Arte – Fotografias

Beth Moon


Hans Pollner


Gjon Mili


Antonio Palmerini


Marc Ferrez – Bahia,1885


Hari Sulistiawan


Robert Rauschenberg,1949


Alfred Stieglitz


Ferrucio Francesco Leiss


Florence Henri


Erich Hartmann


Vladimir Clajivo Telepnev


Gilbert Garcin
La condition humaine,2010


Hengki Koentjoro


Sergei Smirnov


Silent World – Michael Kenna


Chris Killip


Davi Peixoto


Carol Beckwith – Angela Fisher Lovely
Dinka of South Sudan


Ernest Sebastlen


Florence Henri – Self Portrait,1938


Ilse Bing,1939


Louis Draper


Maarcelo Montecino


Adrian Limani


Pepi Merisio – Italy,1950


Raffaele Montepaone

Fotógrafo passa 6 meses viajando sozinho para fotografar povos indígenas da Sibéria

Os frutos da jornada de um homem usando a fotografia para imortalezar culturas remotas pelo mundo.

Recentemente, concluí uma aventura de 6 meses cruzando a Sibéria, acumulando 15.000 milhas ao volante de um SUV. Sua bela coleção de fotografias – completa com legendas – captura a notável diversidade dos “povos indígenas que vivem na Sibéria”. Caleb, Megan e Jim

A Rússia reconhece 40 diferentes povos indígenas que vivem na Sibéria, que vão desde Evenki, cuja população está espalhada em diferentes locais com milhares de milhares de distância, até o quase extinto Tazy, que Khimushin acredita ter fotografado pela primeira vez.

A maioria das estimativas oficiais da população estão erradas, tendendo a ficar mais altas do que a realidade. Enfrentando temperaturas extremas e populações cada vez menores, o fotógrafo australiano captura o orgulho que essas pessoas têm de suas culturas únicas.

Por que Antígona ainda é a peça de teatro mais representada do mundo 2,5 mil anos após sua estreia

Antígona: ‘Eu vou enterrar o nosso irmão. E me parece bela a possibilidade de morrer por isso’GettyImages

Ismênia, minha querida irmã, companheira de meu destino, de todos os males que Édipo deixou, suspensos, sobre a sua descendência, haverá algum com que Júpiter ainda não tenha afligido nossa vida infeliz?”

Com essas palavras, há quase 2,5 mil anos, o poeta Sófocles começa a contar a história de Antígona aos gregos presentes na Acrópole de Atenas, durante a festa em homenagem a Dionísio, o deus do teatro.

O seu público sabia dos infortúnios a que se referia a protagonista, porque a conheceram em sua obra anterior Édipo Rei — ela era uma das duas filhas do mais infeliz dos reis de Tebas que, sem saber, matou seu pai e se casou com sua mãe, Jocasta.

Quando o diálogo entre Antígona e Ismênia começa, Jocasta já havia se suicidado, e Édipo tinha furado os próprios olhos, se exilado e morrido.

Mas aos infortúnios da família se soma uma guerra em que lutaram os dois filhos de Édipo, Etéocles e Polinice. Como destaca Ismênia, ela e a irmã perderam “num só dia, dois irmãos, um derramando o sangue do outro, se dando mutuamente o golpe de extermínio”.

O enredo que se desenrola a partir deste ponto é tão emocionante que “a peça de teatro mais representada no mundo não é uma das adaptações de Harry Potter, de Hamlet ou qualquer outra obra de Shakespeare: é Antígona“, diz o escritor irlandês Colm Tóibín.REBECCA HENDIN/BBC IDEAS
Ismênia e Antígona perderam o pai e a mãe, que foram vítimas de um destino funesto. No início desta peça, elas acabaram de perder os dois irmãos

“Porque é uma peça fantástica”, responde o diretor teatral Olivier Py. Sem dúvida, é uma grande obra, mas isso, felizmente, pode ser dito sobre muitas outras.

Mas, apesar da passagem do tempo, essa história de desobediência civil e de uma batalha devastadora continua tocando as pessoas até hoje. Vamos relembrar seu enredo:

Após a morte de Édipo, Etéocles e Polinice herdam o reino de Tebas com a condição de que governem alternadamente. Quando chega a hora de Etéocles ceder o poder ao irmão, ele se recusa, levando Polinice a formar um exército.

