Coronavírus: entregadores de aplicativo trabalham mais e ganham menos na pandemia

Estudo apontou que 89,7% dos entrevistados tiveram ganhos iguais ou menores em relação ao período antes da pandemia.

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Em meio à pandemia de coronavírus, o comércio fechou, pessoas se isolaram dentro de casa e, segundo pesquisas, o comércio eletrônico disparou. Com isso, o número de entregas também cresceu.
Mas um levantamento feito por um grupo de pesquisadores em quatro Estados brasileiros, indica que os entregadores por aplicativos disseram que, apesar de terem trabalhado mais durante a pandemia, tiveram uma “redução significativa” do salário.

A pesquisa feita pela Rede de Estudos e Monitoramento da Reforma Trabalhista (Remir Trabalho) ouviu 252 pessoas de 26 cidades entre os dias 13 e 20 de abril por meio de um questionário online.

Entre os entrevistados, 60,3% relataram uma queda na remuneração, comparando o período de pandemia ao momento anterior. Outros 27,6% disseram que os ganhos se mantiveram e apenas 10,3% disseram que estão ganhando mais dinheiro durante a quarentena.

Os autores da pesquisa disseram ter buscado a maior aleatoriedade possível entre os entrevistados por meio da distribuição do questionário “em diversas comunidades online que congregam diferentes perfis de trabalhadores”. Entre elas, estão grupos de entregadores do Facebook e WhatsApp.

Eles disseminaram o questionário seguindo o método conhecido como bola de neve, quando integrantes de diferentes redes sociais o repassam para outras redes. O grupo ainda defende que o uso do questionário online “se mostra, na medida do possível, abrangente e não-enviesada, considerando que estes são necessariamente trabalhadores que realizam seu trabalho online”.

Os pesquisadores dizem ser “possível aventar que as empresas estão promovendo uma redução do valor da hora de trabalho dos entregadores em plena pandemia e sobremajorando seu ganho às custas do trabalhador”. As empresas negam isso (veja mais abaixo as respostas das quatro empresas citadas pelos entregadores).

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Para os pesquisadores, “a redução da remuneração, associada ao aumento do risco de contágio, intensifica a condição que já era precária desses trabalhadores e sinaliza para a exacerbação do ganho da plataforma com as pressões de achatamento da remuneração dos trabalhadores”.

Os dados revelaram que, antes da pandemia 48,7%, dos entregadores recebiam, no máximo, R$ 520,00 semanais. Durante a pandemia, estes passaram a ser 72,8% dos entrevistados.

Apenas 25,4% dos cadastrados nas plataformas de entrega dizem ganhar acima desse valor na quarentena — o equivalente a R$ 2.080 por mês. Antes, eram 49,9%.

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O levantamento também perguntou aos trabalhadores se as empresas fornecem materiais de proteção para evitar a contaminação por coronavírus, como álcool em gel, máscaras e orientações.

Os pesquisadores disseram que 62,3% dos trabalhadores revelaram não ter recebido nenhum apoio das empresas para evitar se contaminar durante as entregas, o que gera custos adicionais ao trabalho.

Modelo ‘perverso’
Uma das coordenadoras do estudo, a professora da Unicamp Ludmila Costhek Abílio, afirmou que a pesquisa revelou “a perversidade” desse modelo de negócios, no qual as empresas lucram mais enquanto os trabalhadores têm sua mão de obra desvalorizada.

“A gente sabe que as empresas estão ganhando muito mais, tanto é que elas pararam de divulgar o faturamento. Sabemos que a (empresa de delivery) Rappi em fevereiro tinha tido crescimento de 30% na América Latina, mas depois não temos mais dados. O mais importante pra gente pensar agora é que os motofretistas viraram trabalhadores de serviço essencial e precisam ser valorizados”, afirmou a pesquisadora.

Abílio afirmou que, apesar de lucrarem mais, as empresas não têm responsabilidade em relação aos motofretistas e que o ideal é que elas oferecessem um programa de bonificações para incrementar a renda dos trabalhadores. Segundo a pesquisa apontou, 89,7% deles tiveram uma redução salarial durante a pandemia ou ganham o mesmo que antes. Apenas 10,3% relataram um aumento.

O levantamento também indicou que, durante a pandemia, 52% dos entrevistados afirmaram trabalhar todos os 7 dias da semana, enquanto 25,4% deles trabalham 6 dias. Os pesquisadores disseram que esses dois períodos de trabalho — relatados por 77,4% — são considerados “ininterruptos”.

“O trabalhador já vive no limite financeiro e não pode parar. Não interessa se a saúde está em risco, se eles não estão dando proteção ou garantias de trabalho. A Rappi em março teve um aumento de 300% do número de cadastros. Provavelmente aumentou o contingente enquanto está rebaixando o valor da hora de trabalho sem deixar isso claro. Inclusive não há nenhuma pré-determinação do valor mínimo da hora de trabalho desses motociclistas”, afirmou a pesquisadora.

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Levantamento foi feito em quatro Estados brasileiros
A pesquisa foi coordenada ainda pelos professores Ana Claudia Moreira Cardoso (UFJF), Henrique Amorim (Unifesp) Paula Freitas Almeida (Unicamp), Renan Bernardi Kalil (MPT), Sidnei Machado (UFPR) e Vanessa Patriota da Fonseca (UFPE).

