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Limpar o planeta com dinheiro sujo tem seus limites

Usina termelétrica na Inglaterra. Foto: Carlos Eduardo Young.

A pandemia de Covid-19 traz consequências complexas em áreas muitas vezes inesperadas. Um exemplo são os mercados de créditos transacionáveis de emissões de carbono (cap and trade). Matéria recente do Inside Climate News mostra que produtores de agricultura de baixo carbono (“climate smart”) na Califórnia estão com problemas de financiamento porque recebem recursos de programas de cap and trade que são pagos principalmente por emissões geradas pela queima de combustíveis fósseis. A retração da atividade econômica e no volume de trânsito, consequência do isolamento social, reduziu drasticamente a emissão de carbono no estado. Por isso, as receitas que eram pagas pelos emissores diminuíram porque fizeram o que se deseja na agenda das mudanças climáticas: a queima de combustíveis fósseis despencou nos últimos meses.

Esse tipo de dilema é previsto há muito tempo na literatura de economia do Meio Ambiente. Mercados de direitos transacionáveis de obrigações ambientais, como os de emissões de carbono, logística reversa de resíduos sólidos e cotas de reserva ambiental (CRA), têm como premissa o interesse em flexibilizar o cumprimento das normas ambientais. A ideia é que aqueles que não estão cumprindo os requisitos ambientais financiem terceiros que, além de cumprir seus próprios compromissos, “vão além” e têm “superávit” na sua performance ambiental. Ou seja, ao invés de reduz as suas emissões, os emissores (“poluidores”) preferem pagar para que outros o façam (“protetores”) – isso se explica porque os custos de abatimento de emissões não são homogêneos.

Para que os mercados de direitos transacionáveis de obrigações ambientais funcionem é preciso que:

(1) O regulador ambiental atue efetivamente, monitorando o desempenho ambiental de cada agente e penalize, de fato, aqueles que desobedecem a norma. É necessário mais que uma autuação, deve-se fazer que o infrator pague efetivamente (“enforcement”).

(2) Deve haver um número suficiente de agentes econômicos que estão em desacordo com as normas ambientais e com custos de atendimento à norma (“compliance“) altos. Por outro lado, é necessário existir aqueles cujo valor necessário para executar ações ambientais positivas seja baixo, para viabilizar financeiramente a compensação do déficit ambiental não atendido pelo infrator.

(3) Os direitos de propriedade devem ser bem estabelecidos, sem insegurança jurídica para que o agente em déficit ambiental (“poluidor”) pague ao que está em superávit (“protetor”), e essa ação seja oficialmente reconhecida pelo regulador como forma de cumprimento da legislação ambiental.

Ou seja, não se trata de um mercado “normal” onde o consumidor demanda um bem porque deriva utilidade de seu consumo. É uma situação especial, que não pode ocorrer em situação de “livre mercado”. Trata-se de uma flexibilização no atendimento de normas legais, cuja demanda só é estabelecida se houver pressão normativa para o cumprimento da lei por parte dos eventuais infratores.

Como essas condições variam no tempo, a demanda de “poluidores” por direitos de emissão também oscila. Portanto, em todos os mercados de direitos transacionáveis, o preço desses direitos é endógeno, ou seja, o valor das cotas de emissões também flutua.

O caso da Califórnia apresentado na matéria se explica por alteração abrupta da condição (2). A demanda de direitos de emissão caiu vertiginosamente em função da retração de fontes de lançamento de gases de efeito estufa. Por isso, reduziu-se o interesse em compensar emissões excedentes porque se aproximaram dos limites inicialmente permitidos. Diga-se de passagem, a razão pela qual esse mercado se estabeleceu na Califórnia foi uma série de avanços institucionais que permitiram o atendimento da legislação ambiental (Condição 1) e definição dos direitos e deveres para agentes privados (Condição 3). Antes da pandemia, havia um número significativo de agentes em desacordo com os limites de emissão recebidos originalmente (Condição 2), mas esse número se reduziu bastante com a retração econômica.

Um fenômeno bastante semelhante ocorreu no mercado europeu de emissões (ETS) após a crise financeira de 2008, que resultou em um colapso nos mercados de emissão em todo mundo. A queda na demanda por combustíveis, junto com o sucesso de programas de baixo carbono, fez com que o volume de emissões europeias ficasse abaixo do esperado. Como o número de emissores em déficit ambiental se reduziu, o preço dos direitos de emissão despencou junto. Somente ao final de 2019 o preço das emissões se aproximou do teto histórico pré-2008 mas, como no caso da California, houve também queda acentuada de valor após a pandemia, mas com recuperação após o seu relativo controle.

Preço dos direitos de emissão de carbono na União Europeia (EUA), 2008-2020

Fonte: EMBER.

Aliás, por causa desse colapso nos mercados de créditos de carbono, não faz sentido a crítica de que projetos de conservação florestal como REDD ou REDD+ teriam “enriquecido os investidores” enquanto “desapropriavam os povos da floresta”. Essa crítica não tem fundamento porque (i) não há “mercado milionário” de REDD, REDD+ e projetos de carbono florestal porque simplesmente não há demanda por isso (onde há alguma negociação, o volume é baixíssimo e os preços são muito inferiores aos praticados no ETS), e (ii) existem condições sociais bastante claras estabelecidas para a titulação de créditos de carbono, e um projeto que resulte em problemas sociais não seria elegível, e existem diversas auditorias e canais de reclamação para vigiar isso.

A análise das condições necessárias para o sucesso de mercados de direitos transacionáveis também explica o porquê da falta de vigor dos mercados de CRA no Brasil. Não há interesse por parte dos governos em penalizar proprietários rurais em déficit de Reserva Legal, conforme estabelecido pela legislação florestal. Por isso, não há porque se preocupar em buscar flexibilizar uma regra de legislação que nunca é exigida, rompendo com a Condição (2). A bagunça fundiária brasileira complica ainda mais a viabilidade do mercado de CRA porque ninguém vai buscar atender regras ambientais de Reserva Legal se os direitos de propriedade não estão bem estabelecidos (Condição 3).

Outro erro comum contra o uso de instrumentos de direitos transacionáveis é supor que direitos valem somente para a propriedade particular, resultando em crítica por uma suposta “privatização da natureza”. Isso também não é correto pois os direitos de propriedades podem ser também públicos ou comunais. O que importa é que o direito de propriedade seja bem estabelecido, não importando a natureza do proprietário. A falha está na tradição histórica de privatização das terras públicas através da concessão de direitos fundiários que, a pretexto de reforma agrária, acabam apenas estimulando a grilagem e agravando a concentração fundiária. Dessa forma, perdemos a possibilidade de conseguir recursos financeiros para a conservação dessas áreas, já que as administrações públicas não conseguem assegurar o controle do desmatamento.

O caso mais grave dessa perda de oportunidade é o das terras indígenas. Comunidades indígenas possuem alta capacidade de controle de desmatamento, maior até do que alguns órgãos ambientais. Por isso, poderiam estar recebendo recursos de REDD+, como mostra a experiência pioneira do Projeto Carbono Florestal Suruí. Mas projetos como esse acabam não tendo viabilidade por falta de segurança jurídica (por exemplo, terras ainda não demarcadas ou consolidadas) e falta de apoio institucional.

Voltando ao caso dos projetos climate smart da Califórnia, o problema está em imaginar ser possível financiar um projeto sustentável de longo prazo a partir de pagamentos gerados por infração ambiental. É algo semelhante ao uso da Compensação Ambiental estabelecida pelo Artigo 36 do SNUC, que financiam unidades de conservação a partir de fatos geradores que causam dano ambiental. No curto prazo, é correto que isso sirva de base de financiamento de projetos de desenvolvimento sustentável. No longo prazo, contudo, o ideal é que essas infrações diminuam e, portanto, o valor arrecadado por elas. Por isso, esses projetos devem buscar a viabilidade financeira de longo prazo sem a necessidade de recursos oriundos de ações predatórias (emissões de carbono, problemas no licenciamento), que devem ser encarados como recursos que irão se esgotar com o tempo.

