Lixo plástico aumenta na pandemia e reciclagem do material diminui no Brasil

A pandemia de Covid-19 fez com que o consumo de plástico aumentasse, seja pela facilidade do delivery quanto pela necessidade do uso de materiais hospitalares como máscaras e luvas

Em contrapartida, a reciclagem de plástico no Brasil diminuiu e um dos motivos é a proibição dos mutirões de limpeza.

Consumo de plástico aumenta na pandemia

Um estudo realizado pela Fundação Heinrich Böll aponta que o Brasil recicla apenas 1,28% do lixo plástico que é consumido no país. Desse percentual, cerca de 90 a 170 mil toneladas de plástico vão parar no oceano, agravando ainda mais os problemas ambientais.

O Plano Nacional de Combate ao Lixo do Mar, criado em abril de 2019, está parado desde março devido à pandemia e os R$ 40 milhões destinados para ele ainda não foram desembolsados, pelo mesmo motivo.

Segundo informações das autoridades envolvidas, ainda não há previsão para o retorno das atividades de limpeza das praias.

Reciclagem de plástico no Brasil

De todo o lixo que é produzido no Brasil, cerca de 13,5% é plástico e desse percentual, apenas 1,28% é reciclado. Isso ocorre porque a maioria dos brasileiros (75%) não separa o lixo orgânico dos demais, segundo dados extraídos de uma publicação da BBC News Brasil.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos, foi criada em 2010 com o objetivo de reduzir o impacto dos resíduos sólidos no meio ambiente. No entanto, alguns fatores como a dupla tributação e a falta de incentivo à reciclagem no país, levou o plano ao fracasso, dez anos depois.

A Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico) aponta que os principais motivos para o baixo índice de reciclagem no país são:

  1. o descarte inadequado,
  2. a falta de coleta seletiva,
  3. a baixa infraestrutura para reciclagem e
  4. as dimensões continentais que tornam a reciclagem inviável em algumas regiões.

Contudo, o Ministério do Meio Ambiente anunciou que alguns projetos saíram do papel em 2019, como por exemplo o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão de Resíduos Sólidos (SINIR). Esse instrumento comporta medidas de apoio a municípios e consórcios e sistemas de logística reversa para setores de eletroeletrônicos, baterias automotivas de chumbo e medicamentos.

A Abiplast elogia a iniciativa, mas lembra que ainda há muito o que ser feito. A responsabilidade de fazer a reciclagem do plástico acontecer deve ser compartilhada com todos os envolvidos: Indústria, Executivo, Ministério Público, Estado e, principalmente, consumidores.

Em paralelo à Política Nacional de Resíduos Sólidos está o Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar, citado anteriormente. Este plano foi desenvolvido com o intuito de incentivar a redução do consumo e da produção de plástico, bem como de banir o uso de plásticos descartáveis (de uso único).

Contudo, o problema não está no uso do plástico em si, mas sim na conscientização das pessoas sobre a importância dele e essa é a verdadeira raiz do problema. Reduzir o consumo do que não é reciclável e reaproveitar o que é, são a chave para diminuir a poluição do planeta, seja por plástico ou qualquer outro resíduo produzido por cada um de nós diariamente.

Mas a culpa não pode recair somente sobre o consumidor final. Governos devem incentivar o desenvolvimento e uso de materiais sustentáveis que substituam o plástico. Ideias não faltam.

Rio de Janeiro: Megacidade brasileira experimentando descarte de lixo ecologicamente correto

Na periferia norte do Rio de Janeiro, longe das vastas faixas de areia branca da icônica praia de Copacabana, mangas machucadas e douradas, pimentões murchados e um cacho de mandioca se misturam com lascas de madeira.

A transformação da gestão do lixo poderia desempenhar um papel no cumprimento da meta de carbono líquido zero do Rio de Janeiro? A cidade está explorando uma nova forma de processar resíduos de alimentos, com um projeto que é o primeiro do tipo na América Latina.

Estátua no Rio de Janeiro, megacidade no Brasil (picture-alliance / GES / M. Gilliar)

Megacidade brasileira experimentando descarte de lixo ecologicamente correto.

Esses podem não parecer ingredientes especiais, mas um projeto experimental na megacidade brasileira está explorando se queimar esse lixo poderia ser parte de uma receita para atingir sua meta de carbono zero até 2050.

“Caso contrário, todos esses alimentos estariam sendo jogados fora”, diz Bernardo Ornelas Ferreira, pesquisador do Ecoparque do Caju, que abriga a primeira unidade de “biometanização” da América Latina.

Um forte cheiro ácido preenche o ar do armazém no calor do meio-dia, quando Ferreira acena com uma empilhadeira. “É muito potencial perdido. Precisamos fazer isso em todo o país”, acrescenta.

Bernardo Ornelas Ferreira, pesquisador do Ecoparque do Caju

O Brasil é um dos 10 maiores produtores de desperdício de alimentos do mundo, descartando cerca de 30% de todas as frutas e vegetais colhidos. De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, cerca de 40 mil toneladas de alimentos são jogados fora todos os dias no país, onde se decompõem em aterros sanitários, liberando quantidades significativas de metano.

No entanto, o Rio de Janeiro, uma cidade de cerca de 6,7 milhões, também é uma das mais de 70 cidades em todo o mundo que se comprometeram a se tornar “neutras em carbono” até 2050. As cidades são responsáveis ​​por cerca de 75% das emissões de CO2, de acordo com as Nações Unidas, e mais de dois terços da energia que consumimos.

Gerando energia a partir de resíduos orgânicos

O projeto piloto do Ecoparque, lançado em dezembro de 2018 pela Comlurb, departamento de resíduos municipais do Rio de Janeiro, transforma matéria orgânica – quase totalmente resíduo de alimentos – em biogás por meio de um processo que gera eletricidade, biocombustíveis e composto para serem usados ​​como fertilizante na agricultura e silvicultura, e produz emissões mínimas.

Processando entre 35 e 50 toneladas de resíduos por dia, a fábrica gera energia suficiente para se alimentar, a maior instalação de resíduos no local e a frota da empresa de 19 veículos elétricos. Isso equivale a mais de 1.000 residências com base no consumo médio no Brasil, Ferreira diz.

A fábrica recebe resíduos orgânicos de supermercados e barracas de rua de frutas e verduras do centro da cidade, mas também tratou do lixo doméstico e até descartou hambúrgueres e batatas fritas do festival Rock in Rio de outubro.