Mudança na legislação
Nas últimas semanas, entregadores de aplicativos fizeram protestos em São Paulo. Eles reivindicam melhorias nas condições de trabalho, remuneração e transparência salarial.

A pesquisadora da Unicamp diz que o ideal seria estabelecer urgentemente uma legislação para definir a operação dessas empresas para reconhecer um vínculo empregatício entre os aplicativos e os entregadores.

“Isso prejudica diversos pontos. Recentemente, uma liminar determinou que as empresas entregassem álcool gel para todos os funcionários, mas (isso) caiu porque não há vínculo. Eu defendo que a gente pense em regulamentações mínimas protetivas para esses trabalhadores”, disse Abílio.

A pesquisadora afirma ainda que o trabalhador não tem poder algum de negociação com a empresa e que nem mesmo sabe o motivo pelo qual é eventualmente bloqueado pela plataforma.

Segundo ela, “as regras do jogo variam o tempo todo” e que o algoritmo de distribuição do trabalho, além das remunerações — com disparidade de valores entre entregadores, identificadas pelos próprios trabalhadores — não estão claras.

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Volume de entregas cresceu durante a pandemia
“Eles falam que não são uma empresa de logística, mas de tecnologia. O que sabemos é que está muito evidente o quanto eles exploram o trabalho”, disse Ludmila Costhek Abílio.

Quatro empresas citadas pelos entregadores (iFood, Rappi, Uber Eats e Loggi) durante a pesquisa para saber qual o posicionamento delas em relação aos resultados.

A Uber Eats informou por meio de nota que “o estudo em questão tem falhas de metodologia que comprometem seriamente o resultado. Os dados foram coletados a partir de questionários online que não verificavam se o respondente era, de fato, cliente de algum app, muito menos do Uber Eats”.

A Loggi afirmou que todos os entregadores sabem previamente quanto vão receber por entrega ao se cadastrar no aplicativo. A empresa disse ainda que todos os entregadores são microempreendedores individuais (MEI) e que a empresa faz a distribuição de kits de proteção com álcool gel, máscaras, luvas e material de orientação aos entregadores.

Segundo a Loggi, os 40 mil entregadores cadastrados na plataforma têm canais de diálogo com a empresa.

A Rappi informou em nota que “continua aplicando os mesmos critérios no valor do frete — que varia de acordo com o clima, dia da semana, horário, zona da entrega, distância percorrida e complexidade do pedido”.

A empresa disse que contava com mais de 200 mil entregadores na América Latina no início de janeiro e que registrou um aumento no número de entregadores cadastrados desde o início da pandemia, sem dizer quanto.

O iFood diz que vê com “bastante preocupação” a metodologia usada pela Remir Trabalho, pois 252 pessoas em um universo de mais de 200 mil entregadores gera uma margem de erro alta. Critica ainda o fato de a pesquisa ter sido feita pelo Google, o que pode ter levado outra pessoa a responder pelo entregador. A empresa refuta também o formato em que a pesquisa foi feita e não sabe qual foi o questionário usado, com todas as perguntas e opções de resposta apresentadas.

Segundo a empresa, em abril, “os 170 mil parceiros de entrega ficaram, em média, 73 horas mensais disponíveis na plataforma, o que equivale a 2,9 h/dia (em um mês de 25 dias)”. A plataforma disse ainda que, no mesmo mês, 84% dos entregadores ficaram com o aplicativo ligado 6 horas por dia ou menos. Afirmou ainda que 40% deles ficaram disponíveis para entregas apenas 2 horas ou menos por dia.

O iFood disse ainda que, em abril, “61% dos entregadores recebeu R$ 19 ou mais por hora trabalhada, valor quatro vezes maior do que o pago por hora tendo como base o salário mínimo”. A plataforma afirmou ainda por meio de nota que “os ganhos médios mensais dos entregadores que têm a atividade de entregas como fonte principal de renda (35% do total) aumentaram 36% em abril quando comparado a fevereiro”.

A empresa afirmou ainda que “não houve redução no valor das entregas durante a pandemia, o que significa que a afirmação de que ‘os entregadores estão trabalhando no mínimo a mesma quantidade de horas e ganhando bem menos’ não é aplicável aos entregadores que trabalham com o iFood”. Segundo a plataforma, o valor médio pago por rota é de R$ 8,00 e que todos os entregadores ficam sabendo do valor por rota antes de optar por aceitar a entrega.
Com dados da BBC

O total de desempregados nos EUA está prestes a ficar pior do que durante a Grande Depressão. É hora de uma nova abordagem radical

© AFP / GETTY IMAGES AMÉRICA DO NORTE / SPENCER PLATT

Estamos entrando em uma Depressão ainda maior do que nos anos 1930, com centenas de milhões de desempregados em todo o mundo.

Noventa e um anos após o início da Grande Depressão (a pior crise do capitalismo até agora), estamos entrando em uma Depressão ainda maior. Os anos 30 foram tão terríveis que, desde então, os líderes das economias capitalistas disseram ter aprendido a evitar futuras depressões. Todos prometeram tomar as medidas necessárias para evitá-las. Todas essas promessas foram quebradas. O capitalismo permanece intrinsecamente instável.