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Meio Ambiente: O ar que você respira pode agravar a pandemia

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O Brasil, até 3 de junho de 2020, havia atingido mais de 580 mil casos e 32 mil óbitos confirmados por Covid-19. O país já é o 2º com maior número de casos, após os EUA; o 4º com maior mortalidade, e o 10º em número de mortes por 100 mil habitantes.

Pesquisas recentes apontam que a poluição do ar pode levar ao aumento de número de novos casos e mortes por Covid-19, revelando ainda mais a estreita relação da saúde com os impactos da ação humana no meio ambiente. O Brasil, até 3 de junho de 2020, havia atingido mais de 580 mil casos e 32 mil óbitos confirmados por Covid-19. O país já é o 2º com maior número de casos, após os EUA; o 4º com maior mortalidade, e o 10º em número de mortes por 100 mil habitantes.

Como agravante deste cenário, pesquisadores da Universidade de São Paulo averiguaram o aumento de 30% (6.061) do número de mortes nas cinco cidades brasileiras mais acometidas pelo coronavírus em relação aos anos anteriores e revelaram ainda que, deste total, mais de 60% delas não se devem aos casos de Covid-19 e sim por outras causas. Trata-se do número mais relevante para entender o impacto real da pandemia na sociedade por dois motivos: a subestimação nos números oficiais de óbitos por Covid-19, principalmente devido à falta de testes diagnósticos e; a ampliação de mortes por outras causas como reflexo da sobrecarga no sistema de saúde.

Enquanto a Universidade Imperial College, da Inglaterra, mostrava que o Brasil possui o maior índice de transmissibilidade do vírus entre 48 países, estimativas de uma pesquisa liderada pelo “Grupo Covid-19 Brasil”, formado por cientistas de mais de 10 universidades brasileiras, apontam que o número de casos da doença é 14 vezes maior que os registros oficiais – mais de 1,6 milhão – ultrapassando os Estados Unidos, – dados que colocam o Brasil como o atual epicentro global da pandemia.

Ao encontro desse contexto o que se vê é uma situação caótica em muitas cidades do país no qual pelo menos 8 unidades federativas, como tentativa de conter o avanço da epidemia e controlar o colapso nos hospitais – decretarem o lockdown. São elas: Rio de Janeiro, Paraná, Roraima, Pernambuco, Pará, Tocantins, Amapá e Roraima. O Estado e o município de São Paulo decretaram 3 dias de feriados antecipados pelo mesmo motivo. A cidade de São Paulo alcançou mais de 90% de ocupação dos leitos de Unidades de Terapia Intensiva.

O novo coronavírus evidencia como as precárias condições de saneamento, moradia, renda e o acesso a serviços públicos de boa parte dos brasileiros colocam as populações mais vulneráveis em maior risco. Ademais, também reflete as situações de eventos extremos que a humanidade passa a enfrentar de forma mais frequente, como já vinha sendo pontuado no debate sobre o aquecimento global. Tais observações aceleraram as frentes de pesquisas que associam as mudanças ambientais e a Covid-19, como as que agora revelam que a poluição atmosférica pode ser um agravante na pandemia.

Como isso pode ocorrer? Pela demonstração das correlações entre a poluição do ar e o aumento dos números de novos casos de Covid-19 e de mortes pela doença, influenciando em sua pior incidência e letalidade. Recentes evidências foram publicadas em estudos científicos, tais quais:

Efeitos da exposição a curto prazo (2 semanas) da população à poluição do ar e o aumento do número de casos da Covid-19.Poluição,Meio Ambiente,Blog do Mesquita 01

Zhu e outros pesquisadores estudaram a correlação entre o aumento de cinco poluentes no ar (material particulado MP2.5 e MP10, dióxido de enxofre SO2, monóxido de carbono CO, dióxido de nitrogênio NO2 e ozônio O3) e o número de novos casos da doença pelo coronavírus em 20 cidades na China. A observação da concentração dos poluentes ocorreu nas duas semanas anteriores à contabilização dos novos casos. Ou seja, analisaram o aumento de casos novos após a exposição da população aos poluentes por duas semanas, considerada uma exposição de curto prazo.

Os resultados mostraram que o aumento da concentração PM2.5 e PM10, aumentou, respectivamente em 2,2% e 1,8% o número de novos casos diários de Covid-19. No entanto o maior impacto foi observado para NO2 e O3, que aumentaram o surgimento de novos casos diários em, respectivamente, 6,9% e 4,7%.

Han e outros pesquisadores também demonstraram os efeitos benéficos da redução das concentrações de poluição do ar (MP2.5 e MP10, SO2, CO, NO2 e O3) experimentados durante as medidas de isolamento domiciliar na redução do número de casos confirmados de Covid-19, em Wuhan e outras 30 províncias da China. O que quer dizer que a redução de poluentes, por si só, independente do fator isolamento (redução do tráfego de veículos), levou à uma diminuição do surgimento de casos novos de Covid-19.

Embora não tenha sido abordado especificamente os impactos na saúde da população, estudos recentes mostraram que a redução compulsória da atividade econômica e da circulação de veículos nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Barcelona revelaram decréscimo da concentração de poluentes. Em São Paulo foram observadas as diminuições de NO (até -77,3%), NO2 (até -54,3%) e CO (até -64,8%) na área urbana. Por outro lado, houve um aumento de aproximadamente 30% nas concentrações de ozônio.

Efeitos da exposição a longo prazo (10 ou mais anos) da população à poluição do ar e o agravamento da Covid-19.

Ao avaliarem a poluição do ar nos últimos 15 anos, em 3.000 cidades americanas, pesquisadores de Harvard concluíram em seu estudo que uma pequena diferença na exposição de populações a longo prazo à poluentes – concentração anual de 1 μg/m3 maior do MP2.5 que outras cidades – acarretará 15% de aumento na taxa de mortalidade por Covid-19. Isso significa uma magnitude 20 vezes maior que o observado para todas as demais causas de mortalidade. Concluem ressaltando a importância de continuar a aplicar os regulamentos de poluição do ar existentes (a agência americana ambiental afrouxou a fiscalização das medidas de licenciamento durante a pandemia) para proteger a saúde humana durante e após a crise da Covid-19.

Yaron Ogen, um pesquisador alemão, revelou que 78% de mortes por Covid-19 analisadas em seu estudo (4.443 óbitos em 66 regiões administrativas da Itália, Espanha, França e Alemanha) ocorreu no norte da Itália e no centro da Espanha. Regiões onde se mostraram as maiores concentrações de NO2 combinadas com uma dispersão ineficiente da poluição do ar.

Nossa falta de ar não é apenas o coronavírus

O fenômeno da pandemia colocou em evidência, ainda mais, a tortuosa relação da sociedade com o meio ambiente, em especial no contexto econômico contemporâneo, e como estes desequilíbrios passam a trazer riscos para a existência humana. Um alerta que já vinha sendo feito pela Organização Mundial de Saúde ganha destaque neste cenário: 7 milhões de pessoas morrem anualmente por problemas decorrentes da má qualidade do ar e a emissão de gases de efeito estufa está colocando em risco a existência na Terra de forma irreversível.

Organizações da sociedade civil reunidas na Coalizão Respirar, grupo que atua em defesa da qualidade do ar no Brasil, redigiram um manifesto intitulado Queremos respirar no “novo agora”, chamando atenção para pontos como a necessidade urgente de diminuição das queimadas, a mudança na matriz energética dos transportes e a demanda por atualização nas leis – O Brasil até hoje ainda não aprovou um Plano Nacional de Qualidade do Ar.

Agora, além da ausência de infraestrutura e acesso à serviços públicos, evidências científicas apontam que a poluição do ar se revela como um potencial coeficiente para o agravamento da doença – sendo fundamental a descoberta ou elucidação de novos agravantes da infecção por Covid-19, de modo a serem combatidos. A poluição do ar – um agente ambiental essencialmente decorrente da atividade humana e cujas causas podem ser alvo da ação do Estado por meio de políticas públicas emergenciais – revela-se um fator que demanda muito mais atenção da sociedade brasileira do que se deu até o presente momento.

