O socialismo étnico da China

O Ditador Genocida Xi Jinping tratado como presidente, como se presidente fosse, e não um ditador cínico

E o capital, amoral e cínico, chama o ditador genocida Xi Jinping de presidente. – os campos de concentração de Xinjianang não são visíveis por Wall Street. Ditadores, na ótica dos filhotes obtusos de Mises, Hayek e demais porcarias, ditadores – e o são tanto quanto – somente Maduro, Venezuela; Castro,Cuba; Alexander Lukashenko, Belarus são ditadores.

 “Os chineses não estão apenas ocupados em adquirir as matérias primas locais, mas também em espalhar a sua influência estratégica sobre aqueles países, com um toque neocolonial. Com os bilhões de investimentos, naquela região europeia, Pequim aumenta a sua influência sobre a Europa, principalmente na Sérvia, entre os portos da região grega do Pireu e a Alemanha.”  

“Campo de reeducação” na região autônoma de Xinjiang

Recentemente, foi revelado que a China está impondo trabalho forçado a milhares de pessoas no Tibete. Desde a anexação do montanhoso país budista em 1950, a República Popular fez de tudo para isolar o Tibete e eliminar sua independência cultural. No mundo livre, a pessoa do Dalai Lama é o símbolo mundial das consequências das atividades chinesas. Ao mesmo tempo, ao longo de décadas passamos a nos acostumar a isso.

No entanto, não é possível mais se ignorar que a liderança comunista de Xi Jinping, que, ao contrário de seus antecessores, tem uma interpretação étnica do socialismo chinês, discrimina e oprime as minorias em muitos lugares de seu enorme país. Há apenas algumas semanas, chegou a notícia terrível da Mongólia Interior de que a independência cultural dos mongóis deve ser drasticamente restringida.

Um milhão em campos de concentração

Tudo isso, no entanto, é ofuscado pelas atrocidades que a China está perpetrando em Xinjiang, onde mais de um milhão de pessoas estão presas em campos de concentração por causa de sua etnia e religião. Os relatos vão de lavagem cerebral a abortos forçados. Por isso, o Congresso dos EUA já está a ponto de classificar a situação em Xinjiang como genocídio.

Em Xinjiang, na Mongólia Interior e no Tibete, as pessoas que tradicionalmente habitam essas regiões pertencem a um grupo étnico diferente da maioria da população do país, da etnia han. Todas as 56 etnias da China gozavam de alguma igualdade perante a lei até o presidente Xi assumir o cargo em 2012. Xi Jinping, que será eleito presidente vitalício em 2023 se tudo der errado, acabou com isso.

Hong Kong também é conflito étnico

A maioria do povo de Hong Kong também não é de chineses han, mas de cantoneses, também um grupo étnico diferente. O furor de Pequim, com o qual são minados a independência da cidade e os direitos de seus residentes, previstos em acordos internacionais, em parte também pode ser atribuída à política étnica implementada por Xi e sua nomenclatura. No mundo livre, as pessoas ainda não entenderam por que Pequim não esperou até 2047. Este ano é quando expiraria de qualquer forma o princípio “um país, dois sistemas”, que dá direitos democráticos a Hong Kong. A China teria vencido então.

Para a China, porém, o que importa nesse ponto não é uma política racional, mas a ideologia, que considera haver uma primazia, uma supremacia dos han sobre as outras etnias. As pessoas do outro lado do tratado, neste caso Hong Kong, Tibete, Mongólia Interior e Xinjiang, não são vistas como parceiras. Isso explica o comportamento desumano que o PC mostra para com as pessoas que, na verdade, são todas cidadãs da China.

Taiwan é exceção

A única exceção aqui é Taiwan. O país democrático que emergiu da guerra civil é habitado por 23 milhões de pessoas, a grande maioria das quais é de chineses han. Talvez a República Popular esteja hesitante em atacar o Estado insular porque tal ataque seria entendido pelos militares como uma nova versão da guerra civil que ocorreu há mais de 70 anos.

