Em 2019, cerca de 170 mil brasileiros entraram para a linha da pobreza extrema.

O fenômeno já havia se iniciado antes, em 2015, mas tem se acelerado nos últimos anos.

O grupo que vive em pobreza extrema no Brasil é constituído de pessoas que ganham menos de 1,9 dólar por dia.

Mais de 170 mil novos integrantes entraram no grupo, em 2019, totalizando 13,8 milhões de pessoas, o equivalente a 6,7% da população do país, informa o DW.

O primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro foi pior para quem mais precisa de assistência: as pessoas em situação de vulnerabilidade social. Com a chegada da pandemia da Covid-19 no Brasil, as condições de vida desse grupo foram drasticamente afetadas, ainda que muitos estejam recebendo o auxílio emergencial do governo federal no valor de R$ 600.

Desde a chamada crise de 2015, o Brasil veio se recuperando de cima para baixo: os ricos ampliaram a sua renda e diminuíram as suas “perdas”, enquanto os mais pobres se viram mais empobrecidos.

Já a classe média teve, em 2019, uma avanço médio de renda, de acordo com o PNAD, que não avalia os ganhos financeiros e não capta a evolução da renda do 1% mais rico da população – o que, provavelmente, revelaria uma desigualdade ainda mais brutal na sociedade brasileira.

O sociólogo Rogério Barbosa, pesquisador do Centro de Estudos da Metrópole da Universidade de São Paulo (USP), analisa que estamos passando por um período de “recessão duradoura”: dúvida, entra para a conta do avanço da desigualdade social no Brasil a paralisia no programa Bolsa Família, que retraiu desde o início da gestão Bolsonaro.

O Bolsa Família, no ano passado, chegou a ter uma fila de mais de 1 milhão de famílias aptas a receber o benefício que não foram incluídas como beneficiárias pelo governo. No nordeste, a situação é ainda mais agravante, por concentrar 36,8% das famílias em pobreza ou pobreza extrema na fila de espera, informa o UOL. Para 2020, o quadro tampouco é animador, visto que o novo coronavírus está provocando uma desaceleração econômica no mundo todo.

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Fome, saúde e energia: a tecnologia disruptiva pode ajudar a resolver desafios globais?

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Cecilia Kangami cozinha com a Envirofit Gas, uma fornecedora de pagamento conforme o uso no Quênia. Foto: Natalia Jidovanu

Cumprir as metas de desenvolvimento sustentável (ODSs) – uma chamada global à ação para erradicar a pobreza, proteger a Terra e promover a paz e a prosperidade – não exigirá apenas todas as mãos no convés, mas também toda tecnologia no convés.

A internet das coisas (IoT) e a inteligência artificial (IA) já estão desempenhando um papel fundamental na abordagem dos imensos desafios ambientais e sociais da atualidade, e a adoção dessas tecnologias de forma mais ampla poderia ajudar a escalonar soluções de uma maneira que antes parecia impossível. Entre os potenciais atores-chave estão três empresas sociais disruptivas, que falaram no recente fórum anual do Business Call to Action em Nova York.

Sevamob  

Sevamob é uma empresa social indiana que fornece serviços de cuidados de saúde primários em mais de 100 localizações na Índia, África do Sul e Geórgia, EUA. Com suas clínicas “pop-up”, o Sevamob poderia potencialmente atingir milhões de pessoas pobres em comunidades rurais e outras carentes. Mas o que realmente o diferencia é o uso da IA ​​para detectar várias condições médicas – desde deficiências de vitaminas e pequenas infecções de pele, como aftas, até doenças graves, como glaucoma e malária – no local.

Este é um grande negócio em áreas mal servidas, onde as pessoas muitas vezes não conseguem encontrar, muito menos pagar, médicos especialistas, como oftalmologistas e dermatologistas, e onde o envio de amostras para laboratórios distantes pode aumentar os custos e atrasar o tratamento.

O que o técnico da Sevamob faz é usar aprendizado de máquina – um ramo da inteligência artificial que melhora e “aprende” à medida que os dados são introduzidos – para avaliar a urgência dos sintomas, detectar padrões e contar objetos, desde exames de visão, pele e sangue (e logo urina). Por exemplo, com uma amostra de sangue, uma enfermeira usando um microscópio e um aplicativo de smartphone pode diagnosticar imediatamente anemia e malária. O modelo da empresa tem o potencial de detectar mais de 50 condições médicas diferentes apenas do sangue, diz Shelley Saxena, fundadora e CEO.

“O que desenvolvemos é uma plataforma subjacente, à qual qualquer número de condições médicas pode ser adicionado no futuro”, disse Saxena. “Tudo o que precisamos para expandir a plataforma é obter mais dados do paciente e construir o modelo para esses dados”.

À medida que o clima muda, os padrões climáticos estão se tornando mais difíceis de prever e as temperaturas são cada vez mais variáveis. Aqueles de nós que não dependem da agricultura para a nossa subsistência vêem essas mudanças mais claramente no número crescente de eventos climáticos extremos . Mas um evento extremo para um pequeno produtor pode ser algo pouco perceptível fora da agricultura, como temperaturas noturnas que aumentam o suficiente para permitir que insetos ou doenças prosperem, diz John Corbett, CEO e co-fundador de um lugar. Estas pequenas mudanças atmosféricas podem ser tudo o que é necessário para destruir uma colheita.

Por isso, fornece aos agricultores informações, como previsões meteorológicas ultra precisas, que os ajudam a navegar em um clima imprevisível.

No entanto, ao contrário do Sevamob, o modelo de negócios do TheWhere não se limita a servir aos agricultores na base da pirâmide econômica. Esta empresa global não é uma pequena startup – seus clientes incluem produtores comerciais, traders de commodities e formuladores de políticas. Essa ampla gama de clientes permitiu que a empresa continuasse nos negócios e crescesse, mantendo sua missão.

Envirofit International
Para alcançar os clientes na base da pirâmide, a empresa de energia Envirofit usa a tecnologia IoT, que permite que seus clientes comprem gás de cozinha da maneira como fazem todas as suas compras: em pequenas quantidades.

A Envirofit projeta e desenvolve soluções de energia limpa para as famílias que ainda dependem da queima de madeira ou carvão. A sua mais recente inovação é a SmartGas, uma cozinha pré-paga que permite aos clientes pagar apenas 50 cêntimos de cada vez.

“Se você olhar para a forma como os consumidores nos mercados emergentes compram coisas, é em pequenas quantidades diárias”, diz Jessica Alderman, diretor de comunicações da empresa.

“Ninguém compra a grande banheira de xampu; eles compram os pacotes de serviço único”.

E não é apenas a tecnologia, é o modelo de serviço que vem com ela, diz Alderman. A Envirofit instala um medidor inteligente na casa do cliente e entrega o primeiro cilindro de gás. Durante esse processo, os representantes da empresa ensinam aos clientes como usar o sistema com segurança. O cliente usa um aplicativo em seu telefone para adicionar crédito quando precisar, e o medidor dispensa o gás até que o crédito acabe. O medidor então desliga o sistema até que o pagamento seja feito novamente – mas antes que o tanque acabe, o cliente recebe um aviso, para que possa pedir um novo tanque.

“Para o cliente, [nossa tecnologia inteligente] tem um impacto enorme, porque melhora a segurança, o acesso e a acessibilidade”, disse Alderman. “Mas não é apenas o cliente, é uma tecnologia revolucionária para investidores que querem saber para onde também vão os dólares.”

Como o medidor inteligente e o aplicativo de telefone rastreiam o uso de gás, essa tecnologia torna possível medir facilmente – sem a consulta pró-ativa de casa em casa – a adoção do cozimento a gás, pela primeira vez na indústria, diz Alderman.

A medição do impacto tornou-se cada vez mais importante entre os investidores de impacto – aqueles interessados ​​em benefícios sociais e ambientais, assim como retornos financeiros. Assim, fornecer uma ferramenta para medição e, portanto, incentivar o investimento, é apenas mais uma maneira pela qual as tecnologias avançadas podem acelerar a corrida para atender aos ODS.