Evangelina Vormittag é diretora do Instituto Saúde e Sustentabilidade, médica, especialista em microbiologia e doutora em Patologia pela Faculdade de Medicina da USP. Camila Acosta Camargo é responsável pela comunicação do Instituto Saúde e Sustentabilidade, Relações Públicas, professora, mestre e doutoranda em Ciências da Comunicação na USP. Hélio Wicher Neto é responsável pelo advocacy do Instituto Saúde e Sustentabilidade, advogado e cientista social, especialista em Direito Urbanístico, Fundiário e Ambiental e mestre em Planejamento e Gestão do Território.

Lixo humano é irreversível. Máscaras e luvas em todo lugar

No começo da pandemia todo mundo achava que a Mãe Natureza tinha vindo dar o recado e que seus filhos teriam aprendido: é preciso preservar nossa casa, cuidar do bem comum para que todos se beneficiem de um planeta habitável e saudável, hoje e futuramente.

Ledo engano!

O lixo humano é irremediável, inexorável e imutável. Nada adianta, nem guerras nem pandemias, nada é capaz de fazer com que o Deus Dinheiro tenha menos devotos fieis:

quebrou, compra outro
usou, joga fora
não serve, se livra

E vamos nos enchendo de lixo que não tem onde jogar fora, porque o fora não existe.

Agora, máscaras e luvas são os novos cigarros que se juntam às velhas bitucas e vamos que vamos, poluindo hoje e sempre, sem que nenhuma lição tenha sido aprendida .

Que triste não é mesmo? A reclamação vem do mundo inteiro. “Esta quarentena forçada deve nos fazer refletir sobre as nossas ações, luvas e máscaras por todo o lugar. Você não pode ser assim egoísta”. Faça você mesmo sua máscara de pano contra o coronavírus, laváveis e reutlizáveis. Se tiver que usar máscaras e luvas descartáveis, descarte-as no lugar correto e em segurança para evitar a disseminação do vírus.

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Se as coisas continuarem como estão, talvez mereceremos sim a extinção. Somos vergonhosamente a pior espécie da Terra.

Plástico vegetal: O fim do lixo

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A Avantium, empresa holandesa de bioquímicos, lançou um projeto pioneiro para fabricar plásticos feitos de açúcares vegetais, ao invés dos combustíveis fósseis utilizados na fabricação dos plásticos poluentes. Isso significa que, muito em breve, cervejas e refrigerantes poderão ser consumidos em garrafas “all plant”.

De acordo com informações do The Guardian, cerca de 300 milhões de toneladas de plástico são fabricadas todos os anos e a maior parte não é reciclada. Isso faz com que elas virem microplásticos e tenham o oceano como destino final, ou pior, retornam para a cadeia quando são ingeridos pelos animais marinhos e, consequentemente, por nós.

Felizmente, muitos planos surgem com a intenção de substituir esse material por alternativas que não degradam o meio ambiente. Um desses projetos é o da empresa de produtos químicos renováveis, Avantium. Em parceria com a fabricante de cervejas Carlsberg, elas pretendem vender bebidas em garrafas de papelão forradas com uma camada interna de plástico vegetal.

Esse projeto conta também com o apoio de grandes empresas como a Coca-cola e a Danone, pois elas estão no ranking das empresas que possuem embalagens mais poluentes, até então. “Este plástico tem credenciais de sustentabilidade muito atraentes porque não usa combustíveis fósseis e pode ser reciclado, mas também se degrada na natureza muito mais rapidamente do que os plásticos normais”, garantiu Tom van Aken, executivo-chefe da empresa Avantium.Ecologia,Plásticos,Meio Ambiente,Ambiente,Natureza,Poluição,Crimes Ambientais,Fauna & Flora,Blog do Mesquita,Brasil

Segundo informações da empresa bioquímica, o plástico vegetal é resistente o bastante para armazenar bebidas carbonatadas, e pode se decompor em um ano usando um compostor.

Em condições externas normais, o plástico vegetal se decompõe em alguns anos, mas a ideia é que ele possa ser reciclado. A mesma tecnologia também pode produzir embalagens para alimentos, tecidos e filmes. O objetivo da Avantium é produzir cerca de 5.000 toneladas de plástico vegetal por ano.

Os microorganismos podem resolver nosso problema de resíduos de plástico?

A reciclagem de plásticos e outros materiais sintéticos costuma ser cara e nem sempre é possível.

Agora, os pesquisadores descobriram uma enzima que decompõe o PET em apenas algumas horas e permite que novas garrafas de plástico sejam produzidas com lucro.

Pesquisadores da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, examinaram cerca de 100.000 microorganismos diferentes e finalmente encontraram o que procuravam em uma pilha de folhas. A enzima bacteriana mutada, agora presente na revista “Nature”, decompõe o tereftalato de polietileno (PET)  Em suas partes constituintes em um curto espaço de tempo: em apenas 10 horas, a enzima mutada decompôs 1 tonelada (1,1 tonelada de US) de velhas garrafas plásticas em 90% de seus componentes.

Solução para o problema global de resíduos?

Há muita esperança de que os microrganismos sejam capazes de resolver nosso problema de plástico em um futuro próximo. Afinal, a reciclagem eficaz de plásticos ainda é apenas um mito. Em todo o mundo, são produzidas anualmente cerca de 359 milhões de toneladas de plásticos, das quais cerca de 150 a 200 milhões de toneladas acabam em aterros sanitários ou no meio ambiente.Afinal, a reciclagem eficaz de plásticos ainda é apenas um mito.

O tereftalato de polietileno (PET) é o plástico de poliéster mais difundido, com quase 70 milhões de toneladas usadas a cada ano. Na sua forma mais pura, o PET é usado na indústria de alimentos, por exemplo, na produção de garrafas, filmes e embalagens de alimentos. O poliéster resistente a rasgões, intempéries e sem rugas também é usado para fabricar fibras têxteis.

No entanto, o PET não pode realmente ser reciclado, apenas reduzido. Durante esse processo termomecânico, o material perde muitas de suas propriedades e pode ser usado apenas para produtos inferiores, como tecidos de lã ou tapetes.

Resultados da pesquisa japonesa

Pesquisadores japoneses do Instituto de Tecnologia de Kyoto descobriram em 2016 que certas enzimas podem quebrar os plásticos. Ao examinar as águas residuais, sedimentos e lodo ativo em uma planta de reciclagem de garrafas PET, eles encontraram a bactéria Ideonella sakaisensis 201-F6. Duas enzimas anteriormente desconhecidas da bactéria são responsáveis ​​pelo processo de decomposição natural. A enzima ISF6_4831 converte PET em um produto intermediário, e a outra enzima, ISF6_0224, converte ainda mais esse produto intermediário para que, no final, restem apenas ácido tereftálico e glicol inofensivos.

No entanto, como esse processo de decomposição natural leva mais de um ano, cientistas da Universidade de Portsmouth e do Laboratório de Energia Renovável do Departamento de Energia dos EUA continuaram suas pesquisas e, acidentalmente, criaram a nova enzima mencionada acima, que decompõe o PET muito mais rapidamente. Os resultados foram publicados pela primeira vez em 2018 na revista “Proceedings of the American Academy of Sciences” (PNAS).

Há muito se sabe que certos fungos podem decompor não apenas o PET, mas também o alsopoliuretano. Milhões de toneladas desse plástico também são produzidas anualmente, principalmente como espuma macia usada para itens como isolamento de espuma, esponjas de cozinha e fraldas, ou como espuma rígida em calçados esportivos, por exemplo. Geralmente, o poliuretano é descartado em aterros, porque o material é muito resistente para ser reciclado.

Quando o poliuretano se degrada, podem ser liberados produtos químicos tóxicos e cancerígenos que matariam a maioria das bactérias. No entanto, a bactéria encontrada em um aterro sanitário e apresentada ao público em março pelo Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental (UFZ) em Leipzig não é afetada.Geralmente, o poliuretano é descartado em aterros, porque o material é muito resistente para ser reciclado.