Um gasoduto transportando gás para ser transformado em eletricidade

O Brasil é um dos 10 maiores produtores de resíduos alimentares do mundo

Sete reatores do Ecoparque, todos do tamanho aproximado de contêineres, são usados ​​para processar os resíduos. Em um processo escalonado, cada um recebe lixo orgânico e é lacrado por duas a três semanas, com a introdução de bactérias para decompor a matéria e produzir metano. O gás é então armazenado em um grande recipiente acima da instalação e posteriormente convertido em eletricidade.

“A ideia do Ecoparque é ter um local de experimentação de novas tecnologias que possam, no futuro – e se tiverem demonstrado sua viabilidade econômica, financeira e ambiental – ser adotadas pela Comlurb, fazendo com que cada vez menos resíduos sejam descartados em aterros sanitários ”, afirma José Henrique Monteiro Penido, responsável pela área de sustentabilidade ambiental da Comlurb. “O modelo pode ser replicado nas cidades e ter um impacto positivo para todo o país”.

Segundo a Comlurb, esse é o “primeiro passo” para lidar com as 5 mil toneladas de lixo orgânico que o Rio de Janeiro produz a cada dia. Com um empréstimo não reembolsável do Fundo Brasileiro de Desenvolvimento Tecnológico, e desenvolvido em colaboração com a Universidade Federal de Minas Gerais, o plano é expandir esse modelo para outras cidades do Brasil e da América Latina.

Equipamento que mede a qualidade do gás sendo produzido

“No geral, é um sinal muito positivo e não tenho dúvidas de que é escalável”, disse Richard Lowes, pesquisador de política energética da Universidade de Exeter. “Parece ser um processo eficiente com controles muito medidos sobre a produção. Quando os resíduos alimentares vão para aterros, podem produzir metano, um poderoso gás de efeito estufa – mas com esse processo você obtém a energia e não as emissões. ”

Alcançando as metas climáticas

O processo de biometanização por si só, no entanto, não será suficiente para reduzir significativamente a pegada ambiental do Brasil, Lowes diz: “Seria melhor se esses resíduos simplesmente não fossem produzidos em primeiro lugar. Se não houvesse resíduos, não haveria a necessidade de processar qualquer coisa. Temos a tendência de ser uma sociedade muito desperdiçadora e devemos nos concentrar em reduzi-la. ”

Ainda assim, o município acredita que pode ajudar a atingir sua meta de reduzir as emissões das mudanças climáticas em 20% entre 2005 e 2020, como parte da iniciativa C40 Cities, uma rede de cidades que impulsiona a ação climática. No âmbito do Programa de Desenvolvimento da Cidade de Baixo Carbono do Rio de Janeiro, a cidade lançou nos últimos anos um projeto de reflorestamento urbano para plantar 12 milhões de árvores e um esquema municipal de compartilhamento de bicicletas, o Bike Rio, enquanto expande a rede de caminhos da cidade.

O projeto marca um raro lampejo de positividade para o país em meio ao desmatamento de uma década na Amazônia e às críticas à falta de compromisso do Brasil com os principais objetivos climáticos na COP25, a recente conferência em Madrid.

No Ecoparque, a equipe busca constantemente a melhoria dos níveis de eficiência, utilizando eletrônicos, sensores e medidores que auxiliam no controle e na otimização da produção de biogás em sua busca pela produção de energia sustentável. A esperança é que uma instalação como esta seja construída para cada 50.000 pessoas no país.

“Há dois caminhos a seguir”, diz o pesquisador Ferreira. “Podemos seguir em frente com o sistema atual de grandes instalações de resíduos que requerem uma quantidade significativa de transporte, ou podemos descentralizar o processo e construir um em cada cidade do Brasil.”

Marca francesa cria tênis com “couro” vegano feito de cascas de uva

Os dois novos modelos de sneaker da Le Coq Sportif são produzidos em Portugal, com materiais 100% à base de plantas

Tênis - Le Coq Sportif
A indústria da moda já desenvolveu várias alternativas de origem vegetal para o couro. Uma delas é processada na Itália pela empresa Vegea, a partir das cascas de uva que sobram da produção de vinhos e sucos. Esse é o material que dá origem a dois novos modelos de tênis da marca francesa Le Coq Sportif, confeccionados em Portugal: Gaïa e Nérée. As novidades foram lançadas na Europa no fim de agosto.

Design à base de plantas

O modelo Gaïa é um tênis para prática de running com um design casual, inspirado em outros modelos da própria marca, que homenageou ícones do tênis, como Arthur Ashe e Yannic Noah. Enquanto isso, o modelo Nérée tem um visual mais esportivo e retrô, com alguns detalhes em nobuck vegano.

O cabedal dos calçados é feito em couro de cascas de uva, mas esse não é o único detalhe plant-based dos tênis. O solado é feito de borracha, a palmilha é de cortiça e toda a base têxtil, além de cadarços e palmilhas, é de algodão. Cada tênis é marcado com os números da safra em que as uvas foram colhidas.

Gaïa tem quatro esquemas de cores (colorways) diferentes, e Nérée, sete. Os dois modelos prometem baixas emissões de carbono. Ambos estão disponíveis nas lojas próprias e parcerias da Le Coq Sportif, além do e-commerce. Infelizmente, a versão internacional do site da marca não entrega no Brasil.

Tênis Le Coq Sportif
A marca Le Coq Sportif lançou dois tênis com “couro” vegano que prometem baixas emissões de carbono
Imitação de couro Vegea
O material utilizado é processado na Itália pela empresa Vegea, a partir de cascas de uva oriundas da produção de vinhos e sucos
Tênis Gaia - Le Coq Sportif
Um dos resultados foi este modelo, batizado de Gaïa
Tênis Nereer - Le Coq Sportif
Este, mais “esportivo retrô”, é o Nérée
Confecção de tênis Le Coq Sportif
Além do cabedal de couro, os tênis levam algodão na lingueta e nos cadarços
Confecção de tênis Le Coq Sportif
O solado é de borracha e as palmilhas, de cortiça
Confecção de tênis Le Coq Sportif
Os sneakers são confeccionados em Portugal

 

“Couro” de uvas

A Vegea transforma os restos não utilizados de uva, oriundos da produção de vinho e sucos, em couro vegetal por meio de um processo de tratamento e transformação.

“Esses resíduos são, então, transformados em uma pasta que é colocada sobre uma tela de algodão por meio de um revestimento para encontrar seu formato de couro”, explica a Le Coq Sportif no site oficial.

O uso do material vegetal foi uma alternativa interessante já que, em 2019, a marca francesa decidiu não usar mais poliuretano nas peças. Essa espécie de plástico, derivado do petróleo, costuma ser usada em peças de roupa e calçados que imitam o couro animal. Segundo a Le Coq Sportif, o “couro” vegano da Vegea complementa as “gamas naturais” já trabalhadas pela etiqueta.