O verdadeiro problema de Xi Jinping com a democrática Taiwan é que milhões de pessoas vivem com sucesso e felizes em uma democracia livre – um estilo de vida que o presidente chinês afirma ser estranho aos chineses, por causa de sua herança cultural. Não se pode falar em genocídio contra os taiwaneses, pois a China teria primeiro de ocupar a ilha. Xi ameaçou isso várias vezes. Uma vez que os EUA deram à nação insular uma espécie de garantia de segurança, embora não esteja claro se também inclui a opção de guerra, o conflito de Taiwan permanece em um certo limbo. É totalmente óbvio que se a China invadisse Taiwan, a cultura liberal e a democracia do lugar também seriam destruídas.

Cinco genocídios

A China de Xi, portanto, tem cinco genocídios em andamento, que estão em diferentes estágios de conclusão. Cada pessoa do mundo livre deve sentir um frio na espinha ao imaginar isso. A discussão sobre como devemos lidar com a China no futuro, portanto, não é de forma alguma prematura.

Em retrospecto, parece, infelizmente, ter sido um erro a inclusão da China na ciranda do mundo civilizado, que após o horror da Revolução Cultural se preparou para abrir um novo capítulo com o país, especialmente sob a impressão dos sucessos do reformador Deng Xiaoping. “Um país, dois sistemas” está morto, assim como a política “Uma China”, que foi enterrada no momento em que Pequim lançou suas ameaças de guerra contra Taiwan. Sob Xi Jinping, o país não é mais uma esperança para a economia mundial, mas uma ameaça à paz mundial.

Alexander Görlach é membro sênior do Carnegie Council for Ethics in International Affairs e pesquisador associado do Instituto de Religião e Estudos Internacionais da Universidade de Cambridge.

Outlet de propaganda chinesa pagou US $ 19 milhões a jornais por publicidade

Um dos principais meios de propaganda da China pagou aos jornais americanos quase US $ 19 milhões por despesas de publicidade e impressão nos últimos quatro anos, de acordo com documentos arquivados no Departamento de Justiça.

Nicolas Asfouri – Pool/Getty Images

O China Daily, um jornal em inglês controlado pelo Partido Comunista Chinês, pagou mais de US $ 4,6 milhões ao The Washington Post e quase US $ 6 milhões ao The Wall Street Journal desde novembro de 2016, mostram os registros.

Ambos os jornais publicaram suplementos pagos que o China Daily produz chamados “China Watch”. As inserções foram projetadas para parecerem com artigos de notícias reais, embora muitas vezes contenham uma opinião pró-Pequim sobre os eventos de notícias contemporâneos.

Uma publicação de setembro de 2018 divulgou uma iniciativa promovida pelo presidente chinês Xi Jinping com a manchete: “Cinturão e Rota se alinham com os países africanos”. A mesma publicação publicou uma matéria intitulada “Tarifas para cobrar pedágio nos compradores de casas nos EUA”, que afirmavam que as tarifas dos EUA sobre madeira chinesa aumentariam o custo de construção de casas nos Estados Unidos.

O China Daily também pagou pela publicidade em vários outros jornais: The New York Times (US $ 50.000), Política Externa (US $ 240.000), The Des Moines Register (US $ 34.600) e CQ-Roll Call (US $ 76.000).

Gastou um total de US $ 11.002.628 em publicidade nos jornais dos EUA e outros US $ 265.822 em publicidade no Twitter.

O China Daily também pagou mais de 7,6 milhões de dólares a jornais e empresas de impressão por seus jornais para os leitores dos EUA, mostra o arquivo do Departamento de Justiça.

Estações da PBS que receberam milhões em fundos federais firmaram parceria com agente estrangeiro chinês em filme pró-Pequim.

O Los Angeles Times, o Seattle Times, o Atlanta Journal-Constitution, o Chicago Tribune, o Houston Chronicle e o Boston Globe estão todos listados como clientes do China Daily. A agência chinesa pagou ao Los Angeles Times US $ 657.523 por serviços de impressão, segundo os registros da FARA.

Uma mulher usando uma máscara é vista após um retrato do presidente chinês Xi Jinping em Xangai (REUTERS / Aly Song)

O Departamento de Justiça exige há anos que o China Daily divulgue suas atividades semestralmente sob a Lei de Registro de Agentes Estrangeiros (FARA). O arquivo mais recente, enviado pelo China Daily em 1º de junho, é o primeiro a incluir detalhadamente os pagamentos aos meios de comunicação americanos. O canal divulgou essas despesas para o período entre novembro de 2016 e abril de 2020.