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Moçambique; Situação ainda é dramática

Moçambique,Catástrofes,Fome,Blog do MesquitaNo mês passado, o ciclone Idai devastou o sudeste da África, causando mais de mil mortes. Milhões de pessoas ainda lutam para sobreviver, relata a ativista humanitária Ninja Taprogge, em entrevista à DW.

Ninja Taprogge trabalha na seção alemã da organização de ajuda humanitária CARE. Atualmente, ela se encontra em Moçambique, em regiões que até agora não haviam recebido apoio.

Em entrevista à DW, ela relatou que apenas 23% dos 250 milhões de euros reivindicados foram garantidos pelas Nações Unidas. “Isso é muito pouco e realmente nos preocupa como organizações de ajuda.”

“É importante fornecer ajuda imediata porque algumas pessoas não comem nada há quatro semanas. Temos que distribuir comida agora mesmo”, apontou a ativista.

Deutsche Welle: Você está atualmente em Moçambique, o país mais afetado pelo furacão Idai. Qual a sua impressão da situação?

Ninja Taprogge: A situação em Moçambique ainda é dramática. Acabei de chegar da região da Beira. Muitos lugares ainda estão afetados por enchentes. Estivemos há poucos dias num pequeno vilarejo chamado Guarda Guarda.

Lá, as pessoas não receberam nenhuma ajuda. Distribuímos comida para 2 mil famílias. Cada uma delas recebeu 30 quilos de arroz, cinco quilos de feijão e dois litros de óleo.

O que as pessoas lhe dizem no local?

Falei com uma mulher que há semanas come apenas o milho que encontrou em seu cultivo. A região ao redor do vilarejo estava completamente inundada. Ela também me mostrou o milho. Ele cheirava mal e estava totalmente sujo.

Ela me disse que um de seus filhos agora está com dor de estômago e sofrendo de diarreia. Nós também visitamos as plantações – elas foram completamente destruídas.

Com são as condições de vida das pessoas?

Muitos moram em abrigos. O governo acabou de divulgar novos números hoje. As pessoas vivem juntas num espaço confinado. Mais de 240 mil casas foram gravemente danificadas ou destruídas.

Levará muito tempo até que possam ser reconstruídas. Nós ajudamos distribuindo lonas e cordas para as famílias, para que elas possam ao menos montar acomodações temporárias.

Toda a infraestrutura também foi severamente afetada pelo ciclone Idai. Muitas escolas foram destruídas. Ajudamos a montar barracas para que aulas possam ser dadas novamente às crianças.

Que outras doenças são também problemáticas?

Especialmente malária. Abrigos temporários ou mesmo famílias que dormem ao ar livre contam com mosquiteiros para se proteger da doença. A propagação da enfermidade é uma grande preocupação para nós e outras organizações de ajuda no momento.

Quanto tempo a CARE pretende atuar no local? A ajuda é suficiente?

O maior problema continua sendo o fato de as plantações estarem completamente destruídas. Segundo estimativas de especialistas, mais de 700 mil hectares de terras agrícolas foram danificadas pelas inundações. É importante fornecer ajuda imediata porque algumas pessoas não comem nada há quatro semanas. Temos que distribuir comida agora mesmo.

Mas também temos que ficar lá por mais tempo. As pessoas precisam de sementes suficientes para trabalhar em seus campos novamente. No momento, esta crise está completamente subfinanciada. Apenas 23% dos 250 milhões de euros reivindicados foram garantidos pelas Nações Unidas. Isso é muito pouco e realmente nos preocupa como organizações de ajuda.

O que precisa acontecer em termos concretos nos próximos meses?

Precisamos de dinheiro para continuar a fornecer apoio imediato, mas também para construir e ajudar as pessoas a reconstruir suas casas. Precisamos dar às pessoas algo para ajudá-las a refazer suas plantações e garantir renda para suas famílias.

Turquia,Comunismo.Pobreza,Desigualdade,Fome,Blog do Mesquita

Redução da desigualdade não conduz ao comunismo

Turquia,Comunismo.Pobreza,Desigualdade,Fome,Blog do MesquitaPessoas fazem fila para comprar legumes e verduras baratos em Istambul, na Turquia

Economista Branko Milanovic diz que desigualdade social se tornou um dos principais fenômenos do mundo ocidental e que ela está na origem da ascensão dos partidos populistas de direita.

A ascensão de partidos e candidatos populistas de direita em vários países ocidentais não se deve à migração ou a um nacionalismo latente, mas à perda de poder econômico pela classe média, afirmou o economista sérvio-americano Branko Milanovic em entrevista à DW.

“A classe média perdeu poder econômico em comparação com o 1% mais rico ou os 5% mais ricos. Isso causou a busca por um bode expiatório. O que se vê no cenário político tem raízes econômicas”, disse Milanovic, um dos mais renomados pesquisadores mundiais da desigualdade social.

Para ele, a luta contra a desigualdade se tornou mais difícil. “A globalização torna quase impossível limitar o fluxo de capital – os ricos simplesmente colocam o dinheiro no exterior. Altas taxas de impostos perderam a popularidade, e o ceticismo em relação ao Estado e à redistribuição está crescendo. A classe média não está mais disposta a pagar mais impostos e tributos.”

Milanovic também criticou a chamada Terceira Via, adotada pela esquerda europeia nos anos 1990, e que muitos analistas políticos consideram o início da atual crise da social-democracia europeia.

Ele foi economista-chefe do Departamento de Pesquisa do Banco Mundial e atualmente leciona na Universidade da Cidade de Nova York, além de ter publicado inúmeros livros e mais de 40 estudos sobre desigualdade e pobreza.

DW: O senhor tem sido muito requisitado ultimamente. O que a elevada procura por um pesquisador da desigualdade social diz sobre o mundo?

Branko Milanović: É uma boa pergunta. Isso mostra que a desigualdade social se tornou um dos principais fenômenos do mundo ocidental, sobretudo por causa das consequências políticas dela: o declínio da classe média, a ascensão da extrema direita e do assim chamado populismo e a perda de importância do Ocidente em relação à China.

O senhor acredita que os partidos de extrema direita estão ganhando espaço em razão da desigualdade social?

Sim. Se observarmos as mudanças no cenário político ocidental, incluindo os Estados Unidos e os antigos países do bloco oriental, como Polônia e Hungria, vemos que o chamado populismo – eu não gosto desse termo – resulta das mudanças econômicas. Pode-se dizer que as pessoas pensam e votam de maneira diferente por causa da migração, ou que o nacionalismo latente sempre esteve presente. Mas essa explicação é insuficiente.

Uma explicação melhor é que a classe média perdeu poder econômico em comparação com o 1% mais rico ou os 5% mais ricos. Isso causou a busca por um bode expiatório. O que se vê no cenário político tem raízes econômicas.

Mas muitos dos “abandonados pelo sistema” repetem os piores elementos do discurso nacionalista dos partidos populistas de direita. O que a esquerda fez de errado para não alcançar essas pessoas?

A esquerda acabou numa situação em que não tem políticas reconhecíveis. Foi um erro acatar a política neoliberal com disposição superior até mesmo à dos conservadores.

O senhor se refere a Tony Blair e Gerhard Schröder?

Exato, e também Bill Clinton. Claro que hoje é fácil perceber que a esquerda cometeu um erro, mas, na época, não era fácil formular uma política contra os princípios já dominantes da globalização. Hoje a social-democracia paga o preço, mas, na época, não havia muitas alternativas.

A igualdade social e os princípios liberais do capitalismo são contraditórios? Pois, quando se fala de igualdade, muitas pessoas temem o que os comunistas soviéticos chamavam de nivelamento [no sentido de tornar todos iguais].

Essa crítica é absolutamente errada. Nem todos que falam em igualdade defendem o nivelamento e o comunismo. Igualdade e desigualdade não são categorias binárias. É como a temperatura: se 40 graus é quente para mim, isso não significa que eu queira morar na Sibéria. Ou seja: eu não estou dizendo que não deveria haver desigualdade, até porque isso seria impossível.

A redução da desigualdade não conduz ao comunismo. Entre 1945 e 1980 nós tivemos no Ocidente períodos com partidos trabalhistas, social-democratas e até conservadores, que diminuíram a desigualdade em seus países sem abandonar o capitalismo. O capitalismo e um nível relativamente aceitável de desigualdade não são contraditórios. A pergunta é se o capitalismo liberal no mundo globalizado é compatível com menos desigualdade.