Depois que os irmãos se matam, seu tio Creonte assume o poder, e sua primeira decisão é honrar a memória de Etéocles e não sepultar Polinice, para que as aves de rapina e hienas o devorem.

Antígona não aceita isso. Embora a sociedade o julgue negativamente, seu irmão merece descansar com dignidade, e ela fará de tudo para honrá-lo com um simples gesto: jogar terra sobre seu corpo.REBECCA HENDIN/BBC IDEAS

Antígona: ‘Eu vou colocar terra sobre o corpo humilhado do meu pobre irmão’

Py montou Antígona no ano passado com detentos da prisão de Avignon-Le Pontet, na França, e os atores “entenderam profundamente esta ideia de que um homem ainda é um homem, independentemente do que ele tenha feito”.

“O maravilhoso de Antígona é que ela luta pelo direito de expressão e de contar a história sob seu ponto de vista. Por isso, para mim, seu ato de desafiar o Estado ou o poder é importante, porque normalmente só ouvimos a história sob a perspectiva dos fortes, dos vitoriosos ou das autoridades”, diz Py.

Enquanto estava preso, Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul conhecido por sua luta contra o apartheid, também atuou em uma versão de Antígona produzida na Ilha Robben, onde ficou encarcerado.

Para refugiadas sírias no campo de Shatila, no Líbano, que encenaram uma versão da peça criada por Mohammad al Attar, foi um reflexo de suas lutas diárias.

Esta versão da obra, criada pelo dramaturgo Mohammad Al Attar, mesclou as experiências das refugiadas. Sem querer, Al Attar descobriu que várias compartilhavam a mesma angústia de Antígona por não poder enterrar seus entes queridos.

“Essa ideia de honrar nossos mortos é tão fundamental”, diz Tóibín, “que nenhum decreto, nenhuma lei, pode mudá-la”. Ainda assim, suscita dilemas difíceis.REBECCA HENDIN/BBC IDEAS

Honrar um sobrinho, desonrar o outro: o decreto de Creonte desencadeia uma verdadeira tragédia

Obedecer ou desafiar

A partir do primeiro diálogo entre as duas irmãs, Sófocles apresenta o dilema, ou melhor, um dos complicados dilemas com os quais a peça nos confronta.

Antígona havia levado Ismênia para fora do palácio para contar a ela o que Creonte decidiu fazer com o corpo de Polinice e sobre o decreto proibindo todos os cidadãos de sepultá-lo ou sequer chorar por ele.

“Sua decisão é fria, e ameaça quem a desrespeitar com a lapidação, morte a pedradas”, informa Antígona à irmã, enquanto a confronta com a realidade, sob seu ponto de vista.

“Agora sabes tudo. Logo poderás demonstrar se tu mesma és nobre ou se és apenas filha degenerada de uma raça nobre.”

Ismênia, consternada, responde: “Minha pobre irmã, se o caso é esse, que importa o que eu faça ou o que eu não faça?”REBECCA HENDIN/BBC IDEAS

Antígona: ‘Ninguém poderá enterrá-lo, nem sequer lamentá-lo, para que, sem luto ou sepultura, seja banquete fácil dos abutres’

Para Antígona, a única opção é enterrá-lo: “Enterro meu irmão, que é também o teu. Farei a minha e a tua parte se tu te recusares. Poderão me matar, mas não dizer que eu o traí.”

Ismênia, porém, é mais racional e pede a ela que reflita: “Temos que lembrar, primeiro, que nascemos mulheres, não podemos competir com os homens; segundo, que somos todos dominados pelos que detêm a força e temos que obedecer a eles, não apenas nisso, mas em coisas bem mais humilhantes.”

A ideia de “desafiar” é para ela um gesto excessivo e sem sentido: “Peço perdão aos mortos que só a terra oprime: não tenho como resistir aos poderosos. Constrangida a obedecer, obedeço”.