Não está claro se o China Daily enviou os arquivos mais detalhados sob pressão do Departamento de Justiça ou por conta própria.

Grupos pró-democracia há muito tempo alertam sobre as tentativas do governo chinês de fazer propaganda através dos meios de comunicação americanos. A Freedom House e a Hoover Institution chamaram a atenção para as inserções pagas do China Daily em relatórios sobre os esforços do governo chinês para influenciar a mídia.

O China Daily e outras fábricas de propaganda controladas por Pequim estão sob intenso escrutínio em meio à pandemia de coronavírus. Autoridades do governo chinês tentaram desviar a culpa pela disseminação do vírus para os Estados Unidos e outras nações ocidentais. Muitos dos veículos controlados pelo regime, incluindo o China Daily, ecoaram os argumentos dos líderes comunistas.

O China Daily diminuiu seus gastos com publicidade nos últimos meses, mostram os registros. O China Daily pagou pela última vez ao Washington Post por publicidade em dezembro de 2019. Seus pagamentos ao The Wall Street Journal foram menos da metade do seu valor médio desde fevereiro de 2020, mostram os documentos.

Fonte: Chuck Ross/Dayly Caller

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ONU denuncia “violações graves dos direitos humanos” durante protestos no Chile

Alto Comissariado para os Direitos Humanos, chefiado pela ex-presidenta Michelle Bachelet, recebeu relatos de execuções simuladas

Policiais prendem manifestante durante um protesto contra o Governo do Chile em Santiago, dia 14 de novembro.
Policiais prendem manifestante durante um protesto contra o Governo do Chile em Santiago, dia 14 de novembro. GORAN 
  • Manifestantes suben al monumento al general Baquedano durante el octavo día de protestas contra el gobierno del presidente Sebastián Piñera el 25 de octubre de 2019 en Santiago, Chile.
  • Protestas en Santiago de Chile contra la política de Sebastián Piñera, el martes, 29 de octubre.
  • Una protesta en Santiago de Chile.

Por outro lado, o relatório reconhece que o Governo chileno cooperou, sustentou um “diálogo franco” e entregou “amplas informações”, facilitando o “acesso rápido e sem entraves” aos locais de detenção. No entanto, o ACNUDH denunciou que tanto os Carabineiros (polícia), como o Exército não aderiram às normas e padrões internacionais sobre o uso da força. O relatório afirma que das 26 investigações do Ministério Público por mortes ocorridas no contexto das manifestações no Chile, quatro casos se devem a ações que envolvem agentes estatais. Romario Veloz Cortés pertence a esse grupo: cidadão equatoriano de 26 anos, faleceu em La Serena, cerca de 500 quilômetros ao norte do Santiago, devido a disparos com munição letal feitos por pessoal militar, um fato que está sendo investigado. “Busco justiça… justiça para todos os que morreram”, afirmou sua mãe, segundo o relatório do ACNUDH.

As Nações Unidas apontam a grande quantidade de pessoas lesionadas durante os protestos, incluindo os feridos nos olhos pelo uso de balas de borracha. “O ACNUDH considera que o número alarmantemente alto de pessoas com lesões nos olhos ou no rosto (aproximadamente 350) mostra que há razões fundadas para acreditar que as armas menos letais foram usadas de maneira indiscriminada”, afirma o Alto Comissariado, acrescentando que, embora o uso das balas de borracha estivesse suspenso enquanto sua composição exata é determinada – elas continham apenas 20% de borracha, segundo dois estudos acadêmicos –, “esta ordem não foi completamente implementada”.

O organismo internacional menciona o caso de Gustavo Gatica, o estudante de 21 anos que em 8 de novembro foi ferido em ambos os olhos por disparos dos Carabineiros e perdeu totalmente a visão. “As autoridades tinham informação sobre o alcance das lesões causadas neste contexto desde em 22 de outubro. Entretanto, as medidas tomadas não foram imediatas e efetivas”, afirma o departamento liderado por Bachelet – que foi também a primeira mulher a ocupar o ministério da Defesa no Chile, durante o mandato de Ricardo Lagos (2000-2006).