E é?

É muito mais difícil hoje. Entre 1945 e 1980, um crescimento da desigualdade foi impedido por meio de contrapesos poderosos: sindicatos fortes, mais educação, emergência da classe média. Até mesmo o centro político e a direita aceitaram impostos mais altos e um estado de bem-estar social naquela época. Hoje em dia, a globalização torna quase impossível limitar o fluxo de capital – os ricos simplesmente colocam o dinheiro no exterior. Altas taxas de impostos perderam a popularidade, e o ceticismo em relação ao Estado e à redistribuição está crescendo.

Nos seus livros e textos há algumas receitas contra a desigualdade. O senhor defende a igualdade de oportunidades, especialmente quando se trata de educação, bem como o imposto sobre herança. Por quê?

A classe média não está mais disposta a pagar mais impostos e tributos, que geralmente já representam cerca da metade da renda bruta, e a redistribuição se tornou suspeita. Por isso é necessária uma nova política para equilibrar as oportunidades. Isso inclui uma política fiscal mais favorável à classe média e menos benefícios fiscais para os ricos. Imposto sobre herança reduz a desigualdade de oportunidades para as gerações futuras.

Já a educação deve ser pública, de alta qualidade e disponível para todos. Isso pode não ser um grande problema na Alemanha, mas nos Estados Unidos as escolas particulares são dominantes, melhores e muito caras. A classe média não consegue mais encontrar escolas boas e ao mesmo tempo acessíveis para seus filhos.

Na Alemanha, a educação é financiada com dinheiro público, mas ainda assim é três vezes mais comum as crianças de famílias acadêmicas estudarem do que as outras.

A igualdade completa é impossível, a menos que se faça uma seleção inversa, como a China na Revolução Cultural, quando somente as crianças da classe trabalhadora podiam estudar. Isso é discriminatório. Os filhos de pais com alto nível de educação terão cada vez mais oportunidades de se interessar pela educação. Mas a questão é: a sociedade é capaz de reduzir essas diferenças a ponto de elas não serem mais enormes e decisivas?

O senhor falou em discriminação. Mas, numa entrevista, o senhor sugeriu um tipo diferente de discriminação como um contrapeso à globalização: os migrantes deveriam desfrutar de direitos civis limitados. Essa tese é defensável?

Num mundo ideal seria bom ter mais migração com regras mais simples. Mas nós não vivemos num mundo ideal. Hoje, a chegada de imigrantes na Europa é muito impopular. Pode-se até afirmar que o Brexit é o resultado da imigração da Europa Oriental para o Reino Unido. Com base nessa situação, devemos chegar a um acordo entre a necessidade de migração, que reduz a desigualdade global e permite que as pessoas dos países subdesenvolvidos ganhem mais, e a disposição da população local em receber os imigrantes.

Daí a ideia da chamada migração circular. Na Alemanha, por exemplo, os recém-chegados só poderiam viver por alguns anos e somente se tivessem encontrado um emprego. Depois, eles teriam que ir para casa. Isso não é o ideal, mas meu receio é que, se descartarmos opções como essa, possamos acabar na migração zero.
DW

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As catástrofes humanitárias esquecidas do planeta

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Etiópia, Madagascar, Haiti, Congo e Filipinas: estudo de ONG americana mostra as crises que acontecem longe dos olhos do grande público, praticamente ignoradas pela imprensa.

A Etiópia sofre com uma constante seca: mais de 80% da população etíope vive da agricultura

Inundações, secas, fome, violência, deslocamento: também em 2018, inúmeros países voltaram a ser palco de catástrofes naturais ou crises criadas pelo ser humano. Enquanto, por exemplo, as guerras na Síria e no Iêmen, a crise de abastecimento na Venezuela e os incêndios florestais na Califórnia dominaram as manchetes internacionais reiteradamente, outras catástrofes de dimensão parecida ou maior aconteciam longe dos olhos do grande público.

Entre outros, os motivos foram um acesso mais difícil dos meios de comunicação a certas áreas de crise que representavam um verdadeiro desafio para a cobertura internacional, além de orçamentos definhando nas redações, diz o estudo Sofrendo em Silêncio, em tradução livre, da ONG americana Care International. A análise apresenta as crises humanitárias que “obtiveram a menor cobertura midiática” em 2018.

Para realizar o estudo, a organização trabalhou em conjunto com o serviço de observação de mídias Meltwater, avaliando mais de um milhão de artigos online em inglês, alemão e francês, publicados do início de janeiro ao fim de novembro do ano passado. Concretamente, observou-se com que frequência crises que afetaram pelo menos um milhão de pessoas foram mencionadas na imprensa online.

Não foram consideradas matérias produzidas para a TV ou o rádio, nem para plataformas de redes sociais. Apesar da restrição às línguas mencionadas e aos veículos, os resultados “mostram uma tendência clara”, afirma o texto. O estudo elaborou uma lista com as dez crises sobre as quais menos se escreveu em 2018. Essas são as cinco menos noticiadas.

Haiti

Carros incendiados, ruas interditadas por barricadas, mortes: recentemente, os violentos protestos contra o governo voltaram a trazer o Haiti para os holofotes da opinião pública internacional. Mas, em 2018, uma crise alimentar causada, entre outros, por atrasos na colheita devido a uma seca no início do ano obteve muito menos atenção.

No Índice Global da Fome de 2018, o país caribenho, alvo constante de catástrofes naturais e que depende maciçamente de ajuda financeira internacional, ficou em 113º lugar entre 119 países. O país, politicamente instável, registrou “o maior nível de fome no Hemisfério Ocidental”, diz o relatório publicado pela ONG alemã Welthungerhilfe e pela ONG Concern Worldwide. A situação da segurança alimentar no país é “muito séria”, diz o índice.

Foto aérea mostra pessoas andando em caminho de terra em meio a campos agrícolas na comunidade de Kenscoff, na capital haitiana de Porto PríncipeCampos agrícolas no Haiti: crise alimentar foi ignorada, diz Care International

Segundo a lista IPC da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), entre outubro de 2018 e fevereiro de 2019, mais de 386 mil haitianos se encaixavam na categoria alimentar “emergência”. Segundo dados da FAO, atualmente, metade da população haitiana é subnutrida.

A Care denuncia que a dramática evolução praticamente não teve espaço na mídia. “Enquanto o grave terremoto no Haiti dominou as manchetes do mundo inteiro em 2010, a crise alimentar de 2018 no país caribenho quase não aconteceu nas notícias internacionais”, diz o estudo. Apenas 503 textos online teriam abordado o assunto.

Etiópia

Também o país no Chifre da África foi afetado por uma crise alimentar em 2018. Apesar do crescimento econômico acelerado, mais de 80% da população etíope vive de trabalhos relacionados à agricultura – uma fonte de renda constantemente ameaçada por secas. No ano passado, após dois consecutivos de estiagem, voltou a chover, mas em muitas regiões não foi suficiente.

Em outras áreas do país, por outro lado, colheitas foram destruídas por enchentes. Segundo dados do governo, como consequência, oito milhões de pessoas passaram a depender urgentemente de auxílio alimentar. Segundo as Nações Unidas, 3,5 milhões de pessoas estavam em situação aguda de “subnutrição moderada”, 350 mil sofriam de subnutrição “grave”.

Na lista das crises mais negligenciadas em 2018, a Etiópia figura duas vezes. Segundo o estudo da Care, apenas 986 textos na internet relatam sobre a fome no país. O deslocamento de centenas de milhares de pessoas também quase não foi tematizado. Segundo dados da ONU, entre abril e julho do ano passado, um milhão de pessoas tiveram que deixar suas casas por causa de violência étnica nas regiões de Gedeo e de Guji Ocidental. Assim, em 2018, mais pessoas se deslocaram internamente por conflitos do que em qualquer outro país do mundo.

Madagascar

No ano passado, vários incidentes meteorológicos destruidores levaram caos ao país insular no sudeste da África. Madagascar é um dos países do mundo mais afetados pelas mudanças climáticas. Em 2018, o fenômeno climático El Niño fez com que as plantações de arroz, de milho e de mandioca do país secassem.

