Sir Stirling Moss: lenda do automobilismo morre aos 90 anos

Sir Stirling Moss foi o primeiro piloto britânico a vencer um GP em casa.

Ele é amplamente considerado um dos maiores pilotos de Fórmula 1 de todos os tempos, apesar de não ter vencido o Campeonato do Mundo.

Moss se aposentou da vida pública em janeiro de 2018 por causa de problemas de saúde em andamento.

“Foi uma volta a mais, ele apenas fechou os olhos”, disse sua esposa Lady Moss.

‘Sir Stirling Moss – o homem que personificou o automobilismo’
Moss passou 134 dias no hospital depois de sofrer uma infecção no peito enquanto estava de férias em Cingapura em dezembro de 2016.

Ele venceu 16 das 66 corridas de F1 em que competiu entre 1951 e 1961.

Ele se tornou o primeiro piloto britânico a vencer um GP em casa em 1955 em Aintree.

Moss perdeu o título da F1 em 1958 para o compatriota Mike Hawthorn, depois de garantir seu rival e impedir que ele fosse desclassificado quando ele foi acusado de reverter a pista no Grande Prêmio de Portugal no final da temporada.

Moss ajusta o capacete de seu amigo e rival de 1958, Mike Hawthorn
Quatro vezes vice-campeão do campeonato de pilotos de F1, ele foi nomeado Personalidade do Ano da BBC Sports em 1961 e foi cavaleiro em 2000.

Juntamente com sua bela carreira na F1, Moss era considerado um excelente piloto de automobilismo e conquistou 212 vitórias em todas as competições.

Ele era um excelente piloto de rally e, em 1955, estabeleceu um novo recorde ao vencer a famosa Mille Miglia, uma corrida de 1.000 milhas pela Itália.

Moss foi efetivamente forçado a se aposentar do automobilismo de alto nível em 1962, depois que um acidente em Goodwood o deixou em coma por um mês e parcialmente paralisado por seis meses.

No entanto, ele continuou a competir em carros históricos e eventos de lendas até os 81 anos.

Moss fotografou com o colega piloto britânico Peter Collins nas 24 Horas de Le Mans em 1956. A dupla chegou em segundo lugar no geral, um dos dois segundos classificados para Moss em 10 tentativas na famosa corrida de resistência.

Moss conquistou a vitória no GP da Inglaterra de 1955 em Aintree, após uma longa batalha com o companheiro de equipe da Mercedes, Juan Manuel Fangio

24 horas de Le mans – Glickenhaus apresenta o SCG 007

A Glickenhaus revelou imagens completas do seu SCG 007

O carro deverá participar Campeonato Mundial de Resistência da próxima temporada.

As imagens digitais mostram o carro da equipe americana na nova categoria de hipercarros, que também incluirá carros da Aston Martin e Toyota.

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Lawrence Strool; o milionário canadense que salvar a Aston Martin

O bilionário canadense Lawrence Stroll liderará um consórcio na esperança de injetar cerca de US $ 650 milhões na fabricante de carros esportivos. Ele também usará o nome da Aston Martin para a equipe de F1 que seu filho Lance dirige.    

UK | Aston Martin vor Londoner Börse (picture-alliance/NurPhoto/A. Pezzali)

O bilionário que entusiasta de supercarros do Canadá, Lawrence Stroll, está liderando um consórcio de investidores que reivindicará uma participação de 16,7% na empresa em troca de um investimento direto de 182 milhões de libras (240 milhões de dólares, 216 milhões de euros). Isso pode aumentar para 20% de participação após a conclusão de um plano para a empresa e os investidores levantarem um total de cerca de 500 milhões de libras indiretamente, em grande parte por meio de uma questão de direitos dos acionistas existentes.

Stroll também se tornará presidente executivo da Aston Martin como parte da aquisição.

As ações da Aston Martin, que haviam caído desde o IPO da empresa em 2018, aumentaram quase 30% após o anúncio, antes de injetar alguns desses ganhos iniciais no final das negociações de sexta-feira. Mesmo após esse fato, as ações ainda estavam sendo negociadas a cerca de um terço do preço que comandava em fevereiro passado.

A pequena Aston Martin, com sede na Grã-Bretanha, que costuma comprar seus principais componentes, como motores e sistemas de transmissão, a grandes fabricantes europeus, estava lutando tanto com a desaceleração econômica e econômica de carros de luxo na China quanto com as ramificações do Brexit. O especialista em carros esportivos havia tentado entrar em um novo mercado desenvolvendo um SUV próprio, mas é um retardatário relativamente no mercado.

Como vários outros fabricantes de automóveis preocupados com as cadeias de produção just-in-time atravessando várias fronteiras, a empresa havia alertado abertamente o Reino Unido contra o chamado Brexit rígido. A empresa mudou de mãos várias vezes ao longo dos anos. Passou quase 20 anos sob o guarda-chuva da Ford a partir de 1987 e atualmente é de propriedade principalmente de grupos de private equity italianos e do Kuwait.

Aston Martin baut 25 James Bond Goldfinger DB5 Filmautos (2015 Metro-Goldwyn-Mayer Studios Inc., Danjaq, LLC and Columbia Pictures Industries, Inc.)

O Ston Martin ficou conhecido com o carro de James Bond, o Agente 007

O setor automotivo de propriedade estrangeira da Grã-Bretanha já está sentindo o calor do Brexit antes mesmo do processo que começou à meia-noite desta sexta-feira. A produção de automóveis no Reino Unido caiu de 14,2%, para 1,3 milhão de veículos em 2019, o menor nível anual desde 2010, mostraram os números divulgados na quinta-feira.

Stroll dará o nome de Aston Martin à equipe de F1 na qual seu filho Lance Strool é piloto.

Embora Lawrence Stroll tenha feito sua fortuna na moda, ele é entusiasta de carros e colecionador de Ferrari há anos.

Lawrence and Lance Stroll at the 2018 Canadian Grand Prix. (picture alliance / LAT Photographic)

Seu filho, Lance Stroll, é um piloto profissional que compete na Fórmula 1 pela equipe Racing Point (anteriormente conhecida como Force India), que seu pai resgatou da falência em 2018.

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“Ele traz consigo suas experiências e acesso à sua equipe de Fórmula 1”, disse Andy Palmer, executivo-chefe da Aston Martin, à agência de notícias Reuters. “Nos últimos anos, conversamos muito sobre querer estar claramente enraizado no luxo e, obviamente, Stroll sabe muito sobre o luxo”.

O Racing Point F1 Team será renomeado para Aston Martin como resultado da aquisição, a partir da temporada de 2021 (todos os nomes de equipes de F1 já foram formalmente enviados para a nova temporada a partir de março e não podem ser alterados sem implicações financeiras).

A equipe da Red Bull, que tinha uma parceria comercial com a Aston Martin, também anunciou na sexta-feira que isso cessaria no final de 2020.

Após o anúncio do Aston Martin hoje, a equipe pode confirmar que a parceria de nomes dos fabricantes será concluída no final da temporada 2020.

A Aston Martin também teria conversado com a montadora chinesa Geely antes do anúncio de sexta-feira do resgate liderado por Stroll.

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Calendário para a temporada 2020 da Fórmula 1, as grandes novidades são: Aumento para 22 etapas, o Vietnã estreia no circo da F1 sendo palco da 3ª etapa em abril e o circuito de Zandvoort, na Holanda, retorna a categoria com a 5ª etapa do ano. A pré-temporada será reduzida para apenas 2 sessões, ambas em Barcelona! Como tem ocorrido nos últimos anos, abrirá o campeonato em Melbourne e fechará em Abu Dhabi!

  • PRÉ-TEMPORADA – 19 a 21 de fevereiro – Barcelona
  • PRÉ-TEMPORADA – 26 a 28 de fevereiro – Barcelona
  • 1ª ETAPA – 15 de março – Austrália (Melbourne)
  • 2ª ETAPA – 22 de março – Bahrain (Sakhir)
  • 3ª ETAPA – 05 de abril – Vietnã (Hanói)
  • 4ª ETAPA – 19 de abril – China (Xangai)
  • 5ª ETAPA – 03 de maio – Holanda (Zandvoort)
  • 6ª ETAPA – 10 de maio – Espanha (Barcelona)
  • 7ª ETAPA – 24 de maio – Mônaco (Monte Carlo)
  • 8ª ETAPA – 07 de junho – Azerbaijão (Baku)
  • 9ª ETAPA – 14 de junho – Canadá (Montreal)
  • 10ª ETAPA – 28 de junho – França (Paul Ricard)
  • 11ª ETAPA – 05 de julho – Áustria (Red Bull Ring)
  • 12ª ETAPA – 19 de julho – Inglaterra (Silverstone)
  • 13ª ETAPA – 02 de agosto – Hungria (Budapest)
  • 14ª ETAPA – 30 de agosto – Bélgica (Spa)
  • 15ª ETAPA – 06 de setembro – Itália (Monza)
  • 16ª ETAPA – 20 de setembro – Cingapura (Marina Bay)
  • 17ª ETAPA – 27 de setembro – Rússia (Sochi)
  • 18ª ETAPA – 11 de outubro – Japão (Suzuka)
  • 19ª ETAPA – 25 de outubro – Estados Unidos (Austin)
  • 20ª ETAPA – 01 de novembro – México (Cidade do México)
  • 21ª ETAPA – 15 de novembro – Brasil (Interlagos)
  • 22ª ETAPA – 29 de novembro – Abu Dhabi (Yas Marina)

    MERCEDES

    44 – LEWIS HAMILTON (INGLATERRA)
    77 – VALTTERI BOTTAS (FINLÂNDIA)

    Mercedes 2020 — Foto: Reprodução/FOM

    Mercedes 2020 — Foto: Reprodução/FOM

    FERRARI

    5 – SEBASTIAN VETTEL (ALEMANHA)
    16 – CHARLES LECLERC (MÔNACO)

    Ferrari 2020 — Foto: Reprodução/FOM

    Ferrari 2020 — Foto: Reprodução/FOM

    RBR-HONDA

    33 – MAX VERSTAPPEN (HOLANDA)
    23 – ALEXANDER ALBON (TAILÂNDIA)

    RBR 2020 — Foto: Reprodução/FOM

    RBR 2020 — Foto: Reprodução/FOM

    MCLAREN-RENAULT

    55 – CARLOS SAINZ (ESPANHA)
    4 – LANDO NORRIS (INGLATERRA)

    McLaren-Renault 2020 — Foto: Reprodução/FOM

    McLaren-Renault 2020 — Foto: Reprodução/FOM

    RENAULT

    3 – DANIEL RICCIARDO (AUSTRÁLIA)
    31 – ESTEBAN OCON (FRANÇA)

    Renault 2020 — Foto: Reprodução/FOM

    Renault 2020 — Foto: Reprodução/FOM

    ALPHA TAURI-HONDA

    10 – PIERRE GASLY (FRANÇA)
    26 – DANIIL KVYAT (RÚSSIA)Alpha Tauri 2020 — Foto: Reprodução/FOM

    Alpha Tauri 2020 — Foto: Reprodução/FOM

    RACING POINT-MERCEDES

    18 – LANCE STROLL (CANADÁ)
    11 – SERGIO PÉREZ (MÉXICO)

    Racing Point 2020 — Foto: Reprodução/FOM

    Racing Point 2020 — Foto: Reprodução/FOM

    ALFA ROMEO-FERRARI

    7 – KIMI RAIKKONEN (FINLÂNDIA)
    99 – ANTONIO GIOVINAZZI (ITÁLIA)

    Alfa Romeo 2020 — Foto: Reprodução/FOM

    Alfa Romeo 2020 — Foto: Reprodução/FOM

    HAAS-FERRARI

    20 – KEVIN MAGNUSSEN (DINAMARCA)
    8 – ROMAIN GROSJEAN (FRANÇA)

    Haas 2020 — Foto: Reprodução/FOM

    Haas 2020 — Foto: Reprodução/FOM

    WILLIAMS-MERCEDES

    63 – GEORGE RUSSELL (INGLATERRA)
    40 – NICHOLAS LATIFI (CANADÁ)

    Williams 2020 — Foto: Reprodução/FOM

    Williams 2020 — Foto: Reprodução/FOM

Submarino Riachuelo,Marinha do Brasil,Blog do Mesquita

É Froidi – Drops & Picles

Frase do dia
“Assim que a expressão de entrega se choca com bloqueios que impedem a sua livre expansão, transforma-se em raiva destruidora.”
Wilhelm ReichWilhelm Reich,Filosofia,Literatura


Mais estranho que o desaparecimento do motorista, é o desaparecimento da Polícia Federal, do Ministério Público e de todo Judiciário Brasileiro.
Logo aqui, no país da Lava Jato?