Torturas e maus tratos

O ACNUDH dedica um espaço do seu relatório de 35 páginas à “tortura e maus tratos”, dos quais afirma ter reunido 133 casos. Em 28 de novembro, o Ministério Público tinha iniciado 44 investigações nesta linha. Na maioria, diz o escritório da ONU, “os supostos autores são membros de Carabineiros”. O relatório enumera as formas mais comuns que teriam sido empregadas: socos fortes, chutes, coronhadas e golpes de cassetete, frequentemente realizados por vários agentes ao mesmo tempo. “O ACNUDH também recebeu informação sobre vários casos de pessoas atropeladas por veículos e motocicletas das forças de segurança” e detalha relatos que denunciam “tortura psicológica como ameaças de morte, ameaças de fazer a pessoa ‘desaparecer’, ameaças de estupro, surras em familiares e amigos na frente da pessoa e ameaças de agressão contra os familiares”.

O organismo liderado por Bachelet recebeu “relatos isolados” de execuções simuladas por parte dos Carabineros e das forças militares, como a descrita por um chileno de 28 anos. “O Exército me jogou no chão, senti golpes com a coronha de uma arma na minha cabeça e na coluna vertebral. Quando entramos no veículo militar, eles continuavam nos batendo e disseram: ‘Levemos [os detidos] ao quartel e vejamos o quanto eles aguentam com a eletricidade’. Suplicamos que nos deixassem ir embora. Nos tiraram [do veículo] na escuridão, e pude reconhecer que estávamos na parte de trás do cemitério. Havia uns 12 soldados atrás de nós, que carregaram suas armas. Nos fizeram gritar ‘perdoe-me, Chile’. Nesse momento, pensei que atirariam em nós. Choramos, demos as mãos e nos despedimos.”

Sobre violência sexual – reportada antes pelo HRW –, o ACNUDH reuniu 24 casos, que incluem “estupro, ameaças de estupro, tratamento degradante (como ser obrigado a se despir), comentários homofóbicos ou misóginos, golpes e atos que causam dor nos genitais e manuseios”.

As Nações Unidas incluem o relato de Carla, de 16 anos: “Foi detida pelos Carabineros em Viña del Mar com seu pai em 5 de novembro. No momento da detenção, seu pai avisou os Carabineros que ela tinha uma deficiência psicossocial. Ela disse ter sido forçada a mostrar os seios, ter sido assediada fisicamente com um bastão/cassetete e ter sido ameaçada de que seria desaparecida.”

Com base nos dados do Ministério da Justiça, o ACNUDH estima que, entre 19 de outubro e 6 de dezembro, houve 28.210 pessoas detidas, das quais 1.615 permanecem em prisão preventiva. Ao se referir a casos de detenções ilegais ou arbitrárias, o organismo detalha o relato de Jacinto, de 20 anos: “Informou ter sido detido por uma camionete vermelha às 5:00 da manhã; colocaram um capuz em sua cabeça e o levaram a um edifício onde teria sido interrogado, ameaçado e torturado. Segundo os relatos, inseriram agulhas debaixo de suas unhas e lhe pediram que dissesse ‘tudo o que sabia sobre os protestos’.”

O ACNUDH mencionou a destruição da infraestrutura pública e privada no contexto da explosão social e entrevistou policiais feridos durante os protestos, que, de acordo com o Ministério do Interior, chegam a 2.705 efetivos. Também fez 21 recomendações ao Estado chileno, incluindo uma série de medidas relativas aos Carabineros, como “estabelecer um mecanismo para coletar, sistematizar e difundir as informações sobre violações dos direitos humanos” e assegurar que o processo de elaboração de uma nova Constituição seja inclusivo, participativo e transparente, “inclusive garantindo a paridade de gênero – 50% homens e 50% mulheres – durante o processo e a participação de povos indígenas”. “Os direitos humanos devem estar no centro deste debate nacional”, concluiu o organismo liderado por Bachelet em Genebra.

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Oito Afirmações Marxistas Que Podem Te Surpreender

Críticos de Marx costumam não entender o grande pensador socialista. Estamos aqui para acertar as contas.

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“Trabalhadores do mundo, uni-vos!” – foto por lackingclass

Há muitas formas de se interpretar Marx. Muitas delas legítimas. Porém muitas delas buscam dispensá-lo invocando retórica anticomunista. Elas zombam dele como um determinista econômico estéril ou detonam suas análises e previsões como horripilantemente errôneas.