Lealdade à família x lealdade à sociedade

“Sófocles sempre usa esse tipo de dualidade: dois personagens expondo o dilema”, destaca Lydia Koniordou, atriz, diretora e ex-ministra da Cultura da Grécia.

Cada irmã assume uma posição: Ismênia defende a sobrevivência; Antígona, a morte honrosa. Nenhuma delas é necessariamente boa ou má. Tudo depende do ponto de vista do público.

Essa é uma das razões pelas quais a obra de Sófocles pôde ser apresentada a qualquer momento, em qualquer lugar, até mesmo na França de 1944.

Por meio do uso inteligente da linguagem, o dramaturgo Jean Anouilh conseguiu fazer com que sua versão da obra fosse aceita pelos censores nazistas durante a ocupação alemã no país, embora permanecesse claramente uma reflexão sobre a submissão e resistência ao poder e ao controle.

E tem sido assim ao longo dos anos com esta peça, criada numa época em que o teatro tinha um papel muito especial.

Teatro para a democracia

GETTY IMAGEM
Como teria sido o Teatro de Dionísio, na encosta da Acrópole, em Atenas

Atenas, a cidade-estado, foi uma das primeiras democracias do mundo — e, em sua Acrópole, estava um dos primeiros teatros da história… e não foi por acaso.

“O teatro era parte integrante da democracia”, explica Koniordou. “Era uma das instituições da democracia: o Parlamento era uma, o Judiciário era a segunda, e a terceira era o Teatro.”

“Todos os cidadãos íam a Atenas para participar do diálogo e da discussão sobre assuntos públicos e privados da cidade. Para aqueles que não tinham dinheiro suficiente, a cidade dava ingressos grátis”, completa Koniordou.

E Sófocles era um gênio fomentando essas discussões, não apenas convidando à reflexão ao criar situações complexas, mas também personagens multifacetados.

Um poder antigo

Creonte, o rei, tio de Antígona e pai de seu noivo, que poderia facilmente ser classificado como “o vilão”, é o homem com a responsabilidade de unir a sociedade após uma guerra civil. “Ismênia é uma personagem poderosa e interessante, e não fraca como às vezes é retratada”, diz Koniordou.

Antígona, por sua vez, é uma heroína que nem sempre é simpática — manipula e despreza a irmã, não é totalmente correta e se aproveita ao máximo da sua situação de vítima. “Antígona é tão exagerada quanto Creonte e igualmente rígida em suas decisões”, afirma a Koniordou.

Mas ela questiona o poder em um aspecto fundamental: seus limites. Creonte “não tem nenhum direito de me privar dos meus”, declara Antígona.

REBECCA HENDIN/BBC IDEAS
Uma verdade mais antiga que põe limite ao poder

Tóibín nos convida a lembrar “de qualquer momento em que as mulheres tenham enfrentado governos e o poder, por exemplo, no caso do movimento #MeToo (que denunciou casos de assédio e abuso sexual) ou das Mães da Praça de Maio (que tiveram filhos mortos ou desaparecidos durante a ditadura) na Argentina”.

“Elas disseram: ‘Representamos algo mais antigo e verdadeiro que um decreto ou uma legislação, ou o poder do Parlamento ou a ditadura’.”

“Esta obra permite que a mulher fale e acuse, e permite que ela diga: ‘Eu sei algo que você não sabe sobre o poder, e vou desafiá-lo, porque a forma como você o está usando é uma forma de abuso. Você pode ser o rei, mas está errado”, acrescenta o escritor irlandês.

Creonte se dá conta disso. Diferentemente dos políticos modernos “que nunca admitem que cometeram um erro”, diz Koniordou, Creonte tenta reparar os danos. Mas chega dolorosamente tarde demais.

Tanto ele quanto Antígona pagam o preço mais alto pelas decisões que tomaram e arrastam seus entes queridos para as profundezas do luto, não sem antes de nos levar a questionar tudo… seja no século 5 a.C., neste século ou, provavelmente, nos que virão.

Como diz Tóibín: “Esse mundo de 2,5 mil anos atrás ainda é, em certa medida, o nosso”.

Os incríveis dançarinos da Costa do Marfim

A seguir está a história da minha visita para ver os famosos dançarinos de palafitas da Côte d’Ivoire (Costa do Marfim).