Provém da cepa das bactérias Pseudomonas, que são capazes de sobreviver mesmo sob condições adversas, como altas temperaturas e ambientes ácidos.

Embora seja muito mais fácil usar bactérias do que fungos para aplicações industriais, Hermann Heipieper, da equipe de pesquisa Helmholtz, estima que ainda levaria 10 anos para que a bactéria pudesse ser empregada em larga escala. Enquanto isso, é importante diminuir o uso de plásticos difíceis de reciclar e reduzir a quantidade de plásticos no ambiente, diz Heipieper.

Perspectivas lucrativas

A enzima recentemente apresentada pode ser de grande benefício não apenas para o meio ambiente, mas também para a empresa francesa Carbios, que trabalha intensamente há anos na decomposição em larga escala de PET usando enzimas e que também financiou esse desenvolvimento.

Em cinco anos, a Carbios pretende trazer o novo processo de reciclagem para o mercado em escala industrial. Isso pode valer a pena porque o custo da enzima é de apenas 4% do custo do petróleo necessário para produzir uma quantidade comparável de novas garrafas de plástico.

Embora as garrafas de PET ainda precisem ser trituradas e aquecidas, o novo processo é lucrativo, disse Martin Stephan, vice-diretor da Carbios. Para garantir que o desenvolvimento de enzimas possa ganhar rapidamente impulso, a Carbios recebe forte apoio financeiro de grandes empresas como Pepsi e L’Oreal.

‘Híbridos horríveis’: os produtos plásticos que dão pesadelos aos recicladores

De cartões de aniversário a bolsas de comida para bebê, uma tendência crescente de misturar materiais está tornando a reciclagem ainda mais difícil.

Estudos têm demonstrado que a proliferação de plásticos descartáveis ​​está acelerando as mudanças climáticas. Ilustração: Cat Finnie / The Guardian

A voz alegre e cantante dentro do seu cartão musical de “feliz aniversário” é suficiente para causar horror no coração do reciclador local.

Os cartões musicais, que tocam uma gravação quando abertos, parecem papelão comum, facilitando o lançamento acidental da lixeira. Mas especialistas dizem que o interior está repleto de eletrônicos baratos e baterias tóxicas – tornando-os um pesadelo para se desfazer.

Esses cartões são apenas um exemplo do que os recicladores dizem ser uma tendência crescente na mistura de diferentes materiais para criar novos tipos de produtos e embalagens, o que dificulta muito o trabalho de recuperação de produtos reutilizáveis.

“Eu os chamo de ‘híbridos horríveis'”, disse Heidi Sanborn, que chefia o Conselho Nacional de Ação de Administração, uma rede de grupos que busca fazer com que os fabricantes assumam a responsabilidade pelo descarte adequado dos produtos que vendem. “Eles são feitos de vários materiais ou materiais impossíveis de reciclar. É um monte de coisas. ”

Os plásticos descartáveis ​​de uso único tornaram-se um ponto de exclamação ambiental internacional, pois apareceram nas barrigas de pássaros e peixes, inundaram praias intocadas em países remotos com lixo e até foram detectados em quantidades microscópicas na água da chuva. Os produtos plásticos projetados para serem usados ​​por alguns minutos podem levar décadas ou mais para se decompor.Meio Ambiente,Oceanos,Plásticos,Poluição,Blog do Mesquita

Estudos também mostraram que a proliferação de plásticos descartáveis ​​está acelerando as mudanças climáticas através das emissões de gases de efeito estufa em todas as etapas do seu ciclo de vida. Enquanto grupos ambientais que lutam para reduzir o uso de plásticos descartáveis ​​ganharam visibilidade nos últimos anos, a indústria de petróleo está investindo pesadamente em uma enorme onda de produção de plástico – que a indústria espera crescer 40% até 2030. O aumento de plásticos a produção deve ser alimentada pelo gás de xisto ultra-barato que flui do boom de fracking dos EUA. A indústria petroquímica já investiu US $ 200 bilhões na construção de novas usinas de craqueamento que separam etano do gás para produzir o eteno necessário para a fabricação de plásticos. Outros US $ 100 bilhões em investimentos estão planejados.

A indústria costuma apontar a reciclagem como a solução para todos os novos plásticos. No entanto, apenas uma fração dos produtos plásticos acaba sendo reciclada, um problema que foi exacerbado quando a China fechou suas portas em 2018 para o dilúvio de plásticos de outros países que anteriormente reciclava.

Os municípios e recicladores dos EUA estão se esforçando para aumentar a quantidade de reciclagem que podem fazer no mercado interno. Mas essas novas formulações de embalagens híbridas – itens que misturam materiais como papel alumínio, papel e, às vezes, vários tipos de plásticos – impedem as soluções de reciclagem e, na maioria das vezes, acabam no lixo.

Exemplos incluem sapatos e roupas embutidos com eletrônicos; as bolsas de plástico flexível cada vez mais populares usadas para embalar coisas como vagens de detergente, arroz e comida para bebê; e garrafas e latas recicláveis firmemente embrulhadas em etiquetas de plástico extras.

Cartões de canto e outros produtos com pequenos componentes eletrônicos dentro deles são especialmente irritantes para os recicladores. Eles não apenas incluem lixo eletrônico tóxico, mas quando as pequenas baterias são esmagadas nas máquinas dentro das usinas de reciclagem, é sabido que elas causam incêndios.

“Um dos maiores problemas para os recicladores atualmente são todos os produtos que contêm baterias de íon de lítio, como cartões de canto, balões e outros produtos inovadores”, disse Kate Bailey, diretora de pesquisa da Eco-Cycle, em Boulder, Colorado, reciclador. “Essas baterias podem acender facilmente quando são apanhadas no equipamento de processamento ou atropeladas por uma carregadora frontal, e essas faíscas podem levar a incêndios desastrosos no centro de reciclagem”.

Os recicladores estão pedindo aos fabricantes que simplifiquem os produtos que fabricam para facilitar a reciclagem. Mas eles dizem que os consumidores também podem ajudar procurando produtos mais recicláveis – e depois votando com seus dólares.

Bolsas de plástico

Outra ameaça crescente para os recicladores são as bolsas de plástico cada vez mais usadas para armazenar tudo, desde vagens de detergente para roupas a cereais e sucos. Esta embalagem flexível é feita com muitas camadas finas de diferentes tipos e cores de plástico e, às vezes, é revestida com papel alumínio e cera.

Fabricantes e produtores de plásticos divulgam essas bolsas para diminuir o tamanho das embalagens, reduzir os custos de remessa e aumentar a vida útil dos alimentos. “Algumas camadas finas e cuidadosamente escolhidas significam mais valor, menos espaço ocupado”, diz um vídeo do grupo de lobby de produtores de plástico, o American Chemistry Council, que promove essas bolsas.

Mas os recicladores dizem que são praticamente impossíveis de reciclar. E eles tendem a acabar no oceano e levar décadas para se biodegradar. Ao escolher o detergente para a roupa, eles dizem, os consumidores podem procurar produtos em caixas sem revestimento ou tentar novas formulações, como tiras de detergente concentradas, que não exigem embalagem plástica.

Etiquetas plásticas

Outro problemão para recicladores é o uso crescente de embalagens não recicláveis ​​em torno de garrafas e latas perfeitamente recicláveis. Por exemplo, a maioria dos produtos de limpeza com spray vem em garrafas de polietileno de alta densidade, que podem ser prontamente recicladas. Mas primeiro os consumidores devem remover as borrifadoras, pois elas são feitas de plásticos diferentes e não são recicláveis. Em seguida, os consumidores precisam encontrar uma maneira de extrair as embalagens plásticas coloridas impressas que os embaladores estão cada vez mais enrolando em garrafas para tornar a etiqueta mais atraente.

“Quem faz tudo isso? Ninguém – disse Sanborn. “Tornamos a reciclagem muito complicada. Quem tem tempo para ler um manual de tudo o que se livrar?