Marx nem sempre estava certo (quem está?). Mas ele estava certo ou afirmava coisas defensáveis com mais frequência do que a maioria das pessoas percebem. E por isso ele continua relevante.

Então, com o objetivo de refutar algumas das representações mais superficiais do grande pensador socialista, aqui estão oito afirmações que deveriam ser incluídas em qualquer interpretação respeitável de Marx ou do Marxismo.

1. Marx não dispensava simplesmente o capitalismo. Ele ficou impressionado por ele. Ele argumentou que é o sistema mais produtivo que o mundo jamais viu.

“A burguesia, em seu reino de apenas cem anos, criou forças produtivas mais massivas e mais colossais do que todas as gerações passadas juntas. Sujeição das forças da Natureza ao homem, ao maquinário, aplicação de química à indústria e à agricultura, navegação à vapor, ferrovias, telégrafos elétricos, desobstrução de continentes inteiros para cultivo, canalização de rios, populações inteiras invocadas do chão – que século anterior tinha sequer um pressentimento de que tais forças produtivas dormiam sobre o colo do trabalho social?”

2. Marx previu com precisão que o capitalismo criaria o que hoje se entende por globalização. Ele assistiu ao capitalismo criando um mercado global onde as nações se tornariam cada vez mais interdependentes.

“A burguesia, através da sua exploração do mercado global, deu um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todos os países. Para o imenso desgosto dos Reacionários, ela tirou de debaixo dos pés da indústria o solo nacional em que ela se encontrava. Todas as velhas indústrias nacionais foram destruídas ou estão sendo destruídas diariamente…

No lugar do antigo isolamento local e nacional e da autossuficiência, temos relações em todas as direções, interdependência universal das nações.”

3. Ao contrário das sociedades passadas, que tinham a tendência de conservar tradições e seus modos de vida, o capitalismo prospera com a invenção de modos de produção novos e alternativos que afetam o nosso viver. As tecnologias mudam nossas vidas a uma velocidade ainda maior. Produtos velhos devem abrir o caminho para produtos novos (e aqueles que os produzem).

Apesar dos capitalistas retratarem isso como algo puramente bom, pode ser algo profundamente inquietante, mesmo que certas mudanças sejam positivas. Podem levar as pessoas a sentirem que seus valores e modos de vida não têm mais lugar no mundo – que estão vivendo como madeira morta. Além disso, o emprego de novas tecnologias e métodos de produção na busca de lucro para poucos pode levar a consequências imprevistas. (Em nosso tempo, sem dúvida Marx indicaria a mudança climática como consequência do capitalismo desenfreado.)

“A burguesia não pode existir sem constantemente revolucionar os instrumentos de produção e, assim, as relações de produção, e com elas todas as relações da sociedade…Revolução constante da produção, perturbação ininterrupta de todas as condições sociais, incerteza e agitação sem fim distinguem a época burguesa de todas as anteriores. Todas as relações fixas e ultracongeladas, com o seu leque de antigos e veneráveis preconceitos e opiniões, são varridas, todas as novas formadas tornam-se antiquadas antes de poderem ossificar. Tudo o que é sólido se desmancha no ar, tudo o que é sagrado é profanado, e o homem é finalmente obrigado a encarar com sentidos sóbrios suas reais condições de vida e suas relações com sua espécie.”

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4. Empresas poderosas, concentrações de riqueza e novos métodos de produção torna cada vez mais difícil para que profissionais independentes e comerciantes de classe média mantenham seu status. Eles acabam com o conjunto de habilidades errado ou trabalhando para empresas que acabaram com seus tipos de negócio. Em outras palavras, Marx antecipou a Walmartificação das sociedades capitalistas.

“Os estratos mais baixos da classe média – os pequenos comerciantes, lojistas e comerciantes aposentados em geral, os artesãos e camponeses – afundam-se gradualmente ao proletariado, em parte porque seu capital diminuto é insuficiente para a escala na qual a Indústria Moderna progride, e são inundados na competição com os grandes capitalistas, e em parte porque sua habilidade especializada é inutilizada por novos meios de produção.”