“Justiça acata pedido e agricultor deve ser solto após três meses preso por furtar biscoito”

Mas também quem mandou roubar um pacote de biscoito, cuja valor não era irrisório, né?Geddel,Corrupção,Brasil,Malas de Dinheiro,Blog do Mesquita,Justiça Geddel,Corrupção,Brasil,Malas de Dinheiro,Blog do Mesquita,Justiça

Da série de terror “Não irá sobrar nada”

Baleia encontrada morta com 40Kg de sacos plásticos no estômago.Meio Ambiente,Vida Selvagem,Baleia,Poluição,Oceanos,Plásticos,Blog do Mesquita

COAF…COAF…COAF
Cabaré em chamas.
Até a JanaLoka denunciou o esquema do Bozo Filho.
Flávio Bolsonaro contrata assessores e fica com parte dos salários deles.
Parece o governo cubano que ficava com parte do salário dos médicos.


Brasil da série “Sem humor não dá pra agüentar o tranco nesse hospício.”Bolsonaro,Motorista,Blog do Mesquita


Design – Portas e Janelas
Mosteiro de Batalha,Portugal
Arquitetura,Design,Blog do Mesquita,Mosteiro de Batalha,Portugal


Sinto dizer que goiabeira e a bolsa estupro, todos vinculados à ministra Damares, são cortina de fumaça para a corrupção dos Bolsonaros. E nós caímos mais uma vez. Robôs dos goiabas seguem pautando as redes.Bolsonaro,Brasil,COAF,Corrupção


Onde está o motorista Fabrício Bolsonaro Queiroz?Blog do Mesquita,Fabricio Queiroz,Motorista,Bolsonaro,Brasil,Corrupção


Cerimônia de Lançamento ao mar do Submarino Riachuelo, o primeiro de alta tecnologia fabricado no Brasil, nos estaleiros da Marinha Brasileira.

O nuclear, se “as forças ocultas não “atrapalharem”, em breve.Submarino Riachuelo,Marinha do Brasil,Blog do Mesquita
Bebê espantado,Blog do Mesquita

É Froidi – Drops & Picles

Da série “Meu ofício é incomodar”
Cadê o Queiroz?
Quem matou Mariele?
Cadê o esfaqueador?
Só chamando o Herculano QuintanilhaBola de Cristal,Blog do Mesquita,O Astro

Imagina você entrando nessa Catedral em Campinas e o padre com uma 12 do lado da Bíblia?
Uma mistura de Gunslinger com Priest!

Armas,Igreja,Blog do Mesquita

Fotografias,Animais,Cavalos,Blog do Mesquita 3


Vamos fazer as contas?
Fernanda Montenegro é atriz desde antes de 1951, e a Lei Rouanet foi criada em 1991.
Em 1991, ela já era um ícone da dramaturgia no país e conhecida mundialmente.
Como ela só ficou famosa por quê “mama” na Lei Rouanet?
A NASA precisa estudar os devotos da “famiglia”.


Chega!
Ela tem um livro: Jesus no pé de goiaba! Dá pra acreditar?
“Eu vi Jesus no pé de goiaba”, diz Damares Alves, futura ministra de Bolsonaro.


Ministra-pastora propõe relativizar o estupro, humanizar o estuprador e punir a mulher tonando o aborto crime hediondo. Uma inacreditável peça de violência contra a mulher em três atosFreira,Terror,Blog do Mesquita


Ontem foi o Dia Mundial do Palhaço, mas aqui no Bananil, o dia durará, no mínimo quatro anos.

Se abrir a porta para maluco, ninguém a fechará mais.
Reunião dessa turma dos parafuso solto. Olhem só o futuro ministro da Ciência e Tecnologia participando das reuniões do Gabinete de Transição do novo(?) governo, vestido de astronauta.Bolsonaro, Astronauta

O mais triste, desesperador, é que ainda tem muito espaço para piorar.
“Vamos tratar meninas como princesas e meninos como príncipes”, diz futura ministra –
A pastora Damares Alves defendeu o que chamou de uma contrarrevolução cultural. Cuma? Hahahaha.


Inacreditável: Alberto Fraga – bancada da bala, não se reelegeu e é “cliente” da Lava Jato – acaba de culpar a Rede Globo pelo atentado ocorrido em Campinas, em que um homem abriu fogo na catedral, matou quatro e cometeu suicídio. “Esse tipo de atitude deve-se à repercussão da Rede Globo de casos isolados dos EUA sendo repercutidos aqui”. “Quiuspa”!Brasil,Política,Humor


A xenofobia, a rejeição da pluralidade, a mentalidade paranoica em relação ao mundo exterior e a construção de bodes expiatórios se transformaram em tendência mundial. É preciso levar a sério a questão nacional, não deixá-la nas mãos dos extremistas. Também é necessário fortalecer a coesão coletiva


Fabrício Queiroz,Motorista,Bolsonaro


O Junior, “parça” do motorista desaparecido, Filhinho disse que ia invadir a Venezuela. Será que ele mantém a promessa? Se só com a Venezuela sozinha já não iria conseguir, imagine agora com a Rússia. Vai que é sua, Bozinho!Aviões,Bombardeiros,Rússia,Venezuela,Bolsonaro


Mais um.
Ricardo Salles gastou R$ 260 mil para propaganda eleitoral antecipada, diz MP
Procuradoria acusa novo ministro do Ambiente de abuso de poder econômico na eleição
Ricardo Salles gastou R$ 260 mil para propaganda eleitoral antecipada, diz MPBolsonaro,Brasil,COAF,Corrupção


Mudança no mundo das histórias infantis: sai “João e o Pé de Feijão”, entra “Jesus e o Pé de Goiaba”.
Mas é bom tomar cuidado. Depois de ouvir a versão contada pela tia Damares, a criança fica uma semana sem dormir.



Não escapa ninguém. Só tem ladrão. Tudo com rabo preso apontando o rabo preso dos outros.
PSC, PT e PSOL aparecem em relatório do Coaf.


Tem que ser interditada. Na frente da tia da goiabeira, Paschoal é um modelo de sanidade e equilíbrio emocional.

O garotinho do filme “Sexto Sentido”
– Eu acho que vejo gente morta!
Ministra do Bozó:
– Fica quieto moleque, eu vejo Jesus na goiabeira o tempo e, nem por isso fico dando bandeira, fica quieto senão internam a gente!

Meu pé de Laranja, Laranja.

Alguma notícia de como funciona o Programa Minha Laranja Minha Vida?
PF fazendo buscas nas casas dos envolvidos? Um Plantão da Globo mostrando PowerPoint? Algo?Laranjas,Corrupção,Lavagem de dinheiro,Blog do Mesquita
Depois de 19 dias de batalha, Magnus Carlsen finalmente alcançou a vitória e venceu o Campeonato Mundial de Xadrez nesta quarta-feira, em Londres. Ele é o dono do título desde 2013. Desta vez, o norueguês venceu o americano Fabiano Caruana por 3 a 0 no desempate por partidas rápidas - desfecho para uma disputa que se iniciou em 9 de novembro. Carlsen, de 27 anos, receberá um prêmio de valor superior a US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,8 milhões). Ele confirma também a atribuição de ter talvez o principal rosto da renovação deste jogo, criado há mais de 1.500 anos. O homem que sobreviveu a contato com tribo isolada que matou americano: 'Estava claro que eu não era bem-vindo' O boi gigante que chocou telespectadores de TV australiana e escapou do abate por ser 'grande demais' Oligopólio soviético Para começar, Carlsen não nasceu na União Soviética ou em algum país do Leste Europeu, região que lidera no ramo desde a Guerra Fria. Até o surgimento desta estrela norueguesa, somente dois enxadristas conseguiram romper o oligopólio soviético e de seus aliados desde 1937: o americano Bobby Fischer e o indiano Viswanathan Anand. Nenhum deles, porém, chegou ao nível de excelência de Carlsen. Nem mesmo o russo Gary Kasparov, que ficou famoso mundialmente por seus duelos contra computadores nos anos 90. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Caruana (na foto, à esq.) e Carlsen já se enfrentaram 56 vezes Carlsen se tornou um fenômeno inédito e global no xadrez desde que conquistou o primeiro título mundial, aos 22 anos. Além da genialidade no tabuleiro, sua imagem protagonizou propagandas de relógios de luxo, de carros esportivos e da grife holandesa G-Star Raw. Um documentário sobre sua vida já chegou a 56 países e, em 2013, seu nome figurou entre as 100 pessoas mais influentes do mundo segundo a revista TIME. Outro indicador de sua popularidade foi ter aparecido... em um episódio do desenho Os Simpsons. Direito de imagemFOX Image caption Magnus Carlson foi retratado em um episódio de Os Simpsons Rivalidade entre irmãos "O xadrez era visto como um esporte de homens mais velhos", explicou à BBC Kate Murphy, diretora da Play Magnus, uma empresa criada por Carlsen para o mercado de aplicativos de xadrez. Mas "Carlsen mudou essa percepção ao ganhar o título e motivar os mais jovens a jogar xadrez", destacou. O norueguês foi introduzido ao jogo pelo pai, aos 5 anos - mas inicialmente não deu muita bola para a atividade. O interesse mudou após ganhar de sua irmã mais velha, que até o momento era quem se juntava ao progenitor da casa, Hendrik Carlsen, para jogar. "Ganhar dela era minha principal motivação e, nesse processo, o xadrez me cativou", disse o campeão mundial em uma entrevista em 2016. Aos 9 anos, Carlsen começou a ganhar do pai. Mozart do tabuleiro Aos 13, Magnus Carlsen já era um grande Mestre Internacional de Xadrez, um título vitalício concedido pela Federação Internacional de Xadrez. Com isso, ele passou a ser chamado de "Mozart do xadrez", destacando o impressionante talento de uma pessoa com origem em um país distante de ser uma potência no esporte. Ele é o único norueguês entre os 100 primeiros na classificação mundial. A Rússia, por sua vez, tem mais de 20 representantes - seguida pela China (9), Reino Unido e Estados Unidos (7) e Índia (6). Direito de imagemEPA Image caption Carlsen é um raro representante de seu país no mundo do xadrez A guinada de Carlsen coincidiu também com o avanço tecnológico que sacudiu o mundo no século 21. Graças à internet, o jogo teve uma exposição jamais vista - multiplicando-se em diferentes plataformas nas redes sociais e nos smartphones. O site Chess.com assegura contar com mais de 2 bilhões de usuários no mundo. Jovens no poder "Kasparov foi um jogador brilhante e um perfeito embaixador do esporte, mas Magnus Carlsen chegou na hora e no lugar certo para se beneficiar da internet e das mídias sociais", diz Peter Doggers, um dos diretores do Chess.com. Uma das mudanças mais óbvias ocorreu na demografia da população que pratica a atividade: seis dos dez melhores jogadores do mundo hoje têm menos de 30 anos. Entre as mulheres, a proporção é ainda maior: nove das dez, incluindo a número um do mundo, a chinesa Hou Yifan. "Essa é uma das consequências mais imediatas de como os computadores influenciaram o xadrez. Hoje, qualquer criança com um laptop ou celular pode treinar duro e melhorar", acrescenta Doggers. "Mas não há dúvida de que Carlsen é o modelo a ser seguido e, graças a ele, a visibilidade do jogo aumentou". Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption A tecnologia expandiu o alcance do milenar xadrez O oponente A final de Londres ofereceu uma experiência completamente nova para Carlsen: foi a primeira vez que ele disputou com um rival mais novo. Seu oponente foi Fabiano Caruana, número dois do mundo. De origem italiana, Caruana buscava ser o primeiro jogador nascido nos EUA a se tornar campeão desde que Bobby Fischer surpreendeu o mundo com sua espetacular vitória em 1972 sobre Boris Spassky, um dos representantes da era soviética. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption O americano Bobby Fischer foi um dos dois enxadristas a romper com o domínio da União Soviética na elite do jogo Esse duelo, acontecido em Reykjavik, na Islândia, é conhecido como o "Duelo do Século" - inspirando filmes e musicais da Broadway. "Fischer chegou a ganhar mais dinheiro do que Mohamed Ali, o que mostra o impacto de sua vitória sobre Spassky", diz o jornalista Brin-Jonathan Butler, autor do livro sobre o famoso duelo. "Mas ele também mostrou como a genialidade e a loucura andam de mãos dadas no xadrez". Butler faz referência à negativa feita por Fischer de defender novamente o título em 1975 e a posterior obscuridade na qual caiu o americano. Durante anos, o enxadrista precisou viver recluso e ficou famoso por sua batalha legal contra o governo dos EUA, após desafiar um embargo e jogar na antiga Iugoslávia, em 1992. "Fischer foi um artista do tabuleiro. Magnus joga como uma máquina e às vezes isso é frustrante, se o que você está procurando é um jogo mais emocionante. Embora ainda seja extraordinário", opina Butler. Capitão América versus Thor Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Preparo físico do norueguês é destacado como um de seus grandes diferenciais Caruana se tornou o Mestre Internacional de Xadrez mais jovem dos Estados Unidos a alcançar esse reconhecimento, com 15 anos. Agora, ele era um dos protagonistas de "Capitão América versus Thor", como seu duelo contra Carlsen foi promovido nos Estados Unidos. A comparação de Magnus com o guerreiro norueguês também alude ao seu excelente estado físico. Jogos de alta performance podem durar até seis horas e, no caso do norueguês, acredita-se que sua resistência tenha sido um ingrediente crucial na vitória.

