Por que o lixo plástico é um material de construção ideal

E se transformássemos os crescentes terrenos baldios de plásticos em desuso em um novo tipo de construção sustentável?

O descarte de plásticos é um problema global altamente visível – das montanhas mais altas às fossas oceânicas mais profundas, os resíduos de plástico parecem inevitáveis. Em condições naturais, os plásticos são quase indestrutíveis e, no entanto, são descartados em grande escala no mundo todo: o mundo produz cerca de 359 milhões de toneladas de plásticos por ano. O meio ambiente não consegue lidar com o seu descarte em uma velocidade rápida o suficiente para evitar danos aos seres vivos.

Isso levou a um consenso de que os plásticos são um material insustentável. E sim, os plásticos são certamente um problema enorme, mas não necessariamente têm que ser.

A questão principal não é com o plástico como material, mas com nosso modelo econômico linear: os bens são produzidos, consumidos e depois descartados. Este modelo pressupõe um crescimento econômico sem fim e não considera os recursos esgotáveis ​​do planeta.

Mas existem muitas maneiras de definirmos os plásticos em um ciclo de vida diferente – e uma em que venho trabalhando é transformar plásticos em desuso em um material de construção resistente, confiável e sustentável.

A maioria das pessoas acredita que a reciclagem de plásticos é severamente restrita: que apenas alguns tipos podem ser reciclados. Isso não é surpreendente. A proporção de plásticos que são reciclados é mínima. O Reino Unido, por exemplo, usa cinco milhões de toneladas de plástico a cada ano e apenas 370.000 toneladas são recicladas a cada ano: isso é apenas 7%.

Os plásticos são fortes, duráveis, à prova d’água, leves, fáceis de moldar e recicláveis – todas as propriedades essenciais para materiais de construção
Mas todos os polímeros são, tecnologicamente, 100% recicláveis. Alguns deles têm o ciclo de vida perfeito do berço ao berço: eles podem ser usados repetidamente para produzir os mesmos produtos. Alguns plásticos podem ser reutilizados da mesma forma que fragmentam um objeto em flocos, derretendo-o e reutilizando.

Tijolos como esses poderiam ser o protótipo de tijolos de plástico que são fortes e duráveis ​​o suficiente para serem usados ​​na construção (Crédito: Sibele Cestari)

Esses plásticos reciclados podem ter propriedades mecânicas menores em comparação com os plásticos virgens, porque cada vez que você derrete e processa um plástico, as cadeias poliméricas se degradam. Mas essas propriedades podem ser recuperadas misturando-o a aditivos ou plástico virgem. Exemplos de reciclagem industrial bem-sucedida incluem PET ou poli (tereftalato de etileno), que é usado para fazer garrafas de refrigerantes, e poliestireno.

Todo o resto pode ser tecnicamente reprocessado em novos materiais para diferentes aplicações. No caso final, qualquer resíduo de plástico pode ser triturado e usado como enchimento de asfalto, ou ser pirolisado – decomposto por aquecimento – para produzir combustível. A empresa japonesa Blest Corporation já vende uma máquina portátil para converter resíduos plásticos domésticos em combustível de forma simples e acessível.

Trabalhar com os resíduos ‘não recicláveis’ e desenvolver alternativas de plásticos aos materiais naturais pode reduzir a demanda por recursos do mundo
O problema é que reciclar grande parte desse lixo plástico é atualmente inviável e não rentável. Polímeros como borrachas, elastômeros, termofixos e resíduos plásticos mistos são confortavelmente rotulados como “não recicláveis” pelo setor de reciclagem. Mas a quantidade desses materiais em todo o mundo é assustadoramente grande e continua crescendo. E se esse lixo plástico pudesse ser usado para produzir algo útil para a sociedade?

Itens de plástico que consideramos lixo podem ter uma segunda vida na construção devido às mesmas propriedades que os tornam tão difíceis de descartar (Crédito: Getty Images)

Muitas universidades e empresários estão tentando fazer isso. A maioria das soluções é voltada para resíduos plásticos mistos e sugere aplicações diferentes das originais. Por exemplo, vários grupos desenvolveram materiais de construção feitos de resíduos plásticos.

Os plásticos são fortes, duráveis, à prova d’água, leves, fáceis de moldar e recicláveis ​​- todas as propriedades essenciais para materiais de construção. E daí se todo esse lixo plástico pudesse ser convertido em materiais de construção para populações de baixa renda? As iniciativas existentes são promissoras, mas ainda não reproduzíveis em escala industrial.

Estudo resíduos plásticos com o objetivo específico de encontrar maneiras interessantes de removê-los do meio ambiente. Desde 2009, desenvolvi vários materiais de construção feitos de plásticos pós-consumo misturados com diferentes materiais de fluxo de resíduos. De resíduos agrícolas, como o bagaço da cana-de-açúcar – um subproduto da indústria açucareira no Brasil – e borra do café, até resíduos de concreto e entulho de construção, compostos com plásticos reciclados, existem várias formas de obter materiais para produzir tijolos, telhas, plásticos madeira serrada e outros elementos úteis para a construção.

Nossa equipe está atualmente tentando desenvolver um bloco de construção viável feito de plásticos reciclados. Preparamos uma série de materiais prospectivos usando uma mistura de plásticos virgens e reciclados – garrafas PET coloridas, polipropileno, polietileno – e outros materiais de resíduos locais, como cânhamo, serragem, resíduos de concreto e lama vermelha.

Existe uma concepção comum de que algum plástico é “não reciclável”, mas com o tratamento correto não precisa ir para aterro (Crédito: Sibele Cestari)

Atualmente, estamos ajustando as propriedades dos materiais para o processo de rotomoldagem, uma tecnologia de moldagem de plásticos ideal para a fabricação de grandes artigos ocos. Queremos usar a quantidade máxima de plásticos reciclados neste bloco. Os blocos feitos de 25% de plástico reciclado tiveram um desempenho extremamente bom em testes mecânicos. Em seguida, vamos tentar 50%, 75% e 100%.

Também estamos pensando na estética dos blocos. As misturas de plásticos reciclados de várias cores geralmente acabam com uma cor cinza ou preta. Para habilitar a cor, estamos preparando misturas de plásticos virgens ou reciclados para cobrir a maior parte do bloco.

Portanto, talvez os plásticos não sejam necessariamente o problema. Eles podem fazer parte de um caminho para uma forma de vida mais sustentável. Usar um recurso natural ou renovável não é necessariamente amigo do ambiente. A pegada ecológica de um material polimérico é menor do que a de materiais naturais, que têm uma demanda considerável por terras aráveis, água limpa, fertilizantes e tempo de regeneração.

De acordo com a Global Footprint Network, antes da pandemia estávamos demandando 1,75 vezes os recursos disponíveis do planeta. Trabalhar com os resíduos “não recicláveis” e desenvolver alternativas de plásticos aos materiais naturais pode reduzir essa demanda e deixar um planeta mais limpo e sustentável para as próximas gerações.

Construir com resíduos de plástico requer menos recursos do que produtos naturais e, de outra forma, iria para aterros ou para os oceanos (Crédito: Sibele Cestari)

Os materiais de construção feitos de plástico reciclado ainda não são amplamente usados ​​na indústria da construção – os protótipos têm sido usados ​​principalmente para instalações demonstrativas. Será necessária vontade política e ampla conscientização ambiental para incentivar mais investimentos no potencial da reciclagem de plásticos.

Mas, esperançosamente, a maré está começando a mudar, como consequência da crescente pressão da opinião pública sobre a questão da poluição do plástico. Graças ao envolvimento do governo e da indústria com a ideia de uma economia circular, parece que haverá uma abertura no mercado – e na mente das pessoas – para acolher iniciativas de plástico para substituir os materiais de construção convencionais.


Sibele Cestari é uma cientista de materiais poliméricos do Brasil, que atualmente é pesquisadora na Queen’s University Belfast. Este artigo foi publicado originalmente em The Conversation e é republicado sob uma licença Creative Commons. É também por isso que esta história

Operação de limpeza tira 103 toneladas de plástico do mar

A ONG Ocean Voyages Institute bateu o próprio recorde de limpeza em mar aberto em uma expedição que durou 48 dias.

Uma recente operação de limpeza retirou em 48 dias cerca de 103 toneladas de lixo plástico do mar, entre redes e petrechos de pesca e itens plásticos que a humanidade consome no seu dia a dia.

A ação percorreu as costas da Califórnia e do Havaí e foi uma iniciativa do Ocean Voyages Institute que, com a coleta quebrou o próprio recorde de maior limpeza de lixo plástico dos oceanos.

Infelizmente, além do plástico, o navio recolheu muitos animais mortos e esqueletos que estavam envolvidos pelo lixo, em especial por redes de pesca abandonadas em mar aberto.

“Não existe uma solução rápida e simples para a quantidade de lixo nos oceanos. São necessários longos períodos no mar, com uma equipe extremamente competente, para que seja possível realizar ações de limpeza como esta”, explica Locky MacLean, ex-diretor da Sea Shepherd, ONG que atua na proteção da vida marinha.

Foto: Ocean Voyages Institute
Uma grande ilha de lixo se encontra entre o Havaí e a Califórnia, em uma das áreas mais remotas do Oceano Pacífico. Pesquisadores estimam que cerca de 80 mil toneladas de resíduos façam parte desta ilha de lixo, sendo a maior parte proveniente de petrechos de pesca.

As ilhas de lixo se formam graças à ação de correntes oceânicas circulares que concentram o lixo em áreas específicas.

Apesar das ações de limpezas serem parte da solução do problema, é necessário pensar na causa: todos os anos até 12,7 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos e a estimativa é que um total de 150 milhões de toneladas do material circulem atualmente pelos mares.Meio Ambiente,Oceanos,Plásticos,Poluição,Blog do Mesquita

A poluição plástica é composta de micro plásticos a grandes redes de pesca, uma imensidão de produtos que não são biodegradáveis e ameaçam gravemente a vida marinha. Um triste exemplo do mal que estamos fazendo às espécies marinhas foi a baleia encontrada por pesquisadores filipinos com 40kg de plástico no estômago, incluindo.

Estes canudos ecológicos feitos de cana se decompõem em apenas 15 dias

Plantas para produzir canudos biodegradáveis. Se o papel não é exatamente o material mais adequado para criar utensílios que entrem em contato com líquidos, por que não fazer canudos com uma planta que é praticamente uma espécie de canudo já pronto na natureza?

Uma ideia similar à que já tinha vindo em mente ao vietnamita Tran Minh Tien, que havia inventado uma maneira 100% sustentável para substituir os canudos plásticos, difíceis de descartar e muito perigosos para a vida selvagem, especialmente para a fauna marinha.
Nos últimos meses, uma campanha no Kickstarter lançou um novo projeto a favor de outra startup, a La Couleur Monochrome, fundada por Stanislav Poliakof, russo de nascimento, mas vietnamita por adoção, para levar os canudos feito de plantas ao mercado.

A campanha arrecadou 17.462 euros, infelizmente sem atingir a meta de 25.000 até o final esperado da captação de recursos.

Uma pena, porque o projeto poderia realmente revolucionar o mundo, pondo fim à produção de canudos plásticos.

Além do plástico descartável, Europa está pronta para proibir também as embalagens plásticas

A Comissão Europeia está pronta para proibir as embalagens plásticas e está examinando possíveis regulamentações com o objetivo de reduzir o lixo plástico e a contaminação ambiental causada pelo microplástico.

Isso é o que acaba de ser revelado por Virginijus Sinkevicius, novo comissário para o meio ambiente e oceanos da comissão von der Leyen, em entrevista ao jornal alemão Die Welt.

“Definitivamente, queremos expandir as regras para plásticos descartáveis ​​e atualmente estamos investigando qual direção seria possível. Um passo importante seria, por exemplo, proibir embalagens plásticas ou prescrever o uso de plástico reciclado”, afirmou Sinkevicius.

Segundo a Comissão Europeia, mais de 80% do lixo marinho é composto de plástico que, devido à sua lenta decomposição, se acumula no meio ambiente, ameaçando a vida selvagem. Os animais, além de serem presos e mortos no lixo, ingerem pedaços de plástico que acabam na cadeia alimentar e, consequentemente, em nossos pratos.

Animais marinhos confundem plástico com comida. Mas por que será?
Precisamente para proteger a saúde do meio ambiente, da fauna e, claro, a nossa, a União Europeia decidiu proibir artigos de mesa, cotonetes, balões e outros objetos plásticos descartáveis ​​a partir de 2021, e agora também pode proibir embalagens de plástico, exigindo o uso de soluções mais sustentáveis.

A Comissão Européia também está examinando outros possíveis regulamentos para reduzir a poluição de plásticos, do imposto sobre resíduos de plástico aos regulamentos que podem conter a liberação de microplásticos, forçando as empresas a encontrar alternativas para reduzir drasticamente o potencial de liberação de partículas poluentes dos cosméticos, pneus e outros produtos.

O problema do microplástico

Meio Ambiente,Plásticos,Oceanos,Poluição,Blog do Mesquita 05

Os microplásticos são liberados a partir de inúmeros produtos e, como o plástico, se acumulam nos ecossistemas prejudicando solo e água e expõem a população a riscos à saúde.

Segundo Sinkevičius, até o final deste ano, a UE fornecerá uma lista muito detalhada de todos os produtos que contêm microplásticos ou feitos com microplásticos.

Nos próximos meses, a União Europeia poderá tomar medidas para eliminar o uso de plástico para embalagens e reduzir a contaminação ambiental por microplásticos. Enquanto isso, todos nós já podemos fazer muito para limitar a poluição por plásticos, por exemplo, escolhendo comprar alimentos e produtos de higiene a granel sem embalagem ou com embalagem reduzida, reciclável ou de fácil decomposição.

Máscaras contra o coronavírus são piores que sacolas plásticas: o impacto no meio ambiente é devastador

O descarte inadequado das máscaras — hoje usadas por um grande número de pessoas devido à emergência sanitária — está levando a novos riscos concretos de poluição marinha, um problema que já é bastante sério, dada a quantidade de resíduos plásticos que acabam nos oceanos todos os anos.

Durante uma viagem exploratória às ilhas de Soko, em Hong Kong, uma equipe da OceansAsia, organização para a conservação marinha, encontrou pilhas de máscaras depositadas na praia. Daí o alarme: se não forem descartadas adequadamente, esses instrumentos provocarão um forte impacto ambiental.

Atualmente, as máscaras são usadas em grandes quantidades em todo o mundo devido à pandemia de coronavírus, mas, como tantos outros objetos, muitas vezes acabam se tornando lixo abandonado, espalhado por todos os cantos, chegando depois ao mar.

Todo mundo de máscara. Mas será que elas funcionam mesmo?

Um primeiro exemplo concreto disso foi observado em Soko, um pequeno grupo de ilhas localizadas na costa sudoeste da ilha de Lantau, em Hong Kong. Atualmente, a OceansAsia está conduzindo alguns projetos de pesquisa sobre poluição por plásticos e, duas vezes por mês, uma equipe visita as ilhas para investigar e analisar o acúmulo de resíduos na praia.

Na última expedição, a equipe percebeu o efeito provocado pela emergência do coronavírus nesses locais, não em termos sanitários, mas ambientais. Montes de máscaras se espalharam pela costa. Como declarou Gary Stokes, fundador da OceanAsia, ao Energy Live News:

“Encontramos 70 máscaras descartadas a 100 metros da praia e outras 30 máscaras quando voltamos uma semana depois”

Outras se encontravam na corrente e estavam prestes a chegar ao mar (o que não é surpreendente, considerando que 7 milhões de pessoas as usaram na China).

“As máscaras não eram tão antigas, algumas pareciam quase novas, o que significa que elas não estão na água há muito tempo”

Mas quais são os riscos ambientais?
Teale Phelps Bondaroff, diretor de pesquisa da OceansAsia, explicou:

“Uma máscara que venha a ser ingerida por uma tartaruga local, um golfinho-cor-de-rosa ou um boto-do-índico, por exemplo, pode facilmente ficar presa no sistema digestivo desses animais, matando-os.”

Mas não apenas:

A maioria dessas máscaras contém ou é feita de polipropileno, que não se rompe rapidamente.

A poluição marinha de plásticos é um problema sério. Estima-se que mais de oito milhões de toneladas de plástico entrem em nossos oceanos a cada ano. Este plástico não desaparece, mas se decompõe lentamente em microplástico, que entra nas cadeias alimentares, com efeitos devastadores”.

A organização asiática nos lembra algo muito importante: as pessoas definitivamente devem ser informadas para conhecer as maneiras adequadas de descartar corretamente o lixo, ao mesmo tempo que os governos devem prover meios para isso, tentando ainda reduzir o descarte ao máximo possível.

Do ponto de vista tecnológico, cada vez mais novas invenções aparecem: das embalagens aos materiais para construção, um mundo sustentável é possível.

Lixo humano é irreversível. Máscaras e luvas em todo lugar

No começo da pandemia todo mundo achava que a Mãe Natureza tinha vindo dar o recado e que seus filhos teriam aprendido: é preciso preservar nossa casa, cuidar do bem comum para que todos se beneficiem de um planeta habitável e saudável, hoje e futuramente.

Ledo engano!

O lixo humano é irremediável, inexorável e imutável. Nada adianta, nem guerras nem pandemias, nada é capaz de fazer com que o Deus Dinheiro tenha menos devotos fieis:

quebrou, compra outro
usou, joga fora
não serve, se livra

E vamos nos enchendo de lixo que não tem onde jogar fora, porque o fora não existe.

Agora, máscaras e luvas são os novos cigarros que se juntam às velhas bitucas e vamos que vamos, poluindo hoje e sempre, sem que nenhuma lição tenha sido aprendida .

Que triste não é mesmo? A reclamação vem do mundo inteiro. “Esta quarentena forçada deve nos fazer refletir sobre as nossas ações, luvas e máscaras por todo o lugar. Você não pode ser assim egoísta”. Faça você mesmo sua máscara de pano contra o coronavírus, laváveis e reutlizáveis. Se tiver que usar máscaras e luvas descartáveis, descarte-as no lugar correto e em segurança para evitar a disseminação do vírus.

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Se as coisas continuarem como estão, talvez mereceremos sim a extinção. Somos vergonhosamente a pior espécie da Terra.

Plástico vegetal: O fim do lixo

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A Avantium, empresa holandesa de bioquímicos, lançou um projeto pioneiro para fabricar plásticos feitos de açúcares vegetais, ao invés dos combustíveis fósseis utilizados na fabricação dos plásticos poluentes. Isso significa que, muito em breve, cervejas e refrigerantes poderão ser consumidos em garrafas “all plant”.

De acordo com informações do The Guardian, cerca de 300 milhões de toneladas de plástico são fabricadas todos os anos e a maior parte não é reciclada. Isso faz com que elas virem microplásticos e tenham o oceano como destino final, ou pior, retornam para a cadeia quando são ingeridos pelos animais marinhos e, consequentemente, por nós.

Felizmente, muitos planos surgem com a intenção de substituir esse material por alternativas que não degradam o meio ambiente. Um desses projetos é o da empresa de produtos químicos renováveis, Avantium. Em parceria com a fabricante de cervejas Carlsberg, elas pretendem vender bebidas em garrafas de papelão forradas com uma camada interna de plástico vegetal.

Esse projeto conta também com o apoio de grandes empresas como a Coca-cola e a Danone, pois elas estão no ranking das empresas que possuem embalagens mais poluentes, até então. “Este plástico tem credenciais de sustentabilidade muito atraentes porque não usa combustíveis fósseis e pode ser reciclado, mas também se degrada na natureza muito mais rapidamente do que os plásticos normais”, garantiu Tom van Aken, executivo-chefe da empresa Avantium.Ecologia,Plásticos,Meio Ambiente,Ambiente,Natureza,Poluição,Crimes Ambientais,Fauna & Flora,Blog do Mesquita,Brasil

Segundo informações da empresa bioquímica, o plástico vegetal é resistente o bastante para armazenar bebidas carbonatadas, e pode se decompor em um ano usando um compostor.

Em condições externas normais, o plástico vegetal se decompõe em alguns anos, mas a ideia é que ele possa ser reciclado. A mesma tecnologia também pode produzir embalagens para alimentos, tecidos e filmes. O objetivo da Avantium é produzir cerca de 5.000 toneladas de plástico vegetal por ano.

Por que os céus claros do confinamento não são uma boa notícia para o planeta

Nem as águas limpas dos canais de Veneza. Nem as fotos de animais conquistando a cidade

Um grupo de cabras montesas anda pelas ruas de Llandudno, em Gales.

Mudaremos tanto por dentro após a vida de confinamento?
Irrelevante, insignificante, trivial. Esse é o efeito da redução dos gases poluidores (fundamentalmente, dos carros e da indústria) no aquecimento global. Aqueles que vociferam que o novo coronavírus deu um respiro ao planeta, como se espera que prove um céu azul claro poucas vezes visto em cidades poluídas, estão misturando conceitos, como o de qualidade do ar e mudança climática. “O primeiro tem a ver com emissões que nas cidades vêm, principalmente, do tráfego. Aí realmente veremos benefícios na saúde a curto prazo, pois caíram muito pelo confinamento. Mas, se o assunto é mudança climática, o importante é o CO2, cujas emissões quase não caíram a nível mundial”, diz Julio Díaz Jiménez, cientista titular na Escola Nacional de Saúde no Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII).

E continua: “De fato, há somente três dias batemos um novo recorde de PPM na atmosfera [unidade que mede a concentração de dióxido de carbono]. A pandemia não mudou nada”. E mais, foi postergada, por segurança, uma importante reunião que verdadeiramente poderia ter feito algo para evitar secas, incêndios e catástrofes, a Conferências das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (COP26), em que os países se dispunham a aumentar seu compromisso contra o aquecimento global (até agora, insuficiente). No melhor dos casos só ocorrerá em novembro de 2021.Poluição,Meio Ambiente,Blog do Mesquita 01

Não há copo meio cheio que chegue. Enquanto algumas previsões dizem que os estragos do coronavírus farão com que finalizemos o ano com uma queda nas emissões de CO2 de 5%, o necessário é chegar a 7,6% durante dez anos (ou, pelo menos, quedas de 10% mensais nos próximos 12 meses). As conversas para tentá-lo ―agora sepultadas pela urgência da situação― eram muito mais importantes do que essa parada forçada, concordam os especialistas. E meses de negociações foram perdidos… Também não é tão idílica essa nova imagem dos canais de Veneza com águas límpidas e transparentes (até peixes foram vistos). “Sem medições é impossível saber se é pela qualidade da água ou se, pela falta de barcos, os sedimentos não se removem e permanecem no fundo”, afirma Davide Tagliapietra, do Instituto de Ciências Marinhas da Itália.

O plástico sai de seu esconderijo

De acordo com a Bloomberg, nos EUA se passou uma semana entre o primeiro caso de covid-19 e a proibição da Starbucks de que seus clientes levem xícaras de casa para beber seus cafés. Os copos de plástico descartáveis se tornaram obrigatórios por motivos de saúde. A empresa editorial e de assessoria financeira lançou por sua vez um relatório pormenorizado no qual anuncia uma etapa dourada à indústria das embalagens do até bem pouco tempo desprezado material, “já que suas alternativas ecológicas apresentam dúvidas de higiene e segurança”.

Para não falar da altíssima demanda de máscaras, luvas, papel filme transparente e outros artigos muito procurados. O Greenpeace tem certeza de que a poluição por plásticos será um dos assuntos de sua agenda durante a gestão da crise. As corridas aos supermercados não ajudam. “Não temos dados, mas é evidente que há um aumento do consumo de produtos embalados em plásticos descartáveis”, diz a ONG.

Não está tudo perfeito aos animais

Pode parecer, pelas imagens de patos, javalis e cabras perambulando por locais até pouco tempo monopolizados pelos avarentos humanos (não acredite em todas: atenção ao fascículo, que você pode encontrar no PDF do novo número de BUENAVIDA, em espanhol, disponível grátis nesse link). São muitas as espécies, entretanto, que sofreram pela ausência de pessoas durante o confinamento (e continuarão sofrendo no que, previsivelmente, está por vir).

Como denunciou há pouco uma reportagem da revista Wired, qualquer animal com chifres na África, como é o caso dos rinocerontes, hoje corre mais riscos de ser caçado. “[Pela destruição dos empregos dos guardas florestais], se perderá todo o trabalho de conservação feito nos últimos dez anos na região”, avalia, na reportagem, um porta-voz da ONG The Nature Conservancy. É um lamento generalizado de todos os que se dedicam à conservação de espécies, de aves à fauna marina: com laboratórios fechados e fundos paralisados, seu trabalho está em perigo.

A fauna urbana, por sua vez, não está melhor. “As colônias de gatos, os patos, pavões-indianos de alguns parques e as pequenas aves que comem as sobras dos terraços estão desamparados”, afirmou Matilde Cubillo, presidenta da Federação de Associações Protetoras e de Defesa Animal da Comunidade de Madri, ao EL PAÍS. Nos abrigos de animais, não há adoções e voluntários.

Então não há esperança ao meio ambiente?Natureza,Ambiente,Meio Ambientea,Clima,Blog do Mesquita 01

O cientista Julio Díaz, chefe do departamento de Epidemiologia e Bioestatística do ISCIII, lança uma luz sobre o momento crucial ao planeta: “Aprendemos que a saúde pode vir antes da economia. E a defesa do meio ambiente é uma defesa da saúde: não se entende um sem o outro. Mas precisamos lembrar disso após a recessão, e não continuar com o ritmo de crescimento e emissões tão selvagem que fazíamos”.

A questão mais espinhosa: a crise econômica que se espera com a pandemia pode ser uma oportunidade para realizar a transição energética ou se transformará na desculpa perfeita para deixá-la para trás? Díaz tenta, com dificuldades, ser otimista… “Já tenho certa idade. E a história nos diz que ocorrerá a segunda opção.

Nos EUA, Donald Trump anunciou que relaxará as leis ambientais à indústria automotiva para diminuir a recessão. A China já emite gases poluidores pelo tráfego no mesmo nível do que antes da pandemia. Ainda assim, escolhi acreditar”. Gestos individuais? Também os espera: “Acredito que tenhamos aprendido que a bicicleta é um grande meio de transporte, e que não é preciso pegar um avião quando é possível se reunir pela Internet”.

Os microorganismos podem resolver nosso problema de resíduos de plástico?

A reciclagem de plásticos e outros materiais sintéticos costuma ser cara e nem sempre é possível.

Agora, os pesquisadores descobriram uma enzima que decompõe o PET em apenas algumas horas e permite que novas garrafas de plástico sejam produzidas com lucro.

Pesquisadores da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, examinaram cerca de 100.000 microorganismos diferentes e finalmente encontraram o que procuravam em uma pilha de folhas. A enzima bacteriana mutada, agora presente na revista “Nature”, decompõe o tereftalato de polietileno (PET)  Em suas partes constituintes em um curto espaço de tempo: em apenas 10 horas, a enzima mutada decompôs 1 tonelada (1,1 tonelada de US) de velhas garrafas plásticas em 90% de seus componentes.

Solução para o problema global de resíduos?

Há muita esperança de que os microrganismos sejam capazes de resolver nosso problema de plástico em um futuro próximo. Afinal, a reciclagem eficaz de plásticos ainda é apenas um mito. Em todo o mundo, são produzidas anualmente cerca de 359 milhões de toneladas de plásticos, das quais cerca de 150 a 200 milhões de toneladas acabam em aterros sanitários ou no meio ambiente.Afinal, a reciclagem eficaz de plásticos ainda é apenas um mito.

O tereftalato de polietileno (PET) é o plástico de poliéster mais difundido, com quase 70 milhões de toneladas usadas a cada ano. Na sua forma mais pura, o PET é usado na indústria de alimentos, por exemplo, na produção de garrafas, filmes e embalagens de alimentos. O poliéster resistente a rasgões, intempéries e sem rugas também é usado para fabricar fibras têxteis.

No entanto, o PET não pode realmente ser reciclado, apenas reduzido. Durante esse processo termomecânico, o material perde muitas de suas propriedades e pode ser usado apenas para produtos inferiores, como tecidos de lã ou tapetes.

Resultados da pesquisa japonesa

Pesquisadores japoneses do Instituto de Tecnologia de Kyoto descobriram em 2016 que certas enzimas podem quebrar os plásticos. Ao examinar as águas residuais, sedimentos e lodo ativo em uma planta de reciclagem de garrafas PET, eles encontraram a bactéria Ideonella sakaisensis 201-F6. Duas enzimas anteriormente desconhecidas da bactéria são responsáveis ​​pelo processo de decomposição natural. A enzima ISF6_4831 converte PET em um produto intermediário, e a outra enzima, ISF6_0224, converte ainda mais esse produto intermediário para que, no final, restem apenas ácido tereftálico e glicol inofensivos.

No entanto, como esse processo de decomposição natural leva mais de um ano, cientistas da Universidade de Portsmouth e do Laboratório de Energia Renovável do Departamento de Energia dos EUA continuaram suas pesquisas e, acidentalmente, criaram a nova enzima mencionada acima, que decompõe o PET muito mais rapidamente. Os resultados foram publicados pela primeira vez em 2018 na revista “Proceedings of the American Academy of Sciences” (PNAS).

Há muito se sabe que certos fungos podem decompor não apenas o PET, mas também o alsopoliuretano. Milhões de toneladas desse plástico também são produzidas anualmente, principalmente como espuma macia usada para itens como isolamento de espuma, esponjas de cozinha e fraldas, ou como espuma rígida em calçados esportivos, por exemplo. Geralmente, o poliuretano é descartado em aterros, porque o material é muito resistente para ser reciclado.

Quando o poliuretano se degrada, podem ser liberados produtos químicos tóxicos e cancerígenos que matariam a maioria das bactérias. No entanto, a bactéria encontrada em um aterro sanitário e apresentada ao público em março pelo Centro Helmholtz de Pesquisa Ambiental (UFZ) em Leipzig não é afetada.Geralmente, o poliuretano é descartado em aterros, porque o material é muito resistente para ser reciclado.

Provém da cepa das bactérias Pseudomonas, que são capazes de sobreviver mesmo sob condições adversas, como altas temperaturas e ambientes ácidos.

Embora seja muito mais fácil usar bactérias do que fungos para aplicações industriais, Hermann Heipieper, da equipe de pesquisa Helmholtz, estima que ainda levaria 10 anos para que a bactéria pudesse ser empregada em larga escala. Enquanto isso, é importante diminuir o uso de plásticos difíceis de reciclar e reduzir a quantidade de plásticos no ambiente, diz Heipieper.

Perspectivas lucrativas

A enzima recentemente apresentada pode ser de grande benefício não apenas para o meio ambiente, mas também para a empresa francesa Carbios, que trabalha intensamente há anos na decomposição em larga escala de PET usando enzimas e que também financiou esse desenvolvimento.

Em cinco anos, a Carbios pretende trazer o novo processo de reciclagem para o mercado em escala industrial. Isso pode valer a pena porque o custo da enzima é de apenas 4% do custo do petróleo necessário para produzir uma quantidade comparável de novas garrafas de plástico.

Embora as garrafas de PET ainda precisem ser trituradas e aquecidas, o novo processo é lucrativo, disse Martin Stephan, vice-diretor da Carbios. Para garantir que o desenvolvimento de enzimas possa ganhar rapidamente impulso, a Carbios recebe forte apoio financeiro de grandes empresas como Pepsi e L’Oreal.