica do Irã. O declínio das relações com os Estados Unidos alcançou seu ápice com a tomada da embaixada americana em Teerã.

Seis americanos conseguiram fugir da embaixada se fazendo passar por uma equipe de cineastas, como retrata o filme americano Argo, estrelado e dirigido por Ben Affleck e ganhador do Oscar para melhor filme em 2013.

Os últimos 52 reféns foram liberados em janeiro de 1981, no mesmo dia em que Ronald Reagan tomou posse como presidente dos EUA.

Enquanto ainda durava o sequestro, em abril de 1980, os Estados Unidos romperam relações diplomáticas com o Irã. As relações permanecem congeladas até hoje.

Foi após esse grave incidente que se iniciou o longo histórico de sanções dos EUA contra o país do Oriente Médio.

Americanos reféns na embaixada dos EUA em Teerá, em 1979Direito de imagem GETTY IMAGES
Diplomatas americanos e cidadãos dos EUA que estavam na embaixada do país em Teerã foram mantidos reféns por mais de um ano, a partir de 4 de novembro de 1979, quando um grupo de estudantes iranianos invadiu o edifício

A estratégia do embargo

As sanções econômicas impostas pelos EUA ao Irã, e reforçadas recentemente por Trump, são um mecanismo de pressão usado desde os tempos do presidente Jimmy Carter.

Carter proibiu as importações de petróleo do Irã, congelou cerca de US$ 12 milhões em ativos iranianos no território americano e suspendeu todo o intercâmbio comercial com a República Islâmica, assim como as viagens de autoridades dos EUA ao território iraniano.

As sanções foram suspensas quando o Irã libertou os reféns americanos, mas nos anos subsequentes outras foram impostas pelos EUA.

Em 1984, no governo de Ronald Reagan, o Irã foi declarado país patrocinador do terrorismo e Washington voltou a lançar sanções. Os EUA se opuseram a que o Irã recebesse empréstimos internacionais e proibiu a importação de alguns produtos iranianos, entre eles os chamados de “uso duplo” — que podem ser destinados tanto ao uso civil quanto ao militar.

Durante o governo Ronald Reagan, os EUA também apoiaram Saddam Hussein na guerra entre Iraque e Irã, que durou de 1980 a 1988.

Saddam Hussein em 2002Direito de imagem GETTY IMAGES
Os Estados Unidos se aliaram a Saddam Hussein, na guerra entre Iraque e Irã entre 1980 e 1988, iniciada por uma disputa territorial na fronteira entre os dois países

Isso deteriorou ainda mais a imagem dos EUA junto à população iraniana, diz o professor Arshin Adib-Moghaddam.

“O apoio dos Estados Unidos a Saddam Hussein é, possivelmente, percebido como mais traiçoeiro que o golpe de Estado (que derrubou o primeiro-ministro e restaurou a monarquia). Esse apoio permitiu a Saddam Hussein usar armas químicas contra iranianos e contra a própria população iraquiana, o que levou à campanha genocida de Anfal, que matou milhares de curdos em minutos”, lembra.

As relações entre Irã e EUA não melhoraram na Presidência de George H. W. Bush, que também aprovou sanções contra o regime iraniano. Mas até as sanções impostas recentemente por Donald Trump, as que mais haviam causado danos ao Irã eram as de Bill Clinton, diz o professor Randjbar-Daemi, da Universidade St. Andrews.

“Até então os iranianos podiam comercializar parte de seu petróleo e seus ativos, mas a partir das sanções de Clinton, funcionários do governo iraniano passaram a dizer que a situação ficou insustentável”, lembra.

Bill ClintonDireito de imagem AFP
Segundo o professor de história de Oriente Médio Siavush Randjbar-Daemi, as sanções impostas por Clinton eram, até as aprovadas por Trump, as que mais haviam provocado danos à economia iraniana

Clinton proibiu qualquer participação de empresas americanas na indústria petroleira iraniana, vetou investimentos de capital no Irã e limitou ao mínimo o intercâmbio comercial entre os dois países, sob o pretexto de que Teerã estava fabricando armas de destruição em massa.