Foi facilmente uma das melhores experiências que tive em todo o meu tempo na África Ocidental até agora.

Sento-me desconfortavelmente com minhas pernas de alguma forma espremidas entre meu peito e o assento à minha frente. Meus pés estão em cima de um grande saco de pimenta que tento ao máximo não esmagar. Uma senhora idosa está sentada ao meu lado à minha esquerda, sem medo de olhar para a visão estranha de ver um homem branco em um ônibus público no noroeste da Côte d’Ivoire; seus olhos raramente se desviam do meu rosto. Pela janela à minha direita, uma cena de aldeias ocasionalmente avistam a paisagem de terra vermelha. Cabanas de lama e telhados de palha pontilham as planícies ocasionalmente derrubadas por montanhas verdes.

O mini-ônibus para depois de algumas horas de viagem e sou conduzida para fora do veículo. Meu guia me disse que temos cerca de 6 quilômetros para caminhar até chegarmos à aldeia onde os famosos dançarinos de palafitas da Costa do Marfim irão se apresentar. Eu me sinto muito longe do normal, uma sensação que sempre pareço gostar.

Conforme nos aproximamos da aldeia, minhas pernas ainda doem da caminhada de 32 km de ontem em um dos picos mais altos da África Ocidental, a presença de crianças é a primeira coisa que noto; e eles me notam. Em cada um dos edifícios por onde passamos, os olhos perscrutadores das crianças olham para nós. Eles jogam um jogo de “se eu não posso te ver, você não pode me ver” enquanto se escondem atrás das paredes de edifícios redondos e cerâmicas gigantes. Eles são curiosos e tímidos; mas sua timidez não dura muito. Logo estou cercado por crianças segurando minha mão e tentando subir nas minhas costas.

Infelizmente, na primeira aldeia que chegamos, houve uma morte na noite anterior. A dança com pernas de pau foi cancelada no rastro e nos disseram para descer mais 5km pela estrada, onde eles estarão esperando por nós.Quando chegamos à segunda aldeia, sou invadida por crianças. Eles aprenderam a magia da câmera e a diversão que é a foto do grupo. Eles aprenderam que cada vez que a câmera clicar, eles verão uma nova imagem na tela posterior. Logo se desenvolve uma cena de dezenas de crianças empurrando e abrindo caminho para ver o LCD da minha câmera rindo histericamente enquanto fazem isso. Eu tiro algumas centenas de fotos, nem mesmo aquelas que eu mesma usaria, só para divertir as crianças. Sua risada não tem preço.

Logo, um grupo de anciãos sai e, com um simples grito de uma ou duas palavras, as crianças se dispersam, deixando-me a sós com minha câmera. O ritmo da batida dos tambores logo começa a preencher o ar e um clima de empolgação se espalha pelo rosto das crianças. Alguns bateristas aparecem e param, deixando um rastro de poeira no ar. Homens idosos começam a caminhar para a área aberta enquanto as crianças correm para colocar uma cadeira de madeira atrás deles. Acendem um cigarro, sinal de riqueza nas aldeias rurais, e cruzam as pernas de paciência.

Jovens mulheres vestidas de branco começam a se afunilar na cena de diferentes direções e começam a envolver os bateristas em uma dança de transe lento. Suas belas vozes carregam uma canção de felicidade no ar como uma pomba matinal na primavera após uma chuva suave. A festa demora para se desenvolver, mas o que falta em velocidade ganha em dramático.

O que começou lentamente agora se transformou em um festival de teatro completo. Homens com borlas feitas de palha e pele de animal enrolada em seus braços e resíduos assumem o meio da pista de dança girando e andando no ritmo. Eles passam por cada um dos mais velhos, dançando especialmente para eles. Eles são seguidos por mulheres pintadas com tinta branca. Eles também parecem sentir o transe. Seus olhos permanecem semicerrados enquanto eles vão de um pé para o outro carregando as notas da música com eles. Eles ocasionalmente erguem os olhos, uma pausa de seu estado de captura, e sorriem.