Essa instabilidade é revelada em seus ciclos recorrentes, recessões, desacelerações, depressões, colisões, etc. Eles atormentaram o capitalismo onde quer que ele se estabelecesse como o sistema econômico predominante. Agora que o sistema econômico predominante no mundo inteiro é o capitalismo, sofremos instabilidade global. Até o momento, a instabilidade capitalista resistiu a todos os esforços (políticas monetárias e fiscais, economia keynesiana, privatização, desregulamentação etc.) para superá-la ou detê-la. E agora está aqui mais uma vez.

Em todo o mundo, centenas de milhões de trabalhadores estão desempregados. As ferramentas, equipamentos e matérias-primas de suas fábricas, escritórios e lojas ficam ociosos, acumulando poeira e ferrugem. Os bens e serviços que eles podem ter produzido não surgem agora para nos ajudar nesses tempos terríveis. Plantas e animais perecíveis que agora não podem ser processados ​​são destruídos, mesmo quando a escassez se multiplica.

O capitalismo é um sistema instável e quebrado que está além do reparo – mas existem alternativas.
Os trabalhadores perdem seus empregos se e quando os empregadores – principalmente capitalistas privados – os demitem. Os empregadores contratam trabalhadores quando os trabalhadores agregam mais valor ao que o empregador vende do que o valor do salário desses trabalhadores. A contratação aumenta os lucros. Os empregadores despedem trabalhadores quando acrescentam menos do que o valor dos salários pagos a eles. O disparo reduz as perdas. Os empregadores protegem e reproduzem suas empresas, maximizando os lucros e minimizando as perdas.

O lucro, não o pleno emprego dos trabalhadores nem os meios de produção, é “o resultado final” dos capitalistas e, portanto, do capitalismo. É assim que o sistema funciona. Os capitalistas são recompensados ​​quando seus lucros são altos e punidos quando não são.

Ninguém quer desemprego. Os trabalhadores querem seus empregos de volta; os empregadores querem que os trabalhadores voltem a produzir resultados lucrativos; os governos querem as receitas tributárias que dependem de trabalhadores e empregadores capitalistas que colaboram ativamente para produzir.

No entanto, o sistema capitalista produz regularmente crises econômicas em todos os lugares por três séculos – em média, a cada quatro a sete anos. Até o momento, tivemos três acidentes neste século: ‘dot.com’ em 2000, ‘hipoteca subprime’ em 2008 e agora ‘corona’ em 2020. Isso ocorre em média em um acidente logo a cada sete anos – a norma do capitalismo ‘ Os capitalistas não querem desemprego, mas o geram regularmente. É uma contradição básica do seu sistema.


Por Richard D. Wolff, professor de Economia Emérito, Universidade de Massachusetts, Amherst, e professor visitante no Programa de Pós-Graduação em Assuntos Internacionais da New School University, Nova York. O programa semanal de Wolff, Economic Update, é distribuído em mais de 100 estações de rádio e vai para 55 milhões de receptores de TV via Free Speech TV e seus dois livros recentes com Democracy at Work são Understanding Marxism e Understanding Socialism, ambos disponíveis em democratwork.info.

Chomsky e governantes

Em filme, Chomsky explica como governantes passam por cima de direitos

Foto: A Requiem for the American Dream

O que é uma situação muito parecida como a que vivemos no Brasil, um dos intelectuais mais importantes do século XX explica em documentário como governantes iguais aos que temos, utilizam da máquina do Estado para enfraquecer direitos trabalhistas, sem qualquer resistência dos trabalhadores.

Noam Chomsky é linguista e considerado um dos maiores intelectuais do século XX. Mas como relata no documentário A Requiem for the American Dream, ele não foi capaz de desvendar a resposta dos governantes e empresários contra a onda democratizante dos anos 60.

Assista ao oitavo tópico do documentário legendado:

Para assistir o documentário completo, basta acessar o Netflix, disponível com legendas em português.

E essa resposta drástica dura até os dias de hoje.

Divido em dez princípios, o documentário mostra em seu oitavo tópico como os governantes conseguem “manter a ralé na linha”. Ou seja, como 1% da população controla os direitos dos demais 99% da sociedade, para impedir avanços trabalhistas e conquistas.

Na realidade, o discurso de Chomsky no filme se parece com um modelo pré-moldado pela maioria dos países que hoje passam por crises de austeridade, onde a economia já não parece mais sustentável, e a única forma de “solucionar” tal situação seria passando por cima da classe trabalhadora e da população em geral — principalmente a marginalizada.

Trata-se da mesma lógica apresentada recentemente pelos políticos no Brasil.

Nesta parte do documentário, Chomsky cita a importância dos sindicatos trabalhistas na luta por direitos e igualdade ao redor do mundo — apesar de suas diversas falhas. Por exemplo, o fato dos Estados Unidos não contarem com sindicatos fortalecidos e regulamentados, o que implicou na grande perda de trabalhos na Indústria, que até os anos 70 se consolidava como a maior força econômica do país, sendo ultrapassada pelos “bancos de investimento” posteriormente — o que explica o aumento do desemprego e a precarização de cidades ao redor do país.

“Um dos motivos principais dos ataques concentrados, quase fanáticos, a sindicatos e movimentos trabalhistas, é que eles são uma força democratizante”, diz o linguista. No Brasil, com projetos como a PEC 241, a Reforma Trabalhista e da Previdência, além da ampliação da terceirização, os principais atingidos são os sindicatos - e claro, a própria classe trabalhadora.