Mais sanções foram impostas nos governos de George W. Bush e Barack Obama.

Mas, em 2015, ainda durante a Presidência de Obama, foi firmado o acordo nuclear entre o Irã e potências mundiais, como Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha, após anos de difíceis negociações.

O Irã se comprometeu a parar o seu programa nuclear em troca da suspensão de sanções. O acordo perdurou por quase três anos até que, em maio de 2018, o presidente Donald Trump decidiu rompê-lo, apesar da oposição dos países europeus.

Donald Trump, presidente dos Estados UnidosEm 2018, Donald Trump retirou os EUA do acordo nuclear iraniano e passou a impor uma série de sanções ao país do Oriente Médio

Com isso, sanções voltaram a entrar em vigor contra o Irã e os efeitos delas são visíveis na economia do país do Oriente Médio.

O Fundo Monetário Internacional calcula que a economia iraniana deve ter sofrido uma retração de 6% em 2019.

Esse histórico de sanções é, segundo Siavush Randjbar-Daemi, o verdadeiro motivo por trás das hostilidades recentes entre iranianos e americanos. Mas o professor rechaça usar o termo ódio entre populações e lembra que há milhões de iranianos exilados nos EUA.

“Muitas famílias no Irã têm algum parente vivendo nos Estados Unidos, portanto os ódios e os enfrentamentos são mais nas altas esferas de comando”, avalia.

O professor Arshin Adib-Moghaddam tem uma opinião similar.

“As principais razões (dos conflitos entre EUA e Irã) são geopolíticas, em parte majoradas por atores regionais como Israel e Arábia Saudita, que desconfiam do poder do Irã no Oriente Médio”, diz.
ViaBBC

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Tecnologia – As armas cibernéticas do século XXI

Quais são as sofisticadas armas cibernéticas da guerra do século 21?

Ataque cibernéticoSaber que a distância física não é obstáculo para um ataque faz com que as pessoas se sintam mais vulneráveis – Direito de imagem THINKSTOCK

Eles não sabiam o que estava acontecendo. O equipamento quebrava constantemente, mas a causa era um mistério. Peças eram substituídas, mas o problema ocorria novamente.

Passou-se um ano antes que descobrissem que o problema era um vírus chamado Stuxnet, que havia infectado os sistemas eletrônicos da planta de enriquecimento de urânio em Natanz, no Irã.

Esta era a razão por trás dos diversos erros que atrasaram e prejudicaram o programa nuclear do país.

O descobrimento do Stuxnet, em 2010, tornou claro que os crimes cibernéticos podiam ir além da espionagem e do roubo de dados pessoais com fins econômicos: confirmou que era possível causar prejuízos físicos com uma motivação política.

“Foi a exploração bem-sucedida do ciberespaço com o objetivo de controlar uma série de processos industriais para destrui-los remotamente, sem que ocorresse nenhum tipo de confronto militar”, diz Lior Tabansky, especialista em cibersegurança estratégica da Universidade Yuval Ne’eman, em Israel, na publicação Cyber Security Review.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“Isso demonstrou quão sofisticadas e precisas podem ser as armas cibernéticas.”

É difícil saber com certeza qual foi a origem desse ataque. Mas, segundo um artigo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, suspeita-se que uma equipe de especialistas israelenses e americanos esteja por trás do incidente.

Essa opinião é compartilhada por diversos especialistas em segurança cibernética.

LaptopArmas cibernéticas já provaram que têm o poder de causar sérios prejuízos físicos e psicológicos com motivação política – Direito de imagem THINKSTOCK

Ciberterrorismo

Esse tipo de incidente, que afeta o funcionamento de equipamentos e infraestruturas, é uma das modalidades de ciberataques mais perigosa. Nos últimos anos, foram registrados vários ataques.