A dança culmina de uma forma espetacular com os famosos dançarinos de palafitas da Côte d’Ivoire se divertindo ao sol. Esperando seu caminho para a cena, a dança das pernas de pau parece arrogante e ousada. Ele para no meio, levanta os braços para o lado e solta um grito animalesco aos deuses. A dançarina de pernas de pau gira em uma perna antes de se abaixar e soltar outro grito. É realmente como ver algo de outro mundo. Os dançarinos de pernas de pau são ensinados a assumir uma forma não humana em sua dança, e isso é evidente. Não posso deixar de ficar pasmo enquanto vejo a cena. A dançarina de pernas de pau é tão misteriosa, poderosa e intimidadora.

No final do show, o dançarino de pernas de pau agarra minha mão e me puxa para o centro da cena, levando-me como um pai a seu filho. Cercada pelos olhos e risos de uma centena de aldeões marfinenses, eu danço. É uma experiência que você pode acumular em casa. Como o amor, é um sentimento que você não pode explicar para aqueles que nunca o sentiram. É uma sensação que simplesmente não tem significado para ninguém além de você. No final do dia, assistir aos famosos dançarinos de palafitas na Costa do Marfim foi um dos melhores dias não apenas em minhas viagens, mas em toda a minha vida. É uma memória que guardarei comigo para sempre e uma experiência que ninguém pode tirar de mim. Sinto-me abençoado por ter experimentado isso e me sinto ainda mais privilegiado em compartilhar essa experiência com você.

 

 

Sophia Loren e “Life Ahead”: O Retorno da Mãe Coragem

Anna Fierling é a personagem principal da peça Mother Courage, de Bertolt Brecht. Anna é uma senhora astuta, obstinada e inescrupulosa que aproveita a oportunidade da guerra para ganhar dinheiro.

Neste caso, é a Guerra dos Trinta Anos, onde católicos e protestantes lutaram na Europa Central no século XVII. Com sua carroça cheia de mercadorias, ela só quer ter lucro, mas sua ganância não pode impedir que seus filhos se tornem vítimas da guerra. O termo “coragem materna” evoluiu e perdeu as conotações negativas e, agora, só denota aqueles pais corajosos que conseguiram se dar bem com os filhos, apesar das adversidades.

Neste caso, nos referimos a mulheres com seus próprios filhos, mas a vida coloca algumas pessoas diante do desafio de dar abrigo a uma criança em situação de desamparo. Quando isso acontece, ocorre um fenômeno profundamente compassivo e pouco estudado, com a provável exceção de Emmanuel Lévinas, especialmente em seu Totalidad e infinito (1961).

O projeto filosófico Lévinas se destaca entre o pensamento ético da modernidade por sua grande sensibilidade humana. Sua proposição central é que o “Outro”, aquele semelhante em que não nos reconhecemos, se manifesta como um acontecimento inesperado, apresentando diante de mim um rosto concreto e nu, que pede minha ajuda desde a vulnerabilidade. Esse rosto pode pertencer a um pobre, órfão, viúva ou simplesmente estrangeiro. Não posso deixar de ser responsável por cada um desses seres indefesos.

Esses temas de coragem materna e solidariedade inesperada são encontrados no último filme de Sophia Loren, Life Ahead (2020), no qual ela interpreta Madame Rosa, uma sobrevivente do Holocausto e prostituta aposentada, que ela criou um pequeno abrigo para filhos de profissionais do sexo. O drama começa quando ele oferece proteção a Momo, um rebelde órfão senegalês. A ação se passa em uma cidade costeira do sul da Itália. Nesse contexto, o argumento absorve os problemas da crise migratória do Mediterrâneo europeu.

Duas almas sofredoras

Os amantes da celulóide sabem que Sophia Loren foi a musa de Vittorio de Sica e a inseparável parceira de elenco de Marcello Mastroianni. Sabemos que atingiu a avançada idade de 86 anos e que, após uma década de filmagens de seu último filme, está voltando ao cinema.

Nesse retorno, podemos ver que o poder histriônico de Loren continua a brilhar sem esforço. Sua mera presença adiciona um toque de calor a qualquer cena. Esse poder cria uma conexão empática entre a atriz veterana e a jovem estreante Ibrahima Gueye, como Momo, o Órfão. O menino acabou sendo uma revelação.