As tempestades tropicais Ava e Eliakim obrigaram mais de 70 mil pessoas a fugirem. Pelo fato de as más condições de tempo terem impedido a produção de muitos grãos, o número de pessoas ameaçadas de fome no sul do país aumentou para 1,3 milhão, segundo a ONU.

Devido à peste pulmonar, funcionários equipados com mochilas de desinfetante percorrem as ruas de Antananarivo em 2017Peste pulmonar em Madagascar: funcionários desinfetam vias públicas e casas em 2017

Além disso, epidemias de sarampo e peste abalaram o país localizado ao largo da costa de Moçambique. Em 2017, epidemias de pneumonia e peste bubônica já haviam vitimado 200 pessoas. Na capital Antananarivo, a Organização Mundial da Saúde contou 6.500 casos de sarampo até o final de dezembro de 2018.

O motivo para a eclosão da epidemia são especialmente as baixas taxas de vacinação: apenas 58% da população são vacinados contra a doença. Segundo o relato da Care, os relatos sobre as crises em Madagascar foram bastante raros.

República Democrática do Congo

De acordo com o estudo, a situação na República Democrática do Congo também não concentrou muitas atenções da imprensa online em 2018. Apesar disso, segundo a Care, o país é dominado por um “círculo vicioso de violência, doenças e subnutrição”. O balanço do ano passado: 12,8 milhões de pessoas ameaçadas de fome, 4,3 milhões de crianças subnutridas, 500 novos casos de ebola que levaram à morte de 280 pessoas, segundo a OMS, e quase 765 mil pessoas refugiadas em países vizinhos devido à violência causada por conflitos entre milícias, especialmente nas províncias no leste do país.

Um número de menores de idade acima da média é vitima permanente do conflito: segundo uma análise recente da organização de defesa dos direitos das crianças Save The Children e do Instituto de Pesquisas da Paz em Oslo, a RDC pertence aos países do mundo em que as crianças mais sofrem com conflitos armados.

Mulheres congolesas participam de aula de ONG que reabilita, entre outros, vítimas de estupro sistemático. ONU estima em mais de 200 mil número de vítimas de violência sexual no Congo DemocráticoONU estima em mais de 200 mil número de vítimas de violência sexual no Congo Democrático

A violência sexual sistemática contra mulheres no país também não acaba. No total, as Nações Unidas estimam em mais de 200 mil o número de vítimas de estupros na antiga colônia belga. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) tratou 2.600 vítimas de violência sexual na cidade de Kananga entre maio de 2017 e setembro do ano passado, 80% delas teriam dito que foram violentadas por homens armados.

“Esses números são um indicador para o alto nível de violência também neste ano”, afirmou Karel Janssens, coordenador nacional do MSF para o país. Na esteira da entrega do Prêmio Nobel da Paz ao ginecologista Denis Mukwege, a violência sexual na RDC voltou a ser tematizada mais fortemente nos veículos de comunicação. Mas a Care destaca que os problemas no país integram as crises menos notadas do ano.

Filipinas

No dia 14 de setembro de 2018, o mundo olhava atônito para a costa leste dos Estados Unidos, onde o olho do furacão Florence atingiu o continente no estado da Carolina do Norte. A quase 14 mil quilômetros de distância e quase ao mesmo tempo, uma tempestade bem mais forte atingiu o litoral da ilha de Luzon, a principal das Filipinas.

A uma velocidade de 200 km/h, o tufão Mangkhut, o maior ciclone tropical do ano, tocou o solo na manhã do dia 15 de setembro. Segundo o estudo, apesar de a catástrofe ter afetado mais de 3,8 milhões de pessoas, ter matado 82 pessoas e ferido 130, pouco se ficou sabendo sobre o Mangkhut através da imprensa.

Vendedor de rua treme na chuva enquanto chuvas do tuão Yutu atingem a baía de Manila em outubro de 2018. Pouco depois do tufão Mangkhut, tempestade Yutu devastou Filipinas

Apenas um mês depois, o tufão Yutu  devastou várias comunidades já destruídas pelo Mangkhut e que já haviam iniciado os trabalhos de reconstrução. Globalmente, as Filipinas fazem parte dos países onde há maior risco de catástrofes naturais da Ásia. Vinte tempestades tropicais atingem o país insular no Pacífico ocidental todos os anos.

Segundo o Banco Mundial, os tufões matam, em média, mil pessoas anualmente. Além disso, o país está altamente exposto a riscos geológicos como terremotos e erupções vulcânicas. A Care denuncia que os furacões Mangkhut e Yutu fazem parte das crises invisíveis de 2018.
DW

Fatos & Fotos – 10/11/2017

Lázaro Ramos,Thais Araújo & Lea T
O Beijo, Klimt – Nascimento de Vênus, BotticelliRevistas,Blog do Mesquita,Lázaro Ramos,Thais Araújo,O Beijo,Klimt,Lea T,Nascimento de Venus,Botticelli


Hahahahaha. Até parece que algo irá acontecer.

 Baixem o fogo!
“Ministro quebra sigilos fiscal e bancário de Aécio desde 2014
A quebra de sigilo se estende a outros investigados na Operação Patmos – suposta¹ propina de R$ 2 milhões da JBS para o senador.”
¹Sou apaixonado por esse substantivo feminino – nesse caso é substantivo, e não, adjetivo. Independente do gênero.

O ministro do STFdoG Marco Aurélio Mello:
– Soltou o goleiro Bruno;
– Votou a favor de soltar Cunha em fevereiro;
– Devolveu o mandato do senador Aécio Neves em junho;
– E agora revogou a prisão domiciliar de Andrea Neves, irmã de Aécio.


STFdoG revoga prisão domiciliar da irmã de Aécio Never e do primo maleiro.

Ambos agora estão livres leves e soltos para mais traquinagens. É obrigação do exercício da cidadania, desobedecer uma justiça injusta, parcial, podre e corrupta.
Esqueçam esse olhar maniqueísta e catequizado, ou à direita ou à esquerda. O Estado Brasileiro nos esmaga de cima para baixo.


De volta aos tempos da lenhaHumor,Panelas,Temer,Impeachment,Brasil,Blog do Mesquita

Desde agosto, o gás de cozinha já subiu 67,8%.
Ps. Para o MPF, governo Dilma cometia “crime” ao manter gás e gasolina baratos. Ministério Público Federal no Rio acusou a gestão Dilma de improbidade administrativa o então Conselho da Petrobras por política de preço. Aumentos abusivos de Temer são considerados normais. E é? Então tá?


“Em presença de imbecis e loucos, há somente um caminho para mostrarmos nossa inteligência: não falar com eles.”
Schopenhauer

Não choro por ti Tiririca

Você não passa de um covarde. Ficou silente quando não havia mordaças. Cospe no prato que lambeu. Desonra à memória do Chaplin, do Carequinha, do Arrelia, das Colombinas e Arlequins. Não aproveitou a oportunidade que o eleitor lhe concedeu para lutar pelo povo de onde você brotou, e não fez nada por essa gente. Ao contrário; ferrou os pobres!
1. Votou a favor da PEC que congelou investimentos em saúde e educação por 20 anos;
2. Votou a favor da entrega do pré-sal às petroleiras estrangeiras;
3. Votou a favor da reforma que retira garantias sociais do trabalhador.
Um povo que segue um pato pedindo a retirada das próprias conquistas lhe merece.
“Non piangere pagliaccio. Veste la giubba.”


Janot alega sigilo profissional e foge da CPI da JBS.
Hahaha. Pai Janot é soda!


“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.” Eduardo Galeano


Boooom diaaaaaa otimiiiiiiiistas.
Marcelo Odebrecht saírá da cadeia, terá milhões de dólares devolvidos e voltará para casa de jatinho para passar o Natal; o meliante corrupto foi condenado a 19 anos de prisão.
Ps. Quem foi mesmo que disse que não compensa?