Suas consequências vão além do plano físico.

“Além do prejuízo concreto, esse tipo de evento tem um efeito secundário muito importante: o psicológico. A isso se referem os termos ciberterrorismo e ciberguerra”, disse à BBC Graham Fairclough, especialista do Centro de Cibersegurança da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

“Eles geram medo e ansiedade. Tem-se a sensação de que alguém pode fazer algo com você e que você não tem a possibilidade de se proteger. O alcance também é importante, já que no ciberespaço a distância física não é relevante. Você pode ser uma vítima mesmo que esteja longe do ponto de origem do ataque.”

Neste contexto, o indivíduo perde confiança no sistema e em sua habilidade para protegê-lo.

“Tudo o que funcione com softwares pode ser utilizado para causar prejuízo, seja algo simples, como uma geladeira, ou muito mais complexo. A chave é o código, que pode ser desenvolvido ou comprado de criminosos na internet. E o equipamento físico, ou hardware, também pode ser comprado com facilidade na rede”, afirma Fairclough.

Planta nuclear
O ataque à instalação nuclear iraniana ocorreu sistematicamente durante um ano até ser descoberto – Direito de imagem THINKSTOCK

MÉTODOS MAIS COMUNS DE CIBERATAQUES

Botnets: Redes de sistemas que têm o objetivo de controlar remotamente os aparelhos e distribuir programas maliciosos.

Engenharia social: Técnica que tenta enganar as vítimas para que elas compartilhem informações confidenciais. O phishing – na qual a vítima é levada a entrar em sites que parecem autênticos, mas não o são – é um dos tipos mais usados.

Ataque de negação de serviço (DDoS, na sigla em inglês): Ocorre quando um site é “derrubado”, e os usuários não conseguem acessá-lo.

Ameaça persistente avançada (APT, na sigla em inglês): Ocorre quando o organizador do ataque entra no sistema operacional de uma empresa que tenha informações valiosas e permanece ali, sem ser detectado, por um longo tempo. O objetivo é roubar informação, e não danificar a rede da organização. Muitas vezes, a entrada ocorre através dos computadores de funcionários mais baixos da empresa, mas que estão conectados à rede.

Ataque man-in-the-middle (homem do meio, em tradução livre): Ocorre quando um hacker intercepta a comunicação entre duas partes, sem que elas percebam.

Fonte: Ministério do Interior da Alemanha e GlobalSign


Família em casa sem luz elétrica
O incidente em Ivano-Frankivsk, na Ucrânia, deixou 230 mil pessoas sem eletricidade – Direito de imagem GETTY IMAGES

Ataque impressionante

A sofisticada combinação de efeitos físicos e psicológicos das novas armas cibernéticas fica evidente no ataque que sofreu o sistema elétrico de Ivano-Frankivsk, uma cidade no oeste da Ucrânia, em dezembro de 2015.

Sem nenhum tipo de aviso, os técnicos da estação da região perderam o controle de seus computadores. Cursores moviam-se sozinho na tela e os terminais desativaram os interruptores que controlavam o fluxo de energia.

Os hackers por trás do ataque expulsaram os técnicos do sistema e mudaram suas senhas, impedindo que eles se conectassem novamente.

De acordo com a revista de tecnologia Wired, 230 mil moradores da cidade ficaram sem luz e sem calefação durante horas. Trinta subestações de energia e outros centros de distribuição foram desligados.

Uma ocorrência semelhante foi registrada em dezembro de 2016, desta vez no norte da capital ucraniana, Kiev.

Funcionários do governo ucraniano responsabilizaram a Rússia por ambos os ataques, em meio ao conflito entre os dois países – que ocorre há cerca de três anos, após a anexação russa da Crimeia, uma península ao sul da Ucrânia.