Magnus Carlsen, campeão mundial de xadrez: quem é o norueguês que repaginou o esporte

Depois de 19 dias de batalha, Magnus Carlsen finalmente alcançou a vitória e venceu o Campeonato Mundial de Xadrez nesta quarta-feira, em Londres. Ele é o dono do título desde 2013.Depois de 19 dias de batalha, Magnus Carlsen finalmente alcançou a vitória e venceu o Campeonato Mundial de Xadrez nesta quarta-feira, em Londres. Ele é o dono do título desde 2013. Desta vez, o norueguês venceu o americano Fabiano Caruana por 3 a 0 no desempate por partidas rápidas - desfecho para uma disputa que se iniciou em 9 de novembro. Carlsen, de 27 anos, receberá um prêmio de valor superior a US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,8 milhões). Ele confirma também a atribuição de ter talvez o principal rosto da renovação deste jogo, criado há mais de 1.500 anos. O homem que sobreviveu a contato com tribo isolada que matou americano: 'Estava claro que eu não era bem-vindo' O boi gigante que chocou telespectadores de TV australiana e escapou do abate por ser 'grande demais' Oligopólio soviético Para começar, Carlsen não nasceu na União Soviética ou em algum país do Leste Europeu, região que lidera no ramo desde a Guerra Fria. Até o surgimento desta estrela norueguesa, somente dois enxadristas conseguiram romper o oligopólio soviético e de seus aliados desde 1937: o americano Bobby Fischer e o indiano Viswanathan Anand. Nenhum deles, porém, chegou ao nível de excelência de Carlsen. Nem mesmo o russo Gary Kasparov, que ficou famoso mundialmente por seus duelos contra computadores nos anos 90. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Caruana (na foto, à esq.) e Carlsen já se enfrentaram 56 vezes Carlsen se tornou um fenômeno inédito e global no xadrez desde que conquistou o primeiro título mundial, aos 22 anos. Além da genialidade no tabuleiro, sua imagem protagonizou propagandas de relógios de luxo, de carros esportivos e da grife holandesa G-Star Raw. Um documentário sobre sua vida já chegou a 56 países e, em 2013, seu nome figurou entre as 100 pessoas mais influentes do mundo segundo a revista TIME. Outro indicador de sua popularidade foi ter aparecido... em um episódio do desenho Os Simpsons. Direito de imagemFOX Image caption Magnus Carlson foi retratado em um episódio de Os Simpsons Rivalidade entre irmãos "O xadrez era visto como um esporte de homens mais velhos", explicou à BBC Kate Murphy, diretora da Play Magnus, uma empresa criada por Carlsen para o mercado de aplicativos de xadrez. Mas "Carlsen mudou essa percepção ao ganhar o título e motivar os mais jovens a jogar xadrez", destacou. O norueguês foi introduzido ao jogo pelo pai, aos 5 anos - mas inicialmente não deu muita bola para a atividade. O interesse mudou após ganhar de sua irmã mais velha, que até o momento era quem se juntava ao progenitor da casa, Hendrik Carlsen, para jogar. "Ganhar dela era minha principal motivação e, nesse processo, o xadrez me cativou", disse o campeão mundial em uma entrevista em 2016. Aos 9 anos, Carlsen começou a ganhar do pai. Mozart do tabuleiro Aos 13, Magnus Carlsen já era um grande Mestre Internacional de Xadrez, um título vitalício concedido pela Federação Internacional de Xadrez. Com isso, ele passou a ser chamado de "Mozart do xadrez", destacando o impressionante talento de uma pessoa com origem em um país distante de ser uma potência no esporte. Ele é o único norueguês entre os 100 primeiros na classificação mundial. A Rússia, por sua vez, tem mais de 20 representantes - seguida pela China (9), Reino Unido e Estados Unidos (7) e Índia (6). Direito de imagemEPA Image caption Carlsen é um raro representante de seu país no mundo do xadrez A guinada de Carlsen coincidiu também com o avanço tecnológico que sacudiu o mundo no século 21. Graças à internet, o jogo teve uma exposição jamais vista - multiplicando-se em diferentes plataformas nas redes sociais e nos smartphones. O site Chess.com assegura contar com mais de 2 bilhões de usuários no mundo. Jovens no poder "Kasparov foi um jogador brilhante e um perfeito embaixador do esporte, mas Magnus Carlsen chegou na hora e no lugar certo para se beneficiar da internet e das mídias sociais", diz Peter Doggers, um dos diretores do Chess.com. Uma das mudanças mais óbvias ocorreu na demografia da população que pratica a atividade: seis dos dez melhores jogadores do mundo hoje têm menos de 30 anos. Entre as mulheres, a proporção é ainda maior: nove das dez, incluindo a número um do mundo, a chinesa Hou Yifan. "Essa é uma das consequências mais imediatas de como os computadores influenciaram o xadrez. Hoje, qualquer criança com um laptop ou celular pode treinar duro e melhorar", acrescenta Doggers. "Mas não há dúvida de que Carlsen é o modelo a ser seguido e, graças a ele, a visibilidade do jogo aumentou". Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption A tecnologia expandiu o alcance do milenar xadrez O oponente A final de Londres ofereceu uma experiência completamente nova para Carlsen: foi a primeira vez que ele disputou com um rival mais novo. Seu oponente foi Fabiano Caruana, número dois do mundo. De origem italiana, Caruana buscava ser o primeiro jogador nascido nos EUA a se tornar campeão desde que Bobby Fischer surpreendeu o mundo com sua espetacular vitória em 1972 sobre Boris Spassky, um dos representantes da era soviética. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption O americano Bobby Fischer foi um dos dois enxadristas a romper com o domínio da União Soviética na elite do jogo Esse duelo, acontecido em Reykjavik, na Islândia, é conhecido como o "Duelo do Século" - inspirando filmes e musicais da Broadway. "Fischer chegou a ganhar mais dinheiro do que Mohamed Ali, o que mostra o impacto de sua vitória sobre Spassky", diz o jornalista Brin-Jonathan Butler, autor do livro sobre o famoso duelo. "Mas ele também mostrou como a genialidade e a loucura andam de mãos dadas no xadrez". Butler faz referência à negativa feita por Fischer de defender novamente o título em 1975 e a posterior obscuridade na qual caiu o americano. Durante anos, o enxadrista precisou viver recluso e ficou famoso por sua batalha legal contra o governo dos EUA, após desafiar um embargo e jogar na antiga Iugoslávia, em 1992. "Fischer foi um artista do tabuleiro. Magnus joga como uma máquina e às vezes isso é frustrante, se o que você está procurando é um jogo mais emocionante. Embora ainda seja extraordinário", opina Butler. Capitão América versus Thor Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Preparo físico do norueguês é destacado como um de seus grandes diferenciais Caruana se tornou o Mestre Internacional de Xadrez mais jovem dos Estados Unidos a alcançar esse reconhecimento, com 15 anos. Agora, ele era um dos protagonistas de "Capitão América versus Thor", como seu duelo contra Carlsen foi promovido nos Estados Unidos. A comparação de Magnus com o guerreiro norueguês também alude ao seu excelente estado físico. Jogos de alta performance podem durar até seis horas e, no caso do norueguês, acredita-se que sua resistência tenha sido um ingrediente crucial na vitória.

Desta vez, o norueguês venceu o americano Fabiano Caruana por 3 a 0 no desempate por partidas rápidas – desfecho para uma disputa que se iniciou em 9 de novembro.

Carlsen, de 27 anos, receberá um prêmio de valor superior a US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,8 milhões). Ele confirma também a atribuição de ter talvez o principal rosto da renovação deste jogo, criado há mais de 1.500 anos.

Oligopólio soviético
Para começar, Carlsen não nasceu na União Soviética ou em algum país do Leste Europeu, região que lidera no ramo desde a Guerra Fria.

Até o surgimento desta estrela norueguesa, somente dois enxadristas conseguiram romper o oligopólio soviético e de seus aliados desde 1937: o americano Bobby Fischer e o indiano Viswanathan Anand.

Nenhum deles, porém, chegou ao nível de excelência de Carlsen.

Nem mesmo o russo Gary Kasparov, que ficou famoso mundialmente por seus duelos contra computadores nos anos 90.

Depois de 19 dias de batalha, Magnus Carlsen finalmente alcançou a vitória e venceu o Campeonato Mundial de Xadrez nesta quarta-feira, em Londres. Ele é o dono do título desde 2013. Desta vez, o norueguês venceu o americano Fabiano Caruana por 3 a 0 no desempate por partidas rápidas - desfecho para uma disputa que se iniciou em 9 de novembro. Carlsen, de 27 anos, receberá um prêmio de valor superior a US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,8 milhões). Ele confirma também a atribuição de ter talvez o principal rosto da renovação deste jogo, criado há mais de 1.500 anos. O homem que sobreviveu a contato com tribo isolada que matou americano: 'Estava claro que eu não era bem-vindo' O boi gigante que chocou telespectadores de TV australiana e escapou do abate por ser 'grande demais' Oligopólio soviético Para começar, Carlsen não nasceu na União Soviética ou em algum país do Leste Europeu, região que lidera no ramo desde a Guerra Fria. Até o surgimento desta estrela norueguesa, somente dois enxadristas conseguiram romper o oligopólio soviético e de seus aliados desde 1937: o americano Bobby Fischer e o indiano Viswanathan Anand. Nenhum deles, porém, chegou ao nível de excelência de Carlsen. Nem mesmo o russo Gary Kasparov, que ficou famoso mundialmente por seus duelos contra computadores nos anos 90. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Caruana (na foto, à esq.) e Carlsen já se enfrentaram 56 vezes Carlsen se tornou um fenômeno inédito e global no xadrez desde que conquistou o primeiro título mundial, aos 22 anos. Além da genialidade no tabuleiro, sua imagem protagonizou propagandas de relógios de luxo, de carros esportivos e da grife holandesa G-Star Raw. Um documentário sobre sua vida já chegou a 56 países e, em 2013, seu nome figurou entre as 100 pessoas mais influentes do mundo segundo a revista TIME. Outro indicador de sua popularidade foi ter aparecido... em um episódio do desenho Os Simpsons. Direito de imagemFOX Image caption Magnus Carlson foi retratado em um episódio de Os Simpsons Rivalidade entre irmãos "O xadrez era visto como um esporte de homens mais velhos", explicou à BBC Kate Murphy, diretora da Play Magnus, uma empresa criada por Carlsen para o mercado de aplicativos de xadrez. Mas "Carlsen mudou essa percepção ao ganhar o título e motivar os mais jovens a jogar xadrez", destacou. O norueguês foi introduzido ao jogo pelo pai, aos 5 anos - mas inicialmente não deu muita bola para a atividade. O interesse mudou após ganhar de sua irmã mais velha, que até o momento era quem se juntava ao progenitor da casa, Hendrik Carlsen, para jogar. "Ganhar dela era minha principal motivação e, nesse processo, o xadrez me cativou", disse o campeão mundial em uma entrevista em 2016. Aos 9 anos, Carlsen começou a ganhar do pai. Mozart do tabuleiro Aos 13, Magnus Carlsen já era um grande Mestre Internacional de Xadrez, um título vitalício concedido pela Federação Internacional de Xadrez. Com isso, ele passou a ser chamado de "Mozart do xadrez", destacando o impressionante talento de uma pessoa com origem em um país distante de ser uma potência no esporte. Ele é o único norueguês entre os 100 primeiros na classificação mundial. A Rússia, por sua vez, tem mais de 20 representantes - seguida pela China (9), Reino Unido e Estados Unidos (7) e Índia (6). Direito de imagemEPA Image caption Carlsen é um raro representante de seu país no mundo do xadrez A guinada de Carlsen coincidiu também com o avanço tecnológico que sacudiu o mundo no século 21. Graças à internet, o jogo teve uma exposição jamais vista - multiplicando-se em diferentes plataformas nas redes sociais e nos smartphones. O site Chess.com assegura contar com mais de 2 bilhões de usuários no mundo. Jovens no poder "Kasparov foi um jogador brilhante e um perfeito embaixador do esporte, mas Magnus Carlsen chegou na hora e no lugar certo para se beneficiar da internet e das mídias sociais", diz Peter Doggers, um dos diretores do Chess.com. Uma das mudanças mais óbvias ocorreu na demografia da população que pratica a atividade: seis dos dez melhores jogadores do mundo hoje têm menos de 30 anos. Entre as mulheres, a proporção é ainda maior: nove das dez, incluindo a número um do mundo, a chinesa Hou Yifan. "Essa é uma das consequências mais imediatas de como os computadores influenciaram o xadrez. Hoje, qualquer criança com um laptop ou celular pode treinar duro e melhorar", acrescenta Doggers. "Mas não há dúvida de que Carlsen é o modelo a ser seguido e, graças a ele, a visibilidade do jogo aumentou". Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption A tecnologia expandiu o alcance do milenar xadrez O oponente A final de Londres ofereceu uma experiência completamente nova para Carlsen: foi a primeira vez que ele disputou com um rival mais novo. Seu oponente foi Fabiano Caruana, número dois do mundo. De origem italiana, Caruana buscava ser o primeiro jogador nascido nos EUA a se tornar campeão desde que Bobby Fischer surpreendeu o mundo com sua espetacular vitória em 1972 sobre Boris Spassky, um dos representantes da era soviética. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption O americano Bobby Fischer foi um dos dois enxadristas a romper com o domínio da União Soviética na elite do jogo Esse duelo, acontecido em Reykjavik, na Islândia, é conhecido como o "Duelo do Século" - inspirando filmes e musicais da Broadway. "Fischer chegou a ganhar mais dinheiro do que Mohamed Ali, o que mostra o impacto de sua vitória sobre Spassky", diz o jornalista Brin-Jonathan Butler, autor do livro sobre o famoso duelo. "Mas ele também mostrou como a genialidade e a loucura andam de mãos dadas no xadrez". Butler faz referência à negativa feita por Fischer de defender novamente o título em 1975 e a posterior obscuridade na qual caiu o americano. Durante anos, o enxadrista precisou viver recluso e ficou famoso por sua batalha legal contra o governo dos EUA, após desafiar um embargo e jogar na antiga Iugoslávia, em 1992. "Fischer foi um artista do tabuleiro. Magnus joga como uma máquina e às vezes isso é frustrante, se o que você está procurando é um jogo mais emocionante. Embora ainda seja extraordinário", opina Butler. Capitão América versus Thor Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Preparo físico do norueguês é destacado como um de seus grandes diferenciais Caruana se tornou o Mestre Internacional de Xadrez mais jovem dos Estados Unidos a alcançar esse reconhecimento, com 15 anos. Agora, ele era um dos protagonistas de "Capitão América versus Thor", como seu duelo contra Carlsen foi promovido nos Estados Unidos. A comparação de Magnus com o guerreiro norueguês também alude ao seu excelente estado físico. Jogos de alta performance podem durar até seis horas e, no caso do norueguês, acredita-se que sua resistência tenha sido um ingrediente crucial na vitória.Direito de imagem GETTY IMAGES
Caruana (na foto, à esq.) e Carlsen já se enfrentaram 56 vezes

