Sinal de Fumaça: Jornalistas lançam monitor de ataques à política socioambiental no Brasil

Foto: Araquém Alcântara

Há dois anos, Jair Bolsonaro foi eleito presidente da República com uma campanha de ameaça a ativistas, proposta de fusão do Ministério da Agricultura com o do Meio Ambiente e recusa em demarcar terras indígenas, entre outras promessas desastrosas do ponto de vista socioambiental.

Entendendo que tais ameaças não eram falas isoladas do presidente mas parte de uma estratégia de consolidação de seu projeto político, um time de comunicadores independentes se uniu para acompanhar como as ações e omissões do governo federal na área socioambiental estão relacionadas entre si. A partir da pesquisa de cerca de 800 conteúdos e textos sobre o tema, foi criado o Sinal de Fumaça – Monitor Socioambiental, uma linha do tempo interativa com foco na atuação do poder público e respostas da sociedade civil nesta área.

Bilíngue e de utilidade pública, o Sinal de Fumaça – Monitor Socioambiental registra fatos e movimentos relacionados às políticas socioambientais brasileiras e já nasce com mais de 220 textos que narram os principais eventos desde outubro de 2018. A curadoria de conteúdo é feita a partir de notícias publicadas em portais confiáveis da imprensa nacional e internacional, canais oficiais do governo na internet, sites de ONGs e movimentos sociais, além de publicações do Diário Oficial; o monitoramento é contínuo e a atualização da linha do tempo é semanal.

Com objetivo de oferecer ao público uma visão geral sistemática que dê transparência à crise socioambiental no Brasil, a plataforma possibilita ao usuário personalizar a linha do tempo com a seleção de editorias, temas e personagens para aprofundar a compreensão sobre fatos e consequências em assuntos específicos.

“As conquistas e direitos socioambientais garantidos pela Constituição de 1988 estão ameaçados e sendo desmantelados em tempo recorde pelo governo Bolsonaro”, explica Rebeca Lerer, jornalista, ativista de direitos humanos e coordenadora do Sinal de Fumaça. “A crise ecológica brasileira obviamente é bem anterior a 2018, mas nosso monitoramento mostra que o atual governo tem agido de forma sistemática e sem precedentes para acelerar o desmonte da estrutura de proteção e desenvolvimento socioambiental no país. As tais reformas infralegais começaram no primeiro dia da gestão Bolsonaro, bem antes do ministro Ricardo Salles verbalizar sua “boiada” na reunião ministerial de abril de 2020″, completa Rebeca.

Sem a pretensão de cobrir todo o noticiário socioambiental, a ferramenta visa servir conteúdo selecionado a pesquisadores, jornalistas, ambientalistas, ativistas, estudantes, economistas, investidores, assessores parlamentares, organizações não-governamentais, coletivos e movimentos sociais na consulta dos temas de seu interesse. Apresentando os resultados deste monitoramento de maneira categorizada desde outubro de 2018, o Sinal de Fumaça ainda atua como eficiente espaço de preservação de memória dos fatos e combate a fake news.

Sinal de fumaça – monitor socioambiental é uma realização da Agência Lema, sob a coordenação geral da jornalista e ativista de direitos humanos Rebeca Lerer, a redatora Julia Alves e o editor bilíngue Pedro Nogueira

Desmatamento,Amazônia,Ambiente,Blog do Mesquita 03

Árvores amazônicas estão vivendo menos, diz estudo

Amazônia,Desmatamento,Grilagem,Floresta,Brasil,Meio Ambiente,Queimadas,Ecocologia,Fauna,Flora,Pecuária,Biodiversidade,Crimes Ambientais.Blog do Mesquita (6)Pesquisadores constatam círculo vicioso na região, impulsionado pelo aquecimento global, que estaria privilegiando árvores que morrem mais jovens. Quanto mais cedo elas desaparecem, menor o papel na absorção de carbono.

Árvores morrem porque estão passando do limite fisiológico que podem suportar

Um círculo vicioso vem sendo observado por cientistas na Amazônia. Por causa da tragédia climática em curso, árvores de crescimento rápido vêm sendo privilegiadas pela seleção natural. O problema é que elas apresentam maiores taxas de mortalidade. Ao longo da vida, portanto, retêm menos carbono e contribuem menos para mitigar o aquecimento global. Este, por sua vez, segue favorecendo as árvores de crescimento rápido.

Esta é a principal conclusão de um estudo publicado no periódico científico Nature Communications nesta semana. Um esforço da Rede Amazônica de Inventários Florestais (Rainfor) − consórcio de pesquisa fomentado por agências de financiamento de Brasil, Colômbia, Reino Unido e União Europeia −, com o trabalho de mais de 100 cientistas, analisou 30 anos de dados sobre espécies vegetais da Amazônia.

“No total, monitoramos 124 mil árvores, e 23 mil delas morreram no período”, conta à DW a bióloga e ecóloga brasileira Adriane Esquivel-Muelbert, pesquisadora da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, e que esteve à frente do trabalho.

Vento é causa de morte de 50% das árvores

Foram analisados exemplares de 3.966 espécies. “As árvores que crescem mais rapidamente são as que estão sob maior risco de morrerem. Identificamos que 50% das árvores da Amazônia morrem por efeito de ventos. Quando elas são encontradas mortas, já estão quebradas ou com as raízes aparecendo”, exemplifica ela.

Em nota divulgada à imprensa, o professor da Universidade de Leeds, também no Reino Unido, David Galbraith, participante do estudo, externou preocupação com os resultados. “O serviço de sequestro de carbono fornecido pelas árvores da Amazônia está diminuindo”, resume ele.