CódigoAs ameaças cibernéticas chegaram para ficar, segundo os especialistas em segurança – Direito de imagem THINKSTOCK

PASSO A PASSO DE UM CIBERATAQUE

1. Pesquisa – Compilar e analisar a informação que existe sobre o alvo, para identificar vulnerabilidades e decidir quem serão as vítimas.

2. Transporte – Chegar ao ponto fraco da rede informática que se quer penetrar. Pode-se usar métodos como:

  • Replicar um site que a vítima usa com frequência;
  • Entrar na rede da organização;
  • Enviar um e-mail com um link para um site malicioso ou com um arquivo anexo infectado com algum vírus;
  • Conectar em um computador da rede um pen drive com códigos maliciosos.

3. Entrada – Explotar essa vulnerabilidade para obter acesso não autorizado. Para conseguir isso, é preciso modificar o funcionamento do sistema, penetrar nas contas dentro da rede e conseguir o controle do computador, o celular ou o tablet do usuário.

4. Ataque – Realizar atividades dentro do sistema para conseguir o que o hacker quer.

Fonte: GCSQ


Cabos de eletricidadeRedes de eletricidade e de distribuição de água são vulneráveis a hackers habilidosos e com recursos – Direito de imagem GETTY IMAGES

Guerra de palavras

Recentemente, foram registradas uma série de denúncias e alertas sobre ciberataques centrados na manipulação de informações com objetivos políticos, incluindo com o propósito de intervir em processos eleitorais de outros países.

Nas últimas semanas, funcionários governamentais americanos, britânicos, alemães e tchecos também acusaram a Rússia de extrair informações de órgãos oficiais com este propósito.

A habilidade de obter informação privada, classificada e comprometedora de quase qualquer instituição governamental, privada, comercial ou de outro tipo, e usá-la com uma finalidade determinada é uma das armas mais poderosas da batalha cibernética no século 21.

Mas o que é possível conseguir, concretamente, com isso?

“Não é possível intervir nos sistemas eletrônicos de uma eleição para mudar seus resultados”, disse à BBC Brian Lord, ex-diretor encarregado de Inteligência e Ciberoperações do Centro de Comunicações do Governo (GCHQ, na sigla em inglês), o órgão de inteligência britânico.

“O que é possível fazer é acessar, filtrar e manipular informação para mudar a narrativa em torno de um processo eleitoral ou qualquer outro evento.”

É isso, justamente, o que se identificou como “notícias falsas”, que foram difundidas com grandes repercussões, principalmente nos Estados Unidos

Foi o caso do suposto apoio que o papa Francisco teria dado à candidatura de Donald Trump e de um suposto “romance” entre Yoko Ono e Hillary Clinton.

Vladimir Putin
Funcionários de diversos países responsabilizaram a Rússia por ciberataques que sofreram nos últimos meses – Direito de imagem GETTY IMAGES

‘Mais alcance’

Se as acusações à Rússia forem confirmadas, não será a primeira vez que um país tenta interferir às escondidas nos assuntos internos de outro, com objetivos específicos.

“Este tipo de ataques não são novidade, os russos estão há décadas tentando obter informações de outros governos. A diferença é que agora usam diferentes plataformas e têm um alcance maior”, disse à BBC Thomas Rid, professor do Departamento de Estudos Bélicos do King’s College em Londres.

Rid publicou um artigo sobre o vazamento de e-mails do Comitê Nacional do Partido Democrata americano (DNC, na sigla em inglês) nos Estados Unidos em julho de 2016. Novamente, a Rússia foi responsabilizada pelo ocorrido.

“Nunca tinhamos visto uma campanha tão direta. Além de vazar documentos e e-mails do DNC, disseminaram informação falsa e propaganda”, declarou, no final de 2016, James Clapper, ex-diretor da CIA, agência de inteligência americana.

Em seu artigo, Rid afirma que, neste caso, o aspecto “novo e assustador” é que a Rússia teria, pela primeira vez, combinado espionagem com a intenção de influenciar os resultados de uma votação.