Em vez disso, os consumidores podem procurar garrafas de cores claras ou brancas com a etiqueta impressa na própria garrafa. É ainda melhor se eles escolherem marcas comprometidas com o uso de plástico reciclado para fabricar essas garrafas, como os produtos de limpeza Method. Outra ótima opção é que os clientes misturem seus próprios produtos de limpeza e reutilizem as garrafas de plástico.

Rio de Janeiro e o descarte ecológico do lixo

A gestão transformadora do lixo poderia ter um papel importante no cumprimento da meta de zero-zero de carbono no Rio de Janeiro?

A cidade está explorando uma nova maneira de processar o desperdício de alimentos, com um projeto que é o primeiro de seu tipo na América Latina.

Nos arredores do norte do Rio de Janeiro, longe das vastas extensões de areia branca da icônica praia de Copacabana, mangas machucadas e douradas, pimentões vermelhos murchos e um conjunto de vegetais de mandioca são misturados com lascas de madeira.

Estes podem não parecer ingredientes especiais, mas um projeto experimental na megacidade brasileira está explorando se a queima desse lixo poderia ser parte de uma receita para atingir sua meta de zero-rede de carbono até 2050.

“Caso contrário, todo esse alimento seria jogado fora”, diz Bernardo Ornelas Ferreira, pesquisador do Ecoparque do Caju, que abriga a primeira unidade de “biometanização” da América Latina.

Um forte aroma ácido preenche o ar do armazém no calor do meio-dia, enquanto Ferreira acena uma empilhadeira. “Esse potencial é muito perdido. Precisamos fazer isso em todo o país”, acrescenta.Bernardo Ornelas Ferreira, pesquisador do Ecoparque do Caju

O Brasil é um dos 10 maiores produtores de resíduos alimentares do mundo, descartando cerca de 30% de todas as frutas e legumes colhidos. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, cerca de 40.000 toneladas de alimentos são jogadas fora todos os dias no país, onde se decompõe em aterros, liberando quantidades significativas de metano.

No entanto, o Rio de Janeiro, uma cidade de cerca de 6,7 milhões, também é uma das mais de 70 cidades do mundo que se comprometeram a se tornar “neutras em carbono” até 2050. As cidades respondem por cerca de 75% das emissões de CO2, de acordo com as Nações Unidas, e mais de dois terços da energia que consumimos.

Gerando energia a partir de resíduos orgânicos

O projeto piloto do Ecoparque, lançado em dezembro de 2018 pelo departamento municipal de resíduos do Rio, Comlurb, transforma matéria orgânica – quase inteiramente resíduos de alimentos – em biogás, usando um processo que gera eletricidade, biocombustíveis e composto para ser usado como fertilizante na agricultura e silvicultura, e produz emissões mínimas.

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Processando entre 35 e 50 toneladas de resíduos por dia, a planta cria energia suficiente para abastecer a si mesma, a maior instalação de resíduos no local e a frota da empresa de 19 veículos elétricos. Isso equivale a mais de 1.000 residências com base no consumo médio no Brasil, Ferreira diz.

A fábrica recebe resíduos orgânicos de supermercados e barracas de frutas e vegetais do centro da cidade, mas também lidou com o lixo doméstico e até descartou hambúrgueres e batatas fritas do festival Rock in Rio de outubro.

Um gasoduto que transporta gás para ser transformado em eletricidade

O Brasil é um dos 10 maiores produtores de resíduos alimentares do mundo

Sete reatores no Ecoparque, todos do tamanho aproximado de contêineres, são usados ​​para processar os resíduos. Em um processo escalonado, cada um recebe resíduos orgânicos e é selado por duas a três semanas, com bactérias introduzidas para decompor a matéria e produzir metano. O gás é então armazenado em um grande recipiente acima da instalação e posteriormente convertido em eletricidade.

“A idéia do Ecoparque é ter um local para experimentação de novas tecnologias que possam, no futuro – e se demonstrarem sua viabilidade econômica, financeira e ambiental – ser adotada pela Comlurb, fazendo com que cada vez menos resíduos sejam descartados. em aterros “, disse José Henrique Monteiro Penido, chefe de sustentabilidade ambiental da Comlurb. “O modelo pode ser replicado nas cidades e ter um impacto positivo para todo o país”.

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Segundo a Comlurb, esse é o “primeiro passo” para lidar com as 5.000 toneladas de resíduos orgânicos que o Rio de Janeiro produz diariamente. Com um empréstimo não reembolsável do Fundo Brasileiro de Desenvolvimento de Tecnologia e desenvolvido em colaboração com a Universidade Federal de Minas Gerais, o plano é expandir esse modelo em outras cidades do Brasil e da América Latina.

Equipamento que mede a qualidade do gás produzido

“No geral, é um sinal realmente positivo e não duvido que seja escalável”, diz Richard Lowes, pesquisador de política energética da Universidade de Exeter. “Parece ser um processo eficiente, com controles muito medidos sobre a produção. Quando o desperdício de alimentos vai para o aterro, ele pode produzir metano, um poderoso gás de efeito estufa – mas com esse processo você obtém a energia e não produz as emissões”. ”

Atingindo as metas climáticas

O processo de biometanização sozinho, no entanto, não será suficiente para reduzir significativamente a pegada ambiental do Brasil, Lowes diz: “Seria melhor se esse resíduo simplesmente não fosse produzido em primeiro lugar. Se não houvesse desperdício, não haveria desperdício. uma necessidade de processar qualquer coisa. Tendemos a ser muito desperdiçadores como sociedade e precisamos nos concentrar em reduzi-la “.

Ainda assim, o município acredita que poderia ajudar a atingir sua meta de reduzir as emissões de mudanças climáticas em 20% entre 2005 e 2020, como parte da iniciativa C40 Cities, uma rede de cidades que promove ações climáticas. Sob o Programa de Desenvolvimento da Cidade de Baixo Carbono do Rio de Janeiro, a cidade lançou nos últimos anos um projeto de reflorestamento urbano para plantar 12 milhões de árvores e um esquema municipal de compartilhamento de bicicletas, o Bike Rio, enquanto amplia a rede de caminhos da cidade.

O projeto marca um raro vislumbre de positividade para o país em meio ao desmatamento na década passada, na Amazônia, e críticas à falta de compromisso do Brasil com as principais metas climáticas da COP25, a recente conferência em Madri.

Nas instalações de Ecoparque, a equipe está constantemente tentando melhorar os níveis de eficiência, empregando eletrônicos, sensores e medidores que ajudam a controlar e otimizar a produção de biogás em sua busca por produzir energia sustentável. A esperança é que uma instalação como essa seja construída para cada 50.000 pessoas no país.

“Existem dois caminhos a seguir”, diz o pesquisador Ferreira. “Podemos prosseguir com o sistema atual de grandes instalações de resíduos que requerem quantidades significativas de transporte, ou podemos descentralizar o processo e construir um em cada cidade do Brasil”.

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Lixões e seus principais impactos

Impactos causados pelos lixões vão da contaminação ambiental até danos à saúde pública

O lixão é uma forma inadequada de disposição final de rejeitos, que se caracteriza pelo simples descarte de lixo sobre o solo, sem medidas de proteção ao meio ambiente ou à saúde pública, segundo a definição do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Como os lixões são locais de descarte ilegal, não existe nenhum controle quanto ao local de disposição ou aos tipos de resíduos depositados. Resíduos domiciliares e comerciais de baixa periculosidade podem acabar sendo depositados junto com resíduos de alto poder poluidor, como os industriais e hospitalares.
Além disso, esses depósitos irregulares são utilizados pela população carente como uma forma de obter renda, por meio da coleta de materiais. Os catadores que trabalham em lixões ficam expostos a diversos riscos. Os lixões, portanto, causam problemas ambientais, de saúde pública e sociais.

Resíduos ou rejeitos?