“Aécio escreve carta dizendo ser inocente e que seu grupo vai voltar a governar o país”.
O tempo irá provar; será absolvido por prescrição, ou por obra do Barattão no STFdoG, como todos políticos do PSDB.Aécio,Blog do Mesquita Gargalhada 01


Alexander Jansson – Her Only Friend The MoonAlexander Jansson,Her Only Friend The Moon,Blog do Mesquita


Revelada a razão pela qual o palhaço Tiririca resolveu abandonar a política; há muita concorrência.

Humor,Alckmin,PSDB,Brasil,Blog do Mesquita,Eleições 2018


A vida como não deveria serFome,Blog do Mesquita

Fatos & Fotos – 10/11/2017

Ballet – Natalia Osipova

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Arte – Joel Meyerowitz – Chichester CanalJoel Meyerowitz- Chichester Canal

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Como fabricar monstros para garantir o poder em 2018

Protesto contra o MAM
Manifestantes protestam no MAM em repúdio à apresentação do coreógrafo Wagner Schwartz no dia 30 de setembro
TIAGO QUEIROZ ESTADÃO CONTEÚDO

Enquanto o país é tomado por assaltantes do dinheiro público, parte dos brasileiros está ocupada caçando pedófilos em museus. 

Pense. Preste atenção na sua vida. Olhe bem para seus problemas. Observe a situação do país. Você acredita mesmo que a grande ameaça para o Brasil – e para você – são os pedófilos? Ou os museus? Quantos pedófilos você conhece? Quantos museus você visitou nos últimos anos para saber o que há lá dentro? Não reaja por reflexo. Reflexo até uma ameba, um indivíduo unicelular, tem. Exija um pouco mais de você. Pense, nem que seja escondido no banheiro.

Seria fascinante, não fosse trágico. Ou é fascinante. E também é trágico. No Brasil atual, os brasileiros perdem direitos duramente conquistados numa velocidade estonteante. A vida fica pior a cada dia. E na semana em que o presidente mais impopular da história recente se safou pela segunda vez de uma denúncia criminal, desta vez por obstrução da justiça e organização criminosa, e se safou distribuindo dinheiro público para deputados e rifando conquistas civilizatórias como o combate ao trabalho escravo, qual é um dos principais assuntos do país?

A pedofilia.

Desde setembro, quando a mostra QueerMuseu – Cartografia da Diferença na Arte Brasileira foi fechada, em Porto Alegre, pelo Santander Cultural, após ataques liderados por milícias como o Movimento Brasil Livre (MBL), arte, artistas e instituições culturais têm sido atacados e acusados de estimular a pedofilia e/ou de expor as crianças à sexualidade precoce no Brasil. Resumindo: enquanto os brasileiros têm seus direitos roubados, uma parte significativa da população está olhando para o outro lado. Ou, dito de outro modo: sua casa foi tomada por assaltantes de dinheiro público e ladrões de direitos constitucionais, mas você está ocupado caçando pedófilos em museus.

Conveniente, não é? E para quem? A resposta é tão óbvia que qualquer um pode chegar a ela sem ajuda.

Uma pergunta simples: por que os movimentos que ergueram a bandeira anticorrupção para derrubar Dilma Rousseff (PT), uma presidente ruim, mas que a maioria dos brasileiros elegeu, não estão fazendo nenhum movimento para derrubar Michel Temer (PMDB), um homem que só se tornou presidente por força de um impeachment sem base legal, ligado a uma mala de dinheiro e que tem como um dos principais aliados outro homem, Geddel Vieira Lima (PMDB), ligado a mais de 51 milhões de reais escondidos num apartamento? Ou Aécio Neves (PSDB), que em conversa gravada pediu dois milhões de reais a Joesley Batista, um dos donos da JBS, para pagar os advogados que o defendem das denúncias da Operação Lava Jato?

Isso não é corrupção? Isso não merece movimento? Quem mudou? E por quê?

Responda você.

Outra pergunta simples: por que, em vez disso, parte destes movimentos, que se converteu em milícia, criou um problema que não existe justamente num momento em que o Brasil tem problemas reais por todos os lados?

A não ser que você realmente acredite que o problema da sua vida, o que corrói o seu cotidiano, são pedófilos em museus, sugiro que você mesmo responda a essa pergunta. Eu vou buscar responder a algumas outras.

1) Como criar monstros para manipular uma população com medo?

A criação de monstros para manipular uma população assustada não é nenhuma novidade. Ela se repete ao longo da história, com resultados tenebrosos, seguidamente sangrentos. Como muitos já lembraram, a Alemanha nazistaatacou primeiro exposições de arte. Os nazistas criaram o que se chamou de “arte degenerada” e destruíram uma parte do patrimônio cultural do mundo. E, mais tarde, assassinaram 6 milhões de judeus, ciganos, homossexuais e pessoas com algum tipo de deficiência.

Dê um monstro a uma população com medo, para que ela o despedace, e você está livre para fazer o que quiser. Mas hoje há uma diferença com relação a outras experiências ocorridas na história: a internet. A disseminação do medo e do ódio é muito mais rápida e eficiente, assim como a fabricação de monstros para serem destroçados.

Mas a internet é uma novidade também em outro sentido, que está sendo esquecido pelos linchadores: as imagens nela disseminadas estarão circulando no mundo para sempre. A história não conheceu a maioria dos rostos dos cidadãos comuns que tornaram o nazismo e o holocausto uma realidade possível, apenas para ficar no mesmo exemplo histórico. Eles se tornaram, para os registros, o “cidadão comum”, o “alemão médio” que compactuou com o inominável. Ou mesmo que aderiu a ele.

Aqueles que hoje chamam artistas de “pedófilos” se esquecem de que sua imagem e suas palavras permanecerão para sempre nos arquivos do mundo

Hoje, no caso do Brasil e de outros países que vivem situação parecida, o “cidadão comum” que aponta monstros com o rosto distorcido e estimula o ódio não é mais anônimo e apagável. Ele está identificado. Seus netos e bisnetos o reconhecerão nas imagens. Seu esgar de ódio permanecerá para a posteridade.

Será interessante acompanhar como isso mudará o processo de um povo lidar com sua memória. E com sua vergonha. Tudo é tão instantâneo e imediato na internet, tão presente contínuo, que muitos parecem estar se esquecendo de que estão construindo memória sobre si mesmos. Memória que ficará para sempre nos arquivos do mundo.

2) Como criar uma base eleitoral para “botar ordem na casa” sem mudar a ordem da casa?

A fabricação de monstros é uma forma de controle de um grupo sobre todos os outros. A escolha do “monstro” da vez é, portanto, uma escolha política. O que se cria hoje no Brasil é uma base eleitoral para 2018. Uma capaz de votar em alguém que controle o descontrole, alguém que “bote ordem na casa”. Mas que bote ordem na casa sem mudar a ordem da casa. Este é o ponto.

A escolha do “monstro” da vez é uma escolha política

Primeiro, derrubou-se a presidente eleita com a bandeira anticorrupção. Mas aqueles com os quais esses movimentos se aliaram eram corruptos que tornaram a mala de dinheiro uma referência ultrapassada, ao lançar o apartamento de dinheiro. Personagens desacreditados, políticos desacreditados, como então manter as oligarquias no poder para que nada mude mas pareça mudar? Capturando o medo e o ódio da população mais influenciável e canalizando-os para outro alvo.

A técnica é antiga e segue muito eficiente. Enquanto a turba grita diante de museus (museus!), às suas costas o butim segue sendo dividido entre poucos. Rastreia-se qualquer exposição cultural com potencial para factoides, o que é bem fácil, já que o nu faz parte da arte desde a pré-história, e alimenta-se o ódio e os odiadores com monstros fictícios semana após semana. Aos poucos, a sensação de que o presente e o futuro estão ameaçados infiltra-se no cérebro de cada um.

E é um fato. O presente e o futuro estão ameaçados no Brasil porque há menos dinheiro para saúde e educação, porque a Amazônia está sendo roubada e porque direitos profundamente ligados à existência de cada um estão sendo exterminados por um Congresso formado em grande parte por corruptos. Mas como isso está deslocado, parece que a ameaça está em outro lugar. Neste caso, na arte, nos artistas, nos museus. Com o ódio deslocado para um monstro que não existe, homens que pregam e praticam monstruosidades aumentam suas chances de serem eleitos e reeleitos e as monstruosidades históricas seguem se perpetuando.