Ele diz que, no final dos anos 1990, o Departamento de Defesa dos EUA começou a notar interferências em seus sistemas por parte de funcionários russos. Sempre que conseguiam, eles furtavam informações.

“Foi tanto, que a pilha de papeis com dados roubados que eles conseguiram era três vezes mais alta que o Monumento a Washington (o emblemático obelisco da capital americana).”

“Com o passar do tempo, a Rússia ficou mais sofisticada em suas táticas, e até chegou a modificar o funcionamento de satélites para apagar seus rastros. Desde então, os órgãos de inteligência russos se dedicaram a coletar informação política e militar. A NSA (agência de segurança nacional mericana) e a GCHQ (órgão da inteligência britânica) devolveram o favor.”

Homem fotografandoA espionagem feita por agências de inteligência nacionais se mantém, mas utilizando outros meios e com mais alcance – Direito de imagem THINKSTOCK

Como rastrear um ciberataque?

A variedade de recursos que existem para esconder a origem de um ataque ou para replicar os métodos utilizados por outros para realizá-lo pode dificultar a determinação de quem foi o responsável.

No entanto, mesmo sem os recursos técnicos e econômicos de órgãos como a NSA nos EUA, é possível utilizar ferramentas para desvendar quem está por trás do ciberataque.

“A primeira coisa seria saber se o vírus é amplamente utilizado ou costuma ser a opção de um grupo específico. Outra pista é o objetivo dos hackers. Mas não se consegue ter certeza absoluta (de quem são)”, disse à BBC Don Smith, diretor da Unidade Antiameaças da empresa internacional de cibersegurança SecureWorks.

Graham Fairclough, por sua vez, considera que a complexidade de descobrir qual é a fonte de um ataque está diminuindo à medida em que o tempo passa, porque se sabe melhor que tipo de informações é preciso ter para determiná-lo.

A análise do código utilizado, o idioma no qual se escreve e a forma que o ataque é conduzido guardam boas pistas.

“Quanto mais seguro é o sistema que se ataca, maiores são a capacidade e os recursos que os hackers necessitam. Se esse for o caso, indica que algum Estado – ou órgão do mesmo – esteve envolvido”, diz Fairclough.

“Atribuir o ataque a um governo específico é uma ferramenta política que costuma ser usada com um fim específico. O assunto é como responsabilizar um Estado sem revelar os mecanismos empregados para chegar a essa conclusão.”

Soldado com armaConflitos entre países já podem causar danos físicos sem confrontos no campo de batalha – Direito de imagem THINKSTOCK

Suspeitos de sempre

“Qualquer Estado que tenha órgãos de inteligência bem estabelecidos – com conhecimento e com uma missão – tem a possibilidade e a capacidade de realizar ciberataques”, afirma Don Smith.

“Os países que realizavam atividades de inteligência e espionagem nas décadas passadas continuam fazendo-o, mas agora através da internet. É até mais fácil e mais barato.”

No caso da Rússia, é fundamental também considerar a percepção que o resto do mundo tem de suas habilidades cibernéticas é fundamental.

“Um dos objetivos da Rússia é fortalecer a ideia de que o país é importante na geopolítica internacional”, disse à BBC Jenny Mathers, especialista em política e segurança na Rússia e professora da Universidade de Aberystwyth, no Reino Unido

“(A Rússia) Quer passar a mensagem de que é um país poderoso, que está no controle e que o mundo precisa prestar atenção.”

Os especialistas concordam que, seja qual for seu objetivo, estas atividades chegaram para ficar e são uma consequência do mundo digital em que vivemos.

“É preciso assumir que os ciberataques serão a ameaça ‘normal’ do século 21”, diz Brian Lord.

Armas,Brasil,Violência,Bolsonaro,Taurus,Presidente da República

Pobre trabalhador iludido, você não é o privilegiado, você é o alvo!