Resíduo é tudo aquilo que pode ser reutilizado ou reciclado. Para isso, é preciso que os componentes de determinado produto sejam separados de acordo com sua composição. Já o rejeito é um tipo específico de resíduo sólido, aquele para o qual ainda não existe nenhuma possibilidade de reaproveitamento ou reciclagem. Nesses casos, a solução ambientalmente correta é encaminhar o rejeito para um aterro sanitário licenciado.

É importante ressaltar que muitos resíduos podem e deveriam ter destinações melhores que lixões e aterros sanitários – como a coleta seletiva ou a compostagem.

Fim dos lixões

O descarte adequado dos rejeitos é atualmente um dos principais desafios enfrentados pelos municípios. Com o objetivo de decretar a disposição ambientalmente correta para eles, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) determina ações como a extinção dos lixões e a substituição por aterros sanitários. Porém, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o Brasil ainda possui cerca de três mil lixões. A falta de recursos financeiros por parte dos municípios tem impedido avanços mais acelerados nessa área.

Inicialmente, a legislação determinava que todos os lixões deveriam ser fechados até o dia 2 de agosto de 2014. As dificuldades de implementação de aterros sanitários, junto com pressões políticas, fizeram com que o prazo fosse prorrogado, segundo as características dos municípios.. As capitais e municípios de suas regiões metropolitanas tiveram até o dia 31 de julho de 2018 para acabar com os lixões. Os municípios de fronteira e os que contam com mais de 100 mil habitantes, segundo o Censo de 2010, tiveram um ano a mais que as capitais para implementar os aterros sanitários. Pelas atuais previsões, cidades com 50 a 100 mil habitantes teriam até o dia 31 de julho de 2020. Já para os municípios com menos de 50 mil habitantes o prazo negociado foi 31 de julho de 2021.

Impactos dos lixões

Os lixões caracterizam-se pela simples deposição de rejeitos em uma área aberta. Ao serem depositados dessa forma, eles não são analisados previamente, o que torna impossível saber quais substâncias são lançadas no meio ambiente e o grau de poluição e contaminação que elas podem provocar. Além disso, alguns rejeitos podem atrair animais e vetores de doenças.

Um levantamento feito pelo Departamento de Economia do Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (Selurb) aponta que a queima irregular de rejeitos descartados em lixões libera cerca de seis milhões de toneladas de gases de efeito estufa ao ano. É a mesma quantidade emitida por três milhões de carros movidos a gasolina no mesmo período.

Principais impactos ambientais

Os principais impactos ambientais causados pelo descarte incorreto de rejeitos no lixões são:

  • Contaminação do solo pelo chorume, líquido escuro e nesse caso tóxico proveniente da decomposição da matéria orgânica;
  • Contaminação das águas subterrâneas com a penetração do chorume no solo;
  • Mau cheiro;
  • Aumento do número de doenças, já que os lixões atraem animais e vetores de doenças;
  • Emissão de gases do efeito estufa, responsáveis pela intensificação do aquecimento global;
  • Aumento do número de incêndios causados pelos gases que são gerados a partir da decomposição dos resíduos depositados nos lixões.

Vale ressaltar que o chorume produzido em aterros sanitários e lixões é diferente do liberado pela composteira doméstica, que não é tóxico e pode ser utilizado como fertilizante de solo e pesticida natural. Na composteira, o chorume resulta da decomposição de matéria orgânica pura, enquanto em aterros e lixões os vários tipos de descarte são decompostos juntos e liberam um chorume contaminado e cujo descarte exige atenção.

Principais impactos sociais

Além dos impactos ambientais, os lixões também provocam diversos problemas sociais. Esses locais são frequentemente visitados pela população carente para a catação de materiais recicláveis ou reutilizáveis que foram descartados incorretamente e podem ser vendidos.

Essas pessoas em geral não utilizam equipamentos de segurança ao manipular o lixo e ficam sujeitas a acidentes, como cortes com vidros quebrados ou lascas de madeira, e à contaminação por agentes encontrados nos lixos, como líquidos que vazam de pilhas, herbicidas e metais pesados. Os catadores também se expõem à ação de agentes causadores de doenças e são socialmente excluídos por conta de sua ocupação profissional, o que gera impactos psicológicos.Lixo,Plástico,Poluição,Blog do Mesquita

Soluções

Entre as medidas necessárias para mitigar os impactos provocados pela destinação incorreta de resíduos, segundo o Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (Selurb), destacam-se o fim dos lixões ainda existentes no Brasil e a construção de aterros sanitários capazes de realizar a gestão ambientalmente correta dos rejeitos.

Dados da entidade e da empresa de consultoria PwC apontam que mais da metade das cidades brasileiras ainda destinam incorretamente seus resíduos para lixões, quando poderiam ser reciclados ou reutilizados. Por isso, são necessárias medidas punitivas mais severas para o avanço da Política Nacional dos Resíduos Sólidos e o fim definitivo dos lixões.

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Caribe: uma paraíso… de plástico!

Um paraíso, um lugar dos sonhos que sempre foi considerado o símbolo da beleza natural.

Mas o Caribe está escondendo uma sua outra face. Um verdadeiro mar de lixo envolvendo suas ilhas, mostrado pelas fotos tiradas da Reserva Marinha dos Cayos Cochinos pela fotógrafa Caroline Power.

Cayos Cochinos é um grupo de ilhas formado por duas pequenas ilhas e 13 cayos (ilhas rasas, pequenas, arenosas, formadas na superfície por um arrecife de coral).

Localizada a cerca de 30 km a nordeste de La Ceiba, na costa norte de Honduras, estas ilhas fazem parte de uma reserva marinha protegida. O recife de coral do qual fazem parte é o segundo maior do mundo e é conhecido como a Barreira de Coral Mesoamericana.

Caroline, especialista em fotografia subaquática, dedica sua carreira a destacar os danos que o lixo plástico vem causando aos nossos oceanos e águas. Assim, recentemente, ela imortalizou uma cena de horror que se encontra ao largo da costa de Honduras, entre as ilhas Roatan e Cayos Cochinos.

O barco em que ela estava passou por uma extensão de lixo, principalmente feito de plástico.

“Ver algo que eu amo assim tão profundamente, danificado, lentamente sufocado até a morte por causa do lixo humano, tem sido devastador”, disse a fotógrafa ao Telegraph. “Uma vez que o lixo acaba no oceano, é incrivelmente difícil e caro removê-lo”.

A solução seria evitar isso, melhorando a gestão dos resíduos, a educação ambiental e a abertura de fábricas de reciclagem no mundo inteiro.

As imagens abaixo mostram o que você pode encontrar visitando um dos locais de mergulho mais lindos do Caribe. A fotógrafa atravessou uma lixeira marinha de cerca de 10 km de largura:

“Em todo lugar que olhamos, havia sacolas de plástico de todas as formas e tamanhos e outras embalagens. Algumas estavam cheias e outras rasgadas. Infelizmente, muitas tartarugas, peixes, baleias e aves marinhas não sabem que é lixo e as confundem por comida”.

Blue Planet Society, uma organização que pretende por fim à pesca e à super exploração dos oceanos, acredita que os resíduos vieram do rio Motágua na Guatemala, terminando no mar durante chuvas intensas.

A fotógrafa colocou suas fotos nas redes sociais para mostrar o que estamos fazendo com o nosso planeta.


“Se não mudarmos nosso comportamento agora, teremos mais plástico do que peixes no oceano”.

 

Óleo na Amazônia; Como limpar?

Galo Rodriguez usa seu facão para cavar um buraco perto do pequeno riacho em sua fazenda no nordeste do Equador, na beira da floresta amazônica. Enquanto ele escava, não há nada incomum para ser visto – mas quando ele atinge 32 cm abaixo da superfície, o solo libera um cheiro distinto e pungente de gasolina.

Mais da metade de seus 35 hectares de terra é floresta primária, enquanto o restante é cana de açúcar ou pequenas árvores. Mas onde ele cava é desprovido de árvores ou plantações. É coberto apenas por grama. Esta área costumava ser sufocada em óleo depois que um oleoduto próximo vazava. O óleo encheu seu riacho, matou todos os peixes e contaminou a única fonte de água doce que ele usou para o gado.