Os tênis da marca são produzidos há anos entre a França, onde a marca é baseada, e Portugal. O país vizinho foi escolhido por causa do know-how em tênis de couro.

VEGEA/DIVULGAÇÃOPlantação de uvas
Os resíduos da uva dão origem à matéria-prima trabalhada pela Vegea
Uvas sendo colhidas
Colheita das uvas
Uvas sendo processadas
Elas são processadas e transformadas em vinho ou suco
Bagaço de uva
O bagaço resultante é o que dá origem à imitação de couro feita pela empresa
Bagaço de uva sendo processado
Esse material é processado…
Confecção da imitação de couro Vegea
… e transformado em uma pasta, que é colocada sobre uma tela de algodão para ganhar o formato de couro
Confecção da imitação de couro Vegea
O resultado dá origem ao material similar ao couro

Le Coq Sportif

Conhecida por suas roupas, calçados e equipamentos esportivos, a Le Coq Sportif foi fundada em 1882 por Emile Camuset, na comuna francesa de Aube. A marca começou como uma loja de meias. As primeiras peças foram criadas para amigos do fundador, que eram amantes de esportes assim como ele. Na década de 1920, a etiqueta cresceu junto com os esportes profissionais na França, incluindo futebol, rúgbi, basquete e atletismo.

Por que o lixo plástico é um material de construção ideal

E se transformássemos os crescentes terrenos baldios de plásticos em desuso em um novo tipo de construção sustentável?

O descarte de plásticos é um problema global altamente visível – das montanhas mais altas às fossas oceânicas mais profundas, os resíduos de plástico parecem inevitáveis. Em condições naturais, os plásticos são quase indestrutíveis e, no entanto, são descartados em grande escala no mundo todo: o mundo produz cerca de 359 milhões de toneladas de plásticos por ano. O meio ambiente não consegue lidar com o seu descarte em uma velocidade rápida o suficiente para evitar danos aos seres vivos.

Isso levou a um consenso de que os plásticos são um material insustentável. E sim, os plásticos são certamente um problema enorme, mas não necessariamente têm que ser.

A questão principal não é com o plástico como material, mas com nosso modelo econômico linear: os bens são produzidos, consumidos e depois descartados. Este modelo pressupõe um crescimento econômico sem fim e não considera os recursos esgotáveis ​​do planeta.

Mas existem muitas maneiras de definirmos os plásticos em um ciclo de vida diferente – e uma em que venho trabalhando é transformar plásticos em desuso em um material de construção resistente, confiável e sustentável.

A maioria das pessoas acredita que a reciclagem de plásticos é severamente restrita: que apenas alguns tipos podem ser reciclados. Isso não é surpreendente. A proporção de plásticos que são reciclados é mínima. O Reino Unido, por exemplo, usa cinco milhões de toneladas de plástico a cada ano e apenas 370.000 toneladas são recicladas a cada ano: isso é apenas 7%.

Os plásticos são fortes, duráveis, à prova d’água, leves, fáceis de moldar e recicláveis – todas as propriedades essenciais para materiais de construção
Mas todos os polímeros são, tecnologicamente, 100% recicláveis. Alguns deles têm o ciclo de vida perfeito do berço ao berço: eles podem ser usados repetidamente para produzir os mesmos produtos. Alguns plásticos podem ser reutilizados da mesma forma que fragmentam um objeto em flocos, derretendo-o e reutilizando.

Tijolos como esses poderiam ser o protótipo de tijolos de plástico que são fortes e duráveis ​​o suficiente para serem usados ​​na construção (Crédito: Sibele Cestari)

Esses plásticos reciclados podem ter propriedades mecânicas menores em comparação com os plásticos virgens, porque cada vez que você derrete e processa um plástico, as cadeias poliméricas se degradam. Mas essas propriedades podem ser recuperadas misturando-o a aditivos ou plástico virgem. Exemplos de reciclagem industrial bem-sucedida incluem PET ou poli (tereftalato de etileno), que é usado para fazer garrafas de refrigerantes, e poliestireno.

Todo o resto pode ser tecnicamente reprocessado em novos materiais para diferentes aplicações. No caso final, qualquer resíduo de plástico pode ser triturado e usado como enchimento de asfalto, ou ser pirolisado – decomposto por aquecimento – para produzir combustível. A empresa japonesa Blest Corporation já vende uma máquina portátil para converter resíduos plásticos domésticos em combustível de forma simples e acessível.

Trabalhar com os resíduos ‘não recicláveis’ e desenvolver alternativas de plásticos aos materiais naturais pode reduzir a demanda por recursos do mundo
O problema é que reciclar grande parte desse lixo plástico é atualmente inviável e não rentável. Polímeros como borrachas, elastômeros, termofixos e resíduos plásticos mistos são confortavelmente rotulados como “não recicláveis” pelo setor de reciclagem. Mas a quantidade desses materiais em todo o mundo é assustadoramente grande e continua crescendo. E se esse lixo plástico pudesse ser usado para produzir algo útil para a sociedade?

Itens de plástico que consideramos lixo podem ter uma segunda vida na construção devido às mesmas propriedades que os tornam tão difíceis de descartar (Crédito: Getty Images)

Muitas universidades e empresários estão tentando fazer isso. A maioria das soluções é voltada para resíduos plásticos mistos e sugere aplicações diferentes das originais. Por exemplo, vários grupos desenvolveram materiais de construção feitos de resíduos plásticos.

Os plásticos são fortes, duráveis, à prova d’água, leves, fáceis de moldar e recicláveis ​​- todas as propriedades essenciais para materiais de construção. E daí se todo esse lixo plástico pudesse ser convertido em materiais de construção para populações de baixa renda? As iniciativas existentes são promissoras, mas ainda não reproduzíveis em escala industrial.

Estudo resíduos plásticos com o objetivo específico de encontrar maneiras interessantes de removê-los do meio ambiente. Desde 2009, desenvolvi vários materiais de construção feitos de plásticos pós-consumo misturados com diferentes materiais de fluxo de resíduos. De resíduos agrícolas, como o bagaço da cana-de-açúcar – um subproduto da indústria açucareira no Brasil – e borra do café, até resíduos de concreto e entulho de construção, compostos com plásticos reciclados, existem várias formas de obter materiais para produzir tijolos, telhas, plásticos madeira serrada e outros elementos úteis para a construção.

Nossa equipe está atualmente tentando desenvolver um bloco de construção viável feito de plásticos reciclados. Preparamos uma série de materiais prospectivos usando uma mistura de plásticos virgens e reciclados – garrafas PET coloridas, polipropileno, polietileno – e outros materiais de resíduos locais, como cânhamo, serragem, resíduos de concreto e lama vermelha.

Existe uma concepção comum de que algum plástico é “não reciclável”, mas com o tratamento correto não precisa ir para aterro (Crédito: Sibele Cestari)

Atualmente, estamos ajustando as propriedades dos materiais para o processo de rotomoldagem, uma tecnologia de moldagem de plásticos ideal para a fabricação de grandes artigos ocos. Queremos usar a quantidade máxima de plásticos reciclados neste bloco. Os blocos feitos de 25% de plástico reciclado tiveram um desempenho extremamente bom em testes mecânicos. Em seguida, vamos tentar 50%, 75% e 100%.

Também estamos pensando na estética dos blocos. As misturas de plásticos reciclados de várias cores geralmente acabam com uma cor cinza ou preta. Para habilitar a cor, estamos preparando misturas de plásticos virgens ou reciclados para cobrir a maior parte do bloco.

Portanto, talvez os plásticos não sejam necessariamente o problema. Eles podem fazer parte de um caminho para uma forma de vida mais sustentável. Usar um recurso natural ou renovável não é necessariamente amigo do ambiente. A pegada ecológica de um material polimérico é menor do que a de materiais naturais, que têm uma demanda considerável por terras aráveis, água limpa, fertilizantes e tempo de regeneração.

De acordo com a Global Footprint Network, antes da pandemia estávamos demandando 1,75 vezes os recursos disponíveis do planeta. Trabalhar com os resíduos “não recicláveis” e desenvolver alternativas de plásticos aos materiais naturais pode reduzir essa demanda e deixar um planeta mais limpo e sustentável para as próximas gerações.

Construir com resíduos de plástico requer menos recursos do que produtos naturais e, de outra forma, iria para aterros ou para os oceanos (Crédito: Sibele Cestari)

Os materiais de construção feitos de plástico reciclado ainda não são amplamente usados ​​na indústria da construção – os protótipos têm sido usados ​​principalmente para instalações demonstrativas. Será necessária vontade política e ampla conscientização ambiental para incentivar mais investimentos no potencial da reciclagem de plásticos.

Mas, esperançosamente, a maré está começando a mudar, como consequência da crescente pressão da opinião pública sobre a questão da poluição do plástico. Graças ao envolvimento do governo e da indústria com a ideia de uma economia circular, parece que haverá uma abertura no mercado – e na mente das pessoas – para acolher iniciativas de plástico para substituir os materiais de construção convencionais.


Sibele Cestari é uma cientista de materiais poliméricos do Brasil, que atualmente é pesquisadora na Queen’s University Belfast. Este artigo foi publicado originalmente em The Conversation e é republicado sob uma licença Creative Commons. É também por isso que esta história

Guerreiros do desperdício zero: conheça pessoas cujo lixo doméstico cabe em um pote de geleia

Desde fazer sua própria pasta de dente até procurar localmente plantas comestíveis, mais e mais pessoas estão aprendendo a reduzir a quantidade de lixo que jogam fora.

Ander Zabala com seu pote que contém todo o lixo que sua família produziu em janeiro. Foto: Linda Nylind / The Guardian

Aqui está como eles fazem isso.

Através do meu trabalho, vi a enorme quantidade de resíduos e reciclagem que produzimos. Observar um incinerador por meia hora me chocou e me fez querer agir. Eu estava de pé na varanda, vestindo um traje completo e óculos de proteção, observando gigantescos garimpeiros esvaziando resíduos de caminhões. A escala é tão chocante e você percebe o quão pequeno somos em comparação com a quantidade de desperdício que criamos. Não quero contribuir para esse desperdício e isso me fez querer agir.

Em 2018, fiz o desafio da Zero Waste Week e continuei. Estabeleci uma meta para 2019 de não ter nenhum lixo coletado. Eu assumi esse compromisso nas mídias sociais, por isso me senti investido. Em vez de usar uma lixeira, colocava meus resíduos em uma jarra todo mês para poder ver o que estava jogando fora. Também reduzi a quantidade que estava reciclando.

Eu olho para o desperdício de uma perspectiva de dados. No final de 2019, abri todos os frascos de resíduos não recicláveis que mantinha. Eles pesavam um total de 5,72 kg no ano. A casa média de Londres produz 10 kg de lixo por semana, em comparação com a média semanal de 0,11 kg da minha casa. Portanto, nosso desperdício foi 99% menor que a média.

Meu marido e eu recebemos uma entrega de veg box de Riverford toda semana. Eu compro muitas outras coisas soltas na minha loja local da esquina e outras peças de um mercado a granel e de um supermercado turco nas proximidades. Trago meus próprios recipientes e sacolas para encher com cereais, farinha, macarrão, arroz, tofu, açúcar, grãos de café, lentilhas, especiarias e muito mais. Também reabasteço meu xampu, detergente para loiça, líquido para lavar roupas e frascos de limpador de banheiro. Também recebo recargas de vinho em uma loja local.

No começo, me senti um pouco estranho pegando meus próprios contêineres, mas isso obriga a explicar o que está fazendo às pessoas ao seu redor. Geralmente, as pessoas são realmente positivas e dizem: “Que ótima idéia”. Eu levo as banheiras de volta para o meu delivery indiano para ser recarregada e agora elas esperam. É claro que, no momento, eu não pediria que enchessem meus recipientes porque todo mundo está tomando precauções de higiene devido ao coronavírus, mas eu ainda uso as banheiras para minhas compras regulares. Minha reciclagem aumentou durante o bloqueio porque não posso reutilizar as coisas tanto quanto normalmente faria.

Um dos maiores benefícios do estilo de vida é usar mais minhas lojas locais. Eu costumava ir ao supermercado e fazer check-out automático, mas ganhei muito conversando com lojistas e caixas locais.

Também cozinhamos muito mais, especialmente fazendo coisas que não podemos comprar sem embalagem. Meu marido aprendeu a fazer chapatis e pão naan, e eles têm um sabor melhor do que os que compramos nas lojas – e ele pode fazê-los em minutos. Fabricamos nosso próprio leite de aveia, que é tão barato e fácil. Ocasionalmente compro um pacote de biscoitos, porque não tenho tempo para fazer tudo.

Às vezes, eu ficava um pouco militante. Eu perguntava a amigos em festas: “Por que você comprou isso quando não pode ser reciclado?” Ou eu encontraria algumas embalagens de plástico em casa e mandava uma mensagem para meu marido dizendo: “O que é isso?” Fui chamado de polícia sem desperdício. Mas agora estou indo um pouco mais fácil para mim e para os outros.

No geral, essas mudanças nos poupam muito dinheiro, principalmente pela redução de nosso consumo. Paramos de comprar coisas que realmente não precisamos, mas gastamos um pouco mais com as coisas que compramos. Também comemos de maneira mais saudável porque compramos menos alimentos processados.

Ainda estou colocando meu lixo em uma jarra para mantê-lo visível. Sei que, se houver uma caixa grande na sala, as pessoas a usarão.

Cate Cody, cantora de jazz e conselheira verde de Tewkesbury

Não colocamos nossa lixeira para coleta por mais de três anos, desde janeiro de 2017. Meu parceiro e eu temos uma pequena lixeira de metal na cozinha e essa é a única lixeira da casa. Quase não há nada, apenas pedaços ocasionais de embalagens plásticas não recicláveis, geralmente de presentes de pessoas bem-intencionadas.

Tentamos obter o mínimo possível, comprando apenas o que precisamos e de segunda mão, sempre que possível, o que tende a evitar embalagens. Reutilizamos, reutilizamos, reciclamos e adubamos.

Recebemos uma caixa de legumes semanal cheia de produtos locais e sazonais. Também busco coisas como urtigas e alho selvagem. Cultivamos nossa própria salada, que é muito fácil e rápida de crescer.

Compramos outros alimentos, como massas, arroz e leguminosas, a granel de um atacadista ético de cooperativas chamado Suma. Recebemos uma entrega a cada dois meses que compartilhamos com outros cinco amigos. Nossa aveia vem em um saco de papel de 10 kg. O papel higiênico vem em embalagens biodegradáveis que entram no composto e também há fio dental biodegradável.

Usamos buchas em vez de esponjas comuns para lavar a louça, porque elas são feitas de um material natural e podem ser compostadas posteriormente. Eles são mais caros, mas achamos que duram mais, por isso os custos não são tão diferentes.

Quando você começa a reduzir seu desperdício, percebe as coisas pendentes que ainda estão na lixeira e depois procura alternativas para elas. Quando você se dedica a isso, pode encontrar uma solução para quase tudo. Um desafio foi o que fazer com um tubo interno de bicicleta antiga. Eu considerei algumas possibilidades e acabei transformando-o em um cinto de ferramentas.

Eu odiava tubos de pasta de dente que iriam para o aterro, então comecei a fazer minha própria pasta de dente misturando bicarbonato de sódio com óleo de coco e hortelã-pimenta. É muito diferente, mas funciona. Dito isto, agora transformamos a prefeitura de Tewkesbury em um ponto de coleta para reciclagem de tubos de pasta de dente, para que outros não precisem acabar na lixeira.

Eu nunca compro papel de embrulho. Para amigos e familiares próximos, usarei um lenço ou uma toalha de mesa e eles geralmente devolvem depois. Recentemente, embrulhei o presente de um amigo usando receitas de um jornal amarrado com barbante e expliquei que as receitas (escolhidas especialmente) faziam parte do presente. Eles adoraram.

Felizmente, uso uma barra de sabão em vez de gel de banho e não olhava para trás. De qualquer maneira, o gel deslizava direto pelo ralo. Um sabão decente dura muito mais tempo.

Em vez de rolo de cozinha, uso pano velho e, em vez de lenços de maquiagem, uso um pequeno lenço ou um pedaço de pano. Todos podem ser lavados.

Não sinto falta das coisas que desisti. Não se trata de perda, é sobre o que você ganha. Sinto satisfação real por não jogar coisas fora e adquiri habilidades aprendendo a fazer as coisas sozinho. É também possuir menos coisas; se eu quiser ler um livro, pedirei na biblioteca. Talvez eu tenha que esperar mais por isso, para que haja menos gratificação instantânea, mas pode parecer uma criança esperando o Natal e é ainda mais gratificante quando chega.

Como cantora de jazz, eu reciclei músicas e, no resto da minha vida, tento reciclar todo o resto.

Claudi Williams, gerente de oficina da Beeswax Wrap Co, Stroud

Claudi Williams em casa perto de Stroud. Foto: Sam Frost / The Guardian

Fiquei frustrado com a quantidade de plástico na minha vida, então em 2016 decidi tentar não comprar nenhum por um ano. Foi uma curva acentuada de aprendizado para mim, meu marido e nossos dois filhos, mas, depois de alguns meses, nosso desperdício caiu para quase nada. Tornou-se nosso novo normal.

Foi difícil no começo porque estávamos acostumados com a conveniência de comprar coisas no último minuto e não podíamos mais fazer isso. Agora temos uma rotina, cozinhando todos os dias e fazendo nossos próprios almoços embalados.

A primeira coisa que nos perguntamos é: “Precisamos disso?” A segunda é: “Como posso obter isso descompactado?” Podemos fazer nós mesmos? Podemos obtê-lo em segunda mão? Podemos emprestar?

A compra de alimentos não embalados tende a fazer você comprar mais alimentos locais e sazonais, o que também reduz o número de quilômetros de comida, criando assim um círculo virtuoso. Compramos alimentos no mercado dos fazendeiros e na loja local.

Creme dental caseiro, sabonete e esfregão reutilizável e compostável – e avelãs do jardim de Cate Cody. Foto: Sam Frost / The Guardian

Quando começamos, fiz uma pequena auditoria em casa para ver quantos produtos de limpeza estávamos usando e o resultado foi impressionante. Somos levados a acreditar que precisamos de um produto diferente para cada coisa que limpamos, mas na verdade você pode limpar quase tudo de maneira eficaz com bicarbonato de sódio, vinagre, limões e sabão simples. Agora só uso sabão e pincel e faço meu próprio spray com vinagre para coisas como azulejos, espelhos e pias. Toda a jornada foi de simplificação cada vez mais. O bicarb é uma ótima coisa para se ter por perto – por exemplo, você pode polvilhar em xícaras manchadas de chá para remover as manchas.

Você pode fazer muitas coisas com ingredientes básicos, e encontrar novas soluções é extremamente empoderador. Por exemplo, quando precisávamos de líquido para limpador de pára-brisas para o carro, encontrei uma receita realmente fácil na internet que custava apenas alguns centavos. Eu faço minha própria pasta de dente e desodorante, o que leva apenas cinco minutos. Para o xampu, compro refis do Faith in Nature ou um bar da Mind the Trash. Eu uso um barbeador de segurança de metal para fazer a barba. Pego papel higiênico de um serviço de assinatura chamado Greencane que envia 48 rolos não embalados em uma caixa de papelão.

Adoro chás de ervas e estava procurando chá a granel, e então percebi que havia plantas no meu jardim que eu poderia escolher e usar. Você precisa mudar seu cérebro do consumo e perceber o que está em seu ambiente. Seco ervas como camomila e hortelã-pimenta para usar nos meses de inverno amarrando cachos em um ramo e pendurando-os de cabeça para baixo em um armário.

Viver assim realmente me mudou. Por fim, simplesmente vivemos com menos coisas. Costumava colocar as coisas no carrinho de supermercado por impulso, mas agora tenho um relacionamento totalmente diferente com o que quero e preciso. Eu me sinto muito mais auto-suficiente e mais inteligente sobre como faço compras. Considero cada compra um voto.

‘Híbridos horríveis’: os produtos plásticos que dão pesadelos aos recicladores

De cartões de aniversário a bolsas de comida para bebê, uma tendência crescente de misturar materiais está tornando a reciclagem ainda mais difícil.

Estudos têm demonstrado que a proliferação de plásticos descartáveis ​​está acelerando as mudanças climáticas. Ilustração: Cat Finnie / The Guardian

A voz alegre e cantante dentro do seu cartão musical de “feliz aniversário” é suficiente para causar horror no coração do reciclador local.

Os cartões musicais, que tocam uma gravação quando abertos, parecem papelão comum, facilitando o lançamento acidental da lixeira. Mas especialistas dizem que o interior está repleto de eletrônicos baratos e baterias tóxicas – tornando-os um pesadelo para se desfazer.

Esses cartões são apenas um exemplo do que os recicladores dizem ser uma tendência crescente na mistura de diferentes materiais para criar novos tipos de produtos e embalagens, o que dificulta muito o trabalho de recuperação de produtos reutilizáveis.

“Eu os chamo de ‘híbridos horríveis'”, disse Heidi Sanborn, que chefia o Conselho Nacional de Ação de Administração, uma rede de grupos que busca fazer com que os fabricantes assumam a responsabilidade pelo descarte adequado dos produtos que vendem. “Eles são feitos de vários materiais ou materiais impossíveis de reciclar. É um monte de coisas. ”

Os plásticos descartáveis ​​de uso único tornaram-se um ponto de exclamação ambiental internacional, pois apareceram nas barrigas de pássaros e peixes, inundaram praias intocadas em países remotos com lixo e até foram detectados em quantidades microscópicas na água da chuva. Os produtos plásticos projetados para serem usados ​​por alguns minutos podem levar décadas ou mais para se decompor.Meio Ambiente,Oceanos,Plásticos,Poluição,Blog do Mesquita

Estudos também mostraram que a proliferação de plásticos descartáveis ​​está acelerando as mudanças climáticas através das emissões de gases de efeito estufa em todas as etapas do seu ciclo de vida. Enquanto grupos ambientais que lutam para reduzir o uso de plásticos descartáveis ​​ganharam visibilidade nos últimos anos, a indústria de petróleo está investindo pesadamente em uma enorme onda de produção de plástico – que a indústria espera crescer 40% até 2030. O aumento de plásticos a produção deve ser alimentada pelo gás de xisto ultra-barato que flui do boom de fracking dos EUA. A indústria petroquímica já investiu US $ 200 bilhões na construção de novas usinas de craqueamento que separam etano do gás para produzir o eteno necessário para a fabricação de plásticos. Outros US $ 100 bilhões em investimentos estão planejados.

A indústria costuma apontar a reciclagem como a solução para todos os novos plásticos. No entanto, apenas uma fração dos produtos plásticos acaba sendo reciclada, um problema que foi exacerbado quando a China fechou suas portas em 2018 para o dilúvio de plásticos de outros países que anteriormente reciclava.

Os municípios e recicladores dos EUA estão se esforçando para aumentar a quantidade de reciclagem que podem fazer no mercado interno. Mas essas novas formulações de embalagens híbridas – itens que misturam materiais como papel alumínio, papel e, às vezes, vários tipos de plásticos – impedem as soluções de reciclagem e, na maioria das vezes, acabam no lixo.

Exemplos incluem sapatos e roupas embutidos com eletrônicos; as bolsas de plástico flexível cada vez mais populares usadas para embalar coisas como vagens de detergente, arroz e comida para bebê; e garrafas e latas recicláveis firmemente embrulhadas em etiquetas de plástico extras.

Cartões de canto e outros produtos com pequenos componentes eletrônicos dentro deles são especialmente irritantes para os recicladores. Eles não apenas incluem lixo eletrônico tóxico, mas quando as pequenas baterias são esmagadas nas máquinas dentro das usinas de reciclagem, é sabido que elas causam incêndios.

“Um dos maiores problemas para os recicladores atualmente são todos os produtos que contêm baterias de íon de lítio, como cartões de canto, balões e outros produtos inovadores”, disse Kate Bailey, diretora de pesquisa da Eco-Cycle, em Boulder, Colorado, reciclador. “Essas baterias podem acender facilmente quando são apanhadas no equipamento de processamento ou atropeladas por uma carregadora frontal, e essas faíscas podem levar a incêndios desastrosos no centro de reciclagem”.

Os recicladores estão pedindo aos fabricantes que simplifiquem os produtos que fabricam para facilitar a reciclagem. Mas eles dizem que os consumidores também podem ajudar procurando produtos mais recicláveis – e depois votando com seus dólares.

Bolsas de plástico

Outra ameaça crescente para os recicladores são as bolsas de plástico cada vez mais usadas para armazenar tudo, desde vagens de detergente para roupas a cereais e sucos. Esta embalagem flexível é feita com muitas camadas finas de diferentes tipos e cores de plástico e, às vezes, é revestida com papel alumínio e cera.

Fabricantes e produtores de plásticos divulgam essas bolsas para diminuir o tamanho das embalagens, reduzir os custos de remessa e aumentar a vida útil dos alimentos. “Algumas camadas finas e cuidadosamente escolhidas significam mais valor, menos espaço ocupado”, diz um vídeo do grupo de lobby de produtores de plástico, o American Chemistry Council, que promove essas bolsas.

Mas os recicladores dizem que são praticamente impossíveis de reciclar. E eles tendem a acabar no oceano e levar décadas para se biodegradar. Ao escolher o detergente para a roupa, eles dizem, os consumidores podem procurar produtos em caixas sem revestimento ou tentar novas formulações, como tiras de detergente concentradas, que não exigem embalagem plástica.

Etiquetas plásticas

Outro problemão para recicladores é o uso crescente de embalagens não recicláveis ​​em torno de garrafas e latas perfeitamente recicláveis. Por exemplo, a maioria dos produtos de limpeza com spray vem em garrafas de polietileno de alta densidade, que podem ser prontamente recicladas. Mas primeiro os consumidores devem remover as borrifadoras, pois elas são feitas de plásticos diferentes e não são recicláveis. Em seguida, os consumidores precisam encontrar uma maneira de extrair as embalagens plásticas coloridas impressas que os embaladores estão cada vez mais enrolando em garrafas para tornar a etiqueta mais atraente.

“Quem faz tudo isso? Ninguém – disse Sanborn. “Tornamos a reciclagem muito complicada. Quem tem tempo para ler um manual de tudo o que se livrar?

Em vez disso, os consumidores podem procurar garrafas de cores claras ou brancas com a etiqueta impressa na própria garrafa. É ainda melhor se eles escolherem marcas comprometidas com o uso de plástico reciclado para fabricar essas garrafas, como os produtos de limpeza Method. Outra ótima opção é que os clientes misturem seus próprios produtos de limpeza e reutilizem as garrafas de plástico.

Rio de Janeiro e o descarte ecológico do lixo

A gestão transformadora do lixo poderia ter um papel importante no cumprimento da meta de zero-zero de carbono no Rio de Janeiro?

A cidade está explorando uma nova maneira de processar o desperdício de alimentos, com um projeto que é o primeiro de seu tipo na América Latina.

Nos arredores do norte do Rio de Janeiro, longe das vastas extensões de areia branca da icônica praia de Copacabana, mangas machucadas e douradas, pimentões vermelhos murchos e um conjunto de vegetais de mandioca são misturados com lascas de madeira.

Estes podem não parecer ingredientes especiais, mas um projeto experimental na megacidade brasileira está explorando se a queima desse lixo poderia ser parte de uma receita para atingir sua meta de zero-rede de carbono até 2050.

“Caso contrário, todo esse alimento seria jogado fora”, diz Bernardo Ornelas Ferreira, pesquisador do Ecoparque do Caju, que abriga a primeira unidade de “biometanização” da América Latina.

Um forte aroma ácido preenche o ar do armazém no calor do meio-dia, enquanto Ferreira acena uma empilhadeira. “Esse potencial é muito perdido. Precisamos fazer isso em todo o país”, acrescenta.Bernardo Ornelas Ferreira, pesquisador do Ecoparque do Caju

O Brasil é um dos 10 maiores produtores de resíduos alimentares do mundo, descartando cerca de 30% de todas as frutas e legumes colhidos. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, cerca de 40.000 toneladas de alimentos são jogadas fora todos os dias no país, onde se decompõe em aterros, liberando quantidades significativas de metano.

No entanto, o Rio de Janeiro, uma cidade de cerca de 6,7 milhões, também é uma das mais de 70 cidades do mundo que se comprometeram a se tornar “neutras em carbono” até 2050. As cidades respondem por cerca de 75% das emissões de CO2, de acordo com as Nações Unidas, e mais de dois terços da energia que consumimos.

Gerando energia a partir de resíduos orgânicos

O projeto piloto do Ecoparque, lançado em dezembro de 2018 pelo departamento municipal de resíduos do Rio, Comlurb, transforma matéria orgânica – quase inteiramente resíduos de alimentos – em biogás, usando um processo que gera eletricidade, biocombustíveis e composto para ser usado como fertilizante na agricultura e silvicultura, e produz emissões mínimas.

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Processando entre 35 e 50 toneladas de resíduos por dia, a planta cria energia suficiente para abastecer a si mesma, a maior instalação de resíduos no local e a frota da empresa de 19 veículos elétricos. Isso equivale a mais de 1.000 residências com base no consumo médio no Brasil, Ferreira diz.

A fábrica recebe resíduos orgânicos de supermercados e barracas de frutas e vegetais do centro da cidade, mas também lidou com o lixo doméstico e até descartou hambúrgueres e batatas fritas do festival Rock in Rio de outubro.

Um gasoduto que transporta gás para ser transformado em eletricidade

O Brasil é um dos 10 maiores produtores de resíduos alimentares do mundo

Sete reatores no Ecoparque, todos do tamanho aproximado de contêineres, são usados ​​para processar os resíduos. Em um processo escalonado, cada um recebe resíduos orgânicos e é selado por duas a três semanas, com bactérias introduzidas para decompor a matéria e produzir metano. O gás é então armazenado em um grande recipiente acima da instalação e posteriormente convertido em eletricidade.

“A idéia do Ecoparque é ter um local para experimentação de novas tecnologias que possam, no futuro – e se demonstrarem sua viabilidade econômica, financeira e ambiental – ser adotada pela Comlurb, fazendo com que cada vez menos resíduos sejam descartados. em aterros “, disse José Henrique Monteiro Penido, chefe de sustentabilidade ambiental da Comlurb. “O modelo pode ser replicado nas cidades e ter um impacto positivo para todo o país”.

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Segundo a Comlurb, esse é o “primeiro passo” para lidar com as 5.000 toneladas de resíduos orgânicos que o Rio de Janeiro produz diariamente. Com um empréstimo não reembolsável do Fundo Brasileiro de Desenvolvimento de Tecnologia e desenvolvido em colaboração com a Universidade Federal de Minas Gerais, o plano é expandir esse modelo em outras cidades do Brasil e da América Latina.

Equipamento que mede a qualidade do gás produzido

“No geral, é um sinal realmente positivo e não duvido que seja escalável”, diz Richard Lowes, pesquisador de política energética da Universidade de Exeter. “Parece ser um processo eficiente, com controles muito medidos sobre a produção. Quando o desperdício de alimentos vai para o aterro, ele pode produzir metano, um poderoso gás de efeito estufa – mas com esse processo você obtém a energia e não produz as emissões”. ”

Atingindo as metas climáticas

O processo de biometanização sozinho, no entanto, não será suficiente para reduzir significativamente a pegada ambiental do Brasil, Lowes diz: “Seria melhor se esse resíduo simplesmente não fosse produzido em primeiro lugar. Se não houvesse desperdício, não haveria desperdício. uma necessidade de processar qualquer coisa. Tendemos a ser muito desperdiçadores como sociedade e precisamos nos concentrar em reduzi-la “.

Ainda assim, o município acredita que poderia ajudar a atingir sua meta de reduzir as emissões de mudanças climáticas em 20% entre 2005 e 2020, como parte da iniciativa C40 Cities, uma rede de cidades que promove ações climáticas. Sob o Programa de Desenvolvimento da Cidade de Baixo Carbono do Rio de Janeiro, a cidade lançou nos últimos anos um projeto de reflorestamento urbano para plantar 12 milhões de árvores e um esquema municipal de compartilhamento de bicicletas, o Bike Rio, enquanto amplia a rede de caminhos da cidade.

O projeto marca um raro vislumbre de positividade para o país em meio ao desmatamento na década passada, na Amazônia, e críticas à falta de compromisso do Brasil com as principais metas climáticas da COP25, a recente conferência em Madri.

Nas instalações de Ecoparque, a equipe está constantemente tentando melhorar os níveis de eficiência, empregando eletrônicos, sensores e medidores que ajudam a controlar e otimizar a produção de biogás em sua busca por produzir energia sustentável. A esperança é que uma instalação como essa seja construída para cada 50.000 pessoas no país.

“Existem dois caminhos a seguir”, diz o pesquisador Ferreira. “Podemos prosseguir com o sistema atual de grandes instalações de resíduos que requerem quantidades significativas de transporte, ou podemos descentralizar o processo e construir um em cada cidade do Brasil”.

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Descarte de geradores eólicos; um grande problema ambiental

A Alemanha possui mais de 28.000 turbinas eólicas – mas muitas são antigas e, em 2023, mais de um terço deve ser desativado. Eliminá-los é um enorme problema ambiental.

DW: Dr. Tessmer, o descarte de turbinas eólicas é extremamente difícil. Suas bases de concreto atingem a profundidade de 30 metros no solo e são difíceis de remover completamente, enquanto as pás do rotor contêm fibras de vidro e carbono – elas emitem poeira e gases tóxicos, e queima-las não é uma opção. Alguns ambientalistas dizem que esse problema está sendo varrido para debaixo do tapete, o que você acha?

Jan Tessmer: Na verdade, acho que tudo é relativo. Claro que é um problema e, é claro, você não recebe nada de graça, mas sempre precisa vê-lo em relação, quais são os valores que obtém da turbina eólica e acho que sim, alguns esforços devem ser feitos de forma eficiente, e também sem danos ao meio ambiente, obter as turbinas recicladas ou fora do solo.

Existem enormes fundações concretas que precisam ser divulgadas, mas não vejo nenhum problema principal que não possa ser superado. Provavelmente será um desafio para a tecnologia. Será realmente um problema nos próximos anos e décadas provavelmente tirar as turbinas antigas do campo, então espero que a indústria encontre tecnologias para lidar com isso.

A dificuldade de descartar turbinas eólicas está prejudicando a reputação da energia eólica como fonte de energia verde?

Sim claro. Na verdade, acho importante que encontremos boas tecnologias para reciclagem, porque as turbinas eólicas são pioneiras em tecnologias de energia verde, e seria uma pena se também não conseguirmos encontrar tecnologias verdes e ecológicas para reciclá-las. Mas como eu disse, acho que é apenas uma questão de tempo para desenvolvê-las e estou bastante confiante de que a imagem das turbinas eólicas pode ser mantida como uma tecnologia verde.As turbinas eólicas representam um grande problema ambiental quando se trata de descartá-las.

Você acha que a próxima geração de turbinas eólicas será mais ecológica?

Eu provavelmente pensaria que as turbinas mais modernas são fabricadas com o objetivo de ter mais produção de energia e, 20 anos depois, quando essas turbinas estão no fim de sua vida, os pesquisadores encontram as tecnologias certas para sua reciclagem. Eu acho que esse é apenas o caminho natural. Mas não acho que as turbinas modernas sejam mais ecológicas do que as mais antigas. Acho que não, mas é apenas uma opinião.

Você acha que a energia eólica é a tecnologia mais ecológica que temos atualmente?

Isto é muito difícil. Eu acho que é realmente uma das tecnologias mais ecológicas que conheço. Devo admitir que não conheço todas as outras possibilidades em detalhes, mas na verdade também não conheço nenhuma tecnologia de produção de energia que seja mais ecológica que a energia eólica. Quero dizer, se você pensa em energia da água, é claro que parece à primeira vista talvez mais verde.

Mas, por outro lado, se você tem barragens enormes, também é um monte de material colocado diretamente na natureza. E se você compará-lo com o PV – fotovoltaico – por exemplo, acho que há muito mais energia química colocada dentro antes que eles possam se ativar, então sim, acho que a energia eólica é bastante eficiente.

O cálculo muito fácil é quanta energia tenho que colocar no processo de produção de uma turbina combinada com quanta energia tenho que colocar no processo de produção de células solares, por exemplo, e as comparações são muito boas para a energia eólica , o que significa que precisamos de muito pouca energia para produzir uma turbina eólica e a maturação é bastante rápida.

10.300 das mais de 28.000 turbinas eólicas da Alemanha devem ser desativadas até 2023, diz o projeto DemoNetXXL

Como você avalia o apetite do governo alemão atualmente por energia eólica?

É uma pergunta difícil de responder, porque sempre pode ser mais. Acho que o governo está impulsionando essa tecnologia, acho que eles sabem muito bem que essa é uma tecnologia que pode nos ajudar na Alemanha a estar na frente do desenvolvimento e realmente querem que continuemos com essa tradição.

Por outro lado, sempre há questões em que reclamamos e vemos possibilidades de que o governo possa pressioná-lo ainda mais. Mas, em comparação com outros países, acho que o governo alemão faz um bom trabalho.

Você acha que os ambientalistas ainda são em sua maioria pró-energia eólica ou você acha que houve um empecilho em relação às dificuldades no descarte de turbinas eólicas?

Eu acho que temos cada vez mais problemas com a questão da aceitação. Eu não diria que é por causa da questão do descarte, acho que é mais sobre questões como ruído ou efeitos de raios durante a noite, que as pessoas se sentem perturbadas. Eu não acho que as pessoas pensam muito sobre a questão do descarte, embora possa ser importante e também acho que precisamos resolver esse problema.

Do meu ponto de vista, o que sinto pela publicidade, não exerço muita pressão sobre esse fato [descarte de turbinas eólicas]. Não temos nenhum projeto nisso e, de fato, é um espelho da situação da necessidade que é comunicada. Se as pessoas acharem que é uma tarefa muito necessária fazer [pesquisas sobre descarte de turbinas eólicas], elas nos pedirão projetos para fazê-lo e faremos isso. Somos uma organização de pesquisa com financiamento público e achamos que é nossa missão trabalhar nos tópicos solicitados. Mas como esse problema não é muito tratado, ainda não fizemos nada. Isso pode mudar.