Carlsen se tornou um fenômeno inédito e global no xadrez desde que conquistou o primeiro título mundial, aos 22 anos.

Além da genialidade no tabuleiro, sua imagem protagonizou propagandas de relógios de luxo, de carros esportivos e da grife holandesa G-Star Raw.

Um documentário sobre sua vida já chegou a 56 países e, em 2013, seu nome figurou entre as 100 pessoas mais influentes do mundo segundo a revista TIME.

Outro indicador de sua popularidade foi ter aparecido… em um episódio do desenho Os Simpsons.

Depois de 19 dias de batalha, Magnus Carlsen finalmente alcançou a vitória e venceu o Campeonato Mundial de Xadrez nesta quarta-feira, em Londres. Ele é o dono do título desde 2013. Desta vez, o norueguês venceu o americano Fabiano Caruana por 3 a 0 no desempate por partidas rápidas - desfecho para uma disputa que se iniciou em 9 de novembro. Carlsen, de 27 anos, receberá um prêmio de valor superior a US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,8 milhões). Ele confirma também a atribuição de ter talvez o principal rosto da renovação deste jogo, criado há mais de 1.500 anos. O homem que sobreviveu a contato com tribo isolada que matou americano: 'Estava claro que eu não era bem-vindo' O boi gigante que chocou telespectadores de TV australiana e escapou do abate por ser 'grande demais' Oligopólio soviético Para começar, Carlsen não nasceu na União Soviética ou em algum país do Leste Europeu, região que lidera no ramo desde a Guerra Fria. Até o surgimento desta estrela norueguesa, somente dois enxadristas conseguiram romper o oligopólio soviético e de seus aliados desde 1937: o americano Bobby Fischer e o indiano Viswanathan Anand. Nenhum deles, porém, chegou ao nível de excelência de Carlsen. Nem mesmo o russo Gary Kasparov, que ficou famoso mundialmente por seus duelos contra computadores nos anos 90. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Caruana (na foto, à esq.) e Carlsen já se enfrentaram 56 vezes Carlsen se tornou um fenômeno inédito e global no xadrez desde que conquistou o primeiro título mundial, aos 22 anos. Além da genialidade no tabuleiro, sua imagem protagonizou propagandas de relógios de luxo, de carros esportivos e da grife holandesa G-Star Raw. Um documentário sobre sua vida já chegou a 56 países e, em 2013, seu nome figurou entre as 100 pessoas mais influentes do mundo segundo a revista TIME. Outro indicador de sua popularidade foi ter aparecido... em um episódio do desenho Os Simpsons. Direito de imagemFOX Image caption Magnus Carlson foi retratado em um episódio de Os Simpsons Rivalidade entre irmãos "O xadrez era visto como um esporte de homens mais velhos", explicou à BBC Kate Murphy, diretora da Play Magnus, uma empresa criada por Carlsen para o mercado de aplicativos de xadrez. Mas "Carlsen mudou essa percepção ao ganhar o título e motivar os mais jovens a jogar xadrez", destacou. O norueguês foi introduzido ao jogo pelo pai, aos 5 anos - mas inicialmente não deu muita bola para a atividade. O interesse mudou após ganhar de sua irmã mais velha, que até o momento era quem se juntava ao progenitor da casa, Hendrik Carlsen, para jogar. "Ganhar dela era minha principal motivação e, nesse processo, o xadrez me cativou", disse o campeão mundial em uma entrevista em 2016. Aos 9 anos, Carlsen começou a ganhar do pai. Mozart do tabuleiro Aos 13, Magnus Carlsen já era um grande Mestre Internacional de Xadrez, um título vitalício concedido pela Federação Internacional de Xadrez. Com isso, ele passou a ser chamado de "Mozart do xadrez", destacando o impressionante talento de uma pessoa com origem em um país distante de ser uma potência no esporte. Ele é o único norueguês entre os 100 primeiros na classificação mundial. A Rússia, por sua vez, tem mais de 20 representantes - seguida pela China (9), Reino Unido e Estados Unidos (7) e Índia (6). Direito de imagemEPA Image caption Carlsen é um raro representante de seu país no mundo do xadrez A guinada de Carlsen coincidiu também com o avanço tecnológico que sacudiu o mundo no século 21. Graças à internet, o jogo teve uma exposição jamais vista - multiplicando-se em diferentes plataformas nas redes sociais e nos smartphones. O site Chess.com assegura contar com mais de 2 bilhões de usuários no mundo. Jovens no poder "Kasparov foi um jogador brilhante e um perfeito embaixador do esporte, mas Magnus Carlsen chegou na hora e no lugar certo para se beneficiar da internet e das mídias sociais", diz Peter Doggers, um dos diretores do Chess.com. Uma das mudanças mais óbvias ocorreu na demografia da população que pratica a atividade: seis dos dez melhores jogadores do mundo hoje têm menos de 30 anos. Entre as mulheres, a proporção é ainda maior: nove das dez, incluindo a número um do mundo, a chinesa Hou Yifan. "Essa é uma das consequências mais imediatas de como os computadores influenciaram o xadrez. Hoje, qualquer criança com um laptop ou celular pode treinar duro e melhorar", acrescenta Doggers. "Mas não há dúvida de que Carlsen é o modelo a ser seguido e, graças a ele, a visibilidade do jogo aumentou". Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption A tecnologia expandiu o alcance do milenar xadrez O oponente A final de Londres ofereceu uma experiência completamente nova para Carlsen: foi a primeira vez que ele disputou com um rival mais novo. Seu oponente foi Fabiano Caruana, número dois do mundo. De origem italiana, Caruana buscava ser o primeiro jogador nascido nos EUA a se tornar campeão desde que Bobby Fischer surpreendeu o mundo com sua espetacular vitória em 1972 sobre Boris Spassky, um dos representantes da era soviética. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption O americano Bobby Fischer foi um dos dois enxadristas a romper com o domínio da União Soviética na elite do jogo Esse duelo, acontecido em Reykjavik, na Islândia, é conhecido como o "Duelo do Século" - inspirando filmes e musicais da Broadway. "Fischer chegou a ganhar mais dinheiro do que Mohamed Ali, o que mostra o impacto de sua vitória sobre Spassky", diz o jornalista Brin-Jonathan Butler, autor do livro sobre o famoso duelo. "Mas ele também mostrou como a genialidade e a loucura andam de mãos dadas no xadrez". Butler faz referência à negativa feita por Fischer de defender novamente o título em 1975 e a posterior obscuridade na qual caiu o americano. Durante anos, o enxadrista precisou viver recluso e ficou famoso por sua batalha legal contra o governo dos EUA, após desafiar um embargo e jogar na antiga Iugoslávia, em 1992. "Fischer foi um artista do tabuleiro. Magnus joga como uma máquina e às vezes isso é frustrante, se o que você está procurando é um jogo mais emocionante. Embora ainda seja extraordinário", opina Butler. Capitão América versus Thor Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Preparo físico do norueguês é destacado como um de seus grandes diferenciais Caruana se tornou o Mestre Internacional de Xadrez mais jovem dos Estados Unidos a alcançar esse reconhecimento, com 15 anos. Agora, ele era um dos protagonistas de "Capitão América versus Thor", como seu duelo contra Carlsen foi promovido nos Estados Unidos. A comparação de Magnus com o guerreiro norueguês também alude ao seu excelente estado físico. Jogos de alta performance podem durar até seis horas e, no caso do norueguês, acredita-se que sua resistência tenha sido um ingrediente crucial na vitória.Direito de imagem FOX
Magnus Carlson foi retratado em um episódio de Os Simpsons

Rivalidade entre irmãos
“O xadrez era visto como um esporte de homens mais velhos”, explicou à BBC Kate Murphy, diretora da Play Magnus, uma empresa criada por Carlsen para o mercado de aplicativos de xadrez.

Mas “Carlsen mudou essa percepção ao ganhar o título e motivar os mais jovens a jogar xadrez”, destacou.

O norueguês foi introduzido ao jogo pelo pai, aos 5 anos – mas inicialmente não deu muita bola para a atividade.

O interesse mudou após ganhar de sua irmã mais velha, que até o momento era quem se juntava ao progenitor da casa, Hendrik Carlsen, para jogar.

“Ganhar dela era minha principal motivação e, nesse processo, o xadrez me cativou”, disse o campeão mundial em uma entrevista em 2016.

Aos 9 anos, Carlsen começou a ganhar do pai.

Mozart do tabuleiro
Aos 13, Magnus Carlsen já era um grande Mestre Internacional de Xadrez, um título vitalício concedido pela Federação Internacional de Xadrez.

Com isso, ele passou a ser chamado de “Mozart do xadrez”, destacando o impressionante talento de uma pessoa com origem em um país distante de ser uma potência no esporte.

Ele é o único norueguês entre os 100 primeiros na classificação mundial.

A Rússia, por sua vez, tem mais de 20 representantes – seguida pela China (9), Reino Unido e Estados Unidos (7) e Índia (6).