O petróleo ficou aqui por 10 anos antes que a empresa responsável pelo oleoduto chegasse para limpá-lo, em 2016. Rodrigo diz que assistiu enquanto eles coletavam de 12 a 15.000 metros cúbicos de óleo em sua propriedade, mas eles não remediam o solo . Hoje, no riacho ao lado dele, ainda podem ser vistas na água faixas azuis e verdes de resíduo de óleo.

“Por 10 ou 11 anos, essa área não produziu nada. Nós a abandonamos ”, diz o fazendeiro. “Agora planejamos plantar goiabas e chaya.”

Rodriguez é um dos dezenas de agricultores no norte do Equador aprendendo a usar plantas para tentar eliminar a contaminação por óleo de sua terra. Esse processo, conhecido como biorremediação, usa organismos vivos como plantas, fungos e micróbios para decompor os poluentes, incluindo o petróleo bruto.

Existem várias maneiras de isso acontecer, mas a maior parte do trabalho duro para decompor o petróleo ocorre abaixo do solo, onde os microorganismos estão concentrados em torno das raízes das plantas e mineralizam, ou decompõem, os componentes brutos, facilitando a absorção das plantas. . Alguns contaminantes podem ser absorvidos diretamente pela planta e armazenados em seus rebentos e raízes, ou podem ser evaporados através das folhas.

O curso que Rodriguez participa é chamado de “Guardiões do Solo”, uma introdução à biorremediação baseada em permacultura para comunidades de baixa renda, fundada pela residente local e pesquisadora independente, Lexie Gropper.

O petróleo contaminou o solo na propriedade de Galo Rodriguez em Lago Agrio, Equador, por muitos anos (Crédito: Kimberley Brown)

Gropper realiza essas oficinas uma vez por mês, quando visita três comunidades nas províncias amazônicas de Sucumbíos e Orellana que foram algumas das mais afetadas por derramamentos de petróleo e despejo de petróleo ao longo dos anos. Essas comunidades são baseadas em Shushufindi, Sacha e Lago Agrio, onde ela vive há seis anos.

A floresta tropical do norte da Amazônia, no Equador, sofreu forte contaminação por petróleo desde que foram descobertos campos de petróleo ricos aqui na década de 1960. Uma fonte de contaminação foi a empresa de petróleo Texaco – mais tarde adquirida pela Chevron – que despejou bilhões de galões de resíduos de petróleo na floresta amazônica, a maioria dos quais entrou em poços ao ar livre e sem revestimento no solo. Em 1993, milhares de membros da comunidade entraram com uma ação contra a empresa, dizendo que ela não realizou nenhuma limpeza adequada e que suas instalações de perfuração continuaram contaminando a área e exigiram que pagassem pela reparação.

A empresa de petróleo admitiu liberar o lixo, mas disse que limpou sua parte da contaminação e foi legalmente liberada de todas as responsabilidades futuras. Mais recentemente, um tribunal de Haia julgou a favor da Chevron. Isso se transformou em uma das mais complexas e mais duradouras batalhas legais ambientais da história.

Poços e derramamentos de óleo sem vigilância contaminaram fontes de água doce e causam terríveis impactos na vida aquática local, nos ecossistemas e na saúde humana.
Ambientalistas se referiram à contaminação de petróleo na região como Chernobyl da Amazônia. Os moradores dizem que os dutos pertencentes a outras empresas continuam vazando e vazando pelo menos uma vez por semana. Alguns são esclarecidos rapidamente, mas outros são deixados por períodos prolongados. Esses poços e derramamentos de óleo sem vigilância contaminaram as fontes de água doce e têm um impacto terrível na vida aquática local, nos ecossistemas e na saúde humana, de acordo com os moradores e vários estudos na região.

Gropper, que vive no Lago Agrio há seis anos, iniciou seu curso piloto em janeiro para ajudar os agricultores locais e as comunidades indígenas a tomar pequenos passos para enfrentar esses contaminantes.

“Faz mais de 50 anos, e não há um dia em que esses buracos não estejam nos afetando”, diz Gropper, “o objetivo deste curso introdutório é reconhecer muitas coisas primeiro, reconhecer a necessidade disso. autonomia e reconhecer a necessidade dessa força e apoio comunitário, que já está acontecendo ”.

Elsa Maria Rios Jumbo cultiva uma série de culturas, incluindo goiabas, em sua área de um hectare fora do Lago Agrio (Crédito: Kimberley Brown)

O foco na permacultura em seu curso também foi deliberado, diz Gropper, que diz que é muito mais do que apenas se concentrar na diversidade da agricultura. Ela define permacultura como uma “mentalidade ou uma maneira de ver o mundo”, que se concentra em entender e se envolver com o ecossistema local e em trabalhar em comunidade.

Em um workshop em Lago Agrio, em fevereiro, o especialista em solo e consultor de horticultura de Chicago, Nance Klehm, conversou com um grupo de cerca de 50 membros da comunidade e mostrou-lhes como identificar e se envolver com diferentes tipos de solo. Ela pediu aos participantes que analisassem várias amostras de solo, de locais contaminados, plantações de café e banana, e descrevessem sua cor, cheiro, textura e qualquer tipo de associação emocional ou mental que eles trouxessem para eles.

O objetivo final é criar um ecossistema de plantas e culturas nativas que possam ser cultivadas de forma sustentável enquanto também limpam o óleo.

“Estou tentando convencer as pessoas a se envolverem com certas sutis complexidades da natureza”, diz Klehm, acrescentando que isso ajudará as pessoas a identificar como um contaminante se move pelo solo e com que rapidez. É a diferença entre a argila, que retém os contaminantes como uma piscina ou a areia, que permite que ela escorra e tudo mais.

Para Klehm e Gropper, os próximos passos na remediação envolverão testes de laboratório do nível de acidez (pH) no solo. Eles planejam desenvolver uma biblioteca de plantas locais que possam ser experimentadas no processo de biorremediação. O objetivo final é criar um ecossistema de plantas e culturas nativas que possam ser cultivadas de forma sustentável enquanto também limpam o óleo.

Mas a biorremediação não é algo que foi extensivamente testado ou documentado na região, principalmente usando plantas. Vários estudos identificaram micróbios, bactérias e fungos locais como remediadores eficazes em vários contextos. Isso incluiu bactérias nativas (incluindo espécies de Streptomyces e Bacillus) que foram eficazes na quebra de óleo de bancas de uma usina termelétrica na cidade de Cuenca, no sul. Outro estudo da floresta amazônica identificou um fungo nativo (Geomyces) que poderia ser usado para remediar o petróleo bruto, usando amostras de solo do campo de petróleo do Lago Agrio.

Laura Scalvenzi, biotecnóloga da Universidade Estadual da Amazônia do Equador, em Puyo, e coautora deste estudo, diz que é surpreendente que não haja mais pesquisas sobre biorremediação no Equador. “É um país produtor de petróleo”, diz ela. “Essa deve ser uma área da ciência muito mais desenvolvida.” A quantidade de contaminação de petróleo bruto na floresta tropical é esmagadora, acrescenta ela, o que torna os estudos aqui mais complexos, e faltam recursos do governo ou de empresas de petróleo para realizar esses estudos.

Scalvenzi trabalha com biorremediação no país há cinco anos, com foco em micróbios e fungos na Amazônia. Ela e seus colegas começam os testes localizando microorganismos no próprio solo contaminado e isolando-os. Se eles moram lá naturalmente, é mais provável que eles tenham o metabolismo que lhes permite degradar o óleo. Klehm e Gropper têm aplicado a mesma tática às plantas, dizendo que aquelas que continuam a crescer em torno dos poços de petróleo na floresta fornecem pistas importantes.

“Eles resistem [ao petróleo bruto] ou na verdade o usam como fonte de alimento. Portanto, se eles o usam como fonte de alimento, significa que estão decompondo-o em seus elementos básicos para absorvê-lo como nutrientes “, diz Gropper, o que significa que eles já estão fazendo o trabalho pesado.