Segundo Chomsky, o início do movimento trabalhista nos Estados Unidos em meados dos anos 30 “aterrorizou os empresários”: “A imprensa comercial falava, em meados dos anos 30, sobre o ‘perigo que ameaçava os industrialistas’ e o ‘crescente poder político das massas’, que tinha de ser reprimido”.

Algo parecido com o lobby praticado pelos grandes meios de comunicação, que fazem pressão atualmente no Brasil em defesa das reformas, como uma forma de “estancar a crise”, ou seja, algo que inicialmente pode atingir negativamente a maior parcela da população, mas que seria necessário para o país voltar a crescer.

O linguista ainda retrata como é uma sociedade despolitizada entre a classe trabalhadora, como se tornou os Estados Unidos após a “financeirização” de sua economia: “Agora, se você tem uma posição de poder, é melhor manter sua consciência de classe para você, e eliminá-la em todos os outros locais”.

Algo parecido com o objetivo dos setores mais conservadores em aprovar nacionalmente o projeto Escola sem Partido, que visa limitar a discussão política e ideológica nas salas de aula.

Agência Democratize

Tecnologia,Economia,Trabalho,Emprego,Blog do Mesquita 01

Os trabalhadores mal pagos que permitem que você se divirta e consuma na internet

O ‘microtrabalho’ pode incluir fornecer dados para abastecer a tecnologia usada em carros sem motorista

Pense em como é sua vida digital. Você está no celular, entra em um site de buscas para procurar restaurantes nas redondezas e aparecem várias sugestões. O seu aplicativo de música oferece uma playlist que combina perfeitamente com você, e os seus feeds de rede social são em sua maioria livres de conteúdo ofensivo. Mas você sabia que se não fosse por um exército oculto de milhares de trabalhadores em todo o mundo, nada disso seria possível?

São os chamados “microtrabalhadores” – uma espécie de crowdsourcing (colaboração coletiva) paga para executar tarefas que as máquinas não conseguem desempenhar sozinhas.

Esses empregos costumam ter uma reputação negativa – são vistos como mal remunerados e podem envolver um trabalho repulsivo, de analisar vídeos e imagens com conteúdo perturbadores.

Mas para muita gente, é o trabalho perfeito.

O que é ‘microtrabalho’?

Os microtrabalhadores geram dados ao transcrever, limpar, corrigir e categorizar conteúdo.

Eles ajudam a fornecer dados para os algoritmos de aprendizagem automática (“machine learning”, em inglês), que são a base da inteligência artificial.

Imagem representando o trabalho sendo executado tarefa por tarefa
Image caption Grandes empresas usam ‘microtrabalhadores’ para realizar pequenas tarefas digitais

As tarefas podem incluir desenhar caixas delimitadoras ao redor de imagens para ensinar aos carros sem motorista o que é uma árvore, um obstáculo ou uma pessoa em movimento.

Eles também rotulam os conteúdos com emoções, de modo que os algoritmos de análise de sentimentos possam aprender como soa uma música “triste”, ou se um texto ou uma palavra é “alarmante”.

Podem, ainda, identificar imagens de seres humanos, para ajudar o reconhecimento facial a diferenciar entre características como olhos, narizes e bocas.

Quem usa esse serviço?

A Amazon montou a primeira plataforma de microtrabalho em 2005.

Na ocasião, o CEO da empresa, Jeff Bezos, a descreveu como “inteligência artificial artificial”.

A plataforma chama Amazon Mechanical Turk, nome inspirado no “Turco Mecânico”, um robô jogador de xadrez do século 18 que os adversários enfrentavam pensando estar competindo contra uma máquina, quando na verdade havia um mestre de xadrez escondido lá dentro.

Amazon Mechanical TurkDireito de imagem GETTY IMAGES
O ‘Turco Mecânico’ zombava dos jogadores, que pensavam estar jogando xadrez contra uma máquina

A Amazon usou esse sistema pela primeira vez para eliminar milhões de páginas duplicadas de produtos, uma vez que os computadores não conseguiam perceber diferenças sutis nas páginas, mas os humanos, sim.

No entanto, como uma pessoa não seria capaz de completar essa tarefa sozinha, eles dividiram o trabalho em tarefas pequenas, independentes e repetitivas que poderiam, em teoria, ser realizadas em segundos por trabalhadores humanos de qualquer lugar.

Em seguida, lançaram esse modelo de trabalho por meio de um site que servia como intermediário entre empresas que postavam tarefas e candidatos a relizar o trabalho.

Os microtrabalhadores ao redor do mundo que completam as tarefas são, então, pagos por elas.

Quem são os microtrabalhadores?

É difícil estimar quantos microtrabalhadores há no mundo, já que as companhias não divulgam números oficiais, a não ser os de usuários registrados.

Mas, para se ter uma ideia, estima-se que na Amazon Mechanical Turk, a plataforma mais conhecida, dezenas de milhares de pessoas trabalhem todos os meses – e que em qualquer momento do dia haja cerca de 2 mil a 2,5 mil microtrabalhadores ativos.

Esse número foi calculado por Panos Ipeirotis, professor na Universidade de Nova York, nos EUA.

O estudo dele constatou que a maioria dos trabalhadores da MTurk está baseada nos EUA e na Índia – mas isso se deve principalmente ao fato de que a plataforma limitou por muitos anos o acesso de trabalhadores de fora do território americano.