5. Marx não defendia a abolição de todas as propriedades. Ele não queria que a grande maioria das pessoas tivesse menos bens materiais. Ele não era um utopista anti-materialista. O que ele se opunha era à propriedade privada – as vastas quantidades de riqueza concentrada pertencentes aos capitalistas, a burguesia. Inclusive, no final da passagem abaixo, ele e Engels ironicamente acusam o capitalismo de privas das pessoas de sua “propriedade auto-conquistada”.

“A característica distintiva do comunismo não é a abolição da propriedade em geral, mas a abolição da propriedade burguesa. Mas a propriedade privada burguesa moderna é a expressão final e mais completa do sistema de produção e apropriação de produtos, que é baseado em antagonismos de classe, na exploração dos muitos pelos poucos.

Nesse sentido, a teoria dos comunistas pode ser resumida numa única frase: Abolição da propriedade privada.

Nós comunistas temos sido acusados de desejar abolir o direito de adquirir pessoalmente a propriedade como fruto do trabalho de um homem, cuja propriedade é supostamente a base de toda a liberdade pessoal, atividade e independência.

Propriedade duramente conquistada, adquirida por si, auto-conquistada! Você quer dizer a propriedade do pequeno artesão e do pequeno camponês, uma forma de propriedade que precedeu a forma burguesa? Não há necessidade de abolir isso; o desenvolvimento da indústria já o destruiu em grande parte e segue o destruindo diariamente.”

6. Marx entendia que os seres humanos têm uma inclinação natural a se sentirem conectados aos objetos que eles criaram. Ele chamou isso de “objetificação” do trabalho, com o que ele quis dizer que colocamos algo de nós mesmos em nosso trabalho. Quando um indivíduo não consegue se conectar com a própria criação, quando se sente “externo” a ela, isso resulta em alienação. É como se você fosse esculpir uma estátua e alguém a tirasse de você, e você nunca teve permissão para vê-la ou tocá-la novamente. Marx argumentou que a os trabalhadores estavam em uma posição parecida nas fábricas capitalistas do século XIX.

“O que, então, constitui a alienação do trabalho?

Primeiro, o fato de que o trabalho é externo ao trabalhador, ou seja, não pertence à sua natureza intrínseca; que em sua obra, portanto, ele não afirma a si mesmo, mas nega a si mesmo, não se sente contente, mas infeliz, não desenvolve livremente sua energia física e mental mas mortifica seu corpo e arruína sua mente. O trabalhador, portanto, apenas se sente fora de seu trabalho, e em seu trabalho se sente fora de si mesmo. Ele se sente em casa quando não está trabalhando e, quando está trabalhando, não se sente em casa. Seu trabalho, portanto, não é voluntário, mas coagido; é trabalho forçado.”

7. Marx queria que nos libertássemos da tirania da divisão do trabalho e das longas jornadas de trabalho, que impedem os indivíduos de desenvolver diferentes tipos de capacidades e talentos. Nos tornamos servos de um tipo de atividade e outras dimensões nossas são subdesenvolvidas. Em uma passagem inspiradora que ele escreveu quando jovem, Marx estruturou sua visão da seguinte maneira:

“Pois assim que a distribuição do trabalho ocorre, cada homem tem uma esfera de atividade particular e exclusiva, que é imposta a ele e da qual ele não pode escapar. Ele é um caçador, um pescador, um pastor ou um crítico, e deve permanecer assim se não quiser perder seus meios de subsistência; enquanto na sociedade comunista, onde ninguém tem uma esfera de atividade exclusiva, mas cada uma pode se realizar em qualquer ramo que desejar, a sociedade regula a produção geral e, assim, possibilita que eu faça uma coisa hoje e outra amanhã, para caçar pela manhã , pescar à tarde, criar gado à noite, criticar após o jantar, como eu tenho em mente, sem nunca me tornar caçador, pescador, pastor ou crítico.”

8. Marx não foi um determinista econômico bruto. A forma com que as pessoas pensam e agem importa. Em uma carta escrita por Engels, ele enfatizou a importância da economia mas tentou deixar claro que ele e Marx foram mal interpretados (por culpa deles mesmos, parcialmente).