Alguma poluição do petróleo é esclarecida rapidamente, como esta piscina no campo de Parahuaco em Succumbios, norte do Equador (Crédito: Donald Moncayo / UDAPT)

A biorremediação como método para quebrar a contaminação por óleo não é nova. Derramamentos de óleo geralmente não são notícia diária, mas ocorrem regularmente em todo o mundo. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) diz que houve 137 derramamentos de óleo no país em 2018, o que equivale a cerca de 11 por mês. O Conselho Nacional de Energia do Canadá diz que seus oleodutos derramaram em média 7.945 toneladas (1.084 barris) de petróleo por ano entre 2011 e 2014, enquanto a Agência Espacial Europeia estima que 4,5 milhões de toneladas de petróleo são derramadas no oceano todos os anos.

Biólogos e engenheiros ambientais trabalham há muito tempo em métodos alternativos de limpeza, como a biorremediação. Muito foi escrito sobre a capacidade dos fungos de decompor os contaminantes do petróleo e absorver metais pesados. Estudos em todo o Canadá descobriram que os salgueiros são eficazes na quebra de contaminantes de óleos orgânicos. Outros estudos descobriram que o álamo, com suas longas raízes, é eficaz na correção e filtragem de águas subterrâneas contaminadas, enquanto os girassóis absorvem tudo, desde o chumbo ao cádmio e zinco, em ambientes controlados.

Mas biólogos e engenheiros ambientais concordam que é enganoso dizer que qualquer tipo de planta funciona melhor para biorremediar solos após o derramamento de óleo. A eficácia da planta sempre depende de vários fatores, como clima local, tipo de solo, tipo de contaminação por óleo, quanto tempo a contaminação existe e quanto está presente.

Em ambos os casos, é essencial trabalhar com plantas locais, diz Nelson Marmiroli, professor de biotecnologia ambiental da Universidade de Parma, na Itália. A introdução de uma espécie estrangeira corre o risco de se tornar um incômodo como espécie invasora, ou pode simplesmente ser incapaz de se adaptar ao ambiente local e morrer.

Marmiroli estuda e trabalha com biorremediação há 40 anos e diz que “provou ser eficaz em várias instâncias, tanto para contaminações no solo quanto na água”. Em um antigo local de refinaria de petróleo perto de Nápoles, onde ele foi encarregado de limpar após derramamentos, Marmiroli descreve o processo de escavar toneladas de solo contaminado e colocá-lo em grandes pilhas sob uma lona, ​​onde pode ser protegido contra padrões climáticos inesperados .

Aqui, eles injetaram microorganismos extras, como bactérias nativas encontradas no mesmo solo, para ajudar a quebrar os contaminantes de maneira mais rápida e eficaz. Essas parcelas de solo foram reviradas continuamente para permitir a entrada de ar e oxidar o solo, e foram monitoradas de perto durante todo o processo de biorremediação, antes de serem recolocadas na refinaria. Outro método, diz Marmiroli, seria aplicar fertilizante no local contaminado que alimentaria os microorganismos já presentes no solo.

A pipeline runs in front of a house on the highway east of Lago Agrio. Locals say oil leaks from pipelines in the region are a common occurrence (Credit: Kimberley Brown)

Pretty much all bioremediation works by “microbial consortium”, says Steve Rock, environmental engineer at the Environmental Protection Agency’s National Risk Management Research Laboratory in the US. Everything from fungi and macroinvertebrates (like worms) to plants often work better together than by themselves, he added.

“So the art of phyto- and bioremediation is figuring out which pieces are missing and adding that,” says Rock. At the well-known Exxon Valdez oil spill off the coast of Alaska in 1989, for example, the company struggled to clean it up until scientists realised a missing nutrient in the surrounding environment was nitrogen. When they added fertiliser containing nitrogen, “the oil degraded fairly naturally”, adds Rock.

Of course, like any clean-up method for heavy pollutants, bioremediation has its limitations. The sites often require a lot of space for the plants to grow, which is harder for oil leaks in towns, cities or anywhere close to buildings, highways and railroad tracks. It also requires a lot of time for nature to do its work, which is not ideal for areas that require a fast clean.

Marmiroli says bioremediation is still “much more friendly and environmentally sustainable” compared with industrial clean-up methods. The most effective industrial method is soil washing, he says, which involves collecting the contaminated soil, putting it into a large machine that uses a variety of chemicals to extract the contaminant, then putting the soil back into place. Not only is this method very expensive, he says, but the cleaning chemicals also degrade the nutrients and microorganisms in the soil, and leaves you with the problem of having to dispose of the extracted contaminant.

To speed up or improve bioremediation, Marmiroli says he prefers to experiment with other natural methods like fertilisers or biochar, “because this is accessible to anybody,” he says. “It’s sustainable technology.”

Derramamentos de óleo, como este em 2008 na província de Napo, no Equador, podem deixar uma marca clara no solo (Crédito: Getty Images)

Métodos de biorremediação em larga escala também foram aplicados no Equador. Miguel Angel Gualoto, professor de engenharia ambiental da Universidade das Américas em Quito, ajudou a projetar e supervisionar várias iniciativas de biorremediação no nordeste da Amazônia.

Um projeto do Ministério do Meio Ambiente do Equador envolveu a limpeza de um derramamento de óleo ocorrido na década de 1980. Quase 30 anos depois, o projeto começou com a escavação do solo contaminado e o mudou para uma área próxima, onde poderia ser oxidado e tratado, como o trabalho de Marmiroli. Aqui eles infundiram com os fungos e bactérias que ocorrem naturalmente encontrados no solo próximo, bem como o composto, antes de colocá-lo de volta no lugar.

Foi um processo grande e minucioso – uma equipe de 13 pessoas trabalhou por 11 meses nas duras condições da floresta tropical para limpar apenas uma poça de petróleo. No total, o projeto custou mais de US $ 2 milhões.

Antes de o trabalho ser concluído, Gualoto diz que sua equipe encontrou quase 80 outros poços de petróleo e derramamentos, a maioria deles enterrada por uma fina camada de vegetação. Eles nunca voltaram a abordar esses locais, dizendo que ninguém está interessado em financiar a biorremediação, pois a lavagem industrial do solo é mais lucrativa. Plantas e micróbios, por outro lado, não geram lucro para ninguém e, portanto, “não são bem vistos”, diz ele.

Gualoto diz que projetos como a iniciativa de permacultura de Gropper trabalharão para remediar solos contaminados, se e quando os poços de petróleo puderem ser erradicados. “Se você colocar uma planta em uma poça de óleo, nada acontecerá”, diz ele.

Gropper reconhece as limitações da permacultura contra esses poços de petróleo e diz que é necessário muito mais para chegar à raiz do problema. “Não devemos estar nessa situação, pois precisamos remediar nossas próprias terras”, diz Gropper. Mas, através de seu projeto de permacultura, ela pretende “identificar o que podemos fazer no nível da família e da comunidade”.

De fato, as razões pelas quais a população local está se voltando para a permacultura são muitas e variadas. Elsa Maria Rios Jumbo, outra participante do curso de permacultura, diz que começou a prática porque acreditava que isso lhe daria mais controle sobre sua própria saúde. Rios, que sobreviveu à leucemia há alguns anos, cultiva 12 tipos de plantas medicinais, oito tipos de orquídeas, 38 tipos de frutas e possui uma pequena horta em um terreno de um hectare com o marido.

Mas Rios também está ciente de que os dois vizinhos de ambos os lados têm poços de petróleo em seus quintais. Ela se pergunta se as piscinas transbordam durante fortes chuvas ou se infiltram no solo. Ela acredita que aprender sobre permacultura e biorremediação a ajudará a se preparar melhor para essas ameaças, diz ela. “Vamos colocar em prática o que aprendemos, e isso é bom para mim, minha família e toda a comunidade”, diz Rios em meio às goiabeiras no seu quintal. “Nós precisamos começar de algum lugar.”