Com o ódio deslocado para um monstro que não existe, oprimidos votam em opressores acreditando que se libertam

É assim que se cria uma base eleitoral que vota para botar ordem na casa, mas não para mudar a ordem da casa. É assim que oprimidos votam em opressores acreditando que se libertam. É assim que se faz uma democracia sem povo – uma impossibilidade lógica que se realizou no Brasil.

3) Por que o “pedófilo” é o “monstro” perfeito para o momento político?

Por que o “pedófilo” e não outro? Esta é uma pergunta que vale a pena ser feita. Há muitas respostas possíveis. Já se tentou – e ainda se tenta – monstrificar muita gente. O aborto foi a moeda eleitoral da eleição de 2010 e os defensores do direito de as mulheres interromperem uma gestação indesejada foram chamados de “assassinos de fetos”. Gays, lésbicas, travestis, transexuais e transgêneros estão sempre na mira, como os episódios homofóbicos e o assassinato de LGBTs nos últimos anos mostraram. Feminismo e feministas, em algumas páginas do Facebook, viraram palavrões.

A tentativa acaba de ser reeditada com os protestos contra a palestra da filósofa americana Judith Butler no SESC, em São Paulo. Ela participará do ciclo de debates intitulado Os fins da democracia, entre 7 e 9 de novembro. Acusam-na, vejam só, de “inventar a ideologia de gênero”. A vergonha alheia só não é maior porque quem tem um presidente como Donald Trump é capaz de entender em profundidade tanto o oportunismo quanto a burrice.

Mas, se as tentativas de monstrificar pessoas são constantes, há grupos organizados para defender os direitos das mulheres sobre o seu corpo e para denunciar a homofobia e a transfobia. E estes grupos não permitem mais a conversão de seus corpos em monstruosidades e de seus direitos em monstruosidades. Nestes campos, há resistência. E ela é forte.

Qual é, então, o monstro mais monstro deste momento histórico, o monstro indefensável? O pedófilo, claro. Quem vai defender um adulto que abusa de crianças? Ninguém.

Mas há um problema. Os pedófilos não andam por aí nem são uma categoria. A maioria, aliás, como as estatísticas mostram, está dentro de casa ou muito perto dela. Ao contrário de muitos que apontam o dedo diante de museus, eu já escutei vários pedófilos reais como repórter. E posso afirmar que são humanos e que a maioria sofre. E posso afirmar também que uma parte deles foi abusada na infância. Posso afirmar ainda que nem todos sofrem, mas todos precisam de ajuda. Ajuda que, aliás, eles (e elas) não têm.

Como então criar uma epidemia de pedofilia sem pedófilos disponíveis? Fabricando pedófilos. Espelhando-se em Hitler e criando uma “arte degenerada”. Manipulando todos os temores ligados à sexualidade humana. E manipulando especialmente uma ideia de criança pura e de infância ameaçada.

Como criar uma epidemia de pedofilia sem pedófilos disponíveis? Espelhando-se em Hitler e criando uma “arte degenerada”

A infância está, sim, ameaçada. Mas pela falta de investimento em educação e em saúde, pela destruição da floresta amazônica e pela corrosão das fontes de água, pela contaminação dos alimentos, pela destruição dos direitos que não terão mais quando chegarem à vida adulta. São estas as maiores ameaças contra as crianças brasileiras de hoje – e não falsos pedófilos em museus.

As crianças e seu futuro, aliás, estão ameaçados porque há menos museus do que deveria, menos centros culturais do que deveria e muito menos acesso aos que ainda existem do que seria necessário. Estas são as ameaças reais à infância deste momento do Brasil.

Nenhum dos artistas acusados de pedofilia ou de estimular a pedofilia é pedófilo. Mas quando provarem isso na justiça, caso dos que estão sendo investigados, sua vida ou uma parte significativa dela já foi destruída. E quem se responsabilizará pela destruição de uma vida humana? Quem se responsabilizará pelo ataque à cultura, já tão maltratada neste país?

Você, que grita e aponta o dedo e o celular, fabricando falsificações, precisa se responsabilizar pelas vidas que destrói

Você, que grita e aponta o dedo e a câmera do celular, destruindo vidas e fabricando falsificações, precisa se responsabilizar pelos seus atos. Porque vidas humanas estão sendo destruídas de fato. E são as daqueles que estão sendo acusados injustamente de serem o que a humanidade definiu como “monstros”. E é a vida de todos nós que teremos ainda menos acesso à cultura num país em que sobram muros e presídios, mas faltam escolas, centros culturais e museus.

4) Por que manipular os tabus relacionados à sexualidade é uma forma eficiente de criar uma base eleitoral?

Como fazer para criar uma base eleitoral que vote naqueles que acabaram de espoliá-la? Apele para a moralidade. Não há maneira mais eficiente de fazer isso que manipular os temores que envolvem a sexualidade. Os exemplos históricos são infinitos. Quem controla a sexualidade controla os corpos. Quem controla os corpos controla as mentes. Quem controla as mentes leva o voto para onde quiser. E também arregimenta apoio para projetos autoritários.

De repente, uma parcela de brasileiros, incitada pelas milícias de ódio, decidiu que a nudez humana é imoral. E fabricaram uma equação esdrúxula: corpo adulto nu + criança = pedofilia. Pela lógica, se esse pessoal fosse a Florença, na Itália, tentariam destruir a machadadas o Davi de Michelangelo, porque ele tem pinto.

Quem controla a sexualidade, controla os corpos. Quem controla os corpo e as mentes, leva o voto para onde quiser

Não há registro de que as milhões de crianças que tiveram o privilégio de ver a estátua ao vivo, levadas por pais ou por professores em visitas escolares, tenham se sentido sexualmente abusadas ou tenham vivido algum trauma. Mas há inúmeros registros de crianças traumatizadas na infância pela repressão à sexualidade inerente aos humanos.

Crianças têm pênis, crianças têm vagina, crianças têm sexualidade. É lidando de modo natural com essa dimensão da existência humana que se forma adultos capazes de respeitar a sexualidade, o desejo e a vida do outro. É conversando sobre isso e não reprimindo que se forma adultos capazes de respeitar os limites impostos pelo outro na experiência sexual compartilhada. É informando e não desinformando sobre essa dimensão da existência humana que se forma adultos que não se tornarão abusadores de crianças.

5) Por que a arte e os artistas são os alvos do momento?

A decisão que o Museu de Arte de São Paulo (MASP) tomou, de proibir a exposição Histórias da Sexualidade, aberta em 20 de outubro, para menores de 18 anos, é uma afronta à arte – e uma afronta à cidadania. É compactuar com o oportunismo das milícias de ódio. É aceitar que nudez e pornografia são o mesmo. É destruir a ideia do que é uma exposição de arte. E é, principalmente, abdicar do dever ético de resistir ao obscurantismo. Do mesmo modo, foi abjeta a decisão do Santander Cultural de encerrar a exposição Queermuseu depois dos ataques.

Os oportunistas e seu projeto de poder vencem e o pior acontece pelas concessões e recuos de instituições que têm a obrigação de resistir

Que uma turba incitada por milícias de ódio ataque exposições de arte é lamentável. Mas que as instituições se dobrem a elas é ainda pior. A resistência é necessária justamente quando é mais difícil resistir. É pelas fissuras que se abrem, pelas concessões que são feitas, pelos recuos estratégicos que os oportunistas e seu projeto de poder vencem e o pior acontece. Também isso a história já mostrou. Não é hora de se dobrar. É hora de riscar o chão e resistir.

Por que a arte e os artistas? Esta é uma pergunta interessante. Mesmo que isso não seja óbvio para todos, é a arte que expande a nossa consciência mais do que qualquer outra experiência, justamente por deslocar o lugar do real. Ao fazer isso, ela amplia a nossa capacidade de enxergar além do óbvio – e além do que nos é dado a ver. Não há nada mais perigoso para a manutenção dos privilégios e do controle de poucos sobre muitos do que a arte.