O pano de fundo existencial é que ambos os personagens são marginalizados. Ela é uma velha que vive à beira da pobreza, lidando com a solidão e um passado tempestuoso, enquanto o menino carrega os órfãos e a exclusão extrema. Ambos coexistem em uma sociedade indiferente e hostil. Cada um está precariamente relacionado com o mundo. Ela parece encontrar conforto no médico da vizinhança, Dr. Cohen. O menino encontra reconhecimento no traficante do bairro. Esporadicamente, ele recebe conselhos espirituais de um benevolente comerciante de antiguidades de fé muçulmana.

Cena do filme Ainda de «Vida adiante».

Loren tira proveito de seu personagem para exercitar o sotaque napolitano gracioso de seus primeiros anos. Dessa forma, ele cria um personagem com muita consistência telúrica. Representa, de forma convincente, o declínio de seu caráter. Diante de nossos olhos, vemos como a idade, os problemas de saúde e as memórias dolorosas degradam lentamente a força de Madame Rosa.

O aspecto sentimental do filme gira em torno do tema do amor materno. Os filhos sob os cuidados de Madame Rosa sentem saudades do amor dos pais, sentem saudades da ternura e da vocação de fazê-los felizes. Dessa forma, a personagem da sobrevivente do Holocausto ganha em beleza moral, pois quer confortar os mais pequenos.

Compaixão em um mundo cruel

O trabalho é uma realização de Edoardo Ponti, filho mais novo de Sophia, para a Netflix. A admiração de Ponti pelos mestres do cinema neo-realista italiano é evidente. Sua vocação para fazer crítica social o leva a contornar uma narrativa previsível e personagens estereotipados.

Este filme tem uma virtude que também é sua falha: seu enredo é simples e direto. Não apresenta grandes efeitos teatrais ou performances estridentes ou reviravoltas inesperadas. Em outras palavras, um vetor apontando para o previsível está presente. Isso se contrapõe com uma narração delicada.

Por outro lado, um vetor para o melodrama está presente. Contra isso, aplique a verdade emocional aos personagens. Do ponto de vista dramático, o filme torna-se mais sólido quando nos permite nos aproximar do vínculo íntimo que se forma entre Madame Rosa e Momo.

A influência neorrealista também fica evidente na elegante fotografia de Angus Hudson, que combina, nas vistas da cidade, a beleza do sabor local com a feiura da pobreza.

O diretor Ponti quer testemunhar a atual crise social europeia. O sul da Itália se tornou o principal ponto de entrada para ondas de refugiados da África e do Oriente Médio. Esse cenário sociológico afeta a construção do drama. Momo é um refugiado sem documentos. Isso é usado pela trama para um importante momento dramático. Quando Madame Rosa não consegue mais suportar a rebelião de Momo, ocorre um incidente revelador. Ela se torna uma testemunha involuntária do show de rua da polícia prendendo imigrantes ilegais. Esse fato gera nele um sentimento de empatia que o faz adotar uma atitude mais compreensiva com o menino.

Impulso de imortalidade

No filme, há três retornos. Em primeiro lugar, é uma nova versão cinematográfica de um filme que já foi feito no passado sobre o mesmo romance de Romain Gary. Madame Rosa foi o filme francês vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1977. Por sua atuação, Simone Signoret ganhou o Prêmio César de Melhor Papel Principal.

Em segundo lugar, Sophia Loren volta ao cinema, após dez anos de aposentadoria, e retorna no papel de mãe, do qual sempre soube aproveitar. Na verdade, o personagem que ela interpreta se enquadra na categoria de “coragem materna”, o que a tornou uma estrela nos anos 1960 em Duas Mulheres (1960), com o qual ela ganhou o Oscar, e Casamento Italiano ( 1964), ambos dirigidos por Vittorio de Sica. E embora a idade a coloque em uma posição mais de avó do que de mãe propriamente dita, apesar do passar do tempo ainda existem vestígios palpáveis ​​de sua beleza imponente. E não há dúvida de que Loren ainda exerce um poderoso magnetismo na câmera.

Finalmente, em meio ao ambiente cultural niilista, a compaixão retorna. É preciso reconhecer que a obra dá ao pós-modernismo alguns de seus temas, como caos cultural e crise social. O importante é que o filme não fique na tragédia dos contrastes, mas tente superá-la através de um profundo sentido de humanidade.

Por isso é tão importante reconsiderarmos a relação cara a cara que Lévinas suscita. Esta relação é de responsabilidade radical para com aquele rosto que exige misericórdia. Este autor denuncia o erro de reduzir o Outro ao Mesmo, ou seja, limitar a moralidade dos que pertencem ao meu grupo. Essa limitação resulta no esquecimento e negligência daqueles que pertencem a outras identidades.

Primeiro, Madame Rosa de repente descobre a humanidade sofredora de Momo. Então o reconhecimento é mútuo. Momo percebe a grandeza da alma desta mulher, através do lento desvendar dos segredos da história de dor escondida em um porão. À medida que sua vitalidade começa a se esgotar e sua lucidez começa a vacilar, Madame Rosa faz Momo prometer não permitir que ela seja internada em um hospital. Em sua senilidade, projeta no presente as vivências brutais vividas pelos médicos nazistas durante a guerra. O pacto entre eles obriga o menino a crescer em ritmo forçado. Isso leva ao final moral da história. Momo pede demissão

Academia Vaganova, o berço das melhores bailarinas russas

Diana Vichneva, Uliana Lopatkina, Svetlana Zakharova e outras bailarinas principais talvez não tivessem tanto sucesso, não fosse sua magnífica educação.

A bailarina e professora de balé Agrippina Vaganova nasceu em São Petersburgo há 135 anos. Sua carreira começou imediatamente após sua formatura, na mais antiga escola de balé da Rússia. Naquela época, ela nem podia imaginar que a escola levaria seu nome apenas 50 anos mais tarde.

A primeira escola de balé profissional russa foi fundada em 1738, sob ordem da imperatriz Anna da Rússia (Anna Ioannovna), pelo francês Jean-Baptiste Landé, mestre de dança no Corpo da Nobreza Fundiária de Petersburgo. Nos tempos pré-revolucionários, a maioria dos professores da escola eram estrangeiros.

 

Na virada do século, a mais famosa escola de balé russa ainda engatinhava e incorporava as técnicas da escola italiana e a elegância da francesa. No entanto, ainda ela não havia encontrado uma prática pedagógica definida. Esta tornou-se a principal tarefa da vida de Agrippina Vaganova.

Em 1897, ela foi aceita na trupe de balé do Teatro Marínski. Seus atributos físicos “desanimadores” atrasaram a carreira da dançarina. Ela permaneceu no corpo de baile por muitos anos. Com o tempo, Vaganova aprendeu a desviar a atenção para suas técnicas, fazendo com que se esquecessem de sua baixa estatura, da constituição corpulenta e da cabeça grande, além de pernas volumosas e musculosas.Foi a técnica de Vaganova que permitiu que ela executasse brilhantemente suas próprias variações de solo. No entanto, nem todos se impressionavam com seu desempenho. Marius Petipa, por exemplo, a criticava sem piedade.

A bailarina relembrava da vida nos palcos com amargura. Ela só recebeu papéis principais no final da carreira. Em 1915, ela recebeu o título de “bailarina”, mas deixou a carreira nos palcos em 1916. A partir de 1921, Vaganova começou a ensinar na escola onde ela mesma tinha estudado.

Aos poucos, seus alunos espalharam seu método por todo o país. Galina Ulanova foi uma das primeiras e mais importantes bailarinas a personificarem os resultados de seu método.

A partir de 1963, Natalia Dudinskaia, colega de classe de Ulanova, passou a lecionar na Academia. A mestra Vaganova considerava Dudinskaia como sua sucessora.

Ulanova, por sua vez, treinou Ekaterina Maksimova, que deu início ao balé dos anos 1960, e seu marido e parceiro eterno Vladímir Vassiliev. A década de 1960 foi uma época de busca artística e inovações. Vassiliev e Maksimova eram as “crianças dos anos 1960” na cena do balé. O casal fez um sucesso após o outro.

Maksimova também passou os segredos da escola de Vaganova para seus alunos. Uma das graduadas da academia que figura entre as mais brilhantes estrelas do balé russo moderno é Uliana Lopatkina.

Svetlana Zakharova, também se formou na Academia de Balé Vaganova. Ela se uniu imediatamente ao Balé Marínski, onde foi virou dançarina principal após seu primeiro ano, quando tinha apenas 17 anos de idade. Hoje, seus esforços estão voltados a facilitar o estudo da dança. “Tenho muito orgulho de ter patrocinado um projeto de lei que permite que alunos de academias de arte, não apenas academias de dança, frequentem de escolas integradas comuns.”

A também bailarina principal Diana Vichneva, que se graduou na mesma escola, doa muito de seu tempo a treinar jovens dançarinos. “Eu vejo como os rostos deles se iluminam quando recebem esse sério impulso na direção que querem, essa mão amiga”, diz. Assim, o método de Vaganova continua sua procissão ao redor do mundo.

O “método Vaganova” teve papel determinante na história do balé, originando muitas gerações de estrelas do balé russas. A publicação do livro “Princípios Básicos do Balé Clássico” tornou o método Vaganova acessível ao mundo todo.

Fatos & Fotos do dia 14/11/2020

Bolsonaro faz campanha dentro do Alvorada, vedado pela lei eleitoral.

Um dos seus candidatos é Sartori, desembargador conhecido por favorecer policiais. Ele absolveu PMs no Massacre do Carandiru. Bolsonaro saudou ação que matou 111 detentos.


Jornal Nacional:”General Edson Leal Pujol foi enfático ao afirmar que participação de militares no governo Bolsonaro é uma iniciativa do presidente e não um desejo dos militares”.

Agora é tarde, general. O estrago está feito e será preciso muito trabalho para limpar Bolsonaro do verde oliva. As FFAA sabiam exatamente a quem que estavam dando suporte. Mesmo velado.
Os Militares estiveram por trás dos principais processos políticos desde 2016. Reuniram-se com Temer; pressionaram STF contra Lula – e aqui não entro no mérito das trapaças petistas – entraram organicamente na campanha de Bolsonaro e ocupam a Esplanada.
A população, general, em sua maioria, não diferencia um oficial da ativa de um da reserva. Os respingos caem sobre todos.
Então nada os impedem, general, de deixar o governo cessando o desgaste desnecessário da imagem das forças armadas, com os militares sendo constrangidos, humilhados quase que diariamente. As vezes incomoda ver tantas grosserias! Meu pai, já falecido, que também alcançou a patente de general, certamente estaria estarrecido


Foto do dia – Gjon Mili


Mourão diz que, “como indivíduo”, reconhece vitória de Biden sobre Trump nos EUA

Como “indivíduo”, ele nem merecia ser entrevistado…. a falta de coragem do general é estrondosa.


As evidências que sugerem a ‘rachadinha‘ no gabinete de Carlos Bolsonaro. Extratos de Andrea Valle, ex-cunhada de Jair Bolsonaro, mostram que ela sacava mais de 90% do salário quando constou como assessora do “02”. Ela não é vista desde 2019.


Bolsonaro lançou o programa Escuridão para Todos. O piloto está sendo testado no Amapá.


Sem humor não dá pra aguentar o tranco
no hospício Brasil


Pintura de Adriaen Coorte
Peaches & apricots on a stone ledge, 1696


O capitão segue humilhando os generais pendurados no laranjal. Nos últimos dias, Bolsonaro desautorizou Hamilton Mourão, seu vice, e desonrou Eduardo Pazuello, seu sinistro da Saúde. Os dois militares de alta patente ficaram quietinhos. Mas nem todos generais estão em silêncio…


Fotografias – Cores da Índia


Bernie Sanders vai ser secretário do trabalho de Biden. Uma grande vitória da esquerda.


Escultura de Mel Kendrick


O legado de Melania Trump? “Entrar muda e sair calada. E andar sempre um passo atrás do marido.” Fim.
Ps. E não receber cheques suspeitos