Na região sul do bioma, a mortalidade das árvores vem sendo influenciada pela seca, conforme identificaram os pesquisadores. Como a área já sofre com um clima mais árido há bastante tempo − agravado nos últimos anos, com termômetros chegando a marcar 50 graus no verão −, havia uma expectativa de que as plantas estivessem se adaptando ao cenário. “O que está acontecendo nessa região é que as árvores estão passando do limite fisiológico que podem suportar. A condição é tão extrema que elas estão morrendo”, diz Esquivel-Muelbert. “[A região se tornou] um laboratório para entendermos o que está acontecendo. E não deixar que aconteça em outros locais.”

Pesquisas anteriores, publicadas a partir de 2015, já indicavam que as árvores amazônicas estavam vivendo menos do que o esperado. O estudo atual não só confirma essa hipótese como avança sobre as causas dessa mortalidade. Sobretudo na região sul da Amazônia também se observou que a fragmentação das florestas, causada pela expansão do desmatamento, é um fator que influencia a vida das árvores em intocadas áreas adjacentes. Conforme explica a pesquisadora, trata-se de um “risco extra”.

Comprometimento na estocagem de carbono

Os índices de desmatamento na Amazônia vêm batendo recordes recorrentes. No mês de outubro, a região perdeu quase 840 quilômetros quadrados de cobertura florestal, uma alta de 50,6% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), coletados pelo sistema Deter. O valor é o maior para o mês desde 2015, quando foi iniciada a série histórica.

O ritmo da devastação da Amazônia acelerou-se em maio de 2019. A partir de então, por 14 meses seguidos, a perda florestal foi superior ao ano anterior − em sete situações, atingiu-se um recorde para o mês.

À DW, o biólogo brasileiro Filipe França, pesquisador da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, e da Rede Amazônia Sustentável, destacou que a pesquisa mostra como as condições atuais estão comprometendo a “habilidade das florestas em controlar as mudanças climáticas através da estocagem de carbono”.

Importância das pesquisas de longa duração

França pontua que a importância do trabalho também está em mostrar que há diferenças espaciais na Amazônia, de acordo com os gradientes de precipitação. E isso interfere na mortalidade das árvores. Assim, ações de conservação precisam levar em conta esses fatores − e não compreender o bioma como uma coisa só.

Outro ponto destacado por pesquisadores é o fato de que um mapeamento tão abrangente como este só foi possível graças a dados coletados por cientistas por um longo período. “Pesquisas de longa duração são fruto dos trabalhos de muitas pessoas, com financiamentos locais. Por isso é importante haver financiamento de longo prazo dos órgãos de fomento de ciência dos países locais, sem isso a gente não conseguiria entender o que está acontecendo na Amazônia — e no planeta como um todo. É preciso enfatizar a importância do investimento em ciência pelos governos”, salienta Esquivel-Muelbert.

A pesquisadora e sua equipe seguem debruçadas sobre os dados. A ideia é aprofundar mais a compreensão das causas mortis das árvores amazônicas para chegar a conclusões que expliquem esse aumento da mortalidade em todas as regiões do bioma.

Amazônia,Queimadas,Ambiente,Meio Ambiente,BlogdoMesquita,Alter do Chão,Brasil,Pará

‘Acostumados à barbárie’: Pesquisadora de Oxford alerta para risco de normalização de incêndios na Amazônia

Fogo e desmatamento na Amazônia causam preocupação em todo o mundo

Um grande risco para a Amazônia nos próximos anos é a normalização dos incêndios no bioma, alerta a bióloga brasileira Erika Berenguer, pesquisadora das universidades de Oxford e Lancaster, ambas no Reino Unido.

A especialista, que estuda os impactos do fogo na Amazônia, ressalta que neste momento as atenções sobre as queimadas estão voltadas para o Pantanal, que enfrentou a seca mais intensa das últimas décadas e o pior período de incêndios em sua história recente.

Apesar de reforçar a importância de se falar sobre a situação do Pantanal e de cobrar ações rápidas das autoridades para a região, Berenguer pontua que não se deve esquecer dos problemas vividos na Amazônia.

É hoje! Ministério do Meio Ambiente busca derrubar proteções ambientais de manguezais e restingas

Salles usará poder do governo federal sobre o Conama para garantir flexibilização.

O Ministério do Meio Ambiente está prestes a derrubar um conjunto de resoluções que hoje delimitam as áreas de proteção permanente (APPs) de manguezais e de restingas do litoral brasileiro. A revogação dessas regras abre espaço para especulação imobiliária nas faixas de vegetação das praias e ocupação de áreas de mangues para produção de camarão.

Os temas estão na pauta da reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que é presidido pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles . Esse conselho, que tem papel fundamental na definição de normas e critérios da área ambiental, teve a sua estrutura modificada por Salles em junho do ano passado e, com isso, o poder de decisão do colegiado ficou nas mãos do governo federal.

Na reunião do Conama desta segunda-feira, o governo pretende revogar duas resoluções (302 e 303, de 2002) que, hoje, são os instrumentos de proteção dos mangues e das restingas, as faixas com vegetação comumente encontradas sobre áreas de dunas, em praias do Nordeste. O argumento do governo é que essas resoluções foram abarcadas por leis que vieram depois, como o Código Florestal. Especialistas em meio ambiente afirmam, porém, que até hoje essas resoluções são aplicadas, porque são os únicos instrumentos legais que protegem, efetivamente, essas áreas.

“Não há nenhuma outra norma brasileira que confirma proteção às restingas como essas resoluções do Conama, que continuam a definir limites. A realidade é que há um grande lobby de resorts e criadores de camarão do Nordeste, que querem entrar nessas áreas”, diz Carlos Bocuhy, presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam).

Em agosto, por exemplo, em São Paulo, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) perdeu uma ação na Justiça e foi obrigada, por meio de sentença, a respeitar as delimitações previstas na resolução de 2002, “para evitar a ocorrência de dano irreparável à coletividade e ao meio ambiente”.