A arte é o além do mundo que, depois de nos tirar do lugar, nos devolve ao lugar além de nós mesmos. Somos, a partir de cada experiência, nós e além de nós. Esta é uma vivência transgressora e à prova de manipulações. E esta é uma vivência profundamente humana, como mostram as pinturas encontradas nas cavernas deixadas por nossos ancestrais pré-históricos. Por isso não é por acaso que regimes de opressão começaram com ataques contra a arte e os artistas.

Não há nada mais perigoso para a manutenção dos privilégios e do controle de poucos sobre muitos do que a arte

Ao literalizar a arte, interpretando o que é representação como realidade factual, assassina-se a arte. Quando Salvador Dalí faz um relógio derretido em uma paisagem de sonho, ele não está afirmando que relógios derretidos existem daquela maneira nem paisagens como aquela podem ser vistas no mundo de fora, mas está invocando outras realidades que nos habitam e que vão provocar reflexões diferentes em cada pessoa. Literalizar a arte é uma monstruosidade que tem sido cometida contra obras e artistas desde que o cotidiano de exceção se instalou no Brasil.

O outro motivo é mais prosaico. Artistas podem ser muito populares e influenciadores do momento político. A admiração pela obra seguidamente é transferida para a pessoa. E por isso essa pessoa, quando fala e opina, é ouvida. É nesta chave que pode ser compreendida a tentativa de destruição de Caetano Veloso, acusando-o de pedofilia por ter tido relações sexuais com sua mulher, Paula Lavigne, quando ela tinha 13 anos.

Essa história é conhecida há décadas, pela voz da própria Paula. Mas só agora despontou colada a uma acusação de pedofilia. Caetano Veloso é um dos artistas que mais se posiciona politicamente no Brasil atual. Recentemente, foi Paula Lavigne que liderou uma reação dos artistas a um dos ataques de Temer e da bancada ruralista contra a floresta amazônica. Minar a influência de ambos, assim como a sua vontade de se posicionar e manifestar-se por medo de mais ataques, é uma estratégia. Afinal, quem ouviria a opinião política ou as denúncias feitas por um “pedófilo”? Por mais que se lute, e poucos têm tantas condições de resistir como Caetano Veloso e Paula Lavigne, uma acusação deste porte costuma deixar marcas internas.

6) Quem são os políticos e as religiões que se aliam aos fabricantes de pedófilos com o olhar fincado em 2018?

Quando o momento mais agudo da disputa passar, se passar, haverá muitos mortos pelo caminho. Em especial os invisíveis, aqueles que terão medo de tocar nos próprios filhos pelo temor de serem acusados de pedofilia, os professores que optarão por livros sem menções à sexualidade para não correrem o risco de serem linchados por pais enlouquecidos e demitidos por diretores pusilânimes, as pessoas que cada vez mais têm medo de se contrapor à turba, os artistas que preferirão não fazer. E os que deixarão o Brasil por não suportar os movimentos brasileiros livres de inteligência ou temerem por sua vida diante dos odiadores. As marcas invisíveis, mas que agem sobre as funduras de cada um, são as piores e as mais difíceis de serem superadas.

Quando a gente via no cinema as turbas enlouquecidas assistindo às execuções medievais como se fossem uma festa, gritando por mais sangue, mais sofrimento, mais mortes, era possível pensar que algo assim já não seria possível depois de tantos séculos. Mas mesmo que as fogueiras (ainda) não tenham sido acesas, o que se vive hoje no Brasil é muito semelhante.

Os pedófilos de hoje são as bruxas de ontem. E são tão pedófilos quanto as bruxas eram bruxas

Os pedófilos de hoje são as bruxas de ontem. E são tão pedófilos quanto as bruxas eram bruxas. E as fogueiras começam na internet, mas se alastram pela vida. Há muitas formas de destruir pessoas. A crueldade é sempre criativa. E as milícias já deixaram um rastro de devastação. Vale tudo para cumprir o propósito de limpar o campo político para 2018.

Para isso, contam menos com a ala conservadora da Igreja Católica e mais com parte das igrejas pentecostais e neopentecostais, com o fenômeno que se pode chamar de “fundamentalismo evangélico à brasileira” e sua crescente influência política e também partidária. Quem acompanha grupos de WhatsApp dos fieis fundamentalistas recebe dia após dia vídeos de pastores falando contra a arte e a pedofilia. A impressão é que o Brasil virou Sodoma e Gomorra e que um pedófilo saltará sobre seu filho, neto ou sobrinho assim que abrir a porta da casa. Grande parte destas pessoas – e isso não é culpa delas – jamais teve acesso a um museu ou a uma exposição de arte.

As articulações que estão sendo feitas para 2018 são cada vez mais fascinantes, não fossem assustadoras. Na apresentação do artista Wagner Schwartz no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), realizada em 26 de setembro, o coreógrafo fazia uma interpretação de Bicho, uma obra viva de Lygia Clark, constituída por uma série de esculturas com dobradiças que permite que as pessoas saiam do lugar de espectadoras passivas e se tornem parte ativa da obra. Nesta leitura de Bicho, que resultou em ataques de ódio, o coreógrafo, nu e vulnerável, podia ser tocado e colocado em qualquer posição pela plateia. Um vídeo divulgado pela internet mostrando uma criança tocando o performer, devidamente acompanhada por sua mãe, foi o suficiente para protestos de ódio. O artista foi chamado de “pedófilo” – e o museu foi acusado de incentivar a pedofilia.

Observe bem os dois políticos que se alçaram a protetores das crianças brasileiras ameaçadas pela arte: João Doria (PSDB) e Jair Bolsonaro (PSC)

Vale a pena observar quem foram os dois candidatos a presidenciáveis que se manifestaram por meio de vídeos divulgados na internet: João Doria(PSDB) e Jair Bolsonaro (PSC). Doria, que gosta de posar como culto e cidadão do mundo, mostrou mais uma vez até onde pode chegar em sua luta pelo poder. Classificou a coreografia como “cena libidinosa”. Afirmou que a performance “fere o Estatuto da Criança e do Adolescente e, ao ferir, ele está cometendo uma impropriedade, uma ilegalidade, e deve ser imediatamente retirado, além de condenado”. E aplicou o bordão: “Tudo tem limites!”.

Doria, o protetor das crianças brasileiras, dias atrás anunciou (e depois das críticas recuou momentaneamente) que incluiria um “alimento” feito com produtos próximos do vencimento na merenda escolar das crianças de São Paulo.

Jair Bolsonaro, capitão da reserva do Exército e em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para 2018, vociferou: “É a pedofilia!”. E, em seguida: “Canalhas! Mil vez canalhas! A hora de vocês está chegando!”. Justamente ele, que não se cansa de repetir que o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos assassinos da ditadura, é o seu herói.

Ustra, apenas para lembrar de um episódio, levou os filhos de Amélia Teles, presa nos porões do regime, para que vissem a mãe torturada. Amelinha, como é mais conhecida, estava nua, vomitada e urinada. Seus filhos tinham quatro e cinco anos. A menina perguntou: “Mãe, por que você está azul?”. A mãe estava azul por causa dos choques elétricos aplicados em todo o seu corpo e também nos genitais. Este é o farol de Bolsonaro, o protetor das crianças brasileiras.

7) Como parte do empresariado nacional se articula com os ataques à arte enquanto apoia o retrocesso em nome do lucro?

Nenhuma distopia foi capaz de prever o Brasil atual. Parte da explicação pode ser encontrada no artigo de Flávio Rocha, presidente do Riachuelo, um dos principais grupos do setor têxtil do país, e vice-presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), publicado na página de Opinião do principal jornal brasileiro, em 22 de outubro. No texto, intitulado “O comunista está nu”, o empresário ressuscita a ameaça do comunismo, discurso tão presente nos dias que antecederam o golpe civil-militar de 1964, que mergulhou o Brasil numa ditadura que durou 21 anos. O empresário escreveu este texto, vale lembrar, num Brasil tão à direita que até a esquerda foi deslocada para o centro. Diz este expoente da indústria nacional:

“O movimento comunista vem construindo um caminho que, embora sinuoso, leva ao mesmo destino: a ditadura do proletariado exaltada pelo marxismo. (…) Nas últimas semanas assistimos a mais um capítulo dessa revolução tão dissimulada e subliminar quanto insidiosa. Duas exposições de arte estiveram no centro das atenções da mídia ao promoverem o contato de crianças com quadros eróticos e a exibição de um corpo nu, tudo inadequado para a faixa etária. (…) São todos tópicos da mesma cartilha, que visa à hegemonia cultural como meio de chegar ao comunismo. Ante tal estratégia, Lênin e companhia parecem um tanto ingênuos. À imensa maioria dos brasileiros que não compactua com ditaduras de qualquer cor, resta zelar pelos valores de nossa sociedade”.