Pobre trabalhador iludido, você não é o privilegiado, você é o alvo!
Salário do cidadão comum – R$ 998,00
Valor do fuzil – R$ 30.000
Decreto de armas de Bolsonaro libera cidadão comum para comprar fuzil. Modelo T4, produzido pela Taurus, está liberado para compra de qualquer cidadão

Corvos,Blog do Mesquita

Forjas Taurus em festa: Bolsonaro realizou o maior desmonte já feito no Estatuto do Desarmamento

Com uma canetada o presidente Jair Bolsonaro realizou o maior desmonte já feito no Estatuto do Desarmamento desde sua sanção, em 2003, pelo então presidente  Luiz Inácio Lula da Silva. Com um decreto assinado na tarde de terça-feira e publicado no Diário Oficial nesta quarta, o capitão reformado do Exército ampliou de forma sem precedentes as categorias que têm direito ao porte de armas (direito de andar armado) no país.

Antes restrito a policiais, agentes de segurança e promotores, agora políticos de todas as esferas de poder que tenham mandato eletivo, jornalistas, agentes de trânsito, motoristas de veículos de carga, proprietários rurais e até conselheiros tutelares terão o direito de andar armados. No total, as alterações feitas por Bolsonaro permitem que 19 milhões de brasileiros possam ter porte ou posse de arma em função da categoria profissional, segundo dados do Instituto Sou da Paz.

Em 2014, o então deputado federal Bolsonaro apresentou um projeto de lei com teor semelhante ao do decreto, mas que não prosperou na Câmara. Agora, no Executivo, fez valer sua vontade e dá uma resposta aos seus eleitores mais radicais sem abrir para debate nem fazer tramitar uma proposta no Legislativo.

Especialistas e partidos de oposição afirmaram que a medida é inconstitucional, e que irão ao Supremo Tribunal Federal para revogar o decreto. O PSOL afirmou que o decreto “usurpou as competências do Congresso Nacional, que é o único que pode ampliar as pessoas que podem portar e possuir armas”, e que o texto “vem na contramão do combate à violência e segurança pública”. Parlamentares petistas e da Rede também protocolaram projetos de decreto legislativo para anular o de Bolsonaro. No início do ano o presidente já havia facilitado o acesso à posse de arma em casa para qualquer um que cumpra requisitos mínimos de idade, sem antecedentes criminais e que realize curso de manejo e avaliação psicológica, o que foi considerado temerário por especialistas. À época, grupos pró armas consideraram a medida “tímida”.

O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, fez coro ao que Bolsonaro havia dito ao assinar a flexibilização, e afirmou que o decreto “não tem a ver com segurança pública (…) mas foi uma decisão tomada pelo presidente em atendimento ao resultado da eleição”. As últimas pesquisas de opinião do Ibope e Datafolha apontam que a maioria da população é contra a flexibilização do acesso às armas (64%, segundo levantamento feito em abril). Moro não quis se pronunciar quando indagado se concordava ou não com a medida.

Mas os especialistas foram rápidos em condenar o decreto. “É um absoluto desastre. Bolsonaro resumiu bem quando falou que o decreto ‘não é da Segurança Pública’, pelo contrário, é do derramamento de sangue. Todas as evidências científicas de qualidade mostram que menos armas e menos morte”, afirma Melina Risso, diretora de programas do Instituto Igarapé. Ela destaca ainda que o presidente ampliou também a definição de calibres permitidos para englobar armamento de munição 9mm, .40 e .45, até então de uso restrito das polícias. “São calibres extremamente letais. Essas armas e munições potencialmente podem ser desviadas ou roubadas e irem parar nas mãos do crime organizado”, diz. O Instituto Sou da Paz divulgou nota na qual afirma ser inaceitável que “um governo democraticamente eleito viole a separação de poderes, ignore evidências científicas e governe apenas em prol dos desejos individuais de uma pequena minoria da população de mais alto poder aquisitivo”.