Atualmente, existem muitas outras plataformas de microtrabalho ao redor do mundo.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) entrevistou 3,5 mil microtrabalhadores em 75 países.

E descobriu que a idade média dos entrevistados era de 33 anos.

Um terço era de mulheres, mas em países em desenvolvimento, esse percentual caía para um quinto.

Eles também são instruídos – menos de 18% dos entrevistados haviam estudado até o ensino médio, um quarto havia frequentado a universidade e 20% tinham pós-graduação.

Mais da metade é especialista em ciência e tecnologia, 23% em engenharia e 22% em tecnologia da informação.

Como é ser um microtrabalhador?

O microtrabalho pode ser uma tábua de salvação para pessoas que não têm acesso a emprego ou a fontes de renda tradicionais, especialmente em países em crise.

Michelle Muñoz é dentista. Ela mora na Venezuela e trabalha online há dois anos.

Michelle, microtrabalhadora
Image caption Michelle diz que ganha mais como microtrabalhadora na Venezuela do que quando era dentista

O colapso da economia e a hiperinflação galopante tornaram o microtrabalho a melhor opção para Michelle ganhar dinheiro na Venezuela.

“Eu tinha um consultório. Mas, infelizmente, tive que fechá-lo por causa da emigração. Muitas pessoas se foram, e as que ficaram não têm dinheiro suficiente para pagar dentista, precisam se preocupar com comida, educação e outras coisas”, explica.

Yahya Ayoub Ahmed é sírio e vive no campo de refugiados de Darashakran, em Erbil, no Iraque, após ter fugido da guerra.

Ele aprendeu inglês e habilidades de TI com uma organização chamada Preemptive Love, o que permitiu a ele ter acesso a microtrabalhos.

“Você pode usar (esse sistema) remotamente e gerar renda. Por aqui, se candidatar a um emprego é muito difícil, não é como se você pudesse simplesmente dar um Google em busca de trabalho, então isso permite que você trabalhe sem precisar se candidatar e enviar um currículo”, explica.

Ele aprendeu a realizar tarefas altamente precisas, como traçar caixas delimitadoras em volta de imagens ou desenhar máscaras de segmentação.

“Estou muito animado em aprender sobre machine learning e inteligência artificial”, diz ele.

Yahya, microtrabalhador
Image caption Yahya atua como microtrabalhador de um campo de refugiados no Iraque

Mas há um obstáculo extra para trabalhadores em países como o Iraque, já que as tarefas são voltadas principalmente para países desenvolvidos, explica Allen Ninous, da Preemptive Love.

“A maioria dos serviços restringe o acesso de iraquianos. E mesmo que conseguissem entrar, não há uma maneira simples de receber o dinheiro, uma vez que todos os pagamentos são feitos por meio de sistemas bancários terceirizados, como o PayPal”, diz Allen Ninous, da Preemptive Love.

A organização dele assina acordos especiais com empresas para facilitar o acesso.

Encontrar trabalho é ainda mais complexo para quem faz isso sozinho em casa.

Rafael Pérez, que mora na Venezuela e ganha a vida com microtrabalhos, descreve uma situação semelhante.

Ele diz que não pode realizar a maioria das tarefas que são postadas.

E conta como muitas vezes levou calote.

“Lembro quando ganhei US$ 180 em 15 dias. É muito dinheiro, mas nunca me pagaram. Mandei email, liguei… mas você não tem com quem reclamar.”

Quanto paga?

O microtrabalho tem sido alvo de críticas por pagar muito pouco. A pesquisa da OIT mostrou que os trabalhadores ganhavam, em média, US$ 4,43 por hora.

Mas o pagamento varia muito de acordo com a região.

Enquanto nos EUA eles ganham uma média de US$ 4,70 (que é menos do que o salário-mínimo), na África recebem US$ 1,33.

E isso sem contar que os trabalhadores gastam, em média, 20 minutos em atividades não remuneradas para cada hora de trabalho remunerado.

Isso inclui procurar tarefas ou fazer testes para se qualificar para as mesmas.

“Passo o dia todo, ou a maior parte do dia, procurando tarefas. Quando consigo, tenho de sentar e fazer”, diz Rafael.

Eles também gastam parte do tempo fugindo de golpes.

Michelle conta que no início foi enganada por sites fraudulentos, mas que agora se certifica de pesquisar e submeter as plataformas a um período de teste antes de começar a trabalhar nelas.

A forma como recebem o pagamento tampouco é simples.

Como é feito o pagamento?

Os trabalhadores são remunerados por meio de pagamentos eletrônicos.

Para terem acesso aos valores, usam plataformas online em que terceiros convertem seu crédito eletrônico em dinheiro vivo, após cobrar uma comissão.

Rafael diz que, se o dia for favorável, ele ganha de US$ 8 a US$ 10, com os quais consegue comprar uma caixa de ovos pequena, um quilo de farinha de milho e um quilo de feijão.

“Você não vai viver muito bem, mas vai comer”, diz.

Ele se concentra naquilo que chama de tarefas “tediosas”, mas fáceis, como buscar informações na web e identificar partes de frases.

Michelle, por sua vez, realiza tarefas mais complexas, como traduções, desenhos de caixas e análise de sentimentos. Ela conta à BBC que chegou a ganhar cerca de US$ 80 em um dia, que usou para comprar um smartphone que utiliza agora para o microtrabalho.