Depois de 19 dias de batalha, Magnus Carlsen finalmente alcançou a vitória e venceu o Campeonato Mundial de Xadrez nesta quarta-feira, em Londres. Ele é o dono do título desde 2013. Desta vez, o norueguês venceu o americano Fabiano Caruana por 3 a 0 no desempate por partidas rápidas - desfecho para uma disputa que se iniciou em 9 de novembro. Carlsen, de 27 anos, receberá um prêmio de valor superior a US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,8 milhões). Ele confirma também a atribuição de ter talvez o principal rosto da renovação deste jogo, criado há mais de 1.500 anos. O homem que sobreviveu a contato com tribo isolada que matou americano: 'Estava claro que eu não era bem-vindo' O boi gigante que chocou telespectadores de TV australiana e escapou do abate por ser 'grande demais' Oligopólio soviético Para começar, Carlsen não nasceu na União Soviética ou em algum país do Leste Europeu, região que lidera no ramo desde a Guerra Fria. Até o surgimento desta estrela norueguesa, somente dois enxadristas conseguiram romper o oligopólio soviético e de seus aliados desde 1937: o americano Bobby Fischer e o indiano Viswanathan Anand. Nenhum deles, porém, chegou ao nível de excelência de Carlsen. Nem mesmo o russo Gary Kasparov, que ficou famoso mundialmente por seus duelos contra computadores nos anos 90. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Caruana (na foto, à esq.) e Carlsen já se enfrentaram 56 vezes Carlsen se tornou um fenômeno inédito e global no xadrez desde que conquistou o primeiro título mundial, aos 22 anos. Além da genialidade no tabuleiro, sua imagem protagonizou propagandas de relógios de luxo, de carros esportivos e da grife holandesa G-Star Raw. Um documentário sobre sua vida já chegou a 56 países e, em 2013, seu nome figurou entre as 100 pessoas mais influentes do mundo segundo a revista TIME. Outro indicador de sua popularidade foi ter aparecido... em um episódio do desenho Os Simpsons. Direito de imagemFOX Image caption Magnus Carlson foi retratado em um episódio de Os Simpsons Rivalidade entre irmãos "O xadrez era visto como um esporte de homens mais velhos", explicou à BBC Kate Murphy, diretora da Play Magnus, uma empresa criada por Carlsen para o mercado de aplicativos de xadrez. Mas "Carlsen mudou essa percepção ao ganhar o título e motivar os mais jovens a jogar xadrez", destacou. O norueguês foi introduzido ao jogo pelo pai, aos 5 anos - mas inicialmente não deu muita bola para a atividade. O interesse mudou após ganhar de sua irmã mais velha, que até o momento era quem se juntava ao progenitor da casa, Hendrik Carlsen, para jogar. "Ganhar dela era minha principal motivação e, nesse processo, o xadrez me cativou", disse o campeão mundial em uma entrevista em 2016. Aos 9 anos, Carlsen começou a ganhar do pai. Mozart do tabuleiro Aos 13, Magnus Carlsen já era um grande Mestre Internacional de Xadrez, um título vitalício concedido pela Federação Internacional de Xadrez. Com isso, ele passou a ser chamado de "Mozart do xadrez", destacando o impressionante talento de uma pessoa com origem em um país distante de ser uma potência no esporte. Ele é o único norueguês entre os 100 primeiros na classificação mundial. A Rússia, por sua vez, tem mais de 20 representantes - seguida pela China (9), Reino Unido e Estados Unidos (7) e Índia (6). Direito de imagemEPA Image caption Carlsen é um raro representante de seu país no mundo do xadrez A guinada de Carlsen coincidiu também com o avanço tecnológico que sacudiu o mundo no século 21. Graças à internet, o jogo teve uma exposição jamais vista - multiplicando-se em diferentes plataformas nas redes sociais e nos smartphones. O site Chess.com assegura contar com mais de 2 bilhões de usuários no mundo. Jovens no poder "Kasparov foi um jogador brilhante e um perfeito embaixador do esporte, mas Magnus Carlsen chegou na hora e no lugar certo para se beneficiar da internet e das mídias sociais", diz Peter Doggers, um dos diretores do Chess.com. Uma das mudanças mais óbvias ocorreu na demografia da população que pratica a atividade: seis dos dez melhores jogadores do mundo hoje têm menos de 30 anos. Entre as mulheres, a proporção é ainda maior: nove das dez, incluindo a número um do mundo, a chinesa Hou Yifan. "Essa é uma das consequências mais imediatas de como os computadores influenciaram o xadrez. Hoje, qualquer criança com um laptop ou celular pode treinar duro e melhorar", acrescenta Doggers. "Mas não há dúvida de que Carlsen é o modelo a ser seguido e, graças a ele, a visibilidade do jogo aumentou". Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption A tecnologia expandiu o alcance do milenar xadrez O oponente A final de Londres ofereceu uma experiência completamente nova para Carlsen: foi a primeira vez que ele disputou com um rival mais novo. Seu oponente foi Fabiano Caruana, número dois do mundo. De origem italiana, Caruana buscava ser o primeiro jogador nascido nos EUA a se tornar campeão desde que Bobby Fischer surpreendeu o mundo com sua espetacular vitória em 1972 sobre Boris Spassky, um dos representantes da era soviética. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption O americano Bobby Fischer foi um dos dois enxadristas a romper com o domínio da União Soviética na elite do jogo Esse duelo, acontecido em Reykjavik, na Islândia, é conhecido como o "Duelo do Século" - inspirando filmes e musicais da Broadway. "Fischer chegou a ganhar mais dinheiro do que Mohamed Ali, o que mostra o impacto de sua vitória sobre Spassky", diz o jornalista Brin-Jonathan Butler, autor do livro sobre o famoso duelo. "Mas ele também mostrou como a genialidade e a loucura andam de mãos dadas no xadrez". Butler faz referência à negativa feita por Fischer de defender novamente o título em 1975 e a posterior obscuridade na qual caiu o americano. Durante anos, o enxadrista precisou viver recluso e ficou famoso por sua batalha legal contra o governo dos EUA, após desafiar um embargo e jogar na antiga Iugoslávia, em 1992. "Fischer foi um artista do tabuleiro. Magnus joga como uma máquina e às vezes isso é frustrante, se o que você está procurando é um jogo mais emocionante. Embora ainda seja extraordinário", opina Butler. Capitão América versus Thor Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Preparo físico do norueguês é destacado como um de seus grandes diferenciais Caruana se tornou o Mestre Internacional de Xadrez mais jovem dos Estados Unidos a alcançar esse reconhecimento, com 15 anos. Agora, ele era um dos protagonistas de "Capitão América versus Thor", como seu duelo contra Carlsen foi promovido nos Estados Unidos. A comparação de Magnus com o guerreiro norueguês também alude ao seu excelente estado físico. Jogos de alta performance podem durar até seis horas e, no caso do norueguês, acredita-se que sua resistência tenha sido um ingrediente crucial na vitória.Direito de imagem EPA
Carlsen é um raro representante de seu país no mundo do xadrez

A guinada de Carlsen coincidiu também com o avanço tecnológico que sacudiu o mundo no século 21.

Graças à internet, o jogo teve uma exposição jamais vista – multiplicando-se em diferentes plataformas nas redes sociais e nos smartphones.

O site Chess.com assegura contar com mais de 2 bilhões de usuários no mundo.

Jovens no poder
“Kasparov foi um jogador brilhante e um perfeito embaixador do esporte, mas Magnus Carlsen chegou na hora e no lugar certo para se beneficiar da internet e das mídias sociais”, diz Peter Doggers, um dos diretores do Chess.com.

Uma das mudanças mais óbvias ocorreu na demografia da população que pratica a atividade: seis dos dez melhores jogadores do mundo hoje têm menos de 30 anos.

Entre as mulheres, a proporção é ainda maior: nove das dez, incluindo a número um do mundo, a chinesa Hou Yifan.

“Essa é uma das consequências mais imediatas de como os computadores influenciaram o xadrez. Hoje, qualquer criança com um laptop ou celular pode treinar duro e melhorar”, acrescenta Doggers.

“Mas não há dúvida de que Carlsen é o modelo a ser seguido e, graças a ele, a visibilidade do jogo aumentou”.

Depois de 19 dias de batalha, Magnus Carlsen finalmente alcançou a vitória e venceu o Campeonato Mundial de Xadrez nesta quarta-feira, em Londres. Ele é o dono do título desde 2013. Desta vez, o norueguês venceu o americano Fabiano Caruana por 3 a 0 no desempate por partidas rápidas - desfecho para uma disputa que se iniciou em 9 de novembro. Carlsen, de 27 anos, receberá um prêmio de valor superior a US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,8 milhões). Ele confirma também a atribuição de ter talvez o principal rosto da renovação deste jogo, criado há mais de 1.500 anos. O homem que sobreviveu a contato com tribo isolada que matou americano: 'Estava claro que eu não era bem-vindo' O boi gigante que chocou telespectadores de TV australiana e escapou do abate por ser 'grande demais' Oligopólio soviético Para começar, Carlsen não nasceu na União Soviética ou em algum país do Leste Europeu, região que lidera no ramo desde a Guerra Fria. Até o surgimento desta estrela norueguesa, somente dois enxadristas conseguiram romper o oligopólio soviético e de seus aliados desde 1937: o americano Bobby Fischer e o indiano Viswanathan Anand. Nenhum deles, porém, chegou ao nível de excelência de Carlsen. Nem mesmo o russo Gary Kasparov, que ficou famoso mundialmente por seus duelos contra computadores nos anos 90. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Caruana (na foto, à esq.) e Carlsen já se enfrentaram 56 vezes Carlsen se tornou um fenômeno inédito e global no xadrez desde que conquistou o primeiro título mundial, aos 22 anos. Além da genialidade no tabuleiro, sua imagem protagonizou propagandas de relógios de luxo, de carros esportivos e da grife holandesa G-Star Raw. Um documentário sobre sua vida já chegou a 56 países e, em 2013, seu nome figurou entre as 100 pessoas mais influentes do mundo segundo a revista TIME. Outro indicador de sua popularidade foi ter aparecido... em um episódio do desenho Os Simpsons. Direito de imagemFOX Image caption Magnus Carlson foi retratado em um episódio de Os Simpsons Rivalidade entre irmãos "O xadrez era visto como um esporte de homens mais velhos", explicou à BBC Kate Murphy, diretora da Play Magnus, uma empresa criada por Carlsen para o mercado de aplicativos de xadrez. Mas "Carlsen mudou essa percepção ao ganhar o título e motivar os mais jovens a jogar xadrez", destacou. O norueguês foi introduzido ao jogo pelo pai, aos 5 anos - mas inicialmente não deu muita bola para a atividade. O interesse mudou após ganhar de sua irmã mais velha, que até o momento era quem se juntava ao progenitor da casa, Hendrik Carlsen, para jogar. "Ganhar dela era minha principal motivação e, nesse processo, o xadrez me cativou", disse o campeão mundial em uma entrevista em 2016. Aos 9 anos, Carlsen começou a ganhar do pai. Mozart do tabuleiro Aos 13, Magnus Carlsen já era um grande Mestre Internacional de Xadrez, um título vitalício concedido pela Federação Internacional de Xadrez. Com isso, ele passou a ser chamado de "Mozart do xadrez", destacando o impressionante talento de uma pessoa com origem em um país distante de ser uma potência no esporte. Ele é o único norueguês entre os 100 primeiros na classificação mundial. A Rússia, por sua vez, tem mais de 20 representantes - seguida pela China (9), Reino Unido e Estados Unidos (7) e Índia (6). Direito de imagemEPA Image caption Carlsen é um raro representante de seu país no mundo do xadrez A guinada de Carlsen coincidiu também com o avanço tecnológico que sacudiu o mundo no século 21. Graças à internet, o jogo teve uma exposição jamais vista - multiplicando-se em diferentes plataformas nas redes sociais e nos smartphones. O site Chess.com assegura contar com mais de 2 bilhões de usuários no mundo. Jovens no poder "Kasparov foi um jogador brilhante e um perfeito embaixador do esporte, mas Magnus Carlsen chegou na hora e no lugar certo para se beneficiar da internet e das mídias sociais", diz Peter Doggers, um dos diretores do Chess.com. Uma das mudanças mais óbvias ocorreu na demografia da população que pratica a atividade: seis dos dez melhores jogadores do mundo hoje têm menos de 30 anos. Entre as mulheres, a proporção é ainda maior: nove das dez, incluindo a número um do mundo, a chinesa Hou Yifan. "Essa é uma das consequências mais imediatas de como os computadores influenciaram o xadrez. Hoje, qualquer criança com um laptop ou celular pode treinar duro e melhorar", acrescenta Doggers. "Mas não há dúvida de que Carlsen é o modelo a ser seguido e, graças a ele, a visibilidade do jogo aumentou". Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption A tecnologia expandiu o alcance do milenar xadrez O oponente A final de Londres ofereceu uma experiência completamente nova para Carlsen: foi a primeira vez que ele disputou com um rival mais novo. Seu oponente foi Fabiano Caruana, número dois do mundo. De origem italiana, Caruana buscava ser o primeiro jogador nascido nos EUA a se tornar campeão desde que Bobby Fischer surpreendeu o mundo com sua espetacular vitória em 1972 sobre Boris Spassky, um dos representantes da era soviética. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption O americano Bobby Fischer foi um dos dois enxadristas a romper com o domínio da União Soviética na elite do jogo Esse duelo, acontecido em Reykjavik, na Islândia, é conhecido como o "Duelo do Século" - inspirando filmes e musicais da Broadway. "Fischer chegou a ganhar mais dinheiro do que Mohamed Ali, o que mostra o impacto de sua vitória sobre Spassky", diz o jornalista Brin-Jonathan Butler, autor do livro sobre o famoso duelo. "Mas ele também mostrou como a genialidade e a loucura andam de mãos dadas no xadrez". Butler faz referência à negativa feita por Fischer de defender novamente o título em 1975 e a posterior obscuridade na qual caiu o americano. Durante anos, o enxadrista precisou viver recluso e ficou famoso por sua batalha legal contra o governo dos EUA, após desafiar um embargo e jogar na antiga Iugoslávia, em 1992. "Fischer foi um artista do tabuleiro. Magnus joga como uma máquina e às vezes isso é frustrante, se o que você está procurando é um jogo mais emocionante. Embora ainda seja extraordinário", opina Butler. Capitão América versus Thor Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Preparo físico do norueguês é destacado como um de seus grandes diferenciais Caruana se tornou o Mestre Internacional de Xadrez mais jovem dos Estados Unidos a alcançar esse reconhecimento, com 15 anos. Agora, ele era um dos protagonistas de "Capitão América versus Thor", como seu duelo contra Carlsen foi promovido nos Estados Unidos. A comparação de Magnus com o guerreiro norueguês também alude ao seu excelente estado físico. Jogos de alta performance podem durar até seis horas e, no caso do norueguês, acredita-se que sua resistência tenha sido um ingrediente crucial na vitória.Direito de imagem GETTY IMAGES
A tecnologia expandiu o alcance do milenar xadrez