“Marx e eu somos ​​parcialmente culpados pelo fato de que as pessoas mais jovens às vezes colocam mais ênfase no lado econômico do que é devido a ele. Tivemos que enfatizar o ponto principal em relação aos nossos adversários, que o negaram, e nem sempre tivemos tempo, local ou oportunidade de dar a atenção devida aos outros elementos envolvidos na interação. Mas quando se tratava de apresentar uma seção da história, ou seja, fazer uma aplicação prática, era uma questão diferente e não havia permissão para erros. Infelizmente, porém, acontece com muita frequência que as pessoas pensam que entenderam completamente uma nova teoria e podem aplicá-la sem mais delongas a partir do momento em que assimilaram seus aspectos principais, e mesmo estes nem sempre corretamente. E não posso isentar muitos dos “marxistas” mais recentes dessa censura, pois as besteiras mais surpreendentes também foram produzidas neste último trimestre…”

Mitchell Aboulafia é professor de filosofia no Manhattan College.

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Redução da desigualdade não conduz ao comunismo

Turquia,Comunismo.Pobreza,Desigualdade,Fome,Blog do MesquitaPessoas fazem fila para comprar legumes e verduras baratos em Istambul, na Turquia

Economista Branko Milanovic diz que desigualdade social se tornou um dos principais fenômenos do mundo ocidental e que ela está na origem da ascensão dos partidos populistas de direita.

A ascensão de partidos e candidatos populistas de direita em vários países ocidentais não se deve à migração ou a um nacionalismo latente, mas à perda de poder econômico pela classe média, afirmou o economista sérvio-americano Branko Milanovic em entrevista à DW.

“A classe média perdeu poder econômico em comparação com o 1% mais rico ou os 5% mais ricos. Isso causou a busca por um bode expiatório. O que se vê no cenário político tem raízes econômicas”, disse Milanovic, um dos mais renomados pesquisadores mundiais da desigualdade social.

Para ele, a luta contra a desigualdade se tornou mais difícil. “A globalização torna quase impossível limitar o fluxo de capital – os ricos simplesmente colocam o dinheiro no exterior. Altas taxas de impostos perderam a popularidade, e o ceticismo em relação ao Estado e à redistribuição está crescendo. A classe média não está mais disposta a pagar mais impostos e tributos.”

Milanovic também criticou a chamada Terceira Via, adotada pela esquerda europeia nos anos 1990, e que muitos analistas políticos consideram o início da atual crise da social-democracia europeia.

Ele foi economista-chefe do Departamento de Pesquisa do Banco Mundial e atualmente leciona na Universidade da Cidade de Nova York, além de ter publicado inúmeros livros e mais de 40 estudos sobre desigualdade e pobreza.

DW: O senhor tem sido muito requisitado ultimamente. O que a elevada procura por um pesquisador da desigualdade social diz sobre o mundo?

Branko Milanović: É uma boa pergunta. Isso mostra que a desigualdade social se tornou um dos principais fenômenos do mundo ocidental, sobretudo por causa das consequências políticas dela: o declínio da classe média, a ascensão da extrema direita e do assim chamado populismo e a perda de importância do Ocidente em relação à China.

O senhor acredita que os partidos de extrema direita estão ganhando espaço em razão da desigualdade social?

Sim. Se observarmos as mudanças no cenário político ocidental, incluindo os Estados Unidos e os antigos países do bloco oriental, como Polônia e Hungria, vemos que o chamado populismo – eu não gosto desse termo – resulta das mudanças econômicas. Pode-se dizer que as pessoas pensam e votam de maneira diferente por causa da migração, ou que o nacionalismo latente sempre esteve presente. Mas essa explicação é insuficiente.

Uma explicação melhor é que a classe média perdeu poder econômico em comparação com o 1% mais rico ou os 5% mais ricos. Isso causou a busca por um bode expiatório. O que se vê no cenário político tem raízes econômicas.

Mas muitos dos “abandonados pelo sistema” repetem os piores elementos do discurso nacionalista dos partidos populistas de direita. O que a esquerda fez de errado para não alcançar essas pessoas?

A esquerda acabou numa situação em que não tem políticas reconhecíveis. Foi um erro acatar a política neoliberal com disposição superior até mesmo à dos conservadores.

O senhor se refere a Tony Blair e Gerhard Schröder?