Ela acredita que deveria haver mais “apoio e reconhecimento” aos microtrabalhadores, que as plataformas ganham muito dinheiro graças ao trabalho deles e “pagam mal, pelo menos na Venezuela”.

É o trabalho do futuro?

Paola Tubaro, que estuda as práticas de microtrabalho, acha que esse tipo de trabalho não é transitório, mas estrutural para o desenvolvimento de novas tecnologias, como a inteligência artificial.

“Mesmo que as máquinas aprendam, digamos, a reconhecer cães e gatos e não precisem de mais exemplos, ainda é necessário fornecer mais detalhes para elas reconhecerem, como sinais de trânsito em outros idiomas ou de outros países.”

À medida que essas tecnologias avançam, aumentará a necessidade de pessoas para alimentá-las de dados. “Não é algo temporário”, avalia.

Atualmente, não há regulamentação governamental para plataformas de microtrabalho, portanto, são as próprias plataformas que estabelecem as condições.

Também houve críticas à falta de apoio aos microtrabalhadores que realizam tarefas de moderação e estão expostos a conteúdos perturbadores, com os quais têm de lidar sozinhos.

A OIT, em seu estudo, pede uma melhor regulação do setor para que certas condições – como salário-mínimo e maior transparência nos pagamentos – sejam cumpridas.

Por enquanto, diz Tubaro, “o microtrabalho é invisível para muita gente e tem atraído pouca atenção da opinião pública”.

Até mesmo o debate ético em torno da inteligência artificial, diz ela, se concentrou na transparência e na imparcialidade dos algoritmos, mas “não levou em conta os trabalhadores que estão por trás da própria produção da inteligência artificial”.

“Não pode ser justo se essas pessoas não são pagas o suficiente, ou não têm nenhum tipo de proteção social. Se as pessoas trabalham sob as mesmas condições que as fábricas do século 19, isso não é algo que nossa sociedade deveria aceitar.”

Ford,Emprego,Brasil,Economia,Blog do Mesquita

‘Todos os meus sonhos ruindo’: o drama dos metalúrgicos com fechamento de fábrica da Ford em SP

Ford,Emprego,Brasil,Economia,Blog do MesquitaTrabalhadores da Ford iniciaram uma paralisação depois do anúncio de fechamento da fábrica de São Bernardo do Campo

“Quando você entra na Ford, você realiza um sonho que tinha desde criança. Pronto, você entrou, virou um metalúrgico, como o seu pai. É um sonho realizado que vai te ajudar a atingir outros sonhos: ter uma casa, ter uma família, fazer faculdade, comprar um carro. Então, você me perguntou o que eu senti ontem. Senti como se todos esses sonhos estivessem ruindo.”

Em um bar ao lado da Ford, em São Bernardo do Campo, o metalúrgico Gustavo Alves, de 30 anos, fala com a BBC News Brasil enquanto seus colegas conversam sobre o futuro incerto que todos ali devem enfrentar nos próximos dias.

A Ford mudará a decisão de fechar a fábrica na cidade conforme anunciou na terça? E se houver mobilização dos trabalhadores? O sindicato vai conseguir negociar? A greve continuará? O governo pode ajudar? E se nada der certo, até quando eles terão emprego? Como ficarão os benefícios?

Não é que eles não soubessem que algo poderia acontecer na companhia, pois os rumores de que a unidade poderia fechar já circulavam havia algum tempo em virtude dos prejuízos da empresa na América do Sul. Nos últimos anos, os funcionários se acostumaram aos cortes de benefícios, congelamento de salários, demissões e redução de jornada de trabalho.

A unidade montava principalmente caminhões, mas vinha operando bastante abaixo da capacidade. Em 2018, por exemplo, a fábrica produziu apenas 19% dos 89 mil caminhões que é capaz de montar, segundo dados da empresa. Por causa disso, um acordo reduziu a jornada dos empregados – eles estavam trabalhando apenas três dias por semana.

Gustavo Alves, de 30 anos, funcionário da Ford
Image caption Gustavo Alves, de 30 anos, começou a trabalhar na Ford em 2014, indicado por seu pai, que se aposentou pela empresa

“Quando entrei, em 2014, essa fábrica tinha 7 mil trabalhadores”, diz Gustavo, mais tarde, enquanto abre as portas de seu Fiesta, carro Ford. Hoje, ela opera com 2,8 mil funcionários diretos, de acordo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Todos serão demitidos com o fechamento da unidade.

Segundo o sindicato, o anúncio deve impactar cerca de 24 mil empregos diretos e indiretos – entre terceirizados e fornecedores. Além disso, bares e restaurantes do entorno devem ser afetados com a saída da massa de funcionários.

A notícia do fechamento da fábrica, no entanto, surpreendeu os trabalhadores na terça-feira, logo após o almoço. “Ninguém esperava que fosse assim. Depois de uma reunião, nossos representantes pararam a produção e avisaram sobre o anúncio”, diz Gustavo, montador de painéis de caminhões. “Foi um choque.”

Em seguida, os trabalhadores entraram em greve atrás de um acordo para evitar o encerramento das atividades. No entanto, não há informação de que isso possa ocorrer, pois a decisão foi tomada pela cúpula da empresa.