O oponente
A final de Londres ofereceu uma experiência completamente nova para Carlsen: foi a primeira vez que ele disputou com um rival mais novo.

Seu oponente foi Fabiano Caruana, número dois do mundo.

De origem italiana, Caruana buscava ser o primeiro jogador nascido nos EUA a se tornar campeão desde que Bobby Fischer surpreendeu o mundo com sua espetacular vitória em 1972 sobre Boris Spassky, um dos representantes da era soviética.

Depois de 19 dias de batalha, Magnus Carlsen finalmente alcançou a vitória e venceu o Campeonato Mundial de Xadrez nesta quarta-feira, em Londres. Ele é o dono do título desde 2013. Desta vez, o norueguês venceu o americano Fabiano Caruana por 3 a 0 no desempate por partidas rápidas - desfecho para uma disputa que se iniciou em 9 de novembro. Carlsen, de 27 anos, receberá um prêmio de valor superior a US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,8 milhões). Ele confirma também a atribuição de ter talvez o principal rosto da renovação deste jogo, criado há mais de 1.500 anos. O homem que sobreviveu a contato com tribo isolada que matou americano: 'Estava claro que eu não era bem-vindo' O boi gigante que chocou telespectadores de TV australiana e escapou do abate por ser 'grande demais' Oligopólio soviético Para começar, Carlsen não nasceu na União Soviética ou em algum país do Leste Europeu, região que lidera no ramo desde a Guerra Fria. Até o surgimento desta estrela norueguesa, somente dois enxadristas conseguiram romper o oligopólio soviético e de seus aliados desde 1937: o americano Bobby Fischer e o indiano Viswanathan Anand. Nenhum deles, porém, chegou ao nível de excelência de Carlsen. Nem mesmo o russo Gary Kasparov, que ficou famoso mundialmente por seus duelos contra computadores nos anos 90. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Caruana (na foto, à esq.) e Carlsen já se enfrentaram 56 vezes Carlsen se tornou um fenômeno inédito e global no xadrez desde que conquistou o primeiro título mundial, aos 22 anos. Além da genialidade no tabuleiro, sua imagem protagonizou propagandas de relógios de luxo, de carros esportivos e da grife holandesa G-Star Raw. Um documentário sobre sua vida já chegou a 56 países e, em 2013, seu nome figurou entre as 100 pessoas mais influentes do mundo segundo a revista TIME. Outro indicador de sua popularidade foi ter aparecido... em um episódio do desenho Os Simpsons. Direito de imagemFOX Image caption Magnus Carlson foi retratado em um episódio de Os Simpsons Rivalidade entre irmãos "O xadrez era visto como um esporte de homens mais velhos", explicou à BBC Kate Murphy, diretora da Play Magnus, uma empresa criada por Carlsen para o mercado de aplicativos de xadrez. Mas "Carlsen mudou essa percepção ao ganhar o título e motivar os mais jovens a jogar xadrez", destacou. O norueguês foi introduzido ao jogo pelo pai, aos 5 anos - mas inicialmente não deu muita bola para a atividade. O interesse mudou após ganhar de sua irmã mais velha, que até o momento era quem se juntava ao progenitor da casa, Hendrik Carlsen, para jogar. "Ganhar dela era minha principal motivação e, nesse processo, o xadrez me cativou", disse o campeão mundial em uma entrevista em 2016. Aos 9 anos, Carlsen começou a ganhar do pai. Mozart do tabuleiro Aos 13, Magnus Carlsen já era um grande Mestre Internacional de Xadrez, um título vitalício concedido pela Federação Internacional de Xadrez. Com isso, ele passou a ser chamado de "Mozart do xadrez", destacando o impressionante talento de uma pessoa com origem em um país distante de ser uma potência no esporte. Ele é o único norueguês entre os 100 primeiros na classificação mundial. A Rússia, por sua vez, tem mais de 20 representantes - seguida pela China (9), Reino Unido e Estados Unidos (7) e Índia (6). Direito de imagemEPA Image caption Carlsen é um raro representante de seu país no mundo do xadrez A guinada de Carlsen coincidiu também com o avanço tecnológico que sacudiu o mundo no século 21. Graças à internet, o jogo teve uma exposição jamais vista - multiplicando-se em diferentes plataformas nas redes sociais e nos smartphones. O site Chess.com assegura contar com mais de 2 bilhões de usuários no mundo. Jovens no poder "Kasparov foi um jogador brilhante e um perfeito embaixador do esporte, mas Magnus Carlsen chegou na hora e no lugar certo para se beneficiar da internet e das mídias sociais", diz Peter Doggers, um dos diretores do Chess.com. Uma das mudanças mais óbvias ocorreu na demografia da população que pratica a atividade: seis dos dez melhores jogadores do mundo hoje têm menos de 30 anos. Entre as mulheres, a proporção é ainda maior: nove das dez, incluindo a número um do mundo, a chinesa Hou Yifan. "Essa é uma das consequências mais imediatas de como os computadores influenciaram o xadrez. Hoje, qualquer criança com um laptop ou celular pode treinar duro e melhorar", acrescenta Doggers. "Mas não há dúvida de que Carlsen é o modelo a ser seguido e, graças a ele, a visibilidade do jogo aumentou". Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption A tecnologia expandiu o alcance do milenar xadrez O oponente A final de Londres ofereceu uma experiência completamente nova para Carlsen: foi a primeira vez que ele disputou com um rival mais novo. Seu oponente foi Fabiano Caruana, número dois do mundo. De origem italiana, Caruana buscava ser o primeiro jogador nascido nos EUA a se tornar campeão desde que Bobby Fischer surpreendeu o mundo com sua espetacular vitória em 1972 sobre Boris Spassky, um dos representantes da era soviética. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption O americano Bobby Fischer foi um dos dois enxadristas a romper com o domínio da União Soviética na elite do jogo Esse duelo, acontecido em Reykjavik, na Islândia, é conhecido como o "Duelo do Século" - inspirando filmes e musicais da Broadway. "Fischer chegou a ganhar mais dinheiro do que Mohamed Ali, o que mostra o impacto de sua vitória sobre Spassky", diz o jornalista Brin-Jonathan Butler, autor do livro sobre o famoso duelo. "Mas ele também mostrou como a genialidade e a loucura andam de mãos dadas no xadrez". Butler faz referência à negativa feita por Fischer de defender novamente o título em 1975 e a posterior obscuridade na qual caiu o americano. Durante anos, o enxadrista precisou viver recluso e ficou famoso por sua batalha legal contra o governo dos EUA, após desafiar um embargo e jogar na antiga Iugoslávia, em 1992. "Fischer foi um artista do tabuleiro. Magnus joga como uma máquina e às vezes isso é frustrante, se o que você está procurando é um jogo mais emocionante. Embora ainda seja extraordinário", opina Butler. Capitão América versus Thor Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Preparo físico do norueguês é destacado como um de seus grandes diferenciais Caruana se tornou o Mestre Internacional de Xadrez mais jovem dos Estados Unidos a alcançar esse reconhecimento, com 15 anos. Agora, ele era um dos protagonistas de "Capitão América versus Thor", como seu duelo contra Carlsen foi promovido nos Estados Unidos. A comparação de Magnus com o guerreiro norueguês também alude ao seu excelente estado físico. Jogos de alta performance podem durar até seis horas e, no caso do norueguês, acredita-se que sua resistência tenha sido um ingrediente crucial na vitória.Direito de imagem GETTY IMAGES
O americano Bobby Fischer foi um dos dois enxadristas a romper com o domínio da União Soviética na elite do jogo

Esse duelo, acontecido em Reykjavik, na Islândia, é conhecido como o “Duelo do Século” – inspirando filmes e musicais da Broadway.

“Fischer chegou a ganhar mais dinheiro do que Mohamed Ali, o que mostra o impacto de sua vitória sobre Spassky”, diz o jornalista Brin-Jonathan Butler, autor do livro sobre o famoso duelo.

“Mas ele também mostrou como a genialidade e a loucura andam de mãos dadas no xadrez”.

Butler faz referência à negativa feita por Fischer de defender novamente o título em 1975 e a posterior obscuridade na qual caiu o americano.

Durante anos, o enxadrista precisou viver recluso e ficou famoso por sua batalha legal contra o governo dos EUA, após desafiar um embargo e jogar na antiga Iugoslávia, em 1992.

“Fischer foi um artista do tabuleiro. Magnus joga como uma máquina e às vezes isso é frustrante, se o que você está procurando é um jogo mais emocionante. Embora ainda seja extraordinário”, opina Butler.