Outra resolução que está na pauta do Conama (284/2001) acaba com os critérios de regras federais para licenciamento ambiental de empreendimentos de irrigação. No entendimento dos ambientalistas, a revogação tem o objetivo de acabar com exigências legais a pedido de parte do agronegócio.

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) defende o fim da resolução, sob o argumento de “não haver embasamento técnico/legal da promulgação desta resolução, pois a irrigação não é um estabelecimento ou atividade, mas apenas uma tecnologia utilizada pela agricultura para o fornecimento de água para as plantas em quantidade suficiente e no momento certo”.

A pauta do Conama desta segunda-feira inclui ainda a proposta de uma nova resolução que trata de critérios de incineração de resíduos em fornos de produção de cimento, para liberar a queima de resíduos de agrotóxicos. Hoje esse material passa por um processo detalhado de tratamento e destinação. A nova resolução, porém, passa a permitir que tudo seja incinerado. Há preocupação, porém, com o material lançado na atmosfera após essa queima.

“Tudo foi pautado em regime de urgência. Qual é a urgência de tomar decisões tão importantes em tão pouco tempo e sem que esses temas sejam submetidos a estudos, por meio de câmaras técnicas? Todas essas resoluções mereceriam uma discussão aprofundada”, afirma Carlos Bocuhy, presidente do Proam. O ministro Ricardo Salles foi procurado pelo Estadão e, questionado sobre o assunto, afirmou que “as pautas do Conama serão debatidas e todos os conselheiros terão a oportunidade de expor suas posições”.

Para a ex-presidente do Ibama Suely Araújo, especialista sênior em políticas públicas do Observatório do Clima, trata-se de decisões graves, que poderão fragilizar profundamente a proteção ambiental. “O desmonte promovido pelo governo Bolsonaro na política ambiental atingiu duramente o Conama, que infelizmente parece estar reduzido a uma esfera de flexibilização de normas, de passar a boiada. A pauta dessa reunião é evidência forte nesse sentido: revogação de resoluções que dispõem áreas de preservação permanente e sobre licenciamento da irrigação, sem o debate público prévio que marcava os processos do Conselho”, diz Suely.

A especialista chama atenção ainda para a proposta de aprovar uma resolução que dá abertura para flexibilizar a concentração de poluentes orgânicos por meio de incineração. “Isso é totalmente inaceitável, chega a ser assustador.”

Órgão passou por mudanças e perdeu representantes de Estados e entidades civis em julho

O Conama – que é um órgão consultivo com poder de definir normas e critérios na área ambiental – foi desidratado em julho do ano passado em relação à sua estrutura anterior, concentrando nas mãos do governo federal e de representantes do setor produtivo a maioria dos votos. Estados e entidades civis perderam representação. Por decisão de Salles, o Conama teve seus membros reduzidos de 96 para 23 representantes.

A composição anterior do órgão tinha o objetivo de dar maior representatividade a vários segmentos da sociedade. Uma parte dos integrantes da sociedade era escolhida por indicação e outra, por eleição. Desde o ano passado, porém, essa escolha passou a ser feita por sorteio.

Instituições que representam a sociedade civil, incluindo associações de trabalhadores rurais e povos indígenas, viram suas posições caírem de 23 para 4. Os Estados também perderam representação. Se antes havia uma cadeira para cada um dos 26 Estados e o Distrito Federal, agora são 5 cadeiras representadas por um Estado de cada região geográfica do País. Os municípios, que tinham 8 representantes, agora têm 2.

*As informações são da Agência Estado”.

O turismo de onças e a tragédia dos incêndios no Pantanal: Uma reflexão

O Capitalismo da morte!
Da série:”Ao fim e ao cabo não irá sobrar nada. Nem a ira nem o choro”


No início de agosto, resolvi aceitar o convite de um amigo de longa data para ir ao o Pantanal com minha companheira Margarete, para matar a saudade das onças-pintadas do Porto Jofre.

Por:Peter G. Crawshaw Jr.

Uma onça-pintada tomando sol no Pantanal, em agosto de 2019.
Foto: Martha de Jong-Lantink/Flickr.

Iríamos de avião de Porto Alegre a Brasília, onde encontraríamos o meu amigo, e depois seguiríamos em um carro alugado até Porto Jofre. Pelo meu histórico e conhecimento da região, eu havia sido encarregado de providenciar a logística de hospedagem no local. Já nos meus primeiros contatos, fiquei impressionado com o quanto o turismo direcionado às onças havia inflacionado e elitizado a oferta de hotéis e pousadas. Mesmo nas mais simples, as diárias chegavam a R$700,00 por pessoa, incluindo as refeições. A maioria delas era muito mais cara, algumas chegando a R$1.600,00 ou mais, com valores em dólares. O adicional do barco com piloteiro, para ter acesso aos locais usados pelas onças, representava um mínimo de R$1.200,00 a mais por dia. Portanto, para três pessoas por um período de sete dias, baseado nos menores valores que pude negociar, o preço total seria quase R$25.000,00, ou mais de R$7.000,00 por pessoa. Cheguei à conclusão que um funcionário público federal aposentado como eu não tem direito ao privilégio de observar uma onça-pintada na natureza, ao menos através da estrutura normal montada pelo setor especializado disponível no local.