Filho de metalúrgico, metalúrgico é

Gustavo entrou na Ford depois de uma indicação do pai, Armezino, que se aposentou pela empresa depois de 30 anos de trabalho como ponteador de peças. Conhecido por Tucano, o metalúrgico foi sindicalista e participou das históricas greves em fábricas do ABC, movimento que lançou Luiz Inácio Lula da Silva como uma figura política importante e popular entre as camadas mais pobres.

“Sempre quis ser metalúrgico da Ford, porque eu acompanhava meu pai desde moleque. Ele me trazia aqui, me levava no sindicato, eu via como era aquela vida de luta”, diz o jovem. “O que agora me deixa mais triste é que a gente se sacrificou pela empresa, cedendo benefícios, deixando de receber aumento real. E agora, ela nos deixa na mão.”

A história familiar de Clayton Diogenes da Silva, de 43 anos, também se confunde com a Ford – a fábrica em São Bernardo existe desde 1967. Entre os colegas, ele é conhecido por Risadinha (o sorriso fácil, mesmo quando fala de coisas tristes, talvez explique o apelido).

Clayton Diogenes da Silva, 43, funcionário da Ford
Image caption Clayton Diogenes da Silva, 43, e seu pai Antonio Carlos trabalharam por décadas na Ford em São Bernardo do Campo

“Foi na Ford que meu pai criou cinco filhos e que eu criei meus dois”, diz o inspetor de processo, há 23 anos na fábrica. “Entrei com 19 anos, e ainda trabalhei um ano com meu pai aqui.”

O pai, Antonio Carlos da Silva, ficou 25 anos na unidade, parte deles como inspetor de qualidade de motores. “Em 1971, quando entrei como chão de fábrica, a gente fazia Maverick, Belina, Landau”, diz Antonio, mais tarde, por telefone.

Já seu filho, o Risadinha, passou pelas fases Escort, Verona, Ka, Fiesta. “Nossa família se formou na Ford, primos e tios também trabalharam aqui, temos um apreço muito grande pela empresa”, afirma. “Só compramos carros da Ford. Se um parente aparece com um Volks, a gente exclui da família”, brinca.

O que diz a Ford?

A montadora americana afirma que vai encerrar as atividades da fábrica em São Bernardo ao longo deste ano, acabando com o setor de caminhões e transferindo a montagem do modelo Fiesta para outras unidades no país. Um acordo entre a companhia e o sindicato prevê estabilidade dos trabalhadores até novembro.

Em nota, a Ford explica que a decisão de deixar o mercado de caminhões “foi tomada após vários meses de busca por alternativas, que incluíram a possibilidade de parcerias e venda da operação. A manutenção do negócio teria exigido um volume expressivo de investimentos sem, no entanto, apresentar um caminho viável para um negócio lucrativo e sustentável”.

A empresa prevê um gasto de R$ 1,7 bilhão com “compensações de funcionários, concessionários e fornecedores.”

“Sabemos que essa decisão terá um impacto significativo sobre os nossos funcionários de São Bernardo do Campo e, por isso, trabalharemos com todos os nossos parceiros nos próximos passos”, disse Lyle Watters, presidente da Ford América do Sul.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, criticou o anúncio e disse que os trabalhadores vão se mobilizar. “Nossa decisão é de resistência, nós não vamos aceitar. O que vamos fazer? Tudo, tudo o que aprendemos no movimento sindical. Se tiver que fazer greve, vamos fazer. Ou acampamento. Se tiver que negociar, vamos negociar”, afirmou à BBC News Brasil.

O prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB), mostrou indignação com a decisão da montadora americana. “Não aceito a forma que está sendo feito. Não considero correto, acho um desrespeito com os trabalhadores e com a cidade”, disse, em um vídeo nas redes sociais.

Entrada da Ford em São Bernardo do Campo, SPDireito de imagem REUTERS
Ford afirma que vai acabar com setor de caminhões, em São Bernardo do Campo

E o futuro dos metalúrgicos?

Para o preparador de máquinas Anderson Viana, de 38 anos, conhecido entre os colegas como Pitchulinha, o desemprego pode significar sérias dificuldades para sustentar seus dois filhos. “Também tenho um irmão deficiente, com paralisia cerebral, que depende de mim. A Ford é meu ganha pão, minha vida digna depende dela”, diz.

Quando entrou na empresa em 2010, Anderson pensava que seu bem-estar estava garantido por muito tempo – o salário médio na empresa é de cerca de R$ 6.000. “Achava que eu iria me aposentar aqui, sonhava que meu filho viesse trabalhar na Ford. Mas parece que a empresa não teve pena de ninguém, como se a gente fosse uma mercadoria que se descarta, como se fosse um carro”, diz.

Seu colega, o funileiro de produção Sergio Soares, de 50 anos, conta como o emprego na montadora melhorou sua vida. “A Ford significou uma mudança. Você vai subindo na folha, vai melhorando. Compra casa, carro, faz faculdade”, enumera.

Ele está há 25 anos na fábrica de São Bernardo, e tem esperança de que o sindicato da categoria consiga reverter o jogo, como tantas vezes conseguiu ao longo de sua história de mobilizações. “Espero que a gente mude essa decisão, porque terá um impacto muito grande na vida das pessoas.”