Caça e prática de tiro para menores

Com o decreto desta quarta-feira Bolsonaro pode ter ferido de morte o Estatuto do Desarmamento, cujo maior mérito havia sido justamente o de limitar o número de armas em circulação – o que se traduziu em milhares de vidas salvas de acordo com estudos. Além de ampliar o porte para diversas categorias, o presidente flexibilizou as regras de posse, porte e venda de armas e munições para atiradores esportivos, caçadores esportivos e colecionadores (conhecidos como CACs). Na prática estas categorias também ganharam o porte, uma vez que poderão se locomover até seus locais de treino com as armas carregadas (antes era preciso guardar a munição separada da arma). Os CACs poderão adquirir até 5.000 munições para cada arma por ano. Os proprietários rurais, que após o decreto de Bolsonaro do início do ano tinham conseguido o direito à posse (possibilidade de ter arma em casa), poderão andar armados por toda a extensão da propriedade. Especialistas afirmam que essa medida pode acirrar ainda mais os conflitos no campo.

Além disso, o capitão sacramentou o fim do enfraquecido monopólio das Forjas Taurus ao liberar importações de armamentos, algo até então vedado. Apesar do revés potencial a longo prazo, a medida rendeu lucro imediato para a empresa, com alta de mais de 20% nas ações da companhia na Bolsa. Os produtos da empresa já vinham sendo alvo de críticas por parte de policiais de todo o país por apresentarem defeitos que colocam em risco a tropa e a população – algumas, por exemplo, disparam sozinhas, sem acionamento do gatilho. Ao menos três policiais e um número desconhecido de civis morreram nestes acidentes.

Por fim, o decreto faz um aceno aos jovens entusiastas de armas: menores de 18 anos poderão praticar tiro esportivo, desde que com a autorização dos pais.

Faroeste Caboclo, Bolsossauro e o Cavaleiro Negro.

No decreto genocida do Bolsossauro, entre as categorias definidas para ter o direito de portar – atenção!; é porte e não somente posse, certo? – armas de fogo, figura o “Residente em Área Rural”.

Pei! Bufo! Minha nossa! Aqui começa o “enrosco”!

O disposto no Art.20 §3º g) V – recria o Velho Oeste do Dr. Robledo – O Cavaleiro Negro dos quadrinhos. Lembram?

Noves fora à parte, a norma referida não define o que seja “Residente Rural”. Por indefinição, essa interpretação da norma passará a ser subjetiva do “APLICADOR DA NORMA”.

À leitura atenta do artigo acima exposto, não cabe outra interpretação que não seja a “Literal”. Leiam sobre Ontologia.

Sentiram o tamanho do absurdo? Não somente um grande agropecuarista é um Residente em Área Rural Rural, mas qualquer Mané que more em local situado em área rural, terá direito à posse e à portar uma arma de fogo.

O Decreto Presidencial citado é Inconstitucional, e fuzila a hierarquia das Leis.¹

Quando li, “en passant”, o decreto genocida, calculei que seriam “despejadas” no mercado – para gáudio da “Forja Taurus” – mais ou menos umas 250 Mil armas, batendo perna Brasil a fora. Depois, lendo outras opiniões, já imaginei que seria algo em torno de 28 Milhões de Armas! Agora, nem ouso mais calcular o volume estratosférico do número de armas circulando na filial dessa filial da ” ‘Columbine’ Tropical”.

Ps. Outra coisa; como proprietário rural pode “passar fogo”, impunemente, em invasores de suas terras, pergunto aos Rambos; o índios, são proprietários de terras também né?, poderão “passar fogo” nos grileiros que invadam suas (deles) terras? Índio ao invés de apito ira querer um AK-47.

¹ Hierárquica das Leis no Brasil, por ordem de prevalência;

Constituição Federal, Lei complementar, Lei ordinária, Decreto, Portaria, Resolução, Instrução.