Eu entendo que isso seja resultado da lei da oferta e da demanda, como me foi explicado por um amigo, que “como tem gringo de sobra querendo ver onça, as operadoras e pousadas aumentam o preço e continuam lotadas”, mas isso é tremendamente injusto para o turista brasileiro, que não pode competir com esses preços. Quase desisti da viagem, mas resolvi apelar para amizades e conseguimos, através de favores especiais, negociar uma situação aceitável de hospedagem. Quanto ao barco, uma amiga que desenvolve um projeto na região e que no momento se encontra fora do país, ofereceu o barco do projeto para nosso uso durante a visita. Como o barco se encontrava sem uso há oito meses, pagamos uma revisão completa por um técnico especializado vindo de Cuiabá, que deixou o motor e a embarcação prontos para o nosso uso. Com minha habilitação (arrais) em dia e minha longa experiência com barcos e conhecimento da área, depois de ter morado na região, eu mesmo pilotaria o barco.

Chegamos no Porto Jofre na tarde do dia 5 de agosto, e saímos com o barco para um reconhecimento. Eu já havia marcado de antemão no meu GPS vários pontos de avistamentos de onças ao longo dos rios e corixos repassados por minha amiga, a maioria deles dentro do Parque Estadual Encontro das Águas. O parque é considerado um dos melhores lugares do mundo para a observação da espécie. Saímos do rio Cuiabá e subimos um bom trecho do rio Três Irmãos, mas tivemos que voltar pelo avançado da hora. Fizemos o mesmo trajeto no dia seguinte, subindo novamente o Três Irmãos. Em um ponto, cruzamos com outro barco com turistas, cujo piloteiro nos avisou que tinham encontrado duas onças, dando-nos alguns detalhes dos locais. Seguindo mais ou menos as instruções, subimos até o corixo do Caxiri, entrando por ele e indo até o rio Cuiabá sem, entretanto, encontrar sinais das onças. Voltamos novamente para o Três Irmãos e subimos mais um trecho dele, entrando por outro corixo que também saiu no rio Cuiabá.

No trajeto, passamos por um local onde eu havia me hospedado em agosto de 2007, naquela época um pesqueiro particular, e agora uma pousada chamada Recanto do Jaguar Lodge. Encontramos apenas uma ariranha, que passou várias vezes por baixo do barco enquanto tentávamos tirar algumas fotos dela. Enquanto pilotava o barco, pensava no por que não havíamos encontrado ainda nenhuma onça. Dei-me conta que, pela economia que estávamos fazendo, não pagando os preços vigentes, nos faltava o apoio da eficiente rede montada pelos piloteiros e guias de turismo da região que, com rádios portáteis operando em uma mesma frequência, informavam as posições dos animais avistados para aqueles que se encontravam nos rios, procurando, descrevendo os locais com nomes específicos que todos eles conhecem, e permitindo assim livre acesso às informações e aos animais.

“Sentindo a água gelada, minha primeira reação foi agradecer aos céus por todos nós estarmos com coletes salva-vidas, um detalhe de segurança que eu havia insistido em observar.”

No nosso terceiro dia, ainda nos adaptando ao nosso sistema improvisado de exploração, resolvemos subir o rio Piquiri para visitar uma toca de ariranhas, cuja localização me havia sido passada por minha amiga, e que eu havia marcado no GPS. Antes de chegarmos ao local da toca, no entanto, encontramos o grupo de ariranhas se alimentando, e meu amigo começou a tirar fotos. Havia pelo menos uns 10 a 12 indivíduos espalhados, alguns mergulhando concentrados em pescar e outros, já com peixes, degustando a refeição apoiados em troncos dentro d’água.

O ar vibrava com os sons emitidos pelos animais. Eu havia esquecido meu equipamento fotográfico na casa de minha irmã em Porto Alegre antes de ir para o aeroporto e, portanto, tive que me ater a filmar o que pude com minha versão mais barata de filmadora GoPro. Tudo ia muito bem, o barco a uns 6 metros da margem direita e os animais pescando na margem esquerda a uns 40 metros de distância, todos envolvidos em um clima de exaltação, quando, de repente, aconteceu! Meu amigo, talvez concentrado demais nas fotos que estava tirando e nos equipamentos necessários, fez um movimento muito errado, vindo para o mesmo lado que eu estava, e desequilibrou o barco, desafiando as leis da física. Por uma fração de segundos, esperei o melhor e achei que a embarcação fosse se estabilizar, mas então, sem acreditar no que estava acontecendo, me dei conta que estávamos mesmo virando e íamos inexoravelmente ao fundo.

O peso do motor de 40 hp e a má distribuição momentânea de peso, apesar de perfeitamente dentro da capacidade do barco, fez com que ele girasse no seu eixo horizontal e, em uma velocidade inacreditável, tudo se acabou, ele sumiu na água profunda. Sentindo a água gelada, minha primeira reação foi agradecer aos céus por todos nós estarmos com coletes salva-vidas, um detalhe de segurança que eu havia insistido em observar! Enquanto terminava de fechar o último fecho do meu colete, comecei a chamar meus companheiros.

A Margarete respondeu imediatamente, ainda tentando em vão segurar a corda presa à proa do barco. Como filha de prático de navios no porto de Maceió, em Alagoas, ela havia crescido familiarizada com água. Meu amigo não respondeu e, preocupado, procurei por ele. Vi logo que ele estava flutuando, tentando com dificuldade segurar parte do seu pesado equipamento. Eu disse a ele que soltasse, pois sua vida era mais importante. Juntei duas mochilas que estavam flutuando próximas a mim e, analisando a situação, me dei conta que não conseguiria chegar à praia mais próxima, porque a correnteza, muito forte, nos levava na direção da margem oposta.