A indigência intelectual de uma parcela significativa da elite econômica brasileira só não é maior do que o seu oportunismo

A indigência intelectual de uma parcela significativa da elite econômica brasileira só não é maior do que o seu oportunismo. É também parte da explicação da face mais atrasada do Brasil. É ainda um constrangimento, talvez uma falha cognitiva. Mas certo tipo de empresário está aí, pontificando em arena nobre. Sem esquecer jamais que a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) de Paulo Skaf apoiou diretamente os movimentos que lideraram as manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff , tornando-se uma das principais responsáveis pela atual configuração do governo corrupto que está no poder.

Há algo interessante sobre Flávio Rocha, esse personagem amigo de João Doria e, como o prefeito de São Paulo, apoiado pelo MBL. Como mostrou reportagem da Repórter Brasil, uma das fontes sobre trabalho escravo mais respeitadas do país, o grupo Riachuelo tem sido acusado nos últimos anos por abusos físicos e psicológicos de trabalhadores. Flávio Rocha, como já demonstrou, é um dos interessados em “flexibilizar” a legislação e a fiscalização. Para isso, conta com o apoio do MBL, que chegou a convocar um protesto contra o Ministério Público do Trabalho em Natal, no Rio Grande do Norte.

Em 16 de outubro, o governo Temer publicou uma portaria, claramente inconstitucional, que reduz os casos que podem ser enquadrados em trabalho escravo. O problema é gravíssimo no Brasil, que ainda convive com situações de escravidão contemporânea. Hoje, a portaria está temporariamente cassada por liminar concedida pela ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, a pedido do partido Rede Sustentabilidade. Restringir o combate à escravidão foi parte do pagamento de Michel Temer aos deputados que o absolveram na semana passada e às oligarquias que representam. Estes “liberais” querem voltar a escravizar livremente. E estão conseguindo.

Mas, claro, o problema do Brasil são os pedófilos em museus. E, como o presidente do grupo Riachuelo tem a gentileza de nos alertar, a volta dos comunistas que comem criancinhas.

Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes – o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos, e do romance Uma Duas. Site: desacontecimentos.com Email: elianebrum.coluna@gmail.com Twitter: @brumelianebrum/ Facebook: @brumelianebrum

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Só dói quando eu rioHumor,Políticos,Duke,Blog do Mesquita
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” Se a gente cresce com os golpes duros da vida, também podemos crescer com os toques suaves da alma.”
( Cora Coralina )

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Não sou somente eu quem “pastora”, há anos, as maquinações do tesoureiro da NWO. As ONGs no Brasil e na Amazônia – 125mil somente na Amazônia – cerca de 80% são financiadas por ele através da “Open Society Foundation”. Tanto as de “esquerda” como as de “direita” atuam conforme o decidido lá em 1944 na Conferência de Bretton Woods, USA. Da TFP ao MST. Dos Patos aos Mortadelas. Imaginem o quanto ele atua no bordel do Congresso Nacional.

No total, ele apoia mais de 500 organizações ao redor do mundo e doou nas últimas duas décadas uma estimativa de 11 bilhões de dólares a à diversas organizações. Todas existem para gerar o caos nas nações. “Divide & Conquer”.

Soros é um dos maiores defensores das benesses da imigração para a economia europeia. Aí os tolos acreditam que os “barbudins” se explodem em busca do paraíso com 70 virgens e rios de mel – aliás tal paraíso não existe no Corão.

Soro contola diretamente e financia;
Open Society Fondation;; Univ.Centro Européia;Quantum Group of Founds;Soros Fund Management; MoveON;International Crisis Group;Democracy Alliance;Black Lives Matter;The Center for American Progress;America Coming Together;The Pro-Marijuana Drug Policy Aliance;Zimbabwe`s Movevent for Democratic Change;The Georgian Open Society Foundation.

Acessem o site da arapuca do Soros para terem uma ideia da capilaridade de atuação do Húngaro-Americano, o manipuladorr da Desordem Mundial, a serviço do Globalismo.
https://www.opensocietyfoundations.org/

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Como confiar num judiciário – siiiiiiim. Há quem o faça – que recebe como “punição” aposentadoria com salário integral?
E também há Tapuias que acreditam ainda que justiça é igual para todos.
“CNJ condena juízes que fraudaram precatório bilionário. O Conselho aplicou a pena máxima: aposentadoria compulsória.
CNJ condena juízes que fraudaram precatório bilionário. Conselho aplicou a pena máxima: aposentadoria compulsória”
Só perguntando a visceral opinião de Golfado, meu vomitador oficial.

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Exército Brasileiro em patrulhamento na floresta

Tropas do Brasil, Peru e Colômbia iniciaram uma operação de treinamento conjunto para atuar em emergências humanitárias na cidade brasileira de Tabatinga, no Estado do Amazonas, nesta segunda-feira. A ação conta com o apoio dos Estados Unidos.

Segundo o Ministério da Defesa do Brasil, este é um ótimo exercício logístico “sem precedentes na América do Sul”, que acontecerá até 13 de novembro na fronteira tripla entre o Brasil, a Colômbia e o Peru.

Estes exercícios, denominados AmazonLog17, terão a participação de 1.940 soldados, dos quais 1.550 são brasileiros e “observadores militares de nações amigas”, de acordo com o ministério.

A Colômbia envia 150 militares, o Peru outros 120 e os EUA cerca de trinta soldados, enquanto países como Rússia, Canadá, Venezuela, França, Reino Unido e Japão terão menos de dez representantes cada.

A maioria dos exercícios envolvem transporte, logística, manutenção, evacuação e engenharia em caso de catástrofes. Durante o treinamento serão realizadas simulações relacionadas aos sistemas de ferimento e evacuação da área.

Ministro Raul Jungmann
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
O centro de operações será a Base Integrada de Logística Multinacional, a partir da qual serão coordenados os Problemas Militares Simultâneos e as ações com tropas e meios, que constituem a dinâmica de execução do exercício multinacional.

Além dos exercícios militares, haverá também uma ação cívico-social para beneficiar a população local, além de visitas médicas e dentárias fornecidas pelo Hospital da Campanha.

E não é só: de acordo com o Exército brasileiro, o evento deixará um legado nesta pequena cidade de 20 mil habitantes localizada no meio da Amazônia.

Em face do evento, uma parte da rede elétrica foi melhorada e a área onde os exercícios estão centralizados pode se tornar um parque público no futuro.

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Arquitetura – EscadasArquitetura,Escadas,Blog do Mesquita 1Arquitetura,Escadas,Blog do Mesquita 1 Arquitetura,Escadas,Blog do Mesquita 1

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Dinheiro está sobrando na Prefeitura do Rio de Janeiro.
Os gastos do “santo” Crivella
Apesar das frequentes queixas de problemas financeiros no caixa do município, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (), ganhou o direito de gastar mais em suas viagens ao exterior.

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Blog do Mesquita,Mortadela

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Fotografia de Hanni Juni de Kuching,Malasya,2017
Bagan in the morning,Hanni Juni de Kuching,MalasyaArte,Fotografia,Bagan in the morning,Hanni Juni de Kuching,Malasya,2017

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ResistênciaResistência,Blog do Mesquita

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Criaturas “ariadas” ponham a funcionar o meio neurônio que possuem.
Criatura 1 – Não estou aqui argumentando sobre a competência do jornalista, mas a serviço de quem e do que essa competência está a serviço.
Criatura 2 – “Ah!, mas ele não é racista. Foi só uma maneira jocosa de se expressar”. Foi né? Jocosa né?
Já ouviste falar em um tal de Freud? Em ato falho? Não né? Então tá.