Capitão América versus Thor

Depois de 19 dias de batalha, Magnus Carlsen finalmente alcançou a vitória e venceu o Campeonato Mundial de Xadrez nesta quarta-feira, em Londres. Ele é o dono do título desde 2013. Desta vez, o norueguês venceu o americano Fabiano Caruana por 3 a 0 no desempate por partidas rápidas - desfecho para uma disputa que se iniciou em 9 de novembro. Carlsen, de 27 anos, receberá um prêmio de valor superior a US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,8 milhões). Ele confirma também a atribuição de ter talvez o principal rosto da renovação deste jogo, criado há mais de 1.500 anos. O homem que sobreviveu a contato com tribo isolada que matou americano: 'Estava claro que eu não era bem-vindo' O boi gigante que chocou telespectadores de TV australiana e escapou do abate por ser 'grande demais' Oligopólio soviético Para começar, Carlsen não nasceu na União Soviética ou em algum país do Leste Europeu, região que lidera no ramo desde a Guerra Fria. Até o surgimento desta estrela norueguesa, somente dois enxadristas conseguiram romper o oligopólio soviético e de seus aliados desde 1937: o americano Bobby Fischer e o indiano Viswanathan Anand. Nenhum deles, porém, chegou ao nível de excelência de Carlsen. Nem mesmo o russo Gary Kasparov, que ficou famoso mundialmente por seus duelos contra computadores nos anos 90. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Caruana (na foto, à esq.) e Carlsen já se enfrentaram 56 vezes Carlsen se tornou um fenômeno inédito e global no xadrez desde que conquistou o primeiro título mundial, aos 22 anos. Além da genialidade no tabuleiro, sua imagem protagonizou propagandas de relógios de luxo, de carros esportivos e da grife holandesa G-Star Raw. Um documentário sobre sua vida já chegou a 56 países e, em 2013, seu nome figurou entre as 100 pessoas mais influentes do mundo segundo a revista TIME. Outro indicador de sua popularidade foi ter aparecido... em um episódio do desenho Os Simpsons. Direito de imagemFOX Image caption Magnus Carlson foi retratado em um episódio de Os Simpsons Rivalidade entre irmãos "O xadrez era visto como um esporte de homens mais velhos", explicou à BBC Kate Murphy, diretora da Play Magnus, uma empresa criada por Carlsen para o mercado de aplicativos de xadrez. Mas "Carlsen mudou essa percepção ao ganhar o título e motivar os mais jovens a jogar xadrez", destacou. O norueguês foi introduzido ao jogo pelo pai, aos 5 anos - mas inicialmente não deu muita bola para a atividade. O interesse mudou após ganhar de sua irmã mais velha, que até o momento era quem se juntava ao progenitor da casa, Hendrik Carlsen, para jogar. "Ganhar dela era minha principal motivação e, nesse processo, o xadrez me cativou", disse o campeão mundial em uma entrevista em 2016. Aos 9 anos, Carlsen começou a ganhar do pai. Mozart do tabuleiro Aos 13, Magnus Carlsen já era um grande Mestre Internacional de Xadrez, um título vitalício concedido pela Federação Internacional de Xadrez. Com isso, ele passou a ser chamado de "Mozart do xadrez", destacando o impressionante talento de uma pessoa com origem em um país distante de ser uma potência no esporte. Ele é o único norueguês entre os 100 primeiros na classificação mundial. A Rússia, por sua vez, tem mais de 20 representantes - seguida pela China (9), Reino Unido e Estados Unidos (7) e Índia (6). Direito de imagemEPA Image caption Carlsen é um raro representante de seu país no mundo do xadrez A guinada de Carlsen coincidiu também com o avanço tecnológico que sacudiu o mundo no século 21. Graças à internet, o jogo teve uma exposição jamais vista - multiplicando-se em diferentes plataformas nas redes sociais e nos smartphones. O site Chess.com assegura contar com mais de 2 bilhões de usuários no mundo. Jovens no poder "Kasparov foi um jogador brilhante e um perfeito embaixador do esporte, mas Magnus Carlsen chegou na hora e no lugar certo para se beneficiar da internet e das mídias sociais", diz Peter Doggers, um dos diretores do Chess.com. Uma das mudanças mais óbvias ocorreu na demografia da população que pratica a atividade: seis dos dez melhores jogadores do mundo hoje têm menos de 30 anos. Entre as mulheres, a proporção é ainda maior: nove das dez, incluindo a número um do mundo, a chinesa Hou Yifan. "Essa é uma das consequências mais imediatas de como os computadores influenciaram o xadrez. Hoje, qualquer criança com um laptop ou celular pode treinar duro e melhorar", acrescenta Doggers. "Mas não há dúvida de que Carlsen é o modelo a ser seguido e, graças a ele, a visibilidade do jogo aumentou". Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption A tecnologia expandiu o alcance do milenar xadrez O oponente A final de Londres ofereceu uma experiência completamente nova para Carlsen: foi a primeira vez que ele disputou com um rival mais novo. Seu oponente foi Fabiano Caruana, número dois do mundo. De origem italiana, Caruana buscava ser o primeiro jogador nascido nos EUA a se tornar campeão desde que Bobby Fischer surpreendeu o mundo com sua espetacular vitória em 1972 sobre Boris Spassky, um dos representantes da era soviética. Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption O americano Bobby Fischer foi um dos dois enxadristas a romper com o domínio da União Soviética na elite do jogo Esse duelo, acontecido em Reykjavik, na Islândia, é conhecido como o "Duelo do Século" - inspirando filmes e musicais da Broadway. "Fischer chegou a ganhar mais dinheiro do que Mohamed Ali, o que mostra o impacto de sua vitória sobre Spassky", diz o jornalista Brin-Jonathan Butler, autor do livro sobre o famoso duelo. "Mas ele também mostrou como a genialidade e a loucura andam de mãos dadas no xadrez". Butler faz referência à negativa feita por Fischer de defender novamente o título em 1975 e a posterior obscuridade na qual caiu o americano. Durante anos, o enxadrista precisou viver recluso e ficou famoso por sua batalha legal contra o governo dos EUA, após desafiar um embargo e jogar na antiga Iugoslávia, em 1992. "Fischer foi um artista do tabuleiro. Magnus joga como uma máquina e às vezes isso é frustrante, se o que você está procurando é um jogo mais emocionante. Embora ainda seja extraordinário", opina Butler. Capitão América versus Thor Direito de imagemGETTY IMAGES Image caption Preparo físico do norueguês é destacado como um de seus grandes diferenciais Caruana se tornou o Mestre Internacional de Xadrez mais jovem dos Estados Unidos a alcançar esse reconhecimento, com 15 anos. Agora, ele era um dos protagonistas de "Capitão América versus Thor", como seu duelo contra Carlsen foi promovido nos Estados Unidos. A comparação de Magnus com o guerreiro norueguês também alude ao seu excelente estado físico. Jogos de alta performance podem durar até seis horas e, no caso do norueguês, acredita-se que sua resistência tenha sido um ingrediente crucial na vitória.Direito de imagem GETTY IMAGES
Preparo físico do norueguês é destacado como um de seus grandes diferenciais

Caruana se tornou o Mestre Internacional de Xadrez mais jovem dos Estados Unidos a alcançar esse reconhecimento, com 15 anos.

Agora, ele era um dos protagonistas de “Capitão América versus Thor”, como seu duelo contra Carlsen foi promovido nos Estados Unidos.

A comparação de Magnus com o guerreiro norueguês também alude ao seu excelente estado físico.

Jogos de alta performance podem durar até seis horas e, no caso do norueguês, acredita-se que sua resistência tenha sido um ingrediente crucial na vitória.

Cinco coisas importantes que aconteceram no Brasil enquanto a bola rolava na Copa

Entre a vitória sobre a Costa Rica e o 2 a 0 contra a Sérvia, STF teve agenda agitada de sessões e Congresso deu sequência a PL dos Agrotóxicos 

Mascote da seleção na RússiaDireito de imagemLUCAS FIGUEIREDO/CBF

Enquanto as atenções se voltavam para as atividades da Seleção Brasileira em São Petersburgo e em Moscou, no entanto, muita coisa aconteceu no Brasil e no mundo.

O STF suspendeu o julgamento de Lula – e depois decidiu retomá-lo – e soltou o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, enquanto o Congresso deu sequência à tramitação do PL (projeto de lei) dos Agrotóxicos.

A BBC News Brasil explica cinco notícias fora da Copa do Mundo que surgiram entre a vitória da canarinho sobre a Costa Rica e o 2 a 0 contra a Sérvia de quarta-feira, caso você tenha perdido.

Supremo, Lula, Dirceu e ‘máfia da merenda’

Na noite de sexta-feira, depois de o Brasil bater a Costa Rica, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin arquivou o pedido de liberdade feito pela defesa do ex-presidente Lula e que seria julgado pela Segunda Turma da corte na terça-feira.

A defesa recorreu e, já na segunda-feira, o magistrado recolocou o pedido da pauta – mas o enviou ao Plenário do STF. Como foi dado prazo de 15 dias para a Procuradoria Geral da República (PGR) se manifestar e o Supremo entra em recesso em julho, o julgamento deve acontecer apenas em agosto.

A mudança foi vista como desfavorável para o petista, preso em Curitiba desde 7 de abril, já que a Segunda Turma – composta pelos juízes Ricardo Lewandowski, Edson Fachin, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Celso de Mello – hoje tem viés mais “garantista”, pois tende a dar mais peso em suas decisões aos direitos dos acusados no processo.

Já o plenário, formado pelos onze ministros, tem se mostrado bastante dividido quando discute direitos fundamentais dos réus.

Edson FachinDireito de imagem NELSON JR./SCO/STF
Fachin foi voto vencido na sessão desta terça da Segunda Turma do STF, que libertou Dirceu e suspendeu tramitação de processo contra o deputado Fernando Capez

Na terça-feira, em uma sessão com direito a prorrogação no segundo tempo – que se estendeu das 9 h até o fim da tarde -, a Segunda Turma concedeu liberdade ao ex-ministro José Dirceu, preso havia um mês, e suspendeu a tramitação de ação penal contra o tucano Fernando Capez (SP), acusado por envolvimento na “máfia da merenda”.

No caso do ex-ministro da Casa Civil de Lula, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski entenderam que há chances reais da pena de Dirceu, condenado em segunda instância por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, ser modificada em instâncias superiores – o que, se confirmado, significaria que sua detenção não seria correta.

Nos dois casos, o placar foi de 3 a 1 – Fachin votou contra e Celso de Mello estava ausente na sessão.

Projeto que libera agrotóxicos avança

Na segunda-feira, a comissão especial da Câmara aprovou o Projeto de Lei dos Agrotóxicos (PL 6299/2002), que segue para o Plenário da Casa.

O texto, que tem dividido ruralistas e ambientalistas, passou após oito tentativas de votação nos últimos meses (uma das sessões, em 20 de junho, foi interrompida porque um “artefato suspeito”, semelhante a uma bomba, foi encontrado na sala de votação).

Quem critica o projeto alega que ele aumentaria a disponibilidade de agrotóxicos no país, indo na contramão da Europa e dos EUA, que têm aprovado leis mais restritivas. A nova medida, dizem, favoreceria apenas os fabricantes dos químicos, facilitando a entrada de produtos possivelmente danosos à saúde e ao ambiente.

Os produtores, por sua vez, reclamam da demora na liberação dos agrotóxicos e dizem que, quando o governo autoriza a aplicação, os produtos já estão obsoletos. Os que defendem o projeto afirmam ainda que ele é mais eficiente e condizente com as normas internacionais de uso das substâncias.

Plantação e pesticidaDireito de imagem GETTY IMAGES
O PL 6299 foi originalmente proposto pelo ex-senador e atual ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP-MT)

Uma das principais controvérsias é a ideia de que agrotóxicos só serão proibidos no país caso apresentem “risco inaceitável”, um conceito mais amplo que o estabelecido pela lei 7.802, de 1989, que proíbe substâncias que revelem características teratogênicas, carcinogênicas ou mutagênicas.

Outro ponto polêmico é a redução das competências de controle e fiscalização de órgãos como Anvisa e Ibama – que já se posicionaram publicamente contra o PL -, que perderiam parte das atribuições para o Ministério da Agricultura.

Os agrotóxicos não seriam mais avaliados e classificados por aqueles órgãos, que apenas homologariam a avaliação realizada pelas empresas registrantes de produtos agrotóxicos.

Até o nome que o Brasil dá a esses produtos entrou em discussão. Inicialmente, o PL sugeria que “agrotóxicos” fosse substituído por “produtos fitossanitários”. Em resposta à reclamação de opositores, o relator do projeto, deputado Luiz Nishimori (PR-PR), decidiu pelo termo “pesticidas”.

Inquérito contra Richa sai das mãos de Moro

Também na segunda, o juiz Sergio Moro encaminhou para a Justiça Eleitoral inquérito contra o pré-candidato ao Senado Beto Richa (PSDB).

Desde que renunciou ao mandato para concorrer e perdeu o foro privilegiado, em abril deste ano, o ex-governador do Paraná vinha sendo investigado na primeira instância por suposto caixa dois nas eleições de 2008, 2010 e 2014 exposto em delações da Odebrecht.

A defesa de Richa, entretanto, recorreu ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ), que decidiu que o inquérito deveria ser analisado pela Justiça Eleitoral.

Juiz Sergio MoroDireito de imagem MARCELO CAMARGO/AG. BRASIL
Moro repassou o inquérito de Richa à Justiça Eleitoral, mas pediu retorno do processo à primeira instância

No despacho, porém, Moro afirma que a competência é da Justiça Federal, já que os casos investigados não se tratariam “de mero caixa dois” e teriam indício de corrupção, e pede que os autos sejam devolvidos à 13ª Vara Federal para a continuação da análise dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e fraude em licitação.

Em abril, dias depois de perder o foro privilegiado, o ex-governador de São Paulo e pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, também escapou da primeira instância. No caso do tucano, o STJ enviou o inquérito diretamente para a Justiça Eleitoral do Estado, apesar do pedido da PGR para que fosse encaminhado pela Justiça Federal.

O ex-governador também é investigado por suspeita de ter recebido doações da Odebrecht que não teriam sido declaradas.

Vice-presidente americano visitou o Brasil

Na véspera da partida entre Brasil e Sérvia, o vice-presidente americano, Mike Pence, desembarcou no Brasil. A Venezuela foi o principal tema da reunião com o presidente Temer, mas a situação das 49 crianças brasileiras que estão atualmente em abrigos nos EUA – resultado da política migratória do país, que está sob intenso debate – também foi discutida pelos dois.

O vice-presidente americano aproveitou para passar um recado aos brasileiros que eventualmente cogitem imigrar ilegalmente para o país: “Não arrisquem as suas vidas ou a de seus filhos tentando entrar nos Estados Unidos via contrabandistas e traficantes de pessoas. Se não têm condições de entrar legalmente, não venham.”

Michel Temer e Mike PenceDireito de imagemEPA
‘Não arrisquem suas vidas ou a de seus filhos tentando entrar nos Estados Unidos. Se não têm condições de entrar legalmente, não venham’, disse o vice-presidente americano aos brasileiros

Adolescente morre baleado a caminho da escola no Rio

Dois dias antes de o Brasil jogar contra a Costa Rica, na quarta-feira, o adolescente Marcos Vinicius da Silva, de 14 anos, foi ferido em um tiroteio no complexo de favelas da Maré, no Rio de Janeiro, durante uma ação da polícia contra o tráfico de drogas. Ele foi encaminhado para o hospital, mas morreu no dia seguinte.

O jovem foi atingido na barriga por uma bala perdida, enquanto caminhava para a escola, acompanhado da mãe.

Moradores de comunidades do Complexo da Maré, na zona norte da cidade, fizeram protestos após a morte do garoto e bloquearam trechos da avenida Brasil e das linhas Vermelha e Amarela.

Enterro do jovem Marcos Vinicius da SilvaDireito de imagemMAURO PIMENTEL/AFP/GETTY IMAGES
Enterro do jovem Marcos Vinicius da Silva, vítima de bala perdida enquanto ía para a escola

A ONU chegou a se pronunciar sobre o caso e, em comunicado divulgado nesta terça, lamentou a morte violenta do estudante, que alimenta a vergonhosa estatística de 31 homicídios de crianças e adolescentes por dia no Brasil.

O órgão destacou que adolescentes negros estão três vezes mais vulneráveis a mortes violentas do que brancos da mesma faixa etária.

“Lembrem-se: a Fifa era, e talvez ainda seja, uma organização criminosa”

O jornalista britânico Andrew Jennings diz por que não confia nas mudanças que ocorreram na organização e conta que o FBI continua investigando a Copa do Mundo e a Olimpíada

Se há um profeta do apocalipse da Fifa, seu nome é Andrew Jennings. O incansável jornalista investigativo de 75 anos se dedica há mais de duas décadas a perscrutar os dirigentes do futebol mundial. Revelou, entre outras coisas, as propinas de US$ 9,5 milhões dadas a Ricardo Teixeira e US$ 1 milhão ao ex-presidente da Fifa, e seu ex-sogro, João Havelange, para garantir à empresa de marketing esportivo ISL contratos de exclusividade em patrocínios da Copa do Mundo. O caso foi investigado pela Justiça suíça e se tornou um escândalo mundial.

Em 2009, Andrew colaborou com o FBI no inquérito que levou à prisão do ex-presidente da CBF José Maria Marin e outros seis dirigentes da Fifa em Zurique, em 2015. Durante os meses que antecederam a Copa no Brasil, alertou que os brasileiros iam acabar pagando o pato.

Andrew é autor dos livros Jogo Sujo — o Mundo Secreto da Fifa e Um Jogo Cada Vez Mais Sujo, da editora Panda Books, e colaborador da Pública desde a sua fundação. Nessa entrevista feita por Skype, ele mostra que mantém a ironia e o viço ao falar da Copa do Mundo na Rússia: “Tomara que o FBI faça uma operação antes do jogo inicial da Copa. Isso seria legal, não?”.

Olhando para a Copa do Mundo em 2014, no Brasil, o quanto a Fifa mudou desde então?

Muito pouco. Embora Sepp Blatter esteja agora suspenso e aguardando, e nos jornais suíços tudo o que ele diz é que não fez nada errado, vamos lembrar algumas coisas fundamentais. A Fifa era, e talvez ainda seja, um cenário de crime organizado. É disso que se trata: de uma conspiração para roubar as pessoas do que elas querem. E o Havelange, lembrem-se, se tornou um multimilionário graças ao futebol. Ele era absolutamente vigarista. É importante lembrar essas coisas para manter a perspectiva correta.

Por que você diz que a Fifa era, e talvez seja ainda, uma organização criminosa? Talvez os brasileiros já tenham se esquecido, já que faz quatro anos…

Eu não culpo os brasileiros. Acho que todo mundo esqueceu. E é por causa dos jornalistas esportivos – eles se concentram em quem chuta a bola para quem, como se fosse a notícia mais importante da cidade… E na verdade não é uma notícia importante, longe disso. Mas as pessoas precisam ser lembradas de que o FBI ainda está se concentrando na Fifa. Eu, no passado, também tive minhas desconfianças sobre o FBI. No entanto, o jogo deles tem sido totalmente limpo! Muita gente me pergunta: por que o FBI se envolveu nisso? Olha, idiotas: é um fato que todas as transações são em dólares. Se eu decido te dar uma propina ou te dar um presentinho em dinheiro – tudo isso vai ser aprovado pelo seu banco. E aí chega um valor de meio milhão, eles dizem: “Hello? Isso é interessante. Olha, essa pessoa é muito próxima da Fifa ou trabalha para a Fifa”. É assim que eles começam a trilha. E quando alguém me pergunta por que o FBI se envolveu com isso, eu respondo: por que a maioria dos repórteres não quer se envolver! Eu me pergunto o que pessoas como o Juca Kfouri andam dizendo, e espero que ele esteja ainda mandando ver.

Você acha que pode haver outra grande operação do FBI durante a Copa do Mundo?

Bem, nós podemos apenas ter esperanças, né? Tomara que seja agora, antes do jogo de abertura. Isso seria legal, não?

Com certeza haverá outra operação, só não sabemos quando, mas a investigação do FBI continua, porque um amigo meu foi entrevistado pelo IRS, o fisco americano, em São Diego, no fim do ano passado.

A Copa do Mundo de 2014 ajudou a mudar a visão que o mundo tem da competição?

Não tanto quanto a Olimpíada. A Olimpíada foi um desastre. E eu li uma reportagem interessante no New York Times, de uma jornalista — uma mulher, eu fico feliz em dizer — que entende bem o que está acontecendo, Rebecca Ruiz. Ela escreveu que  o FBI está sem sombra de dúvida investigando a corrupção que ocorreu na reunião de Copenhague em 2009 [quando o Brasil foi escolhido como sede da Olimpíada em 2016]. Mas também estão olhando para a IAAF, a Federação Internacional de Atletismo, que organiza os votos para a Olimpíada.

Por que a Olimpíada foi desastrosa?

Eu acho que foi um desastre para o Rio. O Rio não tinha como arcar com aquilo. Os problemas financeiros do Brasil estavam apenas começando, mas o principal é que ninguém deveria pagar tanto dinheiro. E havia um grupo de… homens, claro, que surpresa! Todos homens, dizendo “ah, que espírito olímpico maravilhoso”, e pegando um monte de dinheiro para seus próprios bolsos. Eu sei que o Carlos Nuzman foi preso. Ele tem que ir a julgamento! Ele é o responsável pelos dois eventos asquerosos que o Brasil fez em 2014 e 2016. Ele está agora preso no Brasil… Boa sorte para ele!

Ele está sendo investigado em um processo relacionado à Lava Jato, que apura se o Brasil pagou propina para ser sede da Olimpíada…

Vamos torcer para que o Ministério Público brasileiro tenha tempo e espaço para fazer um grande julgamento, trazendo muita, muita informação sobre o caso.

Voltando à Fifa: quando você diz que pouco mudou, avalia que as medidas de transparência e investigações internas foram ineficientes?

Olha, eles expulsaram todos os executivos do comitê de 2010, eram 30 até o final da última semana. Mas todos os 29 do novo comitê, eu não confiaria neles de jeito nenhum. Porque há dois tipos de pessoas, como sempre. Tem os deliberadamente corruptos e os tolos. E eu conto os britânicos no segundo grupo, porque eles não participam da corrupção, não pegam dinheiro, são apenas muito estúpidos. Mas olhe o jeito que o Gianni Infantino está gerenciando a organização. Basta olhar para a quantidade de times que ele está incluindo, ele está tentando colocar 48 equipes em 2022. Quarenta e oito equipes! Sobrou alguma no mundo? Está ficando ridículo, essa é supostamente uma competição de elite, mas agora todo mundo pode ir… E o que elas vão fazer são duas coisas. Todos acabam envolvidos naquela mentalidade de “vamos ganhar dinheiro com isso”. E eles ganham viagens bacanas. São viagens realmente bacanas, eles vêm de países pobres, ou então são federações muito, muito duvidosas.

Você acredita que a inclusão de novos países facilita mais corrupção?

Ah, sim. Soa muito democrático: “Olha, tem um time de crianças jogando aqui na rua, vamos enviá-las para a Copa do Mundo”. Eles envolvem quanto mais nacionalidades for possível e nunca vão dizer “vocês não são bons o suficiente”. Agora, se você olhar para Moscou, olhe nos meus olhos e diga que a Rússia levou a Copa do Mundo sem pagar propina! Você não precisa ser muito esperto para saber que foi absolutamente corrupto. E não há nenhuma menção a isso. Ninguém diz “dane-se isso, não vamos tomar parte disso!”. Não, todo mundo vai competir na Rússia! E o Putin, todos os amigos dele ganham propina para construir os estádios, e os russos ainda vão dizer “oh, temos uma Copa do Mundo! Não é maravilhoso?”. Mas é asqueroso, absolutamente asqueroso. E se eles apenas deixassem o futebol em paz… É muito divertido!

Você vê uma relação entre a corrupção e a qualidade do futebol?

Muitos dos jogadores são inteligentes. São os caras que usam terno o tempo todo que não são de confiança. Os jogadores vão jogar bem no campo porque ganham para isso. Mas [a corrupção] perverte o jogo, as pessoas ficam desconfiadas. E sem necessidade! É por isso que precisamos de uma força independente para investigá-los. Desculpem, mas, quando os membros do FBI forem realizar uma operação, ninguém vai dizer “bem, eles estão bravos porque os americanos não se qualificaram”.

Eu fui a primeira pessoa que falou com o FBI, em 2009.

O que você disse a eles?

Os policiais listaram para mim os nomes das pessoas envolvidas no topo do mundo do futebol, um atrás do outro. E eu fui falando: “Corrupto, corrupto, corrupto, corrupto”. Eles foram muito sérios, estavam apenas absorvendo as informações. Depois, eles podem sair e ir checar tudo, porque eles têm seus meios. E alguma hora vão atacar. Que maravilha! O que é maravilhoso é que eles estão olhando o COI, a IAAF, e a Fifa! Pegaram o creme da gerência do atletismo mundial. Vamos lá, FBI!

No que você está trabalhando hoje em dia?

Eu mesmo não estou investigando a Copa do Rússia, porque, se as pessoas são estúpidas o suficiente para irem à Rússia, eu não posso fazer muita coisa. Mas em quatro anos tem o Catar. Eu vou ficar quietinho durante a Copa do Mundo, mas eu vou conseguir um tempo para falar durante a reunião da federação inglesa de torcedores. Vou começar pela base – que se dane o topo! Eu pedi para ir à conferência deles e falar por alguns minutos, e eles me mandaram a reserva na semana passada.

O que há de errado com a Copa do Mundo no Catar?

Mostre-me um lugar onde cresce grama no Catar e eu te chamo de mentirosa! Não cresce grama lá, só areia. Então eles tiveram que importar uma grama de plástico, sei lá o nome, e têm que construir todos esses estádios… E há a questão dos trabalhadores indianos, e também nepaleses, que recebem salários baixíssimos e não podem se organizar. E nós fingimos que não sabemos de nada.

Com o andamento das investigações no FBI e as mudanças na Fifa, você se sente realizado?

Eu acho que minhas investigações alcançaram muita coisa — fora do mundo habitado pelos jornalistas esportivos. Mas quem liga para eles? Como você sabe, a mídia está se retraindo, há menos e menos jornais sendo vendidos a cada dia, e no final eles vão ficar sem trabalho e eu não vou ligar nem um pouco, porque os sites, os blogs, é onde a investigação vai continuar. Eu escrevi dois livros sobre a Fifa, e cada um deles foi traduzido para 16 línguas, o que paga pelo meu café da manhã, então é bom, e fizemos seis edições do programa de jornalismo investigativo Panorama, que rodaram todo o mundo, também.

Minha última pergunta é como os brasileiros deveriam assistir à Copa do Mundo depois de tudo o que aconteceu?

Em geral eles vão ver como as partidas vão ser jogadas, como os jogadores vão competir. Eu não acho que os jogos vão ser roubados. Como vai ser na Rússia, se algo assim acontecer e os jornalistas esportivos não cobrirem, os jornalistas de verdade vão cobrir. Então, boa sorte! Tudo o que podemos fazer é continuar lutando.

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Natalia Viana é jornalista na Agência Pública.