Margarete já estava quase chegando à praia, mas gritei para ela que deveríamos permanecer juntos. Segurando as mochilas, comecei a bater pernas e um braço, na intenção de aproveitar a correnteza para chegar à outra margem. Vi que meu amigo seguia mais ou menos o mesmo curso, mesmo sem se movimentar muito. Nadando de costas, eu conseguia enxergar por cima da testa a sombra das árvores se aproximando aos poucos. Quando pude me virar, vi um tronco de árvore enorme caído dentro d’água e me dirigi para ele mas, quando cheguei, a velocidade da correnteza me forçava para baixo dele. Eu sabia que se isso acontecesse, não conseguiria mais subir, pelo cansaço que já sentia. Optei por largar as mochilas, que a Margarete por sorte conseguiu juntar mais abaixo, e reunindo toda minha força, fui me esgueirando com os braços em direção à ponta do tronco, enquanto minhas pernas eram forçadas para baixo dele. Consegui finalmente fazer a volta por cima  e me agarrar em galhos secos um pouco mais abaixo, alguns dos quais iam quebrando, até que pude me firmar. Enquanto isso, a Margarete, em melhores condições físicas, tinha usado o remo que trouxera para puxar meu amigo para a galharia, pouco mais abaixo de onde eu estava. Estávamos agora os três quietos, recuperando o fôlego e nos recobrando do susto.

Pouco depois, antes mesmo de podermos pensar muito, escutamos o barulho de um motor e, em seguida, um barco apareceu na curva acima. Fizemos sinal e eles vieram nos socorrer. Já com quatro pessoas e bastante carga, pedi a eles que nos deixassem na praia do outro lado do rio e que avisassem a pousada onde estávamos hospedados, que eles providenciariam o nosso resgate. O pessoal do barco, no entanto, foi irredutível e não quis nos deixar na praia, pois, segundo eles, uma onça certamente iria nos pegar. Depois de reajeitar a carga e as pessoas no barco, abriram espaço para que embarcássemos. Cansado como eu estava e com as limitações de movimentos que tenho nas pernas desde um acidente de ultraleve em 1998, foi necessário que um dos pantaneiros me içasse como um guindaste para dentro do barco.

Durante o trajeto de volta a Porto Jofre, um dos passageiros nos contou que foi muita sorte eles terem passado por ali naquele momento. Disse ele que eram funcionários de uma pousada mais acima no rio Piquiri, fechada desde março devido à pandemia. Eles haviam saído para ir a Poconé, mas quis o destino que alguém esquecesse um documento e tiveram que voltar à pousada para buscá-lo. Se isso não tivesse acontecido, eles teriam passado por nós enquanto ainda fotografávamos as ariranhas, e nós teríamos perdido nosso resgate quase que imediato. Embora eu tivesse tido a precaução de dizer para onde iríamos, o pessoal da pousada só iria se preocupar com a nossa ausência se não chegássemos ao final da tarde, o que representaria, no mínimo, passar a noite na margem do rio. Se isso acontecesse, não seria a minha primeira vez, mas certamente seria uma experiência traumática para meus companheiros. O curioso foi que a Margarete, sendo neófita no Pantanal, depois de ter se portado exemplarmente durante todo o episódio, contou que havia todo o tempo ficado preocupada com as onças na praia e com jacarés abocanhando-a por baixo d’água, mas ficou horrorizada quando soube depois que havia também piranhas no rio…

Resgate do barco. Foto: Fernando Tortato/Panthera Brasil,

Enfim, chegamos ilesos de volta à pousada. As únicas perdas que tivemos foram os equipamentos, principalmente de meu amigo, que perdeu várias dezenas de milhares de dólares em câmeras e lentes. Mas, como diz o ditado, vão-se os anéis, ficam os dedos. Depois de explicar o ocorrido, o pessoal da pousada conseguiu ajuda da colônia de pescadores e eu voltei ao local do acidente para tentar localizar o barco afundado. Com a ajuda do piloteiro que havia nos resgatado, e tendo identificado o local com a ajuda do malfadado tronco para baixo do qual quase fui levado, achamos o barco. Com cordas e ganchos e puxando com três barcos, conseguimos levá-lo para perto da praia, e a força de oito homens acabou de puxá-lo até a margem. No trajeto de volta à pousada, agradeci aos céus pelas bênçãos que havia recebido naquele dia.

Ao chegar à pousada, providenciei novamente a vinda do mecânico para efetuar os procedimentos necessários para limpeza do motor, troca dupla de óleo e nova revisão. Infelizmente, fiquei sabendo que, por ter afundado, o motor, que tinha menos de 100 horas de uso, perdera a garantia de cinco anos pela fábrica. Isso selou o compromisso de comprar novo motor para devolver à minha amiga. No dia seguinte ao naufrágio, retornamos à Brasília e depois a Porto Alegre. Na semana seguinte, compramos um motor igual e, no dia 18 de agosto, eu estava de volta em Cuiabá para fazer a reposição. O barco está agora pronto para quando minha amiga chegar ao Brasil, no início de outubro. Enquanto isso, o motor afundado está passando por uma revisão completa e será colocado à venda, para diminuir nosso prejuízo. E pensar que tudo isso aconteceu porque estávamos tentando economizar!

“É cedo ainda, mas dá para imaginar o impacto que esses incêndios terão no Pantanal, não apenas nos animais, mas na vegetação como um todo.”

Enfim, usei esse incidente incomum como preâmbulo para escrever sobre a situação que tem deixado estarrecidos a todos aqueles que conhecem e que amam o Pantanal. É irônico agora, e muito triste, pensar que um mês atrás eu estava nesse mesmo local onde agora as chamas reduzem tudo a solo torrado e onde onças e antas são encontradas mortas ou resgatadas por grupos de pessoas abnegadas e levadas para tratamento, onde permanecem lutando entre a vida e morte.  E, como disse um amigo da área, “se os grandes e fortes estão morrendo, imagine os pequenos e indefesos”.

É cedo ainda, mas dá para imaginar o impacto que esses incêndios terão no Pantanal, não apenas nos animais, mas na vegetação como um todo. Esse impacto vai ser diferencial conforme as espécies, algumas se recuperarão mais rápido, outras demorarão muito mais. Talvez algumas não se recuperem. Não sabemos ainda se poderemos acompanhar todos esses processos, em todas as suas escalas. Mas será um imenso aprendizado. E espero, sinceramente, que possamos aprender pelo menos algumas lições básicas sobre como evitar situações semelhantes no futuro para que não se repitam. Porque, infelizmente, agora que o leite já se derramou, sabemos que o desastre vinha se anunciando há décadas.

O Pantanal é resultado de várias características, sendo uma das mais marcantes o seu ciclo anual, de cheia e de seca. Além desse, costumava ser identificado também um ciclo plurianual de secas e cheias, com um período de aproximadamente 14 anos de enchentes mais pronunciadas, seguido depois de outros tantos anos de secas acentuadas, que se alternavam. No entanto, desde as grandes cheias da década de 70, esse ciclo maior tem se desequilibrado, talvez como consequência de alterações antrópicas mesmo fora da bacia do Pantanal. Com o recuo da pecuária na parte central do Pantanal por causa das grandes enchentes, e com a criação e proteção de várias áreas para conservação, mais e mais extensões de mata foram se acumulando. Mesmo na região do Jofre, grandes áreas abertas foram sendo tomadas por ambientes florestados. Com os últimos anos de secas intensas, foram-se criando as condições que culminaram com a ignição dos fogos espalhados praticamente em toda a bacia do Pantanal, intencionais ou acidentais, ainda piorado pela longa ausência de chuvas nesse período. É o aspecto negativo das grandes extensões florestadas protegidas demais com a finalidade de conservação.

Combate aéreo ao incêndio no Parque Estadual Encontro das Águas.
Foto: Mario Friedlander/AECOPAN

São criadas as condições para os chamados “wildfires”, ou incêndios florestais, que, quando começam, ardem sem possibilidade de controle. Isso tem ocorrido mesmo em países com boas políticas de manejo de fogo, como Estados Unidos, Austrália e alguns países da Europa. Temos que proteger grandes áreas de mata, sim, mas, ao mesmo tempo, manter condições de protegê-las contra fogo, por mais dispendioso e trabalhoso que isso possa ser.

Como apontado por um amigo, Walfrido Tomás, da Embrapa Pantanal, as mudanças climáticas globais são agora um componente mais sério. No ano passado, choveu 25% menos que a média na Bacia do Alto Paraguai, e esse ano já estamos ultrapassando 40% de déficit em relação à média. Os cenários de mudanças climáticas indicam que a partir de 2070 os modelos mais negativos seriam de uma redução de 30% em relação à média, com aumento da temperatura e incidência de eventos climáticos extremos. O Pantanal é regido por instabilidade quando se olha em escala de tempo mais longo, não em ciclos previsíveis. O que era o “normal” já não vale mais, mesmo sendo caracterizado por instabilidade. A região vai se tornando mais seca e mais quente, e esse será um novo normal. Assim, como preconizado por ele, talvez seja necessário se adaptar à uma nova realidade, onde mesmo as tradições, usos e costumes no manejo das terras terão que ser adequadas ao novo normal. Isso inclui o manejo de áreas protegidas, cujos gestores precisam ser realistas e adotar a queima prescrita como uma pratica conservacionista de rotina, como já feito por algumas unidades de conservação. Ao invés de disputas e conflitos, quem sabe seja preciso uma aproximação de objetivos, fazendeiros usando a terra de forma mais parecida com as unidades de conservação e as unidades de conservação sendo protegidas de forma mais parecida com as fazendas.

Para o momento, vamos ter que correr atrás do prejuízo, e esperar que o Pantanal, com sua resiliência, comece a se regenerar. E enquanto toda a sua parte biológica lambe suas feridas, a parte antrópica, social, que sobrevive a esse desastre ambiental, com muitos daqueles que viviam em função do turismo da onça, terão que se reinventar e se readequar, na esperança que, algum dia, em breve, as onças possam voltar a ser o astro principal no palco onde a natureza brilha mais forte, nos rios do Pantanal. Esperamos que depois que as chamas se apaguem, possamos descobrir que as sobreviventes serão bem mais numerosas que aquelas mortas ou retiradas para recuperação e que elas consigam se acomodar e sobreviver no que restar da hecatombe que passou pelo que antes era sua casa. É provável que por alguns anos, as fotografias dessas onças tiradas por turistas na beira dos rios não tenham o verde e o aspecto selvagem que costumavam ter, mas com o tempo, eles voltarão. E quem sabe então, esse tipo de turismo possa vir a ser mais equilibrado, e não restrito apenas aos mais abastados, de forma que pessoas com menor poder aquisitivo também tenham acesso ao privilégio de ver uma onça em seu lugar de direito.

Amazônia,Queimadas,Ambiente,Meio Ambiente,BlogdoMesquita 02

Ambiente: Em um ano, governo Bolsonaro corta verba para brigadistas em 58%

Seca,Queimadas,Ambiente,Meio Ambiente,BlogdoMesquita 03

Apesar de alta das queimadas na Amazônia e no Pantanal, orçamento destinado à contratação de pessoal de prevenção e controle de incêndios florestais em áreas federais sofreu forte redução entre 2019 e 2020.

Até o fim de agosto, fogo consumiu 12% do Pantanal em 2020

Mesmo com as queimadas na Amazônia aumentando 30% em 2019 e com o Pantanal registrando o maior número de queimadas em mais de uma década, o governo Bolsonaro vem cortando drasticamente a verba para contratação de profissionais para prevenção e controle de incêndios florestais em áreas federais.

O gasto esperado com a contratação de pessoal de combate ao fogo por tempo determinado, somado ao de diárias de civis que atuam como brigadistas, caiu de R$ 23,78 milhões em 2019 para R$ 9,99 milhões neste ano – uma redução de 58%, de acordo com dados oficiais do Portal da Transparência.

Este foi o segundo ano seguido de redução no orçamento total para prevenção e controle de incêndios florestais em áreas federais. A verba inicialmente planejada para a área em 2018 era de R$ 53,8 milhões, reduzida em 2019 para R$ 45,5 milhões, e para R$ 38,6 milhões em 2020. Do ano passado para este, a redução foi de 15%.

Em meio aos cortes, o Pantanal vive seu pior ano em termos de queimadas de que se tem registro. De janeiro a 10 de setembro de 2020, o Pantanal somou 12.703 focos de incêndio, o mair número para o período desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou o monitoramento, em 1998. Segundo dados do órgão federal, nos primeiros oito meses do ano, 18.646 km² do bioma foram consumidos pelas chamas, mais da metade disso em agosto.

Historicamente, a situação observada em setembro é ainda pior, com mais áreas de campos, florestas e arbustos queimados. Se o ritmo medido em agosto se mantiver, o Pantanal terá um total de 28, 8 mil km² carbonizados até setembro, superando todos os anos anteriores.

A área queimada até o fim de agosto, equivalente a 15 cidades do Rio de Janeiro inteiras queimadas, representa 12% do Pantanal. O bioma possui 83% de cobertura vegetal nativa e a maior densidade de espécies de mamíferos do mundo, com uma concentração nove vezes maior que a vizinha Amazônia, que também vem sofrendo com as queimadas.

Em Mato Grosso – que, junto com Mato Grosso do Sul, abriga o Pantanal – não chove forte desde maio

Na Floresta Amazônica, 29.307 focos de queimadas foram registrados em agosto deste ano, destruindo uma área maior que a da Eslovênia. O número ficou pouco abaixo dos 30.900 registrados no mesmo período de 2019  que, de acordo com o Inpe, foi o pior mês de agosto para a Amazônia desde 2010, interrompendo uma tendência de queda observada em anos anteriores.

De acordo com especialistas, nem a Amazônia nem o Pantanal sofrem com incêndios espontâneos. Em Mato Grosso – que, junto com Mato Grosso do Sul, abriga o Pantanal – não chove forte desde maio, logo, não há raios que pudessem inflamar os campos e matas secas, levando à conclusão de que se trata de incêndios irregulares. Isso apesar de o uso do fogo para limpeza e manejo de territórios ter sido proibido no estado entre 1º de julho e 30 de setembro. Segundo decreto estadual, quem provocar queimadas pode ser punido com reclusão de dois a quatro anos e multa a partir de R$ 5 mil por hectare.

Atraso no combate

Em nota, o Ministério do Meio Ambiente afirma que aumentou o número de brigadistas em relação ao último mandato da ex-presidente de Dilma Rousseff. Questionada pela DW Brasil sobre os cortes, a pasta não explicou a questão orçamentária, e afirmou que em 2020 foram contratados 3.326 brigadistas pelo Ibama e pelo ICMBio, contra 2.080 em 2016.

No entanto, os editais de contratação para os profissionais, que costumam ser realizadas a partir de abril, para que as brigadas tenham tempo para o trabalho de prevenção dos incêndios, neste foram publicados somente em junho, atrasando todo o cronograma.

Segundo uma fonte do ICMBio que prefere não se identificar, o trabalho de combate aos incêndios no Pantanal demorou para começar, de modo que agora resta apenas esperar pela chuva e tentar impedir o fogo de consumir construções, pontes e unidades de conservação – os chamados alvos preferenciais.

“O grosso do trabalho de combate é feito de julho a setembro, antes há os trabalhos de queima preventiva, abertura de aceiros, feitos com acompanhamento do PrevFogo. O trabalho preventivo é até 20 vezes mais barato que o combate”, calcula.

No Pantanal, Ibama e ICMBio vêm trabalhando em conjunto com bombeiros, militares e o Sesc Pantanal na força conjunta que tenta manter a salvo o Parque Estadual Encontro das Águas e o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, ambos refúgios de vida silvestre. Além do Mato Grosso, as brigadas atuam em outros 16 estados e no Distrito Federal em áreas ido Pantanal, do Cerrado e da Amazônia.

Agosto, mês de queimadas

Em junho, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), alertou que o desmatamento observado no último um ano e meio na Amazônia poderia ser o prenúncio de uma catástrofe na região. O modus operandi do desmate da floresta é a derrubada em massa das árvores, com tratores que arrastam grandes correntes, derrubando tudo pelo caminho, para, no período seco seguinte, a vegetação ser queimada para limpeza do terreno.

Em nota técnica publicada, o Ipam apontou que, entre janeiro de 2019 e abril de 2020, uma área de 4.509 km² de Floresta Amazônica havia sido derrubada. “Se 100% queimar, pode se instalar uma calamidade de saúde sem precedentes na região ao se somar os efeitos da covid-19“, previu, apontando que o mês de agosto é quando grande parte da queima acontece na Amazônia.Amazônia,Queimadas,Brasil,Meio Ambiente,Blog do Mesquita

Segundo os dados do Inpe citados no início deste texto, a Amazônia teve seu segundo pior agosto da última década em termos de queimadas registradas. No entanto, de acordo com reportagem a Folha de S.Pauloo sensor Modis, do satélite Aqua, da Nasa, apresentou problemas a partir de meados do mês, prejudicando a medição dos focos de incêndio em algumas áreas. Com isso, é possível que a situação tenha sido ainda mais severa do que a de agosto do ano passado.Seca,Queimadas,Ambiente,Meio Ambiente,BlogdoMesquita

Mourão, queimadas e a preparação de militares

Meu pai, já falecido, foi de aluno do Colégio Militar, aos nove anos, até à reserva, no posto de General de Brigada.

Convivi boa parte da minha infância e adolescência nos quartéis. Creio deter algum conhecimento de quão exigente era a preparação de militares ao longo da carreira. Então, espanta-me o despreparo atual dos militares que emitem opiniões e pareceres sobre as mais diversas questões.

Leiam;

“Reconhecendo desconhecer dados, Mourão pede explicações ao Inpe”. Informado posteriormente sobre a competência do Inpe – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, aliás com reconhecimento internacional, o vice-presidente reformulou seu discurso, em partes. “O general disse que desconhecia que os dados sobre queimadas e desmatamento são públicos e qualquer pessoa os pode acessar. No dia anterior afirmou que alguém no Inpe faria oposição ao governo de Jair Bolsonaro e só divulgar dados negativos sobre queimadas”. Não explicou em que sentido uma “queimada teria lado positivo”.

É “fogo” engolir tamanho despreparo em um General e Vice-Presidente da República.

Seca,Queimadas,Ambiente,Meio Ambiente,BlogdoMesquita 03

Meio Ambiente & Queimadas; Um governo BioGenocida

Da série:”Ao fim e ao cabo não irá sobrar nada. Nem a ira nem o choro”.

O presente virou pó, cinzas. Se não reagirmos agora diante da destruição em massa que abate o Pantanal, a Amazônia e o Cerrado, o futuro próximo será sem ar e sem água.

Eis um biogenocida.

Ministro(?) do Meio Ambiente Ricardo Salles abre a cloaca para excretar estupidez: “questões ideológicas favoreceram #queimadas no Pantanal”.

É um insano, o “Sinistro# do MeioAmbiente ao atribuir perseguição à criação de gado como fator de descontrole, embora reconheça que “há muito fogo” na região.

O Capitalismo da Morte em sua mais tenebrosa ação.

Terra indígena Xingu. Precisamos pressionar o Ministério Público, tanto estadual quanto federal. Precisamos citá-los em todos os posts, e comentários relativos à tragédia ambiental no Brasil. Só assim vão se sentir constrangidos a fazer algo!
Matar índios e pobres é “esporte” ancestral no Brasil.

Rodovia Transpantaneira, antes e depois dos incêndios. O mundo está vendo isso.
News in the international press.
“Road crossing Pantanal, one of the world’s largest flooded grasslands, before and after wildfires. Home to hundreds of animals species turned into an immense graveyard of mammals and reptiles.

“O coronavírus é uma brincadeira de criança diante do que a mudança climática trará”.
Rodrigo Medellín

#ForaRicardoSallesUrgente #BrasilEmChamas #DefundBolsonaro
www.mesquita.blog.br

Supermercados alemães pedem que Berlim pressione Bolsonaro

Gigantes do varejo expressam preocupação com o desmatamento no Brasil e pedem que governo Merkel cobre uma mudança de rumo na política ambiental de Bolsonaro.

Supermercados afirmam evitar soja brasileira e preferir produtos de produção sustentável

Duas das maiores cadeias de supermercados da Alemanha, Edeka e Lidl, manifestaram preocupação com o desmatamento no Brasil e pediram que o governo alemão pressione o governo do presidente Jair Bolsonaro a conter a devastação ambiental.

“Tendo em vista o aumento da demanda global por soja e os desenvolvimentos na região amazônica, compartilhamos suas preocupações”, diz uma carta da Lidl enviada à eurodeputada alemã Anna Cavazzini, uma crítica ferrenha da política ambiental de Bolsonaro.

“A rede Edeka está observando os acontecimentos no Brasil com grande preocupação”, diz a outra rede, também em carta enviada à eurodeputada.

No documento, a Edeka também afirma que pediu que produtores de soja brasileiros se comprometam a atuar para que áreas do Cerrado não sejam destruídas e convertidas em zonas de cultivo.

A Edeka afirmou ainda que, enquanto membro da Federação Alemã do Comércio de Alimentos (BVLH), pediu que o governo da chanceler federal alemã, Angela Merkel, pressionasse o governo Bolsonaro a agir para conter o desmatamento e dar prioridade à proteção florestal.

A rede Lidl também é membro da federação que apresentou o pedido ao governo alemão. “Na nossa visão, o desmatamento não é o único aspecto problemático, mas também o fato de que monoculturas em larga escala e uso intenso de pesticidas empobrece o solo e favorece a erosão”, disse o conglomerado.

Ambas as redes ainda afirmaram que estão comprometidas com a adoção de “cadeias de abastecimento sem desmatamento”. A Lidl, por sua vez, afirmou que o grupo prefere soja da União Europeia (UE) e incentiva a mudança para um cultivo de soja mais sustentável no Brasil.

De acordo com o jornal alemão Taz, que publicou uma reportagem sobre o posicionamento das duas redes, a declaração dos dois conglomerados pode aumentar a pressão para que o governo alemão reavalie seu rumo em relação ao Brasil.

No mês passado, Merkel acenou retirar seu apoio à retificação do acordo de livre comércio da UE com o Mercosul, referindo-se ao desmatamento da Amazônia. Entretanto, ela ainda não desistiu de modo definitivo do tratado.

Em maio, as principais redes de supermercados do Reino Unido ameaçaram boicotar produtos brasileiros se o Congresso Nacional aprovasse a polêmica lei de regularização fundiária, conhecida a “MP da grilagem”, posteriormente convertida em projeto de lei.

A carta aberta tem cerca de 40 signatários, incluindo algumas das redes de supermercados mais importantes do Reino Unido, como Tesco, Sainsbury’s, Morrisons e Marks & Spencer, além da rede Burger King, do fundo público de pensões sueco AP7 e de outras empresas de gestão de investimentos.

MD/ots