Já Clayton Diogenes da Silva, o Risadinha, não acredita muito no futuro como metalúrgico. “Aqui no ABC, o auge da cadeia produtiva era ser metalúrgico de uma montadora”, diz ele, cuja faculdade de tecnologia em processo de produção foi paga pela Ford. “Nós, da área de tecnologia, sabemos quando nossa mão de obra fica obsoleta.”

Seu pai, o aposentado Antonio Carlos, é um pouco mais otimista, embora perceba que, dessa vez, o cenário parece pior que o da sua época. “Quando entrei na Ford, em 1971, já tinha um papo de que a fábrica de São Bernardo iria fechar. Mas era só fofoca entre os peões, nunca teve um anúncio como esse”, diz.

Bebê espantado,Blog do Mesquita

É Froidi – Drops & Picles

Da série “Meu ofício é incomodar”
Cadê o Queiroz?
Quem matou Mariele?
Cadê o esfaqueador?
Só chamando o Herculano QuintanilhaBola de Cristal,Blog do Mesquita,O Astro

Imagina você entrando nessa Catedral em Campinas e o padre com uma 12 do lado da Bíblia?
Uma mistura de Gunslinger com Priest!

Armas,Igreja,Blog do Mesquita

Fotografias,Animais,Cavalos,Blog do Mesquita 3


Vamos fazer as contas?
Fernanda Montenegro é atriz desde antes de 1951, e a Lei Rouanet foi criada em 1991.
Em 1991, ela já era um ícone da dramaturgia no país e conhecida mundialmente.
Como ela só ficou famosa por quê “mama” na Lei Rouanet?
A NASA precisa estudar os devotos da “famiglia”.


Chega!
Ela tem um livro: Jesus no pé de goiaba! Dá pra acreditar?
“Eu vi Jesus no pé de goiaba”, diz Damares Alves, futura ministra de Bolsonaro.


Ministra-pastora propõe relativizar o estupro, humanizar o estuprador e punir a mulher tonando o aborto crime hediondo. Uma inacreditável peça de violência contra a mulher em três atosFreira,Terror,Blog do Mesquita


Ontem foi o Dia Mundial do Palhaço, mas aqui no Bananil, o dia durará, no mínimo quatro anos.

Se abrir a porta para maluco, ninguém a fechará mais.
Reunião dessa turma dos parafuso solto. Olhem só o futuro ministro da Ciência e Tecnologia participando das reuniões do Gabinete de Transição do novo(?) governo, vestido de astronauta.Bolsonaro, Astronauta

O mais triste, desesperador, é que ainda tem muito espaço para piorar.
“Vamos tratar meninas como princesas e meninos como príncipes”, diz futura ministra –
A pastora Damares Alves defendeu o que chamou de uma contrarrevolução cultural. Cuma? Hahahaha.


Inacreditável: Alberto Fraga – bancada da bala, não se reelegeu e é “cliente” da Lava Jato – acaba de culpar a Rede Globo pelo atentado ocorrido em Campinas, em que um homem abriu fogo na catedral, matou quatro e cometeu suicídio. “Esse tipo de atitude deve-se à repercussão da Rede Globo de casos isolados dos EUA sendo repercutidos aqui”. “Quiuspa”!Brasil,Política,Humor


A xenofobia, a rejeição da pluralidade, a mentalidade paranoica em relação ao mundo exterior e a construção de bodes expiatórios se transformaram em tendência mundial. É preciso levar a sério a questão nacional, não deixá-la nas mãos dos extremistas. Também é necessário fortalecer a coesão coletiva


Fabrício Queiroz,Motorista,Bolsonaro


O Junior, “parça” do motorista desaparecido, Filhinho disse que ia invadir a Venezuela. Será que ele mantém a promessa? Se só com a Venezuela sozinha já não iria conseguir, imagine agora com a Rússia. Vai que é sua, Bozinho!Aviões,Bombardeiros,Rússia,Venezuela,Bolsonaro


Mais um.
Ricardo Salles gastou R$ 260 mil para propaganda eleitoral antecipada, diz MP
Procuradoria acusa novo ministro do Ambiente de abuso de poder econômico na eleição
Ricardo Salles gastou R$ 260 mil para propaganda eleitoral antecipada, diz MPBolsonaro,Brasil,COAF,Corrupção


Mudança no mundo das histórias infantis: sai “João e o Pé de Feijão”, entra “Jesus e o Pé de Goiaba”.
Mas é bom tomar cuidado. Depois de ouvir a versão contada pela tia Damares, a criança fica uma semana sem dormir.



Não escapa ninguém. Só tem ladrão. Tudo com rabo preso apontando o rabo preso dos outros.
PSC, PT e PSOL aparecem em relatório do Coaf.


Tem que ser interditada. Na frente da tia da goiabeira, Paschoal é um modelo de sanidade e equilíbrio emocional.

O garotinho do filme “Sexto Sentido”
– Eu acho que vejo gente morta!
Ministra do Bozó:
– Fica quieto moleque, eu vejo Jesus na goiabeira o tempo e, nem por isso fico dando bandeira, fica quieto senão internam a gente!

Meu pé de Laranja, Laranja.

Alguma notícia de como funciona o Programa Minha Laranja Minha Vida?
PF fazendo buscas nas casas dos envolvidos? Um Plantão da Globo mostrando PowerPoint? Algo?Laranjas,Corrupção,Lavagem de dinheiro,Blog do Mesquita