Exato, e também Bill Clinton. Claro que hoje é fácil perceber que a esquerda cometeu um erro, mas, na época, não era fácil formular uma política contra os princípios já dominantes da globalização. Hoje a social-democracia paga o preço, mas, na época, não havia muitas alternativas.

A igualdade social e os princípios liberais do capitalismo são contraditórios? Pois, quando se fala de igualdade, muitas pessoas temem o que os comunistas soviéticos chamavam de nivelamento [no sentido de tornar todos iguais].

Essa crítica é absolutamente errada. Nem todos que falam em igualdade defendem o nivelamento e o comunismo. Igualdade e desigualdade não são categorias binárias. É como a temperatura: se 40 graus é quente para mim, isso não significa que eu queira morar na Sibéria. Ou seja: eu não estou dizendo que não deveria haver desigualdade, até porque isso seria impossível.

A redução da desigualdade não conduz ao comunismo. Entre 1945 e 1980 nós tivemos no Ocidente períodos com partidos trabalhistas, social-democratas e até conservadores, que diminuíram a desigualdade em seus países sem abandonar o capitalismo. O capitalismo e um nível relativamente aceitável de desigualdade não são contraditórios. A pergunta é se o capitalismo liberal no mundo globalizado é compatível com menos desigualdade.

E é?

É muito mais difícil hoje. Entre 1945 e 1980, um crescimento da desigualdade foi impedido por meio de contrapesos poderosos: sindicatos fortes, mais educação, emergência da classe média. Até mesmo o centro político e a direita aceitaram impostos mais altos e um estado de bem-estar social naquela época. Hoje em dia, a globalização torna quase impossível limitar o fluxo de capital – os ricos simplesmente colocam o dinheiro no exterior. Altas taxas de impostos perderam a popularidade, e o ceticismo em relação ao Estado e à redistribuição está crescendo.

Nos seus livros e textos há algumas receitas contra a desigualdade. O senhor defende a igualdade de oportunidades, especialmente quando se trata de educação, bem como o imposto sobre herança. Por quê?

A classe média não está mais disposta a pagar mais impostos e tributos, que geralmente já representam cerca da metade da renda bruta, e a redistribuição se tornou suspeita. Por isso é necessária uma nova política para equilibrar as oportunidades. Isso inclui uma política fiscal mais favorável à classe média e menos benefícios fiscais para os ricos. Imposto sobre herança reduz a desigualdade de oportunidades para as gerações futuras.

Já a educação deve ser pública, de alta qualidade e disponível para todos. Isso pode não ser um grande problema na Alemanha, mas nos Estados Unidos as escolas particulares são dominantes, melhores e muito caras. A classe média não consegue mais encontrar escolas boas e ao mesmo tempo acessíveis para seus filhos.

Na Alemanha, a educação é financiada com dinheiro público, mas ainda assim é três vezes mais comum as crianças de famílias acadêmicas estudarem do que as outras.

A igualdade completa é impossível, a menos que se faça uma seleção inversa, como a China na Revolução Cultural, quando somente as crianças da classe trabalhadora podiam estudar. Isso é discriminatório. Os filhos de pais com alto nível de educação terão cada vez mais oportunidades de se interessar pela educação. Mas a questão é: a sociedade é capaz de reduzir essas diferenças a ponto de elas não serem mais enormes e decisivas?

O senhor falou em discriminação. Mas, numa entrevista, o senhor sugeriu um tipo diferente de discriminação como um contrapeso à globalização: os migrantes deveriam desfrutar de direitos civis limitados. Essa tese é defensável?

Num mundo ideal seria bom ter mais migração com regras mais simples. Mas nós não vivemos num mundo ideal. Hoje, a chegada de imigrantes na Europa é muito impopular. Pode-se até afirmar que o Brexit é o resultado da imigração da Europa Oriental para o Reino Unido. Com base nessa situação, devemos chegar a um acordo entre a necessidade de migração, que reduz a desigualdade global e permite que as pessoas dos países subdesenvolvidos ganhem mais, e a disposição da população local em receber os imigrantes.

Daí a ideia da chamada migração circular. Na Alemanha, por exemplo, os recém-chegados só poderiam viver por alguns anos e somente se tivessem encontrado um emprego. Depois, eles teriam que ir para casa. Isso não é o ideal, mas meu receio é que, se descartarmos opções como essa, possamos acabar na